Enquanto Você Dormia
1 Inevitável
Notas iniciais
Enjoy
Ps.:Preciso de uma capa para a fic!
O despertador era insistente até demais.Levei a mão em sua direção e parei antes de toca-lo.Talvez pudesse fazer um favor a mim mesma e voltar a dormir,fingindo não tê-lo escutado.A rotina de trabalho ultimamente era algo que me levava a exaustão,mais cinco minutos na cama confortável seria uma pequena benção.
Calei o som estridente do aparelho medonho por fim,dando-lhe praticamente um tapa.
Se atendesse ao meu próprio desejo corria o risco de perder o vôo dali a algumas horas,e isso eu não me perdoaria.Teria mais ânimo para acordar se não tivesse ficado horas e horas no terraço na noite passada.A viagem que faria ao centro do país seria algo muito valioso para minha carreira.
Meio cambaleando andei em direção ao banheiro.Deixei a água quase fria banhar meu corpo me acordando de uma vez por todas.Cheguei a quase sentir frio,mas assim que colocasse o pé para fora do meu apartamento passaria,os ultimos dias foram os mais quentes do verão de Los Angeles.
Coloquei um roupão para cobrir meu corpo.A primeira coisa que fiz foi secar meu longo cabelo.As madeixas cor de mel me davam muito trabalho,mas eu gostava.Se não fosse por eles poderia ficar mais alguns minutos na cama,mas uma jornalista que se preze,tem que cuidar da aparência,não sair com os cabelos molhados como se tivesse acabado de sair do banho.
Depois maquiei meu rosto com cuidado.Me vestir,por incrível que pareça,tratando-se de uma mulher,era muito mais fácil para mim.Fui até o closet e tirei do cabide um tailleur preto e uma camisa branca de mangas curtas.
Minhas roupas não variavam muito em estilo,eram todas de boas marcas mas seguindo um mesmo padrão.Gostava sempre de ter algo elegante pronto para ser vestido.
Me livrei roupão e comecei a vestir-me pela camisa.Depois de fechar a fileira de botôes coloquei um sapato preto de saltos muito altos.Não era nada confortável,por vezes meus pés doiam além da conta,mas a aparência séria e sedutora que eles me davam,valia o escalda-pés que teria de fazer ao fim do dia por conta de usa-los.
Por fim coloquei a saia que ia até os meus joelhos.Seria um modelo tradicional se não fosse pela longa fenda que continha na frente dando a ela um ar mais moderno.
Olhei para o casaquinho que compunha o conjunto...Decidi por leva-lo comigo nos braços ,junto com minha pasta ao invés de vesti-lo.Ainda não me sentia confortável com o calor em exesso que fazia em Los Angeles,em Washington,onde nasci,os dias costumavam ter a temperatura mais amena.
Coloquei a cafeteira para funcionar e liguei a secretária eletrônica para ouvir minhas mensagens.
Eram tantas...Na noite passada havia checado algumas e lá estava o aparelho novamente lotado,sem mais espaço para armazenar novas mensagens.
A maioria delas eram do manda -chuva do meu jornal,Justin Carter.
Aquele homem beberia meu sangue se pudesse...Estava sempre me apressando e controlando.Já fazia um ano que eu comandava uma grandde equipe de jornalistas,sempre tendo Justin atento a mim,esperando algum erro,a oportunidade de poder ver a única mulher do cargo,sendo demitida dele.
Revirei os olhos ouvindo sua voz irritante vindo da secretária.Foi então que a voz de minha mãe se tornou presente no aparelho.
Olhei para ele bebericando o café assim que ela pronunciou meu nome.
"Alexia...Porque não me liga a tanto tempo?Bom,eu estava pensando que seria muito bom se você passasse o feriado conosco...Eu e seu pai ficariamos felizes.Pense no assunto.Até mais filha."
-De jeito nenhum mãe...-Ainda olhava para o aparelho como se ele fosse realmente me responder alguma coisa.
Faltavam duas semanas para o feriado de quatro de julho...Para mim poderia ser no dia seguinte que não faria a mínima diferença.
Amava minha família,já fazia mesmo algum tempo que não os via,mas não tinha chegado na posição que eu estava aproveitando os feriados.Precisava trabalhar.
Dei os ultimos goles no café e peguei minha pequena mala,o casaco e minha pasta,esqueceria a mim mesma se fosse possível ,mas nunca a pasta.Nela estava tudo que eu precisava,além dos meus documentos,um notebook,caderno de anotações e até uma camera fotográfica,ser jornalista significava para mim estar sempre pronta para registrar alguma coisa.
Parei diante do meu prédio a fim de pegar um taxi.O sol já estava a pino e eram apenas sete e trinta da manhã.
Fiz sinal para um que parou imediatamente.Entrei jogando a mala e o resto no banco de passageiros.
O motorista,jovem demais ,olhou-me serenamente.
-Poderia tê-la ajudado com a mala...-O sorriso do homem loiro de olhos muito claros era tão encantador quanto o resto de seu rosto.Ele era bastante simpático mesmo assim não sorri de volta.
-Está tudo bem,não está pesada...-Geralmente nunca esperava que ninguem me ajudasse com coisa alguma,tentava sempre me virar por conta própria.
-Para onde?...-Perguntou ele,parecendo não se importar muito com minha falta de simpatia.
-Aeroporto de Los Angeles ,por favor...-Disse a ele voltando meu rosto para a janela logo em seguida.
O percurso ao eroporto seria de mais ou menos meia hora...Deveria ter levado a distância dele em consideração na hora de comprar meu apartamento,eu estava simplesmente do outro lado da cidade.
-Aeroporto...-Repitiu ele voltando a atenção para o transito.
Andamos os primeiros quarteirões totalmente em silêncio,jogar conversa fora não era bem o meu forte.
Do lado de fora as primeiras decorações do feriado começavam a surgir nas vitrines de lojas e nas ruas.Os Estados Unidos simplesmente paravam nesta data,não me admira que minha mãe pensasse que eu iria até Washington.
-Vai viajar a trabalho ou a passeio?...-A pergunta do motorista me pegou desprevinida.
Na verdade oque me surpreendeu foi que ele ainda se dirigisse a mim apesar da carranca fechada que ostententei desde o momento em que entrei no taxi.Bom pelo menos não foi um comentário típico sobre o tempo...Que mal faria um pouco de conversa afinal?
-Trabalho...Sou jornalista.Estou indo ao centro do país ...É uma época de chuvas e tornados por lá...
Para quem nunca fala muito fiquei surpresa com o monte de informações que dei ao motorista.Falar do meu trabalho era uma coisa que me orgulhava muito.
-Indo ao encontro de chuvas e tornados então...-Ele realmente parecia avaliar com cuidado minhas respostas.
Não era bem isso na verdade,minha viagem implivaca em mover a equipe para os lugares certos,nada muito corpo a corpo,esta fase da minha carreira já tinha chego ao final...
-Quase isso...-Disse a ele dando atenção novamente para a janela do carro.
O homem parecia assimilar as poucas palavras que eu disse a ele.
-Você tem familia?...-Perguntou tentando encontrar meu olhar pelo espelho.
O que era isso afinal,um interrogatório?
-É eu tenho família...Mãe e pai na verdade, e uma irmã...Mas quem não tem não é mesmo?Todo mundo vem de algum lugar.-Disse a ele mostrando-me frustrada diante das perguntas que não cessavam,principalmente esta que me parecia mais descabida.
Talvez agora ele se calasse.
Mais uma vez ele parecia refletir sobre o que eu falava.
-Mas eles não estão em Los Angeles?
Talvez se eu respondesse ele se desinteressaria mais rápido.
-Não!Eu sou de Washington...Eles estão lá.
-Um namorado talvez?
Agora era demais...
Eu tinha um namorado mas ele se foi.Erick foi o homem mais doce que eu já havia conhecido,mas o meu excesso de atenção para o trabalho e quase nada para ele,fez com que ele me deixasse.Eu o amava mas o trabalho significava mais.
Orgulhava-se de mim mesma por chegar a Los Angeles e batalhar o suficiente para ser uma jornalista de respeito e não uma parasita que escrevia somente sobre celebridades e seus ultimos escandalos.
Mas o que isso interessava ao motorista afianal?
-Você sempre pergunta tanto?...-A ultima pergunta realmente me tirou do sério.
-Somente para quem eu considero especial...-A calma do homem em nenhum momento se abalava.A minha sim...Praticamente babava de raiva ao falar com ele.
-E o que diabos você pode ter visto de tão especial em mim nos quinze minutos que passamos juntos?
-Alex...Tem uma família que não valoriza,perde o amor por causa do trabalho e duvido que exista muita coisa além do seu umbigo...É especial,não de uma maneira boa afinal,mas especial.
As palavras do homem dançavam na cabeça provocando-me tontura.Ele não dizia nenhuma mentira mas,como sabia de aquilo tudo?
-Como sabe meu nome?...-Estava meio atônita procurando seu olhar no espelho do carro.
Ele deu de ombros como se fosse a pergunta mais idiota a ser feita.
-Na minha posição ,saber o nome é de menos...vem em nossa mente naturalmente.
-E oque você é, um vidente...-Meu sarcasmo era evidente...Uma sética como eu não acreditaria em nada deste gênero,alguma coisa em mim o fez tirar conclusões e dizer as palavras certas.
-Não...-Ele sorria divertindo-se com minha teoria...
Neste momento passávamos por uma longa ponte acima de um rio...O motorista pareceu concentrar-se nela antes de voltar a falar.
-Me diga uma coisa...Qual é a sua maior vontade no momento?...A atenção dele se repartia entre minha resposta e a ponte onde o carro andava.
E agora isso...Tantos taxistas naquela cidade e eu embarco no carro de um maluco.
Inclineime mais para frente em uma atitude de desdem,mostrando a ele que não o temia.
-No momento ,minha maior vontade,é chegar no aeroporto sem ter que me preocupar se você é um doido ou não.
Ele deu um sorriso angelical olhando-me nos olhos.
-Feito...-Disse por fim.
Jamais imaginei o que ele faria.Em um único movimento brusco ele girou a direção tudo o que pôde indo de encontro a mureta de proteção da ponte.
A minha única reação foi cruzar meus braços diante do rosto esperando o impacto inevitável com a água.
Notas finais
Perdão se alguma coisa em relação as cidades e tal não está correta!
Fale com o autor