Notas iniciais
Não disse que postava os dois hoje? Hora de descobrir o resultado do exame! Boa leitura!


Menma permanecia estático e sem forças.
O sentimento terrível de nervosismo que teve enquanto esperava o resultado da cirurgia de Naruto parecia ter voltado com força, mas agora de uma maneira totalmente diferente. Era uma sensação muito mais esmagadora.
Parte de si estava feliz, enquanto que a outra estava completamente nervosa. Recostou-se à parede, achando que enlouqueceria. Os minutos em que Gaara esteve no interior do consultório pareciam uma eternidade, e para não perder a sanidade achou melhor tomar um pouco de ar fresco. Pensando nisso, sai pela entrada principal da clínica, avistando um banco no meio do caminho de pedras e grama que levava à rua.
Sentou-se debaixo de uma árvore para fugir um pouco do calor que fazia naquela manhã. Olhava as folhas caídas no chão, os pequenos pássaros que bicavam as sementes, as formigas que passavam entre a grama carregando volumes muitas vezes maiores que elas mesmas. Algumas pessoas vez ou outra entravam ou saíam da clínica e todas essas vezes Menma erguia a cabeça, ansiando que fosse Gaara.
Quando o fez pela enésima vez percebeu o semblante estático do antigo chefe enquanto este se aproximava, com um papel nas mãos. Menma sentiu vertigem por um instante e nem conseguiu levantar do banco, até que o ruivo sentasse a seu lado. Por alguns segundos ficaram calados, até que Gaara lhe estendesse o papel.
As mãos de Menma tremiam tanto que era difícil ler o conteúdo. Seus olhos varreram as linhas rapidamente à procura do resultado.
Quando bateu os olhos no laudo, nem conseguiu acreditar.
Seu corpo inteiro ficou retesado, a tensão acumulada nos músculos fazendo com que doessem, a vista estava embaçada, mas ainda assim conseguia ler nitidamente o resultado.
Negativo.
Fitou de relance o rapaz que parecia à beira de uma crise de choro. Nem bem pensou quando diminuiu a distância e o abraçou o mais apertado que conseguiu. Gaara retribuiu o abraço, suspirando de alívio, os soluços abafados nos ombros dele.
Uma sensação inexplicável tomou conta dos dois. Menma riu, desconsolado.
— Viu só? Estava preocupado sem motivos.
— Eu só pensei que… Céus, que alívio imenso!
— Mesmo se tivesse dado positivo, nós daríamos um jeito — se afastou um pouco para olhá-lo nos olhos — Nós faríamos dar certo.
A resposta irritou o Sabaaku.
— Não é um jogo, nem uma brincadeira! Isso é coisa séria, Menma!
— Sei muito bem disso. E não te abandonaria, Gaara, mesmo que tenha pensado que eu faria isso. É diferente entre nós, parte da responsabilidade seria minha. Creio que algo drástico como um aborto poderia ser pensado em outra hipótese, para outras pessoas e circunstâncias, pois sei que é um direito. No nosso caso eu apoiaria você se quisesse seguir adiante, e para ser bem sincero eu faria de tudo para que quisesse prosseguir com isso.
Gaara apenas fungou e olhou para baixo, para as mãos dadas deles.
— Eu não posso ser pai nunca, Menma.
— É natural que tenha medo. Eu também tenho.
— Não é isso. Eu não tenho esse direito... — apertou as mãos entre as suas -... Eu matei minha própria mãe, Menma. Para que eu continuasse vivo tirei a vida dela, ainda no parto. E não queria que tivesse sido assim, eu mudaria isso se pudesse... Realmente teria dado minha vida pela dela, para que estivesse viva em meu lugar agora...
Menma pareceu muito sério quando segurou seu rosto.
— Da mesma maneira como daria sua vida por ela, sei que sua mãe quis fazer o mesmo por você, Gaara.
Os olhos verdes se abriram de surpresa e em resposta a isso o Uzumaki sorriu.
— O fato de estar vivo te dá direito de lutar para ser feliz. Passar uma vida se culpando e sendo infeliz faz com que a vida que sua mãe deu para você perca todo o valor. Se quer realmente vê-la feliz, se quer retribuir de algum modo, viva intensamente! Cada dia conta, como se fosse o último! Pense que ela amou você, quis te ver crescer, e agora está fazendo isso de algum lugar distante. Sonhe, faça coisas que nunca pensou que faria, viaje, faça novos amigos, divirta-se. Se quiser ter um filho tenha, e se não quiser simplesmente não tenha. Mas isso deve ser uma escolha sua, as circunstâncias de seu nascimento não tem nada a ver!
Gaara ainda estava completamente admirado, os olhos bem abertos e rastros escorriam deles. Cada uma das palavras de Menma percorriam seu corpo, pareciam levar toda a culpa e tristeza que o assolou durante anos.
—... Meus irmãos tiveram que crescer sem a presença da minha mãe, por minha culpa.
— E eles alguma vez te acusaram disso?
Ele virou os olhos para o lado.
—... Não.
— É a resposta definitiva — sorriu — O que aconteceu foi uma fatalidade, Gaara. Não foi sua culpa.
O rapaz de cabelos ruivos sentiu o corpo sacudido e não impediu quando mais e mais lágrimas escorreram pelo rosto. Não teve vergonha de chorar na frente dele porque todas aquelas palavras pareceram curar uma ferida aberta e dolorosa que Gaara carregou ao longo de toda uma vida. A culpa, o remorso e ressentimento nunca lhe permitiram visitar o templo onde as cinzas de sua mãe estavam. Ele sequer olhava fotografias, evitava pensar nela porque achava que não tinha esse direito.
Se pensasse nas palavras de Menma... Se realmente tivesse dado sua vida pela de sua mãe, onde quer que estivesse agora, gostaria de vê-la feliz! E durante todo aquele tempo esteve se culpando, vivendo sem nenhum amor próprio.
Tentou até mesmo tirar a própria vida uma vez...
E se tivesse feito isso, se tivesse se suicidado, perderia a oportunidade de ter experiências importantes! O sofrimento em que se encontrava na época, o mesmo que achou que não teria solução, foi superado. Ele teria perdido a chance de se empenhar e ser reconhecido no trabalho, de conhecer muitas pessoas, de visitar lugares diferentes.
Teria perdido a chance de conhecer Menma...
Encarou os olhos azuis e subiu a mão para cobrir a mão dele que ainda estava posta em seu rosto. Fechou os olhos.
—... Obrigado — sussurrou pesarosamente — No fundo eu sempre... Sempre desejei que a culpa não fosse minha.
— E não é. Pode recomeçar tudo à partir de agora.
A frase mexeu com ele, e tornou a fitar Menma intensamente. Não sabia dizer se as palavras dele indicavam que haveria chance de recomeçar tudo entre os dois também. Esperava realmente que sim.
O Uzumaki pareceu perceber isso porque ficou sem graça e desviou o olhar. Internamente Gaara entendeu que aquela era a oportunidade que estava esperando para dizer tudo o que precisava, tudo que estava guardado dentro dele.
— Menma, eu realmente...
— Não precisa me dizer nada — passou a mão por sua nuca, beijando o canto de seu rosto.
Gaara fez que não e o afastou de si, olhando diretamente nos olhos azuis.
— Menma! — juntou toda a força que havia dentro dele — Eu sei que machuquei você, que feri seus sentimentos, e peço que me perdoe por isso.
Segurou as mãos dele entre as suas, não se importando com o quanto pareciam suadas. Sentia mais força com a maciez daquela palma junto à sua, o entrelaçar dos dedos... Era uma sensação tão boa que fechou os olhos, absorvendo o calor que vinha dele, e deixando o raposo completamente confuso.
— Creio que finalmente percebi o que realmente sinto — ergueu o olhar, um brilho intenso e maravilhoso nas íris verdes — Tenho mentido para mim mesmo todo esse tempo, tentando sufocar a verdade, tentando afogar meus próprios sentimentos e me enganando de que ainda amo a Matsuri, quando na realidade deixei de amá-la há muito tempo.
O coração de Menma tornou a disparar dentro do peito ao ouvir isso
Acreditar no que ele dizia sempre o fazia sofrer, estava disposto a desistir de vez, poupar-se de ter esperanças.
Mas, era possível resistir àquele olhar? Era possível dizer-lhe "não"?
Nem em um milhão de anos conseguiria e uma voz interior gritava esperançosa dentro de seu peito.
Não poderiam tentar mais uma vez?
—... Então finalmente percebeu que o passado não volta? Que tem que seguir adiante?
— Só há uma pessoa com quem desejo seguir adiante — apertou mais as mãos dele entre as suas, mirando intensamente os olhos azuis -... E essa pessoa é você, Menma.
Com muito custo o raposo não mudou de expressão, nem se moveu. Encarava Gaara como se esperasse dele uma resposta agressiva como de costume, uma daquelas que ele sempre lhe dava após enchê-lo de esperanças.
Mas, dessa vez não havia nada no rosto dele que indicasse que estava brincando. Gaara parecia muito sério mesmo.
—... Quer ficar comigo somente por cor conveniência?
— Não — balançou a cabeça — Quero ficar com você porque finalmente percebi o quanto é importante para mim.
Ainda que tentasse se fazer de indiferente, as maçãs no rosto se tornaram rubras sob as marquinhas de raposa. Ele parecia muito feliz.
—... Não vou te perdoar se sair por aí dizendo que ama outra pessoa de novo.
— Isso não vai acontecer. Porque agora, a única pessoa a quem amo e vou continuar amando pelo tempo que me quiser é você, Menma — confessou com um maravilhoso sorriso estampado no rosto, sob o olhar surpreso do outro e não pôde deixar de notar como as bochechas coradas dele pareciam adoráveis. Compreendeu todas as declarações de amor exageradas que recebeu antes, porque era inexplicável a forma como seu coração batia descompassado e feliz ao fitar aquele rosto lindo, por somente estar a seu lado, por poder tocar nele.
—... Está tudo bem se me odiar. Vou fazer o que for preciso para ter você de volta porque percebi que não posso ser feliz se não estiver comigo. Não existe mais ninguém que me faça tão feliz, ninguém que eu queira mais. Eu amo você, Menma. E sinto muito a sua falta.
Menma por sua vez parecia petrificado, literalmente. Não se movia, sequer piscava e quando o fez Gaara se assustou ao perceber a quantidade de bolhas de lágrimas que pingavam, vindas de olhos atônitos e desacreditados.
O pobre Uzumaki nem conseguia falar direito porque chorava feito criança.
— Eu estou tão feliz! — sorriu em meio às lágrimas, aquele sorriso radiante que era capaz de iluminar uma cidade inteira! — Como se fosse possível alguma parte de mim te odiar! Sabe como eu sonhei ouvir você dizer que me ama, Gaara? Eu sinto que te amo desde o dia em que te vi pela primeira vez, por mais estúpido que isso possa soar.
Ria descontrolado e Gaara acabou por rir junto, contagiado pela alegria dele. Segurou em sua nuca e o puxou para unir os lábios aos seus, em um beijo diferente de todos os outros que já havia lhe dado.
Era um beijo sem urgência, sem desespero, sem receio. Era um beijo de entrega, algo que fez Menma esquecer que estava no jardim de uma clínica, que o fez esquecer até mesmo seu próprio nome! Só o que conseguia pensar era na forma como aquela boca parecia se encaixar da maneira perfeita, como era bom estar perto, sentir o cheiro dele e em como se sentia completo quando Gaara estava consigo.
Quando separou os lábios num estalo o sorriso irritante do Uzumaki pareceu ainda maior, como se ainda não acreditasse.
— Há alguns minutos eu estava quase entrando em pânico pensando que iríamos nos casar às pressas e agora olhe para nós. Somos um casal apaixonado!
— Não coloque as coisas dessa forma — virou o rosto, envergonhado — Eu quase morri de susto, Menma! Devemos tomar muito cuidado de agora em diante. Eu não quero mesmo engravidar!
— Nem daqui há alguns anos?
— Não consigo nem pensar nisso! E nada garante que estaremos juntos até lá.
— Ah não! Lá vem você estragando todo o clima de novo! É claro que estaremos juntos! Eu imagino uma vida toda com você!
O rubor e desconcerto no rosto de Gaara eram adoráveis e ele virou o rosto para baixo porque sentia que poderia soltar fumaça pelas orelhas.
— I...Idiota!
— Mas há uma coisa que terá de fazer se me quiser de volta — disse em tom sério e Gaara prestou atenção.
— Pode me dizer e eu farei.
— Vai andar de moto comigo de novo.
O ruivo piscou, um pouco aturdido.
— Quê??? Nem em sonhos que ando naquela coisa de novo!
— Ah, qual é? Foi divertido e você gostou!
— É perigoso!
— Então não temos um trato — cruzou os braços, fazendo birra.
Internamente o Sabaaku praguejou, mas ao invés o encarou fixamente.
— Posso pensar em andar naquele treco de novo se você aceitar de volta o seu emprego.
A frase pegou-o de surpresa e roubou uma ação imediata. Ele pareceu desconfortável.
— Gaara, eu estava certo da decisão que tomei.
— E admiro os sacrifícios que fez por Naruto, mas creio que seja hora de pensar mais em você mesmo. Você é talentoso, esforçado, aprende rápido. Ainda não contratamos alguém para cobrir você e eu quero que esteja comigo, Menma. Por favor, volte ao trabalho. Podemos te recontratar.
— Eu não seria um homem de palavra se simplesmente voltasse agora. Sinto que preciso cuidar de você.
— Ah, por favor, sem essa conversa sexista! Não me importa que ganhe menos ou se chegar a ganhar mais do que eu. Quero te ver crescer profissionalmente e estou lhe dando chances para isso, como seu chefe. Você está desempregado agora e não há razão para não voltar ao trabalho. Ainda mais um que você gosta. Todos sentem sua falta, incluso aquele estúpido do Inuzuka.
— Kiba sente minha falta??? — pareceu incrédulo — Mas ele vivia me enchendo!
— Está desolado desde que o “Naruto Negro” se foi. E para ser sincero, todos sentimos sua falta. Era o único que chegava com um sorriso no rosto logo pela manhã, Menma. Eu… Gostava de ter ver sorrir para mim e me desejar bom dia.
O Sabaaku se arrependeu de ter confessado isso ao ver o sorriso choroso dele e o modo como o nariz escorria por conta do choro. Acabou suspirando.
— Vá amanhã cedo falar com a Ino. Deixarei tudo pronto para sua contratação.
— Vamos assumir publicamente nosso romance para a empresa?
— É CLARO QUE NÃO VOU FAZER UMA COISA DESSAS!!! VOCÊ ENLOUQUECEU???
— Aff, ta bom, como você é sem graça... Mas não é que fica bonitinho todo meigo desse jeito? Eu nunca pensei que fosse ouvir uma declaração de amor sua, foi lindo!
— C... Cale a boca! — emburrou no mesmo instante e lhe deu um tapa no ombro. Menma não perdeu a oportunidade e o puxou para lhe dar um beijo, seguido de vários outros. Puxou-o pela mão para fora da clínica sob olhares estáticos de quem passava por ali.
Gaara fingiu estar bravo, mas na realidade estava nas nuvens!
Nunca pensou que estar com outra pessoa podia fazê-lo ficar tão feliz assim.
Talvez… Não fosse tarde para buscar o amor que pensou não existir para ele.
E de pensar que a tatuagem que fez na testa pudesse ter outro significado.
—-
Já fazia algum tempo que estava ali parada, mas ele ainda não havia passado pela rua. Ao menos no tempo em que esteve sentada no ponto de ônibus, Sakura não havia visto nem sinal de Naruto ou de Sasuke. Estava parada ali por saber que era um local muito próximo do apartamento dos pais do antigo noivo, e que o ponto de ônibus ficava no meio do caminho. Não importando o destino era certo que passariam por ali.
Soube que Naruto havia voltado de viagem porque a fofoca sobre o relacionamento dele com o herdeiro era uma das preferidas que circulavam entre os Uchiha, pareciam não saber falar sobre outra coisa. Sendo assim, Sakura logo soube que Naruto estava de volta, que ainda estava grávido dos gêmeos horrorosos.
E que voltou com uma aliança de noivado no dedo!
Apertou os punhos junto aos joelhos, uma frustração sem igual crescendo dentro dela.
Por que Naruto tinha tanta sorte? Por que as coisas pareciam dar tão certo para ele?
E por que as mesmas coisas não podiam acontecer com ela? Queria aquela aliança em seu dedo! Queria que Sasuke a pedisse em casamento!
Contraiu a boca, a raiva e a angústia lhe dando imensa vontade de chorar.
Podia até ser Naruto a pedir... Ela não se importaria em reatar com ele.
Naruto era carinhoso, divertido, amável e gentil... No passado, sempre trazia alguma coisa boba como um bombom ou uma flor que encontrou no meio do caminho, dizendo que lembrou dela. No início do relacionamento ele se mostrou o namorado mais encantador que alguém poderia querer.
Mas, com o tempo ele foi se afastando, se tornando indiferente. Ela mesma havia feito isso também. O tempo de relacionamento os tornou completos estranhos.
Quando foi que os sentimentos mudaram a ponto dele querer traí-la justamente com Sasuke? Sabia que os dois haviam se conhecido na noite da festa de noivado, e que Naruto fugiu para ficar com ele.
Teriam se apaixonado ali? Ou a atração foi aos poucos se tornando em algo maior?
E o que teria Sasuke de tão especial assim para cativar Naruto a ponto dele não enxergar mais nada ou ninguém? O que Sasuke havia dito para arrancar um brilho tão vívido daqueles olhos azuis que ela conhecia tão bem?
Em dois anos de namoro nunca conseguiu extrair dele metade daquele brilho.
Sakura não possuía as respostas, mas sabia que estava cansada, que estava triste! Conseguiu estabilidade financeira, a ponto de não precisar mais trabalhar. Estava assegurada para o restante de sua vida.
Mas não estava feliz! Nem um pouco, e pelo contrário! Não tinha mais vontade de fazer nada, não queria sair, se divertir. Coisas que antes a enchiam de satisfação agora a chateavam!
Todas as promessas que recebeu de Madara eram falsas, nunca conseguiu chegar até a casa sede, nunca se aproximou o bastante do patriarca. Quase nunca recebia alguma informação que valesse à pena.
A seu ver, Madara somente se aproveitou das fotos e informações que dispunha, porque estava disposto a usar todas as armas disponíveis para impedir que Sasuke se divorciasse de Karin. O patriarca Uchiha é um homem inalcançável, como um deus cruel que se diverte vendo o sofrimento de seus discípulos, que os ilude, os faz acreditar, e rouba suas esperanças em seguida.
Todo o imenso sacrifício que Sakura fez não lhe rendeu o que queria, não conseguiu separar Sasuke de Naruto, não conseguiu ter um deles para si. Só o que conseguiu foi ser machucada pelo atual marido. Sua dignidade foi jogada pelo chão, Hikaku brincava como se ela não significasse coisa alguma.
E para ser bem sincera, já estava ficando farta.
Ter um filho de Sasuke era sua cartada final, uma tentativa desesperada de fazer seus planos terem êxito. Esperava sinceramente que Karin se mantivesse naquele estado de loucura, para que pudesse concluir seus planos.
Olhou mais uma vez para os lados, na esperança de encontrar quem queria. Imaginava que em algum momento Naruto ou Sasuke passariam por ali. Esperaria pelo tempo que precisasse, não tinha mesmo nada melhor para fazer, seus dias eram repletos de tédio.
Uma brisa quente soprou e balançou um pouco a barra do vestido leve de verão que usava, bem como os cabelos rosados presos sem muito cuidado. Sakura fitava os próprios pés, as unhas com aspecto desleixado.
Percebeu quando um rapaz sentou a seu lado no banco, olhando-a com interesse. Nesse momento Sakura duvidou.
Alguém ainda a achava bonita? Mesmo estando tão magra, tão relaxada?
Não ergueu o rosto, não fitou as demais pessoas que se aproximavam para esperar. Sequer erguia o rosto para ver qual o ônibus que acabara de chegar, percebendo as pessoas apressadas indo e vindo.
Estava disposta a esperar por Naruto ou Sasuke, interceptá-los, mostrar-lhes que o que estavam fazendo era um erro sem precedentes, uma abominação, uma atrocidade...
Piscou vagarosamente, sem ânimo algum.
Mentira, não estava preocupada com o que acontecia a eles. A única verdade era que queria separá-los porque invejava a relação que mantinham, o modo como pareciam se entender perfeitamente, como pareciam completar um ao outro. Não fazia diferença na vida dela o que sentiam ou deixavam de sentir, o que faziam ou deixavam de fazer.
A felicidade deles apenas lhe machucava. E queria destruir isso.
Teria continuado sentada ali pela tarde toda se fosse preciso, e era o que planejava fazer. Isso, é claro, se não tivesse ouvido uma voz familiar que lhe encheu de medo.
A voz irada de Hikaku, seu marido, que a chamava em alto tom no meio da rua.
Mas ele já estava em casa? Não tinha dito que chegaria tarde?
Sakura tremeu e fez menção de levantar para correr. As demais pessoas ao redor não entendiam a comoção que estava acontecendo e preferiram se afastar. Sakura se viu sem coragem suficiente de fugir e olhou amedrontada o esposo furioso diante dela.
— Eu mandei você ficar em casa, não foi? — as palavras eram altas e cuspidas grosseiramente.
— Eu não... — as palavras deixaram de sair de sua garganta, mesmo que quisesse muito se explicar. Suas pernas tremeram.
Foi uma questão de segundos para seus cabelos serem agarrados e a costumeira dor no couro cabeludo recomeçasse. O rosto muito próximo fazia com que ele cuspisse enquanto gritava com ela.
Tanto escândalo na frente de todas aquelas pessoas, que vergonha...
Sakura abriu os olhos e tentou afastar as mãos dele, acuada.
— Está me machucando... — murmurou baixinho.
— O que está fazendo num ponto de ônibus? Ia sair pra algum lugar sem me dizer nada? Com quem ia se encontrar?
— Com ninguém, Hikaku. Por favor, pare com isso.
Ele a segurou mais de perto, um puxão doloroso entre os cabelos que arrancou vários fios e a fez gemer de dor. Sakura olhou em volta, procurando com os olhos por alguma ajuda, mas as pessoas baixavam ou viravam o olhar, fingindo que cena não existia.
— Com quem ia se encontrar? — insistiu.
— Com ninguém.
— E estava parada aqui por que então? Logo em um ponto de ônibus!
— Eu só estava entediada em casa, eu nunca saio para lugar nenhum.
— Mentira! Estava esperando alguém, não é? Quem???
Hikaku olhou em volta e algo lhe chamou atenção.
Aquele prédio logo à frente... Não era o mesmo em que o ex de Sakura morava?
— Eu não acredito nisso... — seus olhos faiscaram de ódio e a garota tremeu — Você estava esperando seu ex? Veio correndo pra perto dele assim que descobriu que ele voltou ao país?
Agora sim estava encrencada.
— Não! Eu não...
A frase ficou no ar com o soco que recebeu na boca, a dor se alastrando no lábio ferido, nos dentes e no nariz. Sentiu gosto de sangue na boca, e a dor do corte nos lábios ainda foi menor do que a de ser xingada com palavras de baixo calão no meio da rua, ou de ser encarada pelas pessoas que circundavam para ver o vexame que acontecia ali, olhares que a acusavam de ser culpada.
Foi humilhada, envergonhada e exposta. Ouvia os xingamento dele sem se mover, sem erguer o rosto vermelho de tanta vergonha. Internamente implorava que ele parasse com aquilo e que voltassem de uma vez para casa.
Hikaku teria prosseguido com os insultos, mas para sua surpresa alguém se aproximou. Ao virar para trás, Hikaku deu de cara com um homem que o encarava.
— E você o que quer? Vai cuidar da sua vida enquanto ensino pra minha mulher como é que ela tem que se comportar!
— Eu chamei a polícia — o homem disse calmamente — Você está agredindo física e verbalmente uma pessoa indefesa — respondeu calmo, mas com uma expressão zangada.
— Você fez o quê??? — Hikaku quase não podia acreditar no que ouvia — Isso não é da sua conta!
— Não vou ficar parado aqui assistindo essa cena detestável, um covarde que agride uma mulher e a ofende, que se acha no direito de dizer o que ela deve ou não fazer! — ergueu a voz.
A multidão se alvoroçou, muito interessada na briga. Multidões normalmente são assim, muita gente curiosa, ninguém para ajudar. Hikaku foi ficando mais nervoso.
A regra mais clara dos Uchiha era a de não criar tumultos que pudessem afetar o nome imaculado do clã. Grandes comoções normalmente significavam descer de nível na hierarquia. Ele já era considerado um Uchiha de quinta geração, a mais baixa classe Uchiha. Se fosse rebaixado por mau comportamento e chegasse a ser um Uchiha de sexta geração seria expulso do bairro Uchiha, perderia todos os créditos que conquistou até ali.
Isso o fez repensar seriamente.
— Sakura, você vai voltar comigo agora mesmo para casa! — esbravejou, querendo sair logo do meio da multidão que resmungava cada vez mais alto.
A jovem de cabelos rosados continuava encolhida, sem saber o que fazer.
Se voltasse para casa com ele estava certa de que apanharia tanto que temia não sair ilesa. E quem sabe viva!
Se por outro lado continuasse ali parada só o faria prosseguir com aquelas agressões, com o escândalo e a vergonha. Ela não soube realmente o que fazer.
Foi quando o homem misterioso que surgiu para ajudá-la parou diante de si e a encarou. Só então Sakura ergueu o olhar para fitá-lo.
Estranhou à primeira vista, era um homem muito parecido com Sasuke, muito pálido e com curtos cabelos negros, uma total falta de expressão no rosto.
Tinha a impressão de já tê-lo visto antes...
Arregalou os olhos quando se lembrou dele e o rapaz pareceu confirmar isso com o olhar.
Era um amigo de faculdade de Naruto, que por sinal era perdidamente apaixonado por ele e que a odiava por roubá-lo. Se não estava enganada o nome dele era Sai.
Este a reconheceu assim que viu o espetáculo que acontecia. Baixou perto dela.
— Sakura, não pode voltar para casa com ele. Esse cara vai te matar.
Hikaku sentiu o sangue ferver.
— Era com ele que você ia se encontrar? O que mais eu poderia esperar de uma mulher vadia feito você?
— Na verdade não vim para encontrá-la, mas me parece uma boa hora para levá-la embora — Sai esboçou um sorriso que parecia não conter qualquer traço de empatia. Na realidade parecia não conter emoção alguma.
Hikaku parecia ferver de raiva.
— Ela é minha mulher! Deve fazer o que eu mando!
— Creio que ela seja livre para fazer o que quiser — voltou a atenção para uma Sakura confusa e desorientada e sussurrou — Vou te tirar daqui.
Segurou no braço ossudo e a puxou para longe da comoção, ouvindo os gritos histéricos de Hikaku, internamente torcendo para que ele não os seguisse e partisse para a violência, afinal detestaria se envolver mais do que já havia se envolvido.
Foi só o calor do momento que o fez salvar Sakura. Reconheceu a figura da mulher que odiou por tanto tempo, por ter lhe roubado Naruto.
Em pensar que ela desperdiçou a chance de ficar com uma pessoa maravilhosa feito o Uzumaki para se casar com um traste como aquele, que a ofendia e agredia no meio da rua! Era o cúmulo!
Entretanto, ainda que desgostasse dela, nunca permitiria que fosse agredida daquela forma brutal. E foi o que o fez decidir salvá-la.
Olhou por cima dos ombros e constatou que não estavam sendo seguidos, a multidão continuava lá atrás, e a imagem de Hikaku se perdia . Fitou então o rosto baixo de Sakura, a boca cheia de sangue.
Internamente teve pena dela.
Puxou-a por uma distância segura, para que não fossem seguidos, caminhando sem um rumo certo porque na verdade nem sabia para onde deveria levá-la. Parou em uma farmácia e comprou alguns lenços e água, para que ao menos ela pudesse limpar o rosto. Sakura o esperava sentada no banco diante da farmácia, alheia aos olhares, aos cochichos, a tudo.
Não pensava em nada, não queria fazer nada. De maneira que quando Sai retornou e lhe estendeu os lenços ela apenas limpou a boca, bebeu alguns goles da garrafa de água, e permaneceu calada, fitando seus joelhos, as costas envergadas.
— Faz muito tempo que não a vejo, Sakura. Seria bom ter te encontrado em outro momento.
Ela não respondeu, as mãos permaneciam sobre o colo inertes, o pescoço pendido. Sai percebeu que não adiantaria tentar esse tipo de conversa.
— Você estava esperando pelo Naruto?
Ela piscou e Sai percebeu que estava escutando. Prosseguiu.
— Confesso que eu queria vê-lo também. Estava indo ao apartamento dele quando te vi... Por que não foi até a casa dele, Sakura? Por que ficou esperando por ele na rua?
Ela novamente não respondeu, até porque não conseguiria explicar que Naruto jamais a receberia em casa uma vez que já havia feito tantas coisas contra ele. Sai prosseguiu com o interrogatório.
— Não sei bem o que aconteceu entre vocês, mas soube que terminaram tudo no dia do casamento.
—... Eu apenas o perdi — respondeu em tom baixo.
— E decidiu se casar com aquele homem? Ele sempre te trata assim?
Ela dobrava e desdobrava o polegar, devagar, negando-se a responder.
— Precisa de um lugar para ficar, ao menos por hoje Sakura. Não pode voltar para casa com alguém como ele te esperando. Não está segura.
Sakura respirou fundo, sabendo exatamente disso.
Se procurasse sua mãe de nada adiantaria. Ela faria com que voltasse para junto do marido. Não havia nada que a senhora Haruno gostasse mais do que o dinheiro proveniente do casamento de sua filha, então não tinha com quem contar. Definitivamente só havia uma saída.
Pensando nisso, Sakura se levanta, para surpresa de Sai.
—... Obrigada — agradece baixinho e segue seu caminho. O rapaz nada disse, porque não havia muito a ser feito. Observou-a partir e não fez questão de pará-la.
Suspirou, perdendo a vontade de visitar Naruto, de ver como estava. Talvez o fizesse em outro momento.
Em seu caminho, Sakura respirou fundo e conformou-se em apenas voltar para casa, porque simplesmente não tinha outro lugar para voltar.
Só esperava verdadeiramente que Hikaku estivesse mais calmo quando chegasse em casa.
—-
Fazia muito tempo desde que se sentiu relaxar, era uma coisa cada vez mais rara.
E dali em diante sabia que ficaria cada vez mais escassa.
Olhou de relance o homem deitado sobre o leito de hospital, em estado tão deplorável que imaginava que não viveria até a manhã seguinte.
Shisui suspirou, imensamente cansado.
Era um criminoso procurado agora, permanecer muito tempo no hospital seria estupidez. Madara o procuraria até no fim do mundo para se vingar por haver livrado Mikoto e Izuna do confinamento. A mulher havia partido em segurança para longe, ao menos era o que imaginava. Já o irmão de Madara estava definhando lentamente.
Não que esperasse menos de Madara. Para ser franco, quando Shisui passou a servir o patriarca ficou abismado e fascinado com o porão debaixo da mansão Uchiha. Em suas diversas pesquisas entendeu que aquela mansão era muito antiga, que mantinha escravos no passado, servos da família. Pôde compreender de onde vinha o pensamento antiquado de Madara, e porque ele dizia ter um das celas reservadas a alguém.
O pouco que sabia o fez compreender o ódio do patriarca contra o irmão. Izuna o fez sofrer muito mais que o esperado. Admirava-se de que Madara não tivesse perdido a sanidade depois de tudo que passou.
Entretanto, entendia as razões de Izuna, entendia o medo dele de entregar sua filha Mikoto à Fugaku. Uma série de infortúnios rondavam o sombrio clã Uchiha.
Disposto a sair de vez e desaparecer das vistas de todos, Shisui dá as costas a Izuna, ignorando o som dos equipamentos que apitavam cada vez mais depressa.
Não deveria se envolver mais do que já havia se envolvido. Sua cabeça estava posta a prêmio! Isso prejudicaria seus planos, sua real missão!
Mesmo sabendo de tudo isso, ao ouvir seu nome ser murmurado por uma voz quase débil, Shisui se detém. A mente lógica ordenava que abrisse de vez a porta e saísse do hospital o quanto antes, mas seu coração o impedia de fazer isso.
Apressado ele segue até o homem em frangalhos que estendia a mão no ar, chamando por ele. Izuna não enxergava mais, respirava com ajuda de aparelhos, estava tão magro e debilitado que mal podia se mexer.
Shisui segurou-lhe a mão.
— Estou aqui, Izuna.
—... Onde... Mikoto...?
— Está a salvo, longe daqui.
—... Precisa... Parar Madara... Não posso... Contar com mais ninguém...
O rapaz ficou muito sério enquanto assistia Izuna arfar cada vez mais depressa, como se estivesse engasgando. O som dos aparelhos ficou cada vez mais alto, indicando que seu coração batia num ritmo muito acelerado.
Respirou fundo, não se deixando abalar pelo momento.
— Vou cumprir minha missão ainda que isso custe minha vida, Izuna. Disso você pode estar certo.
A resposta pareceu suficiente ao homem que perdeu os sentidos, os batimentos cardíacos se estabilizando devagar.
Um sentimento desagradável se instalou em Shisui, um amargor em sua boca.
Izuna havia sido um homem terrível no passado , isso era fato. Mas a julgar por tudo que havia acontecido era difícil decidir quem tinha mais culpa naquela história.
Percebendo que o homem estava desacordado decidiu se apressar e deixar logo o hospital antes que alguém o encontrasse.
As coisas ficariam complicadas dali por diante. Era melhor não perder tempo, não dar um passo em falso. Sempre soube que a decisão que estava tomando não era fácil.
Mas era a única que podia tomar se quisesse salvar a todos.
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Engoliu em seco, respirando muito profundamente, visivelmente nervoso. Naruto se divertia ao vê-lo perder a calma. Aquela cena era rara!
— Estou até com pena, você parece prestes a chorar, Sasuke — provocou, tocando a campainha do apartamento de seus pais.
Sasuke parecia mais pálido do que nunca.
— Cale a boca — murmurou irritado, mas seu olhar volveu assustado quando o barulho do trinco se fez presente. Internamente o Uzumaki riu, achando o noivo fofo. Não demorou muito e o rosto de Kushina surgiu detrás da porta.
O Uchiha parecia petrificado ao olhar para ela, e seu estado só piorou quando Minato surgiu também.
A voz sumiu de sua garganta por um instante, estava realmente nervoso tendo o olhar sério dos dois sobre si.
— B... Boa noite — pigarreou para amenizar o nervosismo — Senhor e senhora Uzumaki eu peço desculpas por aparecer aqui desta maneira, ainda mais depois de todo o problema que causei ao filho de vocês. Eu realmente gostaria de conversar e explicar tudo, se me permitirem é claro...
Foi interrompido por Kushina que ergueu a mão no ar, muito séria. Em seguida ela dá passagem aos dois.
— Conversamos aqui dentro — era quase como um ordem e o Uchiha apenas fez uma vênia com a cabeça, pedindo licença e entrando no apartamento.
Mal colocou os pés no interior da sala e Kushina agarrou sua mão, surpreendendo-o. Olhou atentamente a aliança dourada no dedo anelar.
— Minato, olhe só para isso! — exclamou afobada, ainda segurando a mão de um Sasuke desconcertado. Em seguida volta o olhar ao Uchiha que imediatamente começa a se explicar.
—... Isso foi repentino, eu sei, mas... Eu precisava me desculpar com Naruto por tudo que o fiz passar. E quero ficar com ele!
Foi a vez de Minato interromper.
— Sabe muito bem que sua família nunca vai aceitar o relacionamento de vocês, não é? E pretende fugir e abandonar o Naruto cada vez que isso acontecer?
— Nunca vou deixá-lo de novo, não importa o que aconteça.
— Você causou muitos problemas a ele, Sasuke. Naruto teve diversas complicações que refletiram não apenas nele, mas nos seus filhos também.
— Eu sei... — sua voz soou embargada e contrita — Eu nunca serei capaz de me perdoar pelo que fiz ao Naruto, ao Daisuke e à Aiko. Eu os amo tanto e mesmo assim os coloquei em perigo, os deixei sozinhos quando precisavam de mim...
— E mesmo depois de tudo isso ainda vem até aqui com uma aliança de noivado? — Minato se mantinha impassível.
Sasuke sentia a pressão esmagá-lo, o suor brotando na testa e o coração acelerado, mas apenas abriu a boca e deixou que as palavras que se evidenciavam nele saíssem.
— Eu amo o seu filho — encarou profundamente os olhos azuis de Minato — Eu o amo tanto que não sou capaz de descrever. Naruto é meu bem mais precioso, é meu melhor amigo, meu confidente e companheiro. Eu daria minha vida por ele, faria o que fosse preciso para vê-lo feliz, passaria por qualquer dor no lugar dele. E quero ficar com ele! Não do modo como estamos agora, eu o quero na minha vida, como meu esposo. Quero acordar todos os dias sabendo que ele está ao meu lado.
Virou o rosto em direção a um Naruto extremamente surpreso com toda a declaração apaixonada. Apertou firmemente a mão dele e voltou o olhar em direção aos dois.
— Sei que não tenho esse direito, mas quero a benção de vocês para me casar com seu filho. Ele é muito importante para mim e quero ficar com ele, pelo resto da minha vida.
Um silêncio pairou no cômodo, Sasuke apertava a mão do noivo entre a sua, suando bastante.
O primeiro a se pronunciar foi Minato, que para surpresa geral soltou um soluço, começando a chorar em seguida. Naruto e Sasuke o encararam sem entender enquanto Kushina lhe dava alguns tapinhas no ombro.
— Não chore, meu bem — confortava-o com um sorriso divertido. O homem nada disse e então avançou para Sasuke, abraçando-o e deixando o pobre Uchiha muito surpreso, sem saber direito se devia corresponder ou o que fazer. Kushina achou melhor explicar enquanto Minato apertava o genro, sem menção de querer soltar.
— Ouvimos tudo o que aconteceu de seu irmão. Ele nos visitou enquanto vocês estiveram em Amegakure, nos disse tudo à respeito do clã Uchiha, sobre sua mãe... — aproximou-se e quando Minato finalmente soltou Sasuke ela segurou em suas mãos — Deve ter sido assustador para você.
Minato enxugou o rosto.
— Queríamos ouvir o que tinha para nos dizer, mas não esperávamos essa declaração toda. Estou feliz pelo Naruto.
Sasuke corou até parecer um tomate. Naruto em compensação só conseguia rir.
— Acho que isso é um sim para nosso casamento, certo?
— Acho bom terminar de casar dessa vez! — a ruiva retrucou, nervosa — Dá muito trabalho passar o dia no salão de beleza para nada. Sabe que odeio essas coisas! Acho bom vocês se casarem de verdade!
A conversa perdeu todo o tom formal. Era de novo como antigamente, para alívio do Uchiha. Seria um choque se eles não aceitassem de algum modo, se fossem contra seu casamento.
—... Itachi esteve aqui?
— Junto do marido dele. Assim que descobriu o que seu avô estava fazendo, o modo como estava controlando você, veio nos avisar e pedir ajuda.
— Estou surpreso. Não imaginei que Itachi faria isso por mim, ele deveria se preocupar em se curar primeiro.
— Foi o melhor que podia fazer por você, Sasuke — havia um sorriso travesso como o de uma raposa no rosto de Kushina — Naruto certamente vai ter de pedir sua mão a ele. E ciumento daquele jeito não me surpreenderia que dissesse que não.
Foi a vez de Naruto resmungar.
— Nem eu sou louco a ponto de desafiar o ciúmes de Itachi. Eu te largaria na hora, Sasuke.
— Muito obrigado por ser tão fiel à mim — esboçou uma careta feia ao loiro sorridente, e logo passou a rir com ele.
Minato e Kushina somente observaram os dois. Na cabeça deles não havia a hipótese de ser contra o casamento, não quando o rosto de Naruto parecia tão feliz e tolamente apaixonado ao olhar para Sasuke.
Conversaram durante o jantar sobre os planos futuros, sobre o apartamento pronto para ser mobiliado e sobre a preparação para o final da gestação de Naruto. Logo chegaria ao oitavo mês e era prudente que não ficasse sozinho, não em uma fase em que algo poderia acontecer.
No meio da refeição o Uzumaki se sentiu enjoado com o cheiro forte de pimentão e correu ao banheiro para vomitar. Sasuke levantou quase imediatamente e o seguiu.
Espiando de longe, os pais de Naruto puderam ver quando ele segurava a cabeça do loiro, batendo de leve em seus ombros.
— Passou?
—... Ainda não... — retrucou e tornou a vomitar. Sasuke passava a mão por suas costas, esperando pacientemente até que tivesse terminado, ainda que fizesse uma careta desgostosa a cada ruído que o noivo fazia.
Quando finalmente terminou, ajudou-o a levantar e lavar o rosto e a boca.
— Quer se sentar?
— Só um pouco... — resmungou e foi sentado no vaso cuja tampa estava fechada. Passou a mão pela testa, não se sentindo muito bem. Sasuke baixou de frente a ele, apoiado nos próprios pés.
— Acho melhor você deitar e descansar.
— Desculpe por isso, Sasuke...
O Uchiha sorriu.
— Não precisa me pedir desculpas — beijou seus cabelos, ajudando-o a levantar em seguida. O levava com cuidado para fora do banheiro porque Naruto se movia devagar por conta da barriga grande. No meio do trajeto Sasuke dá de cara com Kushina e Minato, e pediu para levá-lo ao quarto.
Após vê-los partir o casal se entreolhou com um sorriso no rosto.
Definitivamente sentiam que poderiam entregar Naruto à Sasuke. Eles pareciam se entender muito bem, simplesmente como se tivessem sido feitos um para o outro.
E Sasuke agia de maneira totalmente natural, como um homem apaixonado o faria.
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Um grande e feliz sorriso se estampou no rosto de Itachi ao ver o irmão entrar pelo portão principal. Sem perder tempo o abraça apertado.
— Bem vindo de volta, Sasuke — segurou seu rosto e beijou a curva entre os olhos e o nariz, fazendo Sasuke querer morrer de vergonha.
— Itachi! Já lhe disse para não fazer isso!
O mais velho sequer ouvia, alisando os cabelos negros do irmão caçula, penteando a franja para detrás da orelha. Quando finalmente acabou de perguntar se estava bem, se estava dormindo direito e por que parecia tão magro, só então Itachi lembrou de Naruto e o fitou intrigado.
Foi até ele e repetiu o que fazia, segurando o rosto do raposo e lhe dando um beijo na testa. Naruto nem ligou, sabia que era típico dele.
— Bem vindo de volta também, Naruto — sorriu docemente — Como está seu bebê?
— Obrigado — sorriu mostrando os dentes — Os dois estão bem.
— Dois? — ele piscou algumas vezes, surpreso. Naruto percebeu que provavelmente ele havia esquecido e apenas segurou sua mão, levando-a para o alto de sua barriga.
— Um menino e uma menina. Daisuke e Aiko. Consegue sentir bem aqui?
O Uchiha sentiu somente por uma fração de segundo, mas sorriu. Foi imediatamente interrompido por um Sasori interessadíssimo que vinha do interior do grande casarão.
— Já dá para sentir se mexer??? — praticamente varreu Itachi de seu caminho e colocou as mãos sobre o barrigão — Onde?
— Mais para cima — tentou, mas eles não se mexiam — Normalmente Aiko faz uma festa quando Sasuke começa a falar.
— Isso nem é verdade — o Uchiha mais novo retrucou. Porém imediatamente Aiko mexeu na barriga de Naruto, para surpresa de Sasori que abriu bem os olhos, maravilhado.
— Que bom que eles estão bem, Naruto… — acariciou as bochechas do loiro — Eu fiquei tão preocupado. Itachi também, claro.
— Ah, agora lembra de mim? — retrucou falsamente ofendido por ter sido tirado do caminho.
— Sabe que te amo, mas não é todo dia que Naruto vem aqui. Ainda mais agora que os gêmeos já se mexem bastante! — virou os olhos brilhantes ao loiro — Eles te deixam dormir?
— Quase nunca. Ficam se revirando e me acordam de hora em hora.
— Não cheguei nessa fase, então não sei bem como é. Só me lembro da vontade de ir ao banheiro toda hora.
— Vinte vezes por noite ou mais — Sasuke disparou, com um sorriso de lado — Vou comprar um daqueles colchões de molas ensacadas, sabe? O que "quando um se mexe, o outro não sente"!
Naruto fechou o cenho na hora, virando desconsolado para o casal.
— Acredita que esse Uchiha miserável disse que eu tenho pés iguais aos do Fofão???
Sasori e Itachi baixaram o olhar aos pés do Uzumaki e engoliram bravamente o riso. Achando melhor desconversar, o rapaz de cabelos ruivos o puxa pela mão para dentro de casa e só então se deu conta da aliança no dedo anelar — Vocês estão…
— Noivos! — anunciou com um sorrisão.
Afundou no sofá muito macio e suspirou de alívio por poder esticar as pernas. Sasuke apenas se sentou a seu lado. Itachi e Sasori ocuparam os sofás à frente deles.
O raposo olhou diretamente para o Uchiha mais velho. Havia algo de pacífico e agradável na presença de Itachi. Ele parecia bem de saúde, mais forte. No entanto sua expressão era séria e compreendendo que ele aguardava por respostas, Naruto se pôs a explicar.
— Espero de verdade que me dê a mão do Sasuke — brincou, mas havia uma pontada de nervosismo em sua voz.
Itachi o fitou diretamente.
— Será capaz de amá-lo mesmo que ele tenha o costume de falar sozinho, e ainda responder as próprias perguntas?
— Itachi, não comece! — Sasuke retrucou, mas o irmão estava compenetrado.
— É bom que saiba que ele tem a irritante mania de arrumar tudo, e se vir qualquer coisa fora do lugar vai brigar com você e arrumar do jeito dele. Separa as meias dobradas, nunca emboladas. E separa as cuecas de acordo com a cor, isso indica o dia da semana que vai usá-las. Se um copo tiver fiapos do pano de prato ele vai lavar de novo ou resmungar que está sujo. E não come outra coisa que não seja bolinhos de arroz e tomate, mesmo que você passe horas preparando algo delicioso. Às vezes fala com você dormindo e se acordá-lo ele vai brigar com você também. Ah sim e vez ou outra ronca, sobretudo quando está cansado. Basta cutucá-lo que ele muda de posição e dorme normalmente. Ele não admite, mas tem medo de cachorro porque um o mordeu quando criança. Gosta de andar pelado até o quarto depois de tomar banho. Às vezes senta com as pernas cruzadas e cutuca a unha do dedão do pé. Também tem um gosto musical duvidoso, resmunga como uma velha, e em alguns dias larga o sapato fedorento no quarto e isso vai impestiar o cômodo inteiro! E se não quiser que ele dê um espetáculo nunca o deixe beber além da conta!
Naruto bufou e desatou a gargalhar absurdamente alto com as confissões nada gentis do cunhado. Sasuke por sua vez queria sumir de tanta vergonha! Itachi no entanto não se deteve.
— É capaz de suportar esses e os defeitos que ainda vão aparecer?
Naruto se recuperava do ataque de riso quando o encarou de volta.
— Claro que sou capaz. Eu o amo — sorriu como raposo, atraindo a atenção de Sasuke para si — E para mim é importante que vocês estejam de acordo, porque serão parte de minha família. Sei o quanto Sasuke é importante para vocês.
— Amá-lo é um bom passo, mas não será suficiente — o ar zombeteiro de Itachi desapareceu, dando lugar à uma expressão quase mórbida — O que está prestes a fazer é algo muito arriscado, Naruto. Ingressar no clã Uchiha é comprar briga com Madara. Seus dias serão difíceis, cheios de provações. Os Uchiha vão testar sua paciência, te ofender, insultar e até mesmo colocar sua vida e dos seus filhos em perigo. Será odiado e perseguido, a mídia vai veicular informações falsas sobre a sua pessoa, deverá pensar bem no que fazer em público. E esteja certo de que sempre haverá alguém disposto a semear discórdia e mentiras em seu relacionamento, para tentar separá-los. Você será testados todos os dias, até a exaustão.
O tom de Itachi chegava a ser tenebroso. Sasori virou o olhar, porque tudo o que foi mencionado já havia acontecido antes consigo. E ainda acontecia, mesmo após tantos anos de convivência ainda sofria. O ódio do clã parecia apenas crescer.
Um ódio infindado, afinal a única coisa que Sasori fez foi amar Itachi ao longo de todos aqueles anos.
Naruto engoliu em seco, sem se desviar dos olhos negros enquanto ele prosseguia.
— O que realmente quero saber, Naruto, é se você é capaz de viver atormentado o tempo todo em nome do que diz sentir por Sasuke, e se acha que vale à pena todo o sofrimento que terá de passar para entrar em um clã que vai fazer de tudo para expulsá-lo, que o vê como um intruso asqueroso. Deseja arriscar sua segurança, e a de seus filhos, só para ficar com Sasuke?
O Uchiha mais novo fitou o noivo com pesar. Em partes sabia que era egoísmo de sua parte querer se casar com Naruto e o expor a uma vida de sofrimento como aquela.
Para sua surpresa o raposo sorriu.
— Acha que o que sinto por seu irmão é fraco a tal ponto que me faria ter medo de Madara, ou do clã Uchiha? — sorriu de lado, imitando o modo zombeteiro do noivo — Está me subestimando, Itachi.
— Subestimando ou não eu quero ouvir sua resposta, diretamente. Sem isso não posso concordar com esse casamento, nem entregarei Sasuke à você.
— É bastante simples. O que sinto por ele é mais forte do que qualquer ameaça que Madara me faça, é algo pelo qual vale à pena lutar. Me faz pensar que somos como almas gêmeas destinadas a se encontrar, e que já se amavam em outras vidas. Quando olho nos olhos dele tudo parece certo, sinto que posso ser mais forte se ele estiver comigo. Sasuke é o amor da minha vida, meu melhor amigo, meu confidente, e quero passar cada momento de minha vida ao lado dele. Quero que ele assista o nascimento dos gêmeos ao meu lado, porque ele é parte de mim. Quando aceitei ficar com ele, desde o princípio sabia o que teria que enfrentar. E enfrentaria tudo de novo se fosse preciso. É a pessoa em quem penso ao acordar, até antes de dormir. Quando estou longe dele me pergunto se está tudo bem, se ele está triste ou se precisa de algo. Eu o protegeria de tudo, o apertaria nos braços, embalaria seu sono... — virou o rosto para um Sasuke com as bochechas coradas, bastante surpreso — Eu amo o Sasuke exatamente pelo que é. Um Uchiha privado de liberdade, e faria o que fosse preciso para ficar com ele, porque se nos separássemos... Uma parte de mim se perderia.
—... Naruto... — Sasuke balbuciou enquanto o encarava, balançado pelas palavras dele, um brilho vívido nas íris negras.
O Uzumaki apenas lhe sorriu cúmplice, entrelaçando os dedos nos dele. Em resposta Sasuke ergueu sua mão, beijando as costas dela vagarosamente, porque não era capaz de expressar a gratidão que se alojava dentro dele.
Em resposta ao gesto Sasori pôs a mão sobre a perna de Itachi, encarando-o como quem pergunta "É o bastante para você"?
Itachi então riu pelo nariz, chamando a atenção dos dois para si. Fitou o profundo dos olhos azuis de Naruto.
— Quero que se lembre do que me disse todos os dias, afirmando para si mesmo, e isso lhe dará força para passar pela provação que te aguarda. E por favor cuide bem do Sasuke, Naruto. Sei que posso confiá-lo à você, e para ser sincero eu não poderia querer alguém melhor.
Naruto sorriu de volta, aquele sorrisão apertado como uma raposa, contagiante e resplandecente.
— Pode deixar!
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Esboçou uma expressão desgostosa e girou os olhos.
— Já pode soltar minha mão, por favor? — Naruto olhava impaciente para o primo que ainda estava encantado com a aliança.
— Olhe só pra você, que bonitinho, vai se casar de novo!
— Não diga “de novo”. Eu nunca cheguei a casar com a Sakura.
— Já pensou que louco se no meio do seu casamento com o Sasuke aparece outro pretendente e te rouba de novo, e começa uma nova história de amor? Podia ser o Sai, já que ele era louco por você.
— De onde você tira tanta imaginação? — suspirou desgostoso, puxando a mão de volta.
— Sei lá. Às vezes tenho uns sonhos bem doidos também. Esses dias sonhei que vivíamos numa vila ninja, você usava um uniforme laranja berrante e passava anos correndo atrás do Sasuke que era um ninja renegado!
Naruto fez cara de pouco caso.
— É a coisa mais estúpida que já ouvi!
Menma desatou a rir, tendo de concordar.
— Não é? Mas pense se não seria divertido.
— Já tenho problemas demais com o Sasuke para ter de passar anos correndo atrás dele. E o que viria depois? Querer mostrar o meu valor e me tornar o líder de toda a vila?
— Quem vai se tornar o quê? — Tsunade entrava na sala trazendo as receitas médicas que havia prometido ao neto. Para não visitá-la sozinho, Naruto pediu a Menma que o levasse de carro até a casa da avó postiça.
— Nada, vovó. Menma devia se tornar escritor por ter tanta criatividade!
— Eu facilmente narraria isso e chamaria de “Naruto e as crônicas do furacão”! Faria uma série com uns 400 episódios e de propósito encheria com uns episódios bem nada a ver no momento mais interessante da história!
— Fillers? Isso é injusto com quem assiste, sabia?
— Desde que me desse dinheiro e nem ligaria!
A mulher volveu um olhar desgostoso ao raposo moreno, mas sua atenção se focou totalmente na mão do outro neto.
— Então vai mesmo se casar — ergueu uma sobrancelha de um jeito malicioso. Naruto sorriu meio sem jeito.
— Vou. Ainda não conseguimos conversar muito bem sobre a data. Sasuke está pesquisando sobre um tal de Mini Wedding, um casamento feito no campo, mais informal e com menos convidados. Penso que seria melhor do que uma grande cerimônia.
— Ownnn — Menma apertou as próprias bochechas, se retorcendo de fofura — Tão bonitinhos, quem diria que o chato do Sasuke enfim enfrentaria o patriarca todo poderoso para ficar com você?
— Nada é simples para nós. Não quando se trata de Madara.
— É, mas se me permite dizer, ele pode ser um desgraçado, mas é um desgraçado muito conservado. Baita homão da porra…
Naruto fez cara de asco.
— É só por fora! Madara é um monstro sem escrúpulos! Ele pode ser bonito por fora, mas é uma pessoa horrível por dentro!
— Eu sei — ficou sério pela primeira vez — E espero vê-lo pagar por tudo que fez a vocês todos.
Tsunade desdenhou, apanhando um biscoito da bandeja sobre a mesa, um dos poucos que Naruto não havia devorado ainda.
— Esse tipo de pessoa recebe na própria vida o mal que faz aos outros. Ele deve ser um homem terrivelmente infeliz.
O Uzumaki de cabelos loiros não queria sequer pensar em tudo que Madara já havia feito, tinha asco de recordar a conversa que tivera com ele, o olhar desprovido de qualquer tipo de empatia. Aquele homem parecia se divertir grandemente com o sofrimento alheio.
O que teria acontecido para torná-lo tão detestável?
Interrompendo seus pensamentos Menma indagou-lhe bem de perto.
— Como foi seu pedido de casamento? Ele levou flores? Teve fogos de artifício??? Nem consegui ver nada, quando a vovó e eu voltamos ao apartamento em Amegakure vocês já estavam abraçados e derramando litros de lágrimas! Perdemos toda a parte boa!
— Na verdade não teve nada tão elaborado assim… Ele só pediu desculpas, se declarou para mim, disse que queria ficar comigo…
— Ele se ajoelhou? — os olhos de Menma brilhavam e um sorriso imenso de antecipação estampava seu rosto. Adorava aquelas histórias de amor exagerado.
Naruto coçou detrás da cabeça, envergonhado.
— Sim… — respondeu com um sorriso que fez o raposo se contorcer mais — Ele me deu a aliança e pediu para se casar comigo. Como já havia explicado toda a história eu não tinha porque negar.
— Imagino que vai esperar os gêmeos nascerem primeiro, certo? — Tsunade interveio, mastigando.
— Oh sim, eu não caberia num fraque agora de jeito nenhum, não com todo esse tamanho — riu e deu palmadas leves na barriga imensa e redonda. Movimentar-se estava ficando cada vez mais difícil com todo aquele peso, mas adorava ver sua barriga crescer.
— Podemos conversar mais depois de comer. Eu soube que vinha e fiz lámen — fez sinal com a cabeça para os netos a seguirem até a cozinha.
— Socorro! Tenho comido há dias sem parar nessas visitas, querem me ver gordo por acaso?
— Isso e para os gêmeos, não pra você — alfinetou, conseguindo um resmungo de volta.
Ultimamente eram só os gêmeos, estava ficando em segundo plano. E isso porque nem haviam nascido ainda! Imagina então quando começassem a correr pela casa? Quando começassem a falar, a interagir.
Suspirou de contentamento e teve vontade de fazer o tempo passar mais depressa para ver logo os rostos deles.
—-
O notebook aquecia suas pernas e precisou tirá-lo um pouco do colo para esfriar as coxas.
Deidara terminou de enviar o material extra para a pesquisa de seus alunos da turma de reforço. Uma vez que o trabalho estava feito, foi fuçar a rede social para se distrair.
Adorava postar fotos e mais fotos de si mesmo em qualquer lugar onde fosse, porque sempre se achava lindo, mesmo nas fotos mais casuais.
Tanta beleza só podia ser uma dádiva! Algum tipo de presente divino!
Enquanto checava suas postagens subiu o olhar, percebendo um pedido de amizade. Imaginou ser de algum aluno, como de costume.
Cerrou bem os olhos e praguejou sozinho na sala de sua casa quando percebeu de quem se tratava.
O pedido era de Nagato, claro. De quem mais seria? Aquele homem era insuportável! Seguia-o como um stalker!
— Aposto que está se divertindo fuçando minhas fotos e descobrindo o quão gostoso eu fiquei, não é? — indagava nervoso à foto de perfil de Nagato, tão inexpressiva quanto ele próprio.
Uma raiva inexplicável se remexeu dentro dele enquanto fitava o pequeno quadrado em que estava a foto do homem de cabelos cor de vinho. Passou algum tempo olhando distraidamente a foto, e sem que percebesse a raiva pareceu diminuir mais a cada minuto.
Estava certo de que aquele homem idiota ainda provocava algo nele. Raiva, nostalgia, o que fosse! A verdade é que ainda sentia algo por Nagato, mesmo que não soubesse com clareza o que era.
Recostou-se melhor no sofá, a tela do notebook iluminando seu abdômen nu, bem como o cós da boxer. Pegou-se admirando o corpo maravilhoso que tinha.
E pensar que aquele estúpido havia recusado tudo isso.
Não, na verdade ele nunca recusou. Ofendeu os olhos bicolores de Deidara porque se sentia atraído por eles. Ignorou-o porque não sabia lidar com os amigos que certamente o tratariam com descaso.
O que Nagato fez não se enquadra como desprezo, mas sim como cuidado excessivo de um garoto inexperiente que não fazia ideia de como lidar com o fato de estar atraído por outro garoto.
Apenas por pensar nisso, Deidara recostou a cabeça na parte mais alta do sofá, baixando o olhar. Os fios dourados se espalhavam pelo peito liso.
Nagato lhe dissera que ainda sentia algo… Que ainda queria tentar.
E pensar que havia amado tanto aquele idiota que jamais foi capaz de amar outra pessoa em igual intensidade! Um tolo amor de adolescente!
Resmungou, sem se dar conta da face vermelha, ainda com raiva por pensar nele.
Quanto tempo levou para esquecer o quanto gostava de Nagato? Quantas vezes ergueu o rosto arrogantemente e evitou olhá-lo nos olhos no colégio, até que ele simplesmente desaparecesse?
E por que o maldito voltava justo agora? Para confundi-lo? Bem quando já o havia esquecido? Mas que inferno!
Irritado consigo mesmo, Deidara casualmente move o dedo no touchpad do notebook, visitando o perfil dele para bisbilhotar. Não tinha muitas fotos, algumas com o irmão escroto e babaca! Detestava Pain mais que qualquer coisa pelo que fez ao Sasori.
Vendo mais fotos acabou parando em uma, pego de surpresa.
Era algo parecido com um passeio de família. Nela estavam os pais e alguns parentes no que parecia uma queda d’água, rodeada por uma vegetação densa. O que mais chamou atenção de Deidara nem foi o fato dele vestir só uma bermuda grudada no maravilhoso corpo molhado, mas sim sua expressão.
Havia um sorriso lindo em seu rosto, um que mostrava com clareza que estava se divertindo.
Como ele ficava… Bonito quando sorria.
Um solavanco iniciou uma sequência de batidas descompassadas dentro do peito e Deidara nem retrucou, só soltou o ar de uma vez pelas narinas, uma sensação angustiante percorreu seu corpo e ficou um bom tempo olhando para aquele rosto tão bonito.
Estava absorto, com a mão suspensa no ar, e então volta à si e se acha um imbecil por se deixar levar outra vez por ele! Irritado move o dedo no touchpad com o objetivo de descer mais pela página.
O que não esperava porém é que a maldita, desgraçada seta dos infernos estivesse parada justamente em cima da opção de curtir a foto. E nem esperava clicar duas vezes rápido o bastante para aparecer as opções, e ocasionalmente selecionar “Amei” que apareceu junto com um coraçãozinho, marcando sua opção na foto dele.
Deidara congelou por alguns segundos desacreditando no que havia feito.
— MAS QUE MERDAAAAAAAAAAAAA! — gritou na casa vazia e teve vontade de arremessar o note pela janela!
Como fazia essas coisas? Por que tinha de ser tão desastrado???
Agora a droga daquele homem saberia que estava fuçando seu perfil e ainda por cima tinha um grande “amei” na foto em que ele aparece quase pelado, molhado, com aquele corpo maravilhoso…
— AAAAAAAAAAAARGH!!!! — retrucou de novo segurando a cabeça com ambas as mãos.
Calma, precisava pensar. Existe algum modo de reverter a curtida sem que o usuário receba notificação??? Achou melhor pesquisar antes que fosse tarde.
Percebeu que era tarde demais quando voltou o olhar à tela no notebook e viu o horrendo sinal de uma mensagem recebida.
“Ta zuando que ele tava online e já viu, né? Por favor tudo menos isso!”
Clicou meio receoso e percebeu de relance que a mensagem era mesmo de Nagato. O desgraçado estava mesmo online!
Pensou por alguns segundos se deveria responder ou não, porque não sabia bem o que explicaria. Achou melhor dizer que foi um acidente e inventar alguma história qualquer. Nada que dissesse soaria convincente mesmo…
Acabou selecionando a conversa, e havia somente uma saudação, mas os três pontinhos indicavam que ele ainda estava escrevendo e o ar faltou nos pulmões de Deidara por conta disso.
“Olá, Deidara. Como tem passado? Estava esperando te ver online porque precisava falar com você”
O artista praguejou, mas acabou suspirando e digitou somente um:
“To bem”
“Fazia tanto tempo que não te via, acabei não dizendo o quanto está mudado. Não parece o mesmo de quando estudávamos juntos”
Isso fez Deidara fazer uma carranca imediata de raiva.
“Mesmo? Pois saiba que me acho muito mais bonito agora!” — respondeu quase batendo no teclado.
Ah, por favor! O que ele queria? Ofendê-lo? Insinuar que deveria cortar a franja para mostrar sua anomalia genética ao mundo? Menos, Nagato!
Já estava disposto a fechar a página quando o percebeu digitando e a resposta surgiu na tela.
“Eu já te achava bonito naquela época. Mas confesso que agora você parece diferente, eu fiquei surpreso”
A raiva voltou a crescer.
“Não muda absolutamente nada na minha vida o que você acha ou deixa de achar de mim”
“Imagino que não. Você tem muitos seguidores”
O ego de Deidara inflou e um sorriso convencido encheu seus lábios. Antes de conseguir responder ele tornou a enviar mensagem.
“Seu status de relacionamento não está preenchido. Por acaso está solteiro?”
“Não preciso sair mudando meu status a cada caso que tenho!”
“Então posso presumir que não está em um relacionamento sério, certo?”
Praguejou alto, percebendo que fora pego.
“Não há muito que fazer se normalmente só encontro pessoas falsas que não enxergam muito além da minha aparência” — alfinetou “Como você, que não parece enxergar nada além dos meus olhos de cores diferentes!”
“É uma das coisas mais belas que há em você, Deidara”
“Ah, por favor! Não começa com essa besteira pra cima de mim! Queria que eu respondesse o quê? Que estou sozinho esperando um tolo amor de infância dar certo agora que já somos adultos? Faz ideia do quão idiota isso soa?”
Percebeu que ele visualizou, mas ficou um tempo sem responder. Disposto a terminar aquela discussão, digita rapidamente.
“Se não tem mais nada a fazer eu vou aproveitar meu resto de noite tranquilo na minha casa sem ninguém me enchendo!”
“Está sozinho em casa?” — a resposta foi quase automática e Deidara arregalou os olhos por ser tão burro. Acabava entregando a verdade numa bandeja para ele! Começou a digitar rapidamente uma desculpa, mas ele foi mais rápido e enviou somente:
“Eu estou indo para aí, não vou demorar, só preciso lhe dizer algo muito importante, pessoalmente”
“Não venha!!! Morra, seu idiota!” — digitou de volta, muito irritado, mas percebeu que ele não esperou a resposta e ficou offline.
Uma vertigem desagradável se instalou em Deidara. Frio na barriga, nervosismo, tudo junto! A ponto de nem conseguir pensar no que fazer.
Nagato estava vindo!
Ele havia dito que voltou a morar na vizinhança então com certeza descobriu onde o loiro morava.
Não queria vê-lo! Nunca conseguia pensar direito quando o via!
Nem pensou duas vezes quando largou o notebook de qualquer jeito sobre a mesa de centro e correu ao quarto, vestindo rapidamente uma camiseta e o primeiro jeans que viu na frente.
Precisava sair de casa antes dele chegar! Encontrá-lo certamente resultaria em problemas!
Vasculhou pela casa à procura da carteira e das chaves, que costumava largar em qualquer canto e nunca sabia onde deixava. Fez um lembrete mental de que precisava ser um pouco mais organizado.
Seu coração batia tão depressa que o deixava zonzo. Quando finalmente encontrou o que procurava calçou os sapatênis de qualquer modo, abrindo a porta da frente e disposto a ir até mesmo ao supermercado 24 horas se com isso conseguisse fugir de Nagato!
Para seu horror completo ao sair pela porta da frente percebeu quando um carro estacionou à frente de sua casa e de dentro dele aquele homem irritante desceu, encarando-o com a cara de nada habitual.
Deidara não sabia explicar o que sentia, mas não queria encontrá-lo, não queria chegar perto dele! Quando o viu descer do carro e dar a volta teve vontade de xingar e simplesmente ir embora.
Porém não fez nada até que ele parasse no portão, fitando-o diretamente.
Nem mesmo sua fuga foi bem sucedida! Acabou suspirando bem forte e seguiu em direção ao portão, simplesmente abrindo-o e fazendo sinal para entrar.
— Entra de uma vez! — resmungou sem olhá-lo diretamente. Quando passou a seu lado, Deidara conseguiu sentir o cheiro forte de perfume subir no ar. Por um momento o aroma inebriou seus sentidos, mas em seguida ignorou isso e fez sinal para que ele o seguisse para dentro.
— Não sou bom anfitrião, já aviso logo — retrucou de péssimo humor e abriu a porta da frente, tateando a parede para acender o interruptor. Ouviu a voz grave pedindo licença quando fez menção de tirar os sapatos impediu-o.
— Nem faz isso porque odeio varrer o chão. Vai só sujar suas meias — avisou, com cara de poucos amigos — Você bebe?
— Nada alcóolico.
— O que você é? Um monge por acaso???
Conseguiu um pequeno sorriso em troca e virou o rosto, sentindo ainda mais raiva.
— Diga de uma vez o que você quer e vá embora!
— Me desculpe por vir de última hora. Você parece estar de saída.
— Oh, que bom que notou. Eu estou com pressa se ainda não percebeu, então acho melhor que seja rápido.
— Não pretendo mesmo demorar. Eu apenas queria conversar pessoalmente — fez menção de se aproximar, mas o outro mantinha uma distância segura.
— Sobre?
— … Por acaso você me odeia, Deidara?
A pergunta repentina o fez erguer o rosto e fitar a face inexpressiva de Nagato, sem entender o fundamento daquela conversa.
— Hein?
— Me pergunto se mesmo depois de deixar as coisas claras você ainda sente raiva de mim.
— É claro que sim, seu estúpido! Você me fez mudar drasticamente a troco de nada!
— Nunca foi minha intenção — deu alguns passos à frente, mas ele se distanciou de novo. Isso de certa forma o incomodou e sem pensar duas vezes ele avança de uma vez, intimidando o rapaz de longos cabelos loiros que o encarou irritado, a franja deslocada evidenciando seus olhos bicolores.
— Não me importa quais sejam as suas intenções! — quase cuspiu as palavras.
Estava nervoso, irritado, triste e apavorado, tudo junto fervendo dentro dele a ponto de querer explodir!
— Importa sim — Nagato disse mais baixo, mais calmo -... Importa para mim, porque não quero que tenha uma impressão errada, que entenda as coisas de outro modo.
— E tem outro modo de entender?
— Teria se me deixasse explicar. Nunca quis magoar você. Estava tentando te proteger do que os outros pensariam, porque não sabia lidar com isso na época.
— Você foi só um covarde! Uma pessoa segura dos seus sentimentos não fugiria como você fez! Não se preocuparia com que os outros iam ou não pensar!
— Então está me dizendo que se eu realmente gostava de você devia ter dito diretamente? Devia ter insistido para ficar com você, contrariando tudo e a todos?
— É claro que sim! — explodiu — Que se dane as outras pessoas! Se não tem coragem de assumir o que sente nem devia ter me procurado para início de conversa! Ainda mais se sabia que eu também gostava de você!
Nagato não esperou mais respostas, porque o que ouviu pareceu exatamente o que esperava ouvir. Diminuiu a pouca distância restante, puxando-o pela cintura até bater o peito no seu. Deidara pareceu desesperado.
— Que pensa que vai…??? Ei!
— Então não tenho razão para fugir mais — olhava encantado a face tão próxima da sua — Gosto de você, Deidara. E quero ficar com você.
— Quer me escutar???
Ele então baixou o rosto, beijando seu pescoço, percebendo o modo como o loiro se retorcia com isso, os dedos apertando seus ombros, a boca abrindo para soltar um gemido baixo. A pele exposta lhe dava espaço para beijar e lamber como queria, provando o gosto salgado, sentindo o pulsar rápido da pressão sanguinea.
Aguardava para ver se ele negaria, se pediria para parar, porque estava disposto a se afastar se ele assim o quisesse.
Mas Deidara não disse nada. Quando o fitou percebeu que ele estava vermelho, que respirava depressa, e isso acentuou o que sempre soube. O que sempre gritou dentro de seu peito.
Que no fundo Deidara sempre se sentiu da mesma forma, que seus sentimentos ainda eram os mesmos de quando se declarou. O longo tempo que passou nunca foi capaz de apagar o amor que Nagato sentia por ele, e imaginava se seria igual para com Deidara.
—... O que sinto nunca mudou desde que nos separamos. Nunca esqueci você, Deidara.
Percebeu os olhos bicolores tornarem-se mais vívidos. O verde mais intenso, o azul mais brilhante. Afastou devagar a franja e o percebeu baixar o rosto imediatamente em reflexo a isso. Tornou a erguê-lo e recebeu um olhar confuso em troca.
Eram os olhos mais lindos que já tinha visto em toda a vida! Um tom claro e translúcido que somente contribuía para deixar o rosto dele ainda mais bonito.
Deidara percebeu quando Nagato pareceu realmente fascinado, os dedos passando nos cantos de suas pálpebras.
—... Nunca esqueci esses olhos nem por um segundo… Nunca te tirei da cabeça.
Milhares de coisas passaram pela mente de Deidara, mas não conseguiu pronunciar nenhuma delas. Quando ele se abaixou para beijar a pálpebra fechada, sentiu algo como uma descarga atravessar seu corpo.
Estava quente e sua cabeça começava a não pensar corretamente. Ao abrir os olhos percebeu-o lamber devagar o canto das pálpebras. Estava disposto a pará-lo se achasse esquisito demais, mas a verdade é que era uma pessoa bastante excêntrica e essas coisas estranhas de certa forma o deixavam excitado.
Permitiu que ele continuasse e este, não vendo resistência, segurou e abriu-lhe a pálpebra devagar, passando a língua pelo globo ocular, umedecendo, um movimento vagaroso que fez o outro piscar.
Não que fosse ruim, era estranho não podia negar, afinal nunca viu uma pessoa lamber o globo ocular de outra! Mas, quando percebeu a forma como ele ficava ofegante com uma coisa tão boba quanto aquela, Deidara sentiu o ego inflar de repente. Sabia que estava excitando Nagato por conta de seus olhos heterocromáticos, um defeito que sempre o assombrou e que parecia levar aquele homem à loucura!
Se perceber desejado por uma anomalia genética que sempre detestou, que sempre o traumatizou, o fez se sentir maravilhosamente bem, e permitiu então que Nagato lambesse ambos os globos oculares, que beijasse as pálpebras fechadas. Podia sentir a respiração dele se tornar mais rápida e o modo como foi segurado com mais intensidade em seus braços. Era possível notar que estava realmente excitado e para ser bem sincero, estava tanto quanto ele. A respiração quente que batia em seu rosto estava começando a deixá-lo realmente eriçado, arrepiava o corpo inteiro...
Abriu os olhos e o fitou diretamente, pasmo consigo mesmo por permitir que alguém visse seus olhos escondidos detrás da franja e que chegasse a ponto de lambê-los! Era algo mais íntimo do que se permitir ser visto nu, algo que exigia uma entrega muito maior.
Nagato parecia absorto. Passou o dedo pelos lábios secos de Deidara, desejando senti-los junto aos seus.
—... Tinha razão quando disse que ficou muito mais bonito que antes, Deidara. Você possui uma beleza única. Eu já estive em diversos lugares, viajei grande parte do mundo, mas nunca encontrei alguém como você.
Os olhos bicolores desceram à boca dele, tão próxima da sua. Nagato riu por entender o que ele queria e não se negou, aproximou-se furtivo e devagar beijou o canto dos lábios primeiro, percebendo-o retribuir e comprimir os lábios nos dele. Tornaram a se encarar e outro beijo estalou, um tanto mais demorado. Percebeu-o retribuir novamente, ainda que tivesse um resquício da expressão raivosa.
Era adorável.
Lambeu-lhe os lábios, obrigando a entreabri-los, saboreando devagar, passando a língua pelos dentes, para então fazê-lo abrir a boca e a selar finalmente. Escorregou a língua para dentro, passando sobre a dele, ao redor, obrigando-o a se mover no mesmo ritmo.
Nagato então prendeu-o entre os braços, forçando o corpo dele um pouco para trás.
Deidara não tinha mais forças para empurrá-lo, nem para retrucar ou para impedir. Quis aquele beijo todo aquele tempo, procurou em outras pessoas a semelhança do único a quem queria beijar, o único a quem realmente desejava. Enlaçou seu pescoço, esquecendo qualquer outra coisa, e retribui o beijo, aumentando aos poucos a intensidade, retribuindo com igual entusiasmo.
O beijo era melhor do que havia sonhado todo aquele tempo, o sabor era muito melhor. Nagato o segurava com tanta facilidade, o conduzia com uma naturalidade que deixou Deidara totalmente à vontade, cabendo por completo dentro do abraço dele.
Se aquele miserável soubesse o que provocava em seu corpo… Se soubesse a forma como desejou tê-lo em seus braços todos aqueles anos!
O beijo ficou mais profundo, mais rápido, e ofegavam entre ele. As mãos de Nagato encontraram a barra da camiseta, se enfiando dentro dela para tatear o corpo magro que ardia debaixo do tecido. O rapaz de cabelos dourados, sendo atrevido como era, desceu mais as mãos, arranhando as costas sob o tecido, percebendo com prazer ele estremecer, para então parar sobre o traseiro e o apertar com força com ambas as mãos.
Seus lábios se soltaram, eles se encararam novamente e a recíproca era nítida. Era possível ver em seus olhos, na face vermelha e suada, na respiração entrecortada, que estavam realmente excitados um com o outro.
Nagato vagarosamente erguia a camiseta do outro, querendo por fim arrancá-la, enquanto ainda beijava seu queixo, o canto de seus lábios, seu rosto, sua orelha... Ao gemer e soprar o ar quente próximo aos ouvidos foi que Deidara decidiu que era hora de parar, antes que perdesse completamente o controle! A razão finalmente sobrepujou o desejo e ele o empurrou para longe de si.
—... Se você tá pensando que pode chegar aqui e dizer uma série de coisas bonitas, e que somente por causa disso vai conseguir me levar para a cama, está muito enganado! — dizia com toda a dignidade que possuía, mesmo que uma ereção imensa apontasse para a frente dentro das calças — Eu sou muito mais difícil que isso!
Nagato o fitou em silêncio e então respirou fundo, endireitando as vestes, se obrigando a pensar devidamente porque o calor da excitação roubava uma reação imediata.
—... Concordo e respeito isso em você. Nunca farei nada que não queira.
— Pelo menos nisso você e o canalha de seu irmão são diferentes, você entende o significado da palavra “não”. Já tava pensando que teria de te socar para te fazer parar.
— Não me compare ao Pain. Eu te respeito, gosto de você, quero que se doe pra mim quando se achar pronto para isso.
Internamente o coração do mais novo acelerou, mas sua carranca continuava a mesma.
— Gosta de mim, é?
— Muito, Deidara. Creio que é mais do que gostar… Mas só poderei ter certeza com o tempo.
— E espera que eu lhe dê esse tempo?
Ele tornou a se aproximar e puxou suas mãos, beijando as palmas.
— Não acha que já passamos tempo demais longe um do outro? E tudo por conta de um desentendimento.
— Que me machucou de verdade!
— E que já pedi desculpas por isso — cortou-o, com tom de quem encerra definitivamente um assunto — Já lhe disse que gosto de tudo em você, que ainda me sinto da mesma forma, se não mais que antes. Eu o quero perto de mim, Deidara. Estou disposto a qualquer coisa para ficar com você.
Deidara o encarou nos olhos por um longo tempo, seriamente. Em seguida suspirou com desdém.
— Pode me dizer que nada mudou, mas o tempo passou para nós dois.
— Não sente mais nada por mim, Deidara?
— Não como antes, eu era só um pivete.
— Então por que correspondeu ao meu beijo com tanto fervor? Poderia ter me parado quando quisesse, mas não o fez. Está apenas mentindo para si mesmo.
— Não seria justo com Sasori…
— O que ele tem a ver...?
— Tem tudo a ver por causa do Pain! Aquele cretino quase violentou o Saso, faz mal à ele. Sei que se ficar perto de você em algum momento vou expor o Sasori ao Pain novamente, e ele já está passando por maus bocados.
— Mas é da sua vida que estamos falando, Deidara.
O loiro esboçou uma expressão zangada.
— Sasori é como um irmão para mim! — disparou — Eu não vou magoá-lo dessa forma!
— Então manteremos Pain distante de nós, e também de Sasori, uma vez que ele é tão importante assim para você. Não é justo nos separarmos em razão disso.
— Não é somente por essa razão — confessou, sem encará-lo -... Eu sofri os últimos anos pelo que me fez. Essa imagem não se apaga tão fácil assim, e nem quero sofrer tudo aquilo de novo.
O homem de cabelos cor de vinho pareceu surpreso, em partes estava feliz que ele fosse sincero consigo. Segurou seus ombros, sem muita força.
— Então me deixe apagar essa imagem que tem de mim. Me deixe mostrar que estou falando sério — subiu a mão, passando pela bochecha macia -... Sinto sua falta, Deidara. Falta da sua voz, do seu sorriso. Ainda que recomecemos como amigos, é o bastante para mim, se com isso puder te ter por perto.
Isso pareceu suficiente para o loiro, até porque sabia que não conseguiria tomar outra decisão. Tudo o atraía à Nagato, pensava nele o tempo todo! Queria prolongar a discussão apenas para passar mais algum tempo com ele, mas ignorou isso.
— Então será como você disse. Começamos como amigos, e somente isso — finalizou, e em seguida estendeu a mão em sinal de cumprimento. Para sua surpresa, Nagato lhe sorriu e apertou a mão na sua.
— Acho um bom começo. Por hoje acho melhor ir eu embora ou não serei capaz de cumprir isso — passava devagar os dedos entre os de Deidara — Posso te buscar no trabalho amanhã?
— Você já é bem grandinho para eu lhe dizer o que pode ou não fazer — resmungou incomodado, mas suas maçãs do rosto estavam coradas.
Nagato riu com isso, não dizendo nada em troca. Quando ele o acompanhou até a porta quis realmente beijá-lo, mas se conteve. Passou a mão pelos cabelos loiros e o segurou pela nuca, dando-lhe apenas um beijo na testa.
Uma vermelhidão intensa tomou conta do rosto incrédulo de Deidara e ele parecia prestes a disparar uma leva de xingamentos. Nagato cortou-o antes disso.
— Durma bem. Se quiser conversar pode me chamar a qualquer hora.
— Morra! Eu não tenho porque te procurar!
— Pode mandar mensagem inbox se preferir. Você não aceitou minha solicitação, mesmo tendo curtido minha foto.
Se fosse possível ficar mais envergonhado do que já estava, Deidara facilmente o teria feito, ou se enterrado no chão! Sem dizer mais nada fecha a porta na cara de Nagato.
Precisou de um tempo para colocar a cabeça de volta no lugar, porque a lembrança do beijo mexia com ele, deixava-o zonzo, feliz, aflito… Era difícil explicar como estava balançado por aquele estúpido!
Resmungou durante um bom tempo para si mesmo. Estava muito encrencado! Passou a mão pelos cabelos, levando a franja para trás da orelha, um gesto que usalmente não fazia. A forma como Nagato olhava para seus olhos o fazia estremecer só de lembrar.
Acaba indo até o banheiro e faz algo que há muito tempo não fazia. Observa o próprio rosto, sem desviar dos olhos com heterocromia, algo que o incomodou por tanto tempo. Sem a franja caída no rosto o tom destoante das íris parecia ainda mais nítido. Vira o rosto para os lados, testando o novo visual.
Até que era bonito ter olhos diferentes, de certa forma… Imaginava o que as pessoas diriam se o vissem assim amanhã, sem a franja costumeira que tapava seus olhos.
Incomodou-se e tornou a puxar a franja para a frente do rosto.
Um passo de cada vez! Já avançou muito permitindo que Nagato os lambesse!
E somente lembrar isso tornou a deixá-lo duro dentro das calças. Suspirou, achando melhor assistir algo extremamente idiota porque se recusava a fazer qualquer coisa pensando nele!
— Eu morro mas não bato uma pro Nagato! Isso nunca!!!
—-
Juntou a papelada nas mãos percebendo o grande volume de páginas.
A resma de folhas continha as instruções para dar entrada no pedido de divórcio, uma cópia com os documentos e termos a ser acertados. Após isso, Sasuke estaria definitivamente livre de Karin, livre para se casar com Naruto como tanto queria.
Sua atual esposa não teria mais como recusar, não havia o que usar como desculpa. Graças aos céus Itachi estava em segurança, Mikoto também. Ao menos era o que esperava. Logo, não havia nada que o mantivesse preso naquele casamento sufocante, e achava justo ser franco com Karin, dar-lhe algum tempo para pensar e absorver a ideia. Sabia que ela sofreria com isso, que estava doente, então sentia que era o melhor a fazer por ela, mesmo que já o houvesse machucado de tantas formas diferentes.
Era o início de uma nova fase em sua vida, e esperava verdadeiramente que essa fase fosse muito melhor. Estar com Naruto lhe proporcionou alguns dos melhores momentos que poderia querer. Os gêmeos estavam à caminho, era o momento de construírem um lar, de ficarem juntos e em paz.
E faria o que fosse preciso para manter essa paz.
O elevador parou no andar de seu antigo apartamento, onde Karin ainda vivia. Engraçado como antes só o fato de se aproximar daquele lugar lhe dava calafrios. Agora era indiferente, como se tivesse enfim se libertado disso, como se tivesse dado um passo adiante.
Ainda possuía as chaves, mas preferiu tocar a campainha pois não sabia o ela estava fazendo, mesmo que tivesse avisado antes que estava chegando para conversarem. Ouviu alguns barulhos estranhos, vozes abafadas e franziu as sobrancelhas.
— Karin, está tudo bem aí dentro?
Ela respondeu algo que não conseguiu entender bem. Algum tempo depois ouviu ruídos na porta e esta enfim foi aberta. Detrás dela a silhueta deprimente de Karin surgiu, com um imenso sorriso estampado no rosto.
— Bem vindo, meu amor! — deu-lhe espaço para entrar e Sasuke o fez, em silêncio até estar no centro da sala. Percebeu várias sacolas espalhadas pelo chão, o apartamento parecia uma grande bagunça.
— Se estiver ocupada eu posso voltar depois — adiantou.
— Nunca estou ocupada para você, meu amor. Sente-se! Há uma coisa que quero muito te mostrar.
Ele a cortou sem pestanejar.
— Karin, sabe para que eu vim aqui, certo? — estendeu-lhe os papéis.
A jovem fitou-os por um momento, como se não associasse bem.
— Não, meu querido, podemos resolver isso depois. Você precisa ver uma coisa primeiro, é algo realmente importante!
— Karin, nada do que fizer vai mudar minha decisão, ou o fato de que vamos nos divorciar.
Ela fez uma expressão de asco, repugnava aquela palavra!
— Preciso que leia atentamente e providencie os documentos. No dia marcado vamos nos reunir com nossos advogados. Metade de todos os bens serão seus, me avise caso não concorde com alguma coisa.
A mulher ignorou o que ele dizia e fez que não com a cabeça. Nesse instante um barulho estranho soou, vindo do interior do quarto, como se alguma coisa estivesse se debatendo e Sasuke voltou o rosto naquela direção.
— Tem mais alguém aqui?
— Espere um momento, meu amor! — saiu apressada antes que ele tivesse tempo de impedi-la.
Resmungou, sabia que aquela seria uma conversa difícil. Enquanto estava sozinho na sala do que um dia foi seu apartamento, percebeu que as fotos dele ainda estavam nos porta retratos. Tudo estava do jeito como havia deixado, com exceção da bagunça que se instalava por todo canto, e da sujeira espalhada.
Sasuke já estava disposto a deixar os papéis e dizer que voltaria em outro momento. Seja lá quem fosse a pessoa que estava no apartamento não estava interessado em vê-la.
Foi quando Karin voltou em companhia de mais alguém. Sasuke perdeu a fala por um momento, completamente confuso e desnorteado ao fitar a pessoa que estava com ela.
Sem compreender nada ele se vira para perguntar:
— Karin, quem é...?
— Vê, Sasuke? Tudo vai ficar perfeito agora entre nós!
O Uchiha baixou o olhar assustado.
—... Karin... — não conseguiu articular bem as palavras, porque sabia que ela não compreenderia, que não estava em seu juízo perfeito, não por estar ao lado de uma pessoa como aquela.
De mãos dadas com Karin estava uma criança mirrada, uma menina de cabelos na altura dos ombros, muito negros. Olhava assustada o Uchiha parado diante dela, o espanto em seus olhos dizia muito sobre ela mesma.
Sasuke precisou parar por um instante para compreender o que Karin planejava realmente.
—... Karin, quem é essa menina?
O olhar da mulher parece transtornado, ela sorria, mas era como se seus olhos não tivessem cor ou brilho algum.
— Vê, Sasuke? Nós temos uma filha agora! Podemos ser felizes, sim muito felizes! FInalmente vamos ser uma grande família!
— Do que está falando? Quem é ela? De onde veio?
— É nossa filha, Sasuke! Somos uma família agora! Você queria uma menina, certo? Pode chamá-la de Aiko se preferir!
Sasuke pisca algumas vezes, muito impressionado, tentando absorver o absurdo das palavras de Karin, mas ao fitar o rosto esperançoso dela acabou engolindo em seco.
—... Você sempre quis muito ter um filho, não é?
— Com você! — acrescentou depressa — Não pode ser com outra pessoa, tem que ser com você!
O mais perturbador sequer era o fato de Karin estar tão doente que roubou uma criança para chamar de sua filha. O mais preocupante era que Sasuke bem imaginava quem seria aquela criança, de onde havia vindo.
E o grande problema que significaria quando o clã Uchiha descobrisse que ela estava em sua casa.

Continua.

Notas finais
Muita coisa acontecendo, eu sei. Vamos por partes! Resultado do exame: negativo! Ufa, não foi dessa vez. A quem tinha dúvidas está tudo claro agora. Gaara é compatível. Decidi isso quando vi um estudo de que mulheres que convivem muito tempo juntas costumam tem ciclos ao mesmo tempo. Penso que é uma boa explicação para determinada área ter maior concentração de compatíveis. E Mengaa voltou! Meus fofinhos estão juntos de novo, ah como são lindinhos! Menma vai conseguir aos poucos mudar o coração e os traumas do Gaara? Eu nem quero imaginar como será quando nosso Naruto negro voltar para a empresa... Alguém pegou a referência InoHina??? Shipo muito! A Sakura vai definhar até chegar num ponto que quero, porque daí as coisas começam de verdade para ela. E quanto ao Shisui, logo seus objetivos ficarão claros de vez. Essa nova fase será bem intensa, para todos os personagens. Novos Uchihas importantíssimos estão à caminho! Sasuke se declarando pros sogros e pedindo a mão do Naruto em casamento... Depois Naruto ouvindo os podres do Sasuke através do Itachi... Sasuke dizendo ao Naruto que ele tem pés de fofão... Eu não aguento esses dois! É linda demais a relação deles! E ainda teve Sasukito todo bobo sentindo os gêmeos se mexer, awwww! Estou feliz que eles tenham passado da fase de brigas e estejam bem. Hoje recebi no face a notificação de que faz um ano desde que postei o capítulo em que eles se separam. Passou tão rápido... Cof cof, referência à Yuri on ice (amo) cof cof... Deidara deu uma chance ao Nagato! Eles ao menos vão começar como amigos e o Deidei já começou a gostar mais de seus olhos! Será que a relação deles vai avançar? E por fim a criança misteriosa que o Sasuke tanto teme. Abrigá-la em sua casa vai significar uma guerra imediata com o clã Uchiha, e Madara provavelmente já sabe onde ela está... Gostou do capítulo? Então precisa me dizer isso, para que eu possa postar mais e melhor para vocês. Obrigada pelo apoio incondicional. Deixe sua mensagem mesmo que seja para dizer "Adorei, Sasunaru é vida e Madara tem que morrer!" Um beijo e até o próximo capítulo.