Entre A Razão E O Desejo - Em edição
2 Atraído
Notas iniciais
“Sua chamada foi encaminhada para a caixa de mensagens e estará sujeita a cobrança após o sinal...”
A garota bufou de raiva, jogando o celular contra a parede. Já era de manhã e nenhuma chamada sua havia sido atendida ou retornada, e foram várias delas!
Onde diabos Naruto estava? Havia desaparecido da festa e não voltou até o final, quase a matando de vergonha! Precisou inventar uma desculpa qualquer sobre o sumiço repentino do noivo, e suas amigas não perderam a chance de insinuar que ele a havia deixado para trás e fugido com outra. Sakura passou o maior aperto do mundo quando os fotógrafos chegaram. Gastou uma fortuna para contratá-los, havia avisado ao cabeça oca de seu noivo que tirariam fotos para fazer os pôsteres e painéis da festa do casamento, mesmo ele dizendo que não, que era exagero! Um absurdo, porque ela não conseguia pensar em nada mais romântico do que a foto dos dois estampada em bom tamanho no centro da festa de casamento.
“Provavelmente o imbecil deve ter fugido porque não queria tirar as fotos. Droga, ele é tão imaturo e desatualizado! Porque não pode ser mais como o Sasuke? Ah, o Sasuke sim tira qualquer uma do sério...” – perdeu-se em um devaneio com o chefe, aquele que imaginava como sendo o noivo perfeito, com aquele porte majestoso e imponente. Imaginava que tipos de loucuras poderia fazer em seus braços...
O pensamento foi interrompido de repente ao lembrar-se que Sasuke também desapareceu de sua festa, o que era muito estranho. Com certeza Naruto o havia arrastado para algum lugar contra a vontade e ele, sendo tão atencioso, não conseguiu recusar. Fez um lembrete mental de ter uma séria conversa com seu noivo tão logo o encontrasse e continuaria ligando para o celular dele a manhã toda se fosse preciso.
Olhou no relógio soltando um muxoxo ao perceber que já estava na hora de sair de casa ou perderia o ônibus para o trabalho. Deu uma última ajustada na saia, subindo um pouco para deixar as pernas mais à mostra e dedilhou os cabelos com os dedos para livrar-se de alguns nós.
Ao menos poderia encontrar-se com Sasuke no trabalho. Isso afastaria um pouco seu mau humor.
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Naruto dormia pacificamente, como um anjo, a bochecha colada no travesseiro perfumado e macio. Um lençol fino cobria sua cintura, deixando o restante do corpo exposto. Ele remexeu-se, abriu os olhos devagar, como se a luz os ferisse.
Girou os olhos, cheio de preguiça, analisando o quarto. Estranhou não estar em casa, nem na casa de Sakura, então que lugar era aquele?
Como um disparo as lembranças da noite passada encheram sua mente e ele se sentou, assustado. Verificou o lado da cama, mas percebeu-o vazio. Ouviu então ao longe o tilintar de copos e talheres e seu estômago revirou tanto que pensou que iria desmaiar.
“Isso não pode estar acontecendo...” – passou as mãos pelo rosto, sem saber direito o que pensar. Ouviu também um som abafado que parecia familiar e reconheceu o toque de mensagens do celular. Virou o rosto na direção do ruído, quase morrendo de vergonha de si mesmo ao perceber sua calça jogada de qualquer jeito ao lado da cama. Esticou o braço e pegou no bolso traseiro o celular que apitava.
— Nove ligações perdidas... – resmungou baixinho percebendo que eram todas da mesma pessoa. Sakura devia estar furiosa com ele, e com razão. Pior que era péssimo em contar mentiras, não saberia o que explicar. Não sabia explicar nem para ele mesmo o que tinha acontecido.
Passos suaves ecoaram e em alguns segundos o moreno de seus sonhos (ou pesadelos) surgiu na soleira da porta. Vestia calça de um terno escuro, uma camisa branca e chinelos nos pés. Seus cabelos estavam úmidos e penteados para trás, e ele exalava um cheiro gostoso de sabonete.
Por um momento a mente de Naruto ficou em branco enquanto olhava para ele. Como podia existir um homem tão bonito?
— Dormiu bem? — Sentou na cama ao lado dele e delicadamente beijou seus lábios, um beijo doce e molhado. Naruto suspirou, esquecendo tudo, incluso a culpa. Seu coração apertou no peito e sentiu algo que há muito não sentia. Dedilhou com a ponta dos dedos a pele alva, para em seguida afundá-los nos cabelos sedosos e úmidos, bagunçando-os. Quando seus lábios se separaram ainda se fitaram por longos instantes.
— Fiz café, tome um banho antes de comer. Deve estar todo sujo, não é?
O Uzumaki só conseguiu esconder o rubor embolando a cintura nua nos lençóis e correu ao banheiro. Um banho parecia uma ótima ideia.
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Deixou a água cair e lavar bem seu corpo. Conforme se movia percebeu resquícios de um líquido entre suas pernas. Encostou a testa na parede de pastilhas brancas, cerrando os olhos.
"O que eu fiz...?" — estava inconformado de haver cedido. E bem na noite de seu noivado! Como seria capaz de encarar Sakura? Nem sabia direito o que estava sentindo, seus sentimentos estavam uma bagunça!
Ouviu seu nome ser chamado na porta e se assustou quando esta se abriu de uma vez. Cobriu-se com as mãos por mero impulso e Sasuke o olhou com impaciência.
— Naruto, eu já vi tudo que está aí.
Não importava. Corou até ficar da cor de um tomate, principalmente por ser alvo dos olhares cheios de segundas intenções do Uchiha sem vergonha alguma diante dele. Agradeceu à fumaça e tentou se esconder um pouco. Ainda não ficava totalmente à vontade perto dele.
— Pelo menos bata antes de entrar!
— Ok — revirou os olhos — Eu trouxe uma muda de roupas limpas. Vou te deixar no trabalho então se apresse – depositou uma sacola de grife masculina sobre a cama.
Antes de sair ainda deu uma boa olhada no corpo do outro e sorriu malicioso, deixando o cômodo em seguida. Naruto ficou um pouco decepcionado com isso, achava que ele não iria embora tão facilmente.
"Que droga estou pensando ???" — sacudiu a cabeça e apressou-se em terminar de se lavar.
Vestiu o que Sasuke lhe trouxera, uma camisa salmão e uma calça de alfaiataria escura. Olhou a etiqueta e soltou um assovio baixo, aquela marca custava uma fortuna! Voltou ao quarto com certo receio, encontrando o rapaz sentado junto à uma mesinha, digitando algo no notebook. Este tão logo postou seus olhos nele ficou muito satisfeito com o que viu.
— Tudo fica bem em você, não é? — levantou-se, e puxou Naruto pela cintura, batendo seus quadris. O Uzumaki arfou quando sentiu a proximidade, o ar quente batendo contra seu rosto conforme a boca dele aproximava de sua pele. Sasuke beijou delicadamente o pescoço alvo, sentindo com prazer o cheiro de sabonete na pele ainda úmida. Subiu os beijos pelo rosto, esfregando suas bochechas. Mordiscou seus lábios, sem beijá-lo, por mais que internamente Naruto quisesse isso e em resposta segurou nas costas largas, tateando-as depressa, quase perdendo o controle de novo. Buscou-lhes os lábios e sem reservas o beijou, completamente necessitado, suspirando de prazer quando sua língua tocou a dele. Sasuke riu dentro do beijo, percebendo o quanto seu amante estava à sua mercê.
Os toques se tornaram mais ousados. A esta altura ambas as mãos de Naruto já estavam dentro da camisa do outro, sentindo a perfeição do corpo. Sasuke o provocava com a mão escorregando para dentro de sua calça. Naquele ritmo ambos se atrasariam para o trabalho, porque não pareciam lembrar de nada que não fosse os toques um do outro.
O som do celular os impediu de continuar. Separaram os lábios depressa, afoitos. O Uchiha praguejou por ter sido interrompido em um momento tão importante, endireitou o corpo e retirou o celular do bolso da calça. Mirou furioso a tela do celular.
— O que você quer? – atendeu rispidamente se dirigindo para a varanda, mas ainda era possível ouvir sua voz. Ele parecia nervoso e impaciente.
Naruto teve algum tempo para respirar e tentar se acalmar. Abraçou bem forte o próprio corpo e esperou a respiração voltar ao normal, tentando ignorar o incômodo volume que saltava em suas calças.
“Melhor dar um jeito nisso, não posso sair desse jeito” – dirigiu-se para o banheiro afim de resolver seu “probleminha” com um banho frio, quem sabe. No meio do trajeto pôde ouvir a voz de Sasuke esbravejar ao telefone. Estava discutindo seriamente.
— Já te disse que eu estava trabalhando até mais tarde no escritório e dormi em um hotel! Pare de me fazer tantas perguntas!
Naruto ouviu a explicação obviamente mentirosa e sentiu uma pontada de raiva.
Com certeza era uma mulher que o estava interrogando. Encontrar alguém lindo daquele jeito e solteiro seria pedir demais. Ele podia ao menos ter dito que era comprometido, não?
Bem, não que pudesse falar muito sobre si mesmo.
Acabou desviando até a cozinha porque perdeu toda a empolgação, o calor em seu corpo simplesmente sumiu. Sentou-se junto à mesa e percebeu o cuidado com que fora posta. Havia frutas, suco, café, pães, frios e geléia. Um pouco exagerado para apenas duas pessoas, mas ainda sim muito atencioso. Como Naruto estava de mau humor encheu o prato e começou a comer tudo que encontrava pela frente, esquecendo seu regime. Começaria de novo na segunda feira, talvez. Por hora queria comer e muito, se entupir de chocolate e quem sabe chorar por algumas horas. Aquele definitivamente estava sendo um dia difícil.
Algum tempo depois, Sasuke retornou calmamente, guardando o celular de volta no bolso.
—... Com quem estava falando? — o Uzumaki perguntou com a boca cheia de pão, tentando parecer indiferente, mas se remoendo de certo ciúmes por dentro.
Sasuke sentou ao seu lado beijando afetuosamente o topo da cabeça dourada, o que fez o outro rapaz se retesar de vergonha e surpresa pelo gesto adorável. Sasuke era muito sensível, uma das coisas que o cativaram tão logo o vira. Percebeu ele dar um longo gole de café antes de responder.
— Com minha esposa.
— SUA ESPOSA??? — engasgou e recebeu algumas batidas nas costas — Seu…Miserável!!! Você não me disse que era casado!
— E faz diferença?
— É claro! Você trai a sua mulher assim tão facilmente?
— E o que você fez com sua noiva é diferente por acaso?
Naruto se calou, não tinha argumentos. Por hora tudo que queria era ir para o trabalho tentar esquecer um pouco aquele homem impertinente.
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Durante todo o trajeto de carro até a empresa, Naruto e Sasuke conversaram amigavelmente, uma conversa fluída e natural, como se fossem conhecidos de longa data. Sasuke não falava muito sobre si mesmo, mas respondia todas as perguntas que lhe eram feitas da melhor forma possível.
— Então você tem um irmão mais velho?
— Se é que pode se chamar assim. Ele parece mais minha segunda mãe do jeito que se mete na minha vida.
— Deve ser bom, eu sempre quis ter um irmão.
— Não está perdendo nada demais. Acredite — respondeu em um tom tranquilo, embora uma leve sombra de pesar surgisse no rosto, sem que o outro percebesse.
Estacionou diante do prédio onde Naruto disse que trabalhava. Ele agradeceu e se apressou em saltar para fora do carro, mas Sasuke foi mais rápido e o segurou pelo braço lhe puxando para um beijo. O susto o fez se debater nos braços do Uchiha até que o soltasse.
— Por Deus, Sasuke! — tentava recuperar o fôlego — E se alguém nos vir?
— O vidro é escuro, não se preocupe.
— Não é esse o problema! Você é um homem casado e eu... Eu acabei de ficar noivo! – mostrou a aliança no dedo anelar.
Sasuke apenas estreitou os olhos.
— Se você realmente amasse aquela mulher não teria aceitado tão facilmente meu convite, nem se entregue aos meus braços com tanto fervor. Você gostou, eu sei disso e você também.
A cabeça do loiro estava uma confusão, ele não queria pensar, só queria ir para longe.
— Por favor, me deixe em paz — virou-se, pronto a abrir a trava da porta. Sasuke o impediu colocando sua mão sobre a dele. Deu um beijo molhado na orelha rubra e riu quando o viu estremecer e ruborizar.
— Pare de lutar contra. Você ainda me quer.
— N... Não mesmo! Me deixa sair.
— Mas não estou te segurando — beijou o pescoço bem devagar e em vários lugares, sugando o gosto da pele com os lábios molhados. Naruto respirar normalmente, mas estava ficando difícil.
Com muito esforço Naruto o empurrou e saiu depressa do carro. O rapaz de cabelos negros apenas sorriu quando o viu se afastar e lambeu os lábios.
Seus dias tediosos pareciam ter chegado ao fim. Ao menos de noite quando retornasse à sua casa teria algo interessante em que pensar.
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O jantar não poderia ser mais desconfortável. Sasuke não dizia nada, comia silencioso e calmo.
— Como foi o seu dia no trabalho? — a jovem tentou puxar conversa, já que ele usualmente não falava sobre nada exceto o trabalho.
— Normal.
— Está cansado? Posso preparar um banho se quiser.
— Não se incomode.
Karin torceu os lábios. Não que já não estivesse acostumada. Estava casada com Sasuke há quase um ano, e durante este tempo ele nunca lhe esboçou um sorriso sequer. Era sempre frio e distante, não se aproximava para nada, não iniciava uma conversa, limitando-se a responder com um monossílabo o que ela lhe perguntava, parecia odiar sua presença. Era insuportável conviver com alguém que fingia que ela nem existia. No dia em que recebeu a notícia que se casaria com o amor de sua vida ficou tão feliz que achou que fosse morrer.
Mas, depois de alguns dias percebeu que a convivência não seria como imaginara.
Enrolou o dedo no longo cabelo ruivo, pensativa.
— Sasuke... Tem certeza que está feliz por estar casado comigo?
O Uchiha girou os orbes para ela, friamente.
— Não comece, Karin. Sabe que nosso casamento é de único interesse financeiro, não é?
— Mas eu amo você! Sempre amei! Não aguento que me trate dessa maneira!
— Dois anos casados para quitar as dívidas de meu pai, depois disso nos separamos. Esse foi o acordo. Você está se envolvendo porque quer.
— Mas, Sasuke... — não conseguiu terminar porque o viu se levantar abruptamente.
— O acordo foi uma condição imposta pela sua família para salvar financeiramente a minha, e não tive nenhuma escolha. Não se esqueça disso.
Seguiu rumo ao quarto, fechando a porta de uma vez. A casa tornou a mergulhar no mais profundo silêncio.
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A porta do pequeno apartamento se abriu, revelando a silhueta pálida e magra de Sakura. Ao ver quem era a jovem esboçou uma expressão zangada e cruzou os braços, fechando-se para desculpas. Fez menção de bater a porta de volta, mas a pessoa do outro lado foi mais rápida e a segurou.
— O que você quer?
— Desculpe ter saído ontem sem avisar. Sei que era um dia muito importante para voc... Para nós! – reiterou, rapidamente.
— Por que foi embora sem me contar nada, Naruto? Faz ideia da vergonha que passei na frente de todos aqueles convidados? Tinha mais de trezentas pessoas naquela festa!
— Sakura, os convidados eram todos seus.
— Isso não importa! Você não devia me deixar sozinha!
— Certo, certo. Desculpe. Eu não estava me sentindo bem então pedi ao Sasuk... Ao senhor Uchiha para me levar pra casa – praguejou mentalmente, era péssimo em inventar desculpas.
A garota franziu tanto a testa que suas sobrancelhas quase se juntaram.
— E por que não atendeu o celular?
— Err... Eu estava péssimo e fui dormir, nem o ouvi tocar – rezou para ela acreditar. Era uma desculpa esfarrapada, mas foi a melhor coisa que conseguiu pensar.
Sakura olhou fundo em seus olhos, querendo ver se estes fugiam dela. Naruto engoliu forte e sustentou o olhar o quanto conseguiu, quase suando frio.
— Você parece pálido hoje. O que está acontecendo? – estranhou a falta de cor no rosto sempre corado.
— Nada, Sakura. De verdade. Eu estou cansado, só isso.
Ela ainda ficou quieta algum tempo, processando as informações, mas logo relaxou acreditando em suas palavras. Naruto não costumava mentir.
Na cabeça da jovem, o noivo era louco por ela e não tinha olhos para mais ninguém. Além disso, foi loucamente apaixonado por vários anos até que ela bondosamente o aceitou, pondo fim ao seu sofrimento.
— De qualquer modo não devia ter saído daquele jeito ontem. Todo mundo ficou me perguntando de você.
— Desculpe mesmo. Olha, a gente se fala amanhã, está bem? Eu realmente não me sinto muito bem – tentou despedir-se o mais depressa possível. Era estranho estar com ela depois de traí-la. Sentia-se mal por isso, e muito culpado. Sakura não tinha culpa de nada. Teria sido mais justo conversar com ela sobre a confusão de sentimentos que estava lidando e não traí-la com seu chefe!
A garota ainda quis argumentar, mas percebeu que o noivo fazia de tudo para despedir-se, que parecia nervoso. Talvez estivesse se sentindo culpado porque a magoou. Quando concluiu isso, Sakura o achou um homem doce, tolo e apaixonado. Aproximou-se dele e segurou nos ombros largos, erguendo o rosto para unir seus lábios aos dele.
Naruto não sentiu nada naquele beijo. Pelo contrário, se pôs a imaginar como seria beijar certo Uchiha novamente. A mera lembrança de Sasuke o fez rever a cena do dia anterior e sem que percebesse abraçou Sakura mais forte, correspondendo ao beijo e o aprofundando bem mais, esquecendo-se completamente a pessoa que estava ali. Em sua mente, a boca de veludo daquele moreno tentador ainda estava unida à sua, provocando seus sentidos, fazendo seu corpo responder imediatamente.
Suspirou, perdido e entregue, tornando o beijo mais faminto e necessitado. Sakura estranhou todo aquele entusiasmo, há muito que não partilhavam um beijo tão intenso. A rotina os tornou distantes um do outro e a magia inicial havia se desfeito por completo. No entanto, ao ser beijada daquele modo... Sakura sentiu o chão falhar e seu coração disparou dentro do peito. Afundou as mãos nos cabelos dourados e o puxou para o interior do apartamento, fechando a porta atrás de si com o pé.
—... Naruto... – sussurrou com a voz arrastada e rouca.
Nesse instante o rapaz despertou, quase tomando um susto, mas fazendo de tudo para se controlar. O baque o fez afastar a noiva de perto de si, como se esta fosse uma assombração.
Olhava para ela aturdido, os olhos perplexos, a respiração falha por causa do beijo de segundos atrás. Segurava em ambos os ombros estreitos da garota que não estava entendendo nada.
— Que foi??? Por que está me olhando desse jeito?
Ele não conseguia responder.
Como lhe diria que estava imaginando outra pessoa? Sua mente girou e seus olhos arderam quando as lágrimas quentes embaçaram sua visão. Imediatamente baixou o rosto e caminhou apressado rumo à porta.
— Aonde diabos você vai? Naruto!
—... Desculpe, eu realmente não me sinto bem — deixou-a falando sozinha e apressou-se em sair daquela casa sem nem ao menos olhar para trás. A garota praguejou e bufou de raiva, atirando no chão as almofadas que estavam sobre o sofá e gritando histérica.
Enquanto isso o rapaz só conseguia apertar o passo, querendo se distanciar rapidamente.
"Droga, tenho que tirá-lo da cabeça!" – os passos duros contra o asfalto ecoavam em meio à noite. Grossas lágrimas desciam pelo rosto. Tapava a boca com a mão para impedir os soluços de ecoarem.
Não tinha mais controle, e nem volta.
Estava perdidamente atraído por Sasuke, um completo estranho para ele, alguém com quem dividiu somente uma noite e que lhe causou uma impressão tão forte! Do mesmo modo estava certo de que algo definitivamente não ia bem no relacionamento com Sakura. Não se sentia mais atraído da mesma forma por ela.
E isso tudo às portas de seu casamento!
Percebeu passos atrás de si e virou-se assustado para dar de cara com a noiva correndo pela rua deserta, vestindo apenas um shortinho de pijama, regata folgada e chinelos nos pés. Assustado, parou no meio do caminho e deixou que ela o alcançasse.
A jovem de cabelos rosados parecia zangada de verdade, de um modo como nunca a vira. Ela queria uma explicação e não desistiria enquanto não a ouvisse.
Naruto percebeu que não tinha como fugir, não era mais criança. Precisava enfrentar os fatos e seus próprios sentimentos, ou não seria capaz de encarar a vida como um homem adulto deve fazer. Respirou fundo e a mirou nos olhos. A luz do poste iluminava fracamente os olhos azuis.
—... Sakura, nós precisamos conversar.
Continua.
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