Notas iniciais
Olá meus queridos do Nyah, como estão? Atualizei mais rápido dessa vez, não é? E quero que respirem bem fundo porque esse capítulo está gigaaaaaaaaaante, imenso, um exagero!!! Kkkk quando eu terminei de escrever levei um baita susto, mas não vou partir em dois não, dá trabalho! Vou postar assim mesmo, e ele está todo empolgante então separem um bom tempo para a leitura ^^ Tem avisos importantes então melhor lerem com atenção: ESSE CAPÍTULO CONTÉM NARUSASU! Por quê? Porque me pediram muito, e acho que mudar uma vez não mata, além de ser divertido o uke ter um dia de seme e vice versa rs. E acho que o Sasuke bem que merece por andar fazendo o Naruto sofrer. Mas essa fic é Sasunaru e não pretendo mudar isso. Se você se incomoda com Narusasu (Naruto ativo e Sasuke passivo) eu separei o lemon com três asteriscos *** no início e no fim da cena, basta pular esse pedaço, mas aconselho a ler porque ficou muito bom! Abra sua mente! ;) kkkkk Gente eu sou uma garota, é verdade! kkkkkk Eu não sou um garoto! XD Para quem está angustiado com tanto drama e sofrimento para o loirinho, calma! Eu detesto tragédia, já aviso de antemão, mas esses capítulos são importantes. Eu mudei a categoria drama somente por causa desses capítulos, mas sempre prezo pelo final feliz e ele não vem fácil, como tudo na nossa vida. Garanto que as coisas vão se acertando aos poucos. As notas finais tem o resultado da votação para o nome do bebê, não saia antes de ler e de comentar. Ah sim: muito obrigada ThalitaMegaCrazy por recomendar essa fic, fiquei hiper emocionada! Sua sensibilidade é incrível, obrigada! Boa leitura e aproveitem o capítulo absurdamente grande!

— Entre e fique à vontade, só não repare a bagunça – sorriu sem graça, dando espaço para Sasuke entrar.

Morria de vergonha de levar uma pessoa tão rica ao seu humilde apartamento, mas Sasuke insistiu tanto que não teve como recusar.

O Uchiha pediu licença e retirou os sapatos educadamente. Naruto lhe deu um par de chinelos azuis felpudos e macios e Sasuke riu baixinho. Era divertido saber mais sobre ele, inclusive que usava aquele tipo de coisa quando estava em casa.

— Quer beber alguma coisa? Eu fiz um bolo hoje de manhã.

— Não sabia que cozinhava.

— Eu moro sozinho. Ou cozinho ou morro de fome! – riu alto – Sente aí em qualquer lugar enquanto faço café.

Ele assentiu.

Embora o apartamento fosse um cubículo, ao qual Sasuke jamais se imaginaria vivendo, era tudo organizado. A falta de espaço deixava as coisas difíceis e tudo se empilhava, mas estava arrumado e com cheiro de casa limpa. Ao menos Naruto era prestativo e organizado, isso lhe somava pontos positivos.

Percebeu na estante alguns porta-retratos e apanhou um deles. Sorriu maroto enquanto olhava a foto.

Naruto foi uma criança excepcionalmente bonita. Tinha imensos olhos azuis muito vívidos e um sorriso sapeca enorme, bochechas grandes e rosadas, pernas grossas em meias cafonas. Era o tipo de criança que dava vontade de apertar. Seu pai o segurava no colo. Quando jovem era idêntico a Naruto, e quanto mais o olhava, mais os achava parecidos. Porém Minato era mais calmo e pacífico.

Observando as fotos do rapaz, sempre ao lado dos pais, de diversos amigos, percebia que ele foi uma criança bastante amada, o que era estranho para uma pessoa que nunca teve amor ou convivência familiar. Sasuke não se recordava de nada além de crescer com Itachi. Era a única família que conhecia, de modo que ver pais amorosos e gentis era muito estranho.

Naruto voltou trazendo uma bandeja branca com coelhinhos estampados e xícaras idênticas, repletas de café recém feito, quente e cheirando maravilhosamente bem. Sasuke riu a ponto de ficar vermelho, enchendo o ambiente com sua risada.

— Que raios é isso? – apontava para os coelhinhos cor de rosa saltitando felizes pela bandeja toda.

— Se chama “liquidação”! – ralhou, mas nem se importava na verdade e riu junto – Comprei em uma loja de R$1,99 e convenhamos, é muito fofo!

— Se você diz – pegou uma das xícaras ainda rindo e provou o café. O sabor era ótimo, ainda mais para um viciado confesso. À sua frente foi posto um prato branco com um pedaço generoso de bolo de cor laranja com uma cobertura escura. O moreno indagou o que poderia ser, não era muito familiarizado com doces, ainda mais caseiros.

Espetou o garfo e encheu a boca com um pedaço grande, saboreando com cuidado.

Era suave, macio e bastante doce, mas definitivamente saboroso!

Mastigava com vontade, de boca cheia, coisa que jamais faria em público, sendo educado como era.

— O que é isso? – indagou de boca cheia, sem parar de mastigar o que parecia a coisa mais saborosa do universo.

Naruto achou que ele estivesse brincando.

— Ué, bolo de cenoura.

— E a cobertura?

— Brigadeiro de panela. Qual é Sasuke, nunca comeu um desses antes?

Ele sorriu e negou com a cabeça, mastigando extasiado.

— Que triste é ser rico, hein? Isso é um tipo de bolo que as avós ensinam pra gente!

— Se dependesse de minha família para me ensinar alguma coisa eu estaria perdido! – confessou, não parecendo se importar com o assunto. Naruto se sentiu mal por falar mais que o necessário.

— Então eu vou ensinar para você – riu de lado, imitando o sorriso do Uchiha e este soltou um riso abafado.

— Vou explodir sua cozinha antes de conseguir fazer um bolo decente.

O rapaz loiro devolveu o riso, terminando de tomar seu café e estendendo o que restou do bolo para Sasuke. Oras, quem é mesmo que vivia dizendo odiar doces e que só comia tomates o tempo todo?

Naruto baixou os olhos, fitando a própria barriga.

Os momentos que tinham a dois eram excelentes. Quanto mais o tempo passava, mais gostava de Sasuke, mais achava que não poderia viver sem ele e mais precisava dele. O medo de perder tudo o deixava aterrorizado. Cada vez que ele dizia não querer um filho seu coração era feito em milhares de pedaços. Imaginava como conseguiria a chance perfeita de lhe dizer algo tão importante.

E mais: qual seria sua reação?

Quando ergueu os olhos percebeu que o Uchiha o fitava, intensamente. Antes que pudesse perguntar qualquer coisa, Sasuke avançou até ele e o deitou no sofá, subindo em seu corpo, encarando-o atentamente.

— Sabe que não vim aqui apenas para tomar café, não é? Você tem me deixado de lado e não gosto nada disso.

Naruto somente conseguia fitar os olhos negros.

Com certeza a falta que sentia era muito maior. Cada fibra de seu corpo gritava por ele, os malditos hormônios desestabilizados o fazendo oscilar entre choro, tristeza repentina, euforia, carência, urgência, medo... Era como um pesadelo! Naruto não estava acostumado a sentir tantas coisas diferentes ao mesmo tempo. Entendia bem melhor as mulheres em suas fases de TPM agora. Era algo completamente incontrolável e involuntário.

Claro que queria ficar com ele. Por ter medo de perdê-lo o andou afastando. Sabia que era questão de tempo até Sasuke descobrir toda a verdade. E sabia bem que quando isso acontecesse teriam de se despedir.

Mas, uma semana inteira de privação estava deixando-o literalmente a subir pelas paredes! Sentia falta do corpo forte de Sasuke. Tanta que sequer o empurrou quando este começou a beijar seu pescoço devagar, para então encontrar seus lábios. A língua molhada circulou a boca fechada e Naruto entreabriu os lábios, permitindo que ela escorregasse para dentro de sua boca, enroscando a língua à sua em meio ao beijo longo, profundo, cheio de saudade. As mãos hábeis descendo pela cintura esguia

Queria lhe pedir para se deter, mas quando mirou seu rosto, tudo que pode fazer foi apertá-lo mais junto a si. Seu corpo estava quente, um péssimo sinal. Não queria fazer essas coisas com ele, não estando grávido...

Antes que percebesse havia murchado por completo na mão de Sasuke. Este percebeu e olhou para baixo, sem entender.

— O que foi? Perdeu o ânimo?

— Desculpa! – cobriu o rosto de vergonha por ter brochado – Não é que eu não queira, é só... Bem... Eu não sei explicar!

O mais velho não pareceu se importar. Sentou-se calmamente.

— Acontece com todo cara um dia – deu de ombros – Se não está muito a fim então pegue suas coisas. Vamos dar um passeio.

— E para onde vai me levar dessa vez?

Ele sorriu.

— Para um lugar em que possa relaxar.

—-

A água quente levava os resquícios das ervas e do sabão importado, a espuma enchendo o ar com aroma agradabilíssimo! Naruto relaxou por completo, enfiando a cabeça debaixo da ducha, sentindo com prazer a limpeza esfoliante, deixando sua pele completamente limpa.

Estava em um luxuoso SPA, e o mandaram direto para um banho de esfoliação e limpeza profunda. Diziam ser importante para prepará-lo para o ofurô. Ele obedeceu, sozinho no imenso banheiro, lavando-se ao som de uma agradável melodia de meditação. Podia passar horas ali, seus músculos outrora doloridos estavam relaxados por completo, a tensão nos ombros sumiu de uma vez.

Terminou seu banho e secou-se numa toalha muito fofa e felpuda. Logo que terminou de se secar localizou um kimono do tipo Yukata, tradicional para se usar em casas de banho. Era branco com detalhes alaranjados, e teve certeza de que a cor foi sugerida por Sasuke. Trespassou o tecido pelo corpo, o peito ficando à mostra, as faixas atadas num nó à frente. Passou a mão pelos cabelos lisos porém rebeldes, desfazendo alguns nós.

Ouviu batidas leves à porta e pediu que entrassem. Uma senhora adentrou, lhe sorrindo.

— Está confortável, senhor Uzumaki? Imagino que as ervas o tenham feito relaxar.

— E muito! Me sinto ótimo!

— Percebi em sua ficha que o senhor pediu para falar com uma profissional sobre sua saúde e por isso vim até aqui conversar.

— Ah, sim... – passou a mão pela nuca, sem jeito -... É porque estou grávido, e não sabia se alguma coisa poderia fazer mal ao bebê.

A mulher abriu bem os olhos rodeados de rugas.

— Grávido? Mas que coisa inusitada! O rapaz que o acompanha é seu esposo?

—... Não... Ele ainda não sabe de nada. Por favor, não diga a ele.

— Certamente que não, senhor Uzumaki. E não se preocupe, indicaremos o melhor atendimento para o seu estado e ao fim oferecemos uma massagem relaxante ao senhor e seu bebê. Por hora me acompanhe, por favor.

Ele assentiu, calçando chinelos de palha e seguindo a mulher por um corredor largo, cheio de plantas e bambus até uma porta ao fim deste.

— Se precisarem de algo basta ligar para a recepção. Aproveitem bem – ela disse, fechando a porta quando o rapaz acenou e entrou no recinto.

Era um grande salão de banho, com uma fonte no meio onde as águas desciam tranquilas, as luzes faziam as cores oscilar. O chão era de madeira lisa e bem tratada e mais a frente havia um imenso ofurô também de madeira envernizada.

Olhou de canto e encontrou um divã onde Sasuke o esperava assentado. Vestia um Yukata branco com detalhes azul escuro, a posição deixando suas pernas brancas à mostra. Os cabelos estavam molhados, lisos, caídos sobre os ombros e rosto, diferentes dos fios espetados usuais. Ele sorria provocante, bebendo calmamente o vinho de uma taça.

Naruto corou ao olhar para ele. Naquele cenário exótico conseguia ficar ainda mais bonito. Ele fez sinal com a mão pedindo para o seguir, e Naruto obedeceu sem pestanejar, sentando em seu colo. Um dos braços dele trespassou seu corpo, a mão subindo até a nuca loira, puxando-o para um beijo. Algo foi derramado em sua boca e percebeu que era vinho que ele lhe passava através do beijo. Estremeceu de desejo, mesmo sabendo não poder beber por causa da gravidez, mas se permitiu sorver apenas o gole que o moreno lhe passava pela boca. O sabor forte esquentou seu rosto, era doce e refrescante, e ainda estava bem gelado.

Naruto se deixou ser beijado, sem pressa, enquanto se remexia no colo do outro, aproveitando a abertura do Kimono que deixava o peito liso à mostra. Espalmou as mãos na pele macia, buscando os mamilos rosados, circulando-os com as pontas dos dedos. Percebeu Sasuke começar a respirar mais depressa com o toque.

Separaram-se e se encaram. Sasuke sorveu mais um gole de vinho, sorrindo safado.

— Vou encher uma taça para você.

— Espera – segurou em seu braço antes que ele levantasse -... Eu não quero beber nada alcoólico.

O outro não entendeu.

— Por quê? Você adora vinho.

— Ah, então... Ordens do médico! Eu estou tomando alguns remédios e não posso tomar álcool senão corta o efeito! – mentiu, surpreso por encontrar uma boa desculpa.

O outro pareceu preocupado, colocando sua taça de lado.

— Você está bem? Não sabia que estava em tratamento. Quer tomar suco então? Ou talvez um chá.

— Eu estou bem, de verdade – sorriu para disfarçar – Aquela banheira ali está me chamando! – levantou-se do colo dele, saltitando feliz até o ofurô.

Um cheiro gostoso subia pelo ar, adocicado e suave, um cheiro instigante e delicioso.

Naruto foi atraído para a água quente como um ímã. Ficou ao lado da banheira enorme. Pétalas de rosas boiavam suavemente, a fumaça subia pelo ar relaxando sua pele.

Sorriu, logo tirando os chinelos. Abriu o kimono e deixou o tecido escorregar pelo corpo, ficando completamente nu. Isso teria sido o bastante para fazer Sasuke voar para cima dele, mas o loiro andava arredio, tinha de ser cuidadoso para não afugentá-lo novamente.

Sentou-se na borda, o bumbum macio amassado contra a madeira, coisa que não passou despercebida pelo olhar atento do Uchiha. Testou a temperatura colocando os pés no interior da banheira. O calor logo subiu por seu corpo provocando um prazeroso arrepio e ele riu de satisfação. Sustentou o peso do corpo nos braços para afundar de vez, até os ombros no ofurô, sentando-se no fundo da banheira de bambu. A água quente emergiu cobrindo seu corpo e ele suspirou de prazer. O cheiro adocicado ficou ainda mais forte e, curioso, ele provou seu sabor. Exclamou alto em seguida.

— Tem gosto de chocolate! Mas como pode se é transparente???

— São essências, essa água é potável, pode beber se quiser. Ainda bem que pedi para não colocarem nada alcoólico nela – sorriu, apoiando-se na beirada, olhando o reflexo do corpo nu do rapaz sob a água.

Naruto fez exatamente isso enchendo as mãos e derramando o líquido em sua boca. O sabor doce de cacau desceu por sua garganta, quente, fresco. Apesar do gosto e cheiro tão característicos a água não era oleosa, tampouco grudenta. Era límpida e clara.

Era delicioso! Ele brincou, afundou a cabeça inteira para então tornar a emergir, bebendo tanto quanto podia. Entendia agora o porquê do banho exagerado anterior, precisava mesmo estar completamente limpo para provar aquele banho doce de essência!

Ouviu o farfalhar de tecido e percebeu que Sasuke tirava o kimono de banho. O algodão escorregava pela pele branca lentamente, o rosto baixo fazia os fios negros caírem pelo rosto.

Naruto esqueceu-se de todo o resto enquanto olhava para ele. A visão era tão encantadora que merecia toda sua atenção.

Sasuke volveu o olhar para seu pequeno amante, o corpo nu e macio completamente exposto sob a água cristalina. Caminhou até a borda tirando os chinelos. Sentou-se, pondo apenas os pés limpos na água. Ignorou os degraus e com um movimento leve mergulhou na água morna, fazendo-a se agitar, as pétalas vermelhas rodeando seu corpo. Soltou de uma exclamação de pura satisfação ao sentir os músculos relaxarem.

Tornou a se aproximar de seu alvo, envolvendo-o pela cintura. Este se deixou ser abraçado, seu peito roçando no do outro, suas pernas entrelaçadas. O pouco contato já indicava que estavam “animados” com a presença um do outro. Melhor intervir antes que não conseguisse mais se controlar!

— E se alguém entrar?

— Não seja bobo, esse banho é para casais. Ninguém jamais entraria aqui.

O outro ainda ia argumentar, mas foi calado por um beijo. O calor de seus corpos era refrescado pela água. Naruto o beijou sem reservas, passeando as mãos pelo corpo quente e macio. O cheiro de chocolate aguçava seus sentidos, aumentava sua excitação, o fazia beijá-lo com mais fervor, sua língua passeando pelo céu da boca, esbarrando nos dentes, o sabor doce misturado à saliva. Era quase enlouquecedor.

Estava completamente ereto, apontando para cima, imprensado contra a barriga de Sasuke que o sentia pulsar forte contra si. Sua ereção estava tão dura quanto, trespassada por entre as pernas do jovem loiro. Esfregavam seus corpos numa dança lenta e sensual, sem parar de se beijar. O desejo aumentando em um ponto insuportável. Naruto respirou depressa, quase zonzo, quando enfim seus lábios foram soltos. Mais um pouco e teria perdido o fôlego! Atacou o pescoço branco arrancando suspiros. O sabor o fazia beijar, lamber, mordiscar a pele branca, já saborosa por natureza e ainda mais convidativa que nunca.

Sasuke deleitava-se, permitindo ser atacado. Sabia que, gostando tanto de doces, ele ficaria completamente extasiado com aquele banho. E estava certo.

—... Vai acabar me devorando de verdade – riu

— Não duvide que eu o faça... Você está uma delícia assim.

Ele riu, afastando-o lentamente. Porém seus braços foram segurados firmemente atrás das costas e fitou o loiro, sem entender.

Naruto o beijou faminto, as mãos segurando seus pulsos com força.

Já estava passando dos limites aquela brincadeira sem graça.

—... Naruto, me solte.

— E se eu recusar? – lambeu o contorno dos lábios dele, puxando-lhe o lábio inferior, um brilho diferente estampado em seus olhos. Havia um desejo avassalador neles e pelo olhar que recebeu, Sasuke realmente sentia como se o outro quisesse lhe devorar por completo.

Bem, a médica havia lhe dito que sexo fazia bem aos grávidos, que o contato com o pai era benéfico à criança, desde que não tentasse nada muito mirabolante. Tinha pouca barriga, então ainda podia se divertir.

— Eu não quero te machucar então me solte de vez — exclamou com firmeza.

Naruto roçou a cintura na dele, esfregando copiosamente suas ereções, fazendo-o gemer baixinho. Sorriu travesso.

Ele bem que merecia isso, por todo o sofrimento que andava lhe causando. Por cada lágrima que o fizera derramar, cada palavra afiada como lâmina, cada ação que o deixava destroçado.

Era sua própria vingança.

Num movimento rápido virou Sasuke de encontro à borda, ficando atrás dele. Segurou seu próprio membro, roçando a cabeça contra a entrada do outro. Sasuke volveu o rosto irritado para trás, o olhar feroz o desafiando, mas suas faces estavam completamente vermelhas e ele respirava pesadamente.

—... Parece que o feitiço se voltou contra o feiticeiro, Sasuke... E nem tente resistir. Você me deve essa.

Ele riu de lado.

— E posso saber por que lhe devo? Sabe muito bem que posso me soltar se quiser.

— Mas não parece disposto a fazê-lo não é? – forçou de leve, rompendo a resistência, e o rapaz moreno estremeceu – E você me deve por me fazer chorar.

Sasuke não tinha como contra argumentar.

—... Se me deixar entediado terá um troco terrível à sua espera.

— Vou me lembrar disso, mas é você quem devia relaxar – beijou seus ombros, tateando o peito largo, passando os dedos pelos mamilos de leve –... Senão vai acabar sentindo muita dor.

O Uchiha estava se divertindo com toda aquela história de quem pega quem, isso o excitava. Não contaria ao seu pequeno amante que já tivera todo tipo de experiência sexual, sendo ativo, passivo, com homens, mulheres, jovens, mais velhos... Sasuke sempre buscou alento nos braços de alguém, por isso era excelente quando se tratava de sexo. Possuía experiência vasta.

Rebolou o traseiro branco. Só porque aceitou ser passivo não significava que ficaria à mercê do outro sem tomar as rédeas, era parte de sua personalidade.

Naruto forçou-se mais para dentro dele, a cabeça entrando devagar conforme o buraquinho se abria. O movimento era contínuo, mas estava difícil entrar. Era a primeira vez que Naruto fazia esse tipo de coisa. Todas as vezes que dormiu com outro homem sempre foi dominado. Era quase um fetiche poder enfim ter seu dia de glória.

Gemeu, extasiado quando sentiu o calor da cavidade ao redor de sua ereção. Era um tipo diferente de prazer, um tipo mais forte. Deslizou até o fim, até sua virilha encostar-se ao bumbum liso. Sasuke virou o rosto para encará-lo, uma expressão sedutora estampada nele, os lábios abertos, o olhar lânguido e penetrante, a voz rendida... Naruto poderia mesmo devorá-lo inteirinho!

Começou a se mover, sem conseguir aguentar mais. Entrava e saía devagar, a cabeça buscando ganhar espaço no canal apertado, abrindo passagem, alargando o caminho e esfregando-se nas paredes. Sua ereção era quase estrangulada, como se aquele buraquinho tão apertado quisesse lançá-lo para fora. Segurou nas nádegas macias e muito lisas, separando-as de modo que pudesse ver sob o reflexo da água morna seu membro entrando e saindo.

Sasuke segurou-se com força na beira do ofurô até a cor sumir da ponta de seus dedos.

Maldição, era bom! Bom demais para se controlar!

Empurrou o corpo para trás, usando o outro como bem queria, forçando uma penetração mais rápida e mais funda. A voz escapava sozinha da garganta a cada investida e quando tentava se calar sua respiração o denunciava. Cada nova estocada que recebia, bem funda, invadia seu corpo de deleite e prazer.

Obedecendo o ritmo, Naruto segura em sua cintura, passando a penetrá-lo mais depressa, a água se agitando no interior da banheira, batendo contra seus corpos. As mãos macias o seguravam com força enquanto arremetia inteiro para dentro dele.

Sasuke rangeu os dentes ou sua voz o denunciaria. Não que conseguisse esconder muito bem. Estava bastante excitado, tanto que enfiou a mão dentro d’água, buscando a própria ereção na esperança de conseguir algum alívio ou acabaria mesmo enlouquecendo.

Naruto não permitiu. Saiu todo de dentro dele de uma vez e então o virou de frente para si. O Uchiha o olhava surpreso, muito vermelho, o rosto molhado de água e suor, os cabelos desordenados, a boca rosada entreaberta por onde escapava uma respiração ruidosa, o peito pálido subindo e descendo muito depressa.

Naruto sentou-se nos degraus da banheira, abrindo as pernas.

—... Vem – pediu com a voz rouca, os olhos azuis turvos de deleite olhando seu lindo amante diante dele. Sasuke obedeceu como uma ordem, subindo sobre seu corpo como um felino, sentando-se no colo, uma das mãos segurando seu ombro, a outra buscando a ereção do rapaz e colocando-a de encontro à sua entrada, para então sentar-se com um movimento longo. O canal já devidamente dilatado permitiu uma penetração profunda e eles gemeram juntos.

O Uchiha dobrou os joelhos e usou os pés como alavanca para subir e descer, impondo seu próprio ritmo e vontade, o interior completamente tomado pela ereção pulsante do outro, a fricção o deixando louco de desejo, as investidas arrepiando a pele que era exposta para fora da água.

Naruto não se cansava de olhar para ele. Era extremamente sexy, a ponto dele querer se enfiar inteiro. Movia os quadris inconscientemente, ajudando a penetrá-lo, tomando o cuidado que não cavalgasse próximo ao baixo ventre. A expressão do Uchiha era simplesmente inebriante. Ele virava o rosto para os lados, o encarava firmemente, gemia sem pudor ou reservas, chamava seu nome baixinho, movia o corpo de maneira graciosa enquanto rebolava em seu colo, fazendo entrar e sair o mais fundo que podia dentro dele.

Naquele ritmo Naruto não duraria muito tempo... Era incrível descobrir enfim qual a sensação que Sasuke tinha cada vez que o penetrava. Era um tipo diferente de prazer, mas tão delicioso quanto.

Segurou a ereção de Sasuke e começou a masturbá-lo, sorrindo ao perceber o rosto enrubescido se contrair e a expressão suavizar, quase implorando. A voz que escapou de seus lábios era doce e sofrida, ele estava mesmo chegando lá... E isso incentivou Naruto a manipulá-lo mais depressa, apertando a mão em torno da ereção grossa, esfregando o polegar na cabeça rosada, abrindo de leve o buraquinho na ponta por onde algumas gotículas começavam a surgir.

— Pare de me... Provocar... – tentou manter a pose austera, mas se retorceu ainda mais quando sentiu seus testículos serem massageados, a mão subindo pela extensão de sua ereção até a ponta, a curva entre a glande sendo friccionada com força.

Naruto encontrou a posição que mais lhe favorecia, de modo que conseguia se enfiar bem fundo, o movimento roçando a próstata do moreno que jogou a cabeça para trás, gemendo abandonado, perdido de tanto prazer. Seu buraquinho estava quente pelo movimento incansável de vai e vem, mas ele não se importava, não sentia mais nada que não o prazer intenso daquele membro cada vez mais duro se enfiando nele. Era bom demais. Segurou com força as pernas do loiro, percebendo que iria gozar.

Mas o Uzumaki foi mais rápido e apertou a cabeça de sua ereção fechando o buraquinho, impedindo-o de gozar. O moreno praguejou milhares de palavrões, a expressão sofrida no limite de excitação.

Maldito Uzumaki! Estava querendo mesmo se vingar! Olhou para ele, a vista embaçada pelo gozo interrompido. Naruto lhe sorria provocante enquanto continuava a forçar os quadris para cima, sem parar de penetrá-lo.

—... Algum problema, Sasuke...? – falava enquanto lambia os lábios adocicados – Você parece nervoso...

— Seu... Aaaaah! – se retorceu de novo ao ser novamente manipulado. Segurou com força nos joelhos dele, seu corpo inteiro trêmulo, quente, desesperado por alívio. Precisava gozar ou ficaria louco! Num ímpeto encurvou-se e buscou os lábios num beijo lânguido, sôfrego, indecente, segurando em seus ombros, rebolando sobre sua ereção. Naruto correspondeu imediatamente o beijo, segurando a cintura e penetrando-o com maior vigor. A posição o fazia entrar um tanto arqueado, mas podia sentir a virilha do moreno junto à sua, assim como os testículos batendo em seu ventre. As mãos podiam passear pelo traseiro macio, abrindo-o bem para poder se enfiar como queria. Sasuke o sufocava com um beijo faminto, sua língua passando por cada canto da boca. Masturbava-o num ritmo contínuo, apertando a base entre as mãos.

E então seus lábios foram soltos. Pode ver o rosto de Sasuke se contrair, uma mescla de dor e prazer absoluto passou por sua expressão quando ele abriu a boca e gemeu alto, gozando com intensidade debaixo d’água, entre os dedos de Naruto, o líquido branco se espalhando pela água conforme os jatos fortes saíam sem controle. Ele estremeceu, cerrou os olhos, até que todo o sêmen houvesse enfim sido expelido do corpo, seu ânus se contraindo em espasmos, enforcando o membro de Naruto. O arrepio de prazer foi cessando aos poucos, a respiração desesperada voltando ao normal.

Abriu os olhos fracamente e sentiu o outro sair de dentro dele, ainda duro. Naruto ficou de pé na banheira, à sua frente, o membro enorme diante de seu rosto. Ele deslizava a ponta úmida em seus lábios avermelhados e Sasuke entendeu imediatamente, deslizando-o para dentro de sua boca, segurando-se às nádegas, chupando-o com deleite. O cheiro forte de esperma subindo pelo ar junto à fumaça.

Naruto quase não conseguia sustentar o peso do próprio corpo quando Sasuke o lambia e chupava daquela maneira. Passava a língua pela extensão toda até a ponta, entreabrindo a fenda com a língua, mordiscando a glande. Apertava a boca em torno da carne enquanto o chupava até o fundo da garganta, todo até o talo... Dedilhava seus testículos enquanto o chupava, provocando um barulho molhado, sem o menor pudor.

Naruto agarrou os cabelos negros enquanto gemia sem controle. Sasuke abriu os olhos e os ergueu para ele, ainda o chupando sem parar, fazendo o membro escapar entre sua bochecha, arqueando-a. O loiro estremeceu de imediato.

“Maldição, não me olhe desse jeito!” – pensou, sem conseguir tirar os olhos dele enquanto se via sumir dentro da boca aveludada, quente e convidativa.

Um espasmo subiu seu corpo e ele se enfiou com força, fazendo o outro engasgar de leve, jorrando com força sêmen grosso e quente pela garganta do moreno abaixo. Gritou de prazer, abandonado, as pernas tremendo, as mãos apertadas nos cabelos negros. Deixou que todo o líquido espesso e quente escapasse de seu corpo para então desabar de volta na água, esgotado. Sasuke franziu a testa e engoliu, ruidosamente.

— Ah, não engula! – o loiro corou violentamente, colocando a mão em forma de concha diante da boca para ele cuspir. Este apenas riu de lado.

— Não tive muita escolha se você gozou no fundo da minha garganta – passava a mão de leve sobre a boca.

— Desculpe, eu nem vi o que estava fazendo, estava tão bom... – riu sem graça – Mas em minha defesa foi você quem disse que esperma faz bem para o humor lembra? E eu bem te disse que seria o próximo a acabar com seu estresse, não diga que não avisei!

— Oh, então a culpa é minha? Você vem, acaba com meu traseiro como bem entende e ainda quer ter alguma razão?

— Eu não machuquei você, não é? – olhava-o genuinamente preocupado. O ato tão sincero fez o moreno ficar sério seu coração batendo depressa no peito.

—... Claro que não, idiota.

Naruto suspirou aliviado, rindo em seguida e se aproximando para beijá-lo amorosamente. Sentiu o gosto de seu próprio gozo na boca do moreno. Este bagunçou de leve seus cabelos. Parecia muito relaxado e bem humorado.

— Só para saber: é a primeira e última vez que te deixo fazer isso comigo.

— Quê? Mas isso não é justo!

— Nada contra, mas prefiro ter você entre meus braços. Quando te olho todo vulnerável tenho vontade de te proteger.

Naruto desviou o olhar, envergonhado.

Estava tão entretido que até esqueceu seus problemas. Riu divertido ao se dar conta que havia dominado Sasuke estando grávido. O moreno não entendeu.

— De qualquer modo vou ligar na recepção e pedir para trocarem a água.

— Ah é... Eu tinha até me esquecido que a sujamos.

— Culpa sua por me fazer gozar nela. Ao menos fui educado o suficiente para não te soltar até ter engolido tudo – provocou-o, caminhando para fora do ofurô com um movimento ágil e bonito. Ficou de pé na borda, olhando para ele. Estendeu-lhe a mão para ajudá-lo a sair. Naruto assentiu e a segurou, tomando impulso para sair da água. O ar lhe causando um leve choque térmico.

— Pois você não parecia nem um pouco preocupado com isso enquanto estava gemendo e chamando meu nome, fazendo mil caras fofas de êxtase e rebolando em cima do meu pau duro! – ralhou de volta, atrevido. Sasuke corou e ficou irritado.

— Por isso mesmo estou dizendo que não farei mais esse tipo de coisa! – respondeu sem graça, o rosto vermelho como um tomate, até suas orelhas coraram.

Ouviu a risada divertida, como a de uma raposa.

— Admita: você gostou um bocado! E aposto que ainda vai querer de novo.

— Só nos seus doces sonhos – devolveu, irritado, enquanto o puxava para a ducha.

—-

As malas estavam postas num canto, já devidamente preparadas. Sentiu certo aperto no peito, afinal por sua causa eles viajaram para tão longe em vão.

Mas ao menos pode vê-los por alguns dias. Isso não tinha preço.

Minato e Kushina haviam passado alguns dias na residência de parentes e estava chegando a hora de retornarem à sua cidade e cuidarem de suas vidas. Viajaram somente para o casamento do filho, e depois de toda a complicação que foi ainda ficaram mais alguns dias para se certificar que estava tudo bem.

Naquele momento na casinha pequena e aconchegante de sua tia estavam somente Naruto e sua mãe. Havia ido visitá-la enquanto ainda podia, pois ela logo voltaria para casa. Seu coração doía por isso, não queria ficar longe dela.

— Já que são meus últimos dias na cidade, quero passá-los ao lado de meu filho – a mulher ruiva sorriu docemente – Não sabe a falta que me faz, querido. Eu adoraria poder ficar ao seu lado.

Naruto estremeceu. As mães pareciam ter algum tipo de sensibilidade paranormal para ler o que se passava com um filho. Quando seu bebê nascesse talvez ele se sentisse da mesma maneira.

Precisava dela mais do que nunca, tinha milhares de dúvidas, queria apoio, estava desolado e o mundo inteiro havia se voltado contra ele. Ela não podia ir embora.

— Eu também adoraria, ainda mais agora. Eu realmente não sei bem o que fazer. Eu preciso muito de você, mãe – sua voz tremia.

A ruiva arqueou uma sobrancelha. Estava certa sobre seus temores, havia algo errado com o filho, podia sentir claramente. Esse foi um dos motivos para chamá-lo para conversar.

Ela se sentou ao seu lado, percebendo como ele era alto, como ficou com os ombros largos.

— Diz isso por causa do seu rompimento com a Sakura, querido?

— Não. Isso já está no passado.

— Então é algo mais grave? Algo que tem a ver, talvez, com o rapaz que apareceu no seu casamento?

Um espasmo o fez tremer e ela percebeu de imediato.

— Sei o quanto você é indeciso. Imagino que esteja sofrendo sozinho porque não consegue envolver as pessoas nos seus problemas, acha que está estorvando, mas acredite: ninguém consegue fazer nada estando sozinho. Se está encrencado pode me dizer, resolvemos isso juntos.

— Ah, mãe! – abraçou-a apertado, furtivamente. Apoiou a cabeça no ombro, sentindo o perfume dos cabelos ruivos – Eu realmente não sei mais o que fazer!

Os dedos finos enroscaram em seus cabelos, despenteando ainda mais as madeixas loiras.

— Se acalme e me diga o que está acontecendo. É o garoto de cabelos escuros, não é? Ele é a razão para você andar tão estranho esses dias?

Ele fez que sim, ainda dentro do abraço.

Kushina suspirou.

O modo como aquele rapaz interrompeu estoicamente a cerimônia, como acudiu seu filho, o modo como Naruto olhava para ele... Sabia que sentiam algo um pelo outro, algo forte e intenso.

— E por que está tão desesperado, querido? Aquele rapaz só tem olhos para você. Precisava ver como ficou preocupado quando você desmaiou, além disso ele correu até a igreja apenas para te impedir de se casar. Ele realmente gosta de você.

— Esse não é o problema, mãe.

— E o que é então? É porque ele também é um rapaz? Você não deve ligar para o que os outros vão pensar. O importante é ser sincero consigo mesmo.

Ele se calou, as lágrimas molhando os ombros da ruiva.

—... Nós já... Já estivemos juntos antes... Sei que isso é errado, e a culpa vem me corroendo, mas eu...

— Você o quê? – ela estranhou – Acho que já está bem encrencado por aceitar sair com um homem casado.

— O casamento dele é de fachada, apenas um acordo familiar. Ele nem ao menos convive com a esposa.

— Ainda assim não é certo o que estão fazendo.

— Eu sei. Ele já havia me dito que largaria tudo para ficar comigo, e eu ia aceitar, mas... As coisas tomaram um rumo tão complicado.

— Nem acredito que caiu nessa conversa de que ele vai se separar por você. Mas enfim, o que está acontecendo de tão grave, Naruto?

Ele a olhou nos olhos, receoso, sem saber ao certo o que dizer. Mordeu o lábio inferior.

—... Eu descobri há poucos dias... Que sou compatível.

Kushina recuou um pouco, olhando-o muito séria. Fitou seus olhos como se perguntasse se aquilo era possível e ele fez que sim, chorando ruidosamente em seguida.

A ruiva ficou estática por alguns segundos, tentando processar a informação.

— Eu não posso acreditar! Naruto... Você está grávido? – olhava seu ventre inchado, colocando suas mãos sobre ele.

Ele assentiu que sim.

Podia sentir o leve inchaço. Em partes sentiu-se eufórica, sentia falta de ter uma criança em casa. Mas o filho não parecia nada feliz.

Você quer a criança? Porque vou te apoiar no que decidir fazer.Eu quero sim.

— Não contou a ele ainda, não é?

Naruto esfregava com força os olhos úmidos nas mangas tentando em vão secar o rosto.

— Eu não tive coragem de dizer. Eu não tinha a menor ideia que era compatível, e tivemos uma conversa casual um dia desses. Ele não quer ter filhos. Além disso, é herdeiro legítimo dos Uchiha e está casado através de um contrato, mesmo não amando sua mulher. Eu sabia que era errado, mas não consegui ficar longe dele...

— Você o ama?

Ele fez que sim com a cabeça, ainda soluçando.

—... Amo – Admitiu finalmente – Eu o amo tanto que chega a doer. Nem posso imaginar como seria terrível ficar longe dele.

— Sei que se sente dessa forma, mas ele precisa saber. Tem de contar toda a verdade.

— Eu não posso. Não quero que ele descubra porque se sentiria obrigado a ficar comigo. Eu quero ter essa criança, vou cuidar dela sozinho se precisar. Mesmo que precise fugir para longe daqui.

Kushina fez bico, aquele menino era mesmo muito cabeça dura. Com certeza puxou o lado da família Namikaze, porque os Uzumaki definitivamente não eram tão indecisos e sem iniciativa!

— E acha que vai resolver alguma coisa fugir de seus problemas? Que eu saiba não se faz um filho sozinho! Pense bem no que quer fazer. Ele tem que saber, e só depois de falar com ele você pode decidir seu futuro. Se precisar de um lugar para ficar saiba que seu pai e eu sempre acolheremos você. É um filho maravilhoso, e se precisar de amparo nós o daremos a você.

—... Obrigado, mãe.

—-

O chá esfriava na xícara sobre o bistrô de centro. O velho Uchiha olhava pela janela, em direção aos jardins da mansão sede. Alguns pássaros voavam e cantarolavam. Sua mente estava concentrada.

— Sasuke está ficando encurralado. Achei prudente usar isso em meu favor – Madara respondeu por fim a pergunta do filho que pareceu surpreso.

— Então o estado de Itachi...

— Não é de todo uma farsa. Itachi está mesmo em coma irreversível, e já foi desenganado há muito tempo, não existe mais possibilidade dele acordar. Ficará vivo pelo tempo em que mantivermos os aparelhos funcionando. Se desligarem, ele morre. Isso para mim é o mesmo que já estar morto – Piscou calmamente, como se falasse de um inseto e não de seu próprio neto.

Fugaku assentiu, desprovido de qualquer tipo de emoção ou empatia para com o estado desolador do filho.

— Entendo por que mandou o hospital comunicar ao Sasuke que os aparelhos seriam desligados. Para o hospital manter internado um paciente sem perspectivas de melhora é pura perda de tempo. Isso com certeza pode pressionar aquele estúpido a cumprir sua parte no acordo. Ele não pode arcar com esse gasto sozinho se ainda precisar pagar uma multa para a família de Karin pela quebra de contrato.

— É conveniente para mim que Sasuke sinta que está ficando encurralado. Cedo ou tarde ele irá ceder e vai acabar aceitando dar o filho que Karin quer. Itachi é a melhor forma de mantermos Sasuke na linha, foi uma “sorte” que ele tenha sofrido o acidente ao invés do garoto com quem saía – as sobrancelhas baixaram perigosamente, formando uma ruga imensa na testa — Seus filhos parecem ter nascido com um gene bastante odioso.

Fugaku suspirou de indignação e vergonha. Baixou a cabeça perante o pai.

Tanto Itachi quanto Sasuke só sabiam causar preocupação e envergonhá-lo diante do patriarca. Como herdeiros legítimos era sua obrigação gerar novos herdeiros para o clã, mas seu desgosto começou com Itachi. Sendo o primogênito e estando na linha de frente da sucessão acabou por se envolver com outro rapaz! Além de tudo um sem boas raízes ou fortuna. O caso foi motivo de escândalo dentro e fora do clã. E quando todos depositaram suas esperanças em Sasuke, este parecia se inclinar para o mesmo mal, além de ser arredio, sem raízes, como se o vento o levasse a qualquer parte livremente.

Esse foi o motivo principal para Fugaku deserdar a mãe dos dois, bani-la do clã e fazê-la prometer que jamais voltaria a cruzar seu caminho. Ela lhe dera filhos defeituosos, que se envolviam com outros homens, culpa de seus genes de classe inferior. Um Uchiha deve sempre se casar com uma mulher em perfeitas condições de saúde que possa gerar um filho saudável e forte.

Mikoto sofreu até quase enlouquecer, não queria se afastar dos filhos. Por fim o próprio clã acabou encontrando meios de garantir que ela não tornasse a aparecer diante deles nunca mais, e os filhos nunca tiveram conhecimento do real motivo da separação dos pais. Um dia simplesmente foram informados que ela havia ido embora. Sasuke era muito pequeno, não compreendia nada, então passou semanas agarrado ao irmão chorando sem parar. Itachi sentia falta da mãe, mas precisava ser forte pelo menor, sempre lhe dizendo a mesma coisa.

“Você não pode deixar ninguém te ver chorar, Sasuke, ou vão te maltratar ainda mais. Precisa ocultar seus sentimentos, ser forte. Se estiver triste venha até mim, somente na minha frente você pode chorar o quanto quiser”.

Madara pigarreou e o filho tornou a si, seriamente

— Se Sasuke cumprir sua obrigação no contrato eu não me importo com quem ele se deita, se é com um homem ou com uma mulher. Karin quer um filho, e ela bem sabe da promiscuidade de Sasuke. Se aceitou ficar com ele mesmo sabendo disso, ela não vai se importar com suas aventuras. Por hora é necessário pressioná-lo para que cumpra sua parte no acordo. E a melhor forma de fazer isso é pedindo ao hospital que aumente cada vez mais o custo para manter Itachi internado. Uma hora Sasuke terá de ceder.

— Karin pode acabar se cansando de esperar e pedindo realmente o divórcio.

— Tenha calma, Fugaku. A aliança que temos com a família de Karin é muito conveniente. Dá-nos poder e segurança para assinar contratos, para conseguir investidores e parcerias. A solidez que esse jovem casal passa é muito boa para os negócios e se tivermos um herdeiro, a família Uchiha vai se beneficiar ainda mais. Teremos nos livrado por completo de nossos problemas financeiros. Devemos agradecer à Karin por ter se apaixonado por seu filho estúpido, não fosse isso ela não aceitaria firmar o contrato conosco. O que acontecerá com a criança depois disso não é mais problema nosso.

— Sei que me diz isso, mas não sei o que fazer para Sasuke lhe dar o filho que tanto deseja!

Madara volveu o rosto calmamente para o filho. Um sorriso discreto estampado no rosto inacreditavelmente jovem para um homem de idade tão avançada.

— Basta pressioná-lo com aquilo que mais o machuca.

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Abriu a porta discretamente, tentando não voltar todos os olhares para si.

— Com licença... – pediu educadamente, entrando pela porta que dava acesso ao setor de recursos humanos da empresa onde trabalhava. A supervisora do local era uma conhecida sua, Ino. Recentemente a jovem se cansou do clima corporativo sempre tenso da Uchiha Co e pediu ajuda a Naruto, para levar seu currículo a empresa onde ele trabalhava. Com ajuda do rapaz ela conseguiu o emprego, então esperava sinceramente que ela pudesse ajudá-lo agora que precisava.

Bem, isso somado ao fato de que, antes de começar a namorar Sakura, Ino sempre deu em cima dele deliberadamente. Odiava admitir, mas não se sentia seguro suficiente para lidar com um mulherão daqueles. Ino era dona de uma personalidade imensa, além de chamar atenção por onde ia pela aparência maravilhosa. Apesar de achá-la muito bonita e de se atrair por ela fisicamente jamais correspondeu às investidas, até que ela desistiu e por fim se tornaram amigos.

Sempre que Naruto parava para pensar ficava em dúvidas se Ino realmente se interessava por ele ou se estava somente querendo confrontar Sakura. As duas se conheciam há tempos e sempre estiveram disputando em absolutamente tudo, para ver quem era a melhor.

Talvez até mesmo o fato de Ino ter trabalhado na Uchiha Co e agora se mudar para a mesma empresa de Naruto fosse uma forma de provocação?

Jamais teria essa certeza, mas achou melhor não pensar muito nisso porque tinha problemas mais sérios para resolver. Um assunto como aquele era muito delicado… Mas não teria como evitar mais. Andava passando muito mal e precisava saber como funcionava a licença paternidade para homens compatíveis, antes de falar com seu chefe. Isso o faria decidir se continuaria na empresa ou se pediria demissão.

A jovem loira organizava uma pilha de papéis sobre a mesa, algo como vales refeição e vale transporte dos funcionários. Vestia uma saia justa que evidenciava o quadril grande e volumoso, as pernas grossas vestidas em meia fina escura e saltos pretos nos pés. A camisa branca estava por dentro da saia e não havia muito decote, mas era possível perceber a fenda que evidenciava os enormes e fartos seios arredondados. Seus cabelos, como de costume, presos num coque no alto da cabeça, a franja solta pelo rosto. Usava maquiagem forte, como sua própria personalidade. Era uma mulher extremamente sexy.

Quando o viu ali parado abriu um imenso sorriso.

— A que devo a honra de sua visita? – sorriu com o jeito debochado costumeiro.

— Eu preciso falar com você, a sós. Tem um tempo para mim? – sorriu de volta. Ino podia ser um tantinho excêntrica, vaidosa e fútil, mas sempre o tratou muito bem.

— Para você sempre tenho um tempinho, gato. Vai para a minha sala que já te encontro lá.

Ele obedeceu seguindo para a sala ao lado, sentando-se em uma cadeira e aguardando a chegada dela.

Ino adentrou logo em seguida, fechou a porta e sentou-se diante dele. A sala era apertada, mas confortável.

— Em que posso te ajudar? Seu chefe conseguiu te infernizar de vez e veio pedir as contas?

— Oh, não – negou rapidamente, com um sorriso – O senhor Sabaaku é ótimo, não tenho do que reclamar – o sorriso foi morrendo no rosto dando lugar à expressão melancólica que o perseguiu nos últimos dias – Trata-se de um assunto muito mais delicado, e bastante sério.

Ela estranhou tanta formalidade vinda dele.

— Ok então, sou toda ouvidos.

— Eu gostaria de saber... Bem, se essa empresa disponibiliza licença maternidade.

Ela arqueou uma sobrancelha.

— Sim, naturalmente. Qualquer empresa o faz hoje em dia. Mas por que a pergunta? Não me diga que engravidou alguém? – abriu a boca, passada.

— Eu quero dizer... Para homens – baixou o rosto muito vermelho, mirando os próprios joelhos, incapaz de olhá-la nos olhos. Estava com tanta vergonha que queria sumir.

A jovem piscou depressa, fazendo uma imensa expressão de quem acaba de descobrir a fofoca do século!

— Não vai me dizer que você está grávido daquele gostoso do Sasuke?

Ele a encarou de pronto, vermelhíssimo!

— P... Por que teria de ser logo do Sasuke???

— Oras meu querido eu estava no seu casamento e o vi invadindo a cerimônia todo majestoso e desesperado, não é muito difícil imaginar que estava louco de ciúmes de você pelo jeito que te olhava – piscou, divertida. Naruto só conseguiu se sentir ainda mais constrangido, embora o comentário tenha lhe deixado internamente muito feliz.

—... De qualquer forma eu preciso realmente saber.

— De quanto tempo você está grávido, Naruto?

—... Sete semanas – admitiu, ainda mirando o chão.

— É bem recente, não é? Vou ser sincera, gravidez masculina ainda não é reconhecida oficialmente pelo ministério do trabalho, o que eu particularmente acho um absurdo, mas você tem direito sim a tirar licença assegurada pelo governo. Geralmente as empresas demitem os compatíveis que engravidam porque o tempo de reclusão costuma cobrir mais meses do que os das mulheres, por se tratar de uma gravidez de alto risco. Mas não fazemos isso.

—... Então eu posso continuar a trabalhar aqui?

— Mas é claro, gatinho. Só vai precisar cumprir um prazo prévio antes, a menos que seu médico o afaste por não ter condições de trabalhar.

— Não, não! Isso é ótimo, obrigado Ino! – sentia-se muito aliviado, não saberia o que fazer se fosse mandado embora.

— Por hora é melhor não estressar o chefão porque você o conhece bem, vamos deixar para contar quando você já tiver um pouco mais de barriga – ela riu – Enquanto isso vá adiantando o trabalho e darei entrada na papelada para você. Eu o chamarei quando liberarem no sistema e contaremos ao Gaara com antecedência para ele não surtar.

— Eu nem sei como lhe agradecer.

Ela sorriu, encarando-o nos belos olhos azuis.

— Você não precisa, meu bem. Só a satisfação de imaginar a cara da testuda quando souber faz tudo valer à pena! Eu daria tudo para ver! Mas fico feliz que tenha se livrado enfim dela, aquela criatura cor de chiclete não gosta de ninguém, te maltratava do jeito que queria. E ainda dava o maior mole pro Uchiha. Imagina quando ela souber que o Sasuke preferiu o noivo ao invés dela? Hahahahaha eu precisava mesmo ver isso!

— Pode guardar segredo, por favor? Não quero que ninguém saiba na empresa, pelo menos por enquanto.

— Claro, sabe que eu nunca contei nada que envolva você. Mas que pena que gosta de homens, é um desperdício.

— Ino, não comece...

— Ok, ok! E quanto ao Sasuke?

Naruto desviou o olhar tristemente e ela compreendeu tudo.

— Tudo foi um grande acidente. Eu me deixei levar, não fazia ideia que era compatível, e Sasuke já deixou bem claro que não deseja ter filhos.

— Alguma hora vai ter que contar a ele. Você vai ter uma gravidez muito complicada pela frente e não pode enfrentar tudo isso sozinho. Compatíveis sofrem bastante com desmaios, dores intensas, sangramentos, enjôos...

— Você parece saber bastante sobre isso.

— Mas é claro! Afinal eu nasci do meu pai – deu de ombros – Ele é compatível, assim como você. Ele diz que também ficou chocado quando soube, mas que logo o choque passou e a ideia lhe pareceu totalmente normal. Imagine para dois caras que se amam de verdade, ter a possibilidade de gerar um filho é um baita presente! Você devia se achar privilegiado.

Ele sentiu-se contagiado com as palavras dela. Sua perspectiva até aquele momento era tão sombria que nunca parou para pensar que realmente havia pessoas que poderiam apoiá-lo, que apesar de poucas, nem todas as pessoas o achariam repugnante.

—... Obrigado, Ino.

Levantou-se e agradeceu novamente, abrindo a porta de uma vez e a fechando atrás de si.

Ficou petrificado ao ver que alguém estava parado diante da porta do lado de fora.

Hinata estava de pé, assustada. Segurava nas mãos um atestado médico, referente a um atraso que teve em um dia de consulta oftalmológica, e estava esperando para ser atendida. Ela jamais pretendia ouvir algo tão sério.

O mundo todo girou e Naruto sentiu vontade de sumir. Estava tão envergonhado que não sabia o que fazer e ficou parado no meio do caminho, entre a sala do RH e a garota de olhos perolados.

—... Hinata... – não sabia o que dizer, estava tão nervoso, tão desesperado!

Não queria que ninguém soubesse, não ainda.

A pequena Hyuuga virou os olhinhos para ele, parecendo um pouco entristecida.

Nutria uma paixão secreta desde que ingressou na empresa. Naruto foi o único que a ajudou a compreender o serviço, que confiou no potencial dela. Era muito tímida, muito reservada e isso fazia as pessoas confundirem timidez com incapacidade. Naruto a ajudou a ter confiança em si própria para mostrar a todos seu real potencial, até mesmo seu pai que nunca acreditou nela ficou surpreso ao perceber a filha crescer profissionalmente.

E por causa de tanta admiração, quase devota, acabou se apaixonando por ele.

Mirou o chão, tristemente.

— Isso é verdade? – perguntou com a voz baixinha.

Ele a puxou gentilmente pelo braço em direção ao corredor, próximo à janela, onde sabia que não teria como ninguém ouvir.

Ela o olhava quase aflita, amassando o papel que tinha nas mãos.

— Você... Está mesmo grávido, Naruto?

—... Estou – concordou enfim. Não adiantaria mesmo esconder por muito tempo. Muito em breve seus sintomas deixariam evidente e todos saberiam.

Ela fez que sim com a cabeça, como se enfim conseguisse assimilar, embora parecesse desolada.

Teria de desistir mesmo dele. No fundo sabia que aquele romance nunca daria certo, ele já havia dado sinais de que não a correspondia, somente ela continuava insistindo.

— Hinata, eu te peço, por favor, que não conte a ninguém sobre isso.

— Não vou contar. Mas você vai precisar contar ao senhor Sabaaku.

— Não posso fazer isso ainda, ele teria um ataque de nervos até encontrar um substituto. Farei o que puder com Ino antes, não se preocupe. Eu realmente preciso deste emprego, Hina-chan, eu estou sozinho.

A Hyuuga ficou admirada. Nunca imaginou que ele fosse o tipo de pessoa que embarcava em uma aventura.

— Mas... E o pai do bebê?

— Ele não vai querer essa criança, eu tenho certeza.

Ela se sentiu compadecida.

— Isso é muito cruel, não? O pobre bebê não tem culpa de nada.

Ele sorriu, tristemente.

— Por hora eu vou pensar no que fazer. Obrigado, por não dizer nada.

Ela sorriu de volta.

Naruto a ajudou quando mais precisava, quando achava que não tinha mais saída, quando precisava se levantar de um poço de desilusão e sofrimento e mostrar a todos que podia tomar as rédeas de sua vida.

Tudo que ela conseguiu foi com ajuda dele.

Não importava se ele não corresponderia seus sentimentos, o ajudaria para retribuir tudo que ele fizera de bom.

— Quer ir almoçar comigo e com Ino naquele restaurante de comida saudável? Ela me arrasta para lá porque está sempre de dieta – riu baixinho – E agora você também precisa comer bem.

Ele sorriu gentilmente.

— Só se eu puder comprar um chocolate imenso no caminho de volta!

—-

Aproveitou a chegada do fim de semana para fazer uma pequena visita. Queria ver com seus próprios olhos se a situação era mesmo tão grave quanto fizeram crer.

Naruto seguiu até o hospital onde Itachi permanecia internado, porém não disse nada à Sasuke. Não queria esbarrar com ele, queria apenas falar com seu irmão, ver se ele estava bem.

Ainda se lembrava em que andar ficava o quarto onde o Uchiha mais velho estava internado.

Entrou devagar, para não fazer barulho. As janelas estavam abertas e uma refrescante brisa entrava por elas, chacoalhando as cortinas. As luzes estavam acesas.

Parou, pasmo ao perceber que não estava sozinho no quarto. O susto o fez derrubar as flores que trouxera, chamando a atenção da pessoa para si.

Havia um homem sentado ao lado do leito de Itachi. Era dono de um olhar calmo e atento, seus longos cílios puxados contornando as íris avermelhadas. Tinha um rosto angelical, quase feminino. Em seu rosto desciam mechas de cabelo ruivo desordenadamente, liso, curto, um tanto repicado.

Observava calmamente o rapaz loiro petrificado junto à porta. Nunca o tinha visto antes.

— Quem é você? – indagou confuso.

Naruto não pode deixar de notar que ele segurava a mão de Itachi junto à sua, ternamente.

— Desculpe, eu volto em outra hora! – apanhou desajeitadamente o buquê caído no chão e tentou sair depressa para não ter que dar satisfações, mas foi impedido.

— Espere. Eu não quis assustar você.

Naruto queria evitar contato com pessoas próximas aos Uchiha, até porque já tinha problemas o suficiente.

O ruivo levantou-se calmamente e ficou de frente para ele.

— É conhecido de Itachi?

— Ah não, eu só o conheci há alguns dias. Eu Sou Naruto Uzumaki, um... Amigo de Sasuke.

O homem lhe estendeu a mão para cumprimentá-lo, amigavelmente. Sua face era quase sonolenta, ele parecia tão sereno quanto um monge.

— Imaginei que fosse, vi o Sasuke atrapalhando seu casamento na internet.

Naruto corou.

Droga de vídeo viral que não parava de se espalhar!

— Sasuke deve gostar muito de você para se opor ao clã inteiro como fez.

Naruto enrubesceu de pronto.

— N... Não entenda errado! Sasuke e eu não temos esse tipo de relacionamento! – tentava disfarçar, mas suas palavras tremiam.

— Nesse caso acho prudente lhe dar um conselho, Naruto.

Ele ergueu os olhos e percebeu que o rapaz estava bem próximo dele. Corou por impulso.

— Afaste-se do clã Uchiha enquanto ainda tem tempo. E por nada neste mundo se apaixone por um deles – o tom era severo, sério, ameaçador e Naruto estremeceu, sem conseguir tirar os olhos daquelas íris vermelhas tão incomuns.

—... Por que diz isso?

— O clã Uchiha não aceita pessoas de “fora”. Eles irão destruí-lo, e quando nada mais sobrar de você vão lhe roubar a pessoa que mais ama e o que lhe for mais precioso. É assim que eles são.

Aqueles olhos lhe passavam uma sensação terrível, uma certeza, uma dor que parecia a sua própria. Inconscientemente o rapaz levou a mão à barriga e recuou um passo. O ruivo percebeu no mesmo instante, descendo o olhar atentamente para o ventre de Naruto. Permaneceu assim por alguns segundos, sem dizer nada. Por fim piscou algumas vezes, como se despertasse de um transe e fitou o outro nos olhos.

— Novamente digo que não queria te assustar. Mas você veio fazer uma visita, não é? Vou deixá-los a sós.

E tendo dito isso se encurvou polidamente e seguiu para fora do quarto.

Naruto desabou no chão, o coração batendo desesperado dentro do peito, respirava pela boca sentindo-a seca. Seu ventre doía, suas pernas perderam as forças.

Estava tão assustado. As palavras daquele homem o deixaram apavorado!

A forma como falava com tanta propriedade, como se tivesse vivido na própria pele o que dizia...

No que estava se metendo? Definitivamente sua situação piorava a cada segundo. Não se tratava apenas de seus sentimentos, estava esperando um filho de Sasuke! Isso o ligaria aos Uchiha para o resto de sua vida!

Mirou Itachi que dormia serenamente sobre a cama. Com algum esforço se levantou, ficando de pé ao seu lado.

—... O que realmente aconteceu com você? – mirava o peito que subia e descia lentamente – Eu quero saber o que aconteceu de verdade.

Olhava de perto aquele homem pálido, que parecia estar somente dormindo. Segurou a mão grande entre a sua.

— Itachi, se estiver me ouvindo, por favor aperte a minha mão – pediu, atento, esperando o menor sinal que fosse.

Mas nada aconteceu.

Naruto se aproximou e baixou perto daquele rosto perfeito. Corou, Uchihas eram mesmo muito bonitos! Abriu delicadamente a pálpebra dele com o dedo, percebendo a íris imóvel, fixa, sem brilho. Sentiu-se mal e tornou a fechá-la.

Era como diziam: ele não reagia a nenhum tipo de estímulo, por menor que fosse.

—... Itachi... Você provavelmente não sabe disso, mas seu irmão e eu... Estamos juntos. Não há muito tempo, mas o bastante para perceber que... Eu o amo de verdade. Isso me deixa muito assustado.

Observava o peito magro subir e descer lentamente, as pálpebras imóveis, a respiração calma. Era quase como falar com uma estátua.

—... Achei que gostaria de saber que você será tio em breve. Estou esperando um filho de Sasuke. Claro que ele ainda não sabe, eu não sei se tenho coragem de contar a ele... De qualquer modo, quero que você possa fazer todas aquelas coisas de tios, e que seja alguém em quem eu possa confiar para cuidar do Sasuke, então... Por favor acorde, Itachi. A situação dele está muito difícil sem você.

Nenhuma resposta, nem de leve.

—... Voltarei para te ver mais vezes. Na próxima vou ler as mensagens melosas que seu irmão me manda todo dia, com certeza você vai rir delas — sorriu, sentindo uma empatia enorme. Não sabia como Itachi era quando desperto, mas o modo como os olhos de Sasuke brilhavam toda vez que falava dele faziam-no perceber que deveria ser uma pessoa excepcional – Até logo.

Colocou as flores dentro do vaso com água disposto na mesinha ao lado da cama. Deixou o quarto depressa, não queria encontrar mais ninguém. Por garantia desceu pelas escadas, evitando o elevador. Eram apenas alguns andares, e precisava mesmo de exercício.

Ao chegar no térreo olho atentamente as pessoas que estavam ali para evitar qualquer um com características parecidas com um Uchiha. Seus olhos correram pela multidão e se detiveram surpresos, em dois homens conversando próximos aos elevadores.

—... Sasuke? – murmurou para si mesmo ao ver o moreno em trajes informais, conversando amigavelmente com o ruivo que acabara de conhecer no quarto de Itachi.

Percebeu que eles conversavam normalmente, como conhecidos de longa data. O elevador parou no térreo e apitou. Sasuke despediu-se polidamente e entrou no elevador seguido de algumas pessoas, as portas se fechando em seguida.

O ruivo após se despedir seguiu calmamente rumo à saída. Naruto ia aproveitar para sair de fininho antes que cruzassem um o caminho do outro novamente. Era desconfortável conversar com ele.

Mas sentiu-se muito enjoado de repente. Provavelmente sua teimosia em descer as escadas o fez passar mal e precisou correr à lixeira mais próxima devolvendo tudo que estava no estômago. Algumas pessoas tentaram ajudá-lo, estando dentro de um hospital, e logo ele chamou toda a atenção para si, inclusive do rapaz de olhos vermelhos. Este caminhou até ele, calmamente.

Naruto tentou erguer o rosto, zonzo, e percebeu um lenço ser posto em sua testa. Ergueu os olhos azuis, confusos.

— Vem, vou levá-lo a um lugar que tenha ar fresco.

Naruto assentiu, segurando-se nele, sem forças.

Foi guiado até o lado de fora do hospital, sentado em uma cadeira, trêmulo e branco como papel. O homem sentou-se ao seu lado, observando-o categoricamente.

—... Desculpe... Não precisa ficar aqui comigo.

O rapaz assentiu, levantando-se e deixando um Naruto sozinho e confuso. Em pouco tempo ele voltou trazendo consigo uma caixa de medicação e um copo de água.

Tornou a se sentar, estendendo o copo de água.

— Esses enjôos vão aumentar daqui para frente, é uma resposta de seu corpo ao volume do invólucro. As terminações nervosas do útero ainda estão eriçadas, por isso você sente tanta dor – explicou calmamente enquanto abria a embalagem de remédio, retirando um comprimido – É bom tomar vitaminas, elas farão bem a você. Ervas como essas não têm contra indicações e podem ajudar a diminuir os enjôos – estendeu a bula médica para atestar a veracidade das palavras.

Naruto ia argumentar, mas o ruivo colocou o comprimido em sua boca, fazendo-o beber a água em seguida. Não questionou e engoliu, um tanto trêmulo e fraco.

—... Obrigado – respondeu fracamente. O outro apenas passou de leve a mão larga por seus cabelos.

— Quer que o leve em casa? Você deveria evitar sair sozinho.

— Não... Agradeço sua preocupação, mas estou bem — Levantou-se, a dor incômoda o fazendo se curvar. A pressão no ventre parecia aumentar mais e mais. Rangeu os dentes. Quando as cólicas vinham ele mal conseguia suportar tanta dor. Abraçou o próprio ventre e curvou-se até sua cabeça encostar-se aos joelhos.

O mais velho apenas suspirou, forçando Naruto a endireitar as costas no assento da cadeira, em seguida erguendo a blusa que ele vestia, fazendo-o corar.

—... Mas o que você...?

— Com licença, fique quietinho – pediu educadamente ao colocar as mãos frias sobre o abdômen inchado de Naruto, pressionando alguns pontos nos lados. O rapaz prendeu a respiração, sentindo um incômodo estranho, mas a dor desaparecia aos poucos, conforme a estranha massagem fazia pressão no fundo da barriga. Em pouco tempo voltou a respirar normalmente, relaxado, a dor desaparecendo, o incômodo sumindo por completo.

Olhou o outro admirado. Ele parecia saber exatamente o que estava fazendo.

— Se mantiver uma massagem constante consegue parar a pressão que o invólucro faz sobre os órgãos e a cólica cessa – explicava, com a voz usualmente tranquila. Baixou então a blusa do rapaz que o encarava, cheio de perguntas, mas sem saber qual fazer primeiro.

-... Por que você está me ajudando tanto? – parecia confuso, vulnerável.

— Porque sei o quanto deve se sentir confuso – fitou-o no fundo dos olhos — Parece que o universo inteiro se volta contra você, não é?

Naruto baixou a cabeça e concordou. O rapaz sorriu.

— Desculpe, que indelicadeza de minha parte não me apresentar. Meu nome é Sasori, é um prazer conhecê-lo.

— Naruto Uzumaki, o prazer é todo meu. E obrigado pelo que fez. Não sei o que foi, mas não me lembro de me sentir tão bem em semanas!

— Logo vai iniciar seu pré-natal e eles lhe contarão todas essas coisas. Existem meios de amenizar os sintomas, eles são muito intensos no início da gravidez.

Naruto o olhava abismado.

— Sasori, como sabe tanto sobre compatibilidade? Ainda mais só de olhar pra mim?

Ele o fitou de volta, e Naruto podia perceber seu olhar vazio, triste e distante. Ele piscou devagar, como se levado pelas lembranças antes de tornar a realidade e lhe responder.

—... Isso não importa agora. Pelo que posso imaginar ainda não contou a ninguém que está grávido, não é?

— Não, e nem poderia. Minha situação é muito complicada.

— Posso imaginar. Não se preocupe, seu segredo está bem guardado comigo.

Naruto estranhou. Justo quando as pessoas o andavam tratando tão mal porque aquele estranho era tão solícito? Estaria planejando algo?

— Desculpe ser indelicado, mas porque está tão interessado em mim?

Sasori o fitou com aquela expressão serena que beirava o tédio.

— É o mínimo que posso fazer pelo futuro sobrinho de Itachi. Ele ficaria eufórico ao saber que será tio – sorriu amavelmente, fitando um ponto qualquer, como se abduzido pelas lembranças. Naruto se calou um momento.

Então eles eram mesmo um casal...

—... Além disso, eu teria gostado de ter apoio, de ter companhia. Sinto que posso fazer isso agora, posso proteger você. Para que os Uchiha não possam lhe atingir, para que não machuquem mais ninguém, como fizeram comigo.

Naruto suspirou profundamente.

Sasori parecia muito experiente, em todos os aspectos. Ele passava um ar de segurança, de maturidade. Parecia saber exatamente do que estava falando. Como se pudesse ler seus sentimentos, saber exatamente o que se passava.

Mas também parecia dono de uma dor maior do que ele próprio, dor essa que trespassava os olhos baixos e calmos.

— Venha comigo, eu lhe dou uma carona – levantou-se por fim, ajudando-o a se pôr de pé. Este assentiu. A ideia de não precisar apanhar o metrô lhe pareceu ótima.

Estavam em silêncio, mas não um silêncio esmagador ou desconfortável. Estranhamente, Naruto se sentia seguro e confortável perto do ruivo. Este seguia dirigindo em baixa velocidade, como um velho, parando em todos os faróis. Ouvia uma rádio de música clássica e vez ou outra olhava o caminho informado por Naruto no GPS. Em poucos minutos estavam diante do apartamento.

— Está entregue.

— Obrigado, ao menos posso te oferecer algo para beber?

— Outro dia com certeza – sorriu, retirando o celular do bolso da calça escura que vestia — Me dê o seu número de meu celular, vou lhe dar o meu também. Se alguém da família Uchiha te visitar sem prévio aviso quero que me mande uma mensagem imediatamente, você entendeu?

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—... Mas, por quê?

— Apenas diga que fará isso.

Naruto assentiu.

— Ótimo. Nos vemos depois, Naruto.

E tendo se despedido guiou o veículo em seu caminho de volta deixando o outro com o coração aos frangalhos para trás.

Estava com medo, a cada segundo mais.

—-

Permanecia deitada sobre a cama, abraçada aos próprios joelhos, mergulhada no silêncio. As gavetas da cômoda e do guarda roupas estavam abertas e bagunçadas, assim como as portas do closet. Sobre a cama estavam centenas de roupas de bebê em diversos tamanhos, tudo que havia comprado com tanto gosto ao longo de anos sonhando com o dia em que poderia usá-las.

Karin acariciou de leve sua barriga magra e lisa, as lágrimas formando uma poça fria entre o lençol e seu rosto.

Sasuke traiu sua confiança e ainda roubou-lhe seu sonho mais íntimo. Fizera um filho com aquele loiro maldito! Aquele moleque infeliz estava esperando o filho que deveria ser somente seu.

Um homem gerando uma vida? Era tão ridículo que beirava o absurdo! Com certeza se chegasse a nascer seria uma criança doente, com má formação ou demente! O universo não podia permitir uma coisa tão injusta consigo. Havia se preparado a vida toda para ser a esposa perfeita, a mãe perfeita.

Amava Sasuke desde criança. Todas as vezes que suas famílias se juntavam nas comemorações como o Natal ou fim de ano ela corria entre os convidados da festa, em busca dele, observando-o de longe. Normalmente Sasuke passava todo o tempo junto à Itachi, seu irmão mais velho. Seus sorrisos e suas conversas eram somente para o irmão, pareciam viver em um mundo à parte, só dos dois.

Conforme foi crescendo, Sasuke se tornava mais e mais bonito e as garotas começaram a se insinuar cada vez mais para ele. Até mesmo os garotos não conseguiam resistir ao seu charme. Ele começou a sair com várias pessoas, nunca firmando compromisso com nenhuma delas. Karin sempre tentou se aproximar, manter algum tipo de conversa, mandava presentes, mandava cartas de amor, confessou-se várias vezes, mas ele sempre recusava educadamente. Já havia perdido as esperanças. Pensou que não encontraria oportunidade e que a vida jamais a deixaria ficar ao lado de quem mais amava, pois ele obviamente não a amava de volta.

Seus pais sempre a alertaram que, se era o que ela mais desejava, fariam sua vontade. Já haviam conversado com o pai de Sasuke e ele fazia muito gosto da união entre os dois. Karin cresceu acostumada a ideia de que seria esposa de Sasuke. Viveu unicamente para concretizar esse objetivo.

Porém seu doce sonho se arruinou quando ele completou a maioridade. Suas famílias fizeram um grande jantar para promover o noivado dos dois, havia jornalistas de emissoras locais. E mesmo diante de todas aquelas pessoas Sasuke negou formalmente o pedido de casamento, afirmando não poder se casar à força por mera simpatia, sem a amar de verdade.

Isso destruiu a ilusão que a moça criou por tanto tempo e seu mundo desabou. Ela não sabia ser feliz sem ele, não sabia o que desejar além de ser sua esposa. Seus sonhos, seus esforços, suas ambições, tudo estava depositado nele. Sem isso, ela não era nada, não era ninguém.

Quando conversou diretamente com ele pela primeira vez após o incidente Sasuke afirmou categoricamente que não queria se casar, que a considerava como uma amiga de infância e nada mais, que não poderia fazê-la feliz, mas que lhe desejava sorte para encontrar alguém que a amasse de verdade. Karin não podia suportar. A ideia de deixá-lo para outra pessoa que, com toda certeza não cuidaria dele como ela mesma cuidaria... Ninguém o amava tanto, ninguém daria sua vida por ele! Decidiu que faria o que fosse preciso, mas jamais o entregaria para mais ninguém!

E sua sorte mudou drasticamente quando o amado irmão mais velho de Sasuke sofreu o acidente. Karin podia sentir a sombra de tristeza que recaiu sobre seu amado, o pesar que ele sentia e a falta que o irmão lhe provocava pareciam levá-lo a um abismo de desespero. Tornou-se um homem frio, sempre sério, e ainda mais recluso. Preso em sua própria dor.

Era perfeito!

Todas as ações que Sasuke dividia na Uchiha Co. na época foram utilizadas para bancar viagens para todos os cantos do mundo, médicos vindos do exterior, tratamento inovadores e caríssimos. Ele gastou praticamente toda a sua fortuna na tentativa desesperada de ter o irmão de volta, mas para sorte da ruiva Itachi não acordou mais e foi enfim desenganado, condenado a vegetar pelo resto da vida. Que momento perfeito a vida escolheu para tirar Itachi de seu caminho! E de uma maneira maravilhosa! A ruiva agradecia sua sorte grande, afinal se ele tivesse morrido de vez jamais poderia usá-lo em seu favor, mas ao contrário ele estava sofrendo! Só isso seria o suficiente para manipular Sasuke da maneira que quisesse, pois ele jamais suportaria fazer o amado irmão sofrer.

Houve reuniões de emergência para nomear um novo vice presidente da empresa, visto que Itachi já era tido como morto e o conselho nomeou o filho seguinte. Sasuke assumiu o cargo unicamente em consideração ao irmão, pois não desejava fazer carreira na Uchiha Co.

Ele estava endividado, muito vulnerável emocionalmente e a ruiva não podia deixar um momento tão propício passar despercebido! Sabia do desejo dos Uchiha em unir seus filhos em matrimônio, para estreitar os laços financeiros de ambas as famílias.

Aproveitando-se disso, Karin arquitetou um plano ao lado dos advogados, de tal maneira que sua oferta se tornasse irrecusável e colocasse Sasuke contra a parede. Se ele desejasse continuar pagando a internação de Itachi apenas para fazê-lo “durar um pouco mais” seria obrigado a se casar com ela e lhe dar um filho, o que tanto sonhou a vida toda! Tinha certeza que ele aceitaria, e que depois de algum tempo passaria a amá-la, assim como amaria a criança que teriam juntos.

Desde então ela tem ido regularmente ao médico, tomando as vitaminas corretas, investiu em tratamento estético, em roupas que a tornassem mais atraente, comprou todo o enxoval... Preparou tudo para a chegada de seu bebê. Logo na primeira noite que dividiu com o marido esperou ser tocada, ser tomada.

Mas isso nunca aconteceu. Toda a empatia que Sasuke pudesse ter por ela simplesmente desapareceu e ele jamais sequer encostou nela. As conversas eram sempre mecânicas, pequenos monossílabos, somente o indispensável. Recusava-se a dormir no mesmo quarto, jamais lhe deu um beijo sequer, fechado em seu próprio mundo de solidão.

E era apenas o início de sua vida de casados. Logo quando a ruiva se achou tão perto de realizar o maior sonho de sua vida, tudo desmoronou sobre sua cabeça.

Rolou pela cama, os olhos secos de tanto que já havia chorado. Não havia mais uma única lágrima dentro deles.

—... Ele não vai ter esse filho – repetia para si mesma várias vezes, como um mantra.

Sim, os Uchiha tomariam conhecimento e impediriam aquela gravidez indesejada como já havia acontecido antes. Por hora aquele maldito loiro precisava de um bom aviso de que não podia se meter com seu marido, que não sairia impune.

Ela esticou o braço alcançando sobre a cômoda um bloco de anotações que Sakura lhe trouxera quando a visitou.

Havia todo tipo de informação sobre Sasuke, tudo que a rosada conseguiu se lembrar para anotar. Isso facilitava as coisas.

Telefones sobre pessoas com quem ele saía, endereços de lugares que frequentava, todo tipo de material digno de uma espionagem. Cada passo que ele dava parecia ser acompanhado de perto por Sakura durante o tempo que trabalhou com ele.

E o mais importante: informações sobre Naruto! Sakura advertiu que a ajudaria no que fosse preciso, desde que o antigo noivo pagasse por tudo que fez a ela.

—-

Naruto deixava o prédio do trabalho, exausto! Passava das cinco da tarde, mas o clima de calor fazia o dia se estender e o céu tardava a escurecer. Seus pés doíam tão horrivelmente que desejava poder trabalhar de chinelos.

Tomaria um longo banho quando chegasse em casa e talvez pesquisasse algumas vitaminas para gestante que lhe dessem mais energia, como Sasori havia recomendado. Andava muito cansado.

Fazia o trajeto usual até seu apartamento, próximo ao local de trabalho. Imaginava que depois de alguns meses quando sua barriga começasse a crescer precisaria usar algum tipo de transporte público, pois o calor acabava com ele.

Percebeu um carro parado diante de seu prédio e calmamente deu a volta, procurando nos bolsos a chave, ansiando entrar em casa.

A porta do automóvel se abriu de uma vez e uma mulher desceu dele, pondo-se em seu caminho. Naruto se assustou com o movimento abrupto e a fitou nos olhos. Pasmou de imediato.

Karin estava de pé diante dele e o encarava seriamente. O loiro suou frio, lembrando-se da última vez que se encontraram o sob quais circunstâncias!

Ela o pegara no flagra com Sasuke!

Sentiu vergonha de si mesmo, tanto que baixou o rosto. Sabia que estava errado. Sasuke era marido de Karin, era um homem casado e não estava certo sair com ele. Naruto sabia disso desde o princípio, não poderia tirar a razão daquela mulher à sua frente.

— Até quando vai ficar aí parado sem dizer nada? – ela ralhou, irritada. O rapaz somente conseguia fitar o chão, os sapatos altos escuros e o vestido vermelho que ela usava.

—... O que você quer comigo?

— Precisamos conversar. Não me convida a entrar?

Ele não queria mesmo falar com aquela mulher, mas não poderia evitar. Olhou em volta, percebendo que o motorista a aguardava no carro, e que parecia haver mais alguém dentro do veículo.

Estremeceu. Tendo sido tão alertado a não se aproximar de ninguém ligado aos Uchiha tinha medo que algo ruim pudesse acontecer.

Seguiram em silêncio até o elevador. Para seu tormento estavam apenas eles dois no elevador minúsculo, que subia vagarosamente. A mulher ao seu lado mal se mexia, fitava a frente com o olhar iracundo.

Ele aproveitou o momento para mandar uma pequena mensagem pelo celular, como Sasori lhe pediu que fizesse. Em seguida guardou o celular no bolso.

Desceram no andar correspondente e ele a guiou até seu minúsculo apartamento. Logo que entrou a ruiva fez cara de asco, pisando com cuidado naquela casa que considerava um muquifo imundo! Ele fingiu não notar, colocando os pertences sobre a estante, pedindo a ela que se sentasse no sofá. Queria que a conversa terminasse o mais breve possível, não estava com ânimo de falar com ninguém, muito menos com ela.

Karin fitou sutilmente a barriga inchada, o ódio crescendo e borbulhando dentro dela, mas disfarçou habilmente.

— Quero chá, agora. A conversa será um tanto longa – ordenou, como se ele fosse um de seus empregados.

Naruto passou a mão pelo rosto, irritado, mas se controlando.

— Não pode me dar ordens em minha própria casa, esteja ciente disso. Mas eu jamais deixaria uma mulher com sede. Vou preparar chá verde, volto em um instante – olhou-a bem antes de se levantar e seguir para a cozinha, mal-humorado.

Ela já esperava essa atitude, Sakura lhe contara tudo que precisava saber sobre ele. Apertava com força a bolsa sobre o colo, nervosa. Faltava pouco, muito pouco. Logo seus problemas estariam resolvidos de vez e voltaria a ser feliz com Sasuke, sem se preocupar.

Em alguns minutos ele lhe trouxe uma xícara de chá, colocando-a diante dela sobre a mesinha de centro. Para si próprio havia trazido uma xícara de café.

“Exatamente como Sakura me disse” riu disfarçadamente. Tudo seguia exatamente como o planejado.

— Tem açúcar no chá?

— Não, que eu saiba esse treco se toma puro, não e?

— Eu tomo com adoçante. Busque para mim – finalizou, cruzando os braços.

— Não tenho obrigação de te servir, diga o que quer e vá embora.

— Quanta falta de cortesia, nem ao menos consegue me servir um chá decente? Traga-me o adoçante e algum tipo de petit four que garanto que logo estarei longe de sua casa – olhou-o por cima dos óculos.

O rapaz suspirou longamente, erguendo o corpo e indo até a cozinha.

Mas que mulher insuportável! Não o admirava que Sasuke falasse tão mal dela, que não pudesse sequer chegar perto dela. Rapidamente pegou o maldito adoçante e abriu um pacote de biscoito amanteigado colocando alguns em um prato.

“Petit four... Ela não poderia simplesmente pedir um biscoito? Mulher fresca...”

Voltou minutos depois, colocando sobre a mesa diante dela o que lhe pedira. Karin o olhava intensamente, e parecia tensa, retesada no mesmo lugar, ansiosa. Esperou ele se sentar para só então adoçar o chá, mas não tocou nos biscoitos.

— Então, o que quer tanto falar comigo? – o rapaz apanhou sua xícara de café, que estava amornando depressa, sorvendo um gole longo.

Karin sorriu amplamente de contentamento, apenas segurando sua xícara de chá, sem beber nada, aguardando ele beber quase todo o café antes de começar a falar.

— Acho que é uma pergunta um tanto óbvia, não? Quero que se afaste de meu marido.

Ele postou os olhos azuis sobre os vermelhos dela, seriamente.

— Veio até aqui só para me dizer isso?

— Vim para lhe dar um aviso – pousou a xícara intocada sobre a mesinha, tinha nojo até de tocar naquela coisa imunda – Quero que se afaste de Sasuke, ele é meu marido! Vá viver sua aventura com outra pessoa!

Sem pressa ele terminou de tomar seu café, pousando a xícara sobre a mesa, encarando-a profundamente.

— Não vou negar que o que fiz foi errado. Sasuke é casado, mesmo que ele não ame você.

A carranca dela se fechou ante ao comentário.

— Uma pessoa ordinária como você jamais entenderia o que é amar alguém de verdade. Tenho amado Sasuke a vida inteira, diferente de você que está brincando com ele há pouco mais de um mês.

— Sua forma de expressar seu amor é no mínimo curiosa. Precisa manter seu amado acorrentado a você usando a doença de Itachi para isso?

Ela se levantou, irritadíssima.

— Não fale como se você soubesse o que se passa entre nós! Nunca será capaz de entender o que eu sinto! Não sabe o que é amar alguém, mais do que a si própria!

— É exatamente esse o erro crucial, amar mais o outro do que a si mesmo – ele a fitava calmamente, sem se importar com os ataques de furor dela – acho que acaba esquecendo o mais importante.

— Se não se afastar de Sasuke serei obrigada a tomar providências.

— Eu não tenho medo de você, Karin – desafiou-a com o olhar – Sasuke é adulto, pode fazer suas escolhas sozinho sem ser pressionado nem por mim nem por você. Eu não vou obrigá-lo a ficar comigo, mas se ele ficar será por sua própria vontade.

— Acha que ele vai querer ficar com você porque está esperando essa coisinha asquerosa? – apontou para o ventre e ele praguejou baixinho.

A última pessoa que poderia saber de sua gravidez era ela!

“Droga, Sakura realmente não sabe manter a boca fechada!” – amaldiçoou o momento em que a ex-noiva descobriu toda a verdade. Ela sabia ser muito vingativa quando queria.

—... O fato de eu estar grávido não tem nada a ver com isso. Não pretendo usar essa criança como pretexto para manter ele perto de mim.

— De fato, deve saber melhor do que ninguém que Sasuke abomina a ideia de ter um filho.

Estremeceu.

— Já me disse o que queria, agora saia de minha casa. Não temos mais coisa alguma a tratar.

Ela o mirou de cima a baixo. Calmamente pegou sua bolsa, dando alguns tapinhas nela para tirar qualquer resquício de sujeira, afinal era uma bolsa que julgava valer mais do que aquele apartamento inteiro.

Naruto queria se ver livre dela de uma vez, mas começou a se sentir estranho, sua visão estava ficando levemente turva e ele piscou depressa. Uma dorzinha aguda bem no fundo no estômago começou a se formar, fazendo-o franzir a testa.

Ela manteve o olhar por mais alguns segundos.

— Você não terá um bebê de Sasuke, independente dele saber ou não, dele querer ou não. Você roubou minha maternidade, e isso eu não posso perdoar.

Naruto se segurou no encosto do sofá, uma das mãos sobre a barriga. A dor começava a ficar mais forte, mas era diferente das cólicas usuais, era algo muito mais intenso. Começou a suar frio, sem conseguir foco para fitá-la corretamente, seus sentidos ficando lentos.

Estava começando a passar realmente mal, curvou o corpo, cobrindo a boca com uma das mãos devido à ânsia tão forte que caiu de joelhos segurando a barriga com força.

A dor não o deixava pensar direito.

Karin sorriu deleitada assistindo-o começar a mostrar os primeiros sinais.

— Eu lhe disse que não teria esse filho, Naruto – estava deleitada, poderia sentar e assistir calmamente. Ele achava mesmo que a passaria para trás? Que roubaria seu casamento e seu filho?

Nunca!

Tirou o celular de dentro da bolsa e telefonou enquanto ele caía deitado, sem forças, se contorcendo de dor no chão. A chamada foi atendida.

— E então? – a voz soou ao telefone.

— Melhor você subir logo para ver com seus próprios olhos – a ruiva advertiu, desligando em seguida.

Naruto respirava rápido, sentindo o ventre arder como se estivesse em chamas. Contrações fortes apertavam sua barriga por dentro. Teve medo que algo pudesse acontecer, que sua vida estivesse correndo perigo.

Mas nada lhe dava tanto medo quanto perder seu bebê!

Suas forças desapareceram, as lágrimas escorrendo sem parar. Tremia de pavor, tentando enxergar com a visão muito embaçada a mulher ruiva que não parecia fazer menção alguma de se mover de onde estava.

Algo dentro dele parecia ter se machucado, sentia gosto de sangue na boca. Tentou se levantar.

Mas então sentiu algo molhado entre as pernas e percebeu que estava sangrando, e muito! Debaixo dele havia uma poça imensa de sangue vermelho muito vivo.

Sua mente ficou muito confusa, sentiu-se enjoado e vomitou várias vezes, retorcia-se no chão. Precisava chamar alguém!

A dor era no fundo do útero. Contrações horríveis apertavam tudo dentro dele fazendo-o chorar de dor, fortes e intensas, empurrando com força o invólucro como se desejasse expulsá-lo de dentro do corpo.

Naruto arregalou os olhos, apavorado.

Estava entrando em trabalho de parto! Estava abortando!

O sangue jorrava sem parar, sem controle, tingindo o tapete da sala.

“Sasuke!!!” – sua voz não saía, não conseguia se mexer, que desesperador!

Karin volveu os olhos para a porta e sorriu à pessoa que entrou por ela. Esta fechou bem para que ninguém que por ali passasse pudesse ver o que sucedia.

— Eu lhe disse que daria certo. Esse tipo de medicação não falha – Karin deu espaço que a outra pudesse ver com seus próprios olhos.

Sakura volveu o olhar para o noivo ensanguentado, largado de lado no chão, gemendo com as contrações. A face dela não continha a menor expressão. Era como se observasse uma barata se contorcendo de barriga para cima.

— Colocou o abortivo no café? Ele não percebeu nada? – sussurrou, de maneira que o antigo noivo não pudesse escutar.

— E nem poderia, o remédio não tem sabor. Despejei diluído quando o fiz sair da sala – sussurrou-lhe de volta — Com isso você conseguiu a vingança que tanto queria.

— É pouco, não chega nem perto do que almejo como vingança, mas já é um começo. Só de saber que a criança morre hoje já fico aliviada.

Naruto arfou, desolado, trêmulo. Estendeu a mão no ar ao perceber que Sakura estava ali.

—... Sa... Kura – tentando olhar nos olhos dela, erguendo o rosto cansado.

Seus olhos se encontraram e ele piscou várias vezes, tentando adquirir foco. Tudo que percebeu foi ela virar o rosto.

O pavor realmente o atingiu ao perceber que ela o ignorava.

—... Por favor... Me... Ajude…

Continua.

Notas finais
Calma, calma! Antes que me deixem milhares de mensagens aqui em baixo querendo me matar tenham em mente que estou fazendo uma votação para o nome do bebê! Ou seja, tudo vai ficar bem em seu tempo. Sim, eu shippei Itachi e Sasori porque os adoro juntos, acho fofos demais. Pessoas intolerantes que estão mandando mensagem de ódio quanto à gravidez do Naruto: esta é uma fic yaoi onde um homem fica grávido sim, e não me importo de o nascimento ser via parto normal e ele ainda amamentar o bebê! Não existe lugar para o seu preconceito aqui, respeite esse espaço. Se a fic te desagrada, procure outra para ler. Não vou admitir mais frases injuriosas e palavras baixas contra os personagens dessa fic. Fãs da Sakura e da Karin, já chega. É a última vez que farei esse aviso: a personalidade delas foi adaptada para universo alternativo e não representa minha opinião pessoal sobre as personagens. Chega de dizer que eu não entendo como elas são de verdade porque isso não me interessa no contexto da fic. Estou descrevendo-as da maneira que melhor se encaixa na história. Elas são vilãs e vilãs são más! Ponto! E, além disso, se alguém tem algo contra algum ponto da história poste nos comentários onde todos podem ler. Tenha coragem para dizer o que pensa diante de todos. Estou perdendo a paciência. Se eu deixar de escrever essa fic tenham a certeza de que não será por seu comportamento infantil, mas para me privar de ouvir besteiras. Eu acredito no amor entre seres humanos, indefere se são do mesmo sexo ou não. E defendo a união de duas pessoas que se amam verdadeiramente. Todos têm direito de amar, e em um mundo horrível como o que vivemos toda forma de amor puro e verdadeiro deve ser exaltada. Agora vamos falar de coisas boas. Pela votação já chegamos aos nomes mais pedidos, mas a diferença é bem pequena, por isso faremos mais uma votação entre os 4 apenas para ter certeza. Se quiserem somar os votos do Nyah e Spirit para conferir fiquem à vontade. Para menino: Daisuke ou Hikaru Para menina: Narumi ou Aiko Muito obrigada a todos que sugeriram nomes, vocês são ótimos e foi realmente difícil escolher (to sofrendo até agora XD) De qualquer modo acho esses 4 nomes tão lindos que não me importo com qual vai ganhar rs Votem! Vou desculpá-los porque finalmente viram meu desenho ¬_¬ (menos mal rs) Eu vi que pelo celular não carrega mesmo. Comentários, favoritos e recomendações são sempre bem vindos. Quer me ajudar para que essa fic seja atualizada mais depressa? Mande um review, ou dois, ou dez! Quem lê e não comenta, está contribuindo para eu abandonar a fic. Recados dados, até a próxima. Beijo grande da Malki!