Ensina-me a Viver
14 Fênix
Notas iniciais
She was standing by a broken tree
Her hands were all twisted
She was pointing at me
I was damned by the lights coming out of her eyes
She spoke with a voice that disrupted the sky
She said you won't "Come on over to the bitter shade
I'll wrap you in my arms
And you'll know you've been saved"
Let me sign... Let me sign
Let Me Sign — Robert Pattinson
***
Oliver adentrou na loja com um sorriso no rosto. Uma bela jovem de cabelos ruivos e olhos castanhos voltou-se para ele com um sorriso malicioso, o olhando de cima a baixa:
— Boa tarde, no que posso ajudar? — Ela perguntou movendo, em uma tentativa falha de chamar a atenção do rapaz:
— Eu gostaria de um par de alianças — ele pediu, observando as joias do local. Já estava decidido, não havia nenhuma dúvida sobre o que queria fazer. As coisas estavam difíceis, ele sabia; contudo, também tinha a noção de que não podia e não iria desperdiçar o resto de sua vida. Não havia nenhuma garantia sobre o amanhã e ele estava cansado de ter medo, farto de sempre fugir quando as coisas estivessem muito difíceis.
O sorriso da jovem desmanchou-se no mesmo instante e ela respirou fundo, claramente desapontada:
— Para noivado ou namoro? — Sua voz tornara-se mais baixa e ela desviou seu olhar do rapaz, que olhou em volta enquanto respondia:
— Namoro.
— Nós temos todas essas daqui — ela murmurou, apontando para duas fileiras de alianças, todas belíssimas. O empresário analisou cada uma delas cuidadosamente, tentando imaginá-las em Felicity; entretanto, falhou miseravelmente. Nenhuma delas o chamou a atenção, ou pareceu combinar com a jovem.
Ele queria algo diferente, como ela. Não aquelas joias comuns que todos os casais usavam. O relacionamento deles não era como todos os outros, estava no começo, mas ele sabia que iria passar por tormentas pelas quais outros casais não passaram. Ele tinha um passado pesando em suas costas, passado o qual agora definia seu presente e futuro. Mas agora, ele sentia que podia mudar.
Antigamente, Oliver Queen era um homem quebrado, uma pessoa que fora brutalmente marcada pela vida e isso definiu suas ações no futuro. Agora; contudo, aqueles cortes, outrora tão profundos, pareciam estar se consertando e ele sabia que tudo aquilo era graças à Felicity Smoak, aquela bela loira que com apenas sua língua sem feio fazia-o querer lutar mais, ser melhor do que antes.
No fundo, o rapaz sabia que o amor tratava-se disso, querer ser melhor do que antes, precisar evoluir com alguém, por alguém. Ele sentia-se extremamente grato por ter tido uma segunda chance, por ela ter surgido em sua vida bem quando o rapaz mais precisava. Havia dias em que ele simplesmente não dormia à noite, pensando no que havia feito para merecê-la. Ela era uma pessoa cheia de vida, de luz, uma pessoa cujo coração era tão amplo, tão bom... Ele não havia feito nada para tê-la em sua vida, para merecer aquele sentimento e era isso o que ele não conseguia entender.
Quando a conhecera soube o quão diferente Felicity era das outras mulheres e cada dia que se passava, tinha mais e mais certeza de que uma forma ou de outra, seu coração era dela. Só o que ele desejava era ser digno daquele amor, digno dela. Por muitas vezes, teve receio. Sabia muito bem o que ela merecia: Um homem que a amasse, que a tratasse com carinho e dedicação, que movesse céus e terra por ela. E ele se esforçava muito para ser aquele homem, para poder fazê-la feliz.
— Eu não vou levar nenhuma, obrigada — a lançou um sorriso fraco, como de quem pede desculpas e retirou-se da loja, sentindo-se frustrado. Ele precisava pensar em algo. A jovem merecia mais do que o convencional, ele queria algo que fosse capaz de representar aquele sentimento.
Andou pelo shopping tentando, com afinco pensar em algo. Bufou e percebeu que trazer Thea teria sido uma boa ideia, a jovem; entretanto, ainda estava na faculdade àquela hora. Ele sentou-se em um banco na praça central do local e observou o movimento ao redor. As pessoas andavam calmamente pelo ambiente, presas a seus mundos interiores, muitos casais sequem se olhavam nos olhos, apenas digitando algo em seus celulares.
O empresário passou seus olhos pelo ambiente rapidamente, tentando pensar no que a daria, e mais ainda, no que a diria. Iria rever a jovem em menos de cinco horas e precisava pensar em tudo o que queria dizer. Oliver Queen nunca fora bom com palavras, sempre foi uma pessoa muito fechada com seus próprios sentimentos, jamais sentiu-se capaz de se abrir. Ele não conseguia deixar que as pessoas entrassem, que vissem tudo que ele escondia em seu âmago com tanto afinco. Se abrir, expressar como ele se sentia, era uma tarefa praticamente impossível para o rapaz.
Suspirou, apoiando os braços sobre as coxas. Sua mente lhe dizia exatamente as palavras certas, mas ele sabia que naquele momento, não conseguiria as dizer em voz alta. Ela fora coisa mais bonita que lhe atravessou a vista, como um anjo que vem salvar os pecadores, arrancou-o daquela escuridão na qual ele se agarrara com tanta força. Ela o fez ver o lado belo da vida, aquele o qual não estava manchado por erros do passado, por dor... Por sangue.
Ela era como um amuleto da sorte, um talismã que agora ele ganhara e que não pretendia jamais soltar. Seus sentimentos eram intensos, pareciam crescer a cada dia que passava e ele não conseguia entender como os mesmos podiam ser tão profundos, tão enraizados dentro de seu coração. Era como se a conhecesse por décadas, anos... Como se seu coração já reconhecesse a batida do dela, sem haver dúvidas, deixando apenas a certeza para trás.
De uma forma ou de outra, estava condenado. Não podia fugir daquele sentimento, e por alguma razão, não iria fazê-lo. Ela era a única pessoa que ele deixara entrar em sua vida depois da morta de Sara, ela o salvara e ele seria eternamente grato por isso. Mas, claramente, havia bem mais do que aquilo. Felicity o trazia, quase como brincadeira do destino, felicidade, do tipo mais puro e cru que podia existir. Ele jamais se sentira tão feliz como se sentia com ela.
Ela era uma espécie de farol em meio à escuridão, conseguia o guiar para o caminho certo, sem jamais permitir que ele se perdesse no meio do caminho. Ela era uma espécie de guia, alguém que o segurava a mão e que jamais a soltaria. Ele sorriu ao perceber que sabia exatamente o que comprar para a jovem.
...
Felicity olhou seu reflexo no espelho e fez um bico, enquanto se auto avaliava.
— Nossa, você está linda! — Caitlin disse, apoiando-se no batente da porta do quarto da melhor amiga. A loira usava um vestido azul claro com alças um pouco largas, ele terminava um pouco antes de suas coxas e na parte superior tinha um decote em formato de "V", que realçava seus seios. Seus cabelos estavam presos em uma trança lateral e ela usava sandálias de salto prateadas. A maquiagem prateada realçava seus olhos azuis e e o batom vermelho em seus lábios os deixavam mais atrativos.
— Obrigada! — Agradeceu, passando seu perfume típico. — Oliver não quis me dizer para onde íamos — comentou, um pouco frustrada. — Ele disse que era surpresa, como sempre.
— Bem, quando voltar me conte tudo! — Caitlin pediu lançando um sorriso para a jovem, que assentiu e saiu do próprio quarto.
Assim que passou pelo jardim do seu prédio, o avistou. Ele não estava com o Audi, na verdade dessa vez estava encostado em um belo conversível preto. Uau, que carrão! Ela pensou, aproximando-se dele:
— Ei — ela o abraçou, sem cerimônia, encaixando-se com perfeição no peito dele, que a deu um beijo na testa e disse: — Você está linda — murmurou, afastando-se um pouco dela.
— E você está cheiroso — disse, o apertando um pouco mais e inalando daquele perfume que tanto gostava. — E gato — adicionou. O rapaz usava uma camisa social azul clara que combinava com seus olhos e que marcava, para sua sorte e azar, seus braços incrivelmente definidos e musculosos, e uma calça jeans com lavagem. Ele a lançou um sorriso tímido extremamente fofo e abriu a porta do carro para Felicity, que entrou sem hesitar no veículo.
Ele ligou o rádio e ela apreciou cada uma das músicas que o mesmo tocava, até que "Womanizer", de Britney Spears começou a tocar. Ela mordeu o lábio inferior e lentamente, pensamentos não muito agradáveis passaram por sua cabeça. Olha bem para ele, Felicity. O cara deve passar a semana inteira na academia, tem o rosto e o corpo de um Deus grego, deve haver uma fila quilométrica de mulheres correndo atrás dele! Sua consciência murmurou, sarcástica.
Aquilo era ridículo e a jovem sabia muito bem. Oliver podia ter de fato todos aqueles atributos, mas a índole dele era inquestionável, de fato. Ele era uma boa pessoa, com um bom coração. E de alguma maneira, ela sabia que o sentimento dele por ela era real, tanto quanto o seu por ele. Naquele momento ela já não tinha mais dúvidas do quanto realmente gostava do rapaz e do quanto lutaria para fazer aquele romance dar certo. Não importa se há milhares de mulheres correndo atrás dele! Eu sei que se ele está comigo, é por que gosta de mim! Pensou de tal forma a manter sua consciência quieta.
— Para onde estamos indo? — Perguntou curiosa, mexendo um pouco no carro. — Estou curiosa, na verdade, sempre sou curiosa... Eu odeio mistérios, sabia?! Eles me incomodam e precisam ser resolvidos — declarou, com uma expressão séria que o fez rir:
— Você exagerou no café novamente? — Ele questionou, acusatório. Ela o lançou um olhar ameaçador, mas na verdade aquilo só a deixou ainda mais adorável.
— Não! Besta! — Cruzou os braços, emburrada: — Okay, talvez um pouco mas o que posso fazer aqueles cafés da padaria são tão bons?! Eles vêm com aquelas espumas gostosas e têm um gosto divino! Você gosta de café? — Ela perguntou, depois de parar de tagarelar.
— Eu gosto sim, Lissy — sorriu.
— Podia pelo menos dizer se vamos para algum restaurante né? — Pediu, piscando repetidas vezes como uma criança que realmente quer um doce:
— Nope — ele estalou a língua, fazendo-a revirar os olhos. — Nós já estamos chegando — disse.
— Mas eu disse que não gosto de mistérios — falou, emburrada. Ele sorriu e murmurou:
— Disse sim, meine liebe — ela não entendeu direito o que ele dissera e pensou em perguntar; entretanto, ele estacionou o carro em frente a um belo restaurante, saiu do mesmo, deu a volta e abriu a porta para a jovem:
— Venha — pediu, dando-lhe a mão a qual a técnica pegou de bom grado. Eles adentraram no restaurante e foram guiados a uma mesa reservada pelo maître.
— Hoje é dia de eu pagar — ele a lançou um sorriso provocador por sobre o cardápio e ela revirou os olhos:
— Só não pegue vinhos que custam mais do que eu ganho no mês — por mais que sua voz soasse brincalhona, ela falara sério. Não queria e não permitiria que ele gastasse todo seu dinheiro com ela. Sabia o que muitas pessoas pensariam, diriam que ela estava com ele por interesse e essa era a última coisa que ela precisava.
— Tudo bem — preferiu não discutir com ela sobre algo tão insignificante quanto aquilo.
O garçom apareceu e anotou os pedidos de ambos, enquanto ele a analisava sob as luzes dos candelabros. Os cabelos loiros brilhavam e ela observava o lado de fora do restaurante pela janela.
A memorizou pelo que parecia ser a milésima vez com um sorriso no rosto, sentiu sua mão coçar para tocá-la e a segurou a mão da jovem por sobre a mesa, fazendo-a sorrir. Felicity corou sob o olhar dele e soltou o ar que sequer percebera que estava segurando.
Ele a fazia-se sentir tão estranhamente viva. Era como se seu corpo pulsasse pelo dele, exigindo-o, clamando pelo mesmo. Ela mordeu o lábio inferior e tentou compreender como algo que começara há tão pouco tempo podia ser tão forte, tão real. Era um tipo de sentimento que criava borboletas em seu estômago, a deixava sem saber para onde ir, sem saber como agir.
O garçom voltou com seus pratos e ela pensou em tudo o que acontecera em sua vida até ali. Todas as reviravoltas, literalmente cada momento o levara até ali, e de repente, ela não se arrependia de mais nada, de nenhum de seus erros. Eles jantaram em silêncio e quando terminaram, ele pagou a conta como haviam combinado e a guiou para uma escada.
— Onde estamos indo? — Ela perguntou, o seguindo.
— Um lugar especial.
Ele abriu a porta de ferro e ela deu de cara com um dos locais mais bonitos que já vira. Era uma espécie de terraço com um vários bancos e árvores iluminadas por luzes bem posicionadas. Ao longe, era possível ver toda a cidade.
— Isso é incrível — ela sussurrou, olhando em volta, completamente encantada.
Ele a observou e ali teve certeza de que simplesmente não poderia voltar atrás. Ela estava encantadora sob aquela junção de luzes e o sorriso em seus lábios, que se refletia em seus olhos, fez tudo aquilo valer a pena. Ele tirou a caixa azul do bolso da calça e respirou fundo, encarando-a.
Quando Felicity entrou em sua vida, ele jamais pensaria que se envolveria tanto com a jovem. Talvez fosse a mais pura verdade tudo o que diziam sobre o amor. Talvez fosse um sentimento que causasse dor e sofrimento, mas ao mesmo tempo, era um sentimento que muda as pessoas, fazem com que elas evoluam, cresçam.
Ele amara Sara, como todo seu coração, a amara bem mais do que imaginou ser capaz. Quando ela partiu tudo ficou em cinzas, queimando, abrasando-lhe o coração. Por anos, tornou-se seu próprio prisioneiro, vítima de um cárcere que ele mesmo criara e que soldara. Era como se vivesse em seu próprio mundo, agarrado a uma escuridão que o reconfortava de uma maneira torta e sem sentido. Mas, em meio ao breu, descobriu uma constelação.
Se isso é uma condenação, eu não ligo para sentença. Pensou. Era um sentimento que tornara-se a mistura de redenção e esperança. Aquela mesma constelação, cujo brilho tímido, cálido, o guiou para casa. E como uma fênix que renasce nas cinzas, Oliver Queen renasceu, bem diferente do que era quando foi apaixonado por Sara Lance.
Agora, ele já não era governado por seus receios e medos, eles existiam, claramente, mas o rapaz aprendera a lidar com os mesmos. Finalmente conseguira se livrar das amarras que ele mesmo construíra ao seu redor, soltou-se das algemas, destruiu os muros e agora, só restava aquele sentimento que até então ele era incapaz de nomear.
— Eu não sei direito como fazer isso — riu, sem graça. Passou a mão pelo cabelo loiro que brilhava sob as luzes e molhou os lábios, subitamente secos: — Você gostaria de namorar comigo?
Felicity arregalou os olhos diante da pergunta e ficou, literalmente, boquiaberta.
— Ah meu Deus! Ah meu Deus! — Ela se moveu: — Você está me pedindo em namoro! Isso está realmente acontecendo! Uau, uau! — Felicity ainda tinha os olhos arregalados enquanto tentava ao máximo processar a informação. Ao olhar o rapaz e perceber que ele já estava começando a ficar apreensivo, respondeu: — Claro que quero namorar com você! — Disse, o abraçando com força e o dando um beijo. Ele a puxou para mais perto, conforme sentia o gosto dos lábios dela e a loira passou seu braço pelo pescoço do rapaz.
Ele se separou, ofegante e respirou fundo algumas vezes, a lançando um sorriso:
— Eu ia comprar uma aliança mas achei que você merecia algo único — murmurou, timidamente. Ela encarou a caixa cuja cor era bem conhecida e não soube o que dizer. Ele havia a comprado algo da Tiffany &Co. Ele a entregou a caixa e ela abriu, observando admirada, dois pares de correntes. Elas eram prateadas e tinham um pingente que era um cadeado com formato de coração. No centro do mesmo,estava escrito o nome da empresa.
— Isso é lindo — dedilhou a corrente, tentando entender o simbolismo por trás de ambas. — É incrível — suspirou, encantada.
— Deixe-me por — ele requisitou. Ela o entregou os objetos, deixando-o decidir qual ele a daria. Sentiu a mão dele em seu pescoço e parou de respirar. O metal gelado tocou-lhe e pele e a jovem sorriu ao ver que ele a dera o cadeado. Ele não sabia muito bem o que dizer, mas de alguma forma, ela soube... Aquele cadeado era o coração dele e ela o tinha.
...
Caitlin lia assistia a um filme enquanto Tommy se banhava. Na televisão, passava "Meia-Noite em Paris".
— O que você está assistindo? — Tommy perguntou, adentrando na sala usando uma roupa que Caitlin escolhera para ele. Era de um tecido de algodão e era azul marinho. Ele se guiava pela bengala de metal e tateou, encontrando o sofá com facilidade.
— Meia-noite em Paris — ela respondeu, desligando a televisão. Quando estava com o rapaz, não gostava que nada a distraísse.
— Não precisa parar de assistir por minha causa — ele murmurou, fazendo uma careta.
— Eu já assisti outras vezes — foi sincera. — Como você está?
— Melhor, pelo menos um pouco — ele pegou o tecido da blusa social e brincou com o mesmo, sem expressar nada com o olhar. — E seu trabalho? — Questionou, sem saber o que dizer.
— Ah, não vamos falar disso — ela balançou a cabeça, rindo.
Havia algo que Tommy queria muito saber e até então não entendia a razão. Ele molhou os lábios e ficou em silêncio. Lembrou do reencontro da jovem com seu antigo namorado e suspirou, perguntou:
— Com quem você está saindo? É o Barry? — Ele não conseguiu se conter, quando percebeu, já havia perguntado.
— Han? Do que você está falando? — Inquiriu, genuinamente confusa. Ele respirou e falou:
— Ontem disse à seu ex-namorado que estava saindo com alguém, quem é? — Sua voz saiu estranha mas ele preferiu ignorar.
— Ah, aquilo! — Ela riu: — Eu estava mentindo! — Explicou: — Ele não iria me deixar em paz se eu não dissesse aquilo — deu de ombros.
— Ah, entendi — ele suspirou, aliviado. — Foi você quem terminou com ele? — O contrário não faria o menor sentido! Ela era linda, inteligente, carinhosa... Com certeza muitos homens se interessam por ela, pensou, sentindo um gosto amargo na boca.
— Er... Ele terminou comigo — respondeu, desviando o olhar do dele. Tommy a encarou surpreso e falou:
— Ele é um completo imbecil — garantiu, a lançando um sorriso divertido. Ela riu e falou:
— Vou ser obrigada a concordar, ele é mesmo — disse, abraçando os próprios joelhos. Tommy sorriu e disse:
— Você irá encontrar alguém que te ame — sussurrou, erguendo a mão, em um ato instintivo, inconsciente. Não custou para encontrar o rosto da jovem. Passou, delicadamente, o polegar pela bochecha de Caitlin, que fechou os olhos e sentiu o mundo ao seu redor parar: — Você merece todo amor do mundo — em meio à escuridão, podia lembrar com perfeição do rosto dela, quase como se o mesmo tivesse tornado um quadro mental seu. — E será muito feliz — murmurou, em uma carícia suave, quase como se uma pena tocasse seu rosto.
O silêncio invadiu o ambiente. Ele traçava um circulo pela bochecha quente da jovem, enquanto a mesma sentia seu coração acalmar suas batidas frenéticas. Era como se tivesse encontrado seu lar, sua casa. Ele era sua casa. Sempre seria.
— Você também será feliz, Tommy — murmurou. Seu coração implorando, loucamente, para que ela se aproximasse, mas não podia, não podia agora, talvez nunca. Aquele sentimento jamais seria correspondido.
— Como, Caitlin? — Ele tirou sua mão do rosto dela, fazendo-a respirar fundo diante da sensação de vazio.
— Apenas precisa buscar por ela — sussurrou, ajeitando-se no sofá. — E irá encontrar — sussurrou. Nem que não seja comigo. Pensou, encolhendo-se em uma bola, agradeceu por ele não poder vê-la naquele momento e suspirou, observando-o.
— E como eu saberei que achei? — Ele questionou, soturno.
— Seu coração irá lhe dizer — ela respondeu apenas. Assim como o meu me disse.
...
Caitlin estava dormindo quando ouviu batidas frenéticas do lado de fora do seu quarto. Pôde jurar sentir o odor da fumaça e abriu os olhos, os quais arderam.
— Caitlin, Caitlin! — Ouviu Felicity berrar, esmurrando a porta. Ela levantou e tossiu ao ao sentir a forte fumaça ao redor. — Acorda! — Felicity berrou, esmurrando a porta.
— Ai! — A morena gemeu de dor ao sentir a maçaneta quente e abriu a porta.
— Está havendo um incêndio! — A outra a puxou para fora do quarto. A morena arregalou os olhos ao ver o apartamento tomado pela fumaça, tossiu, sentindo seus pulmões arderem e seus olhos lacrimejarem e se deixou ser arrastada pela melhor amiga. — Precisamos correr — Felicity disse, correndo. — Ele começou no térreo, logo estará aqui.
Ela podia ouvir a tosse da amiga conforme as duas corriam em direção a porta do apartamento. Felicity abriu a porta e ela pôde sentir o calor intenso das chamas alastrando-se pelo corredor. Caitlin agarrou-se a amiga conforme lutava para manter-se acordada. Mal conseguia enxergar, a fumaça impedia uma visão clara.
Seus lábios estavam secos e ela não conseguia mais respirar sem que sua traqueia ardesse, em chamas. Seu peito ardia, em chamas e a jovem arfava, ofegando.
Sua tosse começara a ficar ainda mais frequente e a jovem estava começando a perder os sentidos, suas pernas pareciam mais fracas e ela percebeu que Felicity sofria do mesmo mal. A fumaça tornava-se cada vez mais intensa e ela sabia que elas não aguentariam mais. Seu corpo clamava por um oxigênio inexistente ali.
Caitlin caiu no chão, sentindo o calor alastrar por seu corpo e ouviu um barulho ao seu lado e ao virar seu rosto, percebeu que Felicity havia caído ao seu lado. Seus pulmões lutavam, clamando por ar, e seus olhos ardiam conforme seu corpo sua cabeça parecia girar.
Sua visão estava turva, e a morena tentou manter-se de olhos abertos. Diziam que quando morremos, flashs de nossas vidas passam diante de nossos olhos, mas tudo no que conseguiu pensar foi Tommy. Podia sentir a vida esvaindo lentamente de seu corpo, seus pulmões falhando, o ar lhe sendo arrancado à força, sentia o calor ao redor, enquanto lutava.
Sentiu suas pálpebras pesarem, seu coração desacelerar lentamente, ofegou, sufocando, seus lábios secaram e seus pulmões queimaram em brasa, ofegou, sua garganta ardendo e ouviu um barulho alto e forte acima dela, sentiu um peso intenso sobre si e então, não conseguiu mais lutar... Os olhos dele foram a última coisa que ela viu.
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