Entre A Razão E O Desejo - Em edição
18 Prelúdio
Notas iniciais
Itachi acordou com a boca seca. Piscou algumas vezes, ronronando. Mesmo tendo dormido bem ainda se sentia exausto. Demorou alguns segundos para entender onde estava. Fitou o teto muito branco, as molduras de gesso parecendo familiares, uma sensação nostálgica.
Ah sim, estava em casa, finalmente. Depois de ser medicado e cuidado por Tsunade fora levado para a antiga casa onde vivia com Sasori e passara a noite ali. Isso lhe dava uma sensação boa, pela primeira vez desde que despertou se sentiu realmente confortável, aquela casa representava seu lar.
Tinha muito que agradecer àquela mulher corajosa que cuidara dele por horas afinco, sem demonstrar cansaço ou apatia. Tsunade era uma mulher forte e habilidosa, se não fosse por ela não sabia o que poderia ter acontecido consigo, ou com Naruto e Menma que o ajudaram a escapar. Tão logo se recuperasse agradeceria pessoalmente por tudo que ela lhe fez.
Virou a cabeça devagar para o lado oposto da cama de casal, percebendo desgostoso que o esposo dormira sentado, recostado à cabeceira. Provavelmente velou por seu sono até que foi vencido pelo cansaço.
O orgulho de Itachi foi ferido com isso. Sasori era quem deveria ser protegido. Mantinha a pose de que podia cuidar de todos, mas era ele quem mais precisava de cuidados.
Devagar sentou-se na cama, o mero movimento exigindo muito esforço. Conseguiu puxar o corpo sonolento do ruivo para deitá-lo corretamente, cobrindo-o até o queixo. Sasori ronronou em resposta, em sono profundo, arrancando um sorriso do moreno. Dedilhou as madeixas vermelho fogo, a pele macia, contornando as sardas sobre seu nariz que imitavam o aspecto de ferrugem. Achava tudo nele lindo e perfeito, ruivos eram tão bonitos...
A coceira e ardor na garganta aumentaram e teve vontade de tossir. Mesmo engolindo a própria saliva ainda sentia o desconforto. Respirou devagar, tentando acalmar a irritação crescente no esôfago pois o barulho poderia despertar o esposo e seria um grande desperdício tirá-lo do sono angelical em que se encontrava.
Olhou de relance para a cômoda, percebendo que a jarra de água estava vazia. Talvez se ignorasse o desconforto conseguisse apenas voltar a dormir. Foi o que tentou fazer, mas a tosse escapava vez ou outra, fazendo o esposo se remexer de leve.
Naquele ritmo o acordaria certamente. A melhor coisa a fazer era buscar ele mesmo um copo de água, ignorando todas as recomendações de não tentar se locomover sozinho sob nenhuma circunstância.
Era um homem adulto, precisava lidar com seus próprios problemas. Sasori já lhe fizera mais que o suficiente.
Foi pensando nisso que sentou na beira da cama com grande dificuldade, os pés descalços tocando o chão frio. Sentia as pernas formigarem, a sensibilidade quase nula. Mas não desistiria, bastava ser cauteloso.
Esticou o braço trêmulo até a cadeira de rodas, trazendo-a para si e a colocando diante da cama, acionando a trava das rodas. Não era nada fácil erguer o corpo, as pernas pareciam não obedecer seu comando, os braços não possuíam firmeza. Respirou fundo, o suor brotando da testa, o corpo quente pelo esforço.
Sua teimosia nunca o faria desistir.
Com toda a força que possuía conseguiu erguer o corpo e sentar de uma vez sobre a cadeira, exausto com um movimento tão simples. Olhou de relance para a cama e Sasori continuava na mesma posição,adormecido e imóvel.
Gira então os aros das rodas fazendo a cadeira deslizar pelo piso, rumo à cozinha. Estava aliviado que conseguisse fazer o que quisesse sem ajuda, odiava a ideia de depender do esposo para tudo. Ele não tinha culpa de nada, já fizera muito aceitando e compreendendo o que os Uchiha lhe fizeram, sendo completamente inocente. A história toda sobre o acidente causava amargor na boca do moreno.
E pensar que poderia ter morrido, ou pior, que Sasori poderia ter sido morto naquele acidente forjado! Tão logo se recuperasse faria Madara se arrepender pelo que lhes fizera!
Chegou à cozinha já sem sentir os próprios braços devido ao esforço. Olhou ao redor procurando um copo sobre a bancada, mas se quisesse beber teria de pegar um no armário, e o único modo de apanhá-lo seria se levantando.
"Vamos, você consegue" — repetia internamente apoiando bem as mãos dos dois lados dos encostos da cadeira, tendo a certeza de manter os pés firmes para ela não rolar.
O primeiro esforço não resultou em nada e ele largou-se na cadeira, respirando muito depressa. Odiou e culpou a si mesmo, talvez não estivesse fazendo tanto esforço quanto deveria. Numa segunda tentativa encheu-se de determinação, concentrando toda a força que possuía. Seu corpo o obedeceu e ele se pôs de pé, ainda que devagar e cambaleante. Apoiou-se na bancada, quase caindo. Suas pernas tremiam, pesadas.
Mas estava de pé, ótimo! Era a primeira vez que conseguia ficar sobre suas pernas desde que acordara. O esforço valia à pena.
Intentou se mover, mas o comando de seu cérebro não parecia exercer poder algum sobre os pés imóveis. Ele arfou de cansaço, sustentando o peso do corpo inteiramente nos braços.
Não podia desistir agora, estava conseguindo um progresso imenso! Arrastou os pés, de maneira que conseguiu se esgueirar até diante da pequena portinha de vidro do armário.
Bastava abri-la e teria enfim seu copo em mãos. Como uma tarefa tão simples se tornava tão complicada?
Levantou a mão trêmula ao puxador, abrindo desajeitado o armário e agarrando o copo. Sorriu consigo mesmo, arfando cansado.
Agora bastava ir até filtro de água, poucos passos adiante. A distância pareceu três vezes maior que a realidade, mas não se deteve, empurrando o corpo, arrastando os pés, agarrado à bancada, uma das mãos segurando firmemente o copo de vidro nas mãos. Tentava erguer os pés para caminhar, dobrar as pernas, nada adiantava. Arrastava-os pelo piso da cozinha, faltava pouco.
Nem acreditou quando chegou ao filtro de água, colocando o copo debaixo do local indicado, apertando o botão com um golpe, esperando calmamente seu copo encher para beber o quanto queria, a sensação gelada lhe trazendo um bem estar imediato.
Obviamente Tsunade exagerara acerca de sua recuperação. Ele conseguia sim se movimentar sozinho, podia se cuidar sem a necessidade de incomodar ninguém ou ser constantemente vigiado.
Foi com esse sentimento que tornou à cadeira de rodas, já mais confiante, procurando apoio para se sentar. Mas a firmeza das pernas não pareceu suportar o longo tempo de esforço. Tentou segurar apressado no encosto mas só o que conseguiu foi tombar a cadeira, caindo ao chão com um baque alto.
Ao se chocar contra o piso mordeu bem forte ante a dor que o invadiu, tão intensa que encolheu o corpo, apertando o lado direito onde batera, perto das costelas. O gosto ferroso de sangue volveu pela garganta e tossiu, vendo assustado o chão diante de sua boca se tingir de vermelho. Já era de seu conhecimento que possuía uma ferida interna, e por infelicidade caíra bem sobre ela.
"Não importa, fique calmo, logo vai passar" apoiou os cotovelos no chão na tentativa de se por de pé, mas tornou a desabar. Era muito difícil se mexer, a cadeira de rodas estava tombada longe de si.
Respirou mais depressa, percebendo-se sem saída. A única escolha seria se arrastar até ela. Apertou os dedos no chão, impulsionando o corpo, mas perdeu as forças em seguida, respirando muito alto e ruidoso. Estava tão cansado.
Detestava admitir mas não conseguia se mexer, o corpo parecia travado, imóvel, dolorido. O frio do piso o incomodava. A sensação de completa impotência o assolando e o fazendo apenas desejar que Sasori despertasse e o ajudasse.
Mas tal sentimento desapareceu no mesmo instante.
Não. Precisava fazer isso sozinho, afinal Sasori não podia fazer nenhum tipo de esforço porque estava gráv...
Parou de se mexer, surpreso. De repente os olhos negros se arregalaram de espanto. Itachi largou-se no chão, a dor pareceu desaparecer , substituída por uma angústia desoladora.
Em um instante as lembranças o visitaram com tanta violência que segurou a cabeça com ambas as mãos, retorcendo-se no chão da cozinha, os dentes cerrados. Um filme inteiro correndo sua mente em alta velocidade.
Lembrou-se da viagem de negócios que fizera pouco antes do acidente, e do telefonema que recebeu do ruivo. Ele dizia estar muito enjoado e dolorido.
Por causa da gravidez...
Abriu os olhos quase sem conseguir acreditar, confuso, aturdido.
Grávido... Sasori estava grávido quando se despediu dele antes do acidente! Como pudera esquecer um detalhe tão importante?
Onde ela estava? Onde estava seu bebê?
Espere, já haviam se passado três anos! Ela já devia ser bem grandinha agora. Aiko já estava em uma fase da vida que conseguiria falar frases inteiras, correr sozinha.
Mas, porque não a vira desde que saiu do hospital? O que estava acontecendo?
Engasgou no sangue que volveu da garganta e tossiu alto, achando que asfixiaria. Por instinto moveu a cabeça para o lado tossindo sem parar, muito confuso e assustado.
E nesse instante sentiu seu corpo apoiado e forçado a sentar. Demorou um longo tempo até que conseguisse respirar normalmente, até que a dor houvesse cessado e pudesse abrir os olhos. Percebeu Sasori olhar desesperado para ele.
Maldição, novamente o fizera se preocupar.
O ruivo alisava de leve suas costas. Olhou de relance a cadeira de rodas caída num canto e entendeu tudo.
– Itachi... Por que veio até aqui sozinho? Sabe que pode me pedir qualquer coisa que precisar.
O moreno ignorou a pergunta. Apertou as mãos nos braços finos do outro.
–... Por que esteve mentindo para mim?
– Mentindo para você? Sobre o quê?
– Onde a Aiko está? — ergueu os olhos para fitá-lo seriamente.
A surpresa era nítida no rosto do ruivo. Ele paralisou por um instante, sem mexer um único músculo. Foi pego totalmente desprevenido.
– Itachi...
– Por que me deixou esquecer algo tão importante? Por que não me lembrou dela logo que acordei, Sasori?
O ruivo suspirou profundamente, baixando os olhos.
Sabia que esse momento chegaria cedo ou tarde, mas em seu íntimo desejava nunca precisasse ter aquela conversa, que o esposo jamais se lembrasse de Aiko ou de sua gravidez. Acreditava que ele seria mais feliz assim.
–... Vou lhe explicar tudo que quiser saber, mas por favor me deixe levá-lo de volta ao quarto, não pode ficar aqui.
– Eu preciso saber o que aconteceu com minha filha, Sasori! — ignorou o pedido. Havia determinação nos olhos negros. Ele não parecia zangado, de fato Sasori nunca o vira alterado ou erguer a voz para ele. Mas Itachi não era o tipo de pessoa que poderia ser distraída, ou levada em uma conversa. Era hábil, inteligente e muito perspicaz.
O Akasuna suspirou, pesaroso.
–... Eu estava esperando você se recuperar para lhe contar em um momento propício, não estive escondendo nada de você meu amor. Apenas achei que era melhor seu corpo estar mais forte, sua mente ter assimilado o que está acontecendo — ergueu os olhos, percebendo que ele o fitava atentamente — Aconteceu muita coisa depois que você entrou em coma, Itachi.
– Quando nos despedimos naquele dia lembro de te ver grávido... Não estou ficando louco não é?
– Claro que não. Eu estava mesmo grávido — respondeu de maneira mecânica.
Um sorriso bonito estampou o rosto do Uchiha que piscou algumas vezes, tomando as mãos pálidas entre as suas.
–... Ela é ruiva assim como você?
O outro desviou o olhar na mesma hora.
– Itachi, por favor...
– Então herdou os genes Uchiha? Isso não importa porque vou protegê-la de quem for, até mesmo de meu avô se for preciso.
– Não é isso... — mordeu bem forte, sem conseguir dizer nada. Não sabia nem por onde começar e partia seu coração desiludi-lo daquela forma.
Itachi estranhou aquela reação.
– O que tanto te incomoda? É a pressão do clã? Não deve se preocupar com isso meu bem, vamos acertar as coisas, eu prometo. O mais importante é que você e a Aiko estejam bem. Já se passou tanto tempo. Ela já deve falar e andar não é mesmo?
O ruivo apertou as mãos no tecido da própria camiseta, não aguentando sustentar aquele olhar radiante.
Não era culpa dele, sabia disso. Mas não diminuía o fato de que aquela conversa o esmigalhava por dentro.
“Pare com isso...” — pensava repetidas vezes. Baixou o rosto para que o outro não visse os olhos encherem de lágrimas.
As lembranças eram tão dolorosas que tentou a todo custo respirar normalmente, fingir que estava tudo bem para não preocupá-lo. Mas era tão difiícil...
– Aposto que a primeira palavra que ela disse foi "papai" como imaginávamos — riu divertido — Onde ela está agora? Será que posso vê-la?
– Ela...
– Não está em casa? Imagino que alguém esteja cuidando, visto que ainda é um bebê. E eu nem pude ficar com você no parto como havia prometido, me desculpe. Correu tudo bem? Quem o levou ao hospital? Como ela era quando nasceu?
– Pare com isso, droga!!! – implorou, tão irritado que sua voz soou grave e estrondosa — Pare de me torturar desse jeito! Não há como vê-la, Itachi! Nem... Eu mesmo a vi uma vez sequer!
O Uchiha franziu o cenho, completamente confuso.
– Como não a viu...? O que está acontecendo, Sasori? O que você tem?
–... Eu não concluí minha gravidez – fungou, gemendo com a dor que destroçava seu coração, derramando as lágrimas que tentou segurar.
Achava que já havia superado, então por que doía tanto lembrar de seu bebê perdido?
– Tive sérias complicações e fui atendido às pressas mas, infelizmente foi tudo em vão — ergueu os olhos, tristemente – Sinto muito Itachi, não queria que soubesse dessa maneira, mas eu não pude chegar a dar à luz. Na realidade nem sequer passei do terceiro mês de gestação. Eu perdi nosso bebê.
Foi como se o universo de Itachi desabasse. Em sua mente havia se despedido há pouco tempo do esposo grávido e feliz. E então o puxavam à uma realidade ao qual não pertencia, se descobria anos à frente, em meio a uma batalha entre os Uchiha, e sem sua preciosa criança.
Seu peito doeu como se fosse esmagado. Queria perguntar muitas coisas mais.
Não pôde ao ver o olhar destruído e desesperançado do esposo, o corpo muito magro envergado de dor, as mãos ossudas sobre o ventre vazio. Ele parecia sofrer muito mais.
–... Pode me contar o que aconteceu? — foi tudo que conseguiu perguntar.
– Na noite do seu acidente eu recebi uma ligação do hospital – fungou, passando a mão pelo rosto e respirando bem fundo para tentar parar de chorar -... Ao chegar lá, quando olhei para você naquela maca... Fiquei apavorado! Achei que fosse te perder. Não me deram esperanças, você estava quase morto. Eu não queria ficar sozinho de novo, o choque foi tão grande... Que sofri um aborto espontâneo. Quando acordei percebi que não estava mais grávido.
Itachi ouvia atentamente. Baixou os olhos à mão ossuda que acariciava a barriga lisa.
–... Sinto muito, Sasori. Deve ter sido terrível passar por tudo isso sozinho – cobriu com a sua a mão ossuda do esposo, passando de leve os dedos sobre a aliança dourada. Por um longo tempo eles apenas fitaram um ao outro, sem dizer coisa alguma.
– Depois que a perdi eu só conseguia pensar em você, queria que voltasse pra mim Itachi. Se algo acontecesse a você também minha vida perderia todo o sentido.
– Estamos juntos agora, é isso que importa – encarou-o profundamente -Não posso imaginar o tamanho de sua dor e solidão, mesmo sabendo que é uma pessoa muito forte.
O ruivo respirou fundo.
– Lembra do que me disse quando nos conhecemos?
Itachi assentiu que sim.
– Pedi para viver por mim.
– Porque eu não conseguia mais viver para mim mesmo. Havia perdido meus pais, terminado meu relacionamento com Pain, estava perdido e sozinho. Você me pediu para viver por você até que fosse capaz de viver para mim mesmo. Acho que mesmo hoje ainda não sou capaz de fazer isso, Itachi. Você é um pedaço de mim mesmo. Se não estiver comigo, não tenho como prosseguir.
O Uchiha fez que sim, engolindo uma golfada de ar.
– Não vão nos separar de novo, nunca vou permitir que te machuquem assim outra vez.
– Se não posso mais ter filhos então quero viver ao seu lado. Significa muito saber que esteja comigo outra vez- inspirou profundamente, para soltar a respiração em um longo suspiro. De certa forma isso o acalmou um pouco.
O Uchiha pediu algum tempo com as mãos.
– Não pode mais ter filhos?
– Meu ventre sofreu alterações drásticas depois do aborto que tive. Não posso mais engravidar.
– Quem lhe disse isso?
– Os médicos, no dia em que perdi meu bebê — movia distraidamente uma mecha do longo cabelo negros entre os dedos — Mesmo se houver fecundação o óvulo não consegue se manter preso no invólucro. Eu não passaria sequer do primeiro mês de gestação, perderia outra criança.
– E fez algum exame depois disso, para ter certeza?
– Eu o faria para quê? Você estava em coma. Minha preocupação era apenas te ter de volta — olhava para o piso, evitando o olhar fixo sobre si.
– Mas não estou mais em coma, Sasori. Deveria fazer novos exames agora, podemos tentar de novo.
– Pode ao menos respeitar minha dor?
– E por quanto tempo pretende remoer sua dor? Já se passaram três anos. Eu te conheço bem, sei que a culpa te corrói e a tristeza te sufoca. Ainda que me sinta destroçado pela Aiko preciso cuidar de você. Está vivo, Sasori! Tem uma nova chance de ser feliz. Sei o quanto você sonhou com isso, o quanto planejou tudo. E quero vê-lo feliz.
– Não é fácil para mim esquecê-la.
– Não é fácil para mim também. Eu acordei, para mim não havia passado mais que um dia, mas se passou tanto tempo. Sei que isso te machuca muito, mas acho que a oportunidade de gerar outra criança pode te desviar um pouco da dor – ergue-lhe o rosto, sorrindo a ele – Você foi feito para ser pai.
– Tenho medo de me apegar de novo, de criar esperanças.
– Faremos o tratamento que for preciso, e garanto que vai engravidar de novo. Estou certo de que teremos um filho. Obviamente não substitui a que perdemos, mas podemos amá-lo igualmente, começar de novo, criar uma família. Podemos provar ao clã Uchiha que nada do que fizerem é capaz de nos separar.
Sasori apertou a mão dele entre a sua.
Um tratamento nunca lhe passou pela cabeça durante aqueles três anos de solidão. Tudo que precisava era do esposo de volta. Mas agora que estava com ele, que não se sentia mais sozinho,a ideia parecia sublime em sua mente. Imaginar-se grávido era um sonho tão distante, tão forte e tão intenso que lutaria por ele até o fim se fosse preciso, mesmo que estivesse cheio de temores.
– Não sei se eu seria um bom pai.
– E não quer nem tentar? Vai mesmo me dizer que não quer engravidar de novo?
Definitivamente Itachi o conhecia muito bem, porque Sasori jamais fora tão feliz como quando estava grávido. Adoraria passar tudo aquilo de novo.
Queria chegar ao fim da gravidez e segurar a criança nos braços, vê-la sorrir, ouvir seu choro indicando que precisava dele, lhe ensinar sobre tudo, ouvi-la chamá-lo de "papai", abraçá-la e dizer o quão importante era para ele...
Fungou, emotivo. Ser pai era o sonho mais profundo que possuía dentro de si. Sentir uma criança se formar em seu útero era a sensação mais magnífica que já provara, e desejava mais do que nunca sentir tudo outra vez.
–... Eu quero... Mais do que qualquer coisa – encarou-o profundamente — Quero que me dê outro filho, Itachi!
Um sorriso de lado estampou o rosto malicioso do moreno.
– Para mim será um prazer. Literalmente. Podemos fazer outro agora mesmo se quiser.
O ruivo devolveu um sorriso enquanto secava as lágrimas, sentindo-se tão forte como há muito não sentia.
– Ah claro, você me parece muito sexy com a boca cheia de sangue.
Itachi riu baixo com isso.
– Isso se resolve com um banho — piscou.
– Antes de querer fazer sexo comigo sem ter se recuperado ainda posso saber o que fazia aqui sozinho? Por que não me chamou para te ajudar?
– Não sou mais criança para depender de você para tudo. E já estou bem.
– O fato de ter despertado não significa que possa se locomover sozinho pela casa, Itachi. É perigoso. E não está dependendo de mim, eu o ajudo porque te amo — encarou-o firmemente.
– Não quero ser um fardo para você.
– Nunca será um fardo para mim ficar com você. Diga-me: se a situação fosse inversa e eu estivesse passando por um momento difícil acaso suportaria me ver precisar de você e não fazer nada para ajudar?
Diante disso o moreno não teve argumento.
–... Quero cuidar de você Sasori, porque sei tudo o que já passou por minha causa.
– Quero fazer o mesmo, preciso ver que está bem ou não ficarei bem também — sorriu gentilmente — Pare de assumir a responsabilidade de tudo, de carregar o peso do mundo nas costas. Não está sozinho, Itachi. Pode contar comigo.
O Uchiha ergueu a mão ao ar, acariciando os cabelos de fogo. Havia esquecido a calmaria da voz macia, a praticidade daquelas palavras.
– Está bem, me desculpe.
Sasori então fez menção de erguer o corpo dele. Itachi segurou o gemido de dor como pôde. O ruivo bufou impaciente e passou um dos braços por seus ombros, ajudando-o a ficar de pé e levando-o consigo de volta ao quarto.
– Teimosia é o nome do meio dos Uchiha, até nisso você e Sasuke são parecidos.
Agradeceu mentalmente que os quartos de hóspedes fossem distantes. Naquele instante Sasuke e Naruto dividiam o quarto dos fundos, enquanto que Menma ocupava o quarto seguinte. Era longe o suficiente para não ouvirem o que acontecia na cozinha. Seria um grande problema se deparassem com Itachi no chão. O ruivo nem conseguia pensar no escândalo que se formaria, estavam afoitos depois de tudo que aconteceu.
–... Por sinal queria lhe perguntar algo: como ficou tão próximo de Sasuke? Ele mal suportava ficar perto de você. Fiquei surpreso ao vê-los conversando tão naturalmente.
– Quando você se acidentou acabamos nos ligando naturalmente. É maravilhoso porque ele é um excelente rapaz.
Itachi pareceu surpreso com isso.
Sasuke fora radicalmente contra seu casamento, passou dias sem falar direito com ele após a cerimônia. Era muito ciumento, super protetor e não compreendia o amor de Sasori.
Havia mudado tanto em apenas três anos.
– E quanto ao garoto loiro que me tirou do hospital? Eles estão namorando?
– Estão, seriamente.
Itachi volveu o olhar pasmo enquanto caminhava.
– Seriamente? Quer dizer um relacionamento estável?
– Acredite se quiser mas Sasuke deu a ele uma aliança de compromisso, e logo vai trocá-la por um anel de noivado — riu da surpresa nítida estampada no rosto de Itachi
– Estamos falando mesmo de meu irmão? Ele quer se casar?
– Naruto o pegou de jeito, é um rapazinho adorável. Aqueles dois se compreendem apenas olhando um para o outro, o sentimento que os une é visível até a quem é contra sua união. É inegável que se amam. E claro, essa não é a melhor parte — ajudou-o a deitar novamente na cama, sentando ao seu lado.
– Saber que meu irmão está num relacionamento sério já me fez muito feliz, acredite.
– Vai ficar ainda mais — segurou suas mãos — Porque em poucos meses seu amado e adorado irmão lhe dará um sobrinho, Itachi.
A surpresa era tanta que Itachi parecia muito aturdido, até mesmo fofo.
– Sasuke não é compatível então... Naruto está grávido???
– De quatro meses.
Os olhos negros piscaram de pura surpresa.
– Eu mal posso acreditar nisso... E como o clã reagiu?
– Da pior forma possível como de costume. Naruto já passou maus bocados, mas por sorte se mantém firme. Minha preocupação agora é com Sasuke. Ele foi obrigado a se casar com Karin depois de uma armação que fizeram para ele. E não creio que consiga se divorciar facilmente.
– Com Karin? Mas ele nunca quis nada com ela.
– Usaram como desculpa o seu estado de saúde. Não fazíamos ideia de que estava sendo mantido inconsciente com medicações. Mentiram sobre sua recuperação, pressionaram Sasuke até deixá-lo fragilizado. Ele se casou unicamente para cuidar de você.
Um nó doloroso se formou no estômago do Uchiha por pensar que seu querido irmão se casou com uma mulher a quem sempre detestou apenas para cuidar dele. O pouco que conhecia de Karin já o fazia imaginar as possíveis mentiras que armara para cima de Sasuke, e do inferno a que o estava submetendo.
Havia muita determinação nos orbes negros quando fitou seu esposo.
– Sasuke não ficará casado com aquela mulher por muito tempo, isso eu posso prometer Sasori.
–-
Não conseguira dormir direito a noite toda, caindo no sono apenas uma hora antes do alarme do celular tocar. A impressão que tinha era de que não havia dormido nada, e estava muito cansado por conta disso. Provavelmente devoraria um pacote imenso de cookies a caminho do trabalho para descontar todo o estresse emocional acumulado.
Resmungou de sono, virando o corpo de lado. As cobertas deslizaram, deixando as costas nuas. O frio da manhã sequer o incomodou.
Gaara olhava um ponto fixo na parede, sua cabeça completamente tomada pela lembrança do corpo febril de Menma junto ao seu enquanto estavam no sofá. Por vezes seguidas se pegou pensando o que poderia ter acontecido se ele não houvesse desmaiado por conta da febre.
Céus, que vergonha! E pensar que estava fazendo isso na casa de um completo estranho! Como se deixara levar de tal forma? Não era comum dele fazer esse tipo de coisa constrangedora!
E ainda fora visto por um presidente de companhia como Sasuke e seu subordinado Naruto! Não fazia ideia de como os encararia depois disso.
Era tudo culpa daquele Uzumaki estúpido que estava virando sua vida de cabeça para baixo! Esteve pensando nele a noite toda! Nos poucos minutos em que adormeceu sonhou com ele, um sonho pra lá de molhado. E agora o resultado se estampava em seu corpo.
Fitou desgostoso embaixo das cobertas. O tecido leve do short estava completamente arqueado com a ereção que apontava para cima, meio tombada para o lado.
Só pensar naquele idiota já agia instantaneamente em seu corpo! Largou-se de barriga para cima, descoberto, um dos braços sobre os olhos, o outro sobre a barriga.
Seu corpo estava quente com a lembrança, com o sonho que o atiçara. Via o short se mexer conforme a ereção pulsava confinada.
Droga, droga e droga!
Tentou ignorar, pensar em algo triste e melancólico, qualquer coisa que acalmasse a excitação, mas sua mente não processava outra coisa. Estalou a língua, impaciente, e ergueu o elástico da cintura do short, baixando um pouco até ter livrado o membro que balançou no ar, em riste.
Nem tentou contestar, antes fechou os olhos. Se pôs a pensar em outra coisa, em algum filme erótico estúpido, enquanto manuseava a si mesmo.
Conforme o desejo lhe subia à cabeça começou a respirar mais depressa, movendo a mão bem rápido, os dedos esmagando sua ereção. Entreabriu os lábios, gemendo baixinho. Estava tão absorto que não percebeu quando a imagem projetada em sua cabeça tornou-se a repetitiva cena de Menma sobre si, investindo o corpo com força, chocando a virilha contra sua, penetrando-o daquela forma enlouquecedora...
Rolou a cabeça pelo travesseiro, ainda de olhos fechados. Umedeceu os lábios secos com a ponta da língua, sem parar de manusear a si mesmo, o botão apertado piscando desejoso. Estava tão tomado de excitação que levou a mão livre à boca, chupando o dedo médio, procurando sua entrada em seguida. Deslizou o dedo para dentro sentindo o calor intenso, as paredes macias, o líquido molhado que escorria e lubrificava a entrada. Jogou a cabeça para trás, as pernas se contorcendo nos lençóis que embolavam sobre o colchão. Enfiava o dedo cada vez mais fundo, no mesmo ritmo em se masturbava, a visão nítida do olhar de Menma, a forma despudorada e sexy com que gemai ecoava em seus ouvidos, o rosto maravilhoso imerso em agonia e prazer quando gozou dentro dele.
Um grito escapou de sua garganta quando explodiu de prazer, disparando sobre seu corpo, o líquido pegajoso escorrendo pelos cantos da cintura, sujando os lençóis embolados.
Só então abriu os olhos, ainda zonzo de tanto prazer. Inevitavelmente quando pensava naquele completo idiota não conseguia se controlar, a intensidade do orgasmo era mil vezes maior do que quando pensava em qualquer outra coisa. E precisava fazê-lo com maior fervor depois que passou a noite com Menma. Seu corpo pedia desesperado.
Devagar deslizou o dedo para fora, passando o braço na testa para tirar o suor. Seu corpo estava relaxado e muito mais leve. Apenas seu coração continuava pesado.
“Aquele moleque... Está mexendo demais comigo!” – pensava nele sem parar enquanto fitava o teto. Deslizou a mão suja de sêmen ao próprio peito, sentindo o bater louco e acelerado do coração.
Por causa do orgasmo, só por causa disso, não estava apaixonado, definitivamente não estava!!!
–-
Naruto acordou e se espreguiçou. Sentiu o rosto bater em algo macio e abriu os olhos, percebendo que estava com a cabeça deitada no peito nu de Sasuke. Por um momento ficou abobado olhando os músculos tão bem desenhados. Era gostoso sentir o braço dele trespassado em suas costas. A pele era tão macia e quentinha. Apertou a bochecha no peito largo para ouvir o coração bater, subindo descendo a cabeça junto com a respiração.
Que coisa boba de se fazer! Mas era irresistível!
Esgueirou-se para lhe dar um beijo vagaroso, aproveitando os lábios fechados. Sasuke ressoava devagar, em sono profundo. Seu rosto adormecido era muito calmo e pacífico, e era fofo vê-lo despenteado.
Os dias que passou longe dele haviam sido deprimentes. Não acostumaria mais a dormir sem o corpo quentinho do namorado junto ao seu. Os pés dele sempre estavam quentes e como desculpa, Naruto enroscava os pés frios como blocos de gelo roubando o calor do moreno, mesmo que o outro se arrepiasse e brigasse com ele.
Tão pouco tempo de convivência e já se compreendiam tão bem que até pareciam juntos há muitos anos.
Acabou por se lembrar da proposta torta de casamento que recebeu, corando furiosamente.
– Kyaaaaah! – cobriu o rosto com ambas as mãos, rolando pela cama, louco de felicidade.
Sasuke o havia pedido em casamento!!! Bem, não havia pedido formalmente, mas definitivamente foi o que ele quis dizer! E era tão fofo... Naruto podia até imaginar vestir um traje lindo como o que alugara para seu casamento frustrado. Dessa vez a alegria era real, ele teria prazer em pensar em cada detalhe, por menor e mais tolo que fosse.
Só precisava esperar as coisas se acertarem e receberia um pedido formal. Nem podia acreditar!
Ergueu o corpo devagar, tirando o braço pesado do Uchiha de cima de seu corpopara então procurar as roupas largadas sobre o chão. Vestiu a camiseta larga, que já não era tão larga assim por causa do volume de sua barriga.
–... Quatro meses... – alisou a curvatura. Já estava bem saltada para apenas quatro meses, sinal que seria um menino grandão. O idiota do Sasuke insistia que era porque barriga de gravidez de menina é maior, que besteira!
Naruto não se imaginava pai de uma menina. Não saberia como lidar com elas. Meninas são tão emotivas, sonhadoras, delicadas... Se ela tivesse algum problema sentimental como lidaria com isso? Como a aconselharia? A ideia de ter um menino era tão mais simples...
Ignorando isso foi até o banheiro lavar o rosto e se pentear. Seus cabelos pela manhã acordavam altamente revoltos e era difícil controlá-los. No fim continuavam espetados em todas as direções. Havia comprado um pote de gel, numa tentativa de domar e modelar os fios rebeldes. Tentado a experimentar ele abre o pote, mas o cheiro forte e ácido embrulhou seu estômago de imediato. Caiu de joelhos diante do vaso vomitando o pouco que conseguiu comer na noite anterior. Tinha enjôos violentos ao amanhecer, mas naquele dia em especial estavam terríveis!
Resmungou cansado, tornando a sentir ânsia e cuspindo sem parar. Vomitou tanto que o organismo ficou limpo. Apoiou o braço no assento do vaso sanitário, estava sem forças até para se levantar.
Ouviu batidas junto à porta.
– Naruto, está tudo bem? — Sasuke adentrou o banheiro e encontrou o loiro como de costume ao lado do vaso logo pela manhã. Nada parava em seu estômago nesse horário. Sasuke tinha medo que ele perdesse peso ou nutrientes por conta disso.
Baixou-se de cócoras perto dele, passando a mão pela testa suada.
– Está melhor?
O olhar parecia baixo e cansado.
–... To enjoado ainda — nem se mexeu do lugar em que estava.
– Quer um antiácido? Ou talvez uma água com gás?
–...Pode ser.
– Vou te levar de volta ao quarto.
– Melhor não porque eu ainda... — não conseguiu falar quando inflou as bochechas, virando a cabeça rapidamente para tornar a vomitar dentro do vaso, o barulho desagradável fazendo o moreno franzir a testa.
– Me espere aqui, já vou trazer algum remédio. Se não melhorar eu o levo ao médico — ergueu o corpo e deixou o banheiro. Naruto não conseguia assimilar bem o que ele dizia. Fechou a tampa do vaso sanitário, cruzou os braços e deitou a cabeça sobre eles, esperando o enjôo longo e desagradável passar. Sentiu sono e cansaço.
Aos poucos a sensação incômoda foi cessando, a ânsia sumia da garganta, acalmando a vontade de vomitar. Respirou fundo, achando que já conseguiria se levantar. Sentiu vontade de usar o banheiro, mas estava tão fraco e cansado que não se importou em se sentar no vaso para fazer xixi ao invés de simplesmente o fazer de pé como de costume. Nesse instante a porta se abre e Sasuke entra por ela.
– Isso tudo é preguiça de segurar o dito cujo e mirar no vaso ou curiosidade de fazer xixi feito uma menina? — riu enquanto caminhava até ele abrindo a garrafa de água com gás, o barulho ecoando pelo ar. Naruto desdenhou sarcástico.
– Os dois — pegou a garrafa, bochechando e cuspindo no cesto de lixo antes de beber — Se estou grávido tenho direito de fazer xixi sentado.
– Estou só brincando, já fiz isso muitas vezes quando estava cansado — agachou diante dele — Como se sente? Está melhor?
– Acho que sim, não sobrou nada dentro de mim para vomitar, estou vazio — estendeu a garrafa ao Uchiha, erguendo o corpo e endireitando as roupas.
– Quer que eu te leve ao médico?
– Não precisa, obrigado — acionou a descarga, seguindo ao lavabo para lavas as mãos, rosto e a boca.
– Os enjôos tem ficado mais fortes ultimamente.
– A médica disse que é normal, até meu corpo se acostumar e não encarar o bebê como um “estranho”.
– Não há nada que amenize os sintomas?
– Não quero me encher de medicação – disse abafado enquanto secava o rosto numa toalha – Acho que isso não faz bem ao bebê.
Novas batidas soaram.
– Naruto sou eu. Será que posso entrar? – a voz baixa e suave do ruivo soou.
– Claro Sasori.
O rapaz abriu a porta e seguiu até o loirinho.
– Enjoado de novo?
– Sempre. E estou com fome, mas não consigo comer.
– Vou fazer um mingau para você, com certeza vai parar no seu estômago.
– Desculpe, eu estou em sua casa e ainda te dou tanto trabalho.
– Imagine, não me dá trabalho nenhum — passou a mão pela bochecha dele, sorrindo de forma que os olhos quase se fecharam. Naruto teria ronronado e quando ele desfez o gesto poderia pedir para prosseguir e que não tivesse pressa alguma! Só conseguiu sorrir abobado quando o ruivo deixou o banheiro, coisa que o Uchiha não gostou nada.
– Por que está aí sorrindo feito um idiota? — deu um leve tapa na cabeleira loira. Naruto nem ligou e suspirou satisfeito.
– Sasori é incrível, não é? — fitava o local por onde o ruivo saiu — Agora entendo todos aqueles alunos apaixonados. Ele tem jeito de mãe, ou de irmão mais velho. É impossível não me sentir bem perto dele.
– Vou te largar aqui então para viver com seu amado, já que parece tão feliz — fechou a carranca, mas o loirinho segurou sua mão impedindo-o de sair.
– Não precisa ficar com ciúmes.
– Já lhe disse que tenho ciúmes, loiro idiota — apertou seu nariz. Naruto somente riu, soltando-se do beliscão.
– Mudando completamente de assunto você por acaso estará livre semana que vem?
– Sabe que nunca tenho folga na empresa.
– Ah verdade – disfarçou um sorriso – Deixa pra lá então.
– Por quê? Quer me pedir alguma coisa?
– Não, é só que semana que vem eu tenho uma consulta marcada.
– Posso pedir para alguém levar você, sem problemas.
– Não é isso. Essa consulta, bem, eu realmente queria que você estivesse lá comigo.
– Tem algo errado com você? Ou com o bebê?
– Nada de errado – respirou fundo — É o dia do ultrassom para ver se está tudo bem com a criança, e... Bom a gente briga tanto por causa do sexo desse bebê – riu sem graça – Eu realmente queria que você estivesse lá comigo quando eu souber.
Sasuke ficou mudo de surpresa.
– Que dia?
– Na terça feira e...
– Eu estarei lá, esteja certo disso – frisou, com aquele rosto sério costumeiro.
Naruto sorriu e baixou os olhos.
– Ok... Obrigado.
– Eu não perderia por nada desse mundo – segurou a cabeça espetada trazendo-a para lhe dar um beijo – Quero ver sua cara quando souber que esteve errado esse tempo todo e que está esperando uma menina.
O sorriso foi substituído por uma expressão de “Vá se ferrar!”
– Vou comprar um barco para navegar nas suas lágrimas de decepção de quando souber que estou esperando um me-ni-no. Essa sua intuição é uma droga!
– Seria tão mais simples se você admitisse de uma vez que eu estou certo. Você tem enjôo pela manhã, típico de pais que esperam meninas.
– Isso é uma bobagem e não tem comprovação científica!
– Eu sonhei que é menina, é uma prova contundente.
– Uma ova que é! Tenho desejo por coisas cítricas, logo é sinal de que estou esperando um menino!
– Não têm por que estar grávido de um menino, Naruto! Você será um excelente pai de uma menina!
– Só porque você quer seu idiota! Se deseja tanto uma menina porque você mesmo não engravida de uma?
– Não sou compatível feito você, mas não se preocupe: depois que passar um ano do nascimento de nossa filha eu te engravido de novo e pode ter o menino que tanto deseja.
Naruto sentiu o sangue fervilhar diante daquele Uchiha maldito, prepotente e arrogante que nunca arredava o pé!
– Pois não conte com isso!!! Nem passei pelo parto ainda e já quer me dar outro filho?
– Se vamos ter uma família não vejo porque não. Ter dois ou mais filhos seria o ideal – sorriu, recostando o ombro no azulejo.
– É fácil para você falar!
Sasuke apenas piscou um olho, provocativo.
– Saiba que fica muito sexy grávido. Não me incomodo em fazer mais filhos com você.
Naruto corou de raiva e de vergonha, mas o outro apenas foi embora calmamente.
Essa era boa! Mal tivera o primeiro filho e aquele Uchiha estúpido queria mais um???
Bem, não que ele mesmo não tivesse pensado nisso antes, afinal adorava crianças. Mas não era um pouco cedo demais para pensar nisso?
Desistiu da ideia, saindo enfim do banheiro. A casa de Sasori era ampla, espaçosa, arejada. Logo pela manhã despertara ouvindo o canto dos pássaros em sua janela, era tão calmo ali que jamais se queixaria por passar algum tempo com o ruivo.
Mas, mesmo que gostasse da companhia dele estava ansioso para tornar à casa dos pais, aguardava ansioso o novo apartamento ficar pronto. Sentia falta de casa.
Cruzou os largos corredores e deparou-se com Menma diante dele, bem trajado e com o rosto mais corado. O braço em recuperação estava enfaixado, apoiado em uma tipóia presa ao pescoço.
– Tem certeza de que já está bem para ir trabalhar, Menma?
– Estou ótimo Naru — sorriu feito raposo — Vê se descansa bem.
– Não acho nada seguro te deixar sair, não depois do que passamos. É como se os Uchiha nos observassem de toda parte!
– Não pensa nisso, e nossos passos são vigiados pelo pessoal do Suigetsu, que mal poderia haver? Não foi ele mesmo que nos disse que é bom que sigamos com a rotina para não chamar atenção? O clã Uchiha sabe que agir agora que estamos alertas é muita burrice.
– Sim mas... — suspirou, vencido — Tome cuidado, e fique muito atento.
– Duvido que vão nos atacar assim, devem estar planejando algo. O silêncio dos Uchiha me assusta bem mais.
Naruto partilhava o mesmo sentimento.
Madara com certeza não se daria por vencido até descobrir o que aconteceu com Itachi.
– Se precisar de alguma coisa, ou se tiver alguma dúvida sobre o trabalho me ligue.
– Pode deixar.
O loiro não pôde deixar de olhar para baixo, envergonhado.
– Err, será que eu posso perguntar uma coisa? Algo meio pessoal...
– Sim eu falei sério quando disse que estou apaixonado pelo Gaara. E sim, já estivemos juntos antes — sorriu, adivinhando a pergunta tão óbvia.
Naruto piscou algumas vezes.
– Espera, você quer dizer "juntos"?
– Isso.
– Então já, você sabe, foram até o fim?
– Preciso soletrar que transei com ele?
–VOCÊ DORMIU COM O GAARA??? — exasperou-se, logo tapando a boca para se controlar mas o primo só ria — Como conseguiu essa proeza? Ele não permite que ninguém se aproxime!
– Tem muita química entre nós. Sinto que ele gosta de mim também, não estou brincando.
– Eu não sei o que dizer... Só tenha cuidado, ok? Se o magoar vai acabar despedido e eu vou me encrencar junto! Pense bem e tenha certeza do que está fazendo para não se machucar.
– Tenho toda a certeza do mundo. Eu realmente gosto dele.
Naruto fitou por alguns instantes os olhos tão azuis quanto os seus.
– E quanto a ele? O que disse sobre isso? Não parece o tipo de pessoa que só quer uma aventura.
– Está muito confuso, não sabe explicar o que sente. De certa forma ainda está machucado pelo que a ex fez com ele.
Naruto sentiu-se estranho conversando sobre Gaara, uma pessoa intimidadora, rude e quase sempre grosseira. Não possuía nenhum vínculo com ele, de maneira que não sabia bem o que dizer. Nunca o viu como uma pessoa normal, o via somente como o chefe estressado.
Mas Menma parecia tão envolvido que decidiu ajudá-lo. Devia isso ao moreno depois de tudo que fizera para ajudar na fuga do hospital. Ele quase morreu para lhe salvar, era muito grato.
– Relaxa, ele é reservado mas se aceitou ir pra cama com você é porque deve mesmo sentir alguma coisa. Faça ele esquecer a Matsuri, mostre que é diferente dela.
– Você conheceu essa tal Matsuri?
– Não mas o que não faltava eram boatos na empresa na época que terminaram. Era nítido no olhar dele que estava sofrendo muito.
O moreno virou o olhar, completamente indignado.
Como existia alguém capaz de brincar com um coração puro como o de Gaara? Aquela mulher fazia ideia do homem maravilhoso que largou?
– Farei ele pensar somente em mim todo o tempo, até essa mulher ter sumido de sua mente.
Naruto riu de lado, dando algumas palmadas no ombro são dele, vendo-o partir em direção à porta. Internamente fazia uma prece silenciosa para ele não estragar tudo. Conhecia aquele Uzumaki intempestivo e teimoso. Seguiu seu caminho, procurando a cozinha.
No caminho deparou-se com o quarto de Itachi . A porta estava aberta e Naruto pode ver seu namorado assentado sobre a cama, esmigalhando pão em partículas minúsculas, dando-as na boca do irmão mais velho.
– Eu já consigo comer sozinho, Sasuke — riu, mas abriu a boca para o menor enfiar outro pedaço de pão por ela.
– Não seja teimoso. Se ficar engasgado eu não vou largar tudo para te socorrer — franziu a testa teimando em parecer irritado para esconder o fato de estar preocupado. Pegou um copo de suco e delicadamente o colocou junto aos lábios do mais velho, a outra mão em concha debaixo de seu queixo. Itachi nem estava com fome, mas não conseguia dizer-lhe não, de maneira que bebeu devagar o que lhe foi oferecido.
– Quer que corte uma maçã?
– Se não parar de me dar comida vai me engordar ao menos uns dois quilos — riu baixo.
– Você precisa comer Itachi ou não vai conseguir se recuperar adequadamente. Esteve em péssimas condições, está fraco e debilitado.
– Está bem... — desistiu. Achava o menor tão fofo quando estava determinado que não se importou em assisti-lo descascar de forma desajeitada a maçã que tinha nas mãos. Ergueu o olhar de relance, percebendo o loirinho parado no corredor. Sorriu-lhe cordialmente e fez sinal para entrar. Este obedeceu e Itachi não pôde lhe dizer nada porque teve um pedaço mal cortado de maçã enfiado na boca. Mastigava quando bateu de leve na cama, pedindo ao loiro para se sentar.
– B... Bom dia! — Naruto endireitou-se, meio nervoso. Ainda era estranho ver Itachi lúcido depois de tudo o que passaram. Ele parecia muito bem, muito diferente do dia em que despertou. Seus olhos estavam vívidos e a pele adquiriu um aspecto saudável. Claro, ainda não conseguia andar e várias vezes esquecia o que estava dizendo ou embaralhava as memórias, mas a melhora era significativa! Naruto sentiu-se grato por vê-lo ali sentado, com a aparência tão boa. Se tivesse falhado em tirá-lo do hospital provavelmente ele já estaria morto.
Agitou a cabeça para afastar o pensamento.
– Olá, Naruto — sorriu calmamente. Era a primeira vez que mantinham um diálogo desde que despertou. Até então o vira várias vezes, mas estava cansado e confuso e não conseguiu conversar com ele.
– Como está se sentindo?
– Muito melhor — foi novamente interrompido ao ter outro pedaço de maçã enfiado na boca. De bochecha cheia e ainda mastigando ele murmura — O enjôo já passou?
– Sim, já estou bem. É comum passar mal pela manhã — disse sem graça.
– De quanto tempo está grávido?
– De 16 semanas, nem vi o tempo passar.
Itachi pareceu levemente intrigado.
– Sua barriga parece um pouco grande para apenas quatro meses de gestação.
– É, eu também reparei nisso — coçou detrás da cabeça.
– É porque ele está esperando uma menina — Sasuke cortou o assunto, enfático.
– Itachi, pode por favor dizer ao desmiolado do seu irmão que a opinião dele não é absoluta no universo? — apontou o namorado que o encarou feio.
–Não relute porque estou certo — teimou.
– A única coisa certa em você é que é um idiota!
– Como é? — puxava as bochechas dele dolorosamente — Seu loiro estúpido.
– Ta doendo solta, solta!!!!
Itachi teria rido com os ataques dos dois, mas estava muito admirado.
O semblante de seu irmão parecia muito diferente daquele menino introvertido, reservado, irritado o tempo inteiro. Sasuke parecia mais relaxado, mais seguro de si. Seja lá quem fosse Naruto Uzumaki havia sumido com o ódio que havia dentro dele, havia transformado-o com seu amor.
Baixou então o olhar à barriga redonda do loirinho, ignorando a discussão dos dois.
– Já pensaram na possibilidade de ter gêmeos? — chamou atenção para si. Sasuke soltou as bochechas do namorado que arregalou os olhos azuis.
– Vire essa boca pra lá, Itachi!!! Não diga isso nem de brincadeira!
– Mas pode acontecer, já que estão brigando tanto por essa criança. Em compatíveis a probabilidade é bem maior — riu de lado, provocativo.
– Diz isso porque não é de dentro de você que elas vão sair! Um menino só está ótimo.
– Já lhe disse que é menina! — Sasuke insistiu.
– Já mandei calar essa boca!
E desataram a discutir novamente. Dessa vez Itachi sorriu divertido.
–... Não quero interromper sua discussão mas, e quanto à empresa, Sasuke? Quem foi eleito presidente em minha ausência? — tirou-os de seus momento de distração. O Uchiha mais jovem tornou a se sentar, muito sério. Naruto entendeu que precisavam ter uma conversa e pediu licença, se retirando em seguida.
– Fui nomeado o novo presidente em seu lugar, logo depois de o hospital declarar que estava em coma, Itachi.
O Olhar do mais velho pareceu descrente.
– Você foi eleito presidente aos 21 anos? Madara permitiu isso?
– Estávamos passando por uma forte crise financeira, sei que se lembra disso — cruzou as mãos sobre o colo — Madara jamais denotaria fraqueza diante do clã, muito menos das empresas concorrentes e dos parceiros de negócios. Na ausência do primogênito automaticamente o cargo foi passado a mim, o que é muito conveniente para o clã visto que meu poder de decisão é limitado por conta de minha idade e pouca experiência no cargo. Qualquer decisão minha precisa passar pelo conselho antes de ser aprovada.
Itachi compreendeu prontamente.
No interior do clã, bem como na Uchiha Co tudo era designado pela hierarquia. Acima de tudo e de todos estava Madara, o atual patriarca do clã. Sua posição era absoluta e irrevogável.
Abaixo dele o antigo presidente da empresa, o cargo no topo da hierarquia operacional, ocupado outrora por Fugaku. Por conta da idade avançada e proximidade de aposentadoria o cargo foi repassado a seu filho mais velho Itachi. Todavia o conselho, formado por pessoas mais velhas, era o principal responsável pela palavra final, de maneira que nenhuma decisão era aprovada de imediato.
O cargo de presidente era uma farça, assim como a ideia de liberdade dentro do clã. Nada fugia do controle do patriarca.
–... Compreendo. A pressão sobre você deve ser imensa.
– Isso não importa agora. Com a sua volta as coisas mudam drasticamente, você é o atual presidente da Uchiha Co Itachi, é o primeiro da linha de sucessão.
– Madara deve estar furioso. Não me surpreenderia se revogasse o cargo de nós dois.
– Se o fizer estará denotando fraqueza diante do clã. Jamais admitiria que tem uma crise familiar acontecendo. Vai tentar manipular você.
O mais velho suspirou, recostando-se no travesseiro.
– Melhor se preparar e contratar alguém para zelar pela segurança de Naruto e seu filho, Sasuke. Porque no instante em que confrontarmos Madara ele vai declarar guerra contra nós.
O menor cruzou os braços diante do corpo.
Já sabia disso, como ninguém. E já havia tomado providências.
Ninguém jamais atingiria sua família novamente!
–-
Um certo arrepio correu por sua espinha quando desceu no veículo que lhe dera carona, fitando além dos portões do estacionamento da empresa. Não era impressão, um carro estranho o havia seguido desde a casa de Sasori até aquele local. Com certeza os tais Uchiha que não sabiam quando parar.
Menma passou a mão pelos cabelos.
Ao ajudar a salvar Itachi se tornara alvo deles também. Mas não se arrependia de nada e faria tudo outra vez se fosse preciso.
Com esse pensamento adentrou o prédio da empresa, sorrindo como de costume e cumprimentando quem estava no caminho. Ao chegar em seu setor todas as cabeças se viraram imediatamente a ele.
– Menma! – Hinata o avistou de longe e veio correndo em sua direção, os pezinhos pequenos batendo contra o piso. Ele abriu o braço são para segurá-la quando se chocou contra seu corpo
– Eu estava muito preocupada com você!
– Valeu Hinatinha, só não aperta que ainda dói – afastou-a gentilmente.
– Ah desculpa...
Uma multidão se aglomerou ao redor dele. Menma era uma pessoa muito querida e muito popular, de maneira que o encheram de perguntas, era apalpado por todo lado.
– E aí cara? — ignorando o estado do outro Kiba apareceu dando uma palmada horrível em suas costas — Eu estava com saudades suas Naruto-Negro!
Menma só riu de lado.
– Sentiu minha falta é? — agarrou-o pela cintura, se vingando — Então quero um beijo para matar a saudade!
Risadas explodiram pelo setor quando o pobre Kiba tentava se soltar de Menma que o segurava junto ao corpo, intentando dar um selinho nele. Mas tudo parou quando ouviram as passadas duras vindas da sala de diretoria.
Menma ainda fazia bico quando ergueu o rosto para a pessoa parada ali.
Gaara assistia a cena meio desconcertado, piscando algumas vezes. Menma ficou tão surpreso que soltou Kiba de uma vez no chão, este desabando como um saco de batatas. O olhar do moreno nem se mexia.
– B... Bom dia senhor — endireitou o corpo, tentando ser o mais profissional possível — Desculpe o transtorno que causei por conta do acidente, já estou bem melhor!
Gaara pigarreou, recuperando a pose austera costumeira.
– Não tem problema senhor Uzumaki, é bom ver que já esteja melhor — dirigiu o olhar ao ombro machucado, percebendo as bandagens e a tipóia presa — Não quero que se esforce demais se ainda não se sentir bem.
O sorriso do moreno tornou-se muito amável, obviamente apaixonado e ele suspirou brevemente.
– Muito obrigada por sua preocupação senhor, mas já estou bem.
Um levíssimo rubor começou a se formar no rosto do chefe, e ele virou-se imediatamente de costas.
– O espero em minha sala para acertar alguns detalhes — tendo dito isso caminhou apressado. Logo que se afastou as cabeças de todos se voltaram incrédulas ao moreno que o observava se afastar. Ainda no chão Kiba parecia meio estático.
– Será que ele tomou todas logo de manhã? Desde quando é tranquilo desse jeito?
– Talvez tenha sentido a falta do Menma — Hinata riu de leve e o Uzumaki bagunçou seus cabelos negros.
– Sem essa Hinatinha, ele deve sentir falta é de gritar comigo!
Com tal resposta apenas riram e concordaram e ele conseguiu tirar a atenção de si. Por um momento esqueceu que estava na empresa, e que ninguém sabia sobre os dois. Não era inteligente de sua parte deixar tão à mostra que estava interessado no chefe, poderia causar problemas a ele. Mais tarde narraria uma versão já ensaiada do suposto "assalto" que sofreu com Naruto, mas agora precisava muito conversar com Gaara.
Olhou de relance apenas para ter certeza de que não havia ninguém por perto no corredor antes de entrar na sala da diretoria.
– Com licença – sorriu maroto, adentrando a já conhecida sala do ruivo. Gaara olhou para baixo, desgostoso.
– Tem toda, senhor Uzumaki.
– Sei que estamos em ambiente de trabalho, mas me magoa ouvir você me tratar pelo sobrenome quando estamos sozinhos – caminhou devagar até a mesa. Percebeu que seu ruivo arredio fingia ler o papel impresso em suas mãos, mas os olhos dele não se moviam, sinal óbvio que estava apenas disfarçando.
Riu baixinho. Gaara era tão fofo.
– Vim entregar meus exames médicos para a Ino. Já me sinto bem, não aguento ficar preso em casa sem trabalhar.
O olhar do ruivo volveu-se a ele de imediato.
– Não pode fazer esforço, Uzumaki. Acaba de se recuperar de um corte muito profundo.
– Kiba vai me ajudar, e sou destro, não sinto tanta falta do braço esquerdo para fazer qualquer coisa. Além disso... – apoiou-se na mesa – Eu não suportaria ficar em casa sem te ver, Gaara.
O ruivo ergueu a folha diante do rosto para tentar esconder o rubor excessivo e o nervosismo.
Ele estava tão perto, que porcaria! Da proximidade em que estavam ele ouviria o bater frenético de seu coração?
–... A dor já passou?
– Oh sim, me sinto ótimo. Nem precisei levar pontos, quer ver como ficou? — fez menção de mostrar as marcas enquanto abria a própria camisa mas imediatamente o ruivo impediu com um gesto de mão.
– Não precisa! — já começou a ficar quente só de pensar em ver o corpo do outro — Se realmente se sente bem então entregue os documentos que falta e pode voltar ao trabalho. Preciso lhe passar alguns detalhes importantes pessoalmente, volte quando tiver resolvido tudo.
O moreno ficou parado um instante.
– Gaara, eu queria te agradecer por ter ido me ver. Fiquei realmente feliz.
Os dedos apertaram o papel impresso em suas mãos.
– Só fiz minha obrigação como seu chefe! Precisava saber se estava bem!
– Era sua obrigação como meu chefe ficar deitado sobre mim também? — debochou, arrancando um olhar furioso e envergonhado do outro.
– Foi um mero acidente, eu caí sobre você! E garanto que não tornará a acontecer.
– Ah não, isso eu não vou permitir — sorriu enquanto dava a volta na mesa, ficando de frente ao ruivo imóvel. A folha que tinha nas mãos se soltou e ele parecia acuado como um ratinho.
– Gosto de você, Gaara — disse muito sério, apoiando a mão livre na cadeira, o rosto baixo, olhos postos nos dele — Gosto de verdade, como nunca gostei de ninguém antes.
O outro não conseguiu dizer nada, mas estava tomado de euforia.
– Quero ficar com você, te fazer feliz. Sei que tem seus limites e respeito isso. Não vou forçá-lo a nada, vamos apenas deixar as coisas fluírem. Darei tempo para você entender seus próprios sentimentos, para perceber que estou falando sério, para mostrar que posso me converter em um homem de valor que pode cuidar, proteger e amar você — mantinha o olhar muito firme, e isso de certa forma quebrantou o ruivo.
–... Não acho que seja um homem sem valor, Menma — admitiu — Pelo contrário.
Um levíssimo sorriso trespassou seu rosto.
– Se já me reconhece como pessoa me deixa muito feliz.
Gaara estava muito nervoso. Um misto de alegria e sofrimento.
Queria sorrir ao outro, tocá-lo, puxá-lo para um beijo... Mas ao mesmo tempo sentia medo que ele só estivesse brincando consigo, que o abandonasse quando se cansasse daquele jogo.
E por conta disso não sabia o que fazer.
–... E o que quer que eu te responda?
Um sorriso de triunfo surgiu nos lábios do raposo.
– Escuta: por acaso já esteve em um encontro antes?
O ruivo piscou duas vezes.
– Como é?
– Um en-con-tro! – soletrou pausadamente – Quero dizer sair com alguém que gosta.
– Óbvio que sim — respondeu-lhe com um gesto impaciente.
– Então aceita sair em um comigo?
– Hã? – fez cara de incredulidade.
– Perguntei se quer sair comigo em um encontro.
– E por que eu sairia com um idiota como você?
– Porque será divertido. Aonde gostaria de ir? Amanhã é sexta, não? Podemos dar uma volta depois do trabalho se quiser.
– Não tenho porque passar meu tempo livre com você! Não somos nada um do outro além de chefe e subordinado!
– E eu o respeito como meu chefe, Gaara. Mas pretendo ser muito mais que isso.
– Não estou interessado.
– Vamos lá, é só um passeio! É bom se desligar um pouco do trabalho, sabia? Apenas venha comigo. Garanto que vai se divertir.
Gaara abriu a boca para dizer não, mas sua voz não saiu.
Talvez... Bem isso não o mataria, não é? Era só um passeio e fazia muito tempo desde que saíra para se distrair. Na verdade se sentia muito sozinho em casa depois que os irmãos foram morar em outro país.
–... Não tem um lugar específico aonde eu gostaria de ir...
O moreno sentiu-se triunfar com isso. Ele não havia lhe dito não, sinal que aceitara seu convite!
– Deixe comigo então, vou pensar em tudo. Posso te buscar na sua casa?
–... Que seja — acabou desistindo, afastando-o e se levantando — Mas vamos no meu carro.
– Ah não! Isso tira toda a magia de eu buscar você!
– Não vou andar naquela lata velha que é seu carro, Menma!
O moreno pôs a mão no coração como se estivesse ofendido.
– Não é uma lata velha! Eu dei um duro danado para comprá-lo, sabia?
– Isso não me importa! Se quiser sair comigo será no meu carro!
O Uzumaki ponderou por um instante.
– Melhor que isso, vou te dar uma experiência nova.
– Que droga é essa?
– Apenas esteja pronto e confie em mim.
–-
Saía de casa um pouco mais tarde do que o desejado, quase arrastando os pés doloridos devido a noite de trabalho exaustiva. O imenso decote na blusa apertada chamava atenção de quem passava pelas ruas, homens e mulheres. A saia subia conforme andava, o que a obrigava a baixá-la a cada três passos, mas não tinha problema. Desde que se vestisse assim era certo que receberia uma gorjeta proveitosa no fim do expediente, e isso ajudava na hora de pagar as contas.
Sakura jogou a ponta ainda acesa de cigarro no asfalto, vasculhando a bolsa à procura do bilhete de metrô enquanto seguia até a estação. Notou que havia um carro estacionado um pouco à frente e estranhou. Normalmente em seu bairro não se via modelos como aquele. Era ambiciosa o suficiente para conhecer muito bem diversos modelos de veículos e seus valores.
Imaginava de que se tratasse, de maneira que quando o homem alto saiu do veículo e veio caminhando em sua direção sequer se moveu, encarando-o fixamente. Estar tão perto de um Uchiha a deixava eriçada. Claro, não era magnífico como Sasuke, sequer chegava aos pés dele, mas não deixava se der um Uchiha. Aquele sobrenome tinha poder, fortuna, beleza extrema e isso fascinava a rosada.
Obito parou diante daquela criatura baixinha de cabelos cor de chiclete. Desceu o olhar ao imenso decote, observando por um momento os seios medianos comprimidos e esmagados para fingir volume.
Que chateação lidar diretamente com esse tipo de pessoa. Madara poderia ter mandado qualquer um, por que insistir logo nele?
– O patriarca deseja vê-la, Sakura Haruno — disparou de uma vez. Não estava muito a fim de prolongar a conversa com aquela mulher que não o interessava em absoluto.
– Diga que não tenho nada a tratar com ele — fez menção de passar por ele e seguir seu caminho, mas Obito a segurou pelo braço com força demasiada. As chaves em sua mão caíram ruidosamente ao chão e Sakura resmungou de dor.
– Me solte! — esboçava uma expressão raivosa.
– Basta que coopere e me siga de uma vez. Você não tem escolha — olhou-a de alto. Sakura resmungou, percebendo que não teria como evitar. Não conhecia aquele homem, mas sabia que era perigoso. Não conseguiria fugir dele.
–-
A vista do bairro Uchiha lhe pareceu sublime. Nunca imaginou que pudesse pisar ali um dia. Ninguém entrava naquele bairro a menos que fosse convidado, a vigilância era constante.
Era magnífico de se olhar, uma mostra absoluta de poder. Sakura vasculhava com os olhos as casas imponentes, os carros de alto padrão estacionados nas garagens. Vez ou outra deparava-se com alguma governanta a passear com um carrinho de bebê. A criança certamente continha os traços lindos dos Uchiha, tão bonita quanto uma boneca.
Pertencer àquela dinastia era como um sonho distante. Era como adentrar a realeza.
Avistou ao longe a mansão principal que ascendia em meio às demais casas. Sabia que aquela era a mansão do patriarca, já havia lido tudo sobre os Uchiha. Seu plano sempre foi conquistar Sasuke e um dia fazer parte daquele mundo. Claro, enquanto o esperava contentava-se casar com Naruto. Por mais lastimável que ele fosse ainda estava disposto a pagar suas contas. Uma pena o resultado ter sido tão desgostoso e ela ter perdido o estúpido noivo bem no dia do casamento.
Por mais que seu interesse em Naruto fosse somente financeiro, não podia negar que no fundo gostava de sua companhia. Naruto inspirava confiança, estava sempre sorridente, era otimista e cheio de energia. Era muito bom tê-lo ao seu lado. Mesmo agora, tanto tempo depois, ainda sentia falta dele, ainda lamentava não terem se casado.
E lamentava muito mais o fato de seus dois objetos de desejo terem se unido e formado aquela odiosa criança que estava no ventre do loiro. Quando lembrava disso, a única coisa que conseguia sentir era raiva e repulsa por brincarem de casal às custas de sua felicidade!
O veículo adentrou os portões suntuosos, acessando os jardins sombrios da casa sede. Ao longe era possível ver os portões de mogno, bem como o mordomo que a esperava diante deles. Quando estacionaram Obito apenas ordenou que ela saísse e a rosada torceu o nariz.
– Um cavalheiro deveria abrir a porta para mim.
– Então procure um homem que o seja. Você tem duas mãos, pode fazer isso sozinha — virou de soslaio para ela — Agora saia antes que eu perca a paciência.
Incomodada a rosada bufa de raiva e sai apressada do veículo, a saia minúscula deixando à mostra as pernas e parte da calcinha. Foi recepcionada por um mordomo que educadamente a guia ao interior da mansão.
Os modos de todos os funcionários daquela casa eram sistemáticos, embora educados eram frios e inexpressivos.
A rosada pareceu estupefata ao caminhar pelo interior da mansão. Era imponente e refinada, o símbolo Uchiha adornado em cada canto.
Como desejava fazer parte daquilo tudo! Ter tanto poder em suas mãos, ser dona de um sobrenome invejado em todo o mundo! Observava fascinada as relíquias, jóias, cortinas de veludo junto às janelas, tapeçarias importadas legítimas. O lustre alto e majestoso que descia do teto, as paredes brancas, os móveis escuros... Era como andar em um castelo.
Seguiu até a biblioteca, que era usada para conversar por ser um espaço amplo e claro. Duas batidas soaram e o mordomo os anunciou.
– Senhor patriarca, a senhorita Haruno está aqui para vê-lo.
Ouviram um ruído baixo, provavelmente um sinal. O homem então abriu as portas enormes para a rosada passar.
Havia tantos livros espalhados nas imensas prateleiras que por um momento Sakura sentiu-se imersas em um mar literário. Bem, era inculta o suficiente para detestar livros, de maneira que a vista não lhe pareceu nada impressionante. Ao invés, para qualquer leitor convicto aquele lindo lugar era próximo à definição de paraíso.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Assentado em uma poltrona de veludo vermelho estava o patriarca dos Uchiha. As pernas cruzadas, os longos cabelos deslizando pela cadeira, estendendo-se até o chão. Ele trajava um casaco negro longo, a gola alta encobrindo parte de seu queixo. Volveu o olhar calmo à garota pequena e magrela que adentrou a biblioteca.
Sakura parou de respirar no mesmo instante em que postou os olhos no patriarca.
Santo Deus que está no céu, que homem maravilhoso! Agora compreendia com perfeição de onde vinha a beleza e majestade de Sasuke, Madara era magnífico! Seria mesmo possível um homem daqueles ter a idade tão avançada?
Um desejo súbito ardeu seu corpo, umedecendo de imediato sua roupa de baixo. A face da garota ardeu. Trancada com aquele deus em forma de gente ela poderia facilmente se submeter e fazer o que ele ordenasse! Se pôs a pensar em todo tipo de fantasia lasciva com ele, desnudando-o com os olhos sem o menor pudor.
Madara pousou a xícara sobre o pires que estava na mesinha, percebendo que ela mantinha o olhar fixo em seus lábios úmidos pelo chá.
Não que esperasse algo diferente. Se havia alguém convicto de sua própria beleza esse alguém era Madara. Era egocêntrico o suficiente para compreender sua própria maestria.
– Aproxime-se senhorita Haruno — sorriu de lado, sedutor, aproveitando-se do fascínio que exercia sobre ela. Sakura o obedeceu cegamente, hipnotizada. Caminhou em direção à cadeira indicada, assentando-se diante dele.
– A senhorita é a antiga noiva de Naruto Uzumaki, não? – Madara lhe sorriu solícito, com falsa empatia.
De certa forma aquela pergunta deixou a garota desconfortável.
– E o que isso importa?
– Garanto que muito. Sua informação pode lhe render muito mais do que imagina, senhorita. Além disso, sei do ódio que nutre por meu neto, e do desejo de separá-los.
Sakura franziu bem a testa gigantesca.
Já o vira muitas vezes, claro que nunca tão perto. Sabia quem era Madara Uchiha, e do que era capaz, mesmo nunca tendo conversado com ele antes. As poucas vezes em que o vira na empresa, quando ainda era secretária de Sasuke, jamais conseguiu roubar-lhe um segundo sequer de atenção. Ele nunca lhe dirigiu a palavra, nunca fez questão nem mesmo de lhe dar bom dia.
–... E por que quer saber?
– Sasuke pretende se divorciar da atual esposa para casar-se com seu antigo noivo, e isso me representa um grande problema. Você é uma prova contundente, uma testemunha de que Sasuke traiu Karin inúmeras vezes, e isso é um álibi em meu favor.
A rosada compreendeu prontamente o que estava acontecendo.
Claro, afirmariam que Karin só enlouqueceu a ponto de usar Itachi por conta das traições de Sasuke. De fato Sakura conhecia cada uma das amantes dele, possuía contatos, tinha provas... Se quisesse incriminá-lo não seria difícil.
– E o que ganho com tudo isso? Óbvio que não pretendo me envolver nessa briga ridícula de vocês. Isso não me interessa.
– Basta que me diga o que quer. Todos têm seu preço – encarou-a profundamente – Costumo ser generoso com quem me auxilia. E além do mais, creio que seu maior pagamento seja a infelicidade de quem já a fez sofrer antes, não?
– Disso não tenha dúvidas. Mas se vou me envolver com vocês de novo dessa vez quero garantias.
– Que seriam?
– Quero me casar com um Uchiha – frisou, enfática, sem se importar com o quão irracional soava.
O homem diante de si riu de lado.
– Como é?
– Sei que me entendeu muito bem, quero me casar com um integrante do clã Uchiha e ser inserida na família. Sem isso não deporei contra Sasuke.
– Não acha que está sendo pouco plausível?
– É minha oferta final. Quero fazer parte do clã, ficar perto suficientemente de Sasuke para atacá-lo e destruí-lo. Quero me vingar de Naruto por tudo que ele me fez passar! E não há modo mais eficiente que esse. Além do mais quero assegurar uma boa condição financeira. Se quer que o ajude quero ser ajudada também.
– Casamentos não são permitidos com a facilidade que me diz, senhorita. Sem querer ofender, mas seu sangue não possui metade dos quesitos básicos para candidatar-se a esposa de um Uchiha, ainda que fosse um de terceira geração.
– Mas assegura que eu possa me casar com um Uchiha de quarta ou quinta geração, certo? Isso me basta – frisou – Pode ser qualquer um, não estou interessada na aparência. Apenas o que quero é separar Naruto de Sasuke, garantir que aquela criança desprezível não seja o elo que os mantém juntos!
Madara ponderou por um instante. Era um preço alto a ser pago.
Mas não podia negar que o ódio dela poderia lhe ser útil de alguma forma.
–... Muito bem então, será escolhido um rapaz apropriado, mas apenas se for um Uchiha de quinta geração. Não terá direitos, mas posso assegurar que viva no bairro Uchiha e que tenha acesso à casa sede quando for solicitada, mas os privilégios acabam aí.
– É suficiente para mim – enfatizou – Não importa quem seja, desde que me garanta estabilidade.
Um sorriso malicioso estampou a face bonita do patriarca.
Talvez não fosse uma garota tão inútil assim, serviria ao seu bom propósito.
–-
Um dia inteiro correndo de um lado para outro, visitando advogados em diferentes escritórios. Muita conversa, autenticação de documentos, revisão exaustiva do contrato que o unia à esposa. Sasuke estava exausto, não havia parado desde que saíra pela manhã, mal tivera tempo de comer.
Não importava, desde que com isso pudesse agilizar o processo.
Era simplesmente impensável por os pés na empresa, sabia que estava sendo fortemente vigiada. Também não poderia visitar Karin para levar os documentos referentes ao divórcio, por mais que quisesse.
Por dentro fervilhava de raiva apenas ao pensar em tudo que ela fizera. Agora que seu irmão estava acordado, Sasuke não tinha mais motivos para continuar casado com aquela mulher desprezível. Estava livre enfim, para fazer o que bem entendesse.
– Não está ouvindo nada do que estou dizendo não é? — Suigetsu resmungou, abanando-se com um leque e afrouxando um pouco a gravata. O dia estava ameno, mas para ele era um calor difícil de suportar.
– A polícia tem mesmo que ser envolvida nisso?
– Acha mesmo que seu avô vai aceitar pacificamente que você se divorcie para se casar com o Narutinho? — fez cara de desdém — Está fantasiando demais Sasukito!
O Uchiha não respondeu. Antes volveu o olhar ao homem parado do outro lado da sala. Era alto, estranho. Tinha cabelos platinados espetados, um olhar de sono e desinteresse e parte da face estava oculta por uma máscara ninja. Vestia um uniforme negro e, alheio à conversa, lia concentrado um pequeno livro de bolso. E era exatamente isso que mais incomodava Sasuke pois conhecia aquele título. Era um romance cheio de pornografia barata e explícita!
Suigetsu acompanhou o olhar de desgosto do cliente.
– Relaxa Sasukito, Kakashi é bom no que faz. Se alguém pode te ajudar a cuidar dos Uchiha é ele. Nada passa despercebido desse cara.
Mesmo o advogado lhe dizendo isso, Sasuke não conseguia confiar plenamente nele. O homem estranho sequer o fitava, não parecia desgrudar os olhos do livro que lia e vez ou outra dava uma risadinha desavergonhada olhando algum trecho com maior interesse.
– Para o seu bem é melhor que esteja dizendo a verdade, Suigetsu. Estou colocando a segurança de Naruto e de minha filha em suas mãos.
– Já sei disso, mas como você é dramático! — rolou os olhos — Falando nisso onde ele está?
– Sasori pediu alguns dias no trabalho e Naruto o está ajudando a cuidar de meu irmão.
– Ótimo, não queremos que ninguém saiba o que os Uchiha andam fazendo. E quanto à cópia do Naruto, o tal de Menma?
– Foi levado até o trabalho, para evitar suspeitas. Não quero que ele de algum modo se envolva com o que está acontecendo.
– Sinto informar que é tarde demais. Ele é um alvo também, precisa dos mesmos cuidados que vocês — observava as olheiras debaixo dos olhos do Uchiha, imaginando que ele devesse estar bem cansado — Escuta e como seu irmão está?
Ao som da frase o olhar ganhou vida e ergueu-lhe o rosto.
– Lúcido — um semi sorriso invadiu seus lábios — Já consegue falar e comer. Se lembra de praticamente tudo, só não consegue andar. Creio que com fisioterapia possamos mudar esse quadro.
Os dentes serrilhados do cinzento apareceram quando ele abriu um sorriso.
Era bom ver aquele idiota feliz.
–-
– Você é mesmo um desmiolado! Um loiro estúpido de cabeça oca! — Kushina faltava querer matar o próprio filho quando este entrou pela porta naquela noite.
– Já pedi muitas desculpas, mãe. Mas Itachi precisava de mim naquele momento, ninguém mais poderia ajudá-lo!
Ela não queria saber, antes apertava o filho entre os braços, girando-o devagar de um lado para o outro, feliz por ele estar bem. Naruto achou que poderia encontrar apoio no pai para se livrar mas este veio em sua direção apertando-o também.
– Quer nos matar de preocupação, Naruto? — fungava.
– Já lhes disse que sinto muito!
– Seu filho estúpido!
Naruto fitou Sasuke com uma expressão de "Por favor me salve" enquanto era apertado pelos pais chorosos. O moreno apenas deu de ombros com um sorriso divertido e moveu os lábios em um "Se vira", fazendo o Uzumaki ter vontade de matá-lo.
Conseguiu se soltar do aperto entre eles, devagar.
– Já está tudo bem, de verdade. Não aconteceu nada.
– E o seu primo? Como está? — Kushina se endireitava, secando os olhos e respirando fundo.
– Já está recuperado, não totalmente mas já se sente muito bem. Desculpe preocupar você, mãe. Você também pai.
Minato fez um sinal de que estava tudo bem e recebeu um olhar raivoso da esposa que o fez dar um sobressalto.
– Pare de fazer essas loucuras estando grávido, Naruto! — ela apontou bem o dedo em riste para ele — Quero meu neto bem e saudável e meu filho vivo! Poderia ter morrido lá!
– Eu sei, desculpe.
Os olhares então se voltaram ao moreno que aguardava na porta do apartamento.
– Boa noite senhores. Antes de qualquer coisa quero pedir desculpas pelo que vem acontecendo ao Naruto, de certa forma isso é culpa de minha família — Sasuke encurvou a cabeça brevemente.
Kushina esboçou uma expressão zangada e foi até ele.
– Como está seu irmão?
– Muito melhor. Sei que se preocupa com seu filho senhora Kushina, eu mesmo senti essa amargura quando soube o que aconteceu. Mas caso Naruto não tivesse se arriscado para tirar meu irmão do hospital ele estaria morto agora.
Diante dessa frase a ruiva se espantou.
– Morto? Era tão grave assim?
– Não tive a sorte de receber uma família como a que Naruto recebeu — sorriu tristemente — Meu próprio avô ordenou manter meu irmão desacordado, para se beneficiar com isso. Meu casamento forjado, os ataques ao Naruto, a doença de meu irmão... Tudo isso é obra dele.
Kushina pôde perceber a sombra de pesar que cobria aqueles olhos negros, tão cansados sendo tão jovens. A vida fora muito dura com ele. Era apenas um rapaz, mas já possuía a experiência de um homem.
Inconscientemente ela ergue o braço, a mão pequena pousando sobre parte da bochecha e orelha dele.
– Mas tem uma nova chance agora, querido. Não posso nem cogitar que algo te aconteça também. Eu o vejo como meu próprio filho, Sasuke.
O moreno não soube o que dizer, fora pego pelas palavras dela, seu peito estufou de contentamento, os olhos bem abertos de surpresa.
–...Obrigado — sorriu-lhe amoroso.
– Por que não dão uma olhada em seu novo apartamento? Os pintores estiveram lá ontem — Minato lhe sorriu, apoiando a mão no ombro do genro — Acho que vão gostar do resultado.
–-
O cheiro forte de tinta ainda úmida o fez espirrar, seus passos ecoavam nos cômodos vazios.
Naruto observava com prazer o interior de seu novo apartamento, o novo lar de sua família. Nem todos os móveis haviam chegado ainda. O quarto destinado ao bebê por exemplo ainda estava branco, aguardando descobrirem de que cor deveriam pintar as paredes. Olhava cada cômodo com atenção, imaginando o dia em que pudesse morar ali.
Entrou no quarto de casal, percebendo que já havia uma cama box nova e embalada. Sobre ela um colchão igualmente envolto em plástico.
– Foi rápido em comprar a cama, hein? — o loirinho riu sentando-se sobre o plástico.
Sasuke abriu bem a janela que dava vista para a cidade à frente. A brisa da noite entrou e levou consigo o cheiro desagradável de pintura fresca.
– É a primeira coisa que um casal deve comprar. E estrear — sorriu maroto, afrouxando a gravata e apagando as luzes. A escuridão mergulhou no interior do quarto, a luz da lua batendo nas paredes brancas.
O loirinho apoiou os cotovelos sobre o colchão, ainda deitado.
– Quer fazer aqui? Com todo esse eco?
– Se não gostarmos da acústica não poderemos viver aqui — ajoelhou devagar entre as pernas abertas do loirinho. Com movimentos ágeis e graciosos abriu os botões da própria camisa, revelando o tronco bem desenhado. Largou o tecido ao lado da cama, abrindo o cinto, o tilintar aguçando os sentidos do outro. Naruto riu, segurando a cintura delgada, trazendo-o para mais perto. Ajoelhou-se também na cama, puxando-o para um beijo. As mãos de Sasuke habilmente despiam a camiseta do loiro, que interrompeu o beijo somente para passar a gola pela cabeça, bagunçando seus cabelos, para então tornar a beijá-lo com fervor.
Foi deitado sobre o plástico, o corpo forte sobre o seu, os braços dele o seguravam firmemente.
Naruto pareceu absorto enquanto olhava aquele corpo maravilhoso diante de si. Uma das mãos se erguendo para deslizar no abdômen dele.
–... Senti saudades.
O moreno engoliu bem forte, quando se perdia naquelas íris todo o resto parecia perder o significado, nada era tão importante. Baixou o corpo, os olhos fixos.
– Eu também — baixou o corpo -... Muita.
Sentiu as mãos pequenas contornarem seus ombros bem devagar, subindo pelo pescoço, para brincar com seus cabelos negros . Naruto o observava por completo, sem pressa, como que o fixando em sua mente.
–... O que você tem hoje? Está carente?
– E se eu estiver? — riu de lado, imitando o sorriso debochado do moreno — E se eu precisar sentir que sou amado pelo pai do meu filho? Faria isso por mim?
– Óbvio — beijou seu queixo — O que quer? Que eu diga que amo você?
– Já é um começo.
– Ok... — apoiou o peso do corpo nos joelhos, tomando a mão direita do loiro entre a sua, beijando delicadamente sobre a aliança — E se eu disser que a melhor coisa que já me aconteceu foi te conhecer? Que não acreditava em histórias de amor, que achava perda de tempo essas pessoas se dizendo apaixonadas, comprando presentes idiotas... Mas que tudo isso mudou quando te conheci? — quando abriu as pálpebras, ainda segurando a mão pequena entre a sua, seus olhos brilharam semelhantes à faróis na semi escuridão, tais como os olhos de um gato — As músicas de amor meloso que eu achava tolas, que não faziam diferença alguma de repente passaram a fazer todo o sentido do mundo para mim. Quando menos percebo me pego pensando em você. É insuportável quando está longe, só consigo pensar que quero voltar para onde está. Você é o lugar ao qual sei que posso voltar Naruto, é meu porto seguro.
O loirinho expirou bem forte, soltando o peso do corpo tenso sobre o plástico do colchão, completamente emocionado. Entrelaçou os dedos aos dele.
–...Sasuke...
– Ainda tem alguma dúvida de que é único para mim?
– Não. Só queria escutar com sua própria voz, para me convencer que não é devaneio de minha cabeça.
– Não seja bobo — deitou-se devagar, sem apertá-lo.
Uniu os lábios aos dele, suspirando de saudade. O beijo se tornou mais intenso, seus lábios sugados avidamente pelo loiro, as mãos passeando pelo peito nu. Estalavam a boca uma na outra. Arrancaram o que restava de roupas com movimentos desesperados, querendo se ver livres o quanto antes. Seus corpos nus se uniram num abraço apertado.
– Está com tanta saudade assim de mim? — murmurou junto ao pescoço fino, percebendo com prazer os pelos eriçarem. Naruto arfou, já completamente excitado. Só o fato de beijá-lo já preparava seu corpo inteiro. Cruzou as pernas nas costas do moreno.
–...Sasuke... — sussurrou manhoso, em tom que ninguém seria capaz de ignorar. Sasuke riu maravilhado.
– Oi?
–... Depressa... — ronronou — Faz amor comigo...
Sem esperar um segundo convite Sasuke ajoelha sobre o plástico, virando o corpo do loirinho de lado e erguendo uma de suas pernas, colocando em seu ombro. Da posição em que estava podia perceber e tatear o botão úmido e lubrificado. Direcionou a própria ereção à ele, afundando aos poucos, rompendo a resistência para invadi-lo. Sabia que ele gostava exatamente assim, com força, em um movimento contínuo, sem delongas.
Ouviu-o balbuciar algo incompreensível, e sem se intimidar força o corpo para frente, seu quadril gingando enquanto o penetrava. A sensação era ótima, não importava quantas vezes entrasse nele. Era sempre sugado, engolido. Naruto remexeu-se sobre o plástico, gritando descontrolado, fazendo o moreno se deter um instante.
– Não grite tanto assim... — respirava depressa, pensar era difícil quando se encontrou completamente dentro — Não sabemos se podem nos escutar.
– Mova... Depressa! — completamente necessitado o loiro rebola o quadril, ignorando o que o outro dizia. O movimento súbito fez Sasuke pender a cabeça junto ao tornozelo sobre seus ombros, tomado pelas sensação forte.
–...Não me enlouquece desse jeito... — fitou-o como se pudesse devorá-lo. Abraçou a coxa grossa do loiro, apertando-a contra o abdômen e começou a penetrá-lo vigorosamente, arrancando gemidos satisfeitos e arrastados. Forçava-se para frente, sacudindo o corpo pequeno, recostando o rosto na perna em seu ombro, abraçado à coxa forte, impulsionando o quadril enquanto retesava e contraía os músculos. Arremetia inteiro, empalando aquele loirinho indecente. Naruto agarrava-se com força sobre o plástico, furando-o com as unhas enquanto gritava de prazer a cada nova estocada.
Sasuke desceu o olhar, exatamente ao ponto em que seus corpos se ligavam. Podia se ver entrando e saindo bem depressa, deslizando em meio ao líquido que lubrificava a entrada rosada do loiro. Era fascinante ver enlanguescer, aceitá-lo de bom grado. A excitação simplesmente tomava sua cabeça e disparava a penetrá-lo com mais força. Em resposta, Naruto apoiou os cotovelos na cama, jogando a cabeça para trás, perdido, sem conseguir pensar em mais nada que não o vai e vem delicioso que deixava seu canal quente, que o arrepiava de prazer. Sasuke se impulsionava até o fundo, volvendo o corpo longamente para voltar a se enfiar, proporcionando um movimento intenso e rápido. Invadia o loiro exigindo espaço dentro dele, golpeando-o por dentro, tocando em cada canto daquelas paredes cada vez mais depressa, sem lhe dar tempo sequer de respirar direito.
Se continuasse naquele ritmo gozaria em questão de segundos. E para evitar isso se forçou para fora, respirando como louco. Ouviu xingamentos e a perna sobre seu ombro lhe acertou com um golpe na cabeça.
–... A culpa... É sua... Por me excitar desse jeito — fitava-o completamente sem fôlego, respirando pela boca, o suor escorrendo pelo queixo fino, os olhos torpes.
– Não me importa! Faça! Coloca de uma vez! — exigia, as íris azuis nubladas, a face vermelha.
Sem poder argumentar contra ele toma a própria ereção, enfiando apenas a cabeça pelo buraquinho já largo. Enfiou até a metade, tirando-o em seguida. Abriu bem as pernas e passou as do loiro em volta de sua cintura, segurando no traseiro fofinho, tirando-o do colchão e levando-o ao seu colo.
A ereção do loiro batia na própria barriga, melando-a um pouco. Sentiu o encaixe quando Sasuke tornou a penetrá-lo, da posição em que estava a cabeça entrou se esfregando, esbarrando pelas paredes e criando uma sensação mais intensa. Um longo e arrastado "Oooooh" saiu de sua garganta. Estava zonzo, completamente deliciado.
Sasuke riu com isso e começou a impulsionar o quadril para cima, batendo no corpo do loiro, chacoalhando-o. Em resposta a ereção em riste dele ricocheteava na barriga várias vezes, acompanhando as estocadas. Gemeram alto, juntos, perdidos, era tão bom que não dava para explicar. Entrava mais apertado do que de costume, o que gerava uma sensação muito mais intensa. O roçar, o deslizar para frente, o modo como o membro buscava espaço no canal quase fechado estava fazendo-os perder as estribeiras.
Passou a mover o quadril bem depressa, impulsionando o loirinho para cima várias vezes, separando as nádegas, buscando espaço no botão apertado, sem parar de se enfiar ali. Girou a cabeça, domado pela sensação. Aquele loiro o tirava do sério! Naruto só conseguia aranhar o plástico, procurando algo para se segurar. A cada ida e vinda sentia o canal ferver, tão excitado que não conseguia pensar direito.
– Aaaaah Sasukeeeeeeeeee... — rolou os olhos nas órbitas, possuído de prazer.
– N... Naruto... Eu vou... — não conseguiu diminuir o ritmo por estar completamente tomado, cada fibra de seu corpo ansiando pelo orgasmo que se aproximava cada vez mais. Enfiou com mais vigor, inteiro, até bater os testículos no bumbum macio, apertando os montes de carne macia do traseiro daquele loiro, deliciado com o buraco molhado que engolia sua ereção, os anéis enforcando-o, o líquido pegajoso que escorria sem parar deslizando entre seus corpos.
– Aaaaah N... Naruto! — espalmou a mão sobre o peito do loiro e franziu bem a testa, para em seguida esboçar uma expressão de agonia e sofrimento, sem parar de se enfiar, gozando longamente dentro dele, sem controle de si mesmo, as pernas tremendo muito, espasmos involuntários atingindo seu corpo. Naruto de onde estava assistia aquele expressão maravilhosa, o líquido fervente enchendo o canal até bem fundo, escorrendo pelos cantos do buraquinho apertado, tão fortes eram.
Assistiu-o gemer, respirar depressa, quase desfalecer com o prazer imenso que o aturdiu por longos segundos. Aos poucos o viu abrir os olhos cansados, volvendo-os ao loirinho. Limpou o suor da testa, tentando tornar a respirar como deveria.
O loiro ia pronunciar algo mas ele se afastou de si, saindo de seu interior com um movimento abrupto. Sem esperar um convite abriu as pernas do menor e enfiou o rosto na virilha, primeiro lambendo onde o pré gozo escorria, a mão habilmente manipulando-o. Ergueu então a cabeça ao membro que pulsava desesperado e deslizou a boca sobre ele, relaxando a garganta para conter a vontade de tossir, deixando-o entrar por completo. Encarou os olhos azuis, de boca cheia e passou a chupá-lo avidamente, a mão livre brincando com os testículos, movendo-os entre os dedos. Naruto resmungou algo sem sentido. Agarrou os cabelos negros, enfiando mais a cabeça dele contra sua virilha. Sasuke girava a língua enquanto o chupava, deslizando pelo membro todo, aumentando a sensação do ato. Quando tirou-o quase todo da boca e passou a chupar só a cabeça, mordiscando devagar, Naruto não aguentou e gozou de uma vez, os jatos enchendo a boca do moreno que o tirou de dentro dela, manipulando-o. Foi esporrado no rosto enquanto o espremia entre os dedos, garantindo que saísse tudo antes de parar de manipulá-lo. Naruto cravou as unhas no colchão, entre o que sobrara do plástico, urrando deleitado enquanto se esvaziava por completo.
Sentiu-se murchar nas mãos de Sasuke e sem pensar direito o puxa para si, lambendo o rosto dele, limpando-o do próprio sêmen que lambuzou seu rosto. Em seguida o beija profundamente, enrolando-se no corpo quente, compartilhando o gosto salgado.
Foi necessário algum tempo para tornarem a respirar devidamente e perceber o estrago que fizeram. Naruto estava todo melado, e pedaços do que um dia foi o plástico de proteção grudavam nos corpos dos dois. Estavam sujos e suados, riram cúmplices.
–... Tem alguma ideia de como vamos fazer para sair daqui desse jeito? — gargalhou com carinha de raposo, aquela risada infantil e animada. Sasuke apoiou o queixo em seu peito, mirando-o e rindo de volta.
– Depois do escândalo que você fez todo mundo já sabe o que estávamos fazendo.
– Que nada, os quartos são espaçados, a vizinha já me disse isso. E eu não gritei tanto assim, duvido que tenham nos escutado.
– Se você diz — ergueu o corpo, e um longo fio melado e transparente de lubrificação se esticou entre os dois corpos, rompendo-se no ar. Foi o bastante para o loiro tornar a cair na risada.
– Precisamos de um banho urgente!
– A água quente funciona, e comprei toalhas novas. Deve me agradecer por isso — piscou.
– Oh claro. Muito obrigado por me arrastar ao novo apartamento para fazer sexo comigo e de quebra me dar um banho — levantou e deu-lhe um tapinha no traseiro branco assustando-o. Sasuke o olhou irritadiço, mas recebeu um olhar sedutor em troca. O loiro acendeu as luzes e caminhou de costas em direção ao banheiro, convidando-o a segui-lo. Sasuke até se esqueceu que estava nervoso, avançando depressa, fazendo menção de agarrar o loiro que correu pela casa, a risada ecoando enquanto tentava fugir do namorado. Sem sucesso pois foi agarrado por trás.
Um convite para um banho era só mais um pretexto para continuarem o que haviam começado. Provavelmente quando terminassem já seria tarde da noite.
–-
Era um estúpido sem salvação.
Estava há meia hora diante do guarda roupas sem fazer ideia do que vestir.
E logo para quê? Para se encontrar com outro rapaz!!! Desde quando se preocupava de tal maneira com a aparência para ver alguém como Menma? Que diferença faria vestir algo que ele gostasse ou não?
Talvez... Ele preferisse regata? Bem, vestira uma quando tiveram sua primeira noite, talvez isso indicasse que o achara bonito nela... Lembrava do olhar intenso de Menma sobre si.
Jogou a peça no chão, irritado e vermelho pelos pensamentos estúpidos que estava tendo.
Era apenas uma saída normal como qualquer outra que já tivera. Conversariam sobre qualquer bobagem, andariam em algum lugar bobo, nada demais.
Então por que estava tão nervoso?
Escolheu as primeiras peças que encontrou no guarda roupas, sem pensar muito. Quando abriu a gaveta de cuecas ruborizou excessivamente ao se pegar pensando que era melhor vestir uma nova, talvez uma mais justa, que parecesse mais atraente...
– Que diabos estou pensando? É só um passeio! Não é um encontro!!! — gritou sozinho consigo mesmo, largando a toalha no chão, encarando-se nu diante do espelho. O corpo bem desenhado, sem pelos, liso e macio o orgulhou. Mas não pôde evitar sentir um friozinho incômodo no fundo do estômago.
"Não que ele vá me ver sem roupa de novo mas, se por acaso vir, será que vai me achar sem graça demais?" — indagava, girando um pouco o corpo diante do espelho. Observou de relance o próprio bumbum, imaginando se era sexy o suficiente para atrair outro homem. Volvendo para frente, seu olhar descendo ao grande temor de grande parte dos homens: o tamanho!
Não era gigantesco, era apenas... Normal. Não pequeno e nem fino. Era... Bem, não sabia explicar, achava-o bonito se comparasse, se bem que não tinha como comparar porque não estivera com outros homens antes... Então o compararia com relação aos que já havia visto pela internet! Era levemente curvo, meio rosado... Sentiu tanta vergonha pelo que estava pensando que desviou o olhar, agarrando a primeira cueca que viu, vestindo a roupa que estava caída no chão, sem filosofar muito.
E bem, foi deveras pior do que se tivesse pensado com cautela.
Jeans justo e escuro, regata preta que mostrava o corpo bem feito, os músculos dos braços à mostra.
Passou a mão pelos cabelos cor de fogo bagunçando-os um pouco. Eram tão lisos e soltos que não precisavam ser penteados.
O frescor gostoso da loção pós barba misturava-se ao cheiro de sabonete. Fitou de relance o vidro de perfume sobre a cômoda.Bem, não que estivesse se preparando tanto para um encontro. Era apenas... Por gostar de sair bem trajado, apenas isso! Foi o que pensou quando borrifou uma vez o perfume suave sobre a pele do pescoço largo, espalhando-o detrás das orelhas e nos pulsos.
Com aqueles cabelos rubros revoltos, os olhos tão negros como se maquiados, a veste sombria, Gaara mais parecia um delinquente. Mas estava de tirar o fôlego de qualquer um. Por fim enfiou a carteira e o celular nos bolsos da calça.
Exatamente no horário marcado uma mensagem apitou em seu celular. Sabendo quem era sentiu uma estranha euforia tomar conta de seu peito. Agitou a cabeça para se controlar e saiu pela porta principal em direção ao quintal. Ao percebê-lo ali seu queixo caiu.
Menma tirava o capacete, as pernas dando firmeza à moto que, diferente de seu carro, era nova e bonita.
Gaara piscou várias vezes desejando que aquele pesadelo sumisse de sua frente.
Aquele moreno desmiolado queria levá-lo para sair de moto? Mas ele odiava moto!!!
Foi caminhando irritado até o portão. Menma virou-lhe o rosto pronto a sorrir, mas perdeu o fôlego assim que o viu.
Que homem magnífico era aquele ruivo! Céus, mas que delícia. A roupa justa deixava à mostra a cintura, o peito largo, as coxas grossas, os braços fortes. Ergueu o rosto para se deparar com o olhar irado dele.
– Está sonhando se acha que vou andar nessa coisa! — cruzou os braços.
– ... — não conseguiu responder, ainda extasiado.
– Estou falando com você, Menma!
– ... Cara, você é muito gato... — a frase escapou sincera, ele mal raciocinava olhando o outro.
Recebeu um tapa na cabeça em resposta, e com isso pareceu despertar de seu transe momentâneo.
– Eu não vou andar nessa moto!
– Ah qual é, não me diga que tem medo? — deu uma piscadela safada, já recuperado — Pode segurar em mim se achar que vai cair.
– Só nos seus sonhos, imbecil!!!
– Você nunca andou em uma, certo?
– Óbvio que não!
– Então não tem como saber se gosta ou não. Vem cá — puxou-o mais para perto — Senta atrás de mim.
Gaara resmungou, praguejou, mas no fim fez o que o outro pediu. Subiu desajeitado no banco traseiro da moto. Um cheiro gostoso tocou seu nariz e percebeu que vinha da nuca do moreno, um perfume almiscarado. Da posição em que estava, tão perto dele, podia ver o pescoço pardo, os fios negros de cabelo espetado que nasciam na nuca. Os ombros dele eram fortes, largos, bastante bonitos.
Um pouco curioso e aproveitando que não tinha o olhar do moreno sobre si permitiu-se observar o que ele vestia.
Menma parecia lindo naquela camiseta justa de cor carmesim, a gola que descia aparentava ser em formato de "v", não conseguia ver bem. Desceu os olhos pelas costas largas, as espáduas bem desenhadas no tecido. Sentado, era possível ver parte do cinto negro de couro que prendia a calça jeans justa, parte da barra da cueca levemente à mostra.
Prendeu o ar.
Aquele idiota até que era bem bonito...
Desavisado, o moreno vira o rosto para encará-lo, seus narizes quase se tocam. Ficaram um tempo se encarando, sem dizer nada.
–...P...Pra onde está me levando?
– A noite só está começando, Gaara. Relaxe um pouco, ok?
–-
Descia as imensas escadarias, os olhos fixos, concentrados. Seus passos eram leves, quase flutuando. Não era à toa que era conhecido por se aproximar sorrateiramente dos outros. Todos os seus sentidos eram mais aguçados que os de uma pessoa comum.
Foi forjado para isso. Sua vida, seu princípio, sua motivação devia ser somente servir ao clã e nada mais.
Ouviu passos detrás de si e deteve-se na escadaria, volvendo o rosto para ver de quem se tratava. Os olhos puxados encararam seu senhor, e baixou a cabeça em sinal absoluto de respeito.
O patriarca olhou de cima, com certa arrogância.
– Por que a demora em voltar, Shisui? Sua missão dessa vez não era tão complicada.
O olhar era impassível e imutável, havia uma total falta de expressão em seu rosto. Piscou lentamente, aparentando sono, mas era apenas o cansaço de uma longa noite em serviço.
– Estive em patrulha até mais tarde, senhor patriarca — sua voz era grossa, mas baixa. Shisui era um Uchiha baixo em comparação aos demais, de corpo forte, nariz redondo como o de um ocidental. Os cabelos eram curtos, sedosos e escuros. Os olhos muito puxados, de cílios curtos, queixo largo. Estava sempre sério e compenetrado quando em serviço. Um homem letal que obedecia cegamente às ordens de Madara, tornando-se um aliado inquestionável.
Era também o único que já recusara uma noite amor, e isso incomodava visivelmente o patriarca.
– Notícias de Itachi?
– Nada diferente do que já lhe relatei, ao menos por enquanto senhor.
Madara o observou por um longo instante, franzindo de leve as sobrancelhas finas, analisando-o muito bem antes de prosseguir.
–... Muito bem então. Quero que visite "aquela pessoa", e lhe dê o tratamento costumeiro. Depois disso pode voltar ao seu posto.
– Sim senhor — curvou-se. Estava exausto, mas jamais recusaria uma ordem. Virou-se, descendo devagar alguns degraus à frente.
– Shisui?
Ele volveu o rosto.
– Sim?
– Durante sua patrulha no hospital, quando estava vigiando a saída dos fundos, por acaso viu algo fora do normal? Algo que talvez esteja ligado com a fuga de Itachi, e da qual possa ter se esquecido de me informar?
– De que está falando, senhor? – indagou impassível — Sabe que minha lealdade ao clã Uchiha é absoluta. O que relatei foi exatamente o ocorrido naquele dia.
Madara ficou em silêncio por longos instantes, fitando o fundos dos olhos dele, atento ao menor movimento.
– Esqueça, não é nada demais. Uma peça de minha mente — sorriu, mas era um sorriso cínico e cruel, desprovido de graça.
Shisui encurvou demoradamente a cabeça e então deu-lhe as costas, sem pronunciar uma só palavra a mais.
Caminhava sentindo o olhar fixo em suas costas. Passou pelo saguão principal.
A última coisa que desejava era ver "aquela pessoa", estava mesmo muito cansado. Suspirou profundamente enquanto se dirigia ao final do corredor principal, em uma saleta cuja chave pouquíssimas pessoas possuíam. Ao fundo dessa sala havia uma porta falsa, que dava acesso às escadarias que levavam ao porão.
Cada vez que descia por aquele lugar sentia calafrios! As escadarias rústicas, escuras e úmidas o sufocavam. Quanto mais descia, mais sentia o cheiro de poeira, de local fechado. Era quente e abafado, além de muito silencioso. Tijolos muito antigos formavam as paredes grossas, labirintos de pedra sem conservação, que em nada contrastavam com a luxuosa mansão construída acima.
Aquele local no passado era usado para prender pessoas condenadas pelos Uchiha. A luz precária vinda de poucas lâmpadas de luz amarelada e fraca no teto. O chão batido, sujo.
Um som ao longe alcançou seus ouvidos, um gemido arrastado. Shisui engoliu forte, desgostoso.
Havia um leito improvisado, e sobre ele um corpo magro, machucado. A pessoa deitada ali parecia em estado deplorável. Havia sido surrada tantas vezes que nem se podia descrever. Estava tão machucada que partes da pele apresentavam uma assustadora necrose. Pela posição desagradável em que seu corpo se mantinha era nítido que fora violada, estuprada contínuas vezes. Rastros de sêmen se fundiam ao sangue seco. Era possível ver os contornos dos ossos na pele seca, uma magreza fora do normal.
Os gemidos de dor cessaram um instante ao perceber que não estava só. Piscou muito devagar, os olhos secos, mas volveu-os ao Uchiha parado ao lado.
–...Shi...Sui... — a voz mal saía.
Shisui engoliu em seco, vencido pela compaixão.
Por mais erros que uma pessoa pudesse cometer em vida, ninguém deveria ser vítima de tal tipo de tortura. Era desumano.
Cobriu o corpo devagar com um lençol. No estado lastimável em que se encontrava era possível que não resistisse mais do que alguns dias. Certamente morreria se continuasse naquele ritmo. Desde sua captura, há cerca de um ano, viveu em confinamento naquele porão, sem ver a luz do sol, sem poder escapar.
– Trouxe água limpa dessa vez, Izuna. Ao menos posso limpar você – respondeu solícito.
Seu coração doía ao encontrá-lo daquele jeito.
O irmão mais novo de Madara já fora o mais bonito Uchiha de que se lembravam. Era tão belo que chegava a ser egocêntrico.Tudo isso mudou quando o patriarca decidiu puni-lo por seus erros no passado.
Erros esses que refletiam diretamente na pessoa que Madara se tornou. Izuna sentia na própria pele a dor de seus atos. Diariamente era surrado, violado dolorosamente por diversas pessoas que nem ao menos conhecia.
E muitas dessas vezes violado pelo próprio irmão mais novo...
Não recebia água ou comida devidamente. Madara apenas o alimentava com o que julgava necessário para ele continuar a viver. Não tratava suas feridas a não ser que estivessem em estado muito grave.
Porque desejava que ele continuasse a viver para ser castigado... Toda a dor que pudesse causar nele ainda era pouco!
Os olhos cinzentos do homem tão bonito focaram brevemente em Shisui, mas este teve a certeza de que ele não enxergava direito. Ofegava como um moribundo, largado sobre a cama.
Devia sentir muito frio.
–... Por favor... – sua voz era praticamente um suspiro — Por favor... Me mate... – implorou — Não... Aguento mais...
Shisui compadeceu-se, baixando ao lado dele. Ergueu sua cabeça do solo arrancando dele um longo e sofrido gemido de dor absoluta. Tossia e gemia, sinal de que na última surra quebraram alguma de suas costelas.
–... Não diga bobagens, você não pode morrer ainda – forçava-o a beber água de uma garrafa, que trouxera escondida debaixo da blusa.
–... Eu mereço a morte... Por tudo que fiz...
– Morrer não vai apagar seus pecados, Izuna.
–... Madara... Nunca será o mesmo... Por minha culpa...
– Muitas coisas tornaram o patriarca no que é hoje. A culpa não é somente sua.
Ele arfou bem forte, sinal óbvio de que estava sofrendo. Lágrimas grossas escorreram pelo rosto.
– Por favor, Shisui... Quero que cuide... Dos filhos de Mikoto — tossiu novamente — Salve-os desse maldito clã...
O mais novo assentiu com a cabeça.
– É tudo que posso fazer agora, Izuna. Não deve falar muito, está muito debilitado.
–...Não... Você precisa me escutar... Eu sei onde Mikoto está... E sei o que o patriarca planeja. Você precisa salvá-la... Antes que seja tarde demais.
Continua.
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