Notas iniciais
Bem-vindos a história original "Entre água e sangue".
Espero que se divirtam!

As vezes, namorar o herói da história não é o que parece.

Rose sabia disso mais do que tudo.

Desde que se lembrava, a garota sabia com quem iria se casar. Sua mão havia sido prometida ao filho mais velho da família mais rica de sua cidade, antes mesmo dos dois nascerem. O garoto, Vincent, era dois anos mais velho que ela, e seus pais eram donos de praticamente todas as terras de onde moravam. Os jovens foram criados juntos, para a garantia de que se dessem bem: foram melhores amigos quando crianças, e quando chegou a hora do garoto começar a estudar, ensinou a garota a ler e escrever, além de todas as outras coisas passadas por seu tutor. Eles de fato pareciam almas gêmeas.

Com a chegada do o aniversário de 16 anos de Vincent, o garoto se mudou para uma cidade distante, com o objetivo de aprender alguma profissão.

Dois anos depois, Vincent voltou. Forte, mudado. O garoto, em suas viagens, tinha aprendido uma arte muito peculiar: a arte da caça aos vampiros. De fato, ele tinha se tornado um dos melhores do ramo, e com isso, acumulado ainda mais dinheiro em nome de sua família.

Assim que chegou na cidade, o jovem pediu a mão de Rose em namoro, um acontecimento esperado e por todos. A garota aceitou, sabendo que seria o melhor, e lembrando o quanto gostava de dele. Aquele homem, forte e heróico, antes fora seu melhor amigo, e ela tinha certeza de que isso não havia mudado. E eles continuaram assim até a garota atingir os 18 anos, a idade adulta.

Não muito tempo depois do grande baile de aniversário, dado de presente para ela por seu namorado, uma grande festa de noivado aconteceu, onde Vincent a pediu em casamento na frente de toda a cidade, e após isso, ela finalmente se mudou para a casa dele.

Com a convivência, no entanto, a garota foi percebendo as mudanças que o intercâmbio causou em seu amado: o garoto que antes era compassivo, bondoso, se tornara um homem bruto e violento, que se divertia enquanto contava as histórias de suas matanças. No fundo, ela sabia, ou esperava que ele ainda fosse seu melhor amigo, mas cada vez mais ficava receosa em relação ao seu noivado.

Rose sabia que, em tempos como aqueles, Vincent era o homem perfeito para ela, apesar de tudo. Ele era rico, famoso, bonito, até. Além disso, a garota ainda gostava dele, mesmo mudado.

Com a convivência, ela aprendeu a lidar com a nova face bruta de seu amado, e eles pareciam como qualquer casal comum de classe alta. Vincent saia em suas caçadas intermináveis, enquanto Rose o esperava em casa devorando milhares de livros sobre todos os temas possíveis, sonhando em um dia acompanhá-lo em alguma aventura, mesmo que acreditasse que ele nunca permitiria. Dias e dias passaram, até que Vincent se convenceu de que a ajuda da garota seria bem-vinda, visto que Rose havia adquirido tanto conhecimento nos livros que recusar sua companhia seria idiotice. É óbvio que havia algo a mais, algo que por mais que não quisesse admitir, lá no fundo Rose sabia que era verdade: Vincent não suportaria imaginar a garota sozinha, bela como era, numa vila com tantos solteirões.

E então, Rose se juntou a caçada.

Geralmente, ficava parada, ou caminhando por becos escuros e florestas profundas, como se fosse inocente, esperando ser atacada pelos monstros. Quando eles se revelavam, Vincent aparecia por trás e os abatia, ou atirava de cima de uma construção. Embora este “brilhante” plano de usar Rose como isca tivesse sido ideia de Vincent, o jovem sempre acabava com ciúmes, a culpando por se expor demais.

Depois de um tempo, agindo assim, a garota começou a andar com punhais e correntes de prata, já que sabia que o plano de Vincent tinha falhas. Ela corria muito mais risco que ele, e tendo em vista que quase já tinha sido mordida, precisava se proteger. Ela tinha até mesmo abatido dois ou três vampiros graças a isso, mas não que alguém viesse saber, afinal, quem sempre levaria crédito era o noivo.

A vida de Rose estava ficando cada vez mais complicada. Lidar com vampiros e Vincent parecia ser demais, mas ela não era inocente: por mais bruto que fosse o homem, ela não o deixava crescer para cima dela. Tanto que mesmo juntos, ele ainda não havia conseguido tocar na garota de qualquer maneira indecente, coisa que ela nunca deixaria, pelo menos não antes do casamento. E ela sempre ficava com parte das recompensas, mesmo que para isso as vezes precisasse discutir com ele. E assim eles viviam, na rotina de sempre: matar vampiros, voltar para casa, pelo menos duas vezes por semana.

Mas uma carta mudou tudo.

Uma carta, apenas, que Rose não tinha ideia, mas iria mudar sua vida.

“Caro Vincent, o Caçador,

Nós, da cidade de Yndemowine viemos através desta carta implorar para que cace o monstro que assombra nossas florestas. Acreditamos que apenas o senhor e sua donzela consigam abatê-lo. Este vampiro, senhor, não é nada como já tenha visto antes: nós temos a localização de sua residência. Ele mora na mansão de pedra, no meio da floresta. Ele é rico, extravagante, da festas luxuosas a quem tiver a coragem de comparecer. Nós acreditávamos que era apenas um homem excêntrico, suspeito, até as vítimas começarem a aparecer. Mulheres, homens e crianças de nossa vila, todos. Nós já chamamos dezenas de caçadores, mas todos estes não conseguiram impedir o vampiro. Um por um, até estes desapareceram.

Nós tivemos de instalar um toque de recolher, e nenhum cidadão anda sozinho. As missas em nossa igreja estão cada vez mais frequentadas, e a venda de bens que supostamente protegem contra, repelem e até matam esses seres dispararam. Nossa vida está um caos.

Nós imploramos, grande caçador, para que elimine este monstro.

Venham, nos livrem do monstro, e garantiremos uma recompensa grandiosa.

Atenciosamente,

A população de Yndemowine”

Notas finais
Obrigado por lerem!
Por favor, deixem um comentário caso tenham gostado desse capítulo. Eles são muito importantes para me ajudar no desenvolvimento da história!