Entre A Razão E O Desejo - Em edição
17 Refúgio
Notas iniciais
– Itachi!!! – envolveu-o em seus braços, abandonando o rosto na curva do pescoço. A pele morna exalava o mesmo cheiro que se recordava desde menino, a mesma maciez. Abraçá-lo fora das dependências do hospital era como um sonho distante, que não imaginou alcançar tão cedo.
Como era possível que Itachi estivesse ali, naquela casa que jamais ouvira falar antes e desperto? Há poucos dias esteve no hospital e ele parecia inerte e mergulhado em um sono inalcançável!
Em partes, Sasuke não queria saber, e nem conseguia pensar direito. Só o que pôde fazer foi apertar o irmão contra si e chorar, esvaziando toda a dor e angústia que esmagaram seu peito por três longos e aparentemente intermináveis anos.
–... Eu senti muito a sua falta! – sua voz era um sussurro praticamente inaudível, embargado, de forma que a voz era irreconhecível. As mãos apertavam o tecido da camiseta folgada, as lágrimas quentes molhavam o ombro do irmão mais velho. Sentia os cabelos longos fazerem cócegas em seu nariz.
Com um esforço que exigia quase tudo de si, Itachi moveu as mãos trêmulas para as costas do irmão, numa tentativa quase frustrada de retribuir o abraço. O toque, ainda que leve, fez Sasuke erguer os olhos e postá-los nos do mais velho.
Por algum tempo Sasuke apenas conseguiu encará-lo, mesmo que seu rosto molhado e vermelho de tanto chorar o envergonhasse. Precisava ver Itachi piscar e se mover, para assimilar que ele estava mesmo desperto, que estava bem.
Que seu pesadelo de solidão e amargor havia se encerrado finalmente.
Passou as mãos pelos cabelos negros, muito compridos, mergulhando na vastidão dos olhos negros como o céu noturno. Itachi aproveitou a proximidade e colou a testa à dele, lhe sorrindo cúmplice como sempre fizera. Os olhos quase começaram a se fechar devagar, embora ele não quisesse e lutasse contra isso. Estava exausto. Seu corpo negava-se a fazer qualquer coisa que não dormir, afinal as forças não se restabeleceram por completo.
Mas queria passar mais tempo com o irmão. Sentira muita falta dele. Podia lembrar as vezes que acordava em total pânico no hospital, quase sufocado, se sentindo preso e sozinho, buscando o irmão que sempre estivera consigo.
E de repente as lembranças emaranhadas fizeram sentido em sua cabeça. Lembrou-se de quando era muito pequeno, olhando o interior do berço em sua antiga casa. Para poder ver bem de perto tinha de ficar na pontinha dos pés. Ouviu uma risada macia e em seguida sua cintura foi segurada e erguida.
– Este é seu irmão mais novo, Itachi. O nome dele é Sasuke. Você é um irmão mais velho agora, então precisa protegê-lo e cuidar bem dele.
Aquela voz... Era de sua mãe.
Recordava-se de se apoiar nas grades do berço, muito curioso, para fitar o bebê que dormia tranquilo.
Seu coração se encheu de alegria e sorriu enormemente quando postou os olhos nele. Sasuke era um bebê fofo, de bochechas rosadas, mãos gordinhas e cabelos espetados muito negros. Ele nascera muito cabeludo! Vestia um macacão azul de tecido macio como uma pelúcia.
Era tão pequeno, frágil e adorável!
As palavras de sua mãe ecoavam em Itachi.
Era um irmão mais velho agora! Tinha de protegê-lo e cuidar muito bem dele! Sentiu-se importante, pela primeira vez recebendo uma responsabilidade enorme!
O bebê então se agitou, produzindo um som abafado e logo abriu bem a boca sem um dente sequer, para começar um berreiro imenso. Chorava tanto que ficou vermelho, as lágrimas rolando pelos cantos dos olhos fechados.
Itachi não sabia o que fazer, completamente perdido. Foi colocado no chão, assistindo sua mãe acudir o bebê.
– Pronto querido, não chore – balançava de leve o corpo pequeno.
– Por que ele está chorando? O que ele tem?
– É porque se sentiu sozinho quando acordou – ela pegou um Sasuke muito chorão nos braços, erguendo-o do berço, envolto em uma manta quentinha. Em seguida baixou-se na altura de Itachi.
– Quer segurar?
O menino pareceu desesperado.
– Não! É tão pequeno... Eu vou quebrar!
– Ele não vai quebrar, basta segurá-lo direito – disse com a voz divertida, envergando os braços do menino – Olha, apenas deixe seus braços assim.
Colocou os braços de Itachi na posição certa e o menino nem se mexia de tanto nervoso. O bolo de cobertas foi posto entre seus braços, o pequeno Sasuke se remexia chorando com toda a força dos pulmões, muito vermelho. Itachi o segurava desajeitado, sem saber o que fazer.
– Não chore... – quase chorava junto de desespero – Não chore Sasuke – agitava-o nos braços, de leve, para cima e para baixo, tentando fazê-lo parar de chorar.
O movimento, ainda que desajeitado, fez o pequeno aos poucos parar de chorar e abrir os olhos grandes e muito negros para o irmão mais velho. O choro foi cessando aos poucos e logo se transformou em apenas o ruído normal, o balbuciar de qualquer bebê. Sasuke apenas se remexia no colo do irmão, encarando-o.
Um sorriso imenso estampou o rosto de Itachi quando olhou sua mãe, orgulhoso de si mesmo como quem diz “Eu consegui!”
E nesse instante Mikoto sorriu de volta. Aquele sorriso ficaria gravado para sempre em sua mente.
– Viu só? Sasuke se sente protegido quando está com você.
A imagem perdeu o foco quando piscou os olhos bem forte, e a visão do bebê fofo em seus braços tornara-se o rosto bonito e adulto de Sasuke que o fitava sem entender.
Um sorriso sincero encheu os lábios do mais velho.
Ele havia crescido bastante.
Sasuke por sua vez não conseguia pensar direito, estava eufórico!
Nunca admitiria nem que lhe ameaçassem, mas desde que a mãe desapareceu quando menino, Sasuke via em Itachi a figura materna que perdera, ao passo que o via como o próprio pai também, uma vez que Fugaku sequer lhes dirigia a palavra quando estavam na casa sede. Itachi representava toda a base do que pais amorosos deveriam ser. Sempre cuidou dele, lhe ensinou de tudo, lhe dava broncas quando se comportava mal, elogiava seu bom desempenho... Ter Itachi torcendo por si era o que motivava Sasuke a crescer e se destacar na vida. Ele foi sua única família por muito tempo, era tão precioso que não conseguiria descrever.
–... Você está bem? – tentou fungar e parar de chorar, o que era uma tarefa quase impossível. Afastou a testa da sua, dedilhando as madeixas escuras que pareciam muito mais longas. Claro, ele não as cortou por três anos, de maneira que o longo cabelo negro descia até os quadris.
Itachi lhe sorriu que sim, fracamente.
Há essa altura o pobre loiro nem se aguentava de tanto chorar junto à porta.
Observar a face sempre séria de Sasuke se converter naquela preocupação devota era adorável! Estava estampado em seu rosto o quanto Itachi lhe era importante.
– Não se preocupe, ele ficará bem – Tsunade surgiu na soleira da porta – Ele só precisa de algum tempo para se recuperar.
Claro, ele havia acabado de acordar de um coma de três anos, era natural que não tivesse forças. Deitou-o junto aos travesseiros, percebendo os olhos pesados, quase se fechando. Era melhor deixá-lo dormir e descansar.
Sasuke ainda sentia o torpor o invadir, não conseguia assimilar o que estava acontecendo. Passou a mão pelo rosto, num riso desacreditado.
– Quando... Isso tudo aconteceu?
– Hoje à tarde durante a visita ao hospital. Naruto o viu acordar e o tirou de lá com ajuda de Menma – a loira disse, com um sorriso de lado, indicando o loirinho que corou de vergonha. O olhar de Sasuke brilhou quando se virou ao loiro, parecia pasmo.
– O quê?
– Terão tempo de conversar depois. Sasuke eu bem sei que está com saudades de seu irmão, mas Itachi precisa dormir agora, ele está exausto.
O Uchiha mais novo virou o rosto temeroso ao irmão, que parecia de fato muito cansado. Seus olhos estavam fechados e a boca entreaberta, por onde escapava uma respiração muito pesada.
Internamente o mais novo se agitou. Era como observá-lo durante suas visitas ao hospital. Como se... Ele fosse dormir e não acordar mais, caindo novamente naquele sono terrível.
– Se ele dormir agora, vai mesmo acordar?
– O que o mantinha em coma eram as medicações. Ele não vai apagar de novo, esteja certo disso. Só precisa dormir algumas horas para recuperar as forças. Toda a fuga foi um evento muito estressante para ele!
Fez que sim com a cabeça, alisando distraidamente as mãos pálidas e frias, percebendo que Itachi já havia adormecido.
Tê-lo ali tão perto de si era como um sonho se tornando realidade. Não imaginou que viveria para presenciar esse dia... Claro, tinha esperanças de tirá-lo do hospital com o plano armado por Suigetsu, mas não esperava já encontrá-lo desperto.
– Muito obrigado. Eu sequer sei seu nome...
– Tsunade.
– Basta me comunicar quanto lhe devo por seus serviços, senhora Tsunade – fez menção de procurar a carteira no bolso da calça, mas ela o deteve.
– Não sou especialista na área neurológica, Sasuke. E estou aposentada. Tenha isso como um presente, por cuidar de meu neto.
– Eu não poderia aceitar...
– Mas você deve. Agora tem que se preocupar com Itachi. Ele precisa de um lugar que lhe ative lembranças, ficará confuso por algum tempo. Precisa de um lugar que pareça de verdade com um lar. E claro, de um médico especializado o quanto antes.
Logo pensou na pequena fortaleza que era a antiga casa do irmão. Na euforia por vê-lo desperto acabou esquecendo um detalhe crucial.
Sasori não fazia ideia do que estava acontecendo! Ele precisava saber o quanto antes!
– Vou pedir ao Sasori que venha aqui e vamos levá-lo para a antiga casa o quanto antes. Eu nem tenho palavras para lhe agradecer, senhora Tsunade.
– Apenas cuide bem dele. E de Naruto também.
–-
Ainda ficou um tempo parado diante da porta, sem acreditar. Passou as mãos pelo rosto e pelos cabelos.
Fora pego de surpresa e nem tivera tempo de raciocinar sobre o que estava acontecendo. Era tão maravilhoso ter Itachi desperto. Virou o rosto ao loirinho muito vermelho a seu lado, coberto com uma manta e este lhe sorriu amplamente.
– Tudo vai ficar bem agora, Sasuke. A vovó disse que ele vai se recuperar em alguns dias se tiver o tratamento adequado.
Sasuke não respondeu. Antes, ficou a observar Naruto por longos segundos de pleno silêncio, sem esboçar reação alguma. O Uzumaki não entendeu, e de certa forma sentiu-se mal ao ser encarado daquela forma tão intensa. Os olhos negros estavam inchados e vermelhos de tanto chorar e continham um tipo forte de emoção, algo que nunca tinha visto neles antes.
Naruto engoliu bem forte, temeroso.
Estava irritado? Talvez por conta do perigo a que o loiro se expôs estando grávido?
– Sasuke, eu...
– Como o tirou de lá, Naruto? O que aconteceu?
O loirinho então narrou a própria aventura épica, sem se dar conta do quanto ela parecia grandiosa e assustadora aos olhos de outra pessoa. Sasuke permaneceu calado, ouvindo tudo atentamente.
Logo que terminou de contar o moreno ainda não se movia, de frente para ele, sem dizer nada. Parecia petrificado.
O loiro achou que ele estivesse em estado de choque ou sei lá, mas então sem avisar ele segurou seu rosto com ambas as mãos e lhe beijou apaixonadamente, imprensando seu corpo contra a parede. Naruto sentiu o chão falhar debaixo dos pés quando fechou os olhos, incapaz de fazer outra coisa que não retribuir. Não que os demais beijos do Uchiha não fossem tão bons quanto aquele, mas este havia sido diferente e especial. Era um beijo que transmitia uma parcela de sentimentos tão intensa que Naruto chorou em meio a ele. Sentia o pulsar acelerado e contínuo do coração dele esmagando seu peito. Segurou a parte baixa de sua cintura se deixando levar, provando os lábios junto aos seus, enroscando sua língua, misturando a saliva, suspirando de prazer.
Quando se separaram mal conseguiram abrir os olhos, lânguidos. Sasuke segurou-lhe ambas as mãos, beijando-as vagarosamente.
–... Eu te amo, Naruto... – balbuciou, erguendo então os olhos brilhando como ônix -... Nunca serei capaz de agradecer devidamente.
– Não precisa – sorriu, olhando para baixo – Deixar que eu ame você já é equivalente.
As mãos do Uchiha dedilhavam seus cabelos, ele o fitava com adoração.
E então todo o universo do loiro desabou quando ele sorriu.
Não um dos costumeiros sorrisos de lado, cheios de malícia ou sarcasmo. E sim um daqueles sorrisos infantis, que o deixavam com aparência de menino. Um sorriso sincero e lindo. O Uzumaki perdeu a fala por um instante.
– Não faz ideia do quanto você é precioso para mim, Naruto – passava as pontas dos dedos pelas marquinhas das bochechas – A melhor escolha que fiz na vida foi ficar com você. Se não estivesse comigo, se não se oferecesse para me ajudar... Eu teria perdido Itachi para sempre.
– Não pense nisso, ele está bem agora. É tudo que mais importa.
O moreno assentiu.
– Quando tudo isso passar vamos resolver de vez as coisas entre nós, preparar nossa casa para receber nosso bebê. Quero viver ao seu lado, pela minha vida inteira.
O loiro desviou o olhar e coçou atrás da nuca, muito sem graça.
– Falando desse jeito e com esse tom tão sério isso mais parece uma proposta de casamento.
– E é – respondeu com um sorriso, mas era possível notar que estava sério.
O coração do loirinho disparou dentro do peito.
–... Já me disse isso outra vez.
– E não obtive resposta – riu de lado.
– Se quer se casar comigo então se separe de vez de Karin, deixe Itachi se recuperar e me compre um anel de noivado – nem acreditava que estava dizendo uma soma tão grande de coisas vergonhosas, mas Sasuke o observava atentamente, prestando atenção a cada solicitação feita – Quero que me faça um pedido formal. Já tive um noivado muito conturbado, quase me casei por impulso. Quero fazer as coisas do modo certo dessa vez, sem pressa alguma.
Um riso baixo escapou dos lábios do Uchiha.
– Muito bem, será do jeito que você quer.
Um som no final do corredor os interrompeu e não demorou até que Tsunade trouxesse um Menma pálido feito papel para se sentar no sofá, coberto com uma manta nas costas.
Por sorte o moreno havia sido perspicaz depois que fora ferido. Havia amarrado uma tira de tecido no próprio ombro tão logo conseguiu escapar do ataque. O torniquete improvisado era uma tentativa de estancar a hemorragia, mas não podia negar que havia feito muito esforço, que perdera muito sangue. A ferida ficou aberta por um longo tempo sem receber a desinfecção necessária e por conta disso o rapaz precisaria de algum tempo de repouso para se recuperar da infecção e perda de sangue.
Estava horrivelmente febril, à base de antibióticos e antiinflamatórios, sentia a carne pulsar e arder no local em que foi atingido. O procedimento às pressas não foi nada amigável, por sorte era um jovem cheio de saúde e vigor e conseguiu suportar a dor.
Naruto foi até ele, preocupado.
– Menma! – baixou-se perto do primo – Você está bem?
– Tô, relaxa – fez um sinal impaciente, mas tremia como se estivesse com frio, culpa da febre alta.
– Você precisa se deitar.
– Me deixe aqui, eu prefiro assistir alguma coisa para o tempo passar logo – resmungou, de certa forma mal humorado.
Era melhor distrair sua mente ou se pegaria pensando no maldito ruivo!
– Ele perdeu muito sangue, é natural que se sinta fraco. Por pouco não perdeu os sentidos enquanto dirigia para cá, foi uma total estupidez! – Tsunade limpava as mãos cheias de sangue em uma toalha limpa – Vocês todos parecem ter saído de uma guerra!
Nenhum deles conseguiu contra argumentar. Era a impressão nítida que possuíam.
Difícil de acreditar que tanta coisa havia acontecido para conseguir tirar Itachi daquele hospital a salvo. Cada vez que pensavam o que poderia ter acontecido se ele não fosse tirado de lá um sentimento horrível os fazia estremecer. Há essa hora Itachi com certeza estaria morto.
Tsunade os interrompeu estendendo o dedo em riste ao loirinho.
– E você vai voltar ao quarto imediatamente, Naruto. Está com febre e já deu ao seu bebê emoções suficientes por uma vida! E ele sequer nasceu ainda!
A emoção e adrenalina dos acontecimentos não lhe permitiram pensar direito e só então Naruto sentiu o corpo quente pela febre. Era verdade, precisava cuidar bem de seu bebê, ele passara por momentos difíceis.
Foi beijado de leve por Sasuke.
– Vou te ver mais tarde, descanse.
Assentiu, sendo seguido com os olhos pelo moreno. Este desviou o olhar ao rapaz debilitado à sua frente, seus lábios estavam brancos como se não houvesse sangue ali e imensas olheiras contornavam os olhos. Havia marcas de cortes por todo o seu rosto, mãos e braços. Sinais óbvios de quem luta para se defender de facadas. Por conta disso ele tinha faixas, ataduras e curativos espalhados.
Qual seria o desespero de lutar contra uma pessoa portando uma faca, prestes a lhe dar um golpe certeiro para lhe matar? Apenas pensar nisso fazia um gosto amargo subir à boca do Uchiha.
– Há alguma coisa que eu possa fazer por você? – indagou solícito. O raposo negou com um sorriso.
– Relaxa Sasuke. Já foi ver seu irmão? Ele está bem?
– Está dormindo agora, mas está bem.
– Isso é um alívio, ele parecia péssimo quando o tiramos de lá, não parava de vomitar e não se aguentava nem sentado na cadeira de rodas.
– Eu lhe devo muito por cuidar dele e de Naruto. Não teriam conseguido sem sua ajuda.
– Ta tranquilo. Naru é da família, então você agora também é, e família é para essas coisas!
Sasuke sorriu.
Eram as mesmas palavras dos pais de Naruto. De repente o mundo do moreno mudou tanto que não conseguia mais se ver sem uma família.
–-
Sasori aceitara educadamente o convite para passar a noite na casa de Deidara, como já havia feito milhares de vezes ao longo da vida. Claro que depois de casado não fazia mais isso, então era bom tornar aos velhos tempos. Estava sentado vestindo camiseta larga e jeans folgado, no meio do tapete felpudo da sala, ouvindo de bom grado o rock melódico que vinha do computador ligado. Permitiu-se sorrir ao fitar as paredes. Deidara era uma pessoa especialmente excêntrica! Havia quadros por todos os lados, diversos movimentos artísticos formando uma galeria vanguardista imensa estampada nas paredes. Todo tipo de escultura feita por ele mesmo adornava alguns pedestais e vigas gregas. Embora Sasori não fosse muito fã de tal tipo de arte era inegável que o loiro desmiolado tinha muito talento.
Este veio até ele apenas com uma calça folgada, o peito nu e uma toalha em volta do pescoço. Os cabelos loiros úmidos e compridos penteados para trás o deixavam muito diferente do habitual. Sasori riu com isso, pegando no ar uma lata de cerveja que lhe foi atirada.
– Tá rindo do que, Danna?
– Com esse cabelo escorrido para trás você até parece sério. Devia usá-lo mais vezes.
– Sem essa, sabe que tenho heterocromia! – sentou-se de pernas bem abertas diante do ruivo, sobre o tapete felpudo, levando a lata de cerveja aos lábios. Nada melhor do que algo gelado após sair do banho!
Sasori girou os olhos de impaciência.
– Não acho que precise esconder o fato de ter um olho de cada cor – riu, referia-se ao fato de que Deidara nasceu com uma anomalia que pigmentava as íris de cores diferentes. Por conta disso seu olho direito era azul muito claro, quase transparente, enquanto que o esquerdo era verde muito intenso e escuro. Ele próprio achava aquela condição bizarra! Sempre teve vergonha e por conta disso deixou a franja crescer para tapar um dos olhos “defeituosos”.
– Diz isso porque tem dois olhos de cores normais – ralhou.
– Acha normal alguém ter íris vermelhas? Sempre me perguntam se eu estava chorando – riu, abrindo o lacre da cerveja.
– É mais normal do que no meu caso, acredite – atestou com muita ênfase e o ruivo desistiu de contrariá-lo. Levou a lata aos lábios, sentindo o alumínio gelar sua boca. Bebeu apenas um gole e ouviu o celular tocar e vibrar sobre a mesinha. Deidara o pegou e jogou ao ruivo.
Ao reconhecer o número de Sasuke ficou sério, baixando um pouco o volume do som. O loiro já imaginou de quem se tratava quando Sasori atendeu nervoso.
– Aconteceu alguma coisa, Sasuke?
– Boa noite, Sasori. Desculpe te ligar de repente.
– Não precisa se preocupar, pode me ligar sempre que precisar. O que foi?
– Aconteceram alguns imprevistos hoje durante a visita de Naruto ao hospital. Minha família o encurralou.
Sasori endireitou o corpo na mesma hora.
– Eles fizeram alguma coisa com o Naruto?
– Ele está bem, apenas alarmado. Está com febre alta desde então. Há várias coisas que eu preciso conversar com você, Sasori. Sobre meu irmão.
O coração do ruivo deu um solavanco involuntário.
– Sobre Itachi...? De que está falando, Sasuke?
– Não se alarme, apenas venha até o local que vou lhe dizer. Precisamos conversar.
– Onde você está?
Há esta altura Deidara havia deixado a sala, para dar privacidade ao ruivo. Sentia-se mal por ele, Sasori não parecia ter um único momento de paz. Sua vida era sempre muito atribulada. Ouviu-o conversar um pouco mais com Sasuke, em seguida vindo encontrá-lo na cozinha.
– Aconteceu alguma coisa com o Itachi?
Sasori se apoiou na pia, fitando o amigo com desespero.
– Sasuke me disse que está tudo bem, mas a voz dele parecia afobada. De certa forma... Tenho medo de ir até lá.
– Deixe de bobagem, se alguma coisa grave tivesse acontecido acha que ele te esconderia?
– Não... Mas talvez ele prefira me dizer pessoalmente...
– Deixe de pessimismo, Danna. Quer que eu vá com você?
– Não, tudo bem... Obrigado – recusou polidamente, fitando a lata ainda cheia que pousava sobre a pia – Desculpe sair de repente.
– Relaxa – bagunçou-lhe os cabelos – Se estiver perdendo as estribeiras de nervosismo me ligue e vou socorrer você.
–Ok...
–-
Ao chegar ao endereço indicado por Sasuke começou a se alarmar consideravelmente.
Havia uma ambulância estacionada na garagem daquela casa. Sasuke havia mencionado algo sobre Itachi de maneira que ver uma ambulância parada ali era perturbador.
Oh céus, não de novo... Não seria capaz de suportar tudo de novo... Estacionou o veículo à frente da casa, quase sem controle de si mesmo. Desceu, ativou o alarme do carro e caminhou pela noite fria. As demais casas ao redor estavam iluminadas, e se ouvia ao longe o barulho do jantar de alguns vizinhos. O cheiro de comida pairava no ar, mas o ruivo estava preocupado demais para sentir qualquer coisa. Apoiou-se junto ao portão de ferro, apertando a campainha. Comprimia o tecido sobre o peito, do lado esquerdo, sobre o coração que desatava a bater desesperado.
Estava tão nervoso que acabou pressionando a campainha mais vezes que o necessário.
Não era possível ter acontecido algo com Itachi, não é? Ele ainda estava no hospital, ainda estava em coma...
Interrompendo seu pensamento Sasuke veio caminhando pelo gramado em direção ao portão, agitando as chaves nas mãos. Ele calçava chinelos, estava com os cabelos presos e sua camisa amarrotada estava para fora da calça. Para um homem sempre tão alinhado ele estava bastante desleixado.
Parou diante do portão e respirou fundo antes de sorrir ao cunhado.
– Olá, Sasori – abriu o portão, abrindo espaço para o outro entrar.
– Boa noite... Por que há uma ambulância aqui? – fitou mais de perto e percebeu que a camisa branca de Sasuke estava suja de sangue em vários pontos – Tem sangue em você! O que está acontecendo???
– Fique calmo. O sangue não é meu, é de Menma, primo do Naruto. Ele estava protegendo-o quando foi atingido por uma faca. Estamos cuidando dele agora.
Os olhos vermelhos se arregalaram de susto enquanto seguia o moreno ao interior da casa.
– Atingido por uma faca? Mas por quê?
– Porque estavam os dois protegendo Itachi – encarou-o muito sério, à soleira da porta. Percebeu o ruivo ficar pasmo, à beira de um colapso e segurou em seus ombros, esboçando um sorriso – Tem uma pessoa que deseja muito te ver, Sasori. E acho que você também quer muito vê-lo.
O pobre ruivo respirava tão depressa que a garganta ardia. Estava confuso, mas antes que pudesse indagar qualquer coisa Sasuke o puxou para dentro.
O cenário era desolador.
Menma estava sentado junto ao sofá, coberto e com as pernas dobradas. Recebia algum tipo de medicação de uma mulher loira que volveu os olhos ao ruivo confuso.
– Você deve ser Sasori, não é? – cumprimentou-o enquanto medicava o Uzumaki moreno.
–... Sim... Boa noite... – cumprimentou-a sentindo-se confuso. Baixou-se próximo do rapaz moreno que tremia, como se sentisse muita dor. Pela semelhança soube imediatamente ser parente de Naruto
– Você está bem?
Menma assentiu que sim.
– Tem uma pessoa louca para te ver cara! Vá de uma vez!
– Sasuke me disse a mesma coisa... Quer dizer Naruto? Ele é quem deseja me ver?
– Ele também. Mas me refiro a alguém que não te vê faz muito tempo!
Um novo solavanco abateu o coração do ruivo. Eles lhe sorriam tão solícitos, quase cúmplices.
O que estavam escondendo?
–... Do que estão falando...? Quem quer tanto assim me ver...?
– Não faça tantas perguntas, Sasori – Naruto surgiu à soleira da porta, muito vermelho, enrolado em um cobertor felpudo – Vem comigo.
– Naruto... – Sasori foi até ele parecendo muito preocupado, pondo as mãos em seu rosto – Você está quente, vá se deitar de uma vez ou...
Não conseguiu responder porque a surpresa o alcançou, tornando-o imóvel e estático.
O som forte da tosse alta de Itachi invadiu todos os cômodos, incluso a sala onde o ruivo estava. Os olhos vermelhos se abriram devagar de susto.
Aquela voz... Não podia ser.
Tencionou cair, mas se apoiou na parede, sua cabeça não conseguia responder ou pensar quando aquela voz o alcançou.
Era... Uma peça de sua mente? Fruto da saudade quase insuportável que sentia? Uma esperança desesperada para mantê-lo agarrado à própria vida?
Sentiu a mão pequena do loiro sobre seu braço e deu um solavanco de susto. O loirinho lhe sorria gentil.
– Vá depressa. Ele está esperando por você.
–-
Caminhou aos tropeços pela casa, procurando através dos cômodos, o nervosismo apenas crescia dentro do peito apertado de tanta angústia e desespero.
Seria mesmo...? Mas, como era possível???
Seus olhos ardiam e foi inevitável não chorar enquanto fazia sua busca desesperada.
– Onde você está??? – vasculhava os quartos, assustado – Onde?
Aquela vontade quase insana de vê-lo, tal vontade que havia acordado latejando em seu peito naquela manhã em especial... Seria um presságio? Um sinal feliz de que enfim poderia vê-lo?
A tosse recomeçou, mais forte, sinal de que ele tentava dizer algo, que tentava lhe chamar. Sasori cobriu a boca com a mão, reconhecendo o timbre, reconhecendo o arfar pesado. Tropeçou, esbarrou na porta e quase caiu quando postou a mão suada sobre a maçaneta, abrindo a porta de uma única vez. Seu coração batia tão forte e tão rápido que achou que fosse desmaiar.
Seus olhos correram o interior do quarto, as lâmpadas acesas incomodando suas íris com a claridade. A brisa da noite agitava de leve vários fios negros que bailavam próximos à janela.
Sasori seria capaz de reconhecer os fios sedosos em qualquer situação. Seguiu o olhar para o leito, encontrando o dono do longo cabelo negro. Um gemido desesperado escapou de seus lábios.
Uma figura pálida e esguia abriu os olhos, destapando a boca, recuperando-se da tosse. Volveu devagar os olhos para o rapaz parado junto à porta.
Quem era...? Não conseguia enxergar direito.
Sasori tremeu violentamente e perdeu as forças, de maneira que teve que se segurar no batente da porta para não desabar.
Uma a uma as lágrimas começaram a escorrer sem controle, pingando na camiseta. Teria esquecido como respirar se não fosse um ato involuntário. Teria caído ao chão se seu corpo inteiro não fosse atraído ao corpo do Uchiha como um ímã.
Exatamente como fora atraído logo na primeira vez em que o viu.
–... Não... Pode ser... – balbuciou a si mesmo, assustado e confuso.
Itachi o fitava com a expressão cansada, e parecia confuso, aéreo, dopado. Piscou devagar e com a força que conseguiu, esfregou os olhos cansados, para enxergar direito a pessoa parada ali.
Mas então a brisa da noite soprou vinda da janela, carregando consigo o cheiro costumeiro, o perfume nostálgico que acompanhava Sasori desde que o conhecera, anos atrás.Itachi abriu então os olhos, surpreso. Mesmo que não o visse com clareza, sabia quem estava ali.
Sasori!
O ruivo por sua vez acompanhava os movimentos do moreno como se não pudesse acreditar. Deu alguns passos em falso, quase passando mal de tamanha felicidade.
Ele estava mesmo se movendo... Estava olhando para si...
Oh céus, ele estava mesmo desperto!
Sonhou com esse momento todos os dias, sem cessar, durante aqueles infernais e intermináveis três anos! Todo o seu corpo reverberava saudade, tinha tantas coisas a dizer que mesmo que falasse por horas seguidas jamais conseguiria pronunciar todas elas!
Queria tocá-lo, senti-lo junto a si, se convencer que não estava sonhando.
– Itachi... – engoliu um suspiro, os soluços cortando sua voz, os olhos arregalados sem conseguir acreditar -... Itachi, eu...
“Senti tanto sua falta que estava morrendo dia após dia depois que você me deixou”
–... Eu só...
“Queria tanto olhar nos seus olhos de novo que daria qualquer coisa, faria que fosse preciso para te ter comigo, uma vez mais”
Fechou os olhos bem apertados, gemendo entre o choro.
–... Eu...
“Amo você mais do que sou capaz de descrever! Já perdi Aiko, não me faça perder outra parte de mim, por favor.”
Balbuciou, seus lábios tremeram, milhares de coisas a dizer, mas sua mente não raciocinava direito. O coração disparou no peito, dolorosamente. Em resposta a isso começou a respirar mais depressa, o ar não parecia mais suficiente e sentiu imediato mal estar.
A emoção lhe foi grande demais para suportar. Sua vista escureceu de uma única vez, seus olhos rolaram nas órbitas e seu corpo desabou ao chão, desacordado.
O susto foi tão grande que, em resposta a isso, os olhos negros de Itachi se arregalaram de pavor e a voz alta e grave que escapou ardeu-lhe a garganta seca e machucada.
– SASORI!!! – fez menção de se levantar para acudi-lo, mas rosnou de dor.
Algo dentro dele doía horrivelmente e o gosto de sangue era tão nítido que sentia algo ferido em seu interior. Uma dor que até então não havia sentido e por tal razão seu corpo não sabia como se comportar.
Estava zonzo, enjoado, imerso em dor. A mente racional mandando-o levantar e socorrer o ruivo, tomá-lo em seus braços. Passou a pensar diversas coisas diferentes, quase sem controle dos próprios pensamentos, o cheiro insistente que desprendia do mais velho alcançando suas narinas, trazido pelo vente gelado da noite.
E então de repente, sem saber explicar por que, lembrou-se de vários momentos que viveu ao lado dele. As imagens simplesmente lhe vieram à cabeça, nitidamente.
Havia um dossel em um jardim, poucos amigos assentados em cadeiras ao redor. Um pequeno altar diante deles. Itachi podia lembrar-se das mãos dadas enquanto faziam seus votos.
Amar incondicionalmente, por toda a vida, tornando-se apenas um com ele. Podia lembrar-se da música, o cheiro das flores, a forma carinhosa como o ruivo lhe encarava quando colocou a aliança dourada em seu dedo anelar esquerdo, dizendo amá-lo e querer passar o resto da vida com ele...
Era o seu casamento! Ainda podia sentir o calor dos lábios doces de Sasori sobre os seus. A valsa que dançaram juntos, os cumprimentos dos amigos mais chegados. Lembrava de ver Sasuke, mesmo a contragosto lhe sorrir.
As palavras do juiz quando enfim lhes disse que estavam casados.
Como pudera esquecer a pessoa que mais amava no mundo?
Na sala de estar, o som alto chamou atenção de todos. Sasuke foi o primeiro a saltar para o quarto, percebendo Sasori desacordado. Imediatamente impediu Itachi de se levantar. Naruto, enxerido como era, saltou do leito correndo em direção ao quarto, acudindo o ruivo.
– Ele está bem, Itachi! Ele desmaiou porque estava com saudades de você, mas já vai ficar bem! Por favor, se acalme!
Itachi arfava, sem tirar os olhos do esposo.
Uma avalanche de memórias invadiu sua cabeça como um filme rodado em alta velocidade. Lembranças, acontecimentos importantes, comemorações, aniversários, brincadeiras tolas, discussões... Sua mente começou a se lembrar no instante em que postou os olhos no ruivo. Apenas fitar as íris vermelhas por poucos segundos significava reconectar uma parte perdida de si mesmo.
Recordou da noite do acidente, do beijo de despedida. Sua cabeça girou quando reviveu o terror do carro chacoalhando, o frio na barriga causado pela batida, as dores insuportáveis, o osso quebrado da perna... O desespero e temor da morte revividos nitidamente.
Alguém faça isso parar!
Tudo depois era apenas uma mancha negra. Conversas dos médicos, várias vezes em que fitou o teto branco ao despertar...
Estava zonzo, aéreo, perdido!
Um gemido fraco soou, trazendo-o de volta à realidade. Nos braços do loirinho, aos poucos, a mente do ruivo recomeçou a funcionar devidamente. Ele abriu as íris vermelhas devagar, um pouco atordoado. Em questão de segundos recordara o motivo de estar ali e o que estava acontecendo.
Soluçou uma vez, virando o rosto em direção à cama e percebendo que não estava sonhando.
Soluçou várias vezes, cada vez mais alto. Apoiou-se no chão e ergueu o corpo, caminhando até o leito aos tropeços, o choro quente embaçando suas vistas, o coração sufocado de emoção. Sasuke deu espaço, levantando-se.
– Itachi... – aproximou-se, já tomado pela emoção latente — ITACHI!!! – correu até ele, se chocando contra o corpo magro, trespassando os braços ao redor com tanta força que provavelmente o teria machucado, mas não conseguia evitar. Explodiu em um choro sofrido, alto, descontrolado. Abriu a boca conforme chorava como uma criança, afagando os cabelos negros, sentindo se aquilo era mesmo real.
Sentiu-se fraco, pequeno, exausto! Se a morte o visitasse naquele exato momento não teria arrependimentos.
Itachi suspirou, de alívio e prazer. As forças parecendo voltar ao corpo quando o abraçou de volta.
– Sasori... – afundou a mão nos cabelos de fogo – Sasori!
– Ah Itachi! – abandonou o rosto entre os cabelos negros, roçando a bochecha no ombro pálido, beijando a pele seguidas vezes – Itachi eu... Eu nem posso acreditar – sorria enquanto chorava, sem controle, aspirando o cheiro da pele do Uchiha, embriagando-se nele. Ergueu um pouco o rosto para admirar a face perfeita, rindo de satisfação ao percebê-lo piscar, beijou-lhe as pálpebras, afetuosamente, para então encher-lhe o rosto com milhares de beijos, suas mãos o tateando por todo lado.
Ainda ria nervoso. Era estranho chorar de alegria após passar tanto sofrimento. Ergueu as mãos pálidas e frias dele, levando-as ao próprio rosto, sentindo com prazer as palmas.
–... Meu amor... – sorriu-lhe entre o choro, sem vê-lo direito por causa dos olhos embaçados – Eu senti tanto a sua falta...
Sasuke e Naruto se entreolharam em um sorriso cúmplice, incapazes de pronunciar uma palavra sequer, o peito estufado com a emoção.
Era lindo de se ver. Um reencontro entre pessoas que nitidamente se amavam acima de qualquer outra coisa.
E pensar que existia alguém que não considerava aquela união como amor verdadeiro. Mesmo o coração mais endurecido não agiria normalmente vendo os olhares dos dois, o modo como se tocavam de leve, a forma como Itachi se esforçava para passar as mãos pelos olhos molhados do esposo, na vã tentativa de secá-los.
Naruto fez sinal ao namorado para deixá-los sozinhos, eles mereciam depois de tudo que já haviam passado. O moreno assentiu, fechando a porta detrás de si.
O choro alto, convulso e satisfeito de Sasori ecoava pela casa inteira como uma melodia. Sentiu quando a mão morna deslizou por seu rosto e o encarou, confuso.
E então Itachi o puxou para beijar delicadamente seus lábios.
A razão de Sasori sucumbiu àquele beijo, suas estruturas desabaram, os olhos quase giraram de deleite e ainda soluçou dentro do beijo. Quando a língua quente de Itachi escorregou pelos lábios e postou-se sobre a sua ele tremeu, se agarrou ao tecido da camiseta larga, apertou os olhos bem forte.
Suspirou longamente, gemendo alto de deleite.
Segurou o rosto dele com ambas as mãos e quase o sufocou com o beijo urgente e desesperado.
Já o havia beijado inúmeras vezes desde que entrara em coma, mas senti-lo corresponder depois de tanto tempo era muito mais do que poderia desejar, mais do que pensou que teria.
Itachi estava exausto e sem forças, mas correspondeu ao beijo da maneira e no mesmo ritmo que o esposo queria. Sabia que devia isso a ele. Bailava a língua junto à do ruivo, seus dentes vez ou outra se esbarrando no beijo intenso, a saliva quente misturada, o sabor inconfundível um do outro se mesclando.
Separam-se completamente sem ar, se encarando, as mãos se tateando sem parar, pelo rosto, pelos cabelos. Vários beijos estalados pelas bochechas, pelo queixo, pelos lábios um do outro, para provar que aquilo era mesmo real.
–... Não pensei que o teria olhando para mim de novo – sorriu emocionado, redesenhando o rosto do moreno com os olhos – Itachi...
–... Sasori, meu bem... – sorriu, chamando o esposo da forma carinhosa como sempre o chamara.
O ruivo ficou sério, encarando-o completamente vulnerável. Seu rosto estava tão vermelho que parecia fundir com os cabelos.
Itachi não entendeu aquela reação.
– O... Que foi?
– Sua voz... – dedilhava os lábios rosados pelo beijo urgente de antes, torcendo o rosto e tornando a chorar – Eu sonhei escutar sua voz de novo todos esses anos, Itachi. Tudo que eu mais desejei... Tudo que eu mais quis... — soluçou e sua voz saiu completamente embargada –Foi ouvir você me chamando assim de novo!
Itachi compreendeu no mesmo instante como se apaixonara por ele, porque tornou a fazê-lo. Era como ver o ruivo pela primeira vez. Beijou-lhe a testa e puxou-o para um abraço, ignorando a própria dor, repousando o tronco magro e pálido junto ao seu.
Se, muito tempo depois perguntassem quanto tempo ficaram dentro daquele abraço tão apertado nenhum dos dois seria capaz de dizer.
Mas já era de manhã quando Sasori despertou do que pareceu a primeira noite de sono decente que tivera desde o fatídico dia do acidente. Abriu os olhos devagar sentindo um aroma delicioso, e se pegou com o nariz recostado ao pescoço do moreno. A lembrança da noite passada se tornou nítida e ele sorriu em resposta, tolamente. Aplicou um beijo no pescoço pálido, chupando um pouco a pele, vendo com prazer ela se tornar rosada.
Ergueu o rosto um pouco para observá-lo enquanto dormia, tirando alguns fios negros que desciam pela pele de porcelana, os longos cílios fazendo sombra na pele, os cabelos negros espalhados pelo travesseiro.
As luzes ainda estavam acesas, sinal de que provavelmente ninguém tivera coragem de atrapalhá-los.
Sentou-se devagar sobre o colchão, para não acordá-lo. Itachi respirava tranquilamente. Sua expressão parecia relaxada e tranquila, as bochechas rosadas, os lábios vívidos. O medo de que ele não acordasse mais sumiu da mente do ruivo.
Ele parecia muito bem.
Decidido a fazer o café da manhã ele apaga a luz e fecha as cortinas, para deixar o ambiente mais acolhedor. Em seguida olha de relance uma última vez o esposo em seu sono angelical e deixa o quarto, nas pontas dos pés, contornando a sala.
Percebe que Menma estava desperto, assistindo uma bobagem qualquer na TV.
Ao ver o ruivo passar ele sorri.
– Bom dia. Não consegue dormir também?
– Como se eu pudesse com tanta coisa acontecendo! – sorriu brevemente, sentando ao lado do moreno – Como se sente?
– Melhor. A dor tem diminuído. Só quero poder levantar e seguir com minha vida – encarou-o, sério – E seu marido, como está?
– Ainda está dormindo, ele parece exausto – respondeu meio temeroso – É uma bobagem minha, mas de certa forma tenho medo que ele não acorde.
– Que nada, ele só está cansado. O que vivemos naquele hospital foi um inferno. Teve momentos em que achamos que não conseguiríamos fugir.
Os olhos de rubi se voltaram aos de safira.
– O que aconteceu ontem, Menma? Como e por quê você e Naruto tiraram Itachi de dentro de um hospital vigiado de perto pelos Uchiha? Correram um sério risco, os Uchiha matam qualquer um que se põe em seu caminho!
– Sasuke me contou algumas coisas, até então eu não sabia o que as pessoas daquele hospital andaram fazendo com o Itachi. Mas acho que, como você é marido dele, tem o direito de saber.
– Saber de quê? – arqueou a sobrancelha — O que estão me escondendo?
– Estavam mantendo Itachi desacordado com remédios por todos esses anos, Sasori. O coma dele era na verdade induzido.
O ruivo ficou pasmo por um instante, sentindo o corpo gelar. Abriu e fechou a boca sem produzir som algum, tentando compreender.
– O... Quê?
– A família desprezível daquela tal de Karin manipulou o hospital e os médicos foram ameaçados para darem doses de medicação que mantivessem Itachi desacordado, para com isso Karin se manter casada com Sasuke.
Uma nova ânsia se formou no corpo do ruivo.
–... Não pode ser.
– É uma monstruosidade não é? Aquela ruiva vagabunda fez isso tudo só para acorrentar o Sasuke. Não fosse por essa medicação Itachi já teria despertado há muito tempo.
– Isso não é possível! Eu mesmo visitei Itachi praticamente todos os dias nesses três anos! Nunca percebi nada diferente nele! Se o estivessem dopando eu mesmo teria notado!
– Sei como se sente, Sasori. Sasuke pareceu sentir a mesma indignação quando me contou tudo. Ele me disse que só descobriu há alguns dias porque trocaram a medicação de Itachi e ele a vomitou enquanto estava no quarto. Sasuke colheu uma amostra e a levou ao laboratório onde descobriram finalmente o que estava acontecendo.
– E por que Sasuke não me disse nada? Eu tinha direito de saber o que estava acontecendo com meu próprio esposo! Itachi esteve sofrendo esse tempo todo e eu nem sequer fazia ideia disso!
– Sasuke não te disse nada porque se importa com você – encarou-o muito seriamente – Se você descobrisse tudo isso conseguiria deixar Itachi preso no hospital, sabendo que ele estava sofrendo? Com certeza você ia pirar! Ou fazer alguma loucura. Sasuke achou prudente só lhe contar quando tudo estivesse bem e Itachi já estivesse em casa. Ele não queria mais que você sofresse Sasori.
O ruivo então se lembrou das palavras de Naruto na primeira vez que estivera em sua casa. O loirinho havia lhe dito que o hospital andava manipulando os resultados dos exames de Itachi, que as coisas não eram do modo como imaginava...
Nem percebeu o que ele estava tentando dizer. Como fora tolo!
– Não deve se sentir mal com isso. O próprio Sasuke diz que superou, e que se sentir mal não ajuda Itachi em nada. Ele agora precisa de vocês, ainda está muito confuso.
–... Como o tiraram do hospital?
– Havia um plano agendado por Suigetsu para salvar Itachi, mas ele acordou um dia antes quando Naruto foi visitá-lo. Por sorte ele me chamou e armamos uma fuga desesperada.
Juntou ambas as histórias, começando pelo modo como ateou fogo nos banheiros, seguindo o que ouvira acerca da fuga feita por Naruto, contando em detalhes sobre ambos os acontecimentos. A cada novo trecho narrado percebia o ruivo arregalar os olhos em total surpresa, sem conseguir acreditar que tudo aquilo havia mesmo acontecido.
–... Você se machucou para salvar a vida de meu marido, de Naruto... – segurou-lhe ambas as mãos – Menma, eu nunca vou poder agradecer você.
– Quando te vi correr desesperado e chorar nos braços dele já tive recompensa mais que suficiente – sorriu de lado, como uma raposa – Sou fraco para essas coisas de amor, cara! Eu chorei horrores aqui. Espero que um dia alguém me ame desse jeito.
Sasori sorriu amplamente com isso. Em seus olhos havia uma gratidão explícita e quando Menma sentiu a mão dele pousar sobre seu rosto, nas marquinhas de raposo, corou furiosamente.
Era muito parecido com Gaara, talvez o fato de ambos terem vindo do mesmo país, de ambos terem o mesmo sorriso gentil, os mesmos cabelos de fogo.
Ah como queria ver Gaara de novo...
–... Serei sempre grato pelo que me fez, nunca vou esquecer – o sorriso de Sasori o trespassou e seu peito se encheu de imediato. Sequer conseguiu responder.
O ruivo então ergueu o corpo e seguiu em direção à cozinha para ajudar com alguma coisa. Passou diante de um quarto com as portas abertas e percebeu Naruto largado na cama, atropelando Sasuke que estava quase caindo.
Riu com a cena e delicadamente pôs os pés do loiro de volta na cama, trazendo a cabeça do Uchiha para deitá-la sobre o travesseiro. Cobriu-os para não se resfriarem e antes de sair afagou delicadamente os cabelos loiros, beijando-os em seguida.
– Obrigado... – sussurrou amoroso e deixou o quarto. Ao ouvir os passos distanciarem Naruto abre os olhos, um sorriso discreto estampado no rosto.
Chegando à cozinha Tsunade já estava de pé, preparando o café da manhã.
– A senhora deveria descansar.
– Eu não conseguiria dormir com tantos pacientes precisando comer – brincou.
– Deixe-me ajudá-la, por favor – prontamente ajudou a dispor a mesa. A loira lhe assentiu.
– Obrigada. Você é um bom rapaz. Precisa cuidar bem da família de acaba de receber.
– Sim, sei disso... Quase não consigo acreditar que salvaram Itachi passando por tantos perigos assim... Sinto-me mal por Naruto, afinal ele está grávido.
– Sei que ele passou por muitos perigos, mas por sorte nada aconteceu com meu bisneto. A criança parece tão forte quanto o pai.
Sasori cortava os pães e espalhava manteiga fresca sobre eles, dispondo-os sobre a chapa quente em seguida.
– A senhora... Soube do que fizeram a Itachi, não é?
– Não havia como não notar, afinal sou médica. A quantidade de medicação existente no corpo de seu esposo é assustadora. Não me admira que o tenham mantido em coma por tanto tempo.
O ruivo estremeceu.
–... Eu não fazia a menor ideia do que estava acontecendo... Itachi sofreu tanto, tentou pedir socorro... Nem sei quantas vezes ele me escutou quando chorei desolado. Deve ter sido terrível para ele.
A mulher postou uma das mãos em seu ombro.
– Ninguém tem culpa alguma nessa situação. Foi um crime cometido pelos Uchiha. Ninguém seria capaz de perceber nada, nem mesmo outros médicos que não fizessem exames adequados. Se estavam barrando o contato com o paciente não é de se estranhar que ninguém tenha percebido nada. A grande sorte é que o organismo dele tenha rejeitado a nova medicação, e que tenha vomitado na frente de Sasuke. Sem isso, ele ainda estaria preso naquele inferno...
As mãos do ruivo tremiam e sem querer encostou o dedo na chapa quente, exclamando de dor. Tsunade pegou-lhe o dedo queimado e rapidamente colocou debaixo de água corrente da torneira.
– O que realmente importa é que ele está vivo, que está bem. Ninguém mais vai lhe fazer mal algum. Ele terá tempo de se recuperar devidamente.
– Falando nisso... Sinto que ele algumas vezes me olhou estranho, como se esquecesse de mim. Além disso, tem coisas que ele simplesmente não se lembrou ainda – baixou o olhar, secando a mão.
Como seria quando Itachi se lembrasse de Aiko? Ele a queria tanto, a chamava de princesinha. Seria uma dor terrível quando recordasse, e maior ainda ao descobrir que a havia perdido.
– Ele precisa de tempo para o corpo eliminar por completo todas as medicações. É normal que fique confuso nesse meio tempo. Só depois que estiver com o organismo limpo é possível avaliar as possíveis sequelas.
Oh céus, outra coisa preocupante. Virou-se de frente para ela.
–... O que pode acontecer com ele?
– Pode perder parte das memórias permanentemente, ou não conseguir andar por um bom tempo, não é possível saber. Você não deve sofrer por antecipação. Deixe-o se recuperar, mostre fotos, converse com ele. Isso tudo é de grande ajuda.
Sasori assentiu, colocando um jarro de suco de laranja sobre a mesa. Ouviu a tosse seca cortando o ar e largou o que estava fazendo no mesmo instante, correndo em disparada em direção ao quarto de Itachi, abrindo a porta de uma única vez.
– Itachi! – exclamou assustado, mas o moreno apenas ergueu-lhe os olhos, tirando a mão da frente da boca.
–... Bom... Dia – tossiu um pouco mais -... Sasori...
O ruivo não conseguiu fazer outra coisa senão sorrir calma e pacificamente.
– Bom dia, meu amor... – aproximou-se devagar e sentou na beira da cama, beijando delicadamente seus lábios – Como está se sentindo?
Ele apenas sorriu de volta, um sorriso ameno, mas verdadeiro.
– Quer que lhe traga um pouco de café? Você gosta tanto de café preto. Até nisso é parecido com Sasuke – riu, afagando os fios negros.
Mas percebeu-o piscar e desviar o olhar, entendendo que ele não se lembrava disso.
– Não faz mal que não se lembre, logo vai se lembrar de tudo, eu te garanto. Ao menos sabe quem eu sou e isso já me deixa muito feliz – estendeu um copo de água para umedecer a garganta e ele aceitou de bom grado, mas tossiu, derramando metade do conteúdo.
Claro, tanto tempo se alimentando apenas por sonda era normal que não conseguisse fazer algo simples como sugar e beber.
Sasori o acudiu, sentindo-se mal por ele. Queria saber o que fazer para tratá-lo da forma adequada, mas era tão difícil. Ter alguém querido em estado delicado era tão perturbador!
Ele devia estar com muita sede. Qual teria sido a última vez que bebeu água?
Sasori então vira o conteúdo do copo na própria boca, enchendo as bochechas. Em seguida segura a nuca do marido e cola os lábios aos dele, despejando a água fria em sua boca aos poucos. A princípio Itachi relutou e tentou empurrá-lo, mas ao sentir a água gelada descer pela garganta conforme a engolia um alívio imenso passou pelo esôfago seco e dolorido, acalmando a tosse, e ele permitiu sorver até a última gota que Sasori lhe passou através do beijo. O ruivo se afastou devagar, tornou a encher a boca e novamente lhe beijou, derramando mais da bebida fria, dessa vez sem resistência alguma.
Separou-se e tornou a deitá-lo sobre os travesseiros.
–... Vou trazer algo para você comer, deve estar faminto não é? – fez menção de se levantar, mas a mão dele o segurou.
–... Obrigado...
– Não tem que me agradecer por nada. Descanse – ergueu o corpo e seguiu para fora do quarto, dando de cara com um loirinho com marcas de lençol no rosto e o nariz muito vermelho.
–... Bom dia – bocejou sonolento. Sasori riu e passou a mão pela testa dele.
– Que bom, sua febre baixou. Está melhor?
– Muito – abriu um sorriso imenso – Só de saber que Itachi está seguro em casa não tem como não me sentir ótimo.
– Muito obrigado pelo que fez por ele, Naruto.
O loiro negou com a cabeça.
– Só te retribui o favor.
O ruivo pareceu não entender.
– Como?
– Você salvou minha vida e a do meu bebê quando Sakura e Karin tentaram me fazer abortar. Se não fosse por você eu não teria conseguido, talvez nem estivesse aqui hoje. Então era eu quem lhe devia.
Sasori não se lembrava disso, estava certo. Ele o ajudara antes, mas foi algo completamente involuntário. Jamais o deixaria passar aquela situação terrível sozinho.
– Preparamos o café da manhã. Sente-se e coma alguma coisa, deve estar faminto.
– E você?
– Vou em seguida – desviou o caminho do loirinho, olhando de relance o moreno deprimido assentado junto ao sofá.
Aquela tristeza toda era óbvia, Menma amava alguém e essa pessoa estava longe. Aproximou-se devagar, sentando no braço do sofá.
– Venha tomar café da manhã conosco, deve estar faminto não é?
– Vou em um segundo – riu de lado, se levantando devagar. Estava muito vermelho, era óbvio que sua febre estava subindo e isso preocupou o ruivo.
– Fique deitado, posso trazer para você.
–... Foi mal por isso, você já tem seu marido para cuidar.
– Não se preocupe. Quer que eu avise alguém? Talvez alguma pessoa do trabalho? – sondou aos poucos. A frase pareceu deixar o moreno mais entristecido.
– Não, pode deixar.
– Acho que é conveniente avisar seu chefe, não? Posso ligar na empresa. O nome dele é Gaara, não é?
Ao som do nome os olhos azuis de Menma brilharam tanto que Sasori ficou surpreso.
–... Não precisa. Ele está viajando... E não creio que deseje saber nada a meu respeito.
Um imperceptível sorriso trespassou o ruivo e ele teria rido travesso se não fingisse estar sério.
Era óbvio demais, embora ainda estivesse um tanto chocado.
Menma havia se apaixonado por Gaara? Só as histórias que ouvira de Naruto acerca do chefe lhe davam calafrios! E pensar que o rapaz diante de si estava sofrendo verdadeiramente de amores por ele.
Sentiu pena de certo modo. Menma merecia um amor feliz.
Uma ideia inusitada passou imediatamente pela mente do ruivo.
Oras, se Gaara gostava mesmo de Menma o que faria ao descobrir que o rapaz estava tão debilitado? O que faria ao descobrir que ele havia sido esfaqueado?
–-
Ninguém conseguiu explicar porque Gaara havia viajado se havia retornado no dia seguinte. Três horas e meia de vôo para nada! Mal conseguiu resolver os assuntos pendentes, estava aéreo, desatento. Não parecia ele mesmo.
Não conseguiu ficar muito tempo em sua fuga pessoal. Algo dentro dele se remoia, e achou melhor encontrar-se de vez com Menma, dizer a ele tudo o que pensava.
Que aquela noite fora fruto de uma fraqueza momentânea, e não desejava que tornasse a acontecer. Que deveriam seguir seus caminhos em direções opostas, uma vez que o ruivo não estava pronto para um novo relacionamento. Daria ao Uzumaki uma boa carta de recomendação e o indicaria a uma empresa afiliada. Com certeza Menma seria bem recebido e teria um bom salário no novo emprego. Sua carreira decolaria.
E o mais importante: se manteria longe o bastante dele! Era a melhor hipótese que havia pensado, pois se continuasse perto daquele rapaz não sabia dizer que tipo de loucura poderia cometer. Menma o instigava, roubava-lhe paz e o juízo.
Estava exausto quando chegou ao prédio para trabalhar naquela manhã, muito mais tarde que o normal. Já se aproximava do horário do almoço. Gaara fitava distraidamente o painel do elevador enquanto subia pelos andares. Seu coração inquieto e desesperado perguntava-se como seria encarar Menma agora, depois do que partilharam naquela noite.
Com certeza o estúpido Uzumaki se encheria de sorrisos e esperanças, achando que estava tudo muito bem entre eles, mas não estava! Gaara não queria o tipo de compromisso que ele sugerira! Já estava bastante arrependido por deixar que sua primeira vez fosse roubada pelo moreno, quando deveria ser de Matsuri... Forçava-se a pensar nela, para que a imagem do estúpido rapaz não ganhasse espaço em sua mente, ou em seu coração.
Não suportaria outra dor como a que tivera vendo-a nos braços de uma garota desconhecida.
Quando parou no andar solicitado e as portas se abriram o ruivo pareceu despertar, tirando a cabeça que estava encostada no espelho do elevador, tentando se manter calmo. Acenou e cumprimentou algumas pessoas pelo setor com o costumeiro “Bom dia, senhores” calmo, frio e calculista como de costume.
A cada passo que dava em direção ao setor de criação mais nervoso ficava. A vontade de gritar e fugir era imensa. Sentia-se tolo e infantil! Bastava encarar o outro de frente, não era tão difícil assim demitir alguém!
Mas, uma parte dele começou a se sentir eufórica e seu coração batia acelerado e ansioso porque queria vê-lo! Apenas encarar seu rosto já lhe bastaria... Os passos que dava rumo ao setor criativo pareciam não acabar nunca!
Engoliu bem forte, entrando a passadas duras. Seus olhos vasculharam pelas cabeças sobre as divisórias brancas, cumprimentando os funcionários.
Mas então, para sua total surpresa localizou a mesa dividida por Naruto e Menma completamente vazia.
Ficou tão estupefato que não conseguiu dizer nada a princípio.
Aqueles dois estavam de brincadeira? Aproveitaram que estava fora, sem avisar quando voltaria e tiraram o dia de folga?
Muito irritado localiza a cabeça de Kiba e caminha a passadas duras até ele.
– Inuzuka!!! – chamou-o muito mais alto do que gostaria. O rapaz ergueu o rosto e Gaara estranhou a falta do sorriso costumeiro em seu rosto – Onde diabos estão Naruto e Menma? Por que eles faltaram ao trabalho???
–... É porque o Menma foi esfaqueado ontem senhor, tá todo mundo muito preocupado com ele.
A expressão morreu no rosto do ruivo e ele ficou sem ação, sua voz desapareceu, tornou-se pálido como um fantasma. Um irritante frio na barriga o fez congelar no mesmo lugar, a mente dando voltas sem parar.
– O... Que disse? – piscou algumas vezes, tentando processar a informação.
– Ligaram para Ino hoje de manhã. Parece que ontem à noite Naruto foi abordado por pessoas armadas, uma espécie de tentativa de assalto. Menma tentou protegê-lo e foi esfaqueado.
A maleta que estava nas mãos do ruivo caiu ao chão ruidosamente. No setor, todos pararam o que faziam para ver a reação do chefe.
Era raro vê-lo tão estupefato, a cor fugiu de seu rosto e era óbvia a surpresa, de modo que o rapaz ruivo nem sabia que tipo de expressão estava exibindo no momento. Os funcionários cochichavam entre si.
–C... Como assim esfaqueado? – suas pernas perderam as forças e ele fraquejou por um instante, apoiando-se na cadeira.
– O senhor está bem? – Kiba intentou acudi-lo, mas foi recebido por um olhar feroz.
– Não preciso de sua ajuda, Inuzuka! Explique essa droga agora mesmo! O que aconteceu com ele? Menma está...? Ele por acaso está...?
Nem conseguia dizer, sequer se atrevia a pensar. Era terrível demais. Nunca se perdoaria se por acaso ele estivesse mesmo...
– Menma está vivo, senhor – Kiba ignorou a grosseria do chefe, porque era nítido o quanto ele estava nervoso, e parecia não saber lidar com isso – Não sabemos nenhum detalhe, apenas que a ferida foi muito profunda e que ele está mal de verdade. Precisará de alguns dias para se recuperar.
– Onde ele está? Em que hospital o internaram?
– Não sabemos.
– E por que não perguntaram???
– Ino é quem sabe de todos os detalhes. O cunhado de Naruto ligou diretamente ao RH. Ele queria falar com o senhor, mas como não havia voltado ainda, explicou a ela tudo que aconteceu.
Era demais para a mente do ruivo processar. Sem dizer coisa alguma ele segue apressado à sua sala, trancando-se nela e se apoiando na porta. Escorregou por ela até chegar ao chão, respirando depressa, a cabeça entre as mãos.
Menma estava gravemente ferido, e sequer sabia de sua localização!
Apanhou entre as mãos o celular. Não havia mensagens ou ligações dele desde a tarde passada.
Talvez por conta do que aconteceu? O coração do ruivo doeu.
Imediatamente telefonou para o número do moreno, mas a ligação caiu na caixa postal, indicando que o aparelho estava desligado.
Onde ele estava? Estaria bem? Corria algum risco de vida?
Se havia sido esfaqueado então talvez precisasse de uma transfusão de sangue. Teriam o mesmo tipo sanguíneo? Se soubesse onde ele estava poderia fazer uma doação... Além disso, ele precisava comer direito, talvez estivesse se sentindo sozinho...
Nesse momento deu-se conta de que não sabia nada sobre ele. Mesmo que quisesse procurá-lo ou ajudá-lo não saberia por onde começar. Seus olhos arderam de desgosto.
Abraçou os próprios joelhos, tão angustiado que mal conseguia se mexer. Uma dor constante se alojou dentro dele, enchendo-o de culpa.
Maldição, por que havia viajado? Por que insistia em se convencer que Menma não lhe significava nada? A simples ideia de perdê-lo era tão pavorosa que o impedia de raciocinar.
Desejava ver aquele sorriso estúpido outra vez, saber que nada de grave estava acontecendo.
Incapaz de ficar inerte ele se levanta e sai como um disparo em direção ao RH, procurando pela loira, varrendo quem estava em seu caminho e abrindo a porta sem se anunciar ou bater antes.
– Yamanaka!!! – adentrou de uma vez, assustando a loira.
– Sim já sei que Naruto e Menma não vieram trabalhar, mas eles têm um bom motivo para isso – antecipou, imaginando o furor do chefe ao saber da falta dos dois.
– Onde Menma está internado?
A loira ergue os olhos claros, espiando-o por detrás das madeixas loiras. Com certeza já haviam lhe dito tudo no setor.
Kiba, obviamente. Quem mais gostava tanto assim de uma fofoca? Bem, ela não podia dizer muito de si mesma...
– Vejo que já lhe contaram o que aconteceu, não é? Infelizmente não nos deram essa informação por questão de segurança. Eles foram atacados covardemente e não se sabe se esses criminosos desejam acerto de contas.
– Qual o estado de saúde deles???
– Naruto não se machucou, mas as emoções fortes naturalmente lhe fazem mal por estar grávido. Ele acordou com febre muito alta e está de repouso. Já Menma parece ter recebido uma facada no ombro ao defendê-lo. A ferida é muito profunda, causou hemorragia e demorou a ser tratada, por isso infeccionou. Ele precisa de cuidados especiais agora, não parece estar nada bem.
Uma óbvia expressão de desespero cobriu o ruivo. Se tivesse sobrancelhas as teria franzido naquele instante.
– Se não estão em um hospital então quem está cuidando deles?
– Ao que parece uma conhecida de família, que é médica. Recebi as receitas médicas, laudos e atestados por e-mail pela manhã e já estava levando para arquivar. Quer ver o senhor mesmo?
Ele arrancou os papéis da mão da loira, quase os partindo ao meio e se pôs a ler, desesperado.
Não era entendido em medicina, mas as palavras cauterização de emergência, sutura, coagulação lenta... Tudo parecia horrível e somente o fazia pensar o quanto aquele desmiolado estava sofrendo.
A dor deve ter sido terrível. Imagine um objeto imenso como o descrito naquele documento perfurar a carne, rasgar os tecidos, dilacerar a pele... E qual teria sido o desespero dele ao continuar fugindo mesmo sangrando tanto, sem tempo de se tratar devidamente.
Seu estômago embrulhou tanto que achou que vomitaria.
Queria vê-lo! Mais que qualquer coisa!
–... Isso tudo é um absurdo! Ele precisa de tratamento adequado, não pode ser tratado em casa!
– Não vai adiantar nada dizer isso para mim senhor. Eu apenas recebi a informação – retrucou. Mas em partes sentiu-se mal por ele.
Óbvio que estava muito nervoso e alterado, ele mal pensava no que dizer.
– Já tentou ligar ao celular dele??? – insistia, nervoso.
– Apenas caixa postal, mas creio que por estar se recuperando ainda. Talvez mais tarde consigamos contato.
Maldição! Nem ao menos fora informado sobre a localização dessa residência onde estavam sendo tratados!
Ino estranhou toda aquela afobação. Claro, naturalmente uma notícia tão horrível pegava qualquer um de surpresa, mas... Ele não estava preocupado demais?
– O rapaz que me ligou, de nome Sasori, disse que Menma repetiu o seu nome diversas vezes quando estava delirando de febre, senhor.
Ao som da frase Gaara vira os olhos verdes à garota, completamente pasmo.
–... Meu nome?
– Isso, e quando acordou ele insistiu que precisava falar com o senhor urgentemente, que precisava explicar as coisas ou não ficaria em paz. Parece que está sendo difícil medicá-lo e tratá-lo porque ele quer sair para lhe ver a todo custo! Não sei que tipo de briga tiveram, mas seja complacente senhor. Ele está muito mal, passou por um momento terrível e precisa mesmo conversar e acertar as coisas.
Uma dor ainda pior dilacerou o ruivo por dentro.
Aquele estúpido... Não era hora de se preocupar com os outros! Tinha de pensar em si mesmo e na sua recuperação!
Se queria tanto assim lhe ver o motivo era óbvio. Ele não julgou a noite que tiveram como algo passageiro, queria tornar a insistir seus sentimentos sobre ele.
O que teria passado por sua cabeça no momento em que lutava contra aquelas pessoas? Tivera medo de morrer? E mesmo depois, enquanto estava sendo medicado, ignorando a própria dor, sua única preocupação era falar com ele?
Se arrependimento matasse...
–... Entre em contato comigo caso saiba de alguma coisa, senhorita Yamanaka – quase sussurrou, o que era uma surpresa e tanto.
– Claro senhor – quase não acreditou no ruivo desolado que deixava o recinto.
–-
– Menma, enfim consigo te ligar!!! – a loira suspirou de alívio ao telefone – O que aconteceu? Como você está?
– Eu to bem, só preciso ficar quieto – embora insistisse dizer que estava bem sua respiração ofegava ao telefone.
Não quer ver anúncios?
Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.
Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!– Gaara está muito preocupado com você.
– Ah, claro que está – desdenhou – Na mínima está preocupado com o andamento da campanha publicitária e que não há ninguém para entregá-la no prazo.
– Kiba está cuidando dessa parte para vocês, ele mesmo se ofereceu. Não acho que Gaara esteja preocupado por conta disso. Ele me perguntou muito sobre Naruto, é claro, mas especialmente me cobriu de perguntas sobre você. Disse que voltou ao país porque precisava resolver algo pendente e quase surtou ao saber que você foi atacado.
Menma parecia muito surpreso ao telefone. Seu coração disparou descontrolado contra as costelas.
Gaara estava preocupado com ele? Então porque aquele idiota não ligou em seu celular? Talvez tivesse ligado quando estava desligado? Só conseguira encontrar um carregador disponível agora...
Um sorriso discreto estampou seu rosto.
– Está ouvindo alguma coisa do que estou falando ou sua mente travou quando eu disse “Gaara”? – soou maliciosa.
Ele riu ruidosamente ao telefone.
– Algo assim.
– Se tiver misericórdia de quem está trabalhando hoje naquele setor ligue para ele! Acho que se ficar mais um minuto sem saber o que te aconteceu ele vai botar esse prédio abaixo.
– Aguente só mais um pouco. E comunique que conseguiu falar comigo. Quero que ele mesmo me ligue.
– Sabe que isso nunca vai acontecer não é? Ele é orgulhoso demais para dar o braço a torcer.
– Vai por mim, ele vai me ligar. Apenas diga isso, Ino. E obrigado.
– Às ordens, gatinho. Fique bom logo e volte para cá ou me deixa com saudades. Tem um funcionário terceirizado lindo de plantão hoje e nem posso mostrá-lo a você!
Menma riu longamente ao telefone antes de se despedir, recostando-se nos travesseiros.
Aquele ruivo lhe causava uma avalanche de sensações diferentes, mas a mera menção de seu nome já o fazia se sentir muito melhor.
–-
Já era tarde daquele longo e inexplicável dia. Naruto enfim se curara da febre alta e estava com Sasuke conversando com Tsunade. Sasori cuidava de Itachi, que já parecia melhor e conseguira até mesmo formular frases inteiras, ainda que estivesse meio confuso.
Menma olhava pela janela daquela casa, deixando a mente vagar livremente. Na manhã seguinte voltaria para sua casa, era um alívio. Deixariam a residência de Tsunade e cada um seguiria seu rumo.
E aquela falsa calmaria parecia o prelúdio de uma intensa guerra... Agora que conhecera quem verdadeiramente eram os Uchiha sabia que enfrentá-los não seria nada simples. Sem querer se tornara inimigo deles e teria de combatê-los.
Ouviu o celular tocar e distraidamente levou a mão ao bolso da calça para atender, mas sem querer esbarrou no braço dolorido. Rangeu os dentes com a dor, caindo sentado no sofá enquanto a ligação apitava. Afoito, atende e sua voz soa como se estivesse imerso em completa dor.
–... Alô... – respirava depressa junto ao celular.
– Menma!
Parou atônito quando reconheceu a voz preocupada de Gaara, seu coração disparou.
Era tão bom ouvi-lo de novo!
–... O que você quer? – tornou-se sério e indiferente.
– Como “o que eu quero”? Quero saber como você está, seu estúpido! Parece estar sentindo muita dor!
– Não deve estar muito preocupado, visto que só me ligou agora.
– Eu tentei te ligar várias vezes seu imbecil, mas seu celular estava desligado!
Um sorriso maroto passou pela face do moreno e Gaara praguejou de raiva por ser enganado tão facilmente.
– Então esteve me ligando? E por quê exatamente?
– Porquê... Eu estava preocupado – murmurou irritado e envergonhado.
– Já lhe disse que estou bem, não precisa se preocupar. Desculpe mas preciso desligar agora.
– Espere!!! – agitou-se, andando de um lado para outro na sala de sua casa, pensando depressa no que dizer.
Droga, que nervoso!
– Eu... Ah bem...
– Você o que, Gaara? – tentou não denotar o quanto se divertia com o sofrimento do ruivo.
– Eu só... Eu... – estava tão vermelho que seu rosto queimava!
– Sim?
–... Eu queria te ver...
– Você quer me ver?
– Apenas para saber se está tudo bem!!! – reiterou depressa, nervoso – E porque eu comprei um monte de remédios e não terei o que fazer com eles se você não os tomar!!!
– É muita consideração da sua parte pensar em mim a ponto de me comprar remédios, Gaara. Obrigado.
O coração do ruivo disparou no peito.
Aquela maldita voz macia era tão reconfortante que o arrepiava inteiro! Como gostaria de sentir a respiração dele contra sua pele enquanto sussurrava daquela forma...
Agitou a cabeça, nervoso.
– Está... Sentindo dor em algum lugar? Eu soube que foi esfaqueado.
Menma achou o termo “esfaqueado” muito dramático e de certa forma gostou disso. Era melhor do que dizer que levou uma punhalada ou facada.
– Só no lugar da perfuração e cauterização. De resto estou bem
– E a febre... Já baixou?
– Trinta e oito graus não matam ninguém – disse sincero – Vou ficar mal acostumado com tanta preocupação. Achei que tivesse fugido porque não se importa comigo.
Mordeu o lábio, ficando mudo, pensando no que dizer.
Menma partilhava o mesmo nervosismo, esperando atento a qualquer sinal do outro, ouvindo sua respiração pesada junto ao celular. Ficaram um bom tempo em silêncio, nervosos, ansiosos.
Como era difícil explicar tanta agonia. Como era difícil controlar o próprio coração que batia como louco no peito, suportar a falta de ar, a ansiedade que parecia esmagá-los.
Como desejar tanto ter uma pessoa perto de si e suportar a dor de estar tão distante?
–... Por que fugiu de mim, Gaara? Não acreditou quando eu disse que gosto de você? – foi direto ao ponto, rompendo o silêncio.
–... Já lhe disse que não quero me envolver de novo.
– Então não me dê falsas esperanças. Cada vez que faz algo como ligar preocupado comigo me enche de expectativas. Não vou suportar isso. Quero ficar com você. Se quiser ficar comigo também seja sincero, e se não quiser não me faça sofrer desse jeito. Está brincando com meus sentimentos.
– N... Não estou brincando com você! Eu lhe disse a verdade desde o começo!
– Está se fechando para si mesmo, mas vou insistir até derrubar a muralha que construiu ao seu redor. Quero te fazer feliz.
– Se realmente quer me ver feliz então porque continua a insistir, mesmo quando já lhe disse não?
–... Porque sei que seu lugar é nos meus braços, Gaara. Sei que enquanto estiver comigo posso proteger seu sorriso, zelar por sua felicidade. Quero curar suas dores, fazê-lo esquecer o que tanto te feriu.
O ruivo soltou o ar preso pela boca, o ruído soou abafado ao celular e Menma sorriu, fechando os olhos.
–... Está com medo, não é? Acha que estou falando da boca para fora, mas não estou. Só deixe-me amar você. Vou lhe provar o que estou dizendo.
Aquele estúpido Uzumaki parecia conhecê-lo melhor que ele mesmo! Uma simples palavra, um gesto simples e Menma conseguia lê-lo por completo, saber com perfeição o que se passava em sua mente e coração.
–... Eu... Já amo outra pessoa.
– Você só está confuso porque foi magoado.
– Eu não posso esquecê-la.
– É mentira, vi nos seus olhos quando tremia dentro do meu abraço. Você sente algo por mim.
Alguém por favor faça-o parar! Estava tão nervoso que seu peito ia explodir! Seu corpo inteiro gritava ao moreno. Queria-o por perto, sentir seu cheiro, dedilhar sua pele, olhá-lo no fundo dos olhos.
Suspirou, involuntariamente e se assustou com isso. Seu coração estava tão acelerado, suas bochechas rubras, um maravilhoso sentimento atiçando cada parte de seu corpo. Era como...
Como se sentia quando estava apaixonado por Matsuri.
–... Quero te beijar de novo, Gaara.
O ruivo engoliu em seco, mordendo forte para não abrir a boca, ou diria algo que não desejava. A voz continuava a soar baixa e sussurrada.
–... Quero sentir sua pele, provar seu sabor, olhar nos seus olhos...
–... Pare de dizer essas coisas constrangedoras!
–... Eu gosto demais de você, Gaara. Não sei viver sem você – admitiu, meio zonzo. Sentia a face muito quente e molhada.
Ah droga! A febre estava subindo outra vez. Começou a arfar ruidosamente junto ao celular.
O ruivo ainda estava surpreso pelo que acabar de ouvir, mas ouviu a respiração pesada do moreno, óbvio que havia algo errado.
– O que você tem? Está passando mal?
Menma passou a mão pelo rosto que suava frio, sentindo-se muito zonzo e enjoado.
– Estou bem... Escuta do quê... Estávamos falando mesmo?
Gaara apertou o celular com força entre os dedos.
– Me passe o endereço daí agora mesmo!
Tão grogue que estava Menma fez o que ele disse e pouco depois, adormeceu, sem desligar a ligação. O ruivo o chamou inúmeras vezes, mas ele já havia apagado por completo, sentindo a face arder.
Quando despertou estava sendo chacoalhado pelo primo, de leve.
– Menma!
– Hmm??? – resmungou, cheio de sono.
– O senhor Sabaaku está aqui para te ver.
Menma despertou de imediato, abrindo os olhos cheios de nervosismo e erguendo o tronco incrédulo, olhando em direção à porta.
Um ruivo emburrado e irritadiço o encarava, aparentemente muito sem jeito.
–... Gaara...
Seus olhos se chocaram e ambos foram transportados para uma realidade à parte, não havia mais nada que o olhar um do outro.
O ruivo apertou com força a barra da própria blusa.
Queria dizer diversas coisas diferentes. De fato pensara seriamente no que diria e faria, mas tudo evaporou da mente quando postou os olhos sobre o moreno.
Ele parecia muito vermelho, óbvio que estava febril. Era pavoroso ver as marcas dos cortes, as bandagens, o curativo imenso e as gazes sujas de sangue seco no ombro. Aquele completo idiota negligenciava o próprio estado, não estava nada bem!
Caminhou a passadas duras de nervosismo até o sofá, encarando-o firmemente. Naruto os deixara sozinho para atender Itachi, que insistia em lhe ver.
O Uzumaki não sabia o que fazer. Não imaginou que Gaara viesse lhe visitar.
– Gaara... O que está fazendo aqu... – não conseguiu completar porque, com a surpresa, se apoiara no braço machucado e a dor fincou no fundo do âmago. Largou-se no sofá gemendo de dor, se retorcendo e cerrando os dentes, assustando o ruivo que o impediu de se mexer segurando seu tronco contra o sofá.
– Tente ficar quieto, droga! – insistiu, mas teve a camisa segurada pela mão sã do moreno, o corpo puxado até que colasse o peito ao dele. Caiu sobre seu corpo. Respirava assustado, a milímetros do rosto do Uzumaki.
E então Menma lhe sorriu, um daqueles lindos sorrisos que roubava as forças de qualquer um.
–... Estou tão feliz em te ver que nem consigo explicar – riu, passando de leve a mão pelo rosto pálido, puxando-o e aplicando um beijo carinhoso sobre o kanji de amor estampado na testa.
–N... Não se iluda! Eu só vim entregar seus remédios! – virou o rosto, mas não tentou sair do abraço. Suas mãos espalmavam o peito largo sentindo-o subir e descer bem depressa. As pernas abertas do moreno acomodavam seu quadril, impedindo-o de fugir.
Que frustrante! Sentia-se tão bem ali daquele jeito que poderia adormecer com ele! Era tão bom tê-lo junto de si, apenas senti-lo, apenas respirar o mesmo ar... Tão pouco e já fazia seu coração bater feliz.
Sem poder se controlar volve o rosto em direção ao moreno, que o encarava seriamente. Postou os olhos sobre ele e o sentimento explodiu no peito. Não disse nada, não soube quanto tempo passou, e nem queria. Era tão bom fitá-lo.
A distância foi diminuindo como que por mero encanto. Era atraído ao corpo do moreno por uma força invisível. Tremeu quando a mão larga passou por seu rosto e cabelos. Nem percebeu quando esboçou uma expressão completamente abandonada e carente.
“Toque-me mais... Olhe-me muito mais... Se não fizer isso, não sei se posso suportar...”
–... Eu não consigo esquecer aquela noite, Gaara. Não posso evitar pensar em você. Quero amá-lo de novo.
Gaara corou furiosamente e volveu o corpo para trás, caindo sentado. Menma, mesmo zonzo, subiu sobre ele, um joelho de cada lado do corpo, as mãos em seus ombros.
–... Não podemos mais... – embora dissesse isso seus olhos estavam postos na boca entreaberta, molhada e vermelha. A respiração incandescente batia em seu rosto, deixando-o afoito, a ponto de esquecer que estava na sala de estar de uma pessoa desconhecida.
–... Não minta – passou a mão pela calça, percebendo o membro muito ereto, arqueado no tecido – Você me deseja tanto quanto te desejo. Seu corpo pede o meu, e sucumbiu de prazer quando estivemos juntos.
–... Não é verdade... – não conseguia mentir tendo aquele par de olhos azuis lascivos sobre os seus. Desejou desviar o olhar, mas era saboroso se sentir devorado por aquelas íris. Tanto que quando o rosto dele começou a se aproximar nem ofereceu resistência. Sua mente racional ordenava que se afastasse, mas o desejo eriçava o corpo inteiro. Remexeu-se de prazer ao sentir as mãos muito quentes tatearem seu pescoço, um arrepio intenso o fazendo gemer baixinho, sua ereção pulsando dolorosa.
Os lábios estavam a milímetros de distância, de modo que quando falava roçava a boca à dele.
–... Diga que não quer me beijar de novo e o deixo ir – encarava-o sem se desviar, arfando febrilmente.
– Eu... Eu não...
– Não o quê? – mordiscou o lábio inferior, puxando-o um pouco, para então soltá-lo devagar, fazendo Gaara arfar.
– Eu... Ah...
– Viu só? – a mão escorregou para sua nuca – Gaara...
O ruivo fechou os olhos, rendido, ofegante e desejoso, permitindo que o outro prosseguisse, que fizesse o que quisesse. Queria aquele beijo, faria qualquer coisa por ele.
– Menma... Eu...
Mas então sentiu uma cabeça tombar em seu ombro e abriu os olhos, surpreso.
Menma adormeceu, febril.
– Mas que maldição!!! – vociferou um pouco mais alto do que deveria. O som logo chamou atenção de quem estava na casa e passos leves se fizeram presentes.
– Eu ouvi um barulho, está tudo be... – Naruto petrificou ao chegar à sala e presenciar Menma sentado no colo de Gaara, a cabeça pendida em seu ombro, e os braços trespassados do chefe pelo corpo do moreno.
Gaara corou tão furiosamente que poderia soltar fumaça pelas orelhas!
– Uzumaki!!! Não é... Não é o que está pensando!!!
Naruto ainda estava estupefato demais para pensar em qualquer coisa. Nisso a voz grave de Sasuke soou detrás de si e os passos do moreno ecoaram.
– Naruto, está tudo bem? – chegou à sala e presenciou os dois no sofá, piscando algumas vezes, meio incrédulo – Eu perdi alguma coisa?
Foi o bastante para Gaara erguer-se do sofá, muito envergonhado e endireitar o corpo.
– Comunique-me quando estiverem melhor – disse somente, seguindo apressado para a saída.
– Espere senhor Sabaaku... – a frase morreu no ar quando Gaara sumiu das vistas, desaparecendo pelo portão.
Sasuke apenas coçou detrás da cabeça, muito calmo.
– Gaara e Menma? Por essa eu não esperava.
– Mas o que raios aconteceu aqui??? – quase não conseguia acreditar.
Era o seu chefe que estava ali, abraçado a Menma? O mesmo chefe assustador que despertava pesadelos em todos os funcionários do prédio?
E desde quando eles eram tão íntimos? Menma havia falado sério quando disse que estava apaixonado pelo chefe? Estava mesmo disposto a conquistá-lo?
Eram informações demais para a mente devagar do loiro.
No cômodo ao lado, um sorriso travesso estampou os lábios de Sasori.
Talvez tenha exagerado em algumas descrições que fizera em sua ligação, mas ao menos isso serviu para trazer Gaara até Menma. Tinha certeza de que isso faria um milagre na recuperação do rapaz.
–-
Havia uma nítida tensão pairando sobre a casa sede naquele dia em especial.
Isso porque não haviam encontrado Itachi ainda, por mais que o procurassem. E o patriarca estava possesso por conta disso. Era possível sentir a tensão no ar e sempre que Madara transitava pelos largos corredores da mansão, não apenas os empregados, mas seus subordinados estremeciam.
Aquele homem irritado significava o absoluto terror dentro do clã.
Um de seus homens de confiança veio até ele e o cumprimentou, ainda em meio ao corredor. O patriarca fez um sinal para entrarem em um dos aposentos e o homem o seguiu.
– Espero de verdade que tenha vindo dizer que acharam meu neto, Inabi. Porque já sei de todo o resto.
O homem estava paralisado como uma estátua diante do patriarca.
– Sabemos que ele está em uma pequena residência não muito distante daqui, senhor patriarca. Mas os detalhes sobre sua saúde ainda são desconhecidos.
– Então obviamente não me trouxe novidade alguma – suspirou impaciente — Se não percebeu ainda sou um homem ocupado, não tenho tempo para besteiras.
O rapaz ainda tentou se explicar, muito nervoso. Na realidade odiava ser servo de Madara, tinha medo mortal daquele homem. Depois das histórias que ouviu tudo que queria era se ver livre dele, mas se saísse, estaria morto.
Inabi era tio de Sasuke, o mesmo que ofendera Naruto no shopping e que fora socado pelo sobrinho em resposta a isso.
Nesse instante a porta se abre de uma vez e por ela entra Obito. Este olhou Inabi de cima a baixo, desgostoso.
– Que pensa que está fazendo aqui?
– Reportando minha patrulha – devolveu-lhe o olhar irado.
– E precisa vir até aqui para dizer que não encontrou nada? Em seu lugar eu teria vergonha de incomodar o patriarca com besteiras.
Inabi rosnou, mas Obito ainda o encarava de cima.
Detestavam-se, talvez por conta da ordem de hierarquia que havia dentro daquela casa.
– Chega vocês dois. Obito, onde está a Karin?
– Sendo medicada para parar de gritar como uma louca histérica.
Madara comprimiu as têmporas.
Maldita mulher. Se não fosse conveniente mantê-la por perto ele mesmo a mataria!
– A ordem permanece a mesma. Encontrem Itachi e o tragam para cá. Tudo que acontecer em seguida vai depender de seu estado. Se está vivo, morto, dormindo ou acordado.
– Não acho que ele tenha despertado, não depois de tomar uma dose tão grande de medicação – Inabi questionou e Obito riu pelo nariz em puro desdém.
– Logo se vê que é um idiota sem salvação. Não olhou as imagens das câmeras de segurança? Itachi mantinha o tronco ereto na cadeira de rodas, é muito provável que tenha acordado.
– Nesse caso estamos todos em grandes apuros! – volveu o olhar irado ao patriarca – Eu investi muito dinheiro nas ações da Uchiha Co! Não posso perder tudo logo agora por causa dos seus malditos netos!!!
Foi segurado pelo pescoço e erguido do chão por Obito, o olhar do moreno faiscava.
–... Melhor controlar essa sua língua de merda na frente de um Uchiha de nível superior ao seu – sua voz era tão congelante e ameaçadora quanto um disparo. O homem soltou uma exclamação anasalada.
– Acha que tenho medo de vocês? Estamos todos ferrados agora que Itachi acordou, ele mesmo vai contar tudo que andamos fazendo, estamos na ruína! Antes de me ferrar eu mesmo vou sair daqui e contar o que acontece nesse maldito clã, e o que vocês andam escondendo!!!
O olhar de Madara ergue-se e Inabi tremeu de terror.
Não eram olhos de um ser humano, era como fitar a face da morte, como ver um demônio encarnado. O vermelho-sangue estampado nos olhos dele lhe causava calafrios! O patriarca calmamente volveu o olhar ao seu homem de confiança.
– Obito – ao simples mencionar do nome o outro entendeu tudo.
Sacou uma arma da cintura e a pôs debaixo do queixo de Inabi que congelou de medo.
– O... O quê??? O que vai fazer? Ficou maluco?
– Acho que quem enlouqueceu foi você Inabi – Obito sorria macabro, divertido com o sofrimento e medo estampado no rosto daquele homem desprezível – Falar mais que a boca torna você inútil para nós. E sendo inútil, a única saída é descartá-lo – ajustou o gatilho, o clique alto pode ser ouvido.
Há essa altura Inabi tremia como louco, completamente transtornado.
– Espera!!! Eu sei de coisas que ninguém mais sabe! Se me matar vai perder muito, cara!
– É mesmo? Por exemplo?
– Eu sei o que se esconde no porão dessa mansão!!!
– Isso não é novidade alguma para mim. Logo se vê que é um completo idiota.
– Espera!!! Se me escutar por um segund...
O som de tiro ecoou e Obito resmungou, limpando o rosto salpicado com aquele sangue imundo. A cabeça de Inabi estourou com o impacto do trajeto da bala, que saiu pelo topo do crânio. Foi largado contra o solo, o branco dos olhos tingido de vermelho, a total falta de expressão no rosto, a boca aberta volvendo sangue e uma nauseante carne esponjosa, provavelmente parte dos miolos.
Madara olhava desgostoso o sangue muito vermelho escorrendo pela tapeçaria importada, tingindo o chão de porcelanato branco e lustroso.
– Limpe a sujeira que faz Obito. Já lhe disse para não ser tão impulsivo dentro de minha casa! – contrariando o tom repreensivo um sorriso de satisfação e sarcasmo estampava o rosto perfeito. Fios negros caíam sobre os olhos rubros, estes aos poucos volvendo à cor negra usual.
Obito se virou com os olhos vidrados, uma expressão de prazer como quem acaba de chegar ao auge de um longo orgasmo, o rosto alto e arrogante.
– Ele que não quis cooperar, e me desrespeitou. Essa droga de subordinado! Sou um Uchiha de sangue puro, é mais do que obrigação dele me respeitar!
Madara tinha problemas maiores para se preocupar no momento. Queria os netos de volta. Em específico Itachi.
–... Tenho urgência em encontrar Itachi. Se bem que, conhecendo a estupidez de meus netos, creio que eles mesmos virão até mim.
Obito chutou para o lado o corpo que estava em seu caminho para se aproximar do patriarca. Baixou-se muito próximo, sentindo a excitação tomar conta apenas ao fitar aquele homem maravilhoso diante de si.
–... Se Itachi acordou mesmo então isso não é um problema? – baixou de relance o olhar, disfarçadamente, para a virilha do patriarca. Desejava enfiar o rosto ali e chupá-lo até ser esporrado... Tremeu de desejo e intentou disfarçar a ereção que surgia em suas calças – Sasuke não terá mais porque se manter casado com a vadia da Karin.
Madara ergueu o corpo majestoso, pondo para trás os longos cabelos negros, estes descendo sedosos até os pés. Ergueu os olhos felinos, maravilhosos ao rapaz que engoliu forte, completamente excitado, fascinado pela beleza perfeita e intocada pelo tempo.
Madara era mesmo a maestria do clã Uchiha! E estava absolutamente certo em desejar que todos herdassem sua magnificência! Era o que latejava na cabeça e nas calças de Obito naquele instante.
Como que adivinhando isso Madara caminha devagar até o homem, segurando em seu queixo e erguendo-o, sentindo-o arfar mais depressa, quente e desejoso.
– Eu não seria tão tolo de depender somente de Itachi para manter Sasuke à minha mercê... – sussurrou de encontro ao pescoço branco, fazendo o mais novo tremer de antecipação. As unhas finas e longas como garras arranharam a pele, abrindo longos vergões no pescoço pálido. Fios de sangue escorreram pela pele, arrancando um gemido rouco de Obito. Estava quase perdendo a razão de tanta excitação.
Era detestável ser mais um amante, mais um objeto momentâneo. Queria o patriarca todo só para si! Não cansava de imaginar o que faria com um homem daqueles!
Madara por sua vez sorriu cruelmente ao fitar o sangue escorrer livre pela pele cortada. Com a língua em riste lambeu vagarosamente as feridas abertas que ardiam, colhendo o sangue devagar, saboreando o gosto de ferro na boca. Chupou o ferimento para arrancar todo o sangue que ele mesmo havia arrancado de Obito, lambendo os lábios de deleite.
Ao fitá-lo percebeu-o completamente em êxtase, à sua mercê por completo. Largou-o de joelhos no chão, pisando em sua cabeça.
–... Ainda tenho um trunfo muito eficiente para obrigar Sasuke a fazer exatamente o que eu quero – abria devagar o cinto, o barulho de metal fazendo a ereção de Obito pulsar de antecipação. Teve o rosto erguido pelo pé do patriarca que o olhava com visível superioridade.
– E pode... Dizer-me o que é? – ergueu o tronco, já completamente necessitado, ficando de joelhos diante da virilha, enfiando o rosto para respirar o cheiro forte e delicioso que desprendia dali, mordendo por cima do tecido a tora quente que pulsava de desejo. Abriu o zíper por si só, alcançando o pedaço de carne que pulsava, enfiando a boca inteira para chupá-lo como gostava. Roçava os dentes, enfiava tudo na garganta até quase se asfixiar. Madara o olhou cheio de lascívia e começou a socar-lhe com força dentro da garganta, a ponto de sufocá-lo e isso elevou a excitação do mais novo que alcançou a própria ereção, masturbando-se deleitado. O movimento era tão feroz que machucava o fundo de sua garganta, engolia por completo a ereção imensa e grossa, sentindo seu sabor tão viciante.
Um curto gemido rouco escapou do patriarca e foi suficiente para Obito gozar, esporrando sobre o sangue que tingia o chão. A visão era ainda mais sublime. Madara retirou o próprio órgão da boca do subordinado manipulando-o até que expelisse longos, grossos e intensos jatos por todo o rosto de Obito, mantendo bem clara sua posição na hierarquia, deixando sua marca de que aquele homem lhe pertencia, e que vivia unicamente para servi-lo.
Obito passou os dedos pelo rosto, lambendo o canto da boca, saboreando o sêmen quente e espesso como se fosse um doce irresistível. Madara arfava de leve, já recomposto quando sorriu diabólico.
–... O que tenho em mente atinge não apenas Sasuke, mas Itachi também. Vou fazer os dois se arrependerem por me contrariar. A dor que vão sentir agora... Não se compara a nada que já sentiram em vida! Eles desejarão a própria morte.
Continua.
Fale com o autor