Ensina-me a Viver

9 Jogo Perverso


Notas iniciais
>LEIAM, POR FAVOR Hi, people!! Como vocês devem ter visto, estou respondendo os comentários do último capítulo primeiro, os outros ainda não sei direito quando poderei responder, mas o farei o mais rápido possível. Em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer à Letícia Netrolle, minha flor, eu nem sei como agradecer por sua linda recomendação. Quando eu li, literalmente fiquei quicando na cadeira de felicidade hahaah! Moça, eu fico muito contente que você esteja gostando, de verdade! Espero que continue a gostar e eu fico muito grata pela sua recomendação! (: Em segundo lugar, eu queria agradecer à fofíssima da HerondaleQueen pela linda capa que ela fez para a fanfic! Nossa, eu fiquei tão, mas tão feliz, amora, muito obrigada, de verdade! Sobre esse capítulo, não tenho muito a dizer sobre ele não haha. Só que, como o quinto capítulo, ele tem duas músicas, tirando a música tema, seguem ambas com seus links abaixo: 1º Sweet Dreams - Marilyn Mason (Tocar com a frase: A música tocava ao fundo) Link: https://www.youtube.com/watch?v=BHRyMcH6WMM 2º Ready Or Not - Mischa (Tocar depois da última reticências) Link: https://www.youtube.com/watch?v=qVrumBAl_iM Bem, é isso. Espero que vocês gostem do capítulo (:

Where are you now?

Are you lost?

Will I find you again?

Are you alone?

Are you afraid?

Are you searching for me?

Why did you go?

I had to stay

Now I'm reaching for you

Will you wait? will you wait?

Will I see you again?

Hymn For The Missing — Red

***

Tommy estava encolhido em sua cama, as lágrimas solitárias caiam por seu rosto enquanto ele se abraçava ao travesseiro dela. Ouviu o som de alguém batendo na porta e falou:

— Vai embora!

— Tommy, a Caitlin — ouviu a voz já familiar da jovem e suspirou, olhando para um ponto qualquer. — Me deixa entrar por favor!

— Como descobriu onde moro? E quem te deixou entrar?

— Não foi tão difícil, eu perguntei na Queen's Industries, disse que era uma amiga. Sua governanta deixou eu entrar — ela disse apoiando a mão sobre a porta. — Por favor, Tommy... Não fuja de mim — implorou. — Me deixe ajudar. Desde que Tommy ficou recluso em seu próprio mundo, ela simplesmente não conseguiu mais ter paz. Não importava o que ela fizesse, a preocupação estava lá, como um fantasma a assombrando, tirando-a a calma. Chegou um momento em que simplesmente não podia mais ignorar, precisava ir atrás dele.

— Você nem me conhece, Caitlin! — Ele praticamente berrou do lado de dentro, fazendo-a estremecer. — Vá viver sua vida e me deixe em paz.

— Eu posso não te conhecer mas eu sei que você está sofrendo — suspirou, fechando os olhos. — Eu estou preocupada, só me deixe te ver e garantir que você está bem — sua voz era baixa, repleta de sofrimento pelo rapaz.

Um mês havia passado. No começo, ela achou melhor ele ter o próprio espaço, mas ele sumira da empresa, vivia recluso em sua mansão e quando a morte dela completara quatro semanas, ela soube que precisava intervir.

— Não se preocupe, apenas saia — ouviu a resposta dele e revirou os olhos. Okay, já chega de ser boazinha! Pensou, pegando a cópia da chave que a governanta, Heide, havia a entregado. Abriu a porta e sentiu o seu coração apertar com a cena.

Tommy estava jogado na cama, as cortinhas pesadas e verdes estavam fechadas, impedindo a luminosidade, ele estava agarrado a um travesseiro e ela pôde reconhecer um perfume feminino, provavelmente o dela. O rapaz estava encolhido, em posição fetal, em seu rosto crescia uma barba mal feita e ele parecia atormentado.

— Eu não acredito que você invadiu meu quarto! — Ele grunhiu, ainda deitado. Seu olhar parecia perdido, repleto de um sofrimento quase tangível. Ela suspirou, caminhou até a janela e abriu as cortinas, deixando a luz entrar.

— Você não me deu escolha — comentou, e sentiu uma pontada de frustração na própria voz. Abriu as janelas deixando o ar frio entrar, caminhou até a cama do rapaz e sentou-se.

— Venha, você precisa trocar essas roupas — pediu. Ele parecia estar usando o mesmo pijama há pelo menos duas semanas, mas o rapaz sequer se moveu.

— O que eu preciso fazer para que você vá embora e me deixe em paz? — Foi como se ela tivesse levado um tapa na cara. Balançou a cabeça, tentando ignorar a sensação. Sentiu-se uma intrusa e percebeu que ele realmente não a queria ali. Respirou fundo e disse, com a voz falhando um pouco.

— Me desculpa, eu só estava tentando ajudar — sussurrou e agradeceu por ele não poder enxergá-la. — Vou te deixar em paz — falou, pegando a bolsa e mordendo o lábio. Ela percebeu que sua voz parecia rancorosa mas naquele momento não quis pensar naquilo.

— Ei, Caitlin! Desculpa — ele falou, tropeçando nas palavras, parecendo desesperado. — Me perdoa eu... Eu não queria descontar em você — ele falou, parecendo verdadeiro.

Ela suspirou e voltou para perto dele, sentando na cama e segurando-lhe a mão, como se dissesse em silêncio: Estou aqui por você. Ele apertou a mão dela com força, sem conseguir olhá-la nos olhos e os dois ficaram em silêncio, quase como se nada mais precisasse ser dito entre os dois.

Tommy procurou pelo braço dela, suspirando e perguntando:

— Não sei nada sobre você — sua voz era baixa, rouca e incrivelmente melódica. — Com certeza deve namorar, garotas como você não ficam solteiras — comentou, sorrindo. Que sorriso lindo! Ela pensou, abaixando a cabeça e cruzando as pernas sobre a cama incrivelmente confortável dele.

— Eu não namoro — falou, calmamente, encarando os dedos compridos dele e desejando brincar com os mesmos. — Mas sou completamente apaixonada pelo meu melhor amigo.

— Eu sinto muito! Friendzone nunca é bom — ele fez uma careta, olhando para um outro ponto.

— Eu que o diga! — Deu um riso sem graça e mordeu o lábio inferior. — Ele é apaixonado por outra.

— Não fique triste... Você é uma garota excepcional, irá encontrar alguém que te ame — disse, sério. Apesar de não a conhecer direito, não tinha como não notar todas as qualidades da bela jovem que ele já não podia mais enxergar.

Ela sorriu e pediu, tomando-lhe a mão:

— Obrigada — quis tanto tocar-lhe o rosto, mas resistiu à vontade. Suspirou e prosseguiu, tirando sua mão dele, a contragosto. Olhou ao redor e percebeu vários quadros dele com Laurel espalhados pelo ambiente, levantou-se e ouviu-o perguntar:

— Está indo embora?

— Não, eu vou pegar roupas limpas para você — o lançou um sorriso e então lembrou que ele não podia mais vê-la. — Você tem alguma preferência?

— Não faz muita diferença — ele deu de ombros, parecendo indiferente. Ela anuiu, abrindo o guarda roupas e pegando uma calça jeans e uma blusa social azul marinho, por alguma razão achou que seria o que ele escolheria se ainda pudesse ver. — Você acha que eu devo usar óculos de Sol? — Tommy questionou, de repente.

Caitlin mordeu o lábio para não responder um alto e sonoro não. Os olhos dele eram lindos, não seria legal escondê-los sob lentes.

— Não acho que seja necessário — disse, apenas. Quis dizer sobre o azul dos olhos dele mas não achou que seria apropriado. — Tome — murmurou, entregando-o as roupas.

Ele a lançou um sorriso que não parecia muito verdadeiro e tateou o ambiente, a procura do banheiro da grande suíte. Ela o pegou pela mão e o guiou para o lugar certo. Ele entrou e ela fechou a porta, o dando um pouco de privacidade.

Tommy abriu a torneira da banheira e torceu para que a mesma não transbordasse. Podia ouvir os sons ao seu redor enquanto ainda acostumava-se com a ausência de Laurel pelo local. Uma lembrança sorrateira alojou-se em sua mente enquanto o rapaz entrava na banheira, ouvindo o som da água esparramando pelo chão.

Era uma noite quente de verão. Ele estava exausto, por falta de palavra melhor. Ao chegar em casa, ouviu o som de sua noiva cantarolando da cozinha. Foi em direção ao local e apoiou-se na parede, sorrindo ao vê-la ali, tão descontraída, tão leve.

Laurel usava apenas uma blusa dele, suas pernas estavam à mostra e seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo alto. Uma música animada tocava no rádio e ela dançava sem parar, enquanto batia os ovos em uma bacia.

— Boa noite — murmurou, em completo enquanto. Ela deu um pulinho e voltou-se para ele com os belos olhos arregalados, sorrindo de forma doce.

— Boa noite, eu tava com saudade — disse, soltando a bacia sobre a bancada e correndo para os braços dele. Ele a apertou contra si, sentindo seu perfume que ele tanto amava invadir suas narinas, espalhando-se por sua mente, fazendo seu coração acelerar.

— Eu também — disse, pousando a mão sobre a cintura dela que o abriu um sorriso luminoso, do que tipo que ele adorava. — Eu amo você — disse e ela respondeu:

— Eu também te amo.

A memória evaporou de sua mente quando ele sentiu aquela dor que o sufocava mostrar-se presente em seu íntimo. Perguntou-se onde ela estaria, se estava bem... Se estava esperando por ele. Queria tanto tocá-la! Precisa sentir o gosto dos lábios dela apenas mais uma vez, queria abraçá-la e sentir aquele perfume que ele tanto apreciava em suas narinas. Ele não queria ter ficado para trás, não queria ter ficado ali, queria ter ido junto com ela.

As lágrimas verteram, quentes por seu resto, ele jogou o corpo na água e enfiou a cabeça sob a mesma. Seus pensamentos vagaram, enquanto o calor da água o invadia, o rodeava. Saiu da água ofegante e apoiou os braços na banheira, às cegas. Ele não entendia qual era a lógica da vida. Não compreendia por que precisava ter ficado, por que não podia simplesmente estar com ela... Onde quer que fosse.

Sentiu a bile subir por sua garganta, deixando um gosto amargo em sua garganta. Seus lábios tremiam e ele tentava lutar contra a dor, mas simplesmente não conseguia. A mesma havia tornando-se quase insuportável, queimando em seu peito como fogo, que arde na alma, que a queima sem deixar nada além das cinzas.

Seu choro tornou-se intenso e ele quis algo que pudesse o arrancar da escuridão, o tirasse daquela dor quase insuportável que o afligia. Pregou os olhos com força, encolheu-se o máximo que pôde e então lembrou de quando Oliver perdera Sara. Finalmente podia entender aquela dor, finalmente conseguia compreender a dimensão daquilo. Pela primeira vez, desde que ela morreu, ele finalmente lidou com os fatos. Ela havia partido. Para sempre. Nada nem ninguém poderia trazê-la de volta.

Ofegou, agonizando, e tentou respirar fundo, tentando ganhar forças para levantar, mas suas pernas pareciam recusar-se a se mover. Seu corpo parecia ter tornado-se tão pesado como uma rocha, pensou em chamar Caitlin, mas não queria que ela o visse naquele estado deplorável. Apoiou-se na banheira, tateando-a, e respirou fundo.

Ouviu um som alto e a voz dela invadindo o recinto outrora preenchido apenas por seus soluços altos.

— Está tudo bem — ela murmurou fazendo um carinhoso em seu rosto, ele não conseguia vê-la mas sabia onde ela estava. Caitlin desceu a mão pela linha do maxilar dele, respirando fundo e murmurando: — Eu estou aqui, está tudo bem.

Tommy sentiu a dor amenizar, minimamente, em seu corpo. Pôde sentir o calor da luz do Sol batendo contra seu corpo, ele não se moveu, simplesmente não conseguia. Ela apenas o encarou decorando os traços do rosto dele em silêncio. Um sorriso se formando em seu rosto. Balançou a cabeça, esquecendo-se daquilo e murmurou:

— Você está melhor? — Não tirou a mão do rosto dele, seu polegar movendo-se em um movimento circular.

— Estou — ele fechou os olhos e respirou fundo. — Obrigado.

— Não precisa agradecer, estarei lá fora — ele assentiu e ela retirou-se do banheiro, respirando fundo, sua mente um turbilhão. Ele esfregou o próprio corpo, enxaguou-se e se secou. Pegou a calça que ela o dera e vestiu, tendo uma grande dificuldade para abotoá-la. Pegou a camisa e a vestiu, ao dedilhar os botões, suspirou, abotoando-os da melhor forma que podia.

Caitlin voltou-se para Tommy quando o mesmo saiu do banheiro e o observou. Ele aparentava estar bem melhor agora, menos machucado, menos tomado pela dor.

— Eu abotoei certo? — Ele perguntou, ouvindo o som dos saltos dela e conseguindo identificar da onde a morena vinha. Caitlin aproximou-se e viu que ele havia errado algumas casas, nada demais.

— Se saiu melhor do que eu esperava — foi sincera. — Eu posso? — Perguntou, ajeitando uma mecha de cabelo atrás de sua orelha, sentindo sua pele esquentar.

— Não tem problema — ele disse, parecendo incerto. Laurel Lance não havia sido a primeira mulher na vida dele, mas ela foi a única que tomava um cuidado especial em não simplesmente arrancar a camisa dele fora arrancando os botões. Mas nem mesmo sua noiva abotoava sua roupa, ou o ajudava com aquelas gravatas homicidas que ele era obrigado a usar. Sentiu-a mexendo no tecido e ficou tenso.

Caitlin desabotoou a blusa lentamente, revelando o peitoral dele. Tentou, muito, não focar naquilo, mas acabou falhando. Voltou a abotoar a camisa, tomando um cuidado especial para não tocá-lo naquela região. Suas mãos pinicavam e quando terminou, ela soltou o ar que sequer sabia estar segurando. Fique calma Caitlin, o que raios está havendo com você?

Tommy percebeu que a jovem afastou-se e tateou, encontrando sua cama, sentou-se nela e esperou para que ela dissesse algo, qualquer coisa que fosse.

— Eu vi um piano lá embaixo, você toca?

— Eu tocava, não acho que eu vá conseguir mais — murmurou. — Laurel amava me ouvir tocar — perceber que nunca mais tocaria para ela foi o que mais o doeu.

Ela mordeu o lábio inferior e comentou:

— Eu acho que ela gostaria de saber que você não parou de tocar — murmurou, tentando o incentivar. Para ser sincera, parte daquela era uma referência a si mesma. Adoraria o ouvir tocando, por mais que ela soubesse que seria algo mais difícil. — Posso te ajudar — garantiu, chamando a atenção dele.

— Você toca?

— Só algumas coisas, mas é o suficiente para eu conseguir te ajudar! — Falou, mais animada. — Eu só quero te tirar um pouco desse quarto — murmurou, sem ter certeza de que ele ouvira.

Tommy não conseguia pensar em uma maneira de recusar. Novamente, lembrou de Oliver ao perder Sara, como o mesmo havia ficado recluso, preso em seu mundo particular e como ele criticara seu melhor amigo por isso.

— Sabe o que é mais curioso? — Perguntou, sem nenhum tom de humor na voz: — É que quando Sara, a esposa de Oliver morreu, e ele se prendeu às sombras eu só soube criticá-lo, dizer que ele precisava viver a própria vida e começar algo novo, mas agora eu entendo-o melhor do que ninguém. É como se eu estivesse sufocando, simplesmente não consigo mais respirar sem que doa — seus olhos diziam mais do que sua boca podia emitir em palavras. — É como se eu estivesse no meu próprio Inferno.

— Então continue atravessando-o Tommy — ela disse. — Não lute contra a dor, não fuja dela... Apenas a acolha, como se fosse uma velha conhecida sua — falou. — Não deixe a morte te tirar sua chance de ser feliz.

...

Felicity estava indo visitar Oliver pela quinta vez naquele mês que se passara. Os médicos pareciam otimistas e diziam que seu coma, outrora profundo, tornara-se superficial e que talvez logo ele acordasse.

Ela não estava tão certa. Ele já estava naquele estado há um mês! Foram quatro semanas intermináveis, que simplesmente pareciam não passar independente do que ela fizesse. No começo, ela havia enfiado a cabeça no trabalho em uma tentativa de não lidar com aquilo; mas, com a ajuda de Diggle, percebeu que fugir não era a melhor opção, nem a mais saudável.

Ela lia Romeu e Julieta pela milionésima vez quando ouviu um grunhido. Achou ter imaginado coisas mas então a voz dele ecoou, baixa, muito baixa, pelo quarto.

— Felicity? — Ele parecia ter um pouco de dificuldade para falar. Ela piscou, atônita, e levantou-se, correndo.

— Você acordou! — Disse, arregalando os olhos e colocando a mão sobre a boca. — Você acordou! Ah meu Deus, você acordou! — Ela quicava no mesmo lugar, em uma felicidade quase extasiante.

Oliver a observou e um sorriso formou-se em seus lábios, enquanto a analisava, com aquele velho encantamento.

— Eu vou chamar um médico — disse, parando de quicar e correndo para fora do quarto, deixando um Oliver confuso e surpreso para trás.

Uma bela médica de cerca de uns quarenta anos de idade adentrou no quarto e disse:

— Boa tarde, Senhor Queen... Conheço gente que ficará muito feliz em saber que você acordou — ela comentou, parecendo animada. — Preciso que o senhor me responda algumas perguntas — pediu, pegando uma caneta e jogando a luz em direção as pupilas do rapaz. — Siga a luz com os olhos — ele a obedeceu e ela sorriu. — Qual é seu nome completo?

— Oliver Queen — ela assentiu.

— Qual sua data de nascimento?

— 14 de Outubro de 1986 — respondeu prontamente.

— Me dê o nome de cinco animais com a letra C — ela pediu.

— Cavalo, cachorro, cervo, castor e cisne — ele disse, depois de alguns momentos pensando — ela parecia bem satisfeita com o que ouvia.

— O que você vê nessa imagem? — Levantou uma placa com um quadrado azul.

— Um quadrado azul — deu de ombros.

— E nessa?

— Um círculo verde.

— Muito bem senhor Queen — disse corando com o sorriso dele: — Sente-se por favor — requisitou.

O rapaz obedeceu e ela bateu o martelo no joelho dele, que levantou com o reflexo.

— Excelente, você parece estar em perfeita condição neurológica! — Disse, anotando algumas coisas em sua ficha: — Vou pedir uma tomografia e uma ressonância magnética apenas para confirmar, mas se tudo estiver certo, você terá alta até depois de amanhã! — Concluiu, sorrido para ele que apenas agradeceu com um aceno de cabeça. A médica pegou seu material e retirou-se da sala.

— Eu estou tão feliz que você está bem! — Disse, o abraçando, sem pensar. Oliver assustou-se com o contato, mas apoiou sua mão nas costas da loira, que separou-se depois de alguns segundos, a contragosto.

— E você se machucou no acidente? — Perguntou, avaliando-a de cima a baixo. A loira parecia bem, inteira. Suspirou, aliviado.

— Só algumas escoriações... Eu dei sorte — deu de ombros. Sorte. Realmente, não havia palavra melhor para definir. — Você ficou em coma, Oliver — as palavras ainda a causavam um efeito ruim no peito, por mais que agora ela soubesse que ele estava bem.

— E quanto a Tommy e Laurel?

A expressão dela tornou-se séria por uma fração de segundos. Uma sombra de emoção passou rapidamente por seus belos olhos mas ele infelizmente não conseguiu identificar o que era.

Felicity pensou. Ela não podia esconder aquilo dele, sabia que mais cedo ou mais tarde ele saberia a verdade. Suspirou e pegou a mão dele, sentindo a textura da mesma, alguns calos no meio do caminho. Fechou os olhos, aproveitando daquela calma que apenas ele a proporcionava e murmurou:

— Laurel... Ela não resistiu.

As palavras foram como um soco no estômago, por alguns segundos Oliver apenas a encarou, tentando achar algum vestígio de brincadeira no rosto incrivelmente sério dela. Deixou seu corpo colidir no travesseiro ao perceber que ela falava sério.

Ah, não! Merda!

— Por quanto tempo eu fiquei em coma? — Ele questionou, arregalando os olhos.

— Um mês — ela respondeu, sem coragem para o encarar. — Mas eu não te contei tudo — ele a olhou, temendo o que ela iria dizer: — Tommy ficou cego... Permanentemente.

Oliver sentiu o peso das palavras o atingirem, como uma maré que bate contra muros, violentamente. Era muito para processar, eram tantas informações para ele compreender em tão pouco tempo! Seu melhor amigo havia perdido a noiva e a visão! E ele não estava lá, para o apoiar, para o ajudar. Isso era o que mais o desesperava. Quando Sara faleceu, Tommy não saiu do seu lado, sempre tentando alegrá-lo, tentando-o fazer esquecer todo aquele Inferno por ao menos cinco minutos.

— Eu nem pude ir ao enterro! — Ele murmurou, atônito, mais para si mesmo do que para ela. Toda aquela realidade o atingira com uma força surpreendente, sugando suas energias. Ele piscou, atordoado, sentindo-se preso em um eterno carrossel que girava vertiginosamente.

— Ei, não fica assim! — Ela murmurou. — Tommy sabe que se você pudesse, teria ido — disse, em uma tentativa de o acalmar. Pousou a mão sobre o peitoral dele e pensou em como iria dizer as próximas palavras.

— Oliver — sussurrou: — Aquilo não foi um acidente — sua voz era sombria, gélida: — Há alguém tentando te matar.

...

As celas da prisão abriram-se em um rompante. Sentado a mesa, em um macacão branco, estava aquele que lhe causara a pior das dores, o mais agonizante dos sofrimentos.

Slade Wilson não mudara muito durante aquele tempo. Seus cabelos estava mais brancos, mas ele ainda parecia taciturno, seu único olho bom ainda matinha-se distante.

— Ora, ora... Se não é Oliver Queen — ele disse com um sorriso debochado. — A quê devo a honra de sua presença?

Oliver apenas o encarou por alguns instantes. Era como uma batalha. O mar azul contra as montanhas sombrias. Em uma guerra silenciosa, era como se artilharia mais pesada estivesse sendo usada. Sentou-se na cadeira, tentando manter a compostura e apenas observou o outro.

Desde que Felicity o contara a verdade, há duas semanas, ele simplesmente não conseguiu dormir em paz. Aquela sensação o atormentara, e ele precisava tentar descobrir se Slade havia sido responsável pelo o que acontecera a ele e as pessoas com as quais mais se importava.

— Soube de sua amiga, Laurel Lance... Uma pena — ele disse, mas um sorriso de divertimento brincava em seu rosto. Ele apoiou o corpo na tragédia e estralou o pescoço, sorrindo ao perceber que Oliver fechara a mão em punho. — Vamos, Queen, não seja tímido! Diga o que veio fazer aqui de uma vez — grunhiu, parecendo impaciente.

— Eu quero saber se foi você quem foi o mandante daquele atentado contra a minha vida — Oliver conhecia muito bem aquele que um dia já foi seu amigo, sabia que ele não iria evitar se gabar por seu mais novo feito, Slade era arrogante e esse era seu pior defeito.

— O que você acha? — Ele quer jogar. O empresário pensou. Que seja então, vamos jogar!

— Eu acho que há dois anos você jurou que iria arrancar de mim tudo o que eu mais prezava — grunhiu. — E você cumpriu sua promessa.

— Eu nunca quebro minhas promessas — ele sorriu e entortou a cabeça: — Você me tirou Shado, eu te tirei Sara, estamos empatados — deu de ombros, entrelaçando os dedos.

— Você não respondeu minha pergunta.

— E nem irei — revirou os olhos, as palavras saíram com escárnio de seus lábios. Seus olhos estavam repletos de divertimento e uma fúria mau contida.

— É uma pergunta simples, você mandou ou não me matarem?

— Não Queen! Essa é a minha casa, essas são as minhas regras — ele trincou os dentes, as mãos fechadas em punho. — Entenda uma coisa, Ollie — disse cuspindo as palavras, os olhos animalescos, Oliver sentiu-se como uma presa diante do predador. — A vida é um jogo perverso — riu, movendo-se de forma elegante. — E nesse jogo, quem dá as cartas sou eu.

...

A música tocava ao fundo, em suas mãos um cigarro queimava, o cheiro fétido intoxicando o ar ao seu redor. Não havia muitas luzes ali, mas aquilo não era um problema.

O jornal em suas mãos tinha na capa a seguinte frase: "Oliver Queen desperta de coma e retoma a posse de seu reinado na Queen's Industries".

A voz do cantor era profunda, fúnebre e macabra, possivelmente assustadora. Seus olhos escrutinaram o ambiente a sua volta, o jornal em sua mão era amassado com violência. Seus olhos fixos em um ponto qualquer. Aquilo ainda não havia acabado. Oliver Queen ainda provaria o gosto da ruína.

...

Felicity andava calmamente em direção a sua casa quando ouviu o celular tocando, atendeu e perguntou:

— Alô? — Não ouviu nenhuma resposta do outro lado e antes que pudesse desligar, uma voz de criança disse:

— Pronta ou não... Eu vou te pegar, você não pode se esconder — conhecia as palavras, eram a letra de uma música. Ao fundo da ligação, podia ouvir o som de outras pessoas em volta enquanto a criança cantarolava: — Eu vou te pegar.

Notas finais
>LEIAM, POR FAVOR E então gente? O que vocês acharam? Estão gostando, amando, detestando? Hahaha. Por favor, me digam, okay? Mereço favoritações, recomendações maybe? Espero que sim *----* Bem, é isso! Novamente, dessa vez não temos spoiler... Beijos gente *u*