Enquanto Você Dormia
2 Encontros
Notas iniciais
Espero que tenham gostado do primeiro capítulo.
MUUUUIIITOO obrigado pelos primeiros reviews!
Enjoy
Parecia que eu tinha a necessidade de correr até meus pulmões explodirem, no entanto continuava imóvel, sem dar sequer um passo.
Era tudo tão assustadoramente branco, meus olhos tinham dificuldade em permanecerem totalmente abertos devido à claridade. Levei o braço ao rosto na intenção de enxergar melhor, quando por fim me habituei a luz comecei a dar passos cuidadosos na direção em que ela se fazia mais forte.
Houve o que parecia ser uma explosão em meio à luz o que me fez fechar os olhos com força.
Estava tentando juntar coragem em mim para abri-los novamente. Então era isso... A imagem do acidente se fez presente, eu havia morrido e ali estava eu, indo em direção da luz, devendo prestar esclarecimentos para quem quer que fosse. Coragem Alex...Não era tão má assim, pensei encorajando-me.
Quando abri os olhos novamente parecia que eu estava no meio daquele tipo de sonho confuso, onde você troca de lugar sem ao menos perceber.
Meu corpo estava inerte, somente meus olhos tentavam reconhecer o local. Eu estava parada em uma calçada no dia ensolarado. Não sentia calor algum, atrás de mim o movimento incessável dos carros nas ruas.
Naquela hora já não tinha certeza se o acidente existiu mesmo ou foi apenas um surto da minha imaginação.
Meus olhos foram em direção ao gigantesco letreiro, ”Aeroporto de los Angeles” e depois em direção a construção de igual proporção.
Não sabia se era o certo a fazer, mas andei em frente parando diante da grande porta automática que deveria ter aberto diante de mim. Fiz menção de tocá-la a fim de verificar o problema. A porta do aeroporto mais movimentado da cidade não permanecia fechada por muito tempo, logo uma multidão passou por ela e eu apenas segui o fluxo.
O movimento do aeroporto era ainda mais intenso. Nas paredes bandeiras do país esperando pelo feriado que parecia ser naquele dia e não dali a duas semanas.
As pessoas iam e vinham de um lado para outro enquanto eu não tinha a mínima ideia de onde seguir. Como saber para que lado ir se nem ao menos sabia pelo que estava procurando?
Andar sempre em frente parecia uma boa opção, então foi o que eu fiz. Andei até chegar ao hall do aeroporto que estava visivelmente menos movimentado.
Já estava com os olhos e ombros baixos. Não sentia cansaço, mas a indecisão era uma tortura psicológica.
-Finalmente!
A voz seria inaudível diante do murmurinho das outras pessoas, mas por incrível que pareça eu a ouvi perfeitamente e o mais estranho era que parecia estar se dirigindo a mim.
Procurei atentamente com o olhar a origem da voz, aparentemente ninguém olhava diretamente em minha direção. Meu olhar subiu desconfiado e mais adiante, sentado no alto do painel informativo dos vôos, como se fosse a coisa mais natural do mundo alguém acenava para mim.
Temendo que fosse para outra pessoa o aceno constante olhei ao meu redor e depois para trás. Ao olhar novamente para frente, certa de que eu era a única a prestar atenção na pessoa lá em cima, como em um passe de mágica ele estava em minha frente.
-Você?!...-Minha voz era um misto de surpresa e raiva.
Reconheceria aquele rosto em mil, o mesmo sorriso no rosto angelical. Totalmente relaxado vestido em branco estava em minha frente o motorista do taxi.
Quanto mais ele sorria mais eu tinha vontade de segurar em seu pescoço com a maior força que eu pudesse.
-Cheguei a pensar que não viria Alex...-Como podia falar tão tranquilamente comigo?
Por alguns segundos não conseguia esboçar nenhuma reação, no fundo esperando por algum esclarecimento. Somente ele falava em um tom mais acolhedor.
-Eu sei que está confusa. Você se lembra do taxi não é mesmo?
-Aquele que você atirou da ponte?
O semblante dele pareceu aliviar-se diante das minhas palavras.
-É você se lembra! Isso é bom.
Com certeza ele era louco.
-Como bom? Você percebe o que fez? O que eu estou fazendo aqui?
-Era aqui que queria estar não é mesmo?...-Agora ele parecia tão confuso quanto eu... -Se você está aqui é por que vai ter que fazer alguma coisa muito importante, antes de prosseguir.
Minha cabeça precisava urgentemente encontrar algum nexo no que ele falava.
-Quem é você afinal?
-Meu nome é Daniel. Sou seu orientador.
-Deus me ajude!...-Falei levando a mão a testa.Quando ele iria me dizer alguma coisa que fizesse sentido afinal?
-Ah ele já está ajudando, por isso estou aqui.
-Então o que você é...um anjo maluco que causa acidentes?
Ele segurou em meus ombros fazendo com que eu andasse junto a ele.
-Esqueça o acidente, já passou. Ele aconteceria de qualquer forma, a diferença é que eu estava lá. E não, eu não sou um anjo, estou aqui para orienta-la nada mais.
-Quer dizer que de qualquer forma eu morreria hoje?
As minhas palavras pareciam provocar-lhe alguma diversão.
-Hoje não... -Ele fez com que eu girasse em meus calcanhares ficando de frente para o painel de informações, era dia três de julho.
-Eu entrei no taxi há duas semanas... Como? Onde eu estava este tempo todo.
-Isso só ele sabe... -Ele fazia um gesto de reverência apontando o alto.
-E por que estou aqui agora, quer dizer era isso que eu merecia? Ter a alma vagando no aeroporto? Nada de céu ou de inferno?...-Daniel revirava os olhos parecendo entediado comigo...
Eu não deveria estar usando uma roupa como a sua?...-Falei olhando para mim vestindo a mesma saia até o joelho e a camisa branca, juntamente com os sapatos altos.
-Vocês humanos... Lêem um pouco aqui e outro ali e acham que sabem de tudo.
-Então me diga algo que faça sentido... -Nesse momento alguém teria colidido em mim se não tivesse literalmente atravessado meu corpo e seguido adiante, como se não tivesse nada no caminho. Aquilo conseguiu tirar de mim toda a calma que eu ainda tentava ter... -As pessoas não estão me vendo?
-Não seja boba! É lógico que não estão, assim como não estão me vendo...
Lógico? Como ele podia falar em lógico naquela situação? Ele aproximou-se de mim, boquiaberta e desiludida, pegando-me pelos ombros.
-Quando eu perguntei o que mais você desejava o que me respondeu?
A única vez que ele me perguntou isso havia sido dentro do taxi, minutos antes do fim.
-Chegar ao Aeroporto de Los Angeles...-Disse a ele desanimada.
Como se fosse o gênio da lâmpada ele fazia um sinal com as mãos mostrando-me o lugar, como se tivesse feito a mim um grande favor.
-Eu não sabia que seria a ultima vez que desejaria alguma coisa em vida.
-Está arrependida? Eu achei estranho, na situação em que você estava ,as pessoa geralmente pensam em família, namorado, arrependimento... Qualquer coisa que as traga mais conforto, que lhes de a ideia de acertar alguma pendencia... Mas você queria realmente chegar até aqui. Estranho.
Ele falava “estranho” dando de ombros como se a nossa própria condição não fosse algo anormal.
Por um momento, ao ouvi-lo falar em família meu coração doeu... Se ter desejado estar com meus pais e minha irmã, redimir-me pela falta que eu fazia pudesse ter mudado alguma coisa, com certeza eu teria feito, teria desejado vê-los uma ultima vez.
Eu era egoísta o suficiente para estar ali e não em outro lugar? Era,com certeza.
Deveria ao menos ter ligado para minha mãe dizendo que não iria a Whashington, agora era tarde.
-O que posso ter para resolver aqui?...
-Se você não sabe...A não ser que você ainda não tenha encontrado pelo que procura.
-Tá falando de que?...Na minha condição já encontrei tudo o que deveria,não ha mais nada agora.
Eu realmente deveria diverti-lo com meus comentários.
-Pois bem dona sabe tudo... Encontre então.
Pensei no que ele havia dito,duas semanas...Minha familia já deveria saber agora que eu estava morta...Provavelmente enterrada!
Um arrepio teria passado por mim com aquele pensamento,isso se u pudesse senti-lô.
Estava temendo minhas próprias palavras.
-Daniel...Na ponte, alguém nos encontrou?
-Mas é claro, encontraram você.
Aquilo soou mais estranho ainda. Se ele era uma espécie de entidade sobrenatural ,como explicá-lo no taxi.
-E quanto a você?...-Perguntei por fim.
Ele me olhava de forma complacente.
-Encontraram você...É o que importa.
-Mas não estranharam a falta do motorista?...-O assunto macabro parecia algo natural para ele.
-Lhe parece tão estranho? As pessoas simplesmente não tetam explicar o inexplicável...É mais fácil deixar para lá.
Aos poucos ele começou a afastar-se indo na direção oposta onde eu estava.
-Espere! Como eu vou saber, pelo que estou procurando?Aonde você vai?
Já ao longe ele respondeu a minha pergunta.
-Eu voltarei quando precisar de mim, sou seu orientador lembra?
Gritei nervosa na direção dele.
-Eu preciso de você agora!
Mas já era tarde, nem ao menos vi aonde ele tinha ido perdido no resto da multidão.
As pessoas continuavam passando por mim, dentro de mim mais precisamente... Minha preocupação era tanto que aquilo não me incomodava mais. Vaguei pelo que me pareceram horas no aeroporto, olhava cada rosto em vão, pois ninguém via a minha presença. Estava prestes a desistir do que quer que fosse quando parei diante de um dos bancos de espera, não que eu sentisse cansaço, pois não sentia. Apenas parecia algo natural depois de caminhar tanto.
Sentei-me pesadamente no banco escondendo o rosto nas mãos. Não iria chorar, mas estava desnorteada.
-Não acredito que isso está acontecendo... -Falei em voz alta para mim mesma.
-Não choramingue, você não é a única que perdeu o vôo...-A voz mal-humorada vinha bem do meu lado.
“Vá se ferrar” pensei comigo mesma. Foi então que eu percebi... Alguém me ouvira.
Tirei as mãos do rosto, virando-o lentamente para minha direita, boquiaberta como nunca na vida antes.
Encontrei o rosto tão mal-humorado quanto a voz olhando para frente, com os braços cruzados, jogado na cadeira, visivelmente contrariado. Meus olhos o percorreram, dos pés a cabeça.
Até mesmo sentado, era visivelmente mais alto do que eu. Estava usando uma calça preta e uma camisa em xadrez vermelho, e um boné que amassava parte do cabelo, aparentemente mais comprido, e deixava a mostra a outra parte, na nuca. O perfil do rosto era perfeito... O lábio inferior harmoniosamente mais saliente do que o superior, o nariz parecia algo desenhado no rosto e ,apesar do piercing grosseiro,era tão delicado quanto o resto. Alguma coisa parecia encomoda-lo. Só podia ser loucura da minha cabeça,ele não ouviu minha voz coisa nenhuma...
Ainda não consegui fechar a boca quando de repente ele virou-se para mim.A barba por fazer dava a ele um ar muito sensual...
-Desculpe a grosseria... É um dia difícil...
Ele me ouviu e estava falando comigo! Não era possível. Isso deveria ser sinal de alguma coisa afinal. Temendo ser somente uma alucinação, tratei de falar alguma coisa qualquer para certificar-me. Depois de tanto andar, sem ser vista ou ouvida não poderia acreditar simplesmente que aquilo estava acontecendo.
-Sei como é...-Poderia ter falado algo melhor mas ,não importa.
-Você perdeu se vôo também,não é mesmo?...-Apesar da irritação ele se mostrava muito simpático.
-Quase isso... -Respondi sem maiores explicações. Algum movimento em falso e ele veria que eu era... Diferente.
Então parecia que alguma coisa cósmica nos uniu naquele mometo, quando ele levantou-se eu levantei também como se não pudesse controlar.De fato ele achou aquilo muito estranho e eu precisava agir rápido.
-Tem um minuto para conversarmos?
Notas finais
Sabem o que fazer!
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