Notas iniciais
Oii, pessoal! Depois de outra eternidade eu voltei. E gente, EU TO REALMENTE MUITO FELIZ. Adivinhem o motivo: A FIC. GANHOU UMA RECOMENDAÇÃO! �/�/�/ Agradecer a Mary Nutella pela recomendação, PQ FICOU MUITO LINDA! ;3;3;3 Mas enfim, antes que eu prolongue demais queria dizer que dessa vez pra compensar pela demora vou agilizar o próx. cap. (devo postá-lo até sábado no máximo) *_*

POV. Lucy

Se havia alguém de quem eu houvera esquecido ou alguém completamente improvável de ser mais uma vez visto, esse seria Takeshi. Surpreendi-me até por poder ter sido capaz de reconhecê-lo depois de tantos anos, afinal ele parecia ter mudado muito naquele tempo.

Os cabelos de acobreados que eram muitas vezes confundidos com um castanho escuro quando pequeno ficaram mais avermelhados com o tempo, caracterizando sua cor carmesim original, além de estarem compridos a ponto de recaírem sobre seus olhos agora. Os olhos, no entanto, continuavam no mesmo tom esverdeado, cor de esmeralda, e eram tão enérgicos quanto eu me lembrava. Ele sempre foi um menino agitado afinal.

É claro que não percebi isso de cara, já que o ruivo fez o favor de surpreender-me com um súbito abraço de urso que chegou a me levantar do chão.

–Eu não acredito! Já faz tanto tempo! –ele sorria largamente quando me pôs no chão, as mãos me segurando pelos ombros e os olhos correndo por meu rosto e corpo, como se estivesse maravilhado com as mudanças que o tempo operou em mim- Você está linda, Lucy! Não tem mais aquele rosto de bolinha que tinha quando era pequena, que demais!

–Ei! –protestei, apesar de estar sorrindo de volta. Era mesmo muito bom vê-lo- Você parece que só mudou na aparência.

Ele sorriu de volta com um ar de superioridade, apontando para si mesmo.

–Não é?! Fiquei mais alto que você! Toma! –Takeshi riu despreocupado até perceber os olhares que lhe lançavam, como se nem houvesse notado a presença dos meus amigos na sala- Ah, é vocês devem ser o pessoal da Fairy Tail! Contamos com vocês daqui em diante.

–Faremos nosso melhor. –assegurou-lhe Erza cordialmente- Lucy... Poderia nos apresentar?

Eu ia abrir a boca para responder quando Takeshi me interrompeu.

–Eu mesmo faço isso. Meu nome é Homura Takeshi e sou ajudante aqui na pousada nas horas vagas. Ah, e eu e Lucy somos amigos de infância. –contou, extrovertido.

–Amigos de infância? –indagou Gray, franzindo o cenho.

–Ele é filho de um dos antigos empregados da mansão. –expliquei- Não tinham muitas crianças por perto, então sempre que podia ele vinha brincar comigo. Se bem me lembro seu pai saiu da cidade quando arrumou um emprego melhor no interior, não foi?

–O irmão do meu pai comprou esse lugar e estava começando a dar lucro, mas faltavam funcionários para trabalhar, então nos mudamos para cá.
Reparei por alto que Natsu expressava um semblante azedo, meio descontente, para com Takeshi, que parecia mal tê-lo notado.

–Então você vai ajudar? -questionou Gray, arqueando a sobrancelha.

–Minha função é apenas mostrar o caminho. Posso não ser de muita ajuda, mas conheço bem as estradas que correm a montanha. É sempre bom ter um guia para não se perder por aqui.

–Ele vive matando o serviço pra ficar perambulando por aí. -repreendeu a senhoria, puxando o rapaz pela orelha- Deve ser por isso que foi escolhido.

–Ai, ai, ai! -protestou o ruivo, com lágrimas nos olhos- Eu não faço mais, prometo, prometo! Sumiko-san!

–Argh, essas crianças de hoje... -a moça o soltou com uma expressão resignada- Você pode se gabar por suas proezas durante o jantar, agora deixe nossos hóspedes se acomodarem.

–Hai, hai. -ele sorriu para nós, envergonhado- Hehehe... Bom, será um prazer conhecer melhor os famosos magos da Fairy Tail, ainda mais os amigos da Lucy, mas por agora Julie e Kayla... -Takeshi gesticulou em direção as duas garotas com uniforme de camareiras- Irão lhes mostrar a pousada e seus respectivos quartos antes do jantar.

As meninas assentiram e indicaram as escadarias, por onde Erza e Gray começaram a subir.

Estava prestes a segui-los quando Takeshi me agarrou pelo pulso e sussurrou baixinho:
–Pode deixar que a você, Lucy, eu mesmo mostro tudo pessoalmente.
(...)

–Eu disse pessoalmente, e ainda assim... O quê esse cara tá fazendo aqui?!

Suspirei, desacreditada. Takeshi fitava Natsu com um olhar indignado, fechando a cara como uma criança emburrada. O rosado o ignorava, fingia que sequer o ouvia, enquanto andava ao nosso lado pelos corredores da pensão.

–Quem é você, aliás? -questionou o ruivo, um tanto irritado.

–Natsu Dragneel, mago da Fairy Tail. -retrucou o outro, seco.

Que clima... Ruim. Pensei, desconcertada com a atmosfera opressiva que se instaurou entre nós três.

–Hã... Sabe, Ta-kun, foi ele quem me apresentou à guilda. –comentei, tentando puxar algum assunto antes que os dois resolvessem cair no punho sem razão alguma- Natsu é meu companheiro, sempre vamos juntos às missões.

–Eu já ouvi sobre ele. Soube que é um encrenqueiro que vive destruindo as coisas. –mencionou ele, como se o Salamander sequer estivesse presente- O mago de fogo da Fairy Tail, né? Espero que minha Lucyinha não se envolva demais com você.

–COMO É?! –explodiu Natsu, irado.

–Companheiro, ela disse. –refletiu o ruivo num tom provocativo- Ufa, que sorte. Quer dizer que eu ainda tenho chances com a Lucy. E olha que ela ficou ainda mais bonita depois de tanto tempo.

Corei um tanto quando Takeshi me direcionou o olhar.

Ele sempre teve aquele jeito. Quando pequeno isso causava muita confusão entre os adultos já que o rapaz tinha um temperamento naturalmente explosivo e vivia arrumando brigas com os meninos de rua.

Como se não bastasse a natureza invocada ele ainda se tornou um belo galanteador agora...

Isso não vai dar certo...

–Ora, seu...! –Natsu por outro lado parecia pronto pra partir pra cima do outro.

Eu não tenho que ficar aguentando isso.

Meus pés doem e estou congelando encharcada desse jeito, e ainda agora preciso ficar sendo motivo de briga de dois crianções. Sem brincadeira, a temperatura não parou de cair desde que saímos da estação. Só espera que não neve a noite...

E antes que eu percebesse já estava tremendo e fungando.

Se eu pegar um resfriado aqui... Aaahh, já quero ir pra casa!

–Takeshi... –chamei-o baixo antes que começassem a brigar de verdade-Me mostra o quarto, por favor. Tenho frio.

E o clima mudou radicalmente. Logo os dois esqueceram até da existência um do outro e olharam direto pra mim, tão direto que até me deixou envergonhada.

O ruivo agiu primeiro e, com um sorriso presunçoso, pegou minha mão e me puxou para um dos corredores.

–Quando soube que viria, pedi à minha senhoria que preparasse um quarto especial para você. Até porque vocês vieram na temporada de maior movimento. –ele entrelaçou os dedos aos meus, parecendo corar um pouco de repente, como se pego pelos próprios pensamentos- Depois que saí da mansão... Pensava muito em lhe visitar, mas de repente veio a notícia que a companhia de seu pai faliu e que você não morava lá há mais de um ano. Não sabia onde tinha ido parar.

Na falta de argumentos acabei por apenas sorrir.

Que diabos! Quem diria que aquele molequinho mal educado ia virar um mulherengo desses?

A verdade era nada menos que surpreendente. Ainda me lembro das milhares de peças que ele costumava pregar nos empregados e visitantes da mansão. Meu pai vivia me dando broncas pela má companhia que ele era, dizia que o ruivo era um projeto de delinquente e que me influenciaria se formássemos amizade. Porém, mesmo com as frequentes repreensões, eu acabava fugindo dos meus estudos para brincar com ele todas as vezes.
Aquelas lembranças ainda eram do tempo em que mamãe estava viva, e ela tinha uma opinião totalmente diferente para com Takeshi. Quando meu pai não estava por perto ela incentivava a sair e me divertir. Mamãe nos esperaria e pediria às empregadas para prepararem um lanche quando voltássemos.

Sorri inconscientemente. Minha mãe era a melhor.

–Aqui. –meus pensamentos foram interrompidos pela voz do rapaz e percebi que estava diante de uma porta- Esse é o seu quarto. Pode deixar as malas aqui e se instalar. Tem tempo até o jantar.

Assenti e agradeci com um sorriso.

Natsu, que vinha atrás de nós, ainda tinha minha bolsa em mãos.

Ele está de mau humor. Pensei, vendo a expressão irritadiça no rosto do rosado Parece que vai ser uma longa noite.

–Pode ir até o hall quando estiver pronta. –avisou Takeshi, com ar de despedida- Se eu não for ajudar minha senhoria estarei com grandes problemas, mas se precisar de alguma coisa pode pedir.

–Como se ela fosse precisar... –resmungou Natsu, de cara fechada.

O ruivo ignorou a presença do outro (de novo) e seguiu seu caminho pelo corredor. Assim que se afastou o bastante pude ouvir o rosado ao meu lado bufar.

–Não gostei desse sujeito. –comentou, como se não fosse óbvio o suficiente.

–Ele é um bom rapaz, mas acho que vocês realmente não foram um com a cara do outro. –comentei, abrindo a porta de fininho e espiando o interior do quarto.

Era bem requintado, tanto em quesito de espaço quanto de decoração. É claro que não era nada chique, a pousada era humilde afinal, mas eu poderia dizer que era um dos melhores quartos disponíveis.

No centro do cômodo havia uma grande cama de casal arrumada com uma roupa de cama azul rendada e travesseiros com fronhas do mesmo tom. As paredes eram creme e ostentavam alguns retratos de paisagens aleatórias.

Sob a cabeceira da cama havia uma janela de cortinas brancas que dava para as montanhas, tendo uma boa vista do temporal que não parecia ter enfraquecido desde a nossa chegada.

Uma porta do lado direito do quarto parecia levar a um pequeno banheiro de azulejos brancos e pretos. O resto da decoração era basicamente uma penteadeira de madeira um tanto antiquada e um guarda-roupa no mesmo estilo. Nada muito extravagante.

–Mas aqui realmente parece um bom lugar! –apontou Natsu, seu mau humor desaparecendo instantaneamente.

O Salamander deixou as malas no chão sem delicadeza alguma e se jogou na cama com um sorriso bobo.

–É macia!

Sorri com ele, revirando os olhos e me abaixando para apanhar minha bagagem.

–Ei, aquele ruivo, é mesmo seu amigo de infância? –indagou o Dragneel de repente, ainda deitado na cama com as mãos atrás da cabeça e os olhos encarando o teto.

Franzi o cenho, segurando a mala e a abrindo sobre a penteadeira sem prestar muita atenção na pergunta.

–É sim, mas ele saiu da mansão quando eu tinha uns cinco ou seis anos, então não lembro muito dele.

–Hum... Legal. –devolveu ele, apesar de não parecer estar achando a situação exatamente legal- Bom, vou desfazer minhas malas também!
O rapaz saltou da cama e pegou sua própria bolsa, colocando-a sobre a cama.

–Espera! Ei, Natsu, esse é o meu quarto. –relembrei-lhe, parando de organizar as roupas para lhe encarar.

–E o que tem? Tem espaço aqui pra nós dois. –dando de ombros, o rosado pareceu não entender meu ponto.

–Não! Você vai pro seu quarto e eu fico no meu! Só tem uma cama aqui!

–É uma cama de casal.

–Não somos um casal! –reinterei, teimosa- E Happy? Vai deixar ele com Erza, Gray e Juvia?

–Ele pode dormir aqui também. –afirmou, franzindo o cenho- O que há com você? Está pensando besteira de novo? Já dormimos na mesma cama antes.

–Vai ficar dando ideias erradas pras pessoas! Aliás, tenho que me arrumar para o jantar. –apontei para mim mesma, ainda naquelas roupas encharcadas.

O Salamander foi quem revirou os olhos dessa vez, parecendo levemente irritado de novo.

–Ideias erradas, né? Pra quem? Pro seu amiguinho? –provocou, olhando para o chão.
Não pode ser... Ele está... Com ciúmes?! Impossível...

–Isso não tem nada a ver. Estou falando de Gray, Erza e Juvia. Até porque... –mordi o lábio inferior e circundei minha barriga com os braços- Até porque não tenho interesse nenhum em relacionamentos agora. Eu... Vou ser mãe, lembra?

Isso pareceu, de alguma maneira, despertar o rosado, que levou a mão à sua bagagem e se dirigiu à porta.

–Tem razão. –confessou, por um milagre- Não é hora de pensar em coisas estúpidas. Vou encontrar Happy.

E ele saiu fechando a porta atrás de si.

Suspirei, quando foi que as coisas ficaram tão complicadas mesmo?

Notas finais
Era pra ter ficado maior, mas eu não ando com muito tempo e se fosse escrever a continuação ele ia ficar muito grande então cortei por aqui. Pra ser sincera não gostei muito desse cap. (talvez eu decida reescreve-lo no futuro), mas por hoje é isso. Obg a quem leu e até o próx. cap.! *3*