Ensine-me a te amar

8 8. Chegamos à base da Crime Sociere


Notas iniciais
Oiii, pessoal! Eu sei que demorei (T-T), foi mals. Ia postar o cap. ontem, mas tive uma consulta no oftalmologista e ele me colocou uma coisa no olho que me deixou vesga por umas duas horas (é sério, aquele treco é do mal) e não consegui escrever já que fiquei vendo dobrado. Sem brincadeira, descobri que tenho uns 4 graus de miopia daí ele ainda vem me deixar vendo tudo embaçado de perto também? Sacanagem *0*. Enfim, disso ninguém quer saber, vamos ao cap. Esse é narrado pela Erza, espero que tenha ficado bom.

POV. Erza

–Jellal... -proferi, minha expressão endurecendo assim que o reconheci.

Não baixaria a guarda por se tratar dele. Não o faria nem que meu coração estivesse, naquele momento, palpitado em júbilo apenas por novamente poder vê-lo. Jellal sabia que nada mudara em mim desde a última vez o vira, e não mudaria mesmo eu sabendo que sua 'noiva' era apenas um pretexto para nos manter afastados. Porque quem caminha na luz não se envolve com aqueles marcados pela escuridão, certo?

–O que faz aqui? Onde estão Juvia, Wendy e Charlie? -inquiri-o, sem ousar embainhar a espada.

–Elas estão comigo. Em uma de nossas bases ocultas aqui no bosque.

Não resisti, fui até ele e agarrei a gola de sua camisa, suspendendo-o alguns centímetros do chão.

–Se você ousou machucá-las eu juro que...

–Não se preocupe. -o azulado baixou os olhos para mim com seriedade- Eu nunca faria nada a elas. Porém estavam feridas quando as encontrei ao pé da ribanceira. Fui eu quem as trouxe para o bosque.

Soltei-o com relutância, mantendo o olhar afiado sobre ele.

–Parece que sua confiança em mim não melhorou em nada desde aqueles dias. -observou ele, um tanto afetado.

–Não pretendia tomar conclusões precipitadas. Teria a mesma atitude com qualquer um depois de encontrar sangue de Wendy sobre aquelas pedras.

–E eu sou qualquer um pra você agir assim? -indagou, um tanto ofendido.

Não respondi, nem pretendia, afinal não havia o que dizer a ele. Jellal nunca foi uma das pessoas mais fáceis de lidar, bom, ele costumava ser, porém foi há tanto tempo que eu nem chego a lembrar como era. Eu o perdoei, realmente perdoei, por Simon, pelo episódio na Torre do Paraíso, por suas palavras ácidas e sua intenção assassina. Eu o perdoei por tudo, mas não era simples assim agir como se nada houvesse acontecido. Afinal, uma parte minha ainda o queria bem, uma ínfima parte que eu sufocava no canto mais profundo do peito, aquela que ainda o amava apesar de tudo.

–Odeio interromper o reencontro e tal, mas queremos ver nossas amigas. -interferiu Gray, olhando para o azulado, que assentiu.

–Eu os levarei até elas. E não se preocupem com Natsu e Lucy, pois pedi à Meredy que os encontrassem e guiassem também. Aposto que já devem estar a caminho.

Isso tranquilizou meus nervos abalados, fazendo-me quase imperceptivelmente, seguindo Jellal à medida que o mesmo começava a sair da trilha, andando por entre os enormes troncos de árvore.

O caminho era tortuoso, e eu sentia que ele se forçava a não olhar para trás por nem um segundo sequer, evitando meus olhos, minha figura, como se preferissem acreditar que eu não estava ali. Atuação. Era tudo o que eu e ele compartilhávamos quando não estávamos sozinhos. Na última vez que passamos por isso, desabei assim que vi uma brecha para tudo aquilo. Eu sabia, sabia o quanto sentira a falta dele nos tempos que nos mantínhamos afastados. Sabia que estava mais feliz em vê-lo do realmente deveria e tinha plena consciência do quão errado e proibido aquilo era. Pois eu ainda era a Titânia, e ele, um dos piores criminosos foragidos na lista do Conselho.

Se o tempo pudesse voltar... quantos erros não poderíamos ter refeito, Jellal? Perguntei-me, sentindo um aperto no peito Será que, se eu houvesse estado ao seu lado naquela masmorra você teria tido mais força para resistir à magia de Zeref? Será que se eu houvesse estado lá por você naquele dia, as coisas poderiam ser diferente?

Eram perguntas que ninguém nunca poderia me responder. E ainda assim, nada também poderia mudar os acontecimentos passados. Eu continuaria seguindo em frente, como fiz até agora, entretanto algo dentro de mim ainda ansiava por seguir em frente ao lado dele.

Antes que eu percebesse, ou sequer me desse conta, estávamos em frente a um pequeno barracão abandonado. Não era nem um pouco o que se podia esperar de uma base, mas considerando as condições da Crime Sorciere era bem apropriado.

As paredes em madeira pareciam a ponto de estarem de decompondo por si mesmas, as tábuas um tanto corroídas e caídas, o telhado improvisado possuía muito remendos, provavelmente feitos após grandes tempestades. E nada em sua fachada denunciava a presença de alguém no interior. A única janela dali visível estava escura demais, impedindo-nos de ver o que se encontrava dentro do lugar.

Jellal parou ao batente da porta, pousando a mão sobre a madeira cuidadosamente e recitando um comando inaudível, fazendo a mesma se abrir.

–Selos mágicos? -questionei-o, sendo respondida com um singelo sorriso de canto.

–Por segurança. -explicou brevemente, abrindo a porta e deixando que o seguíssemos à dentro.

O interior era surpreendentemente organizado, considerando a aparência desleixada que a fachada do casarão exibia. Supus que assim não atraísse tanta atenção, o que, com certeza, era mais uma medida de segurança.

O cômodo era largo e espaçoso, tendo compactados no mesmo uma pequena sala, cozinha e quarto. Bom, não exatamente um quarto, e sim das camas beliche de solteiro encostadas a parede. E foi o primeiro lugar ao qual nos dirigimos, vendo que Juvia, Wendy e Charlie estavam dispostas sob cobertas nas camas debaixo dos dois beliches.

Não posso dizer que a condição delas parecia boa. Estavam suando frio, queimando em febre e delirantes, aparentemente sob o efeito de sedativos para manterem-se adormecidas. Juvia era quem estava em pior estado, respirava com muito dificuldade, trêmula e seu corpo parecia instável, como se à ponto de tornar-se água a qualquer instante.

Ajoelhei-me ao lado das duas, sem conseguir disfarçar a preocupação.

–Há quanto tempo elas estão assim? -perguntei, sabendo que Jellal estava atrás de mim mesmo sem precisar me virar.

–Dois dias. -falou, direto- Fizemos o possível aqui, já que seria ruim movê-las no estado em que estão, mas não é o suficiente. O clima nessa região é muito úmido e lugares como esse geralmente são péssimos para que fiquem desse jeito, por isso enviamos uma carta a Makarov em nome dos moradores, atraindo vocês pra cá afim que pudessem ajudá-las melhor.

–Foram vocês? -indaguei, virando para encará-lo surpresa.

Jellal assentiu, sua expressão estava densa, nebulosa, e estava de braços cruzados.

–Mas quem fez isso com elas?

Ele apertou os lábios numa linha fina, aborrecido.

–Eu não sei. Não chegamos a tempo para ver quem era, só as encontramos nesse estado. Juvia com Wendy e Charlie nos braços caída à beira do riacho.

–Desgraçados. -grunhiu Gray, apertando as mãos em punhos- Nem pra mostrar a cara...

–Vamos descobrir quem eram assim que elas acordarem. -falei num tom inflexível- Não se exalte. Até porque quando Natsu chegar ele vai...

–Pessoal! -interrompeu-me a voz do mesmo, que irrompia através da porta atropelando Meredy e Lucy- O que aconteceu? Como elas estão?

–Natsu! Vá devagar! -reclamou Lucy, escandalosa como sempre, porém o rosado não lhe deu atenção, indo até as camas- Idiota. -resmungou a garota.

–Elas não estão nada bem. -começou Meredy ainda no batente da porta- Não sabemos se é por causa de algum veneno, um vírus ou mesmo consequência dos ferimentos, mas a febre delas não baixa de jeito nenhum.

Um silêncio ruim se instaurou no ambiente. Até mesmo Happy e Natsu miravam ambas com expressões nebulosas, carregadas. Gray também não estava com seu melhor olhar, na verdade parecia profundamente zangado, irritado. Eram as expressões que faziam quando alguém machucava seus amigos, algo a se temer no caso de quem o fez.

Para a minha sorte, antes que Natsu dissesse ou fizesse algo impulsivo, Lucy interferiu tocando o braço do rosado, que lançou-lhe um olhar confuso. Ela apenas umedeceu os lábios, parecendo se concentrar em algo.

–Vamos levá-las de volta. Quando acordarem com certeza nos dirão quem fez isso. Não é? -ela ensaiou um pequeno sorriso resignado, o que pareceu fazer o Dragon Slayer ponderar por um segundo (o que já era um milagre).

Claramente contrariado, ele fechou a cara, mas não disse nada.

Suspirei audivelmente, cruzando os braços.

–Muito bem. As levaremos o mais rápido possível para Poluchka-san e veremos o que ela pode fazer a respeito.

–Erza. -chamou Jellal, atraindo minha atenção- Já é noite, e é perigoso andar por esse bosque sem a luz do dia. São nossos convidados a dormir aqui por hoje, amanhã podem partir sem problemas.

Hesitei por um segundo antes de assentir, aceitando que era mais racional ficar a noite em segurança ali. Até porque levá-las no relento pode piorar muito seus estados já tão debilitados. Por dentro, queria ficar ali. Mesmo que nunca fosse admitir isso novamente, queria continuar estando com ele, nem que por apenas algumas horas.

E isso não compensaria nem um pouco da saudade que acumulei nesses meses. Pensei, melancólica.

Jellal... por quê tão complicado? Por que justamente ele dentre tantos outros pelos quais eu poderia me apaixonar? A resposta da última pergunta era simples, ainda que minha teimosia insistisse na mesma. Era por ser ele, por Jellal ser quem era que eu me apaixonei por ele. As circunstâncias são o que menos importa. Eu não consigo fazer esse sentimento desaparecer. E como já tentei. Foram inúmeras vezes que vi-me recriminando minhas emoções, aquelas que eu ainda nutria por ele. Maldito Jellal. Por quê tão distante?

Inconscientemente, olhei-o de soslaio.

Tão perto agora, e mesmo assim... tão longe de mim. Parece estar tão longe que nunca chegaríamos perto o suficiente para alcançarmos aquela tão almejada liberdade. Nem por um momento teríamos esse benefício. Porque, no fim, continuamos ligados um ao outro. Como podemos ser livres quando estamos acorrentados a esses sentimentos?

Desviei o olhar sem que ele percebesse o movimento discreto. Eu faria o que deveria fazer. E ele também. Éramos esse tipo de pessoa, por isso combinamos tanto. Esse senso de dever... é só mais uma barreira entre nós e nossa liberdade. Uma das inúmeras barreiras que nos separa.

–Eu vou caminhar. -disse Natsu de repente, chamando nossa atenção enquanto já se encaminhava à saída.

–Está escuro lá fora! -alertou Lucy, virando-se para ele- Não é segura ficar vagando por aqui a essa hora. Vai se perder, Natsu!

O Dragon Slayer não se virou para ela, sua mão envolta da maçaneta e os ombros tensos.

–Não vou demorar. -falou apenas, abrindo a porta.

–Natsu! -repreendeu ela, calando-se quando Gray pousou a mão em seu ombro.

O moreno tinha um olhar esquivo, denso.

–Deixe-o ir. Ele parece estar com muita coisa na cabeça. -aconselhou o mago do gelo, fazendo a loira suspirar descontente e resmungar algo inaudível, voltando-se para o beliche onde Juvia estava deitada.

–Onde posso dormir? -indagou baixo, num tom fraco.

Jellal apertou os lábios.

–Não contava que todos vocês fossem vir. Daremos um jeito com as camas. Pode descansar no beliche de cima se quiser.

A loira subiu prontamente a pequena escada, deitando-se de frente para a parede em silêncio.

O clima está bem ruim. Mordi a língua, franzindo o cenho de preocupação Espero que melhorem logo, vocês três.

Gray logo se acomodou em uma cadeira rente à janela, apoiando o cotovelo na extremidade da mesa e encarando apático o lado exterior, sem dar sinais de que iria sair dali tão rápido.

Meredy foi para a pequena cozinha ferver água para ver se conseguia abaixar a febre das enfermas, que continuavam sem mover um músculo sequer. Jellal também arrumou algo para fazer, conferindo as runas de proteção e selos envolta do barracão.

Com um suspiro resignado ofereci-me para ajudar Meredy a tratar das meninas. Não havia muito o que fazer ali, e o clima opressor voltaria a me trazer pensamentos inoportunos se eu ficasse parada sem fazer nada.

(…)

O jantar foi um pouco mais animado.

O humor de Natsu melhorara e ele e Gray discutiam pela quantidade de comida que o outro pegou, implicando um com o outro como sempre.

Jellal parecia mais animado por ter companhia na base, assim como Meredy, que me narrava as mais recentes atividades da Crime Sorciere. Aparentemente tudo ia muito bem. Jellal era o mestre da guilda independente e ela cuidava da parte da filiação de novos membros, dividindo as tarefas para administrar tudo.

De acordo com o que disse já haviam mais doze membros na distinta guilda, entretanto, é claro, a maioria deles já pertencera a organizações criminosas, quadrilhas, e até mesmo guildas das trevas. Era o que se esperava de uma guilda independente que é tida como ilegal, certo?

Entretanto, como contou Jellal, esses criminosos eram de confiança (a frase soou estranha até para mim) e se aliaram à Crime Sorciere justamente pelo menos motivo pelo qual ela foi criada: para se redimirem ou, se preferir, para se punirem. E estavam fazendo um bom trabalho.

Pelo menos quinze guildas das trevas inteiras já foram dissolvidos pelo grupo, que já começara a levantar rumores positivos sobre suas ações, o que era tanto bom como ruim para eles. Bom no sentido de sua reputação estar melhorando aos olhos dos civis, ruim pois estavam sendo conhecidos, e os rumores atraiam o Conselho.

A conversa fluiu, melhorando o humor de todos. Ou quase.

Lucy não quis comer. Ela ficou deitada na cama, apesar de eu ter certeza que estava acordada, a loira nem ao menos se virou para nos responder quando perguntamos seus motivos. Disse que estava cansada e queria dormir somente. O que realmente me deixou preocupada.

Lucy não era de fazer esse tipo de coisa. Costuma ser tão enérgica e animada com tudo, radiante eu diria. Mas nos últimos tempos tem ficado mais sozinha, mais quieta e distante. Tenho certeza que está escondendo algo, todavia ela desconversa toda vez que tento questioná-la, o que me faz pensar que é algo realmente grave para não querer compartilhar.

Depois do jantar Natsu caiu direto na cama, começando a roncar mais rápido do que qualquer pessoa normal poderia sequer adormecer. Desajeitado como sempre, dormiu todo atravessado no beliche de cima. Com um suspiro, deixei que dormisse na última cama disponível sem problemas, tendo certeza que acabaria dormindo no chão.

Meredy e Gray ficaram conversando conosco por um tempo, porém, um depois do outro, acabaram cedendo em ir dormir. Gray ficou irritado por Natsu ter pegado a última cama disponível e jogou sem delicadeza alguma o rosado no chão, em cima de um tapete qualquer. Natsu nem acordou, mas isso com certeza geraria uma bela briga pela manhã.

Meredy afirmou que contentava-se com o sofá, desculpando-se pela falta de camas na base e indo deitar-se em seguida.

Foi quando percebi que estava praticamente sozinha com Jellal, o que me deixou deveras desconfortável. Levantei da cadeira onde ainda estava sentada e virei-me de costas para ele.

–Eu acho que também já vou dormir. -falei, dando graças por minha voz não ter saído tremida.

–Espere. -ele segurou meu pulso, fazendo com que eu ficasse a sua frente- Podemos sair um pouco? Eu queria... conversar.

Senti as borboletas se agitarem em meu estômago, e era uma sensação realmente irritante. Desviei os olhos para o chão e concordei com um aceno.

Logo Jellal me levava pela mão para fora da pequena base. Eu sentia minha mão formigar entre a sua, um calor subindo-me ao peito mais uma vez.

Não tinha ideia sobre o que ele queria falar comigo, e ficar sozinha com Jellal ainda me aflige depois do quase beijo que aconteceu na última vez em que ficamos a sós. Porém tanto a curiosidade quanto a expectativa fizeram com que eu o acompanhasse naquele momento, os motivos eu só poderia imaginar.

Notas finais
Gente, estou realmente começando a admirar vocês que escrever fanfics. Jerza. Percebi que é bem complicado narrar o ponto de vista deles (ainda mais em primeira pessoa) e espero que, tipo, não tão ruim assim *-*. Enfim, o próx. cap. promete Jerza, e eu farei o possível para postá-lo mais rápido dessa vez. Bjs.