Notas iniciais
Olá gente bonita do Nyah! Desculpem a demora para atualizar, estou muito cansada em todos os sentidos rs. Ando tendo dias muito difíceis, cheio de chateações e a vontade de escrever evapora. Vi que tem muitos leitores fantasmas e isso desanima ainda mais. Se você gosta dessa fic poste um comentário! Só leva alguns minutos do seu tempo e garante que ela continue. Tem sido difícil encontrar inspiração para escrever, mesmo. Preciso da ajuda de vocês. Sobre o capítulo, está cheio de personagens novos e revelações importantes. Foi um capítulo intenso e difícil de escrever, espero que gostem. Recebi muitas broncas por maltratar demais a Sakura e a Karin rsrsrs e eu entendo. Aos que são fãs peço que as considerem dentro do contexto, elas não estão agindo de boa fé desde o princípio, e não significa que eu esteja expressando minha opinião pessoal pelas personagens. Elas estão atrapalhando duas pessoas que realmente se gostam em nome de caprichos, obsessão ou conveniência e merecem receber o equivalente por isso. Revisei todo o capítulo enquanto ouvia What Hurts The Most do Rascal Flatts, descobri essa música ao assistir um edit de doujinshi no youtube e acho que a letra tem tudo a ver com o capítulo. Caso queiram ouvir é muito bonita. Enfim, espero que gostem. Leiam as notas finais, ok? Boa leitura!

Estava parada, estática no elevador enquanto descia pelos andares da Uchiha Co. Segurava uma caixa de papelão contendo todos os seus pertences, que tivera de recolher apressadamente.

Ainda não podia acreditar. As lágrimas de raiva caíam sem que pudesse segurá-las, por estar carregando aquela caixa enorme nas mãos.

O elevador descia suavemente, vez ou outra parava em alguns andares e abria as portas, mas as pessoas ao verem o estado em que a garota se encontrava acabavam desistindo e apertando o botão para fechar a porta, deixando-a chorar sozinha de raiva e angústia. Ela mal os via, estava preocupada com outra coisa muito mais importante.

Céus, ainda tinha tantas contas a pagar, que terrível momento para perder o emprego! Seu casamento inteiro custou uma fortuna e as parcelas a pagar se perdiam de vista. Com o salário horrível de seu noivo pobretão seria muito difícil conseguir quitar as dívidas. Provavelmente teriam de pegar um empréstimo, isso os faria iniciar a vida de casados no vermelho, mas pelo menos a protegeria da vergonha de uma cerimônia de casório simples e sem graça. Ainda mais depois da festa chiquérrima de noivado que fez, seria desesperador!

Fungou longamente na tentativa de fazer o nariz parar de escorrer. A dor de perder o emprego não era nada perto da humilhação que aquele desgraçado a fizera passar! O modo que a tratou, como se ela fosse uma qualquer, isso não fazia sentido algum! Sasuke não podia ter feito tamanho alarde por uma coisa tão simples quanto um pedido por uma noite juntos! Estac=va certa que não fizera nada de mal, só queria um pouco de atenção porque se sentia sozinha. Naruto fingia que ela nem existia e eles não dormiam juntos há um bom tempo! Estava apenas querendo ficar com alguém, que mal havia nisso? Seu noivo também não precisava ficar sabendo de nada, bastava serem discretos.

O elevador parou no térreo e a jovem de cabelos rosados desceu, cruzando o saguão com passadas duras e apressadas. As pessoas que ali estavam fitaram-na com curiosidade. Ela tentava manter a pose para não tropeçar, mas era difícil se equilibrar no salto alto e fino carregando uma caixa de papelão cheia de objetos pesados.

Chorava tanto que rastros imensos de delineador preto escorriam pela bochecha, misturados às lágrimas, dando à garota um aspecto bizarro. Ela prosseguiu seu trajeto até a porta da frente sem falar com ninguém, sem cumprimentar os porteiros nem as recepcionistas, saindo pelas escadarias em direção ao ponto de ônibus mais próximo. Agradeceu quando sentiu o vento bater no rosto molhado e quente de tanto chorar.

Apoiou a caixa no joelho e com a mão livre tirou o celular do bolso apertado da saia. Estava furiosa!

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Naruto esperava seu copo se encher diante da máquina de café, alheio à conversa animada de alguns colegas de trabalho ao seu lado. Por hora, tudo que queria era tomar um café bem forte e se concentrar no projeto de trabalho.

Estava muito abalado pelo que aconteceu na sala de Sasuke pela manhã. Ruborizou só de pensar nisso.

Definitivamente estava louco por fazer amor com Sasuke em sua sala, tão próximo de sua noiva! Precisava parar de fazer tantas loucuras, em poucos dias estaria casado e não podia mais ceder assim e dormir com Sasuke. Não estava certo.

Claro que fazer sexo com aquele moreno lindo logo pela manhã o deixou super disposto, não podia negar. A tensão acumulada nos ombros havia simplesmente desaparecido. Sasuke realmente sabia ser provocante, era excelente na cama, disso não tinha dúvidas. Mas mesmo assim tinham que parar de se ver!

O copo de café enfim encheu e a máquina soou um apito indicando que estava pronto. Baixou-se para retirar o copo quente e nesse instante o celular vibrou no bolso da camisa, assustando-o e o fazendo derramar café fervendo na mão. Soltou uma exclamação de dor e raiva enquanto agitava a mão queimada e com a outra atendia ao celular, muito irritado.

— O que foi?

— Credo, Naruto! Isso lá é jeito de falar comigo?

— Sakura? – ouviu um fungar longo ao telefone – Você está chorando?

— É claro que eu estou chorando, seu idiota! Eu acabei de ser despedida! – gritava estridente ao telefone e as pessoas próximas ao rapaz ouviam claramente. Alguns colegas de trabalho olharam com compaixão e o deixaram sozinho, sabiam que ele devia estar encrencado fazendo sua noiva chorar daquele jeito. Deu alguns passos para se afastar da multidão, em direção ao corredor da empresa, tapando o celular com uma das mãos enquanto falava em tom baixo.

— Como assim você foi despedida? Eu saí daí há cerca de uma hora e estava tudo bem. O que aconteceu?

A jovem passou a manga da blusa no nariz que escorria sem parar, encharcando-a, mas não conseguiu dizer o real motivo. Naruto não poderia nem sonhar que ela andava interessada no chefe. Achou melhor desconversar.

—... Ele foi muito grosso comigo e me ofendeu, depois me mandou pegar minhas coisas e ir embora.

O sangue de Naruto ferveu nas veias.

O maldito Uchiha estava se vingando dele usando a pobre Sakura que não tinha nada a ver com a história!

— Não chore, eu vou dar um jeito, pode ficar sossegada. Sinto muito que tenha passado por isso.

“Por minha culpa” – inteirou a frase mentalmente.

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Sasuke não atendia suas ligações desde então, nem respondia os e-mails ou mensagens. Sempre que tentava ligar na empresa algum funcionário informava que ele não se encontrava. Obviamente estava fugindo dele.

Isso magoou o Uzumaki durante o dia inteiro.

Estava tão deprimido que comeu o dobro de doces que normalmente comia em um dia e trabalhava largado na cadeira, quase debruçado sobre a mesa, ouvindo músicas de amor não correspondido, vez ou outra mordiscando um cupcake. A cena era deprimente!

Percebeu alguém se aproximar de leve de sua mesa e ergueu os olhos marejados para ver de quem se tratava. Piscou depressa para disfarçar o choro.

Era a estagiária do setor de criação, Hinata Hyuuga, uma menina tímida e muito quieta, que quase nunca falava nada com ninguém. Mesmo durante o tempo que a treinou ao entrar na empresa, ela se limitava a agradecer de forma tão baixa que mal era possível ouvir.

— Precisa de alguma coisa, Hinata? – retirou os fones de ouvido para lhe dar atenção. Ela negou com a cabeça.

— Eu... Só queria saber se você está bem – ruborizou e baixou os olhos. Apertava com força a barra da blusa branca que vestia, seus longos cabelos negros caindo como uma cortina nas costas, a franja quase cobrindo o rosto.

Naruto sorriu amavelmente.

— Desculpe, eu pareço péssimo, não é mesmo? Ninguém diz que estou prestes a me casar – riu desanimado, estendendo uma caixa de bombons para ela – Vamos, pegue um.

— N... Não, tudo bem! – respondeu depressa, muito envergonhada.

— Pegue logo, de preferência o maior da caixa. Só engorda se você comer com culpa – deu uma piscadela divertida e ela sorriu, timidamente, estendendo a mão pequena e apanhando para si um bombom grande e redondo.

—... Obrigada – quase sussurrou, apertando o chocolate entre as mãos.

A cena teria sido fofa se não houvessem sido cortados bruscamente.

— Menos papo e mais trabalho! Temos prazos! A campanha não se faz sozinha! – Gaara, o supervisor da área de criação aparece, irritado, passando as mãos pelos cabelos ruivos como fogo – Hyuuga, pro seu lugar agora! Uzumaki, pare de comer e criar barriga ou vou ter que te pagar licença maternidade!

Todos no setor riram e Naruto fez bico, se endireitando na cadeira.

— Sim senhor! – ironizou e voltou a se concentrar no trabalho.

Era melhor do que pensar na bagunça de sua vida.

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Naquela noite verificou o celular várias vezes apenas para constatar que não recebeu nenhuma resposta do Uchiha convencido e orgulhoso.

Eles já tiveram outra briga, mas dessa vez ele parecia zangado de verdade. Talvez devesse pedir desculpas?

Oras, mas não tinha porque se desculpar!

Preferiu não passar a noite sozinho e foi para a casa de Sakura. Os cômodos já estavam completamente abarrotados de presentes e compras. Utensílios de cozinha, panelas, cobertores, todo tipo de coisa que ainda não tiveram tempo de levar para o apartamento de Naruto, que passariam a dividir depois do casamento.

Andava devagar, encontrando brechas no chão entre as caixas. Topou com o dedo mindinho na caixa do microondas e exclamou um palavrão.

Sempre se sentia sufocado pela falta de espaço daquela casa minúscula, mas sabia que Sakura batalhava muito para se manter sozinha. Era uma das coisas que apreciava nela.

A jovem estava na cozinha preparando o jantar que cheirava maravilhosamente bem.

— Sakura, posso tomar banho? — gritou em direção a cozinha.

— Não demore muito porque a água está acabando!

Ele assentiu, tomando banho rapidamente, lavando apenas o essencial, relaxando e se livrando um pouco da preocupação do dia. Preocupação essa culpa daquele maldito Uchiha!

Ficou triste ao se lembrar, se ensaboando com maior vigor. Dez minutos depois saía do banheiro vestindo apenas a cueca boxer escura, os cabelos loiros úmidos pingavam nos ombros.

Deitou-se largado sobre a cama da garota enquanto a esperava, lutando para encontrar espaço entre as almofadas.

Não sabia dizer se ainda amava Sakura, provavelmente o amor acabou muito tempo atrás e restou somente uma afeição muito grande. Ele a achava forte e determinada, e por isso a admirava, mas não se comparava ao que sentia por Sasuke.

O sentimento que tinha pelo rapaz de olhos negros era quente e intenso, algo incontrolável. Completamente diferente da empatia que nutria por ela.

Praguejou, a lembrança viera lhe atormentar de novo. Depois de fazer amor com ele poucas vezes nada mais parecia tão importante, tão verdadeiro. Ainda que precipitado, a vontade de estar com ele apenas crescia.

Começou a imaginar o que seria de sua vida se estivesse noivo de Sasuke e não de Sakura. A simples ideia acalentou seu coração fazendo-o bater tão depressa que o peito ficou apertado. Uma sensação gostosa de satisfação tomou todo o corpo do Uzumaki.

Oh, droga! Aquilo era um péssimo sinal!

Sakura voltou da cozinha trajando apenas uma camisola de seda da mesma cor de seus cabelos. A transparência do tecido deixava à mostra o corpo feminino e esguio. Fizera dieta nos últimos meses para caber no vestido de noiva e já havia conseguido perder ao menos uns 10 quilos.

Ela lhe sorriu e se debruçou sobre o corpo do loiro. Ele retribuiu o sorriso.

“Eu não devia ter vindo, não quero dormir com ela! Droga, por que não fui pra minha casa?”

Teve vontade de recuar, mas se manteve parado enquanto os lábios perfumados tocavam os seus.

Beijou-a de volta, sem sentir nada especial. Era um beijo técnico, sem paixão nem fervor. O corpo macio deitou sobre o seu, as mãos pequenas e delicadas tocarem seu peito molhado, mas o toque não o excitava. Na realidade começou a sentir certa repulsa, um enjôo longo formou um nó que começou a subir queimando por sua garganta. Afastou-a firme, mas tentando ser gentil, desvencilhando-se e correndo para o banheiro aos tropeços. Abriu a tampa do vaso e caiu de joelhos vomitando tudo que comera à tarde, tossindo com força enquanto cuspia sem parar.

Ao perceber que não havia mais nada no estômago ergueu a cabeça, limpando a boca com as costas da mão. Estava fraco e trêmulo, suas pernas cambaleavam e a cabeça doía. Deu descarga e levantou-se segurando na pia. Lavou o rosto e a boca apropriadamente.

Olhou-se no espelho e quase não reconheceu a figura refletida nele.

Desde quando mantinha um semblante tão cansado? Aparentava ter envelhecido muito em poucos dias. A barba por fazer pinicava seu pescoço, olheiras fundas contornavam os olhos.

Nada bom. Estava péssimo.

Retornou ao quarto algum tempo depois. Sakura se mantinha recostada a um travesseiro lendo um livro. Sequer ergueu os olhos das páginas quando perguntou:

— O que você tem?

— Não sei, acho que um mal estar – sentou-se na cama, respirando fundo. Só então ela ergueu os olhos por cima do livro.

— Você está pálido, isso não é normal. Deve ser por comer tanta porcaria. Eu te falo mil vezes para fazer uma refeição equilibrada e parar de comer guloseimas a todo minuto, parar de jantar macarrão instantâneo, mas você nunca me escuta!

O Uzumaki realmente não queria ouvir sermão algum. Uma dor violenta o fez abraçar o próprio estômago e cerrar os olhos, esperando ela passar. Suas forças insistiam em fugir dele. Respirou devagar, cauteloso.

Algo parecia esmagar seu estômago. Não estava nada bem.

Voltou a se sentar devagar, a dor diminuindo aos poucos fazendo-o respirar normalmente. Precisava deitar e descansar.

— Está se sentindo melhor? – folheava uma página.

— Estou. Desculpe, eu vou pra minha casa.

— Mas... Pensei que fosse ficar aqui essa noite.

— Quero ir pra casa, Sakura. Preciso dormir um pouco, tenho trabalhado muito e feito hora extra todos os dias para pagarmos as contas do casamento. Estou muito cansado. Nós conversamos amanhã, está bem?

— Para você é sempre amanhã, não é? Nem se incomoda em me deixar sozinha, vive fugindo de mim. Se não suporta minha presença agora imagina então quando nos casarmos, Naruto! Ainda temos muitas coisas importantes para discutir sobre a festa, sobre a entrada dos padrinhos, seus pais nem fizeram o ensaio conosco... Está me ouvindo?

Ele apertou as têmporas. Não estava mesmo bem, uma discussão era tudo que não queria.

— Sakura, por favor não dificulte as coisas. Eu preciso ir para casa.

A jovem ficou possessa e continuou discutindo enquanto ele se vestia, seguindo-o gritando impropérios em alto e bom som. Qualquer um das casas vizinhas ouviria.

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O aeroporto estava cheio de pessoas apressadas indo e vindo. Algumas se abraçavam felizes, outras procuravam seus parentes entre a multidão. Havia ainda os que tentavam traduzir as placas com ajuda de dicionários de bolso.

Naruto observava o painel de vôos, sentado em uma das poltronas da sala de espera. Um contentamento agradável encheu seu peito ao perceber que o avião havia pousado. Levantou-se e caminhou até o portão de saída, procurando entre os passageiros uma familiar cabeça ruiva.

Uma mulher baixinha abriu um imenso sorriso ao vê-lo e disparou em sua direção.

Naruto só conseguiu acenar, parado no mesmo lugar enquanto a mulher corria até ele e o envolvia num abraço longo e apertado. Era fabuloso sentir o cheiro nostálgico, a textura inconfundível de sua pele. Trespassou os braços em volta da cintura pequena, quase a cobrindo com seu corpo. Havia ficado muito mais alto que ela nesses anos de distância.

— Bem vinda de volta, mãe. Senti muito a sua falta.

Kushina o apertou tanto que quase o partiu ao meio, mesmo sendo baixa. Segurou em seu rosto com ambas as mãos e sorriu.

— Está ainda mais bonito do que a última vez que te vi!

Ele sorriu gentilmente. A ruiva logo percebeu as olheiras fundas e o rosto pálido.

— Você não parece bem, querido. Tem dormido direito?

“Nem mesmo por um único dia desde que conheci aquele miserável!” – pensou, mas limitou-se a sorrir.

— São as preocupações com o casamento. Sakura não tem me deixado em paz – disfarçou um sorriso.

Kushina o olhou fixamente por alguns segundos, pensativa, mas depois sorriu.

— Sei. Ela é a noiva, deve estar correndo feito louca esses dias.

— Você vai ficar em casa comigo?

— Oh não, querido. Vou para a casa de sua tia, eu não quero atrapalhar vocês – piscou – Devem ter milhares de coisas para resolver antes do grande dia.

Ele fez que sim com a cabeça, disfarçando o desânimo.

— Eu a levo até lá, mãe. Como estão as coisas na sua cidade?

— Tudo muito bem. Corrido, mas bem.

— E o papai?

A mulher fez sinal para trás e ambos viraram-se para perceber um homem alto, com cabelos dourados e pele levemente bronzeada caminhar pela multidão que vez ou outra o admirava fascinada. Os olhos muito azuis se cruzaram e ele caminhou até os dois, com um largo sorriso nos lábios.

— Bom te ver, filho – abraçou-o apertado, dando leve palmadas nas costas. Naruto fechou os olhos por um momento, aspirando com prazer o perfume que trazia tantas lembranças, sentindo-se sumir entre os braços largos e fortes. O pai sempre lhe passou muita segurança. Era calmo, gentil, forte quando necessário, que sempre lhe ensinou a ser um homem de valor.

Sentia falta dos pais, tanta que nem era capaz de expressar. Ser adulto era mesmo complicado.

— Como tem passado, pai?

— Trabalhando bastante – passou a mão pelos cabelos loiros do filho, bagunçando-os ainda mais. Não havia como não notar a semelhança entre eles. Naruto estava amadurecendo depressa – E como vão as coisas no trabalho?

— Excelentes. Fui promovido esse ano. Sorte minha ou não teria conseguido pagar os custos de Sakura – riu, mas Minato percebeu certa melancolia no filho, outrora tão animoso.

— Você e Sakura estão bem?

Naruto praguejou internamente. Era óbvio como um livro aberto, dava para ver estampado em seu rosto a dúvida que o andava corroendo. Seus pais logo perceberam que ele não estava feliz, e não estava mesmo. Mas não poderia deixar transparecer ou causaria ainda mais preocupação.

— Sim sim, tudo ótimo. Ainda temos muitas coisas para acertar. Estou feliz que tenham vindo, de verdade – dessa vez sorriu sincero e os pais decidiram não perguntar nada. Kushina segurou os braços dos dois e saíram conversando agradavelmente rumo à saída principal onde o táxi os esperava.

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O céu amanheceu nublado e fechado. Um dia cinza, melancólico e gelado.

Era manhã de sexta feira, véspera do dia do casamento. Sakura estava alvoroçada e irradiando felicidade. Estava acordada desde a madrugada com sua mãe em uma maratona final de preparativos. Telefonou para o noivo as seis da manhã, atrapalhando seu sono e lançando sobre ele toda sua euforia. Naruto sentiu-se um pouco culpado por não responder com o mesmo entusiasmo.

Lembrava que desde que era adolescente sempre sonhou com aquele momento. Imaginava entrar na igreja e encontrar sua família, seus amigos, pessoas que amava compartilhando sua alegria. A marcha nupcial começaria a tocar e então pelo tapete vermelho sua noiva viria a passos lentos até ele, a que deveria ser a mulher de sua vida, para selarem seus laços eternos. Logo após os convidados os acompanhariam ao local da festa. Haveria risos de contentamento e felicidade. Ao fim, sua esposa e ele partiriam para uma viagem romântica para curtirem juntos o início da vida a dois.

O sonho que sempre pareceu tão lindo em sua mente agora lhe causava arrepios. Apenas pensar na festa imensa que o esperava já o deixava cansado.

Não sabia dizer por que estava tão deprimido. Talvez só quisesse resolver direito as coisas enquanto ainda tinha tempo?

Sasuke não retornou mais as ligações depois do incidente na empresa. Provavelmente havia se acertado com a esposa. Isso era bom, mas sentia que não poderia se casar antes de resolver tudo com ele. Afinal passaram por muita coisa, precisava se despedir devidamente. E se desculpar também.

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A campainha soou logo que saiu do banho. Resmungou baixinho, estava de péssimo humor e não queria ver ninguém naquela noite. Secou os cabelos negros colocando a toalha em volta do pescoço. Vestiu apenas uma bermuda preta e chinelos nos pés. Ainda pegou uma cerveja gelada no caminho até a porta.

— Já vou – falou alto, girando a maçaneta sem olhar antes pelo olho mágico, dando um longo gole na cerveja gelada.

Quando Sasuke viu quem era quase engasgou e tossiu para disfarçar, pousando a lata sobre um móvel próximo. Fitou longamente a pessoa parada junto à porta, com a costumeira expressão de frieza estampada em sua face.

— Posso saber o que está fazendo aqui?

— Precisava te ver uma última vez – Naruto retribuía o olhar firme — Você estava certo sobre tudo, Sasuke.

— Naruto, agora não é uma boa hora para...

— Sei que estou cometendo um erro ao me casar com Sakura. Mas não posso voltar atrás, não um dia antes do meu casamento. Os convidados já viajaram até aqui, meus pais vieram somente para isso – ele sente os olhos embaçarem e estremeceu de leve -... Eu achava que estava tudo bem, que poderia viver em paz com a ideia de me casar com Sakura, mas então você apareceu... Virou meu mundo de cabeça para baixo... E eu não consigo mais pensar em nada que não seja você, eu não consigo dormir, nem comer, nem o trabalho distrai minha mente, eu estou com medo do que vai acontecer, e...

Sasuke tapou a boca do rapaz, impedindo-o de continuar, olhando nervosamente para o interior do apartamento. Apanhou depressa as chaves do carro e o puxou pela mão rumo às escadarias.

Desceram apressados até o estacionamento do condomínio. Sasuke desativou o alarme do carro enquanto olhava para os lados, garantindo que ninguém os seguiu. Empurrou o Uzumaki que caiu sentado no banco de trás.

— Droga! O que deu em você?

— Eu que pergunto – sentou-se ao seu lado e fechou a porta, respirando aliviado enquanto recostava a cabeça no banco. Virou a cabeça devagar para fitar o loiro.

— Você realmente gosta de me meter em encrenca. Por que não me disse que estava vindo para cá? Eu teria buscado e te levado para outro lugar – disse enquanto abriu só um pouco o vidro para poderem respirar. O som foi ligado ecoando uma canção de amor lenta e agradável, que outras vezes o loiro ouvia enquanto pensava nele.

Naruto só conseguia se concentrar no peito nu e molhado, acompanhando com os olhos as gotas de água escorrerem até desaparecerem no short escuro. O tecido leve e maleável evidenciava as curvas, deixava visível a virilha.

Disfarçou, erguendo o rosto para encará-lo, mas foi deveras pior.

Sasuke se mantinha recostado ao estofado do carro, a cabeça pendida para seu lado, olhando-o fixamente, curioso. Os olhos negros brilhavam na semi-escuridão, os cílios longos estavam úmidos, os cabelos molhados pingando.

“Alguém tire esse homem lindo de perto de mim!” – sua mente gritava, mas seu corpo começava a reagir e um calor subia rapidamente desde o pé em sentido ao rosto.

Sasuke percebeu que ele não se mexia e sentou-se mais perto. Segurou com firmeza a cintura do loiro erguendo-o do banco e o sentou calmamente em seu colo. Naruto corou tanto que as maçãs do rosto arderam. Tentou sair, mas o movimento no colo do moreno estava era deixando as coisas mais divertidas.

— Pare de se mexer ou não respondo por mim – avisou, segurando seu rosto para lhe dar um selinho – E então, o que você quer aqui?

— Vim para esclarecer as coisas. Você tem alguma noção do que fez?

— Desculpe, sobre o que está falando?

— Você sabe muito bem do que estou falando! Por que despediu a Sakura? Estava descontando nela o fato de eu não querer mais te ver?

O Uchiha girou os orbes e suspirou, impaciente.

— Foi isso que ela disse a você? Ela não contou nada mais?

— Sakura não tem porque mentir. É óbvio que você não consegue aceitar que vou me casar com ela e a mandou embora só para me provocar.

— Não estou descontando nada em ninguém. Ela me deu motivos para ser dispensada. Se duvida do que eu digo então pergunte a ela o real motivo de ter sido demitida.

— Não acredito em você, sei que despediu a Sakura por causa de ciúmes.

— Mesmo? E veio defender sua futura esposa? – segurou o rosto do outro com força, beijando-o repetidas vezes, beijos lentos e molhados que estalavam. Naruto começou a perder a força das palavras e sua expressão voltou a ficar vulnerável, suas bochechas coraram enquanto se deixava ser beijado.

— Não faz sentido para mim – passou a mão pelos fios negros que grudavam no rosto de Sasuke e este permitiu o toque sem o repudiar — Se você se importasse mesmo comigo não faria sofrer uma pessoa importante para mim.

— Droga, Naruto. Por que se importa tanto com essa mulher? Não percebe que ela nem olha para você? Que está constantemente se jogando pra cima de mim bem na sua frente?

O Uzumaki engoliu em seco.

— Isso não...

— E não venha me dizer que nunca percebeu ela me comer com os olhos! Você sabe disso melhor do que eu, e em respeito a você eu sempre a evitei, mas quem parece não te respeitar obviamente é ela.

Ele baixou os olhos.

Sim, ele mesmo já havia notado, mas o que poderia fazer? No dia seguinte estaria casado, a essa altura não podia se dar ao luxo de ter dúvidas.

Como casal tiveram dois anos inteiros para decidirem se queriam mesmo dividir suas vidas e por mais que hesitasse, Naruto sentia que devia isso à Sakura. Ela o ajudou em momentos muito difíceis, eram amigos há muito tempo, não poderia magoá-la. Não agora que já estava tudo pronto.

— Ela esteve comigo quando meus pais precisaram se mudar e enfrentei a vida adulta sozinho. Ela sempre me ajudou, e eu devo agora retribuir todo o esforço que fez por mim.

Sasuke brincava com as madeixas loiras enrolando nas pontas dos dedos, distraidamente.

— Entendo seus sentimentos, mas o que sente por ela é apenas gratidão. Eu por outro lado quero ficar com você, Naruto. Nunca quis tanto uma pessoa antes. Você não acha que já veio terminar comigo muitas vezes? E no fim não terminamos nada e sempre acaba voltando e se entregando aos meus braços. Não compreendo por que tanta teimosia.

— Não se trata de teimosia, é minha responsabilidade. Eu não posso voltar atrás.

— Por que não pode? O que te impede?

— Pense em como seria desmarcar tudo agora em cima da hora. Imagine o que a Sakura vai sentir, a reação dos convidados, teríamos devolver todos os presentes, cancelar a cerimônia, a festa, a viagem... São coisas demais!

— Então veio jogar na minha cara que vai mesmo se casar e nada do que eu disser vai mudar isso? – dedilhou os lábios rosados e macios calmamente, para então descer e pousar as mãos nas coxas do loiro.

Naruto estremeceu. Segurou nos ombros do Uchiha, estava com muita vergonha, mais ainda porque, sentado naquela posição estava começando a sentir o corpo quente e a empolgação estava aumentando de maneira muito perigosa. E era difícil se concentrar sentindo o corpo debaixo do seu tão empolgado quanto.

— Eu vim para me despedir – mordeu o lábio inferior, sem conseguir dizer mais nada.

— E veio pedir para termos uma última noite juntos?

Naruto baixou os olhos, se sentindo invadido pelo olhar de Sasuke.

Era exatamente o que queria, uma lembrança que pudesse carregar depois, como uma companhia para seus dias mais tristes, mais solitários. A mera lembrança de ter passado uma última noite com uma pessoa que o impactou tanto.

Sasuke compreendeu prontamente. Deslizou a mão por detrás do pescoço fino e o puxou para um beijo, entreabrindo os lábios e deslizando a língua para dentro da boca do outro. Prontamente, Naruto o correspondeu.

Seria uma tortura ficar longe daquele beijo, do cheiro inebriante, do corpo esguio e sensual, das mãos que tateiam seu corpo sem pudor, da língua que bailava perfeitamente enroscando à sua. Não sabia se conseguiria aguentar ficar longe dele!

Mas abandonar Sakura no altar era crueldade demais.

O beijo ficou mais impaciente, mais intenso, cheio de segundas intenções. Sasuke sabia que precisavam ser rápidos antes que fossem pegos. Beijava-o enquanto abria-lhe o cinto e baixava as calças, deslizando depois a própria bermuda para baixo. Suas ereções despontaram apontando para o alto, já completamente prontas. Com uma das mãos ele segurou os dois membros rígidos ao mesmo tempo, a carne quente do outro pulsando junto à sua. Naruto gemeu, mas foi sufocado por um novo beijo. As mãos hábeis de Sasuke se moviam para baixo e para cima em volta das duas ereções, atritando-as, masturbando-as no mesmo ritmo forte e intenso. Naruto podia sentir com prazer a pele se movendo em torno do músculo, para cima e para baixo, quase cobrindo suas cabeças. Os dedos ágeis passeavam pelas veias saltadas, cada movimento o fazia respirar mais forte, sua voz escapava da garganta como se fosse natural, a sensação enlouquecedora o fazendo esquecer qualquer coisa. Era tão bom que simplesmente não conseguia se controlar.

Quando Sasuke dedilhou sua glande ele mordeu bem forte para não gritar, se contorceu no colo dele, o botão rosado e úmido se contraindo, desejando ser possuído o quanto antes.

Sasuke beijou-o novamente e puxou um pouco o lábio inferior com os dentes, atrevido. Respirava depressa, as faces ardendo de desejo.

—... Temos que ser rápidos antes que alguém da segurança apareça – alertou e o rapaz assentiu enquanto erguia o corpo e baixava a calça até os tornozelos, sentando-se no colo do moreno passando uma perna de cada lado. Sua entrada encontrou a ponta rosada do membro rígido e ele foi descendo devagar, abrindo a boca num grito mudo quando a cabeça abriu passagem e deslizou para dentro, alargando-o de uma vez só.

Ambos gemeram juntos, Sasuke cerrou os olhos, se controlando para não gozar só de olhar o loiro descer de maneira tão sensual em seu membro rígido.

Rompida a resistência inicial ele foi baixando os quadris. O movimento longo era tão prazeroso que desceu de uma vez até sentir seu bumbum encostar nas pernas do outro, tendo-o inteiro dentro dele, preenchendo seu interior.

Apoiou nos ombros brancos e começou a se mover devagar, cavalgando seu colo, para cima e para baixo, deslizando quase todo para fora, para entrar firme quando tornava a se sentar, um entra e sai delicioso. A cada vez que se movia mais fácil ficava o movimento, mais depressa.

Arqueou o corpo para trás apoiando nas pernas bem desenhadas enquanto rebolava no membro cada vez mais duro, aumentando o ritmo, se permitindo ser invadido até o fundo, o atrito nas paredes internas lhe causando um prazer tão pleno que não duraria muito tempo.

Sasuke respirava pesadamente olhando maravilhado a silhueta magra de Naruto rebolando em seu colo, vendo sua própria ereção ser engolida pelo buraquinho apertado. Segurou com força a cintura esguia ajudando-o a se mover, apertando-o contra seu colo para poder se enfiar ainda mais fundo. Naruto gemia, já completamente entregue, perdido de prazer, sentando cada vez mais depressa, provocando um barulho molhado quando seus corpos se encontravam. Cavalgava-o impondo seu próprio ritmo, dono da situação e controlando aquele moreno metido. Quando seus olhos se cruzaram Sasuke lambeu os lábios e ofereceu um sorriso malicioso e provocante, para em seguida entreabrir a boca e gemer provocante.

Era maravilhoso encará-lo quando faziam amor. Sasuke era muito sedutor, a pele de Naruto eriçava apenas de olhar para ele. A voz máscula e grave se arrastava cortando o silêncio. O carro balançava de leve conforme se moviam. Os vidros ficando cada vez mais embaçados, o ar entrando rarefeito pela pequena fresta entreaberta da janela.

Sasuke passou a mover os quadris para cima, estocando-o bem depressa e Naruto não conseguiu mais se mover, se deixando ser penetrado. Sabia pela urgência dos movimentos do outro que ele já estava perto.

Percebeu o moreno contrair o corpo e seu interior foi preenchido com o líquido quente em longos jatos, bem fundos.

A visão do Uchiha gozando era a cena mais bonita que já fora capaz de presenciar até aquele momento. Masturbou-se mais depressa, sem parar de beijá-lo, inebriado, ainda subindo e descendo pela ereção que não havia desaparecido e gozou logo em seguida, não podendo conter os jatos quentes de sêmen que escorriam pela barriga lisa e branca do outro, jatos tão intensos que atingiram o pescoço, parte do rosto e cabelos. Sasuke não se importou. Lambeu o canto da boca que havia sido respingado, provando seu sabor.

Naruto respirava depressa, ainda zonzo e sem forças. Sasuke ergueu os olhos para ele, os orbes negros brilhavam na escuridão como faróis.

Só então percebeu o quanto o havia sujado. Dessa vez havia saído muito!

—... Desculpe – passou a toalha pelo rosto, corpo e cabelos, carinhosamente para limpar o próprio sêmen espalhado.

— Não precisa se desculpar. Vem cá — abraçou o baixinho. Naruto apertou-o contra si. Era tão difícil dizer adeus, tão doloroso saber que não o veria novamente.

Sasuke por sua vez o afastou gentilmente, secando com a mão o suor da testa, afastando as madeixas loiras, olhando firme em seus olhos, beijando os lábios de leve.

— É suficiente para você? Ter uma última noite comigo?

Não conseguir sustentar o olhar do outro. Seu queixo tremia enquanto bravamente tentava segurar as lágrimas.

—... Terei de me acostumar com isso.

— E acha que eu vou me acostumar?

— Nós não temos escolha.

— Sempre temos escolha, e você parece ter feito a sua. Se preferir viver uma mentira com uma pessoa que não te ama o problema é todo seu.

O outro riu amargamente.

— Você não é a pessoa mais indicada para me passar sermão, visto que parece nunca ter amado ninguém de verdade na vida. Aposto que também está se divertindo comigo, mas só até encontrar outro passatempo.

— É o que você pensa?

— O que mais posso pensar? Você é sempre tão calculista – sorriu, tristemente – É muito difícil acreditar que um dia se apaixone de verdade por alguém, e é impossível você estar apaixonado por mim, mesmo depois de tudo que passamos.

— E se eu estiver? – indagou, o olhando fixamente. Naruto teve um espasmo de susto e ergueu os olhos para fitá-lo.

—... O quê?

– E se eu tiver me apaixonado por você durante esse pouco tempo que passamos juntos, Naruto? Se eu disser que quero que desista do seu estúpido casamento para ficar comigo? Isso muda as coisas?

A pergunta o deixou paralisado. Sasuke estava muito sério, não havia a ironia costumeira em sua voz e nem aquele sorriso sarcástico estampava seus lábios. Mirava-o atentamente, aguardando sua resposta, um brilho diferente estampado nos orbes negros, uma expressão tênue.

— Eu... – não sabia o que pensar. Estava muito feliz, e muito assustado ao mesmo tempo. Uma de suas mãos foi pega pelo moreno que a pousou no próprio peito. Naruto sentia o coração dele bater descompassado sob a pele, tão depressa quanto o seu.

— Ouça bem: uma palavra sua e enfrento minha família inteira, os advogados, processos ou o que for. Basta você me dizer sim – espalmou as mãos nas bochechas macias. Percebeu os olhos azuis ficarem turvos, lágrimas se formando no interior das pálpebras.

— Para que ir tão longe por alguém que mal conhece, Sasuke?

Ele lhe sorriu.

Não é natural arriscar? Você me fez sentir em semanas mais do que já senti em toda uma vida. Acho que isso significa alguma coisa. Significa arriscar demais...

— Naruto — interrompeu-o em um tom firme — Você quer ficar comigo?

O loiro segurou com força as mãos sobre seu rosto. A dor que estava encravada no peito era tão latente que preferiria a morte a ter de responder, queria desaparecer, apagar seus rastros.

Por que o universo era tão injusto consigo? Por que o fizera conhecer um homem tão maravilhoso como aquele a poucos dias de seu casamento, quando já não havia como retornar?

Abriu os olhos azuis, mais brilhantes do que nunca, e rastros imensos de lágrimas escorreram pelo rosto, molhando as mãos de Sasuke, pingando sem parar. Os soluços sacudiram o corpo.

—... Eu quero muito! – admitiu, despedaçado – Mas eu não posso!

O sorriso morreu no rosto de Sasuke, dando lugar à costumeira expressão fria. Ele o afastou, terminando de se limpar e vestiu novamente a bermuda.

— Vista-se – ordenou ao outro que recuou envergonhado, procurando sua calça largada entre os tapetes do carro, vestindo-se depressa. Não se encararam mais.

Sasuke abriu a porta e saiu primeiro. Tão logo pôs os pés para fora do veículo esboçou uma feição raivosa. Naruto desceu em seguida e o pânico o invadiu a ponto de fazê-lo tremer.

Karin estava parada diante deles. Ela correu os olhos de um para o outro e não foi difícil entender o que havia acontecido.

O pavor que tomou conta de Naruto era tamanho que uma vertigem o fez se escorar na lataria no carro, quase perdendo os sentidos. Sasuke percebeu e o acudiu.

— O que você tem? – baixou-se perto dele – Está se sentindo mal? Quer que eu te leve ao médico?

Naruto não respondeu, antes o empurrou para longe e se pôs a correr o quanto conseguia em direção à saída, sem olhar para trás mesmo quando o ouviu gritar seu nome.

Estava destruindo a vida de todo mundo!

Karin desceu os olhos para a barriga do marido onde podia ver claramente as marcas secas em tom esbranquiçado. Parecia muito entristecida.

— Por que você faz essas coisas comigo? – fungou, parando as lágrimas com as mãos.

— E você ainda me pergunta?

— Eu já te pedi perdão muitas vezes, tudo que eu fiz foi por amar você! Quando você vai me perdoar? Eu não queria fazer mal a ele, eu juro. Só queria que você ficasse comigo!

— Uma coisa é você ser cúmplice de uma farsa para se casar comigo, e outra bem diferente é ter usado como desculpa o corte dos gastos de internação de alguém doente. Posso permitir que brinque comigo o quanto quiser, mas não com uma pessoa inconsciente.

— Mas foi só uma desculpa para...

— Me obrigar a casar com você – completou a frase, friamente.

— Era o melhor para todo mundo. Seu irmão Itachi está desacordado há muito tempo, ele nunca vai acordar! Só você continua pagando fortunas para o hospital cuidar dele, um vegetal semi vivo! Com esses gastos tolos as dívidas dos Uchiha estavam só aumentando, então achei prudente sugerir ao seu pai que cortasse os gastos da internação, e...

— Você sabia que meu patrimônio estava ligado às ações que tenho na Uchiha Co, não é? Com isso eu ficaria sem opções. Se quisesse continuar a arcar com os custos de internação de Itachi eu teria de me casar com você ou ficaria na ruína. Aceitei o contrato unicamente por Itachi, jamais por sentir algo por você, Karin. Não confunda as coisas.

— Mas eu posso cuidar de você como ninguém mais! Eu te amo mais do que qualquer pessoa nesse mundo será capaz de amar! E sei que com o tempo você vai aprender a gostar de mim – segurou timidamente o braço do moreno, mas ele se esquivou do toque.

— Lamento, mas isso nunca vai acontecer.

Ela franziu a testa.

— Aquele rapaz não te ama, está brincando com você e amanhã mesmo estará casado. Sua aventura asquerosa terminou, Sasuke.

— Isso não é um problema seu – fechou o cenho. Aquele assunto o incomodava muito.

— Pois se tentar ir atrás dele eu vou comunicar aos Uchiha que você está me traindo! Eles vão revogar o contrato e sua família vai perder tudo o que possui! Itachi nunca vai se curar se você não estiver casado comigo!

Sasuke permaneceu alguns segundos parado, respirando depressa, com a face vermelha de raiva.

— Espero que possa conviver com essa sua consciência obscura, Karin!

Deu a volta e entrou no carro, dessa vez no banco do motorista.

— Aonde você vai?

— Para qualquer lugar bem longe de você – deu a partida e fechou os vidros dirigindo para longe daquela mulher irritante.

Até passar a noite em um hotel seria melhor. Estava muito nervoso, muito irritado com aquele maldito loiro!

Karin ficou parada no mesmo lugar, desolada.

Nada bom! Estava perdendo-o! Seu amor de toda a vida estava indo embora e logo para quê? Para ficar com outro homem! Que coisa mais suja, nojenta e repugnante! Rejeitar um amor normal e promissor por uma perversão! Não seria capaz de aceitar nunca. Conhecia Sasuke muito bem, sabia que o irmão mais velho era a pessoa que ele mais amava na vida, e por esse motivo não suportaria vê-lo padecer até a morte. Usaria isso como pretexto para mantê-lo preso a ela, pelo tempo que precisasse.

—-

Naruto corria pelas ruas vazias do bairro residencial, muito chique e elegante. Alguns cães de guarda latiram ao ouvir seus passos pesados.

Estava ficando sem ar! Mas enquanto não alcançasse uma distância segura não poderia parar. Caso Sasuke aparecesse seria capaz de não conseguir resistir de novo, de se render outra vez, de fazer alguma besteira.

Sua cabeça estava uma bagunça e seu peito doía tanto que pensou que fosse perder os sentidos. Outra náusea se formou em seu estômago e ele engasgou, sentindo algo queimar e subir pela garganta. Agarrou-se às bordas de um latão de lixo enquanto se encurvava e devolvia o pouco que conseguira comer naquela tarde.

Estava fraco e muito cansado, não aguentava mais. Caiu sentado sobre a guia, respirando depressa. Segurava com força a cabeça, quase arrancando alguns fios de cabelo.

“Alguém por favor me tire desse pesadelo, porque acho que vou enlouquecer!”

Continua.

Notas finais
Obrigada por ler até aqui. Já que leu, deixe comentário! ;) Alguns sinais já estão ficando evidentes! E no próximo capítulo enfim chega o esperado dia do casamento! Para quem leu o prólogo algumas coisas dele simplesmente não couberam porque o capítulo já estava ficando extenso demais, mas prometo colocar nos próximos capítulos. Quero reviews! Sem eles não sei o que gostam, ou desgostam e fica difícil continuar. Comentem! Beijo da Malki e até o próximo capítulo!