Entre A Razão E O Desejo - Em edição
13 Conflito
Notas iniciais
Sasori virou-se meio confuso.
– Do que está falando, Naruto?
–... É sobre Itachi... Ele não está tão doente quanto parece!
O ruivo a princípio ficou surpreso, mas a mente racional trabalhou depressa e pareceu entender tudo perfeitamente.
– Sei que estão apenas alarmando Sasuke, dizendo a ele coisas como “seu irmão nunca vai acordar” apenas para pressioná-lo, mas não deve se preocupar com isso.
– As coisas não são como o hospital tem dito, Sasori. Há muito mais por trás das palavras dos médicos.
– Sei disso. Acho que os médicos sempre dizem que Itachi está piorando para nos assustar. Para mim tudo que importa é que o estado dele esteja estabilizado. O período de recuperação foi terrível. Visitá-lo e perceber os hematomas marcando a pele dele me deixava tão preocupado que mal conseguia dormir. Sempre imaginava se ele estaria sentindo algum tipo de dor. Eu não poderia suportar saber que Itachi está sofrendo, não depois de tudo que ele passou por minha causa – baixou o olhar, o sorriso esmoreceu no rosto.
Naruto se calou no mesmo instante.
Pela primeira vez percebeu nos olhos rubros uma sombra de pesar, como se ele finalmente houvesse fraquejado. Naruto compreendeu que ele apenas dizia a si mesmo para prosseguir, mesmo que não estivesse bem. Sasori era uma pessoa admirável e muito forte, mas a falta que ele sentia do esposo era visível. E tamanha saudade parecia consumi-lo.
O loiro sentiu-se envergonhado. Sasuke o advertira várias vezes para não dizer nada sobre Itachi, porque talvez Sasori não o pudesse suportar.
E quase colocou tudo a perder, quase lhe disse a verdade lhe trazendo um novo sofrimento.
Mas, era certo esconder a verdade mesmo que lhe fizesse sofrer?
Interrompendo seu pensamento o celular apitou quando recebeu uma mensagem e deu um sobressalto de susto, retirando-o do bolso.
– Aposto que é Sasuke te procurando – riu baixinho – Diga a ele que eu levo você.
– Ele já está aqui! – exclamou abismado. Um pouco mais e teria sido pego.
Talvez fosse um sinal de que não deveria dizer nada? Não sabia dizer.
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O fim de semana possuía a desagradável habilidade de se esvair depressa demais, deixando a sensação que passara em um piscar de olhos.
Acordou e bocejou longamente, demorando a adquirir foco. Entre seus braços havia um corpo magrelo, deitado de lado. As costas mirradas estavam coladas ao seu peito nu, as pernas entrelaçadas. Vulgarmente chamam isso de “dormir de conchinha”.
Roçou o nariz nos fios dourados e espetados da nuca parda, para então lhe dar um beijo no pescoço.
–... Naruto? – tirou as mãos de sua cintura e balançou-lhe os ombros devagar – É de manhã, acorde.
–... Mmm... – resmungou, segurando o braço do Uchiha preguiçosamente, recusando-se a despertar. Este não se deixou levar pelo ataque de preguiça e o virou para si.
– Quem foi que me pediu para acordá-lo para ir ao trabalho?
O loirinho abriu bem a boca e soltou um longo bocejo de preguiça. Abriu os olhinhos azuis para Sasuke, meio zonzo de sono, roçando o nariz no dele.
–... Posso dormir mais 5 minutos...?
– Está bem. Vou tomar banho e depois volto para te acordar – sentou na cama, esticando as costas e os braços. O ar frio da manhã eriçou o corpo nu. Procurou os chinelos à beira da cama, encontrando somente os exagerados chinelos felpudos do outro. Deu de ombros e os calçou, seguindo ao banheiro para tomar um banho.
Cerca de vinte minutos depois voltava já semi pronto, encontrando o loiro na mesma posição de antes.
– Naruto! – chamou-o um pouco mais alto. Os cabelos molhados respingavam na cama, a gravata largada sem nó circulava o pescoço.
O loiro abriu os olhos muito mais pesados do que de costume, rolando a cabeça pelo travesseiro. Sasuke colocou a mão sobre sua testa para verificar a temperatura, mas ele estava normal, sem febre.
– Está se sentindo bem?
– Estou cansado, só isso – se remexeu, descobrindo-se até a cintura para esfriar um pouco o corpo quente e abafado pelo cobertor.
– Fique em casa hoje. Vou avisar no seu trabalho e peço à Menma para cobrir seu dia.
– Nem pensar! – pareceu despertar em um segundo — Ele ainda não sabe todo o trabalho, não tem condição alguma de ficar sozinho – apressou-se – Precisam de mim lá.
– Você tem feito muito esforço ultimamente.
– Eu sei, mas não quero perder esse emprego! Eu realmente gosto de trabalhar e não quero depender de você para tudo.
– Não acho que esteja dependendo de mim.
– Mesmo assim eu gosto de fazer as coisas do meu jeito – teimou, franzindo o cenho. Levantou-se, esquecendo que não é prudente erguer o corpo de uma vez quando se passou muito tempo deitado e a pressão caiu num instante fazendo-o enxergar tudo preto. Disfarçou, mas o Uchiha percebeu na hora.
– Viu? Você vai ficar em casa e ponto final.
– Ah não, Sasuke! Não tem nada para fazer em casa!
– Você não está de férias, Naruto! Está grávido! Sua gestação é de risco! Pense um pouco mais no seu bebê e não seja teimoso!
– Mas eu ainda me sinto bem!
O moreno se enfezou e pegou aquele loiro teimoso no colo, levando-o de volta à cama. Naruto ficou vermelho, era vergonhoso ser carregado feito uma princesa!
– Me põe no chão!
– Uma coisa é dar valor ao seu trabalho, e te admiro por isso. Outra diferente é negligenciar seu estado. Você precisa descansar – fez cara de bravo para o loiro em seus braços.
– Eu sei disso...
– Então fique em casa, por favor. Por você, e por nós dois – pediu calmamente, e diante daquele olhar o loiro não teve como recusar.
–... Sabe que não consigo negar quando você pede desse jeito – inflou as bochechas, contrariado.
– Ótimo – beijou seus lábios demoradamente antes de tornar a deitá-lo na cama. Subiu a blusa do loiro e beijou sua barriga antes de puxar uma coberta sobre seu corpo.
– Você é pai agora Naruto. Tem que pensar mais em você mesmo, e na criança que carrega no ventre.
... Tem razão. Desculpe – suspirou cansado.
Um dia inteiro em casa parecia muito tedioso. E não importava como pensasse, tinha receio que o primo desmiolado fizesse algo para comprometer seu emprego.
– Queira o bom Deus que Menma fique quietinho... – implorou, sabendo ser praticamente impossível.
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Minato franziu a testa, confuso com a visita inusitada.
– Sasuke? – estranhou ver o jovem Uchiha parado à sua porta, bem trajado e penteado.
– Bom dia senhor Uzumaki, desculpe atrapalhar.
– Não... Não tem problema, entre por favor. Aconteceu alguma coisa?
– Nada de mais. Eu apenas preciso conversar um momento com sua esposa, a respeito de Naruto — O loiro mais velho não entendeu, mas pediu que ele se sentasse, virando o rosto em direção à cozinha.
– Kushina! Venha aqui um instante.
A ruiva veio até eles amarrando o longo cabelo vermelho, um prendedor na boca.
–... Sasuke??? – murmurou, a voz abafada por morder o prendedor. Rapidamente amarra os cabelos e vai até o moreno – Bom dia, querido – e sem cerimônias aperta-o em um abraço. Sasuke fica completamente sem jeito e muito vermelho.
–... Bom dia senhora Uzumaki.
– Só Kushina, eu já lhe disse! E sente-se querido, eu fiz um excelente café da manhã.
– Não obrigado, não pretendo demorar.
– Você não pode sair sem comer alguma coisa, está magricela como o Naruto! – apertava sem cerimônia alguma a cintura fina do Uchiha que ruborizou, tentando se afastar.
“Agora sei de onde vem o temperamento de Naruto” – pensou, tendo imediata vontade de rir.
Minato olhou o relógio de pulso, constatando estar atrasado.
– Preciso ir ou vou me atrasar, fique à vontade Sasuke.
Ele assentiu, educadamente.
– Tenha um bom dia querido – a mulher acenou gentil, em seguida empurrando devagar as costas do moreno rumo à cozinha – Agora venha comigo, gosta de café?
– Sim, por favor – percebeu que não teria como recusar e sentou-se junto à mesa da cozinha.
O apartamento ainda não havia sido completamente arrumado, afinal haviam se mudado recentemente. Mas Sasuke se sentia bem ali. Os pequenos enfeites, os pertences, tudo naquele lugar tinha cara de lar, algo que ele desconhecia.
Foi servido de café com creme e pão fresco.
– E então: como meu filho tem se comportado? Ele se mexe horrores durante a noite não é? – riu alto, sentando-se diante dele.
– Nem me fale — revirou os olhos — Quando não acordo sufocado por um braço é porque levei um chute ou fui empurrado para fora da cama.
Kushina riu divertida e deu uma piscadela.
– Ele é assim desde pequeno, na verdade Naruto sente muito frio à noite e procura algo para se esquentar – soprou o líquido dentro da xícara devagar, para tomar um longo gole de café em seguida – Tente abraçá-lo quando for se deitar. Se fizer isso ele dormirá quieto como um anjo.
– É mesmo? A senhora acaba de salvar minhas noites de sono – sorriu de volta, servindo-se do café. Na realidade havia saído de casa em jejum, um péssimo hábito. Não estava costumado a sentar-se junto à mesa e conversar pela manhã enquanto comia. Poderia facilmente se acostumar a isso.
– Mas não veio até aqui por isso, não é?
– Na verdade não – pousou a xícara no pires — Eu gostaria que a senhora fizesse companhia ao Naruto hoje. Ele não pareceu muito bem pela manhã, estava pálido e insistiu em querer ir trabalhar, foi um esforço mantê-lo em casa.
– É típico! Ele não percebe que tem um bebê crescendo na barriga? Vou obrigá-lo a ficar na cama nem que o amarre! – os olhos dela se tornaram ameaçadoramente rubros e o moreno piscou depressa, fazendo um lembrete mental de não importunar aquela mulher jamais!
– Fico mais tranquilo sabendo que a senhora estará com ele.
A ruiva observou categoricamente o olhar vago daquele rapaz, compreendendo prontamente.
– Tem medo de deixá-lo sozinho por causa do que fizeram, não é? Naruto está correndo algum risco?
Ele ergueu calmamente o rosto para a mulher.
– Enquanto estiver no condomínio há guardas de confiança. Sempre me certifico que ele não vá ao trabalho sozinho, mas sinto que estou lhe tirando a liberdade. Naruto está vivendo numa gaiola, não é livre para transitar por onde quiser.
– O que ele diz sobre isso?
– Que não o incomoda, que está vivendo bem. Mas tenho minhas dúvidas. Sei que minha família nunca aceitaria de bom grado nossa relação, não quero que nada de mal aconteça a ele.
– E quanto a você, Sasuke? Como você se sente a respeito disso tudo? Está disposto a correr os riscos e a proteger Naruto para ficar com ele?
Sasuke manteve o olhar muito firme.
– Eu amo o seu filho – disse em tom tão natural que ela teve vontade de sorrir, mas não o fez – E vou protegê-lo de qualquer coisa que tentarem fazer contra ele.
– E por que não se mudam? Há um apartamento vago aqui ao lado. Claro, não é luxuoso como o seu, mas isso nos daria oportunidade de cuidar melhor do Naruto e do bebê. Meu marido e eu podemos alternar os turnos para ficar perto dele, sei que Minato sente muita falta dele. Seria ótimo para todos.
Por um momento o moreno pareceu ponderar, como se a ideia jamais houvesse passado por sua cabeça.
Aquele apartamento em que vivia era seu refúgio contra o clã, contra Karin. Não se tratava de um lar, mas de um esconderijo. Mudar-se representaria um recomeço, uma vida só dos três. Naruto teria a companhia dos pais, era mais próximo do trabalho e mais movimentado. Dificilmente algum familiar seu teria fácil acesso. Em lugares com várias pessoas é normal que se cuide muito da vida alheia. Caso alguém intentasse fazer mal ao loiro haveria centenas de testemunhas!
Definitivamente soava bem, muito bem.
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– COMO ASSIM ELE NÃO VEM??? – O ruivo vociferou e Ino franziu a testa, incomodada com a gritaria logo cedo da manhã. Jogou o cabelo liso e dourado para trás dos ombros.
– Naruto está grávido, senhor. Ele tem se esforçado demais vindo trabalhar todos os dias. Gravidez de compatível não é fácil, ele precisa descansar. Em poucos dias estará de licença, não há nada que se possa fazer.
– Mas eu preciso dele agora!!! Aquela cópia desmiolada não pode me ajudar!
– Menma está fazendo o melhor que pode, ele demorará algum tempo até pegar o jeito. Precisa ser paciente.
Não era esse exatamente o temor de Gaara.
Tudo em Menma representava problemas, e queria ficar longe dele o quanto possível. A presença daquele rapaz o deixava nervoso. O modo como ele o encarava, o ressoar daquela voz grave, o corpo forte...
Talvez devesse encontrar um motivo para demiti-lo? Isso resolveria parte de seus problemas. Sempre que lembrava o incidente das escadas ficava nervoso... E excitado! Maldição! Ainda sofria pelo rompimento com Matsuri, a última coisa que desejava era se aventurar novamente.
– O senhor está bem? – a loira arqueou uma sobrancelha ao ver o chefe passando as mãos pelo rosto, obviamente furioso, uma vermelhidão incomum espalhando-se pela pele branca.
– Sem perguntas desnecessárias! De volta ao trabalho, Yamanaka! Não tenho o dia inteiro!!!
Ela girou os olhos, sem retrucar, dando meia volta e deixando a sala. Gaara largou-se na cadeira, mais irritado que o normal.
Precisava de um pacote gigantesco de cookies ou acabaria enlouquecendo!
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Um sorriso radiante estampou o rosto do loiro, a ponto de iluminar uma cidade inteira.
– Mãe!!! – lançou-se no pescoço da ruiva baixinha parada à porta de seu apartamento, apertando as mãos em suas costas sobre o lindo e macio cabelo vermelho – Como você está?
– Muito bem – sorria, apertando os olhos como uma raposa. Baixou o corpo para ver a barriga redonda – Como está indo? Muito enjoado?
– Muito! – fez sinal para a mulher entrar e fechou a porta do apartamento – Ele não me deixa comer nada que logo põe tudo para fora, sem falar que qualquer cheiro forte me revira as tripas!
– É normal nos primeiros meses. Em pouco tempo não sentirá mais tanto incômodo – estreitou os olhos ao filho, precisamente ao que ele vestia – Mas o que há com essas roupas? Você vai tirar isso quando o Sasuke estiver para chegar em casa, né?
– Pare de dizer bobagens, mãe. Ele não liga pra essas coisas.
– Precisa mantê-lo interessado, querido!
– E desde quando a senhora entende de relacionamento entre garotos? – corou, sem jeito.
– Eu sei que homem nenhum quer ver essa camiseta! – ralhou irritada, percebendo o tecido velho e surrado – E além disso precisa se cuidar mais daqui para frente. Você vai inchar e se não se cuidar seu corpo vai encher de celulites e manchas de gravidez!
– Ok, ok já entendi – fez sinal com as mãos – Vou tomar um banho e trocar de roupa – olhou desgostoso a quantidade imensa de cremes que a ruiva havia lhe levado – E à noite eu passo esses trecos aí.
Ela assentiu, despejando as sacolas sobre a mesa, cheias de legumes. Ficou preocupada que o filho não estivesse muito bem e achou melhor lhe fazer algo nutritivo, pois bem sabia que se deixasse ele comeria montanhas de miojo!
O loiro por sua vez estava tomando banho tranquilo quando sua mãe entrou sem cerimônia alguma no banheiro, apanhando as roupas sujas.
– Vou colocá-las na máquina, ok? – indagava distraída, colocando tudo num cesto.
– Aaargh! – resmungou, cruzando os braços sobre o peito, como se tivesse algo ali para cobrir e esquecendo o principal – Bata na porta pelo amor de Deus!!!!
– Fui eu que te fiz, querido. Sei de tudo que está aí.
– Não é esse o problema!!!
– Oh, que bonitinho! – aproximou do Box de vidro — Olha só o tamanho da sua barriga!
– Sai daqui mãe!!!
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Durante todo o dia Gaara evitou ao máximo passar pelo setor de criação, pedindo à outra pessoa para ajudar o moreno caso tivesse dúvidas sobre o trabalho. Não podia sequer sonhar em ficar perto dele! Evitou ao máximo sair de sua sala.
Aquela situação não podia continuar. Logo Naruto tiraria sua licença definitivamente e Menma tomaria seu posto, passando a auxiliá-lo diretamente. Se esconder estava fora de questão.
Seu devaneio foi interrompido por batidas na porta. Odiou-se por andar tão alarmado.
“Basta se manter calmo e tudo vai dar certo, ao menos ele está bem longe e tenho tempo de me preparar para encontrá-lo” – pensou enquanto pedia para a pessoa entrar, esfregando os olhos com as mãos.
– Com licença – ao reconhecer a voz todo o seu corpo se retesou. Abriu os olhos apenas para constatar que era mesmo aquele maldito Uzumaki moreno que havia entrado em sua sala.
“Mas que diabos!!!” – pensou, exasperado. Por que tinha de ser justo ele?
– O que quer na minha sala??? – quase gritou de raiva.
– Tenho milhares de perguntas a fazer, e como não saiu daqui o dia todo o jeito foi vir perguntar diretamente – caminhou sem cerimônias até a mesa, balançando no ar um pequeno pen drive, o tilintar irritante do guizo pendurado na ponta estava tirando a paciência do ruivo. Claro que o mais irritante era perceber como as mãos dele eram grandes e bonitas, como a pele parda reluzia contra a luz, como os contornos exatos se revelavam sob o tecido das roupas...
Balançou a cabeça, afastando os pensamentos.
– Eu não tenho tempo para te atender agora, saia!
Menma franziu a testa, contrariado.
– Não vai levar mais do que alguns minutos!
– Peça a outro que faça isso! Sou um homem ocupado!
A mão do moreno bateu sobre a mesa, ele parecia irritado e decidido.
– Por acaso está com medo de ficar sozinho comigo?
– Não seja ridículo! – respondeu mais alto e com mais ênfase do que realmente queria – Por que eu teria medo de você?
– Nesse caso quero que me dê sua opinião. Acho que está ficando muito bom mesmo – sorriu confiante, sem pedir licença ele puxa a cadeira e a coloca ao lado do ruivo, para desespero deste, se apropriando da tela do computador.
– Posso colocar? – sorria maroto enquanto mostrava o pen drive. A frase criou um duplo sentido terrível e isso apenas piorou o mau humor do chefe, que a essa altura já estava tão corado que sentia o suor brotar na testa.
– F... Faça o que quiser! – passou a mão disfarçadamente pelo rosto quente.
Ele obedeceu, encurvando o corpo para espetar o pen drive na lateral do HD, na parte de baixo da mesa. O movimento de se abaixar deixou o traseiro empinado. Era redondo, aparentemente muito macio...
Gaara sentiu as mãos serem atraídas como ímã, o desejo imenso de apertar toda aquela carne entre os dedos. Piscou depressa, tendo vontade de socar a si mesmo para se controlar.
Ele precisava ir embora!!! Antes que fizesse alguma loucura da qual pudesse se arrepender para sempre!
O moreno ergueu o corpo e sentou-se ao lado do ruivo, que estava retesado de nervoso.
– Eu segui a solicitação à risca, sei que o resultado ficou bom – dizia enquanto esticava a mão até o mouse, a proximidade era tanta que seu braço roçou no do outro, assim como as coxas estavam muito juntas, o calor subindo pela pele. Gaara cerrou os olhos, tentando se concentrar.
Ele era tão quente... E cheirava tão bem...
Ignorou a voz grave soando próxima ao ouvido enquanto ele explicava detalhadamente, apontando o arquivo digital na tela do computador. Ressoava tão forte e próximo a seu corpo que estremecia a cada palavra, o hálito quente soprado conforme ele falava batia em seu pescoço, arrepiando sua nuca. Seu corpo inteiro vibrava, a ponto dos mamilos empinarem sob a camisa clara.
Mordeu o lábio, tentando se concentrar, mão não ouvia uma única palavra do que ele dizia. Cruzou as mãos sobre o colo apenas para disfarçar como podia a ereção que despontava em sua calça.
Menma continuava falando e falando pelos cotovelos, se explicando ao chefe, tentando convencê-lo de que a peça publicitária que criara seguia à risca a solicitação feita pelo cliente.
Gaara assentiu apenas para dar a entender que ouvia o que ele dizia. Virou o olhar de lado para perceber o pescoço longo, o pomo de Adão se movendo enquanto falava, os dentes brancos e perfeitos... Imaginava qual seria o sabor daquela boca, qual a textura da pele. Os cabelos negros sedosos e espetados desciam pelo rosto desordenadamente, alguns fios bagunçados sobre a orelha. Teve vontade de aproximar a mão e colocá-los para trás, penteando-os com os dedos, testando a maciez dos fios.
E então de repente o moreno se vira para ele, pegando-o de surpresa.
– Está ouvindo alguma coisa do que estou dizendo?
– M... Mas é claro que estou!
– Então me diga isso sem desviar o rosto – encarava profundamente as íris verdes que tremiam, querendo se afastar. Estavam tão perto um do outro...
O ruivo rapidamente pega o mouse, a fim de fechar a janela, encerrando aquele assunto, mas contrariando sua vontade o moreno põe a mão sobre a sua, deslizando-o devagar.
– Por que está tão nervoso? – encurvou o corpo até que recostasse no do chefe, sua boca próxima ao ouvido dele, a voz como um sussurro provocando um arrepio que eriçou todo o corpo magro que estremeceu.
Queria gritar para ele se afastar, mas ansiava que o contato prosseguisse.
Menma percebeu e sorriu satisfeito. Aproveitava para sentir os dedos longos e finos sobre os seus, em um carinho longo.
Sabia estar brincando com fogo, que sua cabeça estava a prêmio, mas o perigo o excitava. Gaara era arredio e fazia tanta pose, quando na verdade estava visivelmente interessado, carente e necessitado.
O ruivo por sua vez respirava cada vez mais depressa. Maldição, estava ficando duro! Uma atração sem limites implorava que ele jogasse aquele moreno sobre sua mesa e o beijasse ardentemente!
Percebeu que ele se aproximava e por instinto virou o rosto em sua direção. Ficaram a milímetros de distância, suas bocas quase se colando uma na outra, respirando o mesmo ar. O olhar assustado e confuso do ruivo ficou preso aos olhos felinos do moreno, o desejo estampado em sua face de caçador. Ele se aproximou devagar, sem parar de encará-lo. Seus lábios quase se tocando, quase fechou os olhos...
Mas Gaara o empurrou para longe de si, levantando da cadeira com tanta força que esta caiu ao chão fazendo um barulho enorme.
– Mas o quê...?
– SAIA DA MINHA SALA AGORA!!!
–... Você precisa me escutar...
Não quis ouvir. Foi até a porta e a abriu, olhando para o moreno, esperando que saísse. Menma ficou muito sério e assentiu, erguendo o corpo e deixando a sala.
Tão logo se viu sozinho o ruivo correu ao banheiro e fechou a porta. Respirava muito depressa, o peito subindo e descendo acelerado.
Estava ardendo!
–... Inferno... – olhava desgostoso o volume imenso em suas calças.
Menma era lindo, sedutor, envolvente... O modo como o cercava o deixava completamente sem ação!
E ele o queria tanto!
Antes que se desse conta havia aberto o zíper, a mão escorregando para o interior da calça e da roupa íntima, baixando-a um pouco. Segurou a ereção latente, retirando-a do confinamento causado pelo tecido, massageando devagar.
Um estremecimento imenso subiu seu corpo e ele mordeu forte para não gemer. Sua mão agora descia e subia em torno da ereção. Fechou os olhos para rever em sua mente o rosto perfeito, o corpo tão bonito que o deixava desarmado.
Enquanto isso o Uzumaki se martirizava, batendo a testa contra a mesa de trabalho repetidas vezes.
Era um estúpido! Já havia pensado em ir com calma, cercando aquele ruivo arredio aos poucos. Mas tudo foi pro espaço quando se viu tão perto dele, percebendo-o reagir à sua presença.
“Definitivamente ele estava excitado! Então por que ele me expulsou?” – lamentava, fazendo bico.
Seria um problema provocar o chefe de Naruto, mas não conseguiu se controlar!
Achou melhor voltar a trabalhar, e se ateve à tela do computador, abrindo alguns programas de edição.
E então sentiu um frio na barriga.
Havia esquecido o pen drive na sala dele! Era indispensável para prosseguir, várias ferramentas importantes que ainda não havia salvado estavam nele, bem como programas a instalar.
–... Hoje não é meu dia... – lamentou, amargamente. Na mesa à frente Kiba ergueu a cabeça sobre a divisória.
– Problemas com o Sabaaku, Naruto-Negro?
– Algo assim... Que merda!
Suspirou cansado. A ideia de tornar à sala daquele homem em erupção não o agradava em nada. Agora compreendia porque falavam tanto dele.
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Arfava, se controlando ao máximo para não fazer muito barulho. Apoiava uma das mãos na parede, de frente para o vaso enquanto se masturbava em um ritmo desenfreado. Todo o corpo vibrando com a sensação que se ampliava à medida que se aproximava do ápice.
Podia se imaginar nos braços fortes daquele rapaz, sendo tomado com força.
–... Aaah... Menma... — a voz se arrastava como uma melodia.
O que ele não fazia ideia era de que havia alguém em sua sala. Não a havia trancado por saber que ninguém em sã consciência entraria sem permissão. E não imaginou que o novato fosse ousado o suficiente para desobedecer tal regra.
O Uzumaki localizou o pen drive ainda espetado. Deu graças pela sala estar vazia, bastava ser rápido. Enfiou-o no bolso da calça e se preparava para sair quando algo lhe chamou atenção.
Estava ouvindo coisas, só podia!
Levou tamanho susto ao ouvir o gemido arrastado que quase derrubou tudo que estava na mesa, se denunciando. Correu até o banheiro e colou o ouvido na porta.
Seus olhos se arregalaram conforme ele percebeu a respiração entrecortada e os gemidos baixos. Seus batimentos cardíacos aumentaram de uma vez e ele sentiu o rosto esquentar.
Gaara estava mesmo fazendo esse tipo de coisa no banheiro do trabalho?
E o mais inacreditável: estava chamando seu nome? Será que ouvira direito?
Um calor intenso subiu por seu corpo, a respiração se tornou rápida.
Sabia que estava fazendo besteira, que custaria seu emprego, mas sem nenhum controle sobre sua vontade levou a mão à maçaneta da porta do banheiro, girando-a devagar, percebendo-a destrancada. Empurrou a porta de leve, torcendo para ela não ranger, fazendo o mínimo de barulho possível.
Mordeu os lábios para evitar exclamar de contentamento ao ver o ruivo de pé em frente ao vaso sanitário, de costas para ele, enquanto manipulava a si mesmo. Céus, ele era tão sexy...
–... Menma!
– Gaara... – sibilou colando o corpo ao dele. O ruivo levou tamanho susto que se virou de uma vez para encará-lo, as faces muito coradas, suado e em pânico por ter sido apanhado em um momento como aquele. Menma no entanto foi mais rápido segurando em sua cintura, a mão livre descendo para o membro ereto, passando a manipulá-lo bem depressa enquanto beijou-lhe o pescoço alvo.
–... Aaah me... Solte! – retorcia-se inteiro nos braços dele. Parte sua querendo correr para longe, de tanta vergonha, mas a outra querendo provar mais daquele contato delicioso.
Sua voz não combinava com as palavras. Ele estava gemendo abandonado, se contorcendo na mão daquele moreno fogoso, a vista dilatada e sem foco algum pelo prazer intenso que o anuviou. Menma o masturbava devagar, dedilhando a extensão toda de seu pênis ereto que pulsava de desejo.
–... Me... Solte!
– Nem pensar... – sussurrou ao seu ouvido, lambendo a orelha, colando a virilha para esfregar o membro muito duro no bumbum macio — Não depois de te ver me chamando enquanto brincava aqui sozinho... Você me quer Gaara. Admita!
Que garoto atrevido!
Assistiu maravilhado quando ele levou a própria mão à boca, chupando os dedos até deixá-los bem molhados. Em seguida os dedos ágeis escorregaram para a fenda entre suas nádegas, o indicador roçando sua entradinha, brincando com ela.
Gaara choramingou, rendido. Odiou seu próprio corpo que o traía sem compaixão. Quanto mais os dedos brincavam ao redor, mais o desejo subia-lhe a cabeça.
Um dedo adentrou devagar, buscando espaço no canal apertado e virgem. O ruivo prendeu o ar por um instante. Era incômodo e estranho, mas à medida que deslizava para dentro dele, para então se mover bem devagar, provocando-o, sentiu o corpo relaxar e só o que sobrou foi o prazer arrebatador. A mão de Menma manuseava sua ereção rapidamente enquanto a outra dilatava aos poucos o buraquinho rosado com o dedo, cada vez mais depressa, arrancando arfadas pesadas dele.
Era delicioso, quanto mais sentia o entra e sai mais desejava, a ponto de um único dedo não ser mais o bastante. Imaginava como seria ter o membro do moreno se encravando bem fundo nele, subjugando-o, estocando sem piedade.
Sem conseguir aguentar mais se segurou ao braço forte e mordeu o lábio inferior para não gritar quando atingiu o auge, espirrando sêmen para dentro do vaso, respingando na água limpa várias e longas vezes. Suas pernas tremeram e ele se controlou como pôde para não cair, sua cabeça pendida ao passo que expelia todo o líquido de dentro de si. Menma o observava maravilhado, sentindo as contrações em torno do dedo que ainda estava dentro do ruivo.
–... Saiu um monte... Não vai me dizer que estava na seca? Um ruivo lindo desses... – sussurrou, beijando seu pescoço pálido várias vezes, sentindo a veia pulsar contra seus lábios. Observava por cima do ombro dele a ereção murchar aos poucos em sua mão. Retirou o dedo devagar, para alívio do ruivo.
Gaara respirava depressa a ponto de engasgar, os fios de fogo grudados à testa, cobrindo parcialmente a tatuagem.
– Da próxima vez o que vai se mover dentro de você é meu pau bem duro – Menma alisou os cabelos de fogo mas antes de poder reagir levou um soco ruidoso em sua cabeça.
–... Ai... – resmungou de dor, se concentrando para ficar de pé.
O olhar irado que recebeu o fez perceber que estava bem encrencado.
– Suma de minha sala antes que eu chame a segurança!!! – havia um brilho mortal nos olhos esverdeados e o moreno engoliu forte. Havia mesmo cutucado a fera! Mas não com vara curta, afinal era bastante convencido do tamanho avantajado que possuía.
Definitivamente era pouco para curar o estresse acumulado daquele ruivo! Tinha de pegá-lo de jeito!
– Gaara, se você me escutar apenas por um instante...
– Não me chame pelo meu primeiro nome, eu não lhe dei essa liberdade!
– Eu sei que você gostou. Estava gemendo abandonado em meus braços.
– Cale essa boca! Junte suas coisas e suma daqui! Está despedido! – vociferou, empurrando-o contra a porta do banheiro pequeno. Ergueu as calças e fechou o cinto nervosamente.
Menma praguejou. Naruto ficaria possesso se descobrisse. Achou melhor intervir.
– Se me deixar explicar...
– Saia!!! Agora!
– Gaara eu quero mesmo você, não estou brincando.
O olhar que recebeu o fez entender tudo e ele fez um gesto com as mãos.
– Ok, já entendi. Eu vim apenas pegar o pen drive que esqueci, já sairei em um instante. Apenas pense com calma, por favor. Não é justo que Naruto seja prejudicado por uma ação minha, afinal foi ele que me indicou. Arcarei com a responsabilidade pelo que fiz, até porque não me arrependo de nada – encarou-o firmemente por alguns segundos, até lhe dar as costas -... Com licença.
O ruivo esperou que ele saísse de sua sala, passando as mãos pelo rosto, sentindo os olhos arderem de raiva, frustração e vergonha.
Odiava admitir, mas a culpa também era sua, por não conseguir se controlar. Ficar perto daquele moreno era problema na certa.
Qual foi a última vez que tivera um orgasmo tão intenso? Qual a última vez que se sentiu tão bem nos braços de alguém?
A resposta era simples e óbvia: nunca havia se sentido assim antes, com ninguém.
–-
O telefone tocava insistentemente. Naruto saltou do sofá, mastigando depressa e correu para atender.
– Alô? – sua voz soou um tanto diferente por estar de boca cheia.
– Oi gato, como está? – uma voz de mulher soou.
O loiro parou, intrigado.
– Quem está falando?
– Vai me dizer que não se lembra de mim, Sasuke? – a voz soava melosa e cheia de malícia. O loiro sentiu um frio súbito na barriga.
– Pode refrescar minha memória? – continuou o mesmo joguinho.
– Soube que está solteiro amor, você nunca mais me procurou e eu sinto saudades! Queria tanto te ver de novo para fazermos todas aquelas loucuras...
Os olhos azuis se arregalaram conforme ela descrevia sem o menor pudor todas as coisas que já havia feito com Sasuke, acreditando ser ele ao telefone. Naruto sentiu-se ultrajado, aquelas palavras o feriam.
– Por que está ligando agora? – precisava saber o que ela queria.
– Ah Sasuke, eu nem sei explicar o quanto fiquei feliz quando recebi sua mensagem! Eu estava sofrendo tanto por você ter se afastado de mim depois de dormirmos juntos, achei que não quisesse nada sério comigo! Claro que aceito sair com você na sexta! E não se preocupe, eu serei muito discreta, mesmo se você estiver saindo com alguém. É Naruto o nome dele, não? Ele nunca vai saber meu amor, eu prometo. Vou passar a semana toda pensando em você! Mal posso esperar para te ver, vou te fazer gozar bem gostoso!
Naruto cobriu a boca com a mão para abafar o choro que ficou preso na garganta.
Não era possível... Mesmo que estivesse ouvindo não podia acreditar...
Soluçou ao telefone e a mulher não entendeu o som.
– Por que não me diz nada, Sasuke?
Ele desligou a ligação, sem conseguir ouvir mais, sentando-se em uma das cadeiras da mesa de jantar.
Sasuke havia lhe dito que trabalharia até mais tarde na sexta! Quando na verdade estava planejando sair com uma qualquer!
Doía, tanto que nem sabia explicar.
Por que ele estava fazendo isso? Eles estavam tão bem! Naruto não lhe deu motivo algum para fazer algo assim!
Chorou tanto que seus olhos poderiam derreter.
–-
Riu como há muito não fazia. Uma satisfação sem tamanho tomou conta de seu peito.
Queria estar naquele apartamento para ver a cara de sofrimento do loiro! Qual seria sua reação ao imaginar que Sasuke o estava traindo?
Sakura ria sozinha no quintal de sua casa, olhando a tela do celular. Por sorte havia roubado vários números de telefone importantes da agenda pessoal de Sasuke durante o tempo em que trabalhou com ele. As muitas amantes que nunca paravam de insistir para ficar com ele foram localizadas rapidamente.
Selecionou a mais insistente e pegajosa (e estúpida também) E tudo que bastou foi comprar um chip novo para seu celular, para que não fosse reconhecida. Já havia mandado várias mensagens àquela mulher durante o tempo em que trabalhara para Sasuke. Era Sakura quem encobria as saídas dele para a esposa, de maneira que não foi difícil fazer a mulher tola acreditar que era mesmo o Uchiha quem havia lhe mandado uma mensagem.
E claro, o ponto crucial: dizer que estava sozinho em seu apartamento e que estava esperando que retornasse a ligação. A rosada andou observando a rotina deles secretamente, sabia que Naruto chegava em casa mais cedo, e na certa ele atenderia. A mulher pensaria ser Sasuke ao telefone, dizendo ao loiro obscenidades o suficiente para irritá-lo.
Se conseguisse plantar ao menos um pouco de discórdia e desconfiança entre eles não seria tão difícil separá-los.
Ela conhecia Sasuke muito bem, ele logo se cansaria de Naruto e o abandonaria, mesmo grávido. Sasuke não se amarrava a ninguém.
Era o que mereciam por brincar com ela: se separar! Eles jamais poderiam ficar juntos!
A rosada apoiou-se no muro de casa, acendendo um cigarro. Provavelmente o quinto ou sexto que fumava aquele dia. Viciou-se assim que se separou de Naruto, e sentia a necessidade de fumar cada vez mais, principalmente depois de encontrar aqueles dois de mãos dadas na saída da cafeteria. Eram tão ridículos! Dois marmanjos brincando de casal! Tão nojentos, tão sem vergonha...
Não importava o tempo que levaria, se precisasse começar com passos pequenos até separá-los de vez. Destruiria sua felicidade, nem que levasse toda sua vida! Da mesma forma como os dois arruinaram suas chances de ser feliz ela faria o mesmo com eles!
–-
Sasuke recostou-se à cadeira e soltou um longo suspiro de cansaço. Já passava das oito da noite e ainda estava preso no escritório. Ainda havia tantas coisas a fazer que nem sabia por onde começar, coisas imprescindíveis.
Olhou desgostoso a impressão sobre a mesa. Uma cópia da intimação que recebera da família de Karin alegando que ele abandonou o lar. Em função disso a ruiva caíra numa profunda depressão, não comia ou dormia, apenas chorava todo o tempo pedindo a ele que voltasse. Precisou até mesmo bloquear o número de telefone dela para evitar as ligações contínuas e proibiu que entrasse na empresa para fazer escândalo.
Os pais da ruiva estavam possessos! Exigiram uma audiência perante o juiz para rever os trâmites legais do contrato. Sasuke já estava farto disso, seus advogados que resolvessem.
Assim que se provasse o que estavam fazendo com Itachi seu contrato se dissolveria. Apenas mais alguns dias, como Suigetsu havia pedido. Tempo suficiente para o laboratório analisar a substância que encontrara na boca do irmão. Precisava resolver logo as coisas para não envolver mais o loiro birrento e o bebê que trazia no ventre.
Permitiu-se curvar os lábios em um discreto sorriso, retirando os óculos de leitura.
Logo seria pai, ainda era difícil acreditar que Naruto estivesse mesmo grávido. Conforme o tempo passava e a barriga crescia dava-se conta da verdade, ainda distante.
Com quem sua garotinha pareceria mais? Talvez herdasse os lindos cabelos loiros do pai? Era o desejo de Sasuke, que ela herdasse menos genes Uchiha o possível, que fosse livre.
Levantou-se para se esticar um pouco o corpo, com a desculpa de buscar mais café.
Naruto devia estar preocupado, era melhor avisar que ficaria até mais tarde. Pensando nisso pegou o celular e ligou para o loiro.
–... Oi – a voz dele parecia cansada e rouca. O Uchiha estranhou.
– Naruto, você está bem?
– O que você quer?
O Uchiha estranhou aquela rispidez, não era comum ser grosso com ele.
– Só quis te avisar que vou chegar mais tarde hoje. Tenho muito trabalho a terminar.
– Ah é mesmo? – a voz do loiro pareceu carregada de sarcasmo – Não me diga! Aposto que é um trabalho bastante prazeroso!
– Naruto, por que está falando assim comigo?
– Eu estou ocupado então falo com você outra hora!
– Mas... – a ligação foi cortada antes que o moreno pudesse entender qualquer coisa.
–... O que deu nesse loiro desmiolado...? – murmurou para si mesmo, parado no corredor vazio enquanto olhava a tela desligada do celular.
Talvez ele estivesse zangado por falta de atenção? Sasuke andava trabalhando muito ultimamente, e imaginava se o loiro andava se sentindo sozinho.
Talvez fossem os hormônios também. Grávidos tinham acessos súbitos de raiva e tristeza, ele andara lendo e pesquisando muito sobre isso. Era melhor ser paciente.
Daria um jeito de terminar logo as pendências e ir para casa.
–-
Cerca de uma hora depois havia terminado as urgências e resolveu ir para casa, estava exausto!
No caminho de casa passou por uma lojinha de conveniência e sem pensar duas vezes estacionou, indo direto até a sessão de macarrão. Apanhou três tigelas grandes de lámen, imaginando que isso deixaria seu grávido estressado bastante feliz. Se dirigiu ao caixa e algo chamou-lhe a atenção. Havia um vaso com rosas embrulhadas, acompanhadas de cartões com mensagens melosas. Acima delas havia um grande cartaz de “Presenteie quem você ama!”
Ele riu consigo mesmo, achando-se tolo por não deixar de pensar no loiro um segundo sequer. Apanhou uma delas e seguiu ao caixa.
–-
Encontrou o apartamento escuro, o que era estranho sendo apenas nove e meia da noite. Normalmente Naruto dormia bem mais tarde.
Deixou as compras sobre a mesa de centro da sala, imaginando que ele estivesse dormindo. O cheiro delicioso de carne assada ainda estava no ar e ele se sentiu atraído para a cozinha. Para sua surpresa ao acender a luz encontrou o loiro sentado junto à mesa, os olhos azuis inchados quando olhou para ele.
– Naruto! Quer me matar de susto?
– Onde você estava?
– Como onde? Eu lhe avisei que ficaria até mais tarde no trabalho – foi até ele, mas o loiro virou o rosto.
– O que está acontecendo com você? Não está se sentindo bem?
– Com quem você estava? – exigiu saber, cruzando os braços.
Sasuke franziu a testa.
– Do que está falando? Fale claramente.
– Me diga de uma vez onde você estava!
– Na empresa, Naruto. Sabe disso.
– Então me prove!
O moreno piscou algumas vezes, sem conseguir acreditar no que ouvia.
– Por que está agindo assim?
– Porque atendi sua ligação hoje! Sua amiguinha pensou que eu fosse você e me disse todas as coisas que vocês fizeram juntos!
– Que amiga? Do que está falando?
O loiro se enfezou e disse o nome e as coisas que ela havia lhe dito. O moreno empalideceu e havia uma surpresa nítida estampou seu rosto. O loiro sentiu-se péssimo ao perceber que era mesmo verdade tudo que ela dissera.
– Naruto, é verdade que já saí com essa mulher, mas isso já faz muito tempo.
– Não parece, se você mandou uma mensagem para ela hoje!
O Uchiha sentiu um nó desagradável se formar na garganta. Enfiou a mão no bolso e tirou o celular, jogando-o sobre a mesa.
– Pode olhar o quanto quiser e não vai encontrar uma única mensagem.
– Você pode simplesmente ter apagado tudo!
– Eu não mandei mensagem nenhuma, precisa acreditar em mim.
– Acha que sou idiota? – havia um brilho de ressentimento e fúria nos olhos azuis – Eu não precisava ficar aqui ouvindo sobre suas noites de amor, sobre as coisas que fizeram juntos! Eu sou um homem então óbvio que nunca poderia fazer as mesmas coisas com você – ergueu-se, muito nervoso – Mas não precisava me jogar nada na cara!
– Não estou jogando nada na sua cara! Eu estou com você porque quero, e estou feliz assim! Sei que antes saí com muitas pessoas, mas isso está no passado! E já lhe contei isso antes!
– Não parece ter deixado nada no passado! Você me disse que trabalharia até mais tarde na sexta, mas essa mulher me disse que marcou de sair com você! Disse que eu nunca saberia! – ele chorava copiosamente – Se não me quer mais então simplesmente termine comigo e não me faça passar por tudo isso!
– Precisa me escutar – segurou com força em seus ombros.
– Me larga! – debateu-se tentando se soltar, mas ele o segurava com mais força tentando fazê-lo parar e ouvir – Já disse para me largar!!!
Estapeou a face do moreno que o soltou, afastando-se.
Naruto percebeu o que fez e segurou a própria mão, que latejava. Sasuke mantinha o rosto para o lado, mas voltou-o calmamente em direção ao loiro. Em sua expressão não havia raiva ou nada, ele estava sério.
Havia um arranhão na bochecha, causado pela unha do loiro. Uma marca vermelha na imaculada pele de porcelana.
Cautelosamente correu os olhos sobre os móveis e localizou a base do aparelho telefônico, acionando uma busca rápida e localizando o número de telefone desconhecido que fizera a ligação.
– Espere! Eu ainda não... – Naruto se calou quando ele bateu a mão na parede, ao lado de sua cabeça.
– Fique quieto e espere. Vou provar o que estou dizendo – disse incomodado, as íris frias como gelo. Acionou um número e deixou a ligação em viva voz. Naruto retesou o corpo, aflito, sem saber o que pensar, não gostava que ele o encarasse daquela forma. A ligação foi atendida no quarto toque.
– Fala Sasukito – a voz de Suigetsu soou abafada pelo cômodo.
– Há uma pessoa se fazendo passar por mim e preciso saber se é obra de minha família – falava de encontro ao celular, mas seus olhos estavam fixos nos orbes azuis, um tanto assustados.
– Ta tranquilo, Sasukito. Quebrar sigilo telefônico é moleza! – riu ao telefone. Sasuke disse em alta voz o número desconhecido, ainda sem desviar o olhar do outro.
Vários segundos de silêncio absoluto enquanto aguardavam a informação, segundos intermináveis. Naruto desviou o olhar porque detestava ser encarado daquela forma.
– Ainda está aí? – o advogado indagou.
– E então?
– Acho que o resultado não vai te deixar muito contente...
– Madara? Ou talvez Karin?
– Não, peixe pequeno, nada para nos preocuparmos. O titular do chip é Sakura Haruno, e ela ativou a conta hoje mesmo.
O moreno sorriu de triunfo diante da expressão abismada do loiro.
– Eficiente como de costume, Suigetsu.
– Fazer o quê? – soou convencido e em seguida se despediu, encerrando a ligação.
Naruto parecia sem rumo, mal conseguia encarar o outro.
A mão que estava apoiada na parede ao lado de sua cabeça moveu-se devagar e ele fechou os olhos por impulso. O que recebeu foi um estalo quando Sasuke pressionou os dedos indicador e médio em sua testa, num peteleco irritante.
– O que foi que eu lhe disse?
–... Me desculpe... Eu não sabia o que pensar... Eu estava ouvindo todas aquelas coisas... Só consegui pensar que estivesse mesmo me traindo.
– Precisa confiar em mim, Naruto. Sem isso não iremos muito longe.
Sentiu-se esmigalhado. Ele tinha toda a razão.
–... Eu confio em você. Só não queria ouvir aquela mulher dizendo aquelas coisas. Como acha que me senti?
O moreno passou os dedos sobre as bochechas e o loirinho lhe ergueu os olhos.
– Tem noção de quantas pessoas estão tentando nos separar? Se não tomarmos cuidado a menor bobagem pode criar uma inimizade imensa entre nós. E seria um passo decisivo para enfraquecer o que temos.
– Não deveria me surpreender com o que Sakura faz, mas ainda não acredito que ela perca seu tempo em algo assim – balança a cabeça, negativamente.
Graças ao homem diante dele havia escapado de um terrível casamento.
Genuinamente arrependido beija a face do moreno, sobre o arranhão que ele mesmo causara – Me desculpe, eu não queria perder você. Eu te amo tanto que não posso imaginar como seria.
Os braços dele envolveram sua cabeça, as mãos enterradas nos cabelos loiros.
–... Você ouviu toda a história de Sasori não foi? Tudo que aconteceu foi para afastá-lo de meu irmão. Infelizmente sempre haverá alguém que tente inventar alguma coisa.
– Achei que você pudesse ter se cansado de mim...
– Não diga bobagens – colou sua testa à dele, encarando-o – Sabe que não tenho por que trair você, Naruto.
– Eu sei... Eu só fiquei com medo.
– Está tudo bem. Estou feliz que tenha ciúmes de mim, isso mostra que se importa comigo.
Naruto apertou-o contra si, o tecido do paletó abafando o som do choro alto e descontrolado.
Que alívio imenso!
–-
Do local em que estava era impossível visualizar com clareza quem era a pessoa parada junto a seu portão. Estava acostumado a ser cauteloso, depois de tudo que os Uchiha lhe fizeram era mais do que prudente.
O vento gelado de fim de tarde balançou seus cabelos rubros conforme cruzava o jardim. Ao chegar junto ao portão branco, pressionou o botão do interfone e a imagem surgiu na pequena tela do aparelho.
Sasori pareceu muito surpreso. Girou a chave na fechadura e empurrou para o lado o imenso portão, que corria nos trilhos e revelava a silhueta do homem parado diante dele.
Cruzou os braços, recostando-se ao portão. Havia uma expressão de impaciência em seu rosto.
– O que você quer? – encarou o homem parado à sua frente. Este pareceu perder a fala por um instante ao encará-lo.
– Óbvio que vim ver você.
– Já lhe disse para não perder seu tempo comigo – calmamente virou-lhe as costas, mas teve o braço segurado. A mão forte que apertava a manga longa da blusa que ele vestia desceu para segurar-lhe a mão, comprida e ossuda. Sasori livrou-se do contato, a rudeza do movimento não condizendo com a face calma.
– Vou explicar-lhe pela última vez, Pain: sou um homem casado. Pare de me procurar.
Pain era uma pessoa peculiar. Dono de rebeldes cabelos alaranjados e uma coleção de piercings espalhados pelo rosto, trespassados pela cartilagem do nariz em fileira, dois pontudos abaixo dos lábios, vários deles nas orelhas. Era alto, forte, muito bonito, de voz grossa e olhos puxados em um incomum tom purpúreo.
–... Nunca pude esquecer você, Sasori. Nem mesmo por um dia – seus olhos brilhavam ao encarar a face serena do ruivo, calmo como um monge – Sei que errei no passado, mas estou disposto a mudar isso.
– As coisas não são tão simples.
– Eu ainda te amo.
O ruivo suspirou.
– Eu agradeço seus sentimentos, mas amo meu marido. Itachi é a pessoa que escolhi.
– Pelo visto você ainda é muito ingênuo – suspirou amargamente – Depois de três anos sofrendo piora significativa, acha mesmo que Itachi ainda pode acordar?
Errado, seu esposo acordaria em breve, tinha fé nisso!
Se para tê-lo novamente ao seu lado precisasse suportar a solidão, era um preço pequeno a se pagar.
–... Não me interessa sua opinião, Pain. Eu conduzo minha vida da maneira que achar conveniente, e você não faz mais parte dela – encerrou, erguendo o rosto para confrontar-lhe uma última vez.
Mas foi surpreendido por completo pelo rosto tão próximo do seu, furtivamente. Da maneira como ele se aproximou era claro que queria beijá-lo. Sasori bateu as costas dolorosamente contra a parede quando tentou em vão se esquivar. Os lábios gelados de Pain se forçaram contra os seus.
Sasori se debateu, empurrando com força o homem que não se deu por vencido, abraçando-o com força junto a si.
Maldição, ele era bem forte! Se quisesse mesmo se soltar teria de surrá-lo!
Conseguiu soltar a boca por um instante enquanto se debatia e tentou tomar fôlego, mas o mundo inteiro girou quando, aproveitando-se do descuido, Pain enfia a língua na boca de Sasori e aprofunda o beijo. As forças do ruivo foram sumindo aos poucos quando sentiu o contato quente, a língua bailando junto à sua, se enroscando, os lábios tornando-se mornos em contato com os seus.
Por um segundo suspirou de prazer ao ser beijado após tanto tempo. Seu corpo inteiro clamava desesperadamente por contato. A vontade de afastá-lo lutava contra a vontade de permitir que o contato prosseguisse. Um som molhado ecoava ao passo que suas bocas moviam-se uma contra a outra em um beijo intenso.
No passado, há pelo menos dez anos, amou tanto o homem à sua frente que pensou que jamais conseguiria esquecê-lo quando este o traiu.
Por mais que tentasse esconder de outras pessoas ele se sentia terrivelmente sozinho ao longo daqueles três anos. Queria ser abraçado, queria ser beijado novamente.
Sentia falta de Itachi todos os dias. Não havia um único momento em que não lamentasse tudo que havia acontecido entre eles.
Abriu os olhos e odiou a si mesmo.
O que estava fazendo?
Pain afastou-se assustado quando sentiu o lábio sangrar. Levou a mão à boca sobre o corte causado pela mordida do ruivo. Sasori o encarava firme, e parecia furioso. Cuspiu no gramado o sangue que estava em sua boca, limpando-a com as costas da mão.
– Você teve sua chance e destruiu o que tivemos no passado. Nada me faria lhe dar outra oportunidade agora. Itachi é meu único e verdadeiro amor. Se me conhecesse ao menos um pouco saberia tudo que passei para ficar com ele.
– É muita ingenuidade sua acreditar que Itachi ainda pode acordar. É óbvio que o quadro dele é irreversível!
Um imperceptível tremor passou pelos olhos do ruivo, que se manteve impassível, mesmo que aquelas palavras o tivessem ferido. Não daria o gosto de parecer vulnerável diante daquele homem.
– Eu amo Itachi, e vou esperar pela vida toda se for preciso – tendo dito isso empurrou o homem para a calçada, fechando o portão depressa.
– Espere, Sasori!
O portão foi fechado diante de Pain. No interior da casa Sasori passou a manga da blusa diversas vezes na boca.
O que estava fazendo? Como se permitiu ir tão longe?
Odiava admitir, mas seu corpo o traíra. A falta que Itachi lhe fazia estava roubando sua sanidade aos pouquinhos.
Se o esposo demorasse um pouco mais para acordar, Sasori temia não ter controle absoluto de suas ações.
–-
No dia seguinte, Sasuke chegou muito mais cansado que o normal, jogando o paletó num canto qualquer.
– Estou em casa... Enfim – soltou o ar pesadamente pelo nariz. Abriu os olhos e volveu-os para o loiro sentado no sofá.
Perdeu a fala por um instante, seus olhos até brilharam.
– Bem vindo, Sasuke – o loiro riu por dentro. As dicas de sua mãe haviam dado certo afinal. O moreno parecia deslumbrado ao olhar para ele. Vestia uma short curto e uma regata que mostrava bem seu corpo. A pele reluzia, brilhosa e macia. Há algum tempo que não cortava os cabelos que desciam longos ao redor do rosto, a franja cobrindo parte dos maravilhosos olhos azuis.
–... Ah, sim... Naruto, você fez alguma coisa diferente?
– Eu? Não – mentiu com a maior cara lavada – Só lavei o cabelo.
– Está... Tão bonito... – Sasuke foi até ele como que atraído por um ímã – E tão perfumado... – apoiou o joelho entre as pernas do loiro, aproximando o rosto para cheirar-lhe o pescoço, inebriado, já sentindo-se quente perto daquele loiro lindo. A pele parda estava ainda mais macia e reluzente que o normal.
“Dá-lhe mãe! Vou comprar um carregamento daquelas coisas!!!” – pensou enquanto enlaçava o pescoço do namorado para lhe dar um beijo. Era cedo da noite, sinal que poderiam desfrutar bastante, ficar juntinhos e ter uma longa noite de amor.
Mas, atrapalhando seus planos, batidas exageradas soaram junto à porta, rudes e altas. Eles interromperam o beijo e entreolharam-se, confusos.
Imediatamente Sasuke liga para a recepção querendo saber por que permitiram que alguém subisse para fazer escândalo à sua porta.
– Peço que me desculpe senhor Uchiha... – o síndico tentava se explicar – Mas não posso impedir a polícia de subir ao seu apartamento.
– A polícia? – Sasuke questionou, alarmado e o loirinho levou um susto.
– Polícia? Por quê?
O moreno recolocou o telefone no gancho.
– Vá para o quarto.
– De jeito nenhum! Quero saber o que está acontecendo!
As batidas ficaram impacientes, em pouco tempo haveria uma comoção naquele condomínio cuja regra era manter sempre a paz e tranquilidade.
Sasuke localizou as chaves sobre o móvel e rapidamente abre a porta. Naruto estava escondido próximo, ouvindo tudo.
Uma feição de desagrado atingiu o Uchiha ao perceber dois policiais diante da porta. Detrás deles estava um homem baixo e careca, que um dia já teve cabelos vermelhos como fogo. Era o pai de Karin. Ao seu lado estava uma figura encolhida, magra e miserável, os longos cabelos rubros cobrindo a face. Ao bater os olhos no moreno, Karin abre um imenso sorriso em meio ao choro compulsivo.
– Sasuke!!! – correu até ele fazendo menção de abraçá-lo, mas o moreno segurou em sua cabeça, impedindo-a de chegar perto dele. Isso apenas alimentou a fúria do pai da garota.
– Posso saber o que significa isso, Sasuke?
– Eu é que pergunto – volveu o olhar frio ao sogro – Quem lhe deu direito de invadir minha propriedade?
– Abandono de lar é crime, Sasuke! – o homem suava muito, parecendo irritadíssimo – Minha filha está definhando sentindo sua falta! Vocês estão casados, precisa cumprir seu papel de esposo e ficar com ela!
– Já é do conhecimento de todos que quero o divórcio – cortou-o, rispidamente – A sua filha é a única que não parece entender.
– Temos um contrato! Quebrá-lo significa o fim do acordo entre as famílias, e uma imensa perda de dinheiro!
– Não me importa o que acontece! Eu sei quem vocês são, sei do que são capazes! – seus olhos faiscaram de fúria. Referia-se ao que estavam fazendo com Itachi, mas para não complicar as coisas evitou prolongar-se naquele assunto.
O homem pareceu cauteloso, entreolhando-se com a filha abatida. Esta implorou, os olhos vermelhos e inchados, imensas olheiras debaixo deles.
–... Sasuke meu amor, por favor volte para casa.
– Eu já lhe disse milhares de vezes Karin: eu não te amo, eu amo o Naruto! Nada vai me fazer voltar para você.
– Errado – passou o braço sobre os ombros mirrados da filha para ampará-la em seu choro sofrido – Se não vier agora mesmo ao apartamento que divide com minha filha você terá de se entender com a polícia!
Os olhos do moreno se estreitaram.
– Que espécie deturpada de lei é essa? Meu advogado sequer está aqui!
– Ou você volta ou passará a noite na cadeia, Sasuke! A escolha é sua!
O sangue do moreno ferveu nas veias.
– Eu não tenho obrigação alguma de ir!
– Nesse caso terá de acompanhá-los até a delegacia! – impôs, e os policiais seguraram os braços do Uchiha.
– Eu não sou um criminoso para ser levado preso! São vocês quem deveriam estar atrás das grades! Eu não vou sair daqui!
–... Sasuke!
Todos pararam ao ouvir a voz que vinha do interior do apartamento.
Naruto estava sério, olhando diretamente para o namorado. Ao vê-lo, o olhar de Sasuke voltou ao normal, toda a chama de ódio desapareceu.
O Uzumaki caminhou até a comoção que se instalava em sua porta. Olhou firmemente a ruiva que o fitava desgostosa e autoritária. Ele esboçou um olhar de reprovação, e então desviou os olhos para o moreno.
– Faça o que estão dizendo, Sasuke.
– Nunca! Eu não vou abandonar você e meu filho!
– Não quero que seja preso, nem por uma noite sequer, por minha causa. Apenas vá. Daremos um jeito nisso.
– Eu não posso te deixar aqui! – havia um pesar nítido nos orbes negros.
– Vou ficar bem – ele sorriu, segurando o rosto do namorado para lhe dar um beijo, mesmo diante de todas aquelas pessoas. Karin sibilou de susto, raiva e indignação. O pai dela estava surpreso demais para conseguir dizer qualquer coisa.
O loiro separou seus lábios.
– Eu confio em você e sei que vai ficar tudo bem.
O queixo do moreno tremeu.
– Naruto...
– Levem ele! – gritou aos policiais que obedeceram, arrastando um relutante Uchiha pelo caminho, rumo às escadas.
– Eu vou voltar para vocês dois, eu prometo!
Naruto assentiu, firme. Quando se viu a sós com Karin fitou-a com desagrado.
– Nem me faça perder tempo com suas ameaças tolas! É uma questão de tempo até resolver essa situação toda.
– Sasuke é meu marido! – insistia, o corpo chacoalhado pelos soluços – Nem você nem ninguém vai roubá-lo de mim!
– Eu não preciso roubá-lo. O coração dele já me pertence há muito tempo – encerrou, fechando a porta detrás de si.
Karin ficou possessa. Engasgou uma resposta para gritar, mas estava tão transtornada que só o que fez foi dar as costas e seguir seu caminho.
Naruto suspirou, exausto. Estava tão nervoso que tremia, foi um sacrifício imenso fingir estar bem, para não preocupar o namorado. Jamais permitiria que uma pessoa íntegra como Sasuke passasse a noite na cadeia por sua causa.
Mas não podia negar que ficar sozinho depois do que aconteceu o deixava temeroso. Ao menos os vizinhos estavam todos para fora, observando a comoção e provavelmente fofocariam sem parar. Se algo estranho acontecesse seria o primeiro a saber.
As coisas estavam se complicando. Era exatamente como Sasori lhe dissera, os Uchiha testariam sua paciência exaustivamente.
Baixou-se dobrando os joelhos, uma das mãos massageando sua barriga.
– Não se preocupe... Vai ficar tudo bem – sussurrava ao seu bebê, não queria preocupá-lo. Sabia que ele podia sentir tudo o que sentia – Logo o papai vai voltar para nós.
–-
Sasuke seguiu o caminho inteiro calado, dirigindo o próprio carro, recusando-se a seguir no mesmo veículo que Karin ou seu pai. Garantiu que não havia necessidade de escolta policial, ele seguiria sim ao apartamento da ruiva, da maneira como prometeu.
Chegando ao lugar largou as chaves no chão, irritadiço. Estava tão nervoso que seria capaz de explodir!
Poucos minutos depois Karin chegou, sozinha, ao apartamento.
–... Sasuke...
– O que vem em seguida? Vai me amarrar para eu não fugir? – ironizou.
– Eu estou fazendo isso por nós dois...
– Você só está fazendo isso por si mesma! – cortou-a – Nunca parou para pensar no quão infernal tem sido minha vida desde que usou meu irmão como pretexto para me forçar a me casar com você!
– Eu só quero te proteger! Só quero que você me ame!
– Isso nunca vai acontecer – encerrou, seguindo ao quarto extra que usava para dormir. Suas coisas que largara quando saiu de casa ainda estavam lá. Detrás dele a mulher ainda o chamava. Ele virou-se.
– Já fiz o que tanto queria, estou aqui, sob o mesmo teto que você. Isso não muda em nada o fato de que eu ainda amo Naruto! Jamais serei capaz de amar uma víbora como você! – fechou a porta, trancando-a.
Karin respirava depressa do outro lado, aturdida pelo ataque de fúria do marido. Em seu coração sabia que era uma raiva passageira, ele logo cairia na real.
Espalmou as mãos na porta, beijando-a em seguida.
Ele estava em casa! Finalmente havia voltado! Não importava o que ele dizia, a maneira como agira, o importante era que estava com ela novamente. Era tanta felicidade que poderia dormir ali, ao lado da porta, para garantir que não a deixasse novamente.
No interior do quarto o coração do moreno batia desolado enquanto mandava uma mensagem de texto ao loiro, para saber se estava tudo bem. A última coisa que desejava era deixá-lo sozinho. Por precaução avisou Sasori e os pais do loiro. Envergonhou-se por não conseguir cuidar dele devidamente, como havia prometido.
“Naruto...”
Apenas torcia para ele estar bem.
Mas, definitivamente, não estava nada bem.
Durante a comoção uma pessoa a mais subiu ao apartamento dos dois, dono de uma chave mestra que facilmente abriu a porta. Ele agora encarava o loirinho que parecia surpreso diante dele. Claro, nunca o havia visto. Mas a julgar pelos cabelos e olhos negros, a pele muito pálida como leite, sabia tratar-se de um Uchiha.
E seu sangue gelou por causa disso.
Um sorriso cruel estampou a face do homem parado diante de si. Era um sorriso frio, diabólico, como encarar a própria morte.
– Olá – Obito prolongou o olhar sobre a barriga saltada, admirando vagarosamente — Como vai, raposinho?
Continua.
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