Notas iniciais
Cheguei!!! E como demorei dessa vez, caramba! Já sabem que quando demoro tenho motivos né? A boa notícia é que a pessoa de quem estou cuidando já está bem melhor e já tirou o curativo, mas esse mês foi difícil e muito corrido. Quando eu demoro a responder os comentários saibam que não é descaso, é cansaço mesmo. Enfim, todas as cenas do hospital foram baseadas no que pesquisei, porque fiquei perambulando pelo hospital enquanto esperava a cirurgia acabar, então estejam certos de que não criei nada, apenas descrevi o que vi. Mas vamos falar logo da fic que tem muita coisa boa para acontecer e já deixei vocês ansiosos por muito tempo, né? Primeiro: estou rindo até agora da reação de vocês na cena "vergonha alheia" do capítulo passado, com o Naruto arreganhado na sala de ginecologia hahahahaha Triste ser compatível, hein? E claro, não podemos esquecer o lemon do Gaara e o Menma! Depois de reler, vi que meu corretor trocou a palavra bule por brusle, ou sei lá o que kkkkkkkk O que é um brusle pelo amor de Deus??? XD Eu ainda não corrigi então se relerem vão identificar fácil. Falando em corrigir tem erros no capítulo passado, mas já vou corrigir, é que estou sem tempo. E claro, o principal do capítulo: Itachi acordou! Eu escrevi isso em todas as respostas de todos os comentários rsrs Mas era algo que todos esperavam ansiosos, certo? Estou muuuuito feliz que meu anime fofo, cheio de ukes fazendo drama voltou semana passada! *-* Alguém aí assistindo Junjou Romantica 3? Cara, como amo aquele negócio... E na mesma semana lançaram meu mangá de No.6 volume 2, ou seja, uma autora feliz, cheia de referências yaoi e que, de novo, escreveu um capítulo gigantesco! E isso porque achei que ficaria pequeno, ontem mesmo tinha só 13 mil e hoje virou 17 mil kkkkkk Leiam até o fim porque esse capítulo está eletrizante! Quando fui comprar meu mangá de No.6 fiquei morrendo de fofura com a ilustração do último volume do mangá de Naruto. Viram? O Sasuke beliscando a orelha do loirinho, gente que lindo, não aguento uma coisa dessas! Falando em mangá alguém leu a tragédia que foi a continuação de Naruto? Não sei porque li, acho que fiquei curiosa sobre o por que de obrigarem o autor a dar filhos para os protagonistas e me decepcionei outra vez, foi muito pior do que eu esperava. Nitidamente, o Sasuke não pareceu nada feliz com a nova vida. E antes que eu esqueça: Muito obrigada Bat Mariah por recomendar a fic, sua coisa linda! Já disse que te amo? Amo mesmo! u_ú Sem mais demoras, preparem o coração para altas emoções e não saiam antes de ler as notas finais e comentar, hein? Boa leitura!

Itachi ofegava, quase tombando a cabeça nos próprios joelhos, sem suportar o peso do próprio corpo. Era óbvio que logo desmaiaria, mas ele parecia lutar bravamente contra isso.

Apenas o esforço de segurá-lo sentado na cama já exigia muito do loirinho, afinal Itachi era um homem adulto, era difícil suportar o peso de um corpo tão mais alto e pesado que o seu.

E pensar que estava com tanta dificuldade apenas em segurá-lo, quem dirá sair do hospital com ele! Impossível em sua atual condição.

“O que eu faço???” – pensava aflito. Tornou a deitar o corpo fraco do cunhado nos lençóis, com cuidado. Ele ofegava horrivelmente, segurando com fraqueza o lençol diante do nariz, tentando deter o sangramento que aos poucos estancava. Naruto percebeu as íris rolarem para trás e se assustou, chacoalhando-o.

– Ah não, não!!! Você não pode dormir Itachi!!! – Falou mais alto, chacoalhando os ombros extremamente magros. Tinha pena por ele, pelo modo como parecia exausto, mas não tinha muita escolha.

– Por favor, fique acordado Itachi! Sasori precisa de você!

Ao som daquele nome ele pareceu despertar, abrindo os olhos cansados e assentindo.

Estava muito confuso, suas memórias se embaralhavam. Lembrava de Sasori, de como o conheceu, mas muitas coisas eram um turbilhão em sua mente. Certamente sentia que o amava, mas não se lembrava muito bem.

Eram namorados? Ele achava que sim, ou esperava que sim... Sasori parecia preencher cada fibra de seu corpo.

Por que então tinha horrível sensação de estar esquecendo algo crucial? Algo realmente importante.

–... Sasori...

– Isso! Você precisa se manter firme para voltar para ele!

Voltar para Sasori... O rosto gentil se embaçava na cabeça do moreno, os cabelos cor de fogo, os olhos rubros, o sorriso sereno e gentil... Seu coração bateu reconfortado.

Definitivamente amava Sasori... Queria voltar ao lado dele!

Naruto por sua vez apressou-se até a janela abrindo apenas uma fresta e olhando por ela. Era alto demais e não havia escadas externas, impossível tirá-lo por ali.

Por segurança trancou a porta do quarto por dentro. Se alguém batesse daria alguma desculpa impedindo a entrada de quem quer que fosse. Por hora não poderia se dar ao luxo de permitir que alguém soubesse o que estava acontecendo.

–... Itachi eu vou pedir ajuda ao Sasuke, sei que ele pode trazer os advogados rapidamente!

Mas ele negou fracamente com a cabeça. O loiro sentiu um imenso aperto no coração ao vê-lo sofrer, ofegar, visivelmente sentindo muita dor. Rastros imensos vermelhos desciam por seu nariz, manchando o avental hospitalar que vestia, os cabelos negros espalhados e embaraçados.

– Por que me diz que não, Itachi? O que você quis dizer com “vão me matar”?

O moreno tentou iniciar uma frase, mas começou a tossir, uma tosse alta e visivelmente doente. Não demorou a tornar a vomitar mais daquela coisa branca asquerosa, sinal óbvio que seu corpo desejava se ver livre de uma vez daquele remédio tão nocivo.

Mas também graças a essa rejeição ele havia despertado no momento exato, diante de Naruto. Se houvesse despertado na presença de algum médico ou enfermeiro o poriam novamente para dormir, e não se sabe quanto tempo ele levaria para despertar.

Isso se algum dia despertasse.

Acudiu-o, batendo de leve em suas costas para desengasgá-lo.

– Esqueça, desculpe! Não precisa se esforçar para me dizer nada! – rapidamente apanhou o celular, com a mão trêmula. Estava tão nervoso, tão aflito! Ligaria para alguém, talvez Suigetsu. O cinzento certamente arranjaria um modo de lidar com os médicos, de invadir o hospital e buscar ajuda! Naruto estava sozinho, se deixasse o quarto um instante sequer corria o risco de alguém encontrar Itachi desperto. Se tentasse carregá-lo para fora do quarto certamente seriam vistos, e sequer teria forças para tal feito!

Não importava o quanto pensasse não chegava a nenhuma conclusão. A ideia de tirar Itachi do hospital lhe soava como uma loucura completa!

Mas, a mão trêmula do cunhado segurou a barra de sua camisa, chamando-lhe a atenção.

–... Ouvi... Os médicos... – ofegou, juntando a pouca força que possuía -... A nova medicação... Pode fazer... Meu coração... Parar de bater... – ergueu os orbes negros a ele, encobertos pelos longos fios negros -... Ajude-me...

Naruto sentiu o queixo tremer. Olhou assustado o relógio.

O tempo parecia correr mais depressa que o normal. Faltava menos de meia hora para a visita terminar. Em tão pouco tempo seria forçado a deixar o quarto de Itachi. Os médicos perceberiam seus reflexos, o sedariam, trocariam sua medicação.

E provavelmente o matariam... Como Suigetsu disse que o fariam! Como o próprio Itachi temia!

Não teria como avisar Sasuke ou pedir socorro aos seus pais, ninguém chegaria a tempo, estava encurralado!

Seus olhos arderam e as lágrimas brotaram imediatamente, mas ele ergueu bem o rosto e fungou profundamente, tentando não se deixar abater nem dominar pelo desespero, o que era tarefa quase impossível. A simples ideia de fugir carregando Itachi, lutando contra o tempo, o deixava aterrorizado! As emoções intensas não lhe faziam nada bem estando em uma gravidez tão complicada, de maneira que logo a dor o encurvou para frente. Apertou sua barriga e fechou os olhos bem forte. Prendeu a respiração por alguns segundos.

–... Agora não meu amor! – respirava bem devagar, a dor horrível roubando o pensamento lógico. Caiu de joelhos no chão, a cabeça apoiada na cama.

Não podia ajudar nem a si mesmo! Quem dirá tirar Itachi daquele hospital!

–-

Como se achava estúpido e idiota!

Suspirou longamente, o vapor branco surgiu diante de seu rosto e ele estremeceu de frio, subindo um pouco o cachecol para cobrir a boca e o nariz. Fazia um frio surreal, difícil de suportar, ainda mais para alguém que nasceu no meio do deserto! O frio lhe parecia um castigo, de maneira que se perguntava o que fazia naquele país!

Gaara olhava pelo vidro da janela o fluxo de pessoas perambulando à noite naquela badalada cidade. A neve caía fraca em pequenos flocos, cobrindo tudo de branco, dando um aspecto calmo e sereno. Não fosse pela temperatura baixíssima estaria grato por permanecer em um lugar que o acalmava tanto. Estava assentado sozinho, em um restaurante refinado, ao som de boa música tocada ao vivo. No desespero que sentiu na noite passada, quando não conseguiu dormir, Gaara pegou o primeiro avião pela manhã rumo a um país vizinho, com a desculpa de resolver assuntos de trabalho.

Assuntos esses que poderiam facilmente se resolver por telefone ou internet, mas ninguém precisava saber disso.

Suspirou pela milésima vez naquela noite, baixando os olhos verdes, tristes e pesarosos para a sopa fumegante disposta em uma cumbuca entre suas mãos. É um costume dos países em que neva abrigar-se para tomar líquidos quentes, ou fatalmente suas mãos sofrem com o frio, as pontas dos dedos do ruivo pareciam congelar!

Fugiu sem pensar, apenas para evitar se encontrar com Menma no dia seguinte. Não sabia o que fazer, ou como encará-lo, não depois do modo como se entregou a ele, sem controle. Tinha tanta vergonha de si mesmo que poderia morrer!

Mas sua fuga não acalmou seu coração, pelo contrário. Sentia-se um completo estúpido por estar preso à milhas de distância, e sua única vontade naquele momento era ver o rosto daquele maldito Uzumaki!

Por que diabos havia viajado? Secava as lágrimas que caíam copiosamente de seu rosto, o ar frio batendo no corpo quando a porta do estabelecimento foi aberta, deixando escapar um pouco do ar do aquecedor. Puxou um pouco mais a gola do casaco, que por sinal o deixava estonteante, a ponto das jovens suspirarem pelo estrangeiro de cabelos cor de fogo sentado sozinho, melancólico, enquanto apreciava sua sopa. Algumas delas até tentaram contato, mas ele as ignorou, fugiu dos olhares.

Apertou o celular, ansiando ouvir a voz de Menma, ansiando ver seu rosto. Várias mensagens haviam chegado sem parar desde a manhã, todas melosas, apaixonadas, indagando onde estava, se estava bem. Em partes, Gaara suspirava de prazer cada vez que o som de uma nova mensagem apitava. Mas por outro lado isso apenas o enchia de medo.

Porque Menma andava roubando sua atenção por completo, porque estava ocupando sua mente, seus desejos e sentimentos. Porque cada vez que pensava a longo prazo se pegava tolamente imaginando que o maldito Uzumaki estaria com ele.

E isso era inconcebível! Gaara não queria se apaixonar de novo, não depois de sofrer tanto, e ainda mais por um homem! Já possuía problemas demais, e definitivamente aquele não era seu interesse! Ainda mais embarcar em um novo romance depois de tudo que passara com...

Arregalou os olhos úmidos, assustado. Baixou o rosto para que os olhos se escondessem em meio à lã do cachecol comprido.

O sentimento que nutria por Matsuri, a paixão desoladora, a dor da saudade... Onde estava? Pra onde havia ido? Por mais que tentasse pensar nela, na falta que sentia, sua cabeça só se ocupava com uma pessoa.

Menma.

A noite de amor que partilharam, as palavras ditas ao seu ouvido, a voz entrecortada, a respiração falha, o sabor da pele salgada, aqueles olhos que invadiam sua alma...

Fungou, cheio de pesar, disfarçando o rosto molhado. Ergueu a tigela de sopa ao rosto, sorvendo um longo gole.

Era difícil encara a realidade, mas estava começando a gostar de verdade de Menma. Olhou para o lado, fitando emburrado os flocos de neve que caíam devagar, desejando que o sentimento estúpido em seu peito desaparecesse antes que tivesse tempo de crescer.

Não, melhor que isso: o faria desaparecer antes que tivesse chance de aumentar. Daria um ponto final em toda essa besteira!

–-

A saudade era quase insuportável, isso porque depois de tirar o estresse do ruivinho, violando-o sem compaixão sobre a mesa da cozinha na noite anterior, Menma foi expulso da casa dele, impedido de dormir abraçadinho como tanto queria.

Não fazia ideia de como aquela noite mexeu com o ruivo. Logo após do ato em si, Gaara correu ao chuveiro de seu quarto, nervoso, abraçado ao próprio corpo.

O que raios havia acabado de fazer??? Prometeu a si mesmo que se guardaria para uma pessoa especial! Sua primeira vez deveria ser com alguém que amasse de verdade, e não uma aventura sobre a mesa da cozinha!

Deveria ter sido... Com Matsuri, porque ainda não a esquecera, porque tinha esperanças que ela um dia voltasse para ele!

No que estava pensando ao traí-la com Menma?

Recostou a testa na parede de azulejo branco, deixando a água escorrer pelas costas nuas. Ainda sentia um ardor incômodo, e de sua entrada escorria o irritante líquido esbranquiçado do moreno.

Mas, estranhamente, seu coração batia muito mais forte que o normal. O desejo estranho e súbito de revê-lo, de estar ali com ele.

Já teria ido embora? Não ouvia som algum pela casa. Talvez agora que conseguiu o que queria ele tivesse tomado seu rumo. Provavelmente não se falariam mais no trabalho, agiriam como estranhos, e jamais mencionariam o que havia acontecido entre eles.

Lágrimas de pesar encheram os olhos verdes e escorreram pelo rosto molhado.

Não queria isso... Não queria mesmo!

A porta se abriu de uma vez e o pobre Sabaaku deu um sobressalto de puro susto. Menma veio caminhando completamente nu em direção ao chuveiro.

– Eu olhei a casa inteira e os outros banheiros estão trancados então é muita maldade sua me deixar esperando. Está frio sabia? – murmurou desgostoso quando entrou no chuveiro, esfregando os braços, empurrando o ruivo para o lado para pegar um pouco da água quente.

– SAIA JÁ DO MEU BANHEIRO!!!

– Eu preciso tomar banho também e não custa nada me deixar entrar com você – riu, mas então algo lhe chamou a atenção. Mesmo com o rosto molhado, percebeu que longos rastros escorriam dos olhos de Gaara, rastros esses que não pareciam água comum do chuveiro. Sem cerimônias ele segura em seu queixo, lambendo as bochechas, provando o sabor.

O ruivinho pronunciou algo indecifrável, de pura surpresa, mas Menma o encarou seriamente.

– Eu sabia – distinguia o gosto salgado em sua boca – Por que está chorando, Gaara?

Ele virou o rosto, irritado, lavando-o várias vezes.

–... Só nos seus sonhos que estou chorando, seu imbecil!

– Eu não pretendo ir embora. Não queria apenas uma noite e nem estava interessado somente no seu corpo, se é o que estava pensando – pousou as mãos nos ombros, sentindo o contorno dos músculos. O ruivo o olhou por sobre o ombro, parecendo surpreso.

Ele o havia lido tão facilmente.

– N... Não estava pensando nada disso! – desviou o olhar, emburrado. Menma riu e virou-o de frente, passando os braços ao redor da cintura, pousando as mãos sobre o traseiro fofinho. Os olhos verdes faiscaram de raiva, mas antes que fosse espancado ele beija os lábios do ruivo esquentado, um selinho doce e comedido. As forças para atacá-lo sumiram e as mãos de Gaara acabaram se detendo no peito largo e forte, percebendo que ele estava mesmo gelado. Sentiu um pouco de pena e, ainda dentro do beijo, puxou-o para debaixo da água quente, suas cabeças recebendo de bom grado o jato da ducha, enquanto se beijavam. Um sorriso de satisfação estampou os lábios do moreno.

Nunca se enganava, seu ruivinho era mesmo muito gentil.

– Agora vire e fique quietinho que preciso limpar você – sem cerimônias virou o ruivo contra o azulejo, empinando seu traseiro.

– O QUE ESTÁ FAZENDO COMIGO????

– Tenho que tirar direito de dentro de você ou vai acabar tendo dor de barriga, e me sinto mal porque gozei um monte – sem esperar respostas ele abre o botão rosado, deixando tudo escorrer de dentro do ruivo.

Argh maldito Uzumaki pervertido!!! Como era capaz de fazer uma obscenidade daquelas sem nem ao menos corar de vergonha???

– Eu mesmo faço isso!!! – chutou o moreno para longe, quase morrendo de tanta vergonha e passando a mão para trás, estando de frente para o moreno que só assistia extasiado. Moveu as mãos detrás de si, fazendo força para se livrar, vez ou outra empurrando um pouco de água para que esta tirasse os resquícios de dentro de si.

A água esbranquiçada logo se tornou incolor, sinal que estava enfim livre do asqueroso sêmen de Menma. Nunca se sentiu tão humilhado em toda a vida! Ensaboou-se depressa.

– Quer que eu lave suas costas?

– Quero que saia já da minha casa!!! – resmungou, terminando seu banho e saindo a passadas pesadas para fora do chuveiro, enrolando uma toalha em volta do peito, esta cobrindo todo o seu corpo e correu para longe. Menma apenas riu de lado, vendo-o se afastar.

Que ruivo teimoso e difícil! Mas isso o divertia como nunca. Lambeu os lábios, ainda sentindo o sabor doce dele.

– Está fazendo eu me apaixonar mais a cada segundo! – disse alto, rindo ao ouvir os resmungos dele ecoarem pela casa.

Riu consigo mesmo, abrindo os olhos, recordando que estava no hospital. As lembranças pareciam tão vívidas que se sentia imerso em um sonho interminável.

Como aquele ruivo era teimoso e difícil! E isso apenas fazia o Uzumaki se apaixonar ainda mais. A ansiedade de encontrá-lo pela manhã no trabalho foi enorme, acompanhada do desejo de ouvir sua voz, lembrar cada gemido descontrolado. Encarar os lindos orbes verdes contornados de preto, os mesmo que o olhavam com luxúria enquanto era violado... Menma levou as mãos ao próprio rosto se contorcendo com um ataque interno de fofura apenas por lembrar o quanto Gaara era perfeito e especial!

Mas, contrariando seu mais íntimo desejo, ao chegar ao trabalho naquela manhã descobriu que o ruivo embarcara numa viagem de negócios de última hora, ele estava fugindo! Aquele Sabaaku maldito estava apenas se divertindo às suas custas e brincando com seus sentimentos sinceros!

Tinham muito que conversar. Menma não desejava apenas o corpo do chefe, mas seu coração e seus sentimentos. E o faria entender isso muito bem. Estava apaixonado de verdade, queria iniciar o quanto antes um relacionamento sério com ele.

Suspirou, sentado em uma cadeira da lanchonete do hospital. A princípio pensou que o ruivo estaria de volta mais tarde, de maneira que não deixou seu humor ser afetado pelo caso. Mas nenhuma das mensagens que enviara havia sido respondida até então.

Naruto estava lá em cima no quarto visitando o irmão de Sasuke, o tal de Itachi. Menma não estava com muita vontade de visitar alguém em estado tão grave porque se compadecia fácil, e já estava entristecido o bastante. A euforia da noite anterior estava evaporando aos poucos. Esperou o dia inteiro pela volta de Gaara, mas ninguém sabia dizer quando ele voltaria ao país.

Olhou pela milésima vez a tela de seu celular, na esperança de haver recebido alguma mensagem.

Nada, nem um único sinal.

–... Você gosta mesmo de me provocar, não é Gaara? Quando voltar para cá esteja preparado! – murmurou para si mesmo, bebendo um gole imenso de refrigerante de cola. Apoiava a cabeça em uma das mãos, deixando a mente divagar.

E por falar em voltar, já fazia um bom tempo desde que Naruto havia subido. Ele havia dito que não demoraria. O que estava fazendo lá em cima?

Torceu o lábio apenas de imaginar a situação terrível que o irmão de Sasuke vinha enfrentando. Menma não conhecia os detalhes, mas sabia que algo estava acontecendo no clã Uchiha, algo que envolvia Itachi, e que colocava a segurança do primo em perigo.

Balançou a cabeça, afastando os pensamentos.

Gaara podia ter todos os defeitos do universo, mas que bom que não era um Uchiha!

O celular tocou, bem quando estava com a boca cheia de pão. Atendeu, mastigando.

– Oi Naru? – resmungou. Ouviu o outro respirar com dificuldade.

–... M... Menma!!! – chorava desesperado ao telefone, ofegando como se sentisse uma dor insuportável. O moreno se ergueu do assento na mesma hora.

– O que você tem? Está passando mal?

– Preciso que venha até o quarto... O mais depressa possível!

– Desse jeito você me assusta – retrucou enquanto passou a caminhar em direção ao elevador do hospital – Não me diga que aconteceu alguma coisa com Itachi?

– Vem depressa!!!

Ao ouvir a ligação desligando Menma ignorou o elevador e saiu a passadas apressadas pelas escadarias, subindo-as rapidamente.

Naruto não lhe pediria socorro a menos que fosse algo muito urgente!

–-

Tão logo Menma entrou no quarto foi puxado pelo loiro que, aos tropeços, trancou a porta, deslizando até o chão enquanto gemia de dor. O primo prontamente o acudiu.

– Ei, tudo bem? – baixou-se perto dele – O que você tem? Onde está doendo?– amparou-o, alisando suas costas.

–... N... Não é comigo que você tem que se preocupar!

– Claro que me preocupo com você e seu mini Sasuke! Se estiver com muita dor posso te carregar.

Mas, um som forte de tosse ecoou pelo quarto e Menma virou os olhos aterrorizados para o leito. Fitou como se fosse uma assombração a figura pálida e doente que tossia.

– AI MEU DEUS!!! NÃO ACREDITO QUE ELE ACORD...!!!!! — teve a boca rapidamente fechada pelo loiro, porque escandaloso do jeito que era seria capaz de alertar o andar inteiro!

– Quieto caramba!!! – o loiro falou baixinho – Ninguém pode saber que ele acordou!

Devagar o soltou, mas o pobre Uzumaki moreno ainda estava atônito demais. Era muita informação para processar tão depressa.

– C... Como isso aconteceu??? Quando ele acordou? – sussurrou ao loirinho.

– Depois te explico tudo. Precisamos tirar ele daqui! Agora!

– Como assim tirá-lo daqui? Você quer dizer fugir? Ficou doido, Naruto?

– Não temos outra escolha! Argh... — baixou-se, sentindo muita dor.

– Ei, trate de se acalmar – endireitou o corpo pequeno, sentando-o na cadeira ao lado do leito de Itachi. Olhou de um para o outro, meio aflito com sua situação.

Cuidar de um adulto doente já era difícil, quem dirá de dois!

– Olha eu não entendi muito bem, mas em se tratando dos Uchiha eu sempre espero pelo pior, então... Vou te ajudar, mas preciso que fique calmo.

Os olhinhos azuis se viraram como se agradecesse mentalmente milhares de vezes!

–... Em menos de meia hora acaba o horário de visita... Virão trocar a medicação dele por uma mais forte, talvez letal... Antes disso temos que tirá-lo do hospital, sem que ninguém veja.

O moreno não conseguiu entender perfeitamente, mas assentiu bem depressa.

– Esse quarto deve ter câmeras. Alguém já deve ter descoberto que ele acordou.

Naruto negou com a cabeça.

– As câmeras aqui não são vigiadas, confie em mim. Mas todo o circuito fora desse quarto o é, tirando alguns pontos cegos em que é impossível filmar. Eu conheço os caminhos de saída possíveis, mas inevitavelmente é preciso passar por locais em que as câmeras funcionam o tempo todo, para chegar aos pontos não filmados. Não sei como podemos tirá-lo do quarto sem que ninguém veja.

Menma mordeu o canto do lábio, pensativo. Seu coração estava acelerado, a adrenalina correndo em disparada pelo corpo.

Precisava pensar, e depressa!

Observou o corpo quase inerte do Uchiha. Carregá-lo estava fora de cogitação.

Dirigiu-se então ao armário localizado no alto, próximo à TV sempre desligada. Percebeu que havia mudas limpas de roupas, lençóis, sapatos e até mesmo uma cadeira de rodas dobrada.

– Beleza! – rapidamente puxou a cadeira, endireitando-a no chão – Por que há tantas roupas aqui?

– Sasuke as traz toda semana – dizia enquanto ajudava a puxar um longo casaco negro de frio, respirando devagar para não se alarmar – Ele diz que se o irmão acordasse gostaria de ter roupas limpas para vestir.

– Pois dê um grande beijo de agradecimento no seu namorado depois – riu de lado. O bom senso de Sasuke os salvara.

O loirinho rapidamente levou as roupas até o leito. Menma despiu sem reserva alguma o avental hospitalar sujo de sangue e remédio, deixando à mostra o corpo do moreno. Naruto corou e virou o olhar. De certa forma sentia-se mal vendo o irmão de Sasuke nu, eles eram tão parecidos...

Menma por sua vez estava concentrado, de maneira que não demorou admirando as curvas surreais daquele corpo majestoso, lindo e másculo. Apenas livrou-o da veste suja, vestindo uma calça de moletom macio e um longo casaco, puxando o zíper até o alto. Penteou brevemente os cabelos sedosos para ajudar a cobrir seu rosto e sobre eles, puxou o capuz do casaco.

– Desculpe aí Itachi, sei que não se sente muito bem – segurou o corpo grande e pesado do Uchiha entre seus braços. Fez sinal ao loirinho que logo entendeu, trazendo a cadeira de rodas. Acionou a trava e ia ajudar o primo, mas este o deteve.

– Você não pode fazer esforço – interveio, bufando enquanto o carregava, um dos braços entre as pernas, o outro nas costas do Uchiha. Assentou-o com cuidado, ouvindo o moreno gemer de dor em resposta.

– Ele não vai aguentar muito tempo assim. Temos de nos apressar.

O outro o olhava assustadíssimo. Menma segurou em seus ombros.

– Você conhece esses tais lugares não filmados, não é?

Assentiu nervoso, explicando ao primo cada um dos lugares, vendo o outro prestar muita atenção, vez ou outra desviando o olhar, como se pensasse seriamente. Em sua mente bolava uma rota de fuga segura.

–... Eu poderia carregá-lo pelas escadas de segurança. Não há câmeras lá.

O loirinho negou.

– No instante em que sairmos desse quarto seremos vistos, e você ficaria preso sozinho com Itachi lá, qualquer um pode encontrá-los e não haveria para onde fugir. Sem falar que tem seguranças na saída das escadas no térreo.

Menma praguejou, tentando encontrar outra solução.

Havia uma única chance, ainda que não gostasse muito dela, mas não tinha outra saída.

– Quero que me escute atentamente: eu vou criar uma distração. Assim que ouvir meu sinal você deve correr o mais depressa possível desse quarto rumo à saída, passando pelos lugares que descreveu, tente ao máximo não ser visto ou chamar atenção. Se as coisas ficarem sérias chame por mim que assumo a responsabilidade ou faça um escândalo e corra para o meu carro.

– Mas... Como eu vou saber qual é o seu sinal???

– Acredite você vai saber quando ouvir – riu de lado e o primo sentiu um pânico crescente.

Conhecia Menma o suficiente para saber que um plano vindo de sua cabeça significava encrenca!

–-

Deixou o quarto de Itachi, certificando-se de ouvir o clique da porta sendo trancada por dentro pelo loiro.

Precisava se apressar. Tinha menos de vinte minutos restantes...

Localizou e adentrou o banheiro masculino daquele andar. Era inegável que até mesmo o banheiro do hospital era muito bonito, bem iluminado e limpo. O hospital inteiro era de uma estrutura exemplar, belíssima. Teve certa pena pelo que faria a seguir, mas o sentimento logo o abandonou.

Correu o olhar dos mictórios para as cabines individuais. Localizou no teto os pequenos dispositivos contra incêndio e o lembrete exposto na parede.

“Este local possui detectores de fumaça. Por favor, não fume”

Um sorriso endiabrado estampou sua face. Sabia que banheiros não podiam ser filmados, era completamente ilegal, de modo que mesmo procurando não encontrou câmeras.

Retirou do bolso da calça um pequeno isqueiro que encontrou enquanto remexia os pertences de Itachi. Rapidamente entrou na primeira cabine, trancando a porta. Acendeu o isqueiro e ateou fogo na lixeira. Não demorou até que as chamas consumissem o papel e a fumaça começava a subir densa, invadindo o ar.

Escalou a parede da cabine do banheiro, tentando alcançar a porta com um impulso, e com algum esforço conseguiu chegar ao topo dela, saltando para o lado de fora. Depois incendiou as lixeiras de cada cabine, esperando até que o fogo crepitasse e ascendesse. Fechou as janelas de vidro do banheiro e a fumaça começou a se concentrar. Tossiu em resposta, mas apressou-se a deixar o banheiro, tentando parecer calmo como se nada estivesse acontecendo.

Olhou de relance ao redor, virando os olhos para as pessoas naquele corredor. Havia enfermeiros em alguns pontos, mas pareciam atentos ao que faziam, de certa forma distraídos, de modo que ninguém percebera absolutamente nada.

Excelente.

Menma disfarçou, dirigindo-se ao bebedouro, fingindo beber água. Na verdade tremia de ansiedade e nervosismo, olhando disfarçadamente a fumaça que começava a sair por debaixo da porta dos banheiros.

E então nesse instante um apito agudo soou junto do barulho de água jorrando.

O som estridente chamou atenção dos funcionários que, intrigados, correram até o local de onde vinha o som. Ao abrirem a porta do banheiro uma fumaça espessa se espalhou pelo corredor do hospital como uma densa neblina, cobrindo o que estava nos arredores. Os sprinklers do teto reagiram ao calor e fumaça provocados pelas chamas e despejavam água no interior do banheiro, provocando ainda mais fumaça com o ato de apagar o fogo e impedindo por completo a visão do interior do cômodo.

Os enfermeiros tossiam, alarmados, sem conseguir enxergar direito em meio à fumaça densa. Mas Menma não se deteve.

– TEM UM HOMEM PRESO NO BANHEIRO! A CABINE ESTÁ FECHADA, ALGUÉM ME AJUDE!!! – causou alarde e alvoroço e algumas pessoas que visitam seus parentes em alguns quartos da terapia intensiva saíram assustadas, tossindo ao se depararem com a fumaça que preenchia o corredor por inteiro.

O pânico se instalou de imediato. Gritos ecoaram pelo andar. Alguns dos enfermeiros tentaram pedir calma, pois a equipe contra incêndio logo chegaria, tentando impedir quem corria desesperado para se salvar do que acreditava ser um andar inteiro em chamas!

Os demais funcionários invadiram o banheiro onde diziam ter uma pessoa presa, percebendo uma porta trancada. Batiam e chutavam, chamando pelo homem, sem obter resposta. Suas roupas ficavam encharcadas com a água que jorrava incessante dos sprinklers como uma tempestade dentro do prédio.

Menma riu de lado, malicioso. Afastou-se sorrateiro da grande comoção que causara e disparou pelo corredor rumo à saída. Antes de descer visualizou uma caixinha de plástico junto à parede. Socou-a e apertou o botão vermelho do alarme de incêndio, fazendo uma sirene contínua e estridente ressoar. O caos foi ainda maior e só se ouviam gritos desesperados por todo lado.

“Desculpa aí pessoal, mas é uma emergência!” – pensava enquanto corria. Passou diante do quarto de Itachi, abrindo de relance a porta, encoberto pela fumaça. Enfiou a cabeça dentro do quarto e comemorou, tornando a trancá-la enquanto alcançava uma saída segura.

Naruto havia conseguido escapar com Itachi.

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No interior do quarto assim que ouviu uma sirene estridente e gritos pelo corredor, Naruto imaginou ser esse o sinal que Menma havia dito. Rapidamente abriu a porta, mas a fumaça invadiu o quarto e ele tossiu assustado.

Havia um caos imenso se formando no corredor, várias pessoas corriam aturdidas em direção às escadas de emergência. O loirinho não entendeu coisa alguma, mas aproveitou a distração e segurou com forças os apoios da cadeira de rodas, irrompendo a correr entre as demais pessoas, empurrando Itachi em direção às rampas de acesso. A fumaça tornava-se mais fraca conforme se aproximava da saída, mas ao menos encobrira sua saída do quarto. Talvez não tivesse sido flagrado pelas câmeras principais e não o notariam tão cedo. Isso lhe daria alguns minutos de vantagem!

Era mais do que poderia desejar!

Ao passo que saía da fumaça parou de correr, tentando parecer calmo para não levantar suspeitas. Podia ouvir o som de passos ecoando pelas escadas. Descia a rampa de acesso com o rosto baixo, sabendo que toda vez que fazia a curva desaparecia do alcance das câmeras.

Quase não podia acreditar na loucura do primo ao incendiar o hospital! Mas estava grato de verdade. Agora que se vira longe do quarto tiraria Itachi do hospital de qualquer jeito!

Mas a coragem começou a sumir quando dois médicos surgiram, subindo apressados pela rampa, em direção ao andar que diziam estar em chamas. O loiro praguejou baixinho. Tentava se manter calmo mas era tarefa quase impossível! Estava muito nervoso, muito alarmado.

Se o parassem, ou se reconhecessem Itachi tudo acabaria antes mesmo de começar!

Nunca os minutos se arrastaram tanto. Talvez por conta do desespero aquela rampa parecesse ter o dobro do tamanho real! Suas pernas tremiam enquanto avançava cabisbaixo, rezando aos céus para não ser barrado.

Um dos médicos estranhou o jovem, virando o rosto ao passar por eles. Curioso, o homem franziu a testa, fazendo sinal para o outro que logo entendeu.

– Ei você! – chamou a atenção de Naruto. O loiro teve vontade de correr em disparada, mas sabia que não teria chances. Prendeu o ar, juntando forças, tentando parar de tremer e parecer calmo, mas quando ergueu o rosto ao médico este estranhou de imediato a face vermelha, aparentemente sentindo muita dor e lágrimas escorrendo de seu rosto.

– Você está bem, rapaz? – fora pego de surpresa. Ao notar a mão do loiro sobre o ventre logo percebeu que ele estava grávido.

Naruto tentou pensar em alguma desculpa, mas o desespero estava provocando tanta dor que não organizava suas ideias. Os dentes bateram de tremor quando os homens se abaixaram, fazendo menção de tirar os cabelos negros da face de Itachi para descobrir de quem se tratava.

E então, como se trazido pelos céus, Menma desce correndo as rampas, quase saltando diante deles, quebrando o contato que mantinham com Itachi ao entrar em sua frente.

– Que bom que encontrei ajuda! O andar inteiro está pegando fogo e tem um homem preso no banheiro e está inconsciente!!! — causava mais um de seus alardes, roubando a atenção dos homens e puxando-os para acompanhá-lo ao andar de cima.

Naruto aproveitou-se disso e respirou fundo, descendo o mais depressa que podia a longa rampa, avançando com todas as forças que tinha sobrando em direção ao corredor de baixo, sem atender quando foi chamado.

– Espere! – um dos homens chamou-o, mas em pouco tempo o loirinho sumiu das vistas de ambos. Não tiveram tempo de argumentar ou segui-lo porque ouviram a balbúrdia do andar de cima e decidiram subir para ajudar.

Um suspiro de alívio escapou do moreno ao se perceber sozinho.

Era cedo demais para comemorar, o trajeto não seria nada fácil. Precisava ajudar o primo a escapar.

–-

As aulas do período haviam enfim terminado. Como de costume alguns de seus alunos insistiam em solicitar aulas extras, apenas para fazer uma nova e ficar algum tempo a mais com o amado professor. Sasori achava uma completa estupidez, afinal se solicitassem um novo exame teriam de pagar novamente! Mas nem isso impedia alguns alunos de sabotarem as próprias habilidades para ficar algum tempo mais perto do amado professor. Era estranho ver que havia pessoas realmente apaixonadas por ele.

Bem, não que se desse conta mas era uma pessoa cativante. A calmaria e gentileza se mesclavam tão extraordinariamente bem que o tornava irresistível. Apenas conversar com ele significava um prazer inigualável. Sasori era o tipo de pessoa que qualquer um desejaria ter ao lado para conversar ou fazer companhia.

Caminhava pelos corredores vazios levando consigo os simulados dos exames realizados, a serem corrigidos. Afrouxou o nó da gravata um pouco e guardou os óculos, esfregando os olhos cansados. Ao fitar o relógio de pulso pareceu desapontado.

Planejava visitar Itachi, mas o horário de visita havia acabado. Naquele dia em especial sentia mais saudade dele que o normal, o desejo de vê-lo era muito maior. Queria conversar, ainda que o esposo não o ouvisse. Apenas escutar sua respiração já seria o bastante para lhe confortar.

Seus passos ecoavam no corredor vazio do campus. A maioria dos alunos e professores já havia ido embora, e achava prudente fazer o mesmo. Assistiria um filme e comeria alguma bobagem cheia de calorias, era sua maneira de matar o tempo ocioso e tedioso. Foi o que pensou ao passar diante de um depósito utilizado para guardar equipamentos de esporte. Percebeu a sala entreaberta e achou por bem fechá-la antes de seguir seu caminho. Estava escura e vazia.

Mas então sem prévio aviso foi puxado para dentro dela e imprensado contra a parede. O susto roubou sua ação e quando ergueu os olhos para o alto seu estômago revirou em ânsia ao perceber o insistente e irritante ex namorado a segurar-lhe. Podia sentir o peito dele colado ao seu, a coxa enfiada entre suas pernas, de encontro ao membro adormecido.

Era difícil encará-lo na escuridão quase completa, rompida somente pela pouca luz que entrava pela porta entreaberta.

Nem quis conversar, sabia ser inútil. Afastou-o de si, socando impiedoso o peito largo, mas Pain segurou seu pescoço, com um pouco mais de força do que deveria, quase o sufocando. Sasori tossiu, tentando se soltar.

– Eu só quero conversar com você, Sasori. Não dificulte as coisas.

O pobre ruivo arfava, irritado e indefeso. Chutou a canela do mais alto que o soltou por instinto e aproveitou o deslize para tentar fugir, tomando impulso e se escorando contra a parede. Tentou correr, mas foi segurado com força, tossindo quando as costas bateram violentamente contra a parede fria.

– Vou fazê-lo meu novamente. Não posso viver sem você!

Há essa altura o ruivo respirava depressa, estava ficando assustado com aquela atitude grosseira. Mesmo que aquele homem o houvesse traído nunca agiu de forma tão violenta ou possessiva antes.

– Não existe mais nada entre nós, por favor entenda. Eu preciso seguir com a minha vida, você está me fazendo sofrer! – admitiu finalmente, fitando o outro com olhar ferido e magoado.

O alaranjado pareceu surpreso com isso.

– Só eu posso te fazer feliz, Sasori. Ninguém o conhece tão bem, ninguém é capaz de amá-lo como eu! – começou a beijar o pescoço pálido, marcando a pele sem se importar. Uma repulsa imediata tomou conta do ruivo que sentiu os olhos ardendo de raiva e frustração.

Estava farto!

Lutou com todas as forças, mas não conseguiu impedir os lábios de Pain imprensarem contra os seus. Tentou socá-lo e chutá-lo, mas ele o segurava com força. O beijo tornou-se muito violento, a ponto de sufocar e roubar todo o ar. Temeu ser asfixiado e sentiu desgostoso os lábios machucarem em contato aos dentes dele, fazendo-os sangrar, misturando sangue em meio ao beijo possessivo.

–... Pare! – tentava respirar em meio ao beijo terrível — Por favor! – mas o pedido lhe foi negado, a língua daquele homem se movia como uma asquerosa serpente em sua boca, invadindo-a sem permissão.

O ruivo respirava muito rápido, quase sem forças.

Não queria trair Itachi... O amava de verdade! Ele era o homem de sua vida, o único a quem queria beijar, tocar e se permitir ser tocado daquela forma! Um arrependimento longo e cruel invadiu seu peito.

E pensar que havia cogitado deitar-se com Pain... Se tivesse imaginado o quão terrível seria jamais se permitiria chegar tão longe! Nem mesmo a saudade e a excitação sobrepujariam seus sentimentos a ponto de esquecer o amor que carregava no peito. Nunca conseguiria ir até o fim com Pain, estava certo disso.

Virou o rosto, livrando-se do beijo, saindo do abraço apertado, fugindo em direção à porta. A mão que o segurou de volta era tão firme que as unhas arranharam sua pele do braço, formando vergões abertos e vermelhos.

Mas tudo mudou quando foi jogado ao chão, exclamando de dor. O corpo forte do outro subiu sobre si, aquelas mãos repulsivas tocando-o sem pudor.

“Alguém me ajude!” – pensou desesperado. No calor do momento a ira subiu a cabeça de Pain ao assistir seu antigo namorado esboçar tamanha resistência. A raiva cresceu em um ponto crítico, sobrepujando a razão. Desferiu sem piedade um tapa contra a face branca do ruivo. Este ficou zonzo, sentindo a cabeça latejar e a mente rodar por alguns segundos, aéreo com a violência do golpe.

Quando se deu conta do que fazia Pain pareceu odiar a si mesmo. Sentou-se sobre o corpo pequeno do homem que tanto amava, vendo a face avermelhar no local em que recebeu o golpe.

– Sasori... Meu amor eu não queria...

–... Saia de perto de mim ou vai se arrepender.

– Eu juro que eu não queria... Se você tivesse me escutado isso não teria acontecido! É sua culpa por não me dar atenção!

Foram interrompidos quando a porta foi aberta com um chute. A luz invadiu a sala de uma vez, revelando seu interior.

– Interrompo? – a voz de tédio de Deidara ressoou. Percorreu com os olhos o rosto assustado do estúpido amigo de infância para deter-se no maldito homem sobre ele, que segurava seus pulsos. Não era necessário ser um gênio para saber o que estava acontecendo.

– Só para você saber Pain: o prédio inteiro já sabe que você está no campus sem permissão, então acho melhor sair antes que eu tenha de prestar queixa. Por sinal eu posso ter exagerado um pouquinho quando contei isso ao reitor e posso, acidentalmente, ter dito que você é uma pessoa violenta e armada que veio molestar e agredir os professores – riu malicioso – Melhor ir embora antes que alguém te encontre aqui ou não vai conseguir explicar, cara.

O homem praguejou e se levantou mesmo a contragosto, fitando de relance uma última vez o ruivo largado no chão. Seguiu até a porta, fazendo menção de passar ao lado do loiro que impedia o caminho da saída. Quando passou ao lado de Deidara este segurou seu braço.

– Oh sim, eu quase me esqueci de algo muito importante!

Pain ainda virou-se a ele incógnito, mas recebeu um soco certeiro na face, com tanta força que perdeu o equilíbrio e caiu o chão. O som seco e alto ecoou tão forte que era nítido que o local do soco se tornaria uma mancha negra nas próximas horas. O olhar calmo e divertido do loiro tornou-se frio como uma tempestade incontrolável, afiado como gelo.

– Encoste a mão no Sasori de novo e não vai sair só com um olho roxo! Eu mesmo acabo com você seu covarde!

– B... Bastardo infeliz! – intentou levantar para iniciar uma briga, mas pode ouvir as vozes ao longe e praguejou, achando prudente sair antes que precisasse explicar qualquer coisa. Não era conveniente que o encontrassem ali.

– Não pense que vou esquecer! – vociferou por sobre os ombros.

– Venha quando quiser outra surra – devolveu, cheio de sarcasmo. Esperou Pain deixar a sala para então fechá-la por dentro e acender as luzes. Virou o rosto ao ruivo sentado encolhido no chão. Baixou-se diante dele, mas os fios ruivos encobriam seu rosto.

– Olha, eu deveria sentar aqui e passar umas três horas te dando sermão, Danna! Que droga pensa que estava fazendo sozinho com o Pain? Esqueceu o tipo de pessoa que ele é? Sorte sua eu tê-lo visto subindo as escadas e seguido vocês ou agora estaria realmente encrencado! Você tem que ser mais cuidados...

Mas não conseguiu concluir a frase ao olhar para ele. Sasori sempre trespassou confiança, serenidade, calma. Aparentemente era forte o bastante para resolver qualquer situação sozinho, para passar por cima dos próprios problemas sem que estes o afetassem.

E talvez por causa disso fosse tão insuportável a dor de vê-lo chorar.

Deidara estalou a língua, impaciente.

– Tsc... Você é um homem muito complicado, Sasori – desviou o olhar, e seu peito doeu ao ouvi-lo fungar baixinho, sem controle. Percebeu as mãos pálidas passando apressadas pelo rosto, na vã tentativa de deter as lágrimas quentes que escorriam sem controle.

O loiro mordeu o canto do lábio, incomodado. Sentou-se mais perto dele.

–... Anda, vem cá – puxou contra o peito o ruivo que não ofereceu resistência alguma, mole como uma boneca de trapos. Este se agarrou às costas largas, os dedos amassando os longos cabelos lisos dourados e macios. Chorou baixo, soluçando junto ao ombro dele, molhando o tecido.

–... Que merda você está fazendo com sua vida, hein? – resmungou, para em seguida passar a mão pelos cabelos de fogo – Por mais que seja um idiota completo, eu sempre vou te salvar das suas burrices, igual você fazia comigo, lembra? – percebeu-o se acalmar e parar de tremer e riu de lado — Estou feliz que esteja bem, Danna. Eu me odiaria se tivesse chegado um segundo sequer atrasado.

Sasori não disse nada, chorando abandonado, apertando o amigo contra si.

Ele tinha toda a razão do mundo. Andava agindo feito um completo idiota! E precisou chegar ao extremo para perceber isso.

– Vai dormir lá em casa hoje e fim de papo. E só para saber: eu não vou transar com você mesmo que me implore!

Recebeu um golpe em resposta e riu alto com isso.

–-

Não sabiam dizer como o alarde começou, mas alguém ateou fogo nas lixeiras, e este se espalhou tomando conta dos banheiros. Uma equipe treinada para situações como aquela logo alcançou o banheiro, arrombando a porta trancada e descobrindo que não havia ninguém preso ali.

Por que fariam algo assim? Não seria somente para causar alarde...

Dois dos enfermeiros daquela ala se entreolharam nervosos e cúmplices. Sabiam muito bem qual seria o possível alvo naquele andar.

–... Cheque esse andar inteiro, sobretudo o paciente do quarto 212. É imprescindível que ele não sofra um arranhão sequer.

– O tal Uchiha? – arqueou uma sobrancelha – Ele está não está em coma? É impossível que tenha saído sem ninguém perceber.

– Melhor ter certeza de que não foi um chamariz, para desviar nossa atenção. Não queira se meter com essa gente. Se algo acontecer ao Uchiha é o fim para nós – alertou.

O rapaz estremeceu e achou por bem verificar. Fez uma varredura rápida pelos quartos nas proximidades do ocorrido. Apressou o passo até o quarto de Itachi, girando a maçaneta e entrando devagar.

Estava escuro, todas as luzes estavam apagadas. Acedeu a luz principal, revelando o interior e uma expressão descrente assolou seu rosto de imediato. Quase não conseguiu se mover ou pensar.

A cama estava desfeita, os lençóis revirados, e o mais pavoroso: completamente vazia! O paciente não estava no quarto!

Ainda tomado de susto o rapaz vasculha o banheiro, na esperança que ele estivesse ali, mesmo que fosse impossível. Olhou embaixo do leito, no interior dos armários, mas o pânico cresceu ao se dar conta de que ele não estava em lugar algum.

Passou a mão pela testa, suando frio.

Como alguém havia levado um paciente em coma sem chamar atenção? Como o carregaram?

O incêndio! Provavelmente usaram isso como distração para raptar Itachi sem que ninguém os visse. Sendo assim não iriam muito longe. Ele estava sedado, dificilmente alguém o deslocaria depressa o bastante para tirá-lo do hospital sem chamar atenção.

Ao menos por enquanto era melhor ser discreto, não alertar ninguém sobre o ocorrido. Restava alguns minutos para o fim do horário de visitação. Usaria esse meio tempo para comunicar apenas às pessoas de confiança.

Se a direção do hospital soubesse do ocorrido seria um caos! Não queria nem pensar no que os Uchiha fariam se descobrissem que Itachi estava desaparecido!

Apressado, o rapaz deixa o quarto fechando bem a porta, para que ninguém mais visse seu interior. O companheiro de trabalho logo veio até ele, percebendo em sua expressão o óbvio.

– E então?

–... Nem sinal – sussurrou de volta — Creio que na confusão o tiraram de lá. Vou até a segurança verificar as imagens do circuito interno e avisar para bloquearem as saídas do hospital. Se Itachi deixar o prédio estaremos perdidos!

– Somente duas pessoas vieram visitá-lo hoje, um dos dois está com ele. Temos que encontrá-los antes que deixem o hospital!

–-

Menma caminhava a passos largos pelo corredor cheio de pacientes da ala de ortopedia. Baixou o rosto enquanto caminhava, para que não fosse reconhecido, procurando alguma saída segura.

Mas não havia por onde sair sem inspeções. De repente o hospital inteiro se converteu em uma zona de guerra e era simplesmente impossível entrar ou sair sem de identificar.

Apanhou o celular e rapidamente o colocou contra o ouvido.

Naruto sentiu vibrar o aparelho no bolso traseiro da calça. Olhou de um lado para outro, certificando-se que ninguém o ouviria. Disfarçava enquanto seguia pela área de atendimento emergencial. Era o caminho mais rápido até a saída e o menos óbvio caso quisesse se misturar à multidão. Para chegar aos corredores mais vazios era inevitável passar por ali, e sua aflição apenas aumentava.

O risco de ser pego era enorme!

Atendeu falando baixinho, segurando o celular entre o ombro e a orelha, sem parar de avançar e empurrar a cadeira. Parar estava fora de cogitação. A essa altura com certeza estavam procurando-o por todos os lados!

–... O que aconteceu? – sussurrou junto ao celular. Itachi balançava fracamente de um lado para outro, praticamente inconsciente. Vez ou outra precisava endireitar o tronco dele junto ao encosto da cadeira porque ameaçava tombar para frente, sem controle de si mesmo.

– Todas as saídas foram bloqueadas – olhava para os lados discretamente – Parece que a segurança já descobriu sobre Itachi e estão atrás de nós. Onde você está?

– Tentando alcançar o térreo, mas por todo lado tem gente da segurança... O que eu faço?

– Vou até você e trocamos de posto. Eu consigo carregar Itachi para fora.

– Não posso parar e esperar por você – percebeu que funcionários do hospital se aproximavam e baixou-se perto de Itachi, propositalmente impedindo a visão com seu corpo enquanto fingiu beijá-lo. Podia sentir o hálito quente do moreno bater em seu rosto e corou, mas o movimento fez os funcionários que se aproximavam desviarem o rosto, enojados com a cena, e seguirem seu caminho.

Ao se perceber sozinho o loiro endireitou o corpo, respirando depressa.

– Ei Naruto? Está me ouvindo?

– Estou, e não temos outra escolha. Se eu ficar muito tempo parado vão chegar facilmente até mim.

Menma praguejou.

–... Se algo acontecer me dê algum tipo de sinal. Vou pensar em alguma coisa.

O loiro assentiu, desligando a ligação. Estava tão afoito que mal sentia o próprio corpo tremer. Tocou de leve o ombro do cunhado.

– Aguente mais um pouco, Itachi. Já vamos te tirar daqui.

Se cruzasse todo o corredor chegaria até a recepção. Com um pouco de sorte conseguiria uma brecha para escapar. Faltava pouco.

Mas ouviu passadas duras e um falatório imenso que vinha da entrada do hospital. Distinguiu poucas palavras e logo compreendeu que se tratava de uma inspeção.

Diabos, já haviam se apoderado de cada canto do hospital?

E então para seu horror um homem apontou em sua direção.

– Você, fique parado aí agora mesmo!

Naruto sentiu a dor do pânico latejar em seu ventre. Olhou para os lados e todos os olhares se voltaram a ele. O homem correu em sua direção e, sem pensar duas vezes, prendeu o ar olhando depressa em várias direções e encontrou uma sala aberta. Entrou nela depressa, empurrando a cadeira que deslizava contra o chão, fechando a porta detrás de si e a trancando.

Respirava muito depressa, quase convulsionando. Ouvia as batidas exageradas contra a porta.

“O que eu faço???” – sentia as lágrimas escorrendo pelo rosto. Olhou ao redor daquele pequeno consultório, que a seu ver parecia ser usado para aplicação de injeções e soro, pois continha suportes e apoios.

Sua visão então se focou nos fundos da sala e exclamou de alívio ao perceber que continha uma porta extra! Apressado e aliviado ele a abre, espiando rapidamente. Percebeu-se sozinho no corredor e sem pensar duas vezes sai em disparada com Itachi pelo novo corredor, à procura de outra porta aberta. Encontrou um quarto escuro, mas cuja segunda porta também estava aberta e novamente passou pro ela, alternando para um novo corredor.

Isso lhe daria alguns segundos de vantagem, mas agora estava completamente perdido! Saíra da rota segura traçada por Suigetsu, não sabia quais daqueles pontos eram filmados ou não e não fazia ideia de para onde ficava a saída!

Mas não podia fraquejar logo agora, o melhor era seguir em frente pelo corredor estreito.

Teria de encontrar uma saída pelos fundos. Era a única chance de sair sem ser visto.

Uma mulher alta e rechonchuda saiu de uma das salas e encarou feio o pequeno loiro que tentou parecer calmo, lhe sorrindo como podia.

– O que está fazendo aqui? – perguntou ríspida. Ele engoliu bem forte, tentando disfarçar.

– Estou... Apenas levando meu esposo para dar uma volta. Sabe, distraí-lo.

A mulher virou desgostosa para o moreno inerte sentado na cadeira, era impossível ver seu rosto encoberto pelos cabelos longos.

– Onde o está levando?

– Err... Para os jardins! Mas acabei me perdendo, sabe me dizer em que direção fica? – estava nervoso, não podia perder tempo! A qualquer momento os guardas o alcançariam!

A mulher franziu bem a testa enorme.

– Não acha que está muito frio para levá-lo ao jardim?

– Ah sim, isso... Bem é que ele me pediu tanto... Sabe, ouvi dizer que sair um pouco do quarto faz bem e ele é tão bom comigo, nos amamos muito. Estou grávido! – fez menção da barriga enorme – Tem sido difícil para nós desde que ele contraiu uma doença e fica o tempo todo aqui preso, é tão bom quando nos vemos – pousou a mão no ombro ossudo – Eu o amo tanto que nem posso explicar! – disse convicto.

A mulher ficou um pouco balançada, vendo o ventre arredondado do loirinho. Achou a história dos dois muito triste e comovente.

– E o que ele tem?

– Ah ele... Eu não gosto de falar na frente dele, é muito sensível! De qualquer maneira quero lhe mostrar as árvores, nós nos conhecemos debaixo de uma árvore sabe? E foi lá que fui pedido em casamento!

A mulher desfez a carranca e exibiu uma expressão comovida, o loirinho agradeceu mentalmente por isso.

– Oh sim, entendo...

– Então moça, pode me dizer a direção do jardim? Prometo que não vou demorar.

– Precisa seguir até o fim e pegar a rampa para o corredor principal. Ainda está bem longe.

– Eu encontro. Obrigado! – despediu-se apressado, a passos largos, largando para trás a mulher cheia de empatia ao ver um casal jovem e supostamente apaixonado. Estando solteira há tanto tempo essas coisas a deixavam fragilizada. Seguia distraída pelo corredor quando um dos seguranças trombou nela violentamente.

– Viu um rapaz loiro passar pro aqui? Ele está levando um homem de cabelos negros em uma cadeira de rodas.

– Sim... Ele acaba de seguir aos jardins. Mas por quê tanto alarde?

O homem a empurrou, correndo pelo corredor.

– Ele está tentando fugir com um paciente! – avisou e a mulher sentiu-se tola e enganada.

Mas por sorte a comoção rendeu tempo extra ao loirinho. Como que enviado pelo universo, um enfermeiro cruzava o corredor que levava aos jardins, obrigando o loirinho a fazer uma nova rota por outra ala. Quem o perseguia fatalmente seguiu em direção aos jardins para flagrá-lo lá.

Enquanto isso o loirinho descia novas rampas, sem saber para onde ia. Estava cada vez mais se aproximando do térreo. As pontadas na barriga ficavam cada vez mais fortes.

Olhou de relance o corredor seguinte, mas este estava cheio de médicos! Intentou voltar pelo caminho por onde veio, mas percebeu que pessoas ligadas ao hospital se aproximavam, vasculhando as demais portas. Céus estava encurralado! Sua única opção foi seguir em frente. Seu corpo inteiro se retesou, quase se negando a caminhar quando avançou pelo corredor lotado de médicos, o medo de ser pego reverberando em cada parte do corpo, latejando seu ventre.

Pobre de seu bebê compartilhando tanto desespero!

Poucos segundos até encontrar uma nova porta, que para seu horror era um consultório onde havia uma médica verificando algo em seu computador. Balbuciou um pedido nervoso de desculpas tentando a porta seguinte, dessa vez vazia. Entrou por ela, passando pela porta no outro lado e deparou-se com um novo corredor, desta vez vazio!

Era sua chance e não podia desperdiçar. Começava a se sentir zonzo e sem ar, as vistas escurecendo.

Maldição, não estavam brincando quando disseram que a gravidez de um compatível é muito delicada. Ele cambaleava, perdendo as forças para empurrar a cadeira. Estava a um passo de desmaiar.

Não agora! Já havia avançado tanto, negava-se a desistir estando tão perto.

Sacudiu a cabeça, tentando se concentrar.

“Só mais um pouco. Itachi precisa de mim! Se eu o abandonar agora ele vai morrer” – pensava, dando-se forças.

Mas então para desespero total do loiro a porta de uma das salas se abriu, revelando um homem alto que o puxou para o interior do consultório, fazendo o mesmo com a cadeira onde estava Itachi, derrubando o moreno ao chão.

– Itachi!!! – gritou desesperado ao ver o rapaz largado no chão frio, mas logo congelou ao ter a boca fechada pela mão do homem alto, de face assustadora e cabelos escuros repicados.

– Nem mais um passo, Naruto Uzumaki – encurralou-o contra a parede. O pobre loiro arfava desesperado e acuado.

Havia sido pego. Maldição!

–-

A espera na recepção começava a lhe irritar. Isso porque os funcionários pareciam correr de um lado para outro, entreolhando-se perdidos.

Não gostou nada daquela reação, algo parecia estranho, fora do normal. Alguma coisa estava muito errada. O patriarca aguardava no veículo, como de costume. Nos dias em que “visitavam” Itachi era prudente não chamar muita atenção no hospital. Aguardavam o fim do horário de visitas para assegurar de que nem Sasuke nem Sasori estivessem no local.

Tanto Karin quanto Madara assistiam de perto todas as intervenções feitas nele, o efeito de cada medicação junto aos médicos. Era prudente ter certeza de que ele continuasse em seu sono profundo. Mas naquele dia em especial algo parecia estranho. A liberação para o quarto de Itachi não era feita de forma alguma.

A recepcionista voltou com o rosto pálido, e parecia muito nervosa, mas tentava bravamente disfarçar.

– Desculpe-nos senhorita Karin, mas não poderá ver o Sr. Uchiha agora. Ele está no centro cirúrgico neste exato momento.

A ruiva pareceu incrédula.

– No centro cirúrgico? E para que isso?

A mulher sorria nervosa.

– Para verificar o cérebro, senhorita. Um médico disponível já está descendo para falar diretamente sobre todos os detalhes.

– Nenhum procedimento pode ser feito nele sem entrarem em contato conosco primeiro!

– Sim, sabemos disso, mas foi uma emergência. Por favor, aguarde que logo lhe explicarão tudo com detalhes.

A ruiva exibiu um olhar irado e ameaçador.

Aquela história toda estava muito estranha.

Assentou-se na sala de espera do hospital, cruzando as pernas. Uma sensação incômoda se alojava dentro dela.

Era melhor relaxar e esquecer. Ninguém era louco o bastante para mentir naquele hospital, não para ela!

Olhava distraidamente em direção às escadas, vendo algumas pessoas descerem por ali. Demorou o olhar em uma mulher carregando com cuidado um bebê nos braços. Ele estava tão enrolado nos cobertores que mal dava para ver seu rostinho. Ao lado da mulher um homem alto a ajudava, exibindo-lhe um sorriso afetuoso enquanto conversavam animosamente.

Karin suspirou longamente, invejando aquele olhar.

Daria tudo para receber um olhar apaixonado como aquele de seu marido. Sasuke era sempre tão frio e cruel. Não importava o que a ruiva fizesse só servia para afastá-lo cada vez mais de si. Precisava se apressar e convencê-lo a ir pra cama com ela, para engravidar o quanto antes. Logo seu contrato terminaria e se não fizesse nada Sasuke a deixaria sozinha, sem o filho que tanto desejava, e se juntaria àquele loiro desprezível.

Para criar aquela criança asquerosa e imunda que Naruto esperava!

Olhava desgostosa as pessoas descendo e então, por um segundo, achou que seus olhos estivessem lhe pregando uma peça.

Um homem descia de cabeça baixa, esta coberta pelo capuz do casaco longo. Mas havia alguma coisa nele, algo muito familiar...

Intrigada a ruiva se levanta, indo até ele a passadas duras, desviando de algumas pessoas em meio ao caminho para não perdê-lo de vista. Viu que o homem andava apressado em direção à saída dos fundos. Seguiu-o rapidamente, era difícil acompanhar o ritmo e a cada passo dele a ruiva tinha de dar grandes passadas, mas isso não a impediu. Alcançou-o, segurando a barra de seu casaco.

Quando o estranho lhe virou o olhar ela ficou estática, petrificada, o horror estampado em seus olhos.

Menma não entendia quem era aquela maluca que o parara no meio nada e que o olhava como se fosse uma aberração.

– O que quer comigo? — questionou impaciente.

Mas ela não conseguia responder, tão pasma estava. Menma bufou de impaciência, soltando a mão de seu casaco e a deixando para trás enquanto avançava em direção à saída dos fundos onde um dos enfermeiros sob ordens de Suigetsu o aguardava, para darem continuidade ao importante plano.

Quando se viu sozinha a ruiva foi tomada de terror como nunca sentiu antes em toda a vida.

Era Naruto? Mas a voz, o jeito, a cor dos cabelos eram absolutamente diferentes!

A presença daquele homem misterioso no hospital e deixou fragilizada e insegura. Somado ao fato de, atipicamente, não poder visitar o cunhado Karin teve a certeza de que algo estava mesmo acontecendo.

Girou nos calcanhares e tornou à recepção, desta vez decidida a entrar de qualquer forma.

– Reitero que tenho o direito de visitar Itachi Uchiha! Esse hospital é propriedade de minha família, não se esqueça disso!

– Sabemos disso senhorita, mas o paciente está no meio de um procedimento delicado, devido a uma recaída – tentava prosseguir na desculpa arranjada pela equipe do hospital. Tentariam ganhar tempo até encontrar Itachi, ou o médico responsável por ele. Era certo que o moreno ainda não havia deixado o prédio. Todas as possíveis saídas naquele momento eram fortemente vigiadas, e havia até mesmo uma bonificação para quem encontrasse o primogênito Uchiha nas dependências do hospital.

Mas, antes que pudesse continuar em sua discussão a ruiva ficou completamente pasma, fitando a frente, correndo sem se importar com a mulher que a chamava desesperada, passando pelo guichê ao ver o médico responsável por Itachi passar por ali, desavisado, vestindo roupas normais do consultório. Foi até ele, segurando em sua gola.

– Se você está aqui, quem está lá com Itachi? Onde ele está??? – indagou nervosa, exigindo resposta.

Os funcionários que olhavam em volta praguejavam baixinho.

O homem estranhou.

–... Como “onde”? Ele é um paciente em coma, senhorita. Não pode sair do quarto.

Foi o bastante para Karin se desesperar. Sem prévio aviso ela corre pelas escadas, deixando para trás o homem que a chamava. Um sentimento desagradável se alojou nele e se pôs a segui-la, pedindo em alto som que se detivesse, incomodando quem estava no hospital, que deveria ser silencioso. Naquele dia em especial o hospital parecia uma grande confusão!

Seus temores se tornaram ainda maiores ao ver o caos em que se encontrava a unidade de terapia intensiva. O cheiro de fumaça e as marcas deixadas pelo pequeno incêndio dos banheiros eram nítidas, tingindo as portas e parte das paredes, assim como o chão que ainda estava molhado e marcado de pisadas.

Percebeu os passos dos que a seguiam se aproximar e correu pelo corredor. Tão logo chegou diante do quarto a ruiva teve certeza de que algo estava mesmo errado. Havia um segurança na porta.

– Exijo que saia da minha frente!

– Sinto muito senhorita, mas são ordens do hospital. Ninguém pode entrar.

– Nenhuma ordem é maior que a minha! Abra essa maldita porta ou estará desempregado hoje mesmo! – cuspiu as palavras, muito irritada. Ignorou o homem, passando por entre seus braços, abrindo a porta.

E então todo o mundo pareceu girar numa vertigem contínua e insuportável quando postou os olhos na cama vazia e desfeita.

Não... Não era possível, seus olhos estavam lhe pregando uma peça!

Caiu sentada, incrédula, a voz presa na glote. Um gemido fraco, como um uivo de dor escapou da garganta ao passo que seu rosto se tingia de vermelho. Lágrimas exageradas rolaram pela face quando a mulher explodiu em gritos descontrolados. Era como assistir o ataque de uma pessoa completamente desequilibrada.

O médico a alcançou e quando postou os olhos no leito vazio sentiu o sangue gelar nas veias.

Isso não podia estar acontecendo... Ninguém o avisara sobre isso! Onde estava Itachi Uchiha???

– O que está havendo aqui? Onde está o paciente??? – perguntou ao segurança que nada disse, preferindo o silêncio. Em cada canto daquele corredor havia funcionários apressados, nervosos e afoitos.

Karin mordeu forte, rangendo os dentes.

– MALDITO SEJA ITACHI UCHIHA!!! – volveu o olhar possesso ao médico – Ache-o e o traga de volta agora mesmo!!! Itachi não pode deixar esse hospital!!! Se ele escapar, nenhum de vocês estará impune, está me ouvindo???

Ele assentiu, temeroso. A família Uchiha, os parentes de Karin, todos juntos significavam um inimigo poderosos demais. Partiu em direção à administração, alarmado e exasperado.

A ruiva passava as mãos pelo rosto molhado, gemendo de angústia, sem conseguir se levantar do chão, presa a um choro convulso.

Itachi era sua única esperança de manter Sasuke ao seu lado. O maldito irmão mais velho exercia poder absoluto sobre Sasuke. Ela sempre conseguiu manipulá-lo com isso! Era seu grande trunfo, mantê-lo sedado era a garantia de uma vida ao lado de seu grande amor.

E agora apenas a ideia de perdê-lo significava a ruína de seus planos, perder Sasuke para sempre!

Isso nunca! Nunca!

–-

Lágrimas grossas escapavam dos olhos do loirinho que começou a respirar tão depressa que acabaria tendo um colapso em pouco tempo. O homem à sua frente o encarou firme, os olhos estufados como os de uma coruja.

– Vou te soltar agora, mas nem pense em gritar ou vai se arrepender está ouvindo?

Ele assentiu que sim, assustado. Teve a boca solta devagar e respirou por ela, o ar entrando e saindo rapidamente. O olhar vidrado sobre si o fazia ter calafrios.

Percebeu-o virar os olhos para o moreno semi desmaiado caído ao chão e o pânico se instalou. Ainda mais ao perceber ele se abaixar perigosamente ao lado do Uchiha, analisando-o de perto. Afastou as madeixas negras e pareceu muito surpreso ao visualizar o rosto pálido, o arfar pesado, a respiração dificultosa. Foi o suficiente para alarmar o coração já fragilizado do loirinho.

– Deixe ele em paz!!! – fez menção de ajudá-lo, mas somente conseguiu encurvar-se, cheio de dores e pontadas. O estranho desviou o olhar do Uchiha, caminhando até ele, mas o loirinho se arrastou pelo chão, para longe.

– Não toca em mim!!!

Mas para sua total surpresa foi erguido do chão e deitado na mesa de exames. Em seguida o homem baixou-se perto de Itachi, tomando o corpo dele nos braços e o erguendo, fazendo certo esforço, deitando-o em uma maca. Pôs-se a fazer um exame rápido. Abriu as pálpebras semi cerradas, depois a boca do Uchiha. Ao movê-lo percebeu que Itachi gemeu.

– Ele parece estar ferido, talvez alguma hemorragia interna. Não pode ficar muito tempo aqui, precisa de cuidados específicos – concluiu, endireitando o corpo do moreno que arfava junto à maca, incapaz de responder.

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Naruto estava atônito, sentado, segurando sua barriga enquanto respirava depressa.

–... Quem é você? – indagou confuso.

O homem se virou de uma vez, feito um zumbi e isso eriçou os pelos do Uzumaki.

– Sou Yamato. Suigetsu me deixou a par da situação e do plano de fuga. Pergunto-me o que te deu na cabeça para colocar tudo a perder logo hoje? Karin não vai demorar a chegar ao hospital junto de Madara para fazerem a inspeção usual, isso se já não chegaram! Quando perceberem que o rapaz sumiu será um grande alvoroço!

Um calafrio correu as costas do loiro apenas de pensar no clã Uchiha agindo no hospital. Mas algo lhe chamava a atenção, a ponto de ser superior ao medo.

– Espere, conhece Suigetsu? Então você é...

– Um dos funcionários infiltrados no hospital. Você tem sorte da informação sobre o despertar e possível rapto dele ter chegado a mim. Se tivesse avançado em direção ao jardim principal teria sido pego pela segurança. Ou pior ainda: pelos próprios Uchiha!

O pobre rapaz grávido suspirou de alívio. Graças aos céus era um aliado!

– Muito obrigado, eu não sei mais o que vou fazer.

– Por hora precisamos tirar Itachi daqui imediatamente. Ele precisa de um médico especializado. Como conseguiu acordá-lo?

– Não fiz nada, ele despertou sozinho há alguns minutos enquanto eu estava no quarto lhe fazendo uma visita. Conseguiu falar comigo, disse que ouviu quando disseram que trocariam a medicação, que isso poderia matá-lo e me pediu para tirá-lo daqui. Eu não podia largá-lo lá!

– Você é a pior opção, estando grávido. O que está fazendo é uma loucura se submetendo a uma dose tão alta de estresse! Pode perder a criança com isso!

– Itachi é tio do meu filho... Eu nunca o abandonaria aqui para morrer, precisava fazer alguma coisa!

Ao ouvir a frase, Yamato se calou.

– Todas as saídas estão bloqueadas e isso tende a piorar. Garanto-te que lugar algum nesse hospital será seguro quando Madara souber que seu neto desapareceu.

– E o que podemos fazer? Meu primo ainda está no hospital! Ele precisa ser avisado!

– Menma, não é? Não se preocupe com ele, vamos retirá-lo em segurança também – apanhou o celular do bolso, acionando um número gravado na memória.

– Antecipamos tudo para hoje. Estou te esperando em minha sala – disse somente, desligando — Temos pouco tempo, Naruto. Sei que está cansado, mas preciso de você para obter êxito.

O menor não sabia ao certo o que estava acontecendo, mas apenas assentiu bem depressa.

Em alguns minutos soaram batidas junto à porta e Yamato foi até ela.

– Pois não? – perguntou alto, ouvindo o som abafado que vinha do outro lado.

– Trouxe os exames que me pediu doutor.

Ao ouvir a voz abre a porta apressado e por ela entra um rapaz com face de tédio, dono de uma belíssima pele negra e cabelos esbranquiçados. Rolava um pirulito de um lado para outro na boca.

– Que conversa chata é essa de adiantar a coisa toda? Ninguém está preparado hoje, sabia? – resmungou, com voz de desgosto profundo.

– Itachi acordou, Omoi. Não temos tempo para esperar.

O rapaz ficou sério, a ponto de morder forte o cabo do pirulito em sua boca.

– Tá zoando...

Yamato apontou o leito onde o rapaz repousava. Omoi abriu a boca surpreso e quase deixou o pirulito cair ao chão.

– Cara isso é um desastre! – lamentou – Esquece, não conseguiremos tirá-lo daqui.

– Seja otimista ao menos uma vez, pois não temos muita escolha. Já sabe o que fazer.

Fez que sim, achando toda aquela história muito problemática. Caminhou até o Uchiha que se retorcia de dor sobre a maca. Analisou de improviso, examinando-o rapidamente.

– As pupilas estão dilatadas, e ele vai desmaiar a qualquer minuto.

Yamato fez um sinal impaciente.

– Aplique algo que minimize o efeito da droga, ao menos um pouco– volveu o olhar para o loirinho – Vou lhe dar algo para passar a dor.

Ele assentiu que sim e aceitou o comprimido sem fazer qualquer questionamento.

Duvidar ou confiar não fazia muita diferença naquele momento. Havia um clã inteiro o caçando para lhe matar naquele hospital.

Omoi injetou algo no braço de Itachi e o rapaz abriu a boca num grito mudo, os olhos arregalando. A substância parecia queimar.

– Está tudo bem com ele??? – Naruto quis logo saber, nervoso.

– Vai ficar. As medicações dele são fortes.

E então novas batidas soaram à porta, assustando o pobre grávido. A julgar pelos olhares trocados entre Yamato e Omoi era alguém a quem esperavam. Prevenido, o mais velho pára ao lado da porta, indagando quem era com a voz calma.

– Vim recolher o lixo, doutor.

Ao reconhecer o sinal Yamato lhe abre a porta.

Uma jovem ruiva alta, de seios arredondados e quadris largos adentrou. Ela vestia uniforme da equipe de limpeza e levava consigo um grande carrinho utilizado para recolher os resíduos hospitalares e levá-los ao local apropriado para descarte. Era dona de personalidade forte, sua pele era tão escura e lustrosa como o breu noturno. Resplandecia como se fosse tocada pela luz da lua. Era uma jovem estonteante.

Possuía uma feição irritadiça e de certa forma tão impaciente quanto à de Omoi.

– Andem com isso que não tenho o dia inteiro. Tem guardas por toda parte e o chefão já vai chegar.

Imediatamente ao se mencionar Madara, Yamato e Omoi tomaram o corpo mole e sedado de Itachi nos braços, erguendo-o e colocando-o sobre o fundo falso no interior do carrinho.

– O que farão com ele?

– Não apenas com ele, mas com você também – anunciou ao grávido que foi erguido a contragosto e deitado no apertado carrinho de roupas, de frente ao Uchiha.

– Não temos muito tempo. Karui levará vocês até o depósito de descarte de lixo hospitalar. É a única maneira de passarem despercebidos pela segurança ou nunca sairão daqui. Um tampo falso será colocado sobre vocês, vai ficar difícil respirar, mas precisam aguentar firme. Seu primo vai esperá-los do lado de fora.

Naruto assentiu extremante alarmado.

E pensar que àquela hora estaria em casa tranquilo em seu sofá, navegando na internet e esperando Sasuke voltar do trabalho para jantar junto de seus pais... Nem em sonhos passaria em sua cabeça viver tal tipo de pesadelo!

Que espécie de hospital era aquele em que não se permitia retirar um paciente, em que era necessário fugir com ele? Naruto podia não ser um entendido no assunto, mas sabia que a partir do momento que o próprio paciente alega não desejar permanecer no hospital nada pode obrigá-lo! Além disso, o responsável legal tem todo o direito de solicitar alta, desde que não haja risco de vida.

Para tomarem uma atitude tão extrema fugindo do hospital o loiro não tinha dúvidas de que não havia mesmo outra saída, que não importava o que fizesse jamais permitiriam que Itachi saísse dali. Itachi era a garantia dos Uchiha, o sacrifício para bem estar do clã, aquele que carregava o fardo de todos nas costas.

E pensar que ele já havia sofrido tanto...

O tampo falso foi colocado sobre suas cabeças e a tampa foi fechada. A escuridão era completa e o loirinho sentia as pernas entrelaçadas às do moreno que permanecia inerte.

As dores no ventre haviam cessado graças ao remédio que tomara, que parecia conter algum tipo de calmante. Mesmo alarmado, o desespero não lhe subia à cabeça, isso protegeria seu bebê ao menos por enquanto.

Karui se moveu para fora do consultório empurrando o pesado carrinho. Por sorte era uma mulher forte para tal tarefa, a aparência frágil era o disfarce perfeito.

Naruto sentia o balançar contínuo do carrinho, esbarrando os ombros nos lados do plástico. Era difícil respirar. O único ar que entrava vinha de um pequeno orifício na parte superior. Tentou se concentrar e não pensar muito na situação desoladora em que se encontrava.

Faltava pouco para se ver livre daquele tormento!

–-

Menma seguia uma mulher trajada como médica, uma das que o ajudavam a deixar o hospital. Ouvira brevemente a história toda e agora seguia por um caminho de certa forma seguro até o estacionamento. Vestia o uniforme de paramédico que lhe foi dado pela misteriosa mulher à sua frente.

Se caso gostasse de mulheres com certeza teria flertado com ela. Samui era uma mulher loira com seios enormes, que não pareciam caber no decote do jaleco branco e ameaçavam saltar para fora. Dona de um corpo escultural e pernas grossas, ela caminhava habilmente sobre saltos muito altos.

A jovem se deteve ao fim do corredor, já do lado de fora do hospital. O movimento abrupto fez o moreno esbarrar em suas costas e ela o olhou irritada, como se quisesse matá-lo. Fez um sinal para que ficasse quieto e ele assentiu impaciente enquanto a mulher vasculhava o caminho.

Alguns dos paramédicos conversavam ali, parados ao lado de uma ambulância, a única disponível no pátio naquele momento.

– Tsc! – a loira praguejou – Precisamos daquela ambulância!

– Posso tentar chamar a atenção deles – aproximou-se para tentar enxergar, mas a mulher achou que ele quisesse se aproveitar dela e puxou seu braço para trás do corpo, tapando a boca para ele não gritar.

Mulher doida!!! Era o quê? Uma lutadora profissional?

– Te aviso para não bancar o engraçadinho para cima de mim – sussurrou friamente junto ao ouvido de Menma, eriçando sua nuca.

– Ficou maluca? – indagou baixo quando ela o soltou – Sou um homem comprometido! – tentou se explicar.

A loira não lhe deu atenção, voltando a fitar à frente. Menma agradeceu que não gostasse de mulheres, elas eram muito complicadas!

Samui bateu os dentes da frente, pensativa.

– Vou nocautear os dois e você segue para o veículo.

– Você o quê??? Ei! – não teve tempo de pensar quando Samui disparou a correr pelo pátio como uma flecha em direção aos dois homens que, distraídos, viraram o rosto para ela imaginando o que seria. Um dos homens foi recebido por uma voadora na testa.

– Mas o que é isso, um filme da Yakuza??? – Menma quase não conseguia acreditar na mulher exageradamente forte que lutava contra os dois homens ao mesmo tempo, aplicando uma série de golpes, deixando-os transtornados.

Samui segurava a cabeça de um deles numa chave de braço, o outro caído desacordado ao chão.

– Vai de uma vez sua lesma! – fez sinal ao moreno que até então estava tão pasmo que não conseguia se mexer. Correu até o veículo de portas abertas, a chave no contato. Sorriu contente, mas ouviu o grito de Samui e quando virou, sentiu algo pontudo encravar em seu ombro.

Havia um terceiro homem, e este esfaqueou seu ombro.

Assustado e alarmado, o instinto subiu-lhe à cabeça e Menma pôs-se a lutar contra ele. Recebeu socos e golpes, mas estava possesso de tanta raiva, de maneira que, quanto mais nervoso ficava, mais a força crescia.

Ser capturado ali e por todo o plano a perder? Ou pior: ser morto e nunca poder rever Gaara para exigir explicações sobre a viagem repentina?

Jamais!

A faca foi puxada de seu ombro fazendo o sangue jorrar. Exclamou de dor e desviou rapidamente de um novo golpe. Seus braços, mãos e rosto ficaram cheios de cortes mas, irritado, segura a nuca do homem e choca a testa à dele com o máximo de força que conseguiu. Um som alto ecoou quando o enfermeiro desviou, aturdido pelo golpe. Ainda zonzo Menma o segura e lhe aplica um chute certeiro na boca do estômago. O homem cai ao chão, desacordado.

Ainda respirando depressa sobe na pequena van e dá a partida, desligando a sirene e partindo apressado para o local combinado. O ombro doía horrivelmente e uma cascata de sangue tingia o uniforme, escorrendo livremente da carne rasgada.

Se foram capazes de fazer tanto estrago nele quem dirá no primo grávido! Não sabia o que estava acontecendo, mas era certo que fariam o que fosse preciso para evitar que Itachi deixasse o hospital.

– Aguenta firme, Naruto... – dizia a si mesmo, preocupado.

–-

Karui cruzava os corredores empurrando consigo o carrinho de limpeza. Quando alguém a solicitava para esvaziar os latões ela resmungava mal-humorada que já estava cheio até a boca, intimidando quem lhe pedisse. Não que fosse um comportamento estranho, ela sempre agiu assim desde que começou a trabalhar no hospital a pedido de Suigetsu, então não levantava suspeita alguma.

Sua real preocupação naquele momento era levar em segurança o loiro e o rapaz debilitado que estavam no fundo do carrinho.

Seguia pelo corredor a passos largos, ignorando quem a chamava, dispensando conversas. Uma correria insuportável dificultava se locomover pelo espaço amplo, que se tornara estreito e cheio de gente indagando sem parar o que estava acontecendo.

Quando avistou homens da segurança à frente tentou disfarçar o desagrado, seguindo normalmente em seu caminho.

Mas soltou um muxoxo ao perceber que eles bloqueavam o caminho, impedindo-a de passar.

Inferno!

– Precisamos verificar o conteúdo desse carrinho e revistá-la – um homem imenso como um muro cuspiu as palavras grosseiramente, o que não intimidou em nada a jovem.

– É lixo hospitalar, altamente infeccioso! – recusou. Se acaso estivesse mesmo levando lixo hospitalar consigo suas palavras seriam verdadeiras. Mas no momento apenas carregava os dois fugitivos em um carrinho nunca usado antes, limpo e higienizado. Sobre eles um tampo falso com resíduos forjados para parecem o lixo habitual.

– Temos ordens para não deixar ninguém sair sem uma revista – retrucou, mau humorado – Agora abra, ou o faremos à força.

– E eu tenho ordens para não abrir a menos que esteja em local de descarte. Estamos no meio da ala médica, os vírus podem infectar os pacientes!

Mas sequer foi ouvida. Acharam aquela história toda muito estranha e, impaciente, o homem abre a tampa.

Deparou-se com lixo hospitalar espalhado. Seringas, pedaços de gaze usada, resquícios do que parecia sangue.

– Pode me deixar terminar meu trabalho, agora? – Karui ia fechar a tampa, mas foi impedida.

– Não acha que esse carrinho está pesado demais estando cheio apenas com embalagens?

Naruto quase parou de respirar de tão assustado no interior silencioso e escuro do carrinho. Engoliu o ar em várias arfadas, como tolamente dizem que grávidas devem respirar, apenas para conter o nervosismo.

Se acalme, se acalme!

Mas seu desespero foi maior ao sentir as pernas de Itachi se remexerem às suas. O som fraco de engasgo soou e o loiro nem acreditou. O universo só poderia estar brincando com ele.

Se o Uchiha tossisse seria seu fim!

Tapou-lhe a boca com força, percebendo que o próprio Itachi convulsionava a garganta, a todo custo se impedindo de tossir. Um som baixo alcançou os guardas, assim como Karui que achou melhor intervir.

– Se quiser enfiar sua mão aí para ver fique à vontade, mas te aviso que vai pegar alguma doença séria. Tem carne humana retirada das salas de cirurgia no fundo, a maioria gordura bem amarelada. Mas se insiste tanto em ver posso mostrar a vocês – disse, já ajeitando as luvas melhor. Fazendo menção de procurar no fundo, reproduzindo uma falsa expressão de asco.

Foi impedida por um gesto brusco.

– Apenas suma de minha frente e não me faça perder mais tempo! – topou o ombro violentamente com ela quando seguiu seu caminho, para avaliar uma mocinha que transitava com um carrinho de roupas sujas.

Karui inspirou profundamente e seguiu seu trajeto rumo à saída, exibindo a mesma feição calma de costume, mas estava muito tensa.

O tempo estava se esgotando!

–-

O olhar sempre frio e calculista se transformou em instantes em surpresa total.

– ISSO É IMPOSSÍVEL! – vociferou, fora de si tamanho o ódio que crescia dentro dele. Foi acudido prontamente pelo filho.

– Por favor patriarca, o senhor não pode passar nervoso, lembre-se de sua saúde...

– Cale a boca, Fugaku!!! E lembre-se que o principal responsável pela desgraça do clã Uchiha é justamente você, seguido de seus malditos filhos!

O mais novo assentiu, de cabeça baixa para o pai. Madara estava possesso, furioso.

Itachi era mantido muito bem vigiado, como era possível que houvesse escapado?

Mirava a jovem ruiva que fungava ao lado do veículo.

– Quem lhe repassou essa informação, Karin?

– Eu mesma vi com meus próprios olhos o leito vazio! – explodiu, a voz alta chamando atenção de quem estava por perto – Vi as imagens das câmeras de segurança! Alguém deixou o andar de terapia intensiva com um rapaz em uma cadeira de rodas! Só pode ser Itachi!

O patriarca contraiu o maxilar. Volveu os olhos sobre o vidro aberto do veículo, observando quem se aproximava. O homem de confiança veio até ele, encurvando a cabeça em uma vênia breve.

– Apenas duas pessoas o visitaram hoje – Obito coçou atrás da cabeça, esboçando o que parecia uma expressão de “Eu avisei!” – Naruto e seu primo Menma Uzumaki. Até quando vai deixar essa peste lhe causar problemas, patriarca? Entende agora porque eu disse que era mais prudente tê-lo matado aquela noite?

Não que o próprio Madara não houvesse cogitado a hipótese milhares de vezes, mas na situação em que se encontravam era algo fora de questão. Mas as coisas se tornaram diferentes no instante em que aquele maldito garoto loiro meteu-se em assuntos que não lhe cabiam. No instante em que se envolveu com Itachi, arruinando os planos dos Uchiha, Naruto conseguiu o pior inimigo que alguém poderia ter em vida.

Os olhos negros do homem velho se tornaram vermelhos como sangue, imersos em fúria.

–... Não me importa mais o que Sasuke fará, em todo caso estamos encurralados. Peça aos agentes de trânsito e à polícia que rastreiem todas as ruas próximas. Anuncie nos terminais rodoviários e transporte coletivo. Ofereça uma recompensa generosa a quem encontrar Naruto Uzumaki!

– E suposto que eu o encontre primeiro? – virou o rosto para o lado – O que deveria fazer?

Os olhos vermelhos se estreitaram.

– Mate-o! E certifique-se de me trazer Itachi de volta a qualquer custo!

–-

A tampa foi aberta e o ar surgiu em seu rosto. Estava muito grato por se ver livre daquele cubículo apertado e abafado.

– Depressa! – a negra olhava para todos os lados – Estão monitorando tudo, é preciso ter muito cuidado!

Naruto assentiu e foi ajudado a sair. Percebeu-se no depósito de lixo do hospital. Podia ver ao longe o jardim e as grades que cercavam o prédio do hospital. Estava muito próximo da saída, enfim! Quase não conseguia acreditar que depois de tanto tempo, de tantos problemas, enfim salvaria Itachi!

Ajudou a retirar o moreno inerte de dentro do carrinho. Dobrada no fundo dele estava uma cadeira de rodas que foi logo montada pela jovem. Com algum esforço conseguiram sentá-lo, sua cabeça pendia para frente. A essa altura Naruto teve a certeza de que ele estava desmaiado. Seu maior temor era o de que ele pudesse cair novamente naquele sono profundo e não tornasse a despertar.

– Não posso te levar além daqui ou levantaria suspeitas, mas vou fazer o possível para te encobrir. Siga pelo depósito até a saída, ela não está sendo vigiada agora.

Naruto assentiu.

– Muito obrigado! – segurou na base da cadeira e a se pôs a empurrá-la em direção à saída dos fundos do hospital. O vento gelado bateu em sua face, castigando-o. Uma garoa fria descia do céu, impedindo-o de enxergar direito. Podia ver ao longe o portão pequeno entreaberto e seu coração quase parou de bater de tanto nervoso. Há essa altura não se concentrava em outra coisa, não sentiu os pés molhados, as dores, a ânsia em sua garganta, apenas corria, pedindo aos céus que cuidassem dele, de seu bebê e o do moreno desacordado. O espaço vazio e aberto lhe dava uma sensação horrível de insegurança, como se qualquer pessoa pudesse aparecer de repente e capturá-lo. A distância se multiplicava com o nervosismo e o trajeto aparentava muito mais distante que o normal. Estava tão nervoso, tão afoito, tão desesperado!

Faltava tão pouco!

Alcançou o portão pequeno, empurrando-o com ambas as mãos. A liberdade lhe pareceu sublime e sentiu vontade de chorar ao ver a rua deserta. Deu a volta para levar Itachi consigo.

Mas um calafrio subiu-lhe pela espinha.

Um homem alto e pálido saiu do portão detrás de si, parecia havê-lo seguido desde o interior do depósito de lixo. Ele possuía olhos e cabelos muito negros, destacados na pele apática. Para total pesadelo do loiro, que já estava no limite de suas forças, percebeu o óbvio.

Era um Uchiha.

Não o reconhecia, nem sequer ouvira falar dele. Parecia muito jovem, talvez com a mesma idade que Itachi. Possuía riscas debaixo dos olhos, dando-lhe a aparência mais madura e seus cabelos eram muitos curtos. Seu nariz era arredondado, mais parecido com um ocidental.

Desviou os olhos de um para outro, demorando-se no moreno desmaiado na cadeira de rodas, parecendo analisá-lo bem.

Por longos minutos ninguém disse nada. Naruto estava tão assustado que nem conseguia falar, apenas tremia, atento a cada movimento do rapaz diante de si.

Teve tanto medo que nem saberia explicar. Era o pior dia de sua vida, o misto de emoções estava acabando com sua sanidade. Estava a um ponto de desistir de tudo. Se fosse atacado ali, no meio do nada, não encontraria forças para resistir.

E então o loirinho foi completamente desarmado quando o jovem Uchiha virou-lhe as costas, sem dizer ou perguntar nada e fechou o portão detrás de si, deixando um Naruto confuso e incógnito sozinho no meio da rua. Ele piscou várias vezes, ainda sem acreditar, sem entender coisa alguma do que havia acontecido.

Despertou de seu torpor ao ouvir o som de um veículo se aproximando. Teria corrido se não estivesse tão incrédulo ao perceber quem estava junto ao volante.

Menma sorria sapeca quando estacionou a ambulância ao lado do loiro.

– Entra depressa! – quase empurrou o loirinho para a cabine traseira e Naruto desabou a chorar, pela primeira vez se sentindo seguro em tanto tempo. Segurava o braço do primo com tanta força que marcava a pele. O moreno nada disse, sabia que ele havia passado por maus bocados. Sentou-o no assento ao lado do local em que se prende a maca e com a rapidez de um felino carregou Itachi consigo, deitando-o no espaço previamente preparado, amarrando as fivelas desajeitadamente.

– Se segura porque vamos correr bastante! – aconselhou o loiro enquanto desdobrava com pressa e enfiava a cadeira de rodas num canto da van.

Naruto não conseguiu responder. Soltou uma longa exclamação, abraçando a si mesmo e se pondo a chorar desesperado.

– Ei... – ainda atento ao redor Menma passou a mão pelos cabelos loiros – Vai ficar tudo bem, Naru. O pior já passou.

– Nunca senti tanto medo na minha vida!

– Mas você foi excelente. Está vendo? – fez menção ao Uchiha adormecido sobre a maca – Graças a você Itachi ainda está vivo. Se não estivesse lá no momento que ele acordou, se não tivesse sido tão corajoso o trazendo para fora teríamos o perdido para sempre. Você é um herói, Naruto!

O loirinho fungou, passando a manga da blusa contra o rosto, tentando se acalmar.

– Não escapamos ainda. Precisamos de um lugar seguro!

Menma assentiu, sorrindo confiante. A presença dele de certa forma acalmava o menor, mas este arregalou os olhos ao perceber o braço tingido de sangue do primo.

– Menma, você está ferido!

– Depois nos preocupamos comigo, ok?

Trancou bem as portas da cabine e deu a volta no veículo, se jogando no assento do motorista, disparando pela rua vazia em alta velocidade, obviamente sem acionar a sirene.

Trancado na cabine o pequeno grávido fungou, aliviado, segurando nos apoios do teto. Nem acreditava que havia saído do hospital.

Ergueu o rosto para a janelinha de tela que separava os bancos da cabine.

– Como, por Deus, você conseguiu uma ambulância?

– Uma mulher desmiolada chamada Samui me ajudou a consegui-la. O tal Omoi me disse que nos rastreariam facilmente, então ele mesmo saiu dirigindo meu carro em direção oposta a que estamos seguindo, para nos dar tempo de fugir.

– E para onde estamos indo?

– Itachi precisa de um médico, e não podemos nos dar ao luxo de levá-lo a qualquer hospital agora, ele seria reconhecido no instante em que der entrada e saberiam nossa localização. Além disso, parece que estão vigiando o seu apartamento, o de Sasuke e até mesmo minha casa e a de Sasori.

O menor mordeu a ponta do dedo, nervoso.

– Então não temos para onde correr!

– Engano seu. Ainda tem um lugar onde podemos encontrar abrigo e um médico ao mesmo tempo – sorriu travesso, encarando o primo pelo retrovisor. Naruto pareceu não entender, pensando por longos instantes, afinal sua mente estava tão cansada que demorava mais que o normal para processar a informação. Quando percebeu do que se tratava exclamou surpreso.

Como não havia pensado nisso antes?

–-

Sasuke suspirou quando se viu livre da tediosa e longa reunião corporativa. Saía da sala de conferência e dirigiu-se de imediato à mesa de sua secretária.

Mal conseguiu se concentrar no trabalho. Estava muito ansioso com todo o plano arquitetado para salvar seu irmão, quer seria executado no dia seguinte.

– Recebeu alguma ligação de Naruto? – baixou-se perto da jovem que corou com a proximidade.

– Não senhor. Deixei anotado os telefones de médicos de plantão como o senhor me pediu e estava pronta a atender qualquer emergência, mas não recebi nenhum contato dele. Seu advogado pediu que entrasse em contato assim que a reunião tivesse acabado.

O moreno assentiu, seguindo para sua sala. Olhou de relance o celular, percebendo que não havia ligação ou mensagem.

Estranho. Naruto havia ido visitar seu irmão há horas, e normalmente já teria entrado em contato. Discou o número de seu celular, mas a ligação tocou várias vezes até cair na caixa postal.

Sasuke pareceu incomodado, rapidamente ligando para Suigetsu. A voz do cinzento parecia mais alta e rápida que o normal.

– O que está havendo, Suigetsu? Sabe onde Naruto está?

– Está bem e seguro, se dirigindo para o endereço que vou te passar agora mesmo. Sugiro que respire fundo e vá se encontrar com ele. Sua querida família está rondando cada canto da cidade procurando-o sem parar.

O olhar dele se estreitou.

– Estão perseguindo Naruto?

– Tivemos... Complicações hoje durante a visita no hospital. Naruto está muito alarmado e precisa de você – usou o loiro como desculpa, sabendo que atrairia a atenção dele – Tenho pessoas fazendo uma escolta segura para garantir que ele chegue bem a esse local, que por sinal não é de conhecimento dos Uchiha.

– E para que isso? Por que não o deixou ir para casa?

– Não há um só lugar que não esteja sendo vigiado. Para sua segurança é melhor que passe a noite por lá também.

– Isso significa a ruína de todo o plano para tirarmos Itachi do hospital! – quase desabou, sem forças.

Quando se permitiu sonhar a realidade lhe bate à porta novamente, roubando-lhe a paz.

– Engana-se Sasukito. Tudo está indo muito bem – riu travesso – Vá depressa até onde Naruto está e ele mesmo vai te explicar tudo. Garanto que você vai ficar bem feliz depois de ouvir a história toda.

O Uchiha não entendeu coisa alguma, mas assentiu, convencido.

–... Tente deixá-lo calmo até eu chegar. Dirijo-me até esse local o mais depressa que puder.

–-

– Vovó!!! – chorava desesperado enquanto chamava a mulher no portão, aflito. Já a havia avisado por celular, de modo que a loira veio a passadas rápidas acudir aquele grávido desesperado. Tsunade franziu bem a testa ao vê-lo.

– O que aconteceu com você? Por que está chorando assim? – abriu o portão e deparou-se com a ambulância parada diante do portão, bem como Menma, que estava ferido, mas ainda assim carregava consigo Itachi, completamente desacordado.

A mulher quase teve um colapso.

– Mas o que está acontecendo aqui??? – fez sinal para entrarem.

– Eu não posso explicar bem agora, mas preciso muito de sua ajuda! Meu cunhado está muito mal, e não posso confiar em hospital algum! Sei que já se aposentou vovó, mas eu não tenho a quem recorrer!

Tsunade virou os olhos para o rapaz pálido nos braços de Menma.

– Pode me explicar tudo enquanto o examino. Você aí traga-o para dentro.

Menma assentiu, carregando o Uchiha no colo, com certa dificuldade estando ferido no ombro.

A prioridade agora era cuidar de Itachi, aquele jovem não parecia nada bem, foi o que Tsunade concluiu apenas ao olhar para ele assim que o deitaram na cama no quarto de hóspedes. Embora não exercesse a profissão de médica há algum tempo, era possível compreender que ele estava muito dopado, e precisando de cuidados adequados. Isso sem contar, é claro, o neto grávido e cheio de dores e o primo desmiolado que parece ter machucado sério e profundo no ombro.

Havia muito trabalho a ser feito.

–-

Quando abriu os olhos, não soube explicar o que estava acontecendo. Sua cabeça não raciocinava direito e parecia muito perdido, quase transtornado. Sabia estar sob o efeito de medicação porque o teto de madeira parecia girar como uma espiral.

Mas sentiu-se imensamente grato de não reconhecer o teto branco que muitas vezes via ao acordar.

Olhou de relance para o lado, percebendo um jovem moreno. Este pareceu despertar de uma espécie de transe e lhe sorriu.

– Finalmente você acordou – sorriu ao mais velho – Como se sente?

Itachi piscou algumas vezes, meio aéreo.

–... Na... Ruto?

– Não, eu sou Menma, primo dele. Somos idênticos não é? – riu apertado, feito uma raposa – Naruto está sendo tratado pela Tsunade agora, ela é avó dele. Bem, não avó de sangue, é mais de consideração sabe? Ela cuidou de você e me fez esse curativo, mas tínhamos medo que você não acordasse mais e...

Itachi piscou, sem conseguir acompanhar o ritmo acelerado do moreno que falava pelos cotovelos. Vez ou outra conseguiu distinguir algumas palavras chave como “Sasuke está vindo para cá” ou “Seu marido vai morrer de tanta felicidade quando souber!”

O coração do moreno disparou. Largou a cabeça no travesseiro, fitando o teto.

Então Sasori era seu esposo! Quando se casaram? Como o havia conhecido? Por mais que tentasse se lembrar as imagens perdiam o foco em sua cabeça e a sentiu latejar, resmungando de dor, levando a mão trêmula à têmpora.

– Ah foi mal, você ainda não está muito bem, não é? Quer alguma coisa?

Ele entreabriu os olhos e encarou o moreno ao seu lado. Um sorriso leve estampou seu rosto quando agitou de leve a cabeça em negativa, a ponto de fazer o Uzumaki corar.

Ainda bem que já estava apaixonado por Gaara e que o homem diante de si era casado, porque era lindo demais! A beleza de Itachi era algo tão surreal que parecia fruto de manipulação digital na capa de uma revista. Era difícil acreditar que existisse alguém tão bonito assim.

Digno do primogênito e herdeiro dos Uchiha. Ele conseguia ser ainda mais estonteante que Sasuke. Imagine então quando não aparentasse estar tão doente! Sasori não era nada bobo!

Enquanto isso no outro quarto, Naruto arfava, deitado sobre os lençóis.

– Não me admira que esteja com febre – a mulher parecia prestes a lhe disparar todo tipo de xingamento – O que te deu na cabeça para fugir com Itachi do hospital, menino? Ficou maluco? – aplicava com cuidado uma dose de medicação na veia do neto, esperando que esta fizesse as dores cessarem.

–... Eu não podia deixá-lo lá... Os médicos queriam matar Itachi...

– Eu não duvido. A quantidade de medicação que tem no corpo dele é alarmante! Se ele não tivesse vomitado tanto eu teria feito uma lavagem estomacal. Isso sem contar o que está no sangue – franziu a testa, os cabelos loiros caindo sobre os seios exageradamente imensos e redondos. A cada vez que abaixava quase esmagava o loiro com todo aquele busto macio que imprensava seu corpo.

– Agradeço de verdade por nada ter acontecido ao seu bebê.

– Eu tentei ficar calmo... E fui medicado no hospital, acho que era calmante.

– Mas medicação não é o bastante, você fez muito esforço físico. Está proibido de sair para trabalhar, de pegar peso, de fazer movimentos bruscos por no mínimo uma semana, está me ouvindo?

Ele assentiu que sim, cansado, passando a mão pela barriga.

Sua criança parecia entender prontamente o desespero pelo qual acabar de passar. Em outra situação o menor esforço lhe daria dores difíceis de suportar, mas naquele caso a vida de Itachi estava em risco, e como que adivinhando isso, as contrações foram bem menores que o normal. Não sabia explicar como tivera tanta força para seguir em frente, mas estava grato que tudo tivesse enfim terminado.

–-

Sasuke chegou àquela casa esbaforido e alarmado. Naruto ouviu os passos apressados ecoando no corredor e em seguida a porta se abriu, revelando sua silhueta pálida.

Ao fitar o interior do quarto e postar os olhos no loiro suspirou de alívio.

–... Naruto! – apressou-se até ele, envolvendo seu corpo em um abraço furtivo – Você está bem?

Naruto sorriu amplamente, envolvendo-o em um abraço terno e acolhedor.

– Ah Sasuke... – apertou-o, respirando seu cheiro, impregnando-se dele -... Meu amor, se eu te contar tudo que aconteceu...

Suspirou, aliviado. Sentia-se bem entre os braços fortes do Uchiha. Sabia estar protegido entre eles.

Sasuke se afastou um pouco, virando o rosto para beijar os lábios de seu namorado devagar. Era bom saber que ele estava a salvo. Sua mão inconscientemente alisava as costas esguias dele, acariciando sobre o tecido.

Quando o beijo cessou se encararam, amorosamente.

–... Não me assuste mais assim. Quer que eu tenha um treco? Foi difícil largar tudo e vir aqui te socorrer.

– Desculpe.

– Se algo grave te acontecer precisa me comunicar. Estive em reunião o dia todo sem saber que você estava passando mal!

Deslizou as mãos pela barriga arredondada, o tecido saltado da camiseta evidenciava o volume da gravidez do loiro.

Naruto por sua vez cobriu as mãos do Uchiha com as suas. Amava quando ele as passava sobre sua barriga. Isso o tranqulizava de qualquer temor, qualquer angústia. Seu bebê parecia amar o pai de verdade, porque se acalmava sob o toque.

–... Você está bem princesinha? – sussurrou à barriga redonda, beijando-a – Desculpe o papai. Não sabia que você estava em apuros.

– Ele vai se zangar com você falando assim com ele – riu – Se esse garoto agir e se vestir como menina quando crescer não terá do que reclamar.

– Só se for um garoto que nasce com vagina ao invés de pênis – riu de volta e levou um tapa, mas não se deteve de rir.

– Estúpido!

– Mas precisa me dizer o que aconteceu, Naruto. Por que perseguiram você no hospital? O que aconteceu para te assustar a ponto de passar mal? Você está quente de febre!

O loiro respirou fundo, sabia que não seria nada fácil contar, mas estava verdadeiramente feliz pelo namorado. Não imaginava qual seria sua reação ao descobrir que Itachi estava naquela casa.

– Quero que se acalme e venha comigo, Sasuke — fez menção de se levantar, mas o outro o impediu.

– Você não deve se levantar ainda.

– Nem em sonho que eu perderia isso! – comunicou com um sorriso, erguendo o tronco da cama e saindo pelo quarto. Sasuke não teve outra escolha senão segui-lo. No meio do trajeto toparam com Menma que vinha do final do corredor.

– Melhor, Naru? E aí, Sasuke?

O Uchiha lhe acenou brevemente, estranhando o ombro enfaixado visível na camiseta que ele vestia. Naruto logo roubou a atenção do primo.

– Já estamos bem – segurou sua barriga de leve — Como está o ferimento?

– Ah melhor. É profundo, mas não vou morrer com conta disso – riu.

– E ele está acordado?

– Está. Vão lá que preciso fazer uma ligação – piscou e seguiu seu caminho. Sasuke não parecia entender coisa alguma.

– Quem está acordado? De que estão falando?

– Você já vai ver – arreganhou um sorriso de felicidade, apertando a mão do namorado entre a sua, seguindo a saltos felizes em direção de uma porta fechada, deixando o Uchiha sem compreender nada. Bateu duas vezes, se anunciando.

– Estamos entrando – anunciou, pondo a mão sobre a maçaneta e girando-a devagar.

Sasuke estava confuso. Virou o olhar ao interior demorando a perceber o que havia ali, pois as luzes estavam acesas, as cortinas brancas balançavam junto à janela, bailando devagar carregadas pelo vento noturno e impedindo a visão do interior do quarto. Pouco a pouco a brisa cessou e o tecido leve assentava, mostrando com nitidez a silhueta deitada sobre a cama.

Sua respiração se tornou acelerada e os orbes negros foram se arregalando de susto. Como se estivesse sonhando, e temesse despertar a qualquer momento, apertou a mão do loiro entre a sua, custando a acreditar que aquilo estivesse mesmo acontecendo.

O rosto pálido e cansado virou-se ao rapaz assombrado parado junto à porta. Sasuke tremia tanto que seu corpo cederia ao chão apenas com um toque. Os olhos negros que o fitavam estavam focados, diferente das vezes em que o visitara, que abrira as pálpebras. A cor cinzenta o enchia de desesperança e medo. Mas ao fitá-lo, ao percebê-lo piscar fracamente, só então se deu conta de que não era um sonho.

Itachi estava deitado sobre a cama, as costas apoiadas em travesseiros. O rosto estava baixo, de maneira que os imensos cabelos negros desciam pelo rosto, encobrindo-o parcialmente, mas fitava seu irmão sem se desviar.

Ele balbuciou algo, erguendo devagar os olhos cansados. Seus lábios tremeram no instante em que fitou os olhos surpresos de seu irmão mais novo. Sabia que era Sasuke, lembraria daquele rosto em qualquer situação.

Sasuke por sua vez levou a mão à boca, desacreditado, emitindo um som indistinguível. Um rastro molhado cruzou seu rosto, seguido de muitos outros conforme nem se dava conta que começara a chorar.

–... Não pode ser... – caminhou um passo, tropeçando nos próprios pés. Os olhos estavam fixos no irmão mãos velho, como se tivesse medo que ele desaparecesse.

Chegou diante do leito e desabou ao chão, ajoelhado ao lado deste. Passou as mãos pelo rosto magro e apático, sentindo o calor fraco, a pele repuxando conforme ele piscava, a textura inconfundível das bochechas de encontro às palmas de suas mãos.

Os olhos cinzentos se voltaram a ele e adquiriram foco. Itachi respirou fundo, tencionando dizer algo, mas as palavras escapavam, tornando o som ininteligível.

Com muito esforço ergueu a mão ao ar, tremendo muito. Sasuke sentiu um toque leve quando as pontas dos dedos bateram em sua testa, quase imperceptivelmente, copiando o gesto irritante que sempre fazia quando o cumprimentava, o peteleco em sua testa. O esforço para sorrir era óbvio.

–... Sasuke... — sussurrou, quase sem voz. Um sorriso fraco e gentil estampou sua face, o mesmo sorriso que confortou a alma do Uchiha mais novo por toda a vida, o mesmo que lhe deu força e esperança para seguir em frente.

O mesmo que pensou que jamais veria de novo.

Foi o bastante para o mais novo desabar. Franziu a testa e rangeu os dentes quando seu corpo foi sacudido por soluços intensos, a voz escapando entrecortada da garganta.

–... Itachi!

Continua.

Notas finais
E o feliz reencontro e eu paro bem na parte boa né? Hahahaha não me batam! Imagina então quando o Sasori chegar? Preparem os feels!!! Muita choradeira! Agora chega um ponto crucial da fic: guerra! Muitas mudanças, muitas surpresas, mais casais, gente nova chegando, mas que de alguma forma é ligada aos protagonistas... Continuem acompanhando, dando força e comentando muito porque eu adoro vocês, sério! Muito obrigada por lerem e gostarem dessa fic, escrevo com o maior carinho (e perversidade ¬_¬) do mundo! Por sinal se virem plágios dela por aí me avisem! Sempre tenho problemas com isso. Ah sim: O Deidara está forever alone e estou lançando a campanha #DESENCALHADEIDARA então mandem suas sugestões de pares pra ele porque to sem ideia rs. Vocês tem face? Porque eu preciso de socorro às vezes e não tem a quem pedir, é uma tristeza só! Quem quiser ajudar, opinar, falar besteira, rir de memes, enfim, manda seu face pra mim por MP que adiciono todo mundo. Fiz um fake só para isso (porque minha fic não pega bem no face de trabalho kkkkkkk ¬_¬) Ou me procurem lá por Malki Choccola, ainda não tem quase ninguém mas vou começar a usar para pedir help! Esqueci alguma coisa? Ah sim: alguém aí vai pro Anime Friends, Comix Fest ou festival do Japão em SP??? Acho que é isso. Comentem que adoro, quanto maior melhor! Beijo da Malki!