Notas iniciais
Oi gente, tudo bem? Queria agradecer pelos lindos comentários no capítulo passado, continuem assim! Bem, eu não sei se esse capítulo ficou bom, para ser sincera, então queria a opinião de ocês. Para quem tem medo de mandar review grande, não tema, eu amo reviews grandes, sérião! Então, fiquem à vontade (: Eu gostaria de agradecer à linda da Camilla Chase Salvatore Malik pela linda recomendação que ela fez para a fanfic, flor, muiiiiiiiiito obrigada, de verdade *u* Sobre a música tema do capítulo, ela é muito boa, sério! Toquem depois da segunda reticências e vai ficar show! Bom, vamos lá *-*

Tears on my face I can't take it
If lonely's a taste that's all that I'm tasting
Do you hear my cry?
I cry, oh
Can you hold me?
Can you hold me?
Can you hold me in your arms?

Can You Hold Me — NF feat. Britt Nicole

***

Oliver se olhou no espelho pelo que pareceu a nonagésima vez. Usava um terno cinza, uma gravata azul e uma blusa de linho. Estava nervoso. Muito nervoso.

— Por que está tão nervoso? Basta ser charmoso, as garotas parecem gostar disso — Thea disse surgindo no quarto. Ele a encarou e moveu a cabeça, sem a olhar, ajeitando a gravata:

— Essa garota é diferente — deu de ombros, sem saber muito bem como explicar.

Ela sorriu e disse:

— Boa sorte no seu encontro — desejou. Ele a lançou um sorriso e disse:

— Obrigado... Se comporte — a lançou um olhar sério e a morena revirou os olhos, sem dizer mais nada. Ele a deu um beijo na testa e afastou-se, saindo de casa com aquela incômoda sensação de nervosismo.

Faziam dois anos que ele não saia com ninguém. Na verdade, durante aquele período sombrio de sua vida, simplesmente não acreditou que algum dia poderia deixar alguém entrar, ver além das máscaras que ele tão arduamente criara. Mas então, ela apareceu. Felicity Smoak era diferente de todas as mulheres que conhecera, até mesmo de Sara. Ela tinha algo de especial, uma espécie de luz que emanava de seu corpo, sendo capaz de iluminar tudo ao redor.

Imaginou se ela seria capaz de arrancá-lo daquela escuridão. Quando Sara morreu, sem mundo outrora colorido, foi tomado pelos mais variados tons de cinza. Uma vida em preto e branco, tomada pela escuridão que a cada dia que passava, parecia tornar-se pior. Durante aqueles momentos de sua vida, não sentiu que havia nada que pudesse o guiar de volta para casa, não parecia haver nenhum farol que o dissesse o caminho, nada, nem uma luz sequer. E então ela surgiu, e lentamente, foi tornando-se justamente aquilo do que ele precisava.

Oliver Queen ainda estava preso ao escuro, mas agora ele podia enxergar a luz. Sorriu ao chegar ao endereço do restaurante e deixou o carro com o vallet, adentrando no grande e belo estabelecimento. O restaurante era amplo, sua fachada fora pintada de bege, em seu interior, várias mesas estavam bem dispostas belo local, cobertas por toalhas brancas de linho e velas, as paredes estavam pintadas em um tom de madrepérola e um grande candelabro brilhava acima deles.

E então, ele a viu. Ela estava sentada em uma mesa ao fundo, os cabelos loiros estavam soltos, ela usava um vestido vinho que combinava com seu tom de pele e quando virou-se para ela com um belo sorriso no rosto, ele sentiu-se encabulado. Respirou fundo e andou em direção à loira, dizendo:

— Oi — ela estava linda, isso era inegável. Seus olhos brilhavam com intensidade sob a luz do candelabro e ela brincava com o tecido de seu vestido, sentindo-se extremamente nervosa.

— Oi — ele murmurou, sentando-se e ajeitando o próprio terno: — Você está linda — elogiou. Ela corou e disse:

— Você também está lindo, não que você não seja lindo, claramente é por que todas as mulheres aqui estão te secando mas hoje você está ainda mais e eu vou calar a boca — ela pregou os lábios e ele riu dos comentários dela. Aquela era uma das características que ele mais apreciava na loira, ela não tinha filtros, máscaras, era apenas ela. Oliver sentia falta daquele tipo de pessoas em sua vida, pessoas que eram verdadeiras, que não aproximavam-se dele apenas por status como muitos outros já fizeram antes.

Durante toda sua vida, ele nunca soube ao certo em quem confiar. Ser filho do casal mais rico da cidade, estudar nas melhores escolas, fazer parte da faculdade mais cara, ele tinha um histórico. Quando conheceu Sara, aquele medo tornou-se ainda maior. Ele não sabia se podia confiar nela, se ela não se aproximou pela alta quantidade de zeros na conta bancária dele. Pouco a pouco, ela conseguiu conquistar a confiança dele e se provar uma mulher bem diferente do que ele imaginara no começo.

— Eu sinto muito por isso, não consigo ficar de boca fechada — ela murmurou, com vergonha de mais para olhar para o rapaz que a observava com um encantamento claro no rosto de belos traços.

— Não se preocupe — disse, apenas. No mesmo instante, o maître apareceu com um pequeno celular em mãos.

— Já sabe o que irá querer? — Questionou.

— Um risoto caprese com mussarela búfala e uma costela de vitela — ela pediu, fechando o cardápio.

— Eu gostaria do mesmo — disse ao garçom. — E duas taças do Montrachet Grand Cru — requisitou.

— Nós vendemos apenas a garrafa desse vinho senhor — o maître o lançou um olhar cauteloso.

— Então me traga a garrafa — Oliver deu de ombros e o rapaz que o atendia não conseguiu evitar arregalar os olhos diante do pedido. Ele assentiu e afastou-se da mesa.

Felicity abriu o cardápio e arregalou os olhos ao ver o preço da garrafa do vinho que Oliver pedira. Puta que pariu! O lançou um olhar confuso e voltou seus olhos para a bela caligrafia do papel. 5.000 dólares em uma garrafa de vinho? Oliver a observava sem parecer notar que a loira o avaliava com uma expressão séria.

A loira preferiu ignorar aquilo, não iria deixar aquela situação arruinar seu encontro com ele:

— Esse restaurante é muito bonito — elogiou, olhando em volta. Ele a lançou um sorriso tímido que fez o coração dela ter um colapso nervoso e coçou a cabeça de um jeito adorável. Como alguém tão grande e musculoso pode ser tão fofo? Se perguntou, mordendo o lábio inferior.

— Obrigado, eles abriram ano passado — ele respondeu. — Fico feliz que tenha gostado — adicionou. — Uau, eu não faço isso tem um bom tempo, não sei o que dizer — assumiu, dando uma risada sem graça. Ela respirou fundo e falou:

— Também estou nervosa — admitiu. — Mas eu acho que você está se saindo muito bem — elogiou. Apesar de querer um vinho que custa mais do que esse vestido! Pensou, um pouco irritada. — Essa coisa de encontros é complicada, quero dizer, eu saia com esse cara, o Cooper, mas ele não era exatamente uma boa companhia e eu nunca percebi mas você claramente é uma boa companhia, uma excelente companhia, aliás! Você está usando um perfume muito gostoso, por falar nisso, eu gostei, é agridoce — ela notou um sorriso crescendo nos lábios dele e não soube dizer qual era a causa do mesmo. — Eu sinto muito — pediu, ficando em silêncio, evitando olhar para o rapaz que a encarava com fascínio.

Ele nunca pensou que as coisas seriam daquela forma, principalmente depois que Sara partiu. Quando a mesma se foi, ele jamais pensou que iria sentir-se daquela forma novamente. Ele estava afogando-se, sob águas fortes e revoltas, ele já estava sem fôlego quando a conheceu. Felicity era diferente de tudo o que ele imaginara antes. Ela era cheia de vida, de desejos e aspirações, seus olhos sempre ágeis, atentos ao mundo ao redor. Ele jamais havia deixado alguém se aproximar tanto, nem mesmo sua falecida esposa, muito dificilmente alguém conseguia enxergar através dos muros que ele construíra.

No elevador, naquele dia em que o destino pareceu fazer questão de uni-los ainda mais, ele percebeu que ela era única capaz de quebrar os muros que ele lutara para construir, ela parecia ver através daquilo, de tudo que ele construiu para se proteger.

— Não se desculpe — ele murmurou. Sentiu uma vontade súbita de tocar-lhe a mão mas se controlou. — Lembra de quando nos conhecemos?

Era lógico que ela lembrava. Aquele dia estava agora marcado em sua memória para sempre, jamais esqueceria. Ela apenas assentiu, esperando que ele dissesse algo:

— Você foi a primeira pessoa que me alegrou em dois anos — ele assumiu, sem sequer pensar nas palavras que saíam de sua boca: — Havia algo sobre você — foi sincero.

Durante todo aquele tempo, ele quis saber qual era a coisa que a tornava tão especial, tão única. O tempo passou, e ele claramente falhou em seu intuito.

— Eu estava mastigando uma caneta — ela riu, revirando os olhos. Quem vê algo de especial em uma pessoa assim?

— Era vermelha — ele comentou, sorrindo. A loira o encarou e abaixou o olhar, completamente acanhada. Não acreditava que ele se lembrava daquilo! O garçom apareceu com os pratos de ambos e entregou-os, junto com o vinho que Oliver pedira.

Uau, está uma delícia! Ela pensou, deliciando-se com o gosto da comida. Os dois jantaram em silêncio e depois ela murmurou, em meio à janta:

— O que você quis dizer quando falou que eu fui a primeira pessoa a te fazer rir? — Não conseguiu resistir, precisava perguntar. Os olhares encontraram-se e o silêncio o tomou.

Novamente, os olhos dela refletiram os seus, em um entendimento silencioso, como se apenas por um olhar ele pudesse expressar tudo que seus lábios e mente tinham tanto receio de dizer.

— Quando Sara morreu eu perdi as esperanças — sussurrou, bebericando um pouco de vinho. — Mas você conseguiu me fazer rir de verdade, quando eu pensei que jamais o faria novamente.

Ela ficou em silêncio, absorvendo as palavras, saboreando-as. Seu coração formando uma batida acelerada, descompassada, em um ritmo que parecia ter apenas um dono. Ela esqueceu do mundo ao redor, esqueceu de todos ao seu lado e focou seus olhos nos dele. Havia tanto naquele olhar... Uma miríade de sentimentos que ela era incapaz de explicar ou racionalizar. Sequer conseguia fazer isso com os próprios sentimentos.

— Quer alguma sobremesa? — Ele perguntou quando ambos terminaram de jantar. Ela negou movendo a cabeça e falou:

— Vou à toalete, já volto — ele assentiu e observou conforme ela levantava-se e ia em direção ao banheiro feminino. Ela apoiou as mãos na pia de granito verde e respirou fundo, contando até dez e tentando controlar os batimentos cardíacos. Nunca, jamais, havia ficado tão nervosa em um encontro como naquele.

Oliver era... Não conseguia pensar em uma palavra para descrevê-lo. Havia o óbvio: Ele era lindo, tinha o corpo de um Deus Grego, era cavalheiro, bilionário, inteligente sabia exatamente o que dizer para deixa-la corada pelo resto da semana; mas havia bem mais do que aquilo. Ele não era apenas um playboy rico, era também um homem de bom coração, uma pessoa caridosa e generosa que parecia preocupar-se extremamente com os outros e por muitas vezes, esquecer de si mesmo.

A jovem pegou a escova e escovou os dentes o mais rápido que pôde, retocou a maquiagem e voltou para mesa ao mesmo tempo que Oliver saia do banheiro masculino. Ela pegou sua bolsa de mão dourada e os dois seguiram até o caixa.

— Eu pago — ele falou antes mesmo que ela pudesse se mover. Ela o encarou e notou que o rapaz estava incrivelmente sério.

— Okay, mas da próxima vez eu pago — só então percebeu o que dissera: — Isso se você quiser uma próxima vez, eu quero, com certeza, mas você pode não querer e eu realmente agradeceria se você me deixasse pagar — ela tagarelou e ele a observou, os olhos brilhando.

— Eu quero uma próxima vez — foi sincero. — E ai você paga — colocou as mãos no bolso da calça. Ela sorriu e ficou ao lado dele conforme ele entregava o cartão para moça sem sequer checar o valor da mesma. Os dois saíram em silêncio e ele murmurou:

— Eu quero lhe levar a um lugar — pediu, entrelaçando sua mão na dela quase como num instinto. Os dois caminharam lentamente e ela agradeceu por não ter colocado saltos muito altos. O silêncio entre eles não era desconfortável, pelo contrário.

Os dois chegaram ao belo farol da cidade. Ele a guiou pelas escadas e ela tomou cuidado para não cair. Ele abriu a porta e a visão que ela teve foi a mais bonita em anos. Diante dela, era possível ver as águas da baía de Starling City refletindo a luz da lua, no céu, as estrelas brilhavam timidamente.

— Uau — ela disse encantada, andando pela grande circunferência de metal. Seus olhos brilhavam como duas safiras e ao ver a animação da jovem, ele não pôde evitar sorrir.

O vento frio de janeiro bateu em seu corpo e ela estremeceu, encolhendo-se. Ele retirou o terno que usava e jogou por sobre o corpo pequeno dela, que inalou, deliciada, o perfume que o mesmo exalava. O cheiro fez seus batimentos cardíacos acelerarem e ela vestiu o traje, inebriada com o perfume de Oliver.

Ela estava ainda mais bonita do que antes, a luz pálida do luar fez seus cabelos loiros brilharem, seus olhos refletiam as águas calmas da baia e ela parecia pacífica. Ele a observou, redecorando os traços do rosto dela e os dois ficaram em silêncio.

O ruído suave das ondas quebrando invadia os ouvidos dele, enquanto seus olhos perdiam-se no horizonte no qual não havia nada além de estrelas. Ele jamais havia se sentido daquela forma antes. Não havia medo, receio, nada. Ele a observou sob a luz da lua e aproximou-se um pouco.

Seu olhar prendeu-se ao dela. Sentiu-se amarrado, preso à uma corrente da qual já não queria mais se libertar. A loira sentiu seu coração acelerar diante da aproximação mas não se moveu um sentimento sequer. Os dedos dele subiram por seu pescoço, causando-lhe arrepios e ele se aproximou ainda mais. Uma mão pousou no seu rosto e ele a tocou ali, fazendo-lhe carinho. Instintivamente, ela se aproximou do toque, fechando os olhos.

Ele a decorou. Fez em sua mente uma pintura de cada traço de seu rosto. Suas bochechas macias, seus olhos azuis como duas pedras de safira, seus cílios longos e castanhos, desceu pela linha do maxilar, aproveitando a sensação do toque, querendo apenas mais. De repente, toda aquela agitação tornou-se algo calmo, pacífico. Ele passou o polegar pelos lábios dela, sentindo a textura dos mesmos, tirando-lhe um pouco do batom. Ele encerrou a distância com um beijo calmo.

Quando Felicity sentiu seus lábios nos dele, esqueceu do mundo a sua volta. A órbita parecia ter simplesmente parado de girar conforme ela enlaçava o pescoço dele com um braço. Era como se seu coração conhecesse o dele por anos, décadas, vidas... Como se seu corpo já reconhecesse o dele, cada parte, cada toque. Estava presa à um feitiço que não queria ou iria mais quebrar. Ela estava completamente apaixonada por Oliver Queen.

O vento gelado bagunçou seu cabelo conforme Oliver a pressionava com mais força, puxando-a o máximo que podia para si. Seus lábios tomando os dela com exímio. Apertou-a na cintura fazendo-a suspirar contra sua boca e pela primeira vez, sentiu-se arrancado da escuridão. Sentiu como se toda a vida que jurava um dia ter perdido, o arrebatasse com força, como um mar que quebra na enseada. Sentia-se vivo como jamais se sentira antes...

...

Caitlin despertou com o som dos gritos de Tommy. "Não vai embora". Ouviu-o berrar. Saiu da cama rapidamente, tropeçando no tapete e correndo para o quarto do rapaz depois de reganhar o equilíbrio.

Ela entrou no quarto e correu para a cama onde o rapaz se contorcia, suando frio. Seu coração apertou-se e ela moveu-se, pensando no que fazer.

— Tommy — ela disse, tentando acordá-lo. Ele continuava a se debater na cama implorando: "Não vai embora, por favor". No mesmo instante, ele abriu os olhos e sentou-se numa velocidade absurda, lágrimas caindo de seus olhos azuis. — Ei, ei... Está tudo bem — Tommy tateou em volta, parecendo estar desesperado e ela aproximou-se, abraçando-se ao rapaz, que enfiou a cabeça no vão do ombro dela.

Ela fez um cafuné na cabeça dele, enquanto ouvia o choro silencioso do rapaz. Ele estava agarrado à roupa dela, enquanto seu coração que batia, aos pedaços, exigia por algo, o que ele não sabia. Inspirou o ar a sua volta e sentiu o perfume dela, sentindo-se mais calmo no mesmo instante. Era como se uma parte essencial estivesse lhe faltando.

Tommy estava preso no escuro, de forma ironicamente literal, não podia mais ver, sequer conseguia sentir. Era como se ele estivesse paralisado, como se seu corpo tivesse tornando-se uma casca vazia, como se sua vida tivesse perdido todo o sentido, exceto o da dor. Nada mais o prendia ali, nada. Lutava para encontrar uma corda, algo que o segurasse àquela vida medíocre e sem sentido que a sua tornara-se desde que a perdeu.

— Dói — ele arfou e ela o apertou com mais força. De repente, ele não quis mais que ela o soltasse, quis ficar preso ali, eternamente. O único lugar no qual realmente se sentia confortável, onde a dor parecia amenizar. — Eu estou tentando mas dói tanto — ofegou, soluçando.

Ela sentiu as próprias lágrimas caindo por seu rosto diante da admissão dele e murmurou:

— Eu sei que dói — queria tanto que ele pudesse vê-la agora, para que ela pudesse expressar com seu olhar o que seus lábios eram incapaz de pronunciar. — Mas você não está sozinho.

Ele sentia a escuridão tomar conta de seu corpo, sua alma. Precisava de algo para tirar-lhe daquela negritude, daquela dor. Sentiu o aperto dela e então parte daquela escuridão sumir.

— Eu sou nada, Caitlin — murmurou, os olhos transbordando de tristeza: — Sou o resto de um homem... Meu coração sequer está inteiro.

— Mas ele ainda bate, Tommy — ela murmurou e sem hesitar, o tocou no meio do peito, sentindo as batidas frenéticas do coração dele. Deliciando-se com a sensação. — E um dia, ele irá se curar — sussurrou, fechando os olhos e apenas sentindo.

Seus próprios batimentos uniram-se aos dele e ela suspirou, encantada. Era uma sensação tão... Diferente. Era como se os dois estivessem em uma corda bamba e ela não fosse medir esforços para segurar.

— Eu não tenho ao que me segurar, Caitlin — seu olhar estava sombrio, e sob a luz diminuta do luar, ela percebeu que ele era sombra de um homem feliz. — Sinto que estou prestes a cair mas preciso de algo a que me segurar.

Ela ficou em silêncio. Todo seu vasto vocabulário sumindo diante da admissão do rapaz. Ela não retirou a mão do peito dele, aproximou-se e molhou os lábios, tentando manter a própria concentração. O que poderia o dizer? Não sabia ao certo. Ela não compreendia de fato o que ele estava tentando a dizer.

Tommy quis poder enxergá-la naquele momento, mas podia sentir o abraço dela ao seu redor enquanto sua mente implorava. Me arranca desse escuro! Sentia como se já não se conhecesse mais, como se precisasse se reencontrar no meio das cinzas do antigo Thomas Merlyn, o homem quebrado, despedaçado.

Ela ergueu a mão desejando afagar-lhe o rosto e se impediu de fazê-lo. A frustração cresceu em seu peito e ela apertou a mão dele com força:

— Eu estou aqui, Tommy — secou seu próprio rosto e prosseguiu: — Sempre que você pensar em desistir eu estarei lá para te segurar — prometeu.

Ela nunca falara tão sério. Não o conhecia, mas sentia que possuía uma forte ligação com o rapaz de olhos repletos de dor. Ela o apoiou sobre si mesma e fez um cafuné na cabeça do rapaz, que fechou os olhos e adormeceu nos braços dela.

Caitlin acordou com o som de algo quebrando na cozinha.

— Merda! — Ouviu a voz de Tommy xingar. Piscou, confusa, e espreguiçou-se. Levantou e olhou-se no espelho de corpo inteiro dele. Usava a mesma roupa da noite passada e seus cabelos estavam bagunçados. Desceu as escadas e e arregalou os olhos ao ver cacos de vidro no chão e um Tommy com a mão sangrando bem diante dela.

— Ah meu Deus, o que houve? — Perguntou, preocupada. Tomou a mão dele e analisou o corte profundo. — Isso foi feio — ela disse, angustiada.

— Eu estava tentando fazer o café — ele murmurou, olhando para baixo. Não sirvo nem para fazer um café! Pensou, irritado.

— Por que não me chamou?

— Eu já tinha atrapalhado sua noite e você ainda estava dormindo, eu não queria te acordar — respondeu, coçando a cabeça de um jeito adorável. Ela suspirou e o guiou para a cadeira. Pegou papel toalha e colocou sobre o corte, tentando estancá-lo.

— Vamos precisar dar ponto nisso, Thomas — disse e o lançou um olhar severo, lamentando, posteriormente, por ele não poder enxergá-la.

— Você ficou parecendo minha mãe — ele revirou os olhos. — É só um corte, não precisa exagerar! — Ele deu de ombros, enquanto o sangue molhava o papel toalha. Caitlin sentia a agonia crescer em seu peito, misturada a uma estranha sensação de angústia e medo. Aquilo estava sangrando muito!

— Você tem que ter cuidado, okay? Não estou exagerando, Tommy — implorou. — Só não quero que se machuque — ela colocou a mão dele sobre os papeis que acabara de trocar e disse:

— Vamos para o hospital — pediu, ajudando-o a levantar.

— Eu estou de pijama e foi só um corte — ele apontou para mão direita que ainda sangrava.

— Não interessa, Tommy! — Ela falou, dessa vez mais alto. — Nós vamos e pronto.

— Nossa, você é brava! — Ele arregalou os olhos, chocado. — Você é muito pequena para ser brava — provocou. Ela revirou os olhos e disse:

— Cala a boca e vamos — ela pediu. — Tem problema se eu dirigir seu carro?

— Não — ele prolongou a palavra e disse: — Acho que deixei no chaveiro.

— Mas tem várias chaves aqui — ela comentou, confusa.

— Pegue a com um chaveiro da Queen's Industries, é a do Audi — ele indicou.

— Quantos carros você tem? — A morena perguntou, pegando a chave e se arrependo no mesmo instante da pergunta que fizera.

— Só sete — ele deu de ombros.

— E por que me mandou pegar o Audi? — Perguntou, verdadeiramente curiosa: — Não acha que eu posso dirigir uma Lamborghini? — Perguntou, sentindo-se um pouco ofendida com a própria suposição.

— Não, é que o Audi é um dos carros mais seguros do mundo — ele murmurou e ela sentiu algo diferente a tomar. Engoliu em seco ao pegar as chaves e ele prosseguiu: — Confio em você, só não nos outros... Não mais — ele parecia sombrio. Uau, que mudança de humor! Ela pensou, arrependida pelo próprio comentário. Prefiro o Tommy sorridente. Mordeu o lábio inferior com amargura. — Não vou deixar você dirigindo por ai sabendo dos lunáticos que essa cidade tem — ele disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo e novamente ela não compreendeu direito o que ele quis dizer.

Caitlin não sabia se o rapaz estava preocupado consigo mesmo ou com ela e por alguma razão absurda, saber aquilo parecia significar muito para ela. Deu de ombros, expulsando o pensamento.

Ela ajudou-o a entrar no banco do passageiro e entrou no carro, avaliando-o. Okay, posso dirigir isso! Pensou, satisfeita.

— Não acredito que está me obrigando a ir para o hospital, ainda por cima de pijama! — Ele falou, emburrado. Ela revirou os olhos e deu partida no carro.

— Agora você já aprendeu sua lição — disse, virando a esquina. — Se quiser comer me chame — praticamente implorou. Não gostava de pensar nele machucado, nem um pouco.

Ele pensou em dizer que estava fazendo o café para ela mas ficou quieto. Caitlin parecia presa em seus próprios pensamentos e ele não quis interrompê-la. Quando os dois chegaram ao hospital, o médico deu cinco pontos na mão do rapaz, a muito contragosto da parte dele, e os dois voltaram para a mansão.

— Você teve um mini surto quando viu o corte — ele comentou, mexendo na mão recém suturada. — Não precisa se preocupar comigo, tá? — Pediu, desejando poder vê-la.

Ela ficou em silêncio, não conseguiu dizer nada, e estacionou o carro dele na garagem. Ajudou-o a sair e o levou para a sala.

— Estou com fome — ele reclamou, ao sentar-se. Ela suspirou e disse:

— Vou fazer algo para você comer agora e na janta — disse. — Amanhã eu venho para preparar algumas marmitas. Ela ainda segurava a mão dele quando o rapaz questionou:

— Mas você não vai voltar depois? — Sua voz parecia um sussurro e ela bufou:

— Claro que vou voltar, Tommy — foi clara. — Até que você não precise mais de mim ou canse — deu de ombros, mas sua voz pareceu subitamente mais baixa. — Vou preparar sua comida — murmurou e então, soltou sua mão da dele. Sentiu uma parte de sua consciência implorar para que ele pedisse para que ela ficasse, mas isso não aconteceu...

Notas finais
So? Esse capítulo ficou uma mistura de drama e romance haha. E então, o capítulo ficou bom ou não? Caso não tenha ficado vocês podem falar viu, pois eu honestamente tô meio em dúvida :/ Vocês têm alguma sugestão para o próximo capítulo? Algo que gostariam que acontecesse? Agora eu vou fazer uma pergunta H-I-P-O-T-É-T-I-C-A (mals, por que é pra deixar claro que pode não acontecer, hahaha). Vocês acham que seria interessante/legal/ ou sei lá eu o quê, se a Caitlin fosse virgem? Repito, é só uma pergunta, não sei direito o que farei a respeito disso. O que vocês têm a dizer? Se vocês acham que não seria crível, digam, se acham que seria interessante, também digam, okay? Hahaha. Bem, é isso people! Não esqueçam de responder às três perguntas: Se o capítulo estava bom ou não, o que vocês acham sobre a Caitlin e se vocês têm ideias para o próximo capítulo. Bem, é isso! Beijos :3