Ensine-me a te amar
20 20. Direto a Winterfall
Notas iniciais

POV. Natsu
Seus olhos azulados mostravam certa reserva, um inegável desconforto em minha presença. Ela não pareceu disposta a me fitar por um segundo sequer, porém não era desprezo ou frieza que eu via em sua postura, era receio. Apesar de desgostar da situação, era verdade que me sentia aliviado, pois não tinha a mínima ideia do que esperar quando voltaria a vê-la.
E ela fingindo que não me via.
Desde o momento que voltei para a guilda já completavam dois dias. Quando realmente cheguei aqui depois dos dois meses de afastamento, pude ver com clareza o alívio e conforto que meu regresso despertou nela, porém não houve nada mais que um pequeno sorriso a mim dirigido nesse tempo.
Não vou mentir, mas foi indescritível o quão mais leve me senti assim que percebi que ela não me odiava; Mas agora honestamente penso que esse silêncio está me matando. Não queria que as coisas acabassem assim.
Era noite na guilda, cerca de uma da manhã, e poucos dos nossos companheiros ainda estavam ali. Lucy fora para casa cedo, alegando cansaço, e pediu-me veementemente que não a seguisse naquele dia já que só queria tomar um bom banho e dormir bastante. Mesmo tentado a desobedecê-la, decidi dar um tempo para ela, a última coisa que queria era a deixar estressada agora (ainda que fosse um tanto divertido).
Em vez de importuná-la acabei por ficar na guilda. Happy ainda estava arrumando as coisas que deixara na Fairy Hills nos dias que passara a noite lá, então foi mais cedo para casa.
Mirajane também se dirigira à Fairy Hills com Wendy, tendo que carregar uma Cana desmaiada que depois de muitas rodadas de bebida acabou por cair no sono. Já Levy e Elfman permaneciam e acordados; aquela se estendendo em suas leituras e este carregando os barris vazios de bebida espalhados pelo saguão. E havia Lissana, tratando de organizar as mesas e lavar as louças. Era essa que me incomodava.
Sentado numa das altas banquetas rente ao balcão, eu brincava entediado com os talheres sobre o prato recém-terminado de comida, um tanto aborrecido com os movimentos constantes da albina. Lissana andava apressadamente por todo o salão, parecendo agitada ao apanhar e recolher os talheres das mesas e levá-los a cozinha. Em nenhum momento dignava-se a e dirigir um olhar.
Com um suspiro irritadiço saltei do meu assento, decidido a acabar co aquela situação enfadonha antes que ficasse ainda pior. Andei até a entrada do balcão, pegando-a de surpresa e quase a fazendo esbarrar em mim no processo. Seus olhos azuis esgazeados, pela primeira vez naqueles quase três meses, encontraram os meus.
–Natsu! Quase me fez derrubar os pratos! –repreendeu ela depois de um segundo de choque, recuperando-se e desviando de mim para seguir rumo à cozinha- O que foi?
–Eu... Queria ajudar com os pratos. –disparei, assustando até a mim mesmo com a falta de algo melhor para dizer.
Lissana arqueou a sobrancelha, cética, entretanto assentiu e me deixou ajudar com a parte de secar as louças uma vez que as lavasse, arregaçando as mangas da blusa e começando sem dizer uma palavra.
Os arroxeados que eu deixara em seu braço dois meses atrás ainda estavam ali.
Engoli em seco, tentando desviar a atenção dos hematomas que, mesmo estando quase imperceptíveis agora, pálidos e praticamente curados, afligiam-me de um modo agonizante.
–Lissana... eu...
–Lis! –Elfman apareceu de repente na fresta da porta que levava a cozinha, interrompendo-me- Terminei com os barris por hoje! Quer que eu lhe espere ou...
–Pode ir pra casa, Elf-niichan. Só irei lavar a louça e vou logo após. –assegurou-lhe a mais nova, sorrindo.
–Mas está escuro e proteger minha irmãzinha é...!
–Homem, eu sei. –ela revirou os olhos- Estou bem, sério. Não se preocupe comigo.
Com uma aparente pontada de hesitação, ele se despediu com um aceno e não deixou de fazer algumas recomendações para sua volta, que chegasse segura, e assim partiu.
Quando fomos deixados sozinhos, o clima continuava tão estranho como até agora estivera, tenso e desconfortável. Era enervante.
–O que ia dizer mesmo, Natsu? –indagou ela após uns cinco minutos, com o olhar fixo no prato que esfregava.
–Eu queria... me desculpar. Por tudo. –confessei, as palavras soando sinceras pela primeira vez.
Lissana parou o que estava fazendo e se virou para me encarar, e eu soube que aquilo não era o suficiente.
–Naquele dia... eu não estava bem. –comecei, um tanto ansioso- Tinha coisas demais na cabeça, passara a noite em claro e... não era eu mesmo. Não sei o que deu em mim, mas quero que saia que nunca, nunca vai acontecer de novo. Eu sinto muito, Lis, mesmo.
–Coisas demais na cabeça... –repetiu ela, apertando os lábios e desviando o olhar por um momento- Coisas como o fato de ter dormido com a Lucy depois daquela festa?
A pergunta me fez franzir o cenho, temeroso. Abri a boca, porém fiquei uns dez segundos sem saber exatamente o que responder.
–Não, eu...
–Está tudo bem, Natsu. –ela se permitiu um pequeno sorriso, ainda que a expressão não parecesse dizer tudo- Não é da minha conta.
–Espera, não é isso! Lissana, eu nem sequer me lembrava disso na época.
–E agora ela está grávida. –comentou, um traço de mágoa em sua voz.
Suspirei, exasperado.
–Eu sei, fui um idiota. Nunca planejei nada disso, mas... não me arrependo. Me desculpe, mas mesmo depois de tudo o que aconteceu, dessa confusão toda, eu ainda gosto da Luce.
–Então é verdade.
–Não posso aceitar seus sentimentos. Sinto muito, Lissana, mas você sempre somente uma grande amiga pra mim. E eu não queria perder isso.
–Entendo. –a albina sorriu levemente- A culpa foi minha por tentar forçar isso, não se sinta mal. Acho que já sabia desde o começo, porém queria ter certeza que não havia chance alguma. O que vai fazer, daqui pra frente?
–Vou estar com ela como deveria. –contei, soltando o pano que tinha em mãos e me apoiando na bancada- Vou fazer o possível, mesmo que Luce não queira ficar comigo dessa maneira agora. Quero cuidar dela e do nosso filho, não deixar que lhes falte nada. Estar lá por eles. Quero... quero construir uma família.
Não que eu nunca houvesse pensado nisto antes, entretanto era estranho o falar para outra pessoa, ficava mais sério mais real do que na minha mente. Muito mais.
A verdade é que não tenho ideia de como isso vai acontecer. Luce não quer nada além de amizade, pelo que pude entender, então o fato de estarmos ‘construindo uma família’ não é bem o normal esperado, todavia não significava que já não tínhamos nenhuma relação além do companheirismo, ela ainda esperava um filho meu afinal.
Só posso dizer que essa gravidez vai ser uma coisa bem complicada.
–Natsu. –chamou Lissana, trazendo-me para o presente- Se... se eu nunca houvesse partido, teria uma chance? Digo, nesses dois anos, se eu estivesse aqui, você teria considerado me ver com outros olhos?
Ponderei por um bom tempo, procurando em minha mente as palavras certas para responder tal questão. Nunca considerei as coisas daquele modo, eu não era pessoa de ficar imaginando o que poderia ter acontecido.
–O fato de você nunca ter partido não significa que eu não viria a conhecer Luce. Já se nunca a houvesse conhecido, não sei dizer. Pensando agora, é muito difícil imaginar como seria minha vida se ela não estivesse aqui. –admiti, sorrindo de lado- Seria apenas estranho demais pensar assim depois de tudo o que já vivemos. Eu e você sempre fomos muito amigos, não quero que isso mude agora.
–Tem razão. –ela me sorriu mais uma vez, porém agora mais genuinamente- Quero que seja feliz acima de tudo, por isso lhe desejo sorte e alegrias para o futuro.
‘É até um pouco irônico que ela diga isso agora, depois de tudo o que aconteceu’ Pensei, incomodado, todavia apenas a agradeci sem verbalizar minhas preocupações.
Naquele dia, eu e Lissana voltamos a ser amigos, tão próximos quanto sempre estivemos até antes daquela confusão. Quanto a mim... Eu só podia esperar. Levar as coisas como podia por enquanto.
Mas, apesar de tudo, não conseguia deixar de me sentir como uma bomba relógio que logo explodiria para devastar tudo ao meu redor.
(...)
Acordei com o apito do trem. Nem houvera percebido que adormecera, mas o susto me ajudou a voltar ao presente, justo quando estávamos recém chegando a nossa parada. Luce ressonava tranquilamente com a cabeça apoiada em meu colo, tendo uma de minhas mãos pousada em sua cabeça e a outra e suas costas. Parecia ainda mais bonita enquanto dormia, sorrindo de leve daquele jeito, parecia mais calma, em paz.
Isso até o segundo apito que, é claro, a fez dar um pulo.
–Ai, meu deus, eu não tenho pão! –disparou ainda meio dormindo, parecendo atordoada.
–Que bom que não estou com fome então. –repliquei, sorrindo de lado.
–Natsu! Lucy! Peguem as malas! –gritou Erza já de pé no pequeno corredor entre as fileiras- Temos que descer!
Ah, mesmo tendo feito isso tantas vezes é tão divertido ser arrastado num mar de pessoas e empurrado pra todos os lados (sentiram a ironia?) ainda mais quando todo mundo se amontoa no mesmo lugar e ficam se acotovelando pra sair de um espaço tão, mais tão apertado. Não é brincadeira. O serviço ferroviário devia estar meio (muito) sobrecarregado, a única coisa que não me entrava na cabeça era o motivo de tanta gente estar indo para aquele fim de mundo, mas tudo bem né.
Depois de sermos empurrados, esmagados e praticamente derrubados pra escapar daquela algazarra, conseguimos por um santo milagre parar num lugar sem aglomero. É, essa não é a melhor viagem que eu já fiz nem de longe.
Joguei-me no primeiro banco disponível e soltei as malas que carregava sem delicadeza nenhuma. Eram só quatro da tarde, porém parecia que uma eternidade tinha se passado desde que acordei de manhã. Isso que eu nem era o que estava na pior situação.
–Calma, calma, já vai passar... –Erza esfregava as costas de Luce, a mesma parecendo prestes a vomitar.
–Tanta... gente... –lamentava-se a loira entre os acessos de náusea- Por... quê?
–É quase fim de ano e vêm muito poucos trens pra cá. As pessoas estão aproveitando para visitar suas famílias antes que as chuvas comecem eles tenham que adentrar ainda mais na montanha. Não me surpreende que hajam tantas pessoas, afinal isso já é quase uma tradição por aqui.
–Mas daqui vamos direto para a vila? –indagou Gray , olhando ao redor u tanto entediado- Parece que o dilúvio já até começou lá fora.
E era verdade. Mesmo estando no meio da tarde uma chova torrencial já fustigava a terra em Winterfall, coisa que, pelo que dizia no pedido, só deveria começar em duas semanas.
A vista da estação era cinzenta, os céus estavam da cor da fumaça que saía da chaminé, quase negros, e não havia nenhum tipo de estrada muito bem indicada, muito menos de qualquer vila ou centro. Aparentemente o terminal era isolado pelas condições do solo, que logo se elevaria em terreno montanhoso, por isso aquele era o ponto final. Agora se a ferrovia já era no meio do nada, imaginem a cidade. Desanimei só de pensar no tanto que teria que andar até lá.
Para a nossa sorte, havia alguém da vila, um dos sucessores do prefeito, que nos acompanharia até nossas estalagens. Era um sujeito bem simpático, na casa dos quarenta, que veio nos receber na plataforma de desembarque. Seu nome era Juuhashii (eita nome comprido pra pronunciar), por isso o chamamos apenas de Juu.
Agasalhado com um casaco de chuva, e munido de um lampião e um guarda-chuva ele passou a nos guiar por entre a tempestade. Não foi realmente legal, mesmo que eu não me importe em me molhar, pois a trilha era interminável. Se duvidar ainda era capaz de cairmos no abismo do fim do mundo antes de chegar naquele maldito lugar!
–Natsuuu... –reclamou Luce atrás de mim, numa voz manhosa- Meus pés doem. Me carrega.
–Hein?! Por que eu?! –disparei, indignado.
Imediatamente senti os olhares de Gray, Erza e Juvia se voltarem para mim como se dissessem ‘Isso não é óbvio?’
–Naaatsu! –resmungou a loira, fazendo bico- Minhas pernas estão doloridas e já estou ficando cansada! Me leva!
Juu olhou para trás dessa vez, sorrindo de lado. Luce parou de andar e cruzou os braços com uma cara emburrada, parecia uma criança.
–Ou você me carrega ou eu chamo o Loki pra fazer isso. –afirmou, inflando as bochechas.
–Argh! Tá bom, tá bom! –dei-me por vencido, ganhando um sorriso radiante dela.
Como se já não bastasse a chuva. Pensei, porém não estava realmente irritado.
A verdade é que gostava que, mesmo em pequenas coisas, eu fosse necessário para ajudá-la. Acho secretamente que Luce está fazendo isso como uma forma de punição pelos dois meses, e se for assim é ainda melhor. Eu mereço.
Abaixei-me para ela subir e com um pulo a loira circundou meu pescoço com os braços e enlaçou as pernas em minha cintura, parecendo se divertir com o fato de eu estar lhe dando carona.
–Eu também! Eu também! –pediu Happy, saltando para o meu ombro assim que viu a oportinidade.
–O qu... mas você... Por quê?! –perguntei, vendo o pequeno Exceed se ajeitar ali mesmo.
–Não é minha culpa! Minhas asas não funcionam na chuva!
Resmunguei qualquer coisa. É claro que só carregar os dois era muito fácil. Então fui abençoado com a honorável tarefa de carregar as pesadíssimas malas de meus ‘passageiros’. Ou seja, estavam só me fazendo de burro de carga.
Tentei desviar o foco de meus pensamentos da situação atual e a primeira coisa que me veio a cabeça foi o calor. Não apenas o calor, mas sim a presença.
Mesmo debaixo daquela chuva forte, assim tão perto, eu conseguia sentir o cheiro dela, adocicado e suave; Também pela proximidade, podia saber que ela sorria de leve, com a cabeça apoiada em meu ombro e o rosto escondido contra minhas roupas. Minha presença aparentava acalmá-la de algum modo.
E aquelas sensações somente reafirmavam o quanto eu estava feliz por estar de volta ao lado dela.
Não cheguei a falar isso, nem ao menos tive consciência do fato em si, entretanto sentira sim muita falta de Luce nesses dois meses. Não era aquele tipo de sentimento descrito nos livros de romance que ela lia, aquela abstinência insana que me fazia sentir como se fosse morrer se ficasse mais tempo longe, e sim uma coisa constante, algo que não me deixava dormir sossegado. Eram os pensamentos recorrentes, ficava imaginando o que estaria fazendo naquele momento, como seria se estivesse comigo, se estaria bem ou segura. Queria saber como estava a cada instante e a cada instante me repreendia por pensar demais nisso.
Desde que tudo isso começou, ando pensando mais do que deveria, e agora tudo o que quero é parar com isso.
Sem complicar nem intrincar mais essa situação, quero apenas me focar no agora, no tempo em que ela está aqui e posso estar ao seu lado. Enquanto seus sorrisos ainda durarem, darei tudo de mim para estar bem ali para vê-los.
Se as condições não estivessem tão ruins ou até se Luce não houvesse descansado durante a viagem, poderia muito bem ter dormido assim. Todavia, depois de mais uma hora e meia de caminhada, a loira não demonstrava sinais de cansaço. Não muito depois disso chegamos no fim do mundo, ou melhor, em Winterfall.
Era o que se espera de uma vila isolada. Pequena, pacata e tradicional. Nenhum apartamento ou prédio alto, o centro era ladeado de construções reforçadas e preparadas para aguentar torrentes de chuva como aquela o tempo inteiro. Nada muito sofisticado, apenas o necessário.
Nosso destino era uma estalagem (aparentemente a única no recinto) que recebia os visitantes no fim do ano. Lugar simples e em acolhedor a primeira vista.
–Bem-vindos a Winterfall, magos da Fairy Tail. –cumprimentou a senhoria, uma moça em elegante, ao chegarmos- Todos estivemos ansiosos por sua chegada.
–Mas que lugar ruinzinho de achar, hein? –comentei, deixando Luce e Happy descerem.
–Natsu! –bronqueou Erza, estupefata.
A senhorita riu, divertida.
–Não o repreenda, pois o rapaz tem razão. Essa vila é um lugar bem afastado do resto do centro urbano de Fiore. Os pioneiros eram os montanhistas que exploraram essa região e suas riquezas, vieram tantos que acabaram formando esse pequeno vilarejo para descansarem das expedições. –contou com um sorriso compreensivo- Depois que o período de exploração acabou não houve mais nada que chamasse a atenção das pessoas para virem para cá, então permanecemos desta maneira. É bom que tenham vindo agora, quando estamos em necessidade.
–Mas chove mesmo pra caramba aqui. –falou Gray, tirando o casado molhado que milagrosamente ficara consigo todo aquele tempo- Como vamos escoltar todos os moradores se essa enxurrada já começou?
–Ah, as previsões dizem que amanhã cedo teremos uma boa trégua. O que nos disseram é que teremos tempo de passar pelo estreito do vale nesse período. É muita sorte. Aliás, me chamo Hakiaya Sumiko, e sou a dona da pousada na qual passarão a noite. –apresentou-se ela, gentil.
–Contamos com você. –respondeu Erza, sorrindo.
–Odeio ficar molhado. –resmunguei, vendo o quanto minhas roupas estavam encharcadas- Vou dar um jeito nisso.
Ser u mago do fogo era uma boa coisa numa situação como aquela. Elevei minha temperatura corporal repentinamente, fazendo até mesmo o ambiente ao meu redor esquentar um pouco, e fiz a água acumulada em minha pele e vestes evaporar e criar uma nuvem de fumaça branca.
–Ei, Natsu! –exclamou Lucy, tossindo- Não faça isso do nada!
Ri de sua reação, passando a mãos pelos cabelos que recém secara.
–Idiota. –murmurou Gray, bufando.
Erza revirou os olhos e Juvia sorriu de leve.
–Vocês parecem um grupo e animado. Por que não se juntam a nós para o jantar? –convidou Sumiko- Assim posso lhes apresentar nossa equipe de empregados.
–Janta! –comemorei, animado.
–Você não tem jeito. –Erza me deu um tapa nas costas.
–Pessoal, venham conhecer os recém-chegados! –chamou a senhoria e logo ouvimos passos nas escadas.
Duas moças e um rapaz apareceram do andar de cima. As duas estavam vestidas como típicas camareiras, sorriram-nos e fizeram uma pequena reverência como gesto de boas-vindas. Já o rapaz estava com roupas simples e sem identificações. Era baixo e possuía cabelos castanhos e olhos esverdeados. Ele fez menção de abrir a boca para dizer algo, porém parou de repente, sua atenção focando completamente em Luce.
–L-Lucy...? –indagou com uma cara de embasbacado.
Olhei para a loira a sua expressão era uma cópia da dele. Os olhos castanhos esgazeados em descrença pareciam não acreditar no que viam.
–Não pode ser... Você... é... Takeshi?!
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