Enquanto Você Dormia
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Enjoy
Ps.:Um agradecimento especial para Caca_Moon e para Rachel Mattos por estarem acompanhando,com fidelidade,minha segunda fic!
Beijos
Novamente um fleche de luz formou-se a minha frente enquanto eu aparentemente seguia os passos de Bill Kaulitz para fora do aeroporto. Quando novamente tudo era nítido diante de mim, estava em um belo apartamento tendo ele em minha frente.
-Esta é sua casa?...-Perguntei a ele que somente afirmou com a cabeça...-Aonde fica exatamente?
Era incrivel como os olhos dele não deixavam de me olhar com curiosidade ao invés de espanto.
-Estamos à meia hora do aeroporto.
Conhecia bem o local então... O tempo era algo que não existia para mim, apenas estava no apartamento, sem ter feito nenhum percurso pelas ruas.
-Preciso beber alguma coisa... -Disse ele indo em direção ao bem equipado bar na sala.
Minha cabeça estava concentrada em como seria minha ligação com Bill Kaulitz. Estranhamente eu não o seguia enquanto ele se movimentava pela sala, como avia acontecido quando ele tentou afastar-se de mim quando nos conhecemos, ou quando ele ia embora do aeroporto...Foi então que percebi que eu só parecia segui-lo quando ele começava a distanciar-se de mim, ou seja enquanto estávamos de comum acordo no mesmo lugar ,eu movimentava-me por conta própria.
Entendia agora o significado da expressão “encosto”.
Depois de entender melhor nosso mecanismo de união fiquei apenas observando-o encher pela terceira vez o copo com uísque.
-Encher a cara não vai me afastar daqui... -Disse a sentando-me no lindo sofá de couro, como se fosse algo natural. Passei os olhos pelo lugar apegando-me aos detalhes. Era um típico apartamento duplex americano, com uma decoração minimalista e de muito bom gosto por sinal, em tons de preto e branco. Olhei para mim, sentindo-me parte da decoração pela roupas que vestia, se eu soubesse, teria vestido algo mais colorido pensei comigo mesma.
Se eu soubesse, teria feito muitas coisas diferentes. Suspirei levantando-me e indo em sua direção. Se havia alguma coisa a ser feita por aquele cara, eu teria logo que descobrir do que se tratava.
-Solta este copo... -Falei zangada... -Já disse que estarei aqui mesmo que beba a garrafa inteira.
-E por que acha que estou bebendo?...-Ele me olhava profundamente alterado e falando entredentes.
Deixei que meus ombros caíssem um pouco pensando em quão infantil era aquele comportamento. Se eu pudesse daria um peteleco no copo e o jogaria longe.
Cruzei meus braços fixando meu olhar no dele. Visivelmente irritado ele soltou o copo ,não sem antes botar para dentro o ultimo gole de bebida.
-Satisfeita?...-estava claro para mim que ele não aceitava muito bem ordens ou sugestões.
Apenas assenti com a cabeça vendo-o sentar-se no sofá, livrando-se do boné, levando os braços como apoio para a nuca. Fui até ele e apenas olhei seu rosto por um instante. Os cabelos negros eram mais ralos nas laterais, formando quase uma espécie de topete maluco com o que sobrava no centro da cabeça. Era estranho, mas ficava bem nele... O corpo magro de Bill era uma sintonia perfeita com o rosto.
Ele não era o tipo de homem que me atrairia de cara, não bastasse o piercing do nariz ,ainda havia um na boca e na sobrancelha e, tinha quase certeza de ter enxergado algo metálico na língua ao vê-lo falar, mesmo assim tudo aquilo parecia cair como uma luva para ele.
Por fim ele saiu do que parecia ser um transe, remangando a camisa, uma tatuagem no braço apareceu com o movimento, Ele inclinou-se um pouco para frente no sofá, encostando as mãos de forma nervosa uma na outra.
-O que eu fiz para merecer isso?...-Meus olhos reviram-se diante da pergunta... -O que eu fiz para ser perseguido por um espírito?
Agora ele havia conseguido me irritar de uma vez por todas.
-É tudo sempre sobre você? Já parou para pensar que para você estra vendo um espírito... -imitei sua voz... -eu tive que morrer?...-Aproximei-me um pouco mais dele em uma atitude ameaçadora... -Já parou para pensar por um instante que eu tinha uma vida?
Minhas palavras pareceram ter surtido algum efeito sobre ele. Aos poucos sua postura foi mudando, tornando-se mais relaxada.
Era inacreditável... Eu sofri um acidente, havia morrido, estava ali por ele e ele ainda achava que era o maior prejudicado.
Foi difícil, mas tentei ver a situação pelo angulo que ele tinha...Não estava sendo fácil ,para nenhum de nós dois. Tentei relaxar também e me aproximei sentando-me ao seu lado. Quem sabe se eu explicasse melhor ele entenderia.
Contei a ele minha história, um pouco da minha vida até o momento de minha morte, sobre Daniel e de como era imprescindível que eu estivesse ali com ele naquele momento. Não fiz questão de mencionar nenhuma vez o quão parecidos nós éramos,não me agradava nenhum pouco reconhecer-me nas atitudes de Bill.
-Se eu achar a forma certa de ajudar você, poderei para onde quer que seja ...-Falei a ele concluindo o que contava.
Pela primeira vez pude ver Bill compadecido com alguma coisa desde o momento em que nos conhecemos, embora ele ainda parecesse confuso.
-Mas no que você poderia me ajudar? Não há nada por mim que precise ser feito...
Por um momento tive que concordar com ele .Ao que parecia, o único perigo eminente que Bill Kaulitz corria, era o de ter o apartamento explodido, se seu ego expandisse mais. Teria que saber mais dele.
-E sobre você?...-Perguntei incentivando-o a compartilhar alguma coisa de sua vida comigo.
Um sorriso torto nasceu em seus lábios ao começar a falar.
-Eu sou cantor... Temos uma banda... -Aquele assunto parecia agradá-lo.
-Temos?...-Repeti a ele querendo que prosseguisse.
-Sim...Meu irmão Tom, Gustav, Georg e eu...Você não me reconheceu coisa alguma no aeroporto não é mesmo?
Teria corado naquele momento se fosse possível. O fato de eu não reconhece-lo nada significava, eu simplesmente ficava tão imersa em meu mundinho que nem me lembrava mais da ultima vez que tinha visto tv ,comprado um cd ou simplesmente ouvido o radio.
Tentei descontai-lo naquele momento.
-Talvez vocês não sejam tão bons assim... -Ele ria junto comigo.
-Pode apostar que nós somos você é que deve morar em uma caverna.
O sorriso dele despareceu um pouco... De certo, como eu ,ele havia se dado conta que no momento eu não morava em lugar algum.Meu corpo sim deveria estar “morando” em algum cemitério da cidade.
-O que mais?-Tratei de afastar o momento silencioso que se aproximava depois de seu comentário.
-Bom, somos da Alemanha e agora moramos em Los Angeles, Tom e eu.
Então aquela não era a casa dele somente, havia o tal Tom.
-E onde está ele?...-Perguntei.
-Ele viajou ontem, que era quando eu deveria ter ido também. Acontece que eu tinha uma seção de fotos, que demorou demais, por isso perdi meu vôo.A esta hora ele está a muito tempo com nossa família e com Gustav e Georg que ainda moram lá.
Perder um vôo, rumo a terra natal, por uma seção de fotos... Não podia deixar de entendê-lo, por vezes perdi certas coisas,fazendo o juízo errado do que seria mais importante.
Ver Bill falando do irmão fez lembrar-me da minha família novamente, em especial de Natasha, minha irmã poucos anos mais nova que eu. Nem ao menos havia telefonado para ela durante aquele mês inteiro. Deixei meus olhos baixarem diante da lembrança amarga.
-Tudo bem?...-Ele perguntava parecendo realmente preocupado, encarando-me diretamente nos olhos .Para mim era mais fácil fingir que aceitava minha situação, então apenas afirmei que sim com a cabeça, temendo que minha voz me desmentisse. A verdade é que durante aquele dia já havia notado pelo menos umas cem coisas que gostaria de ter mudado em minha vida.
Então estávamos ali Bill e eu, não pude deixar de pensar que se não fosse pelo fato de apenas um de nós dois estar vivo, seriamos duas pessoas comuns apenas se conhecendo, expondo um ao outro a sua vida.
Olhei novamente para ele,que já nem me parecia mais tão repulsivo, e pensei que se fosse diferente, poderíamos até sentir atração ,que não viesse do além, um pelo outro...Não precisaríamos ter começado tão mal e quem sabe, apenas talvez ,depois de percebermos que éramos apenas duas pessoas com defeitos e qualidades, poderia haver um beijo entre nós...Mas não haveria. Dentro de pouco tempo eu sairia da vida dele tão estranhamente quanto entrei.
O efeito da bebida mais o adiantado da hora o estavam fazendo bocejar. Cada vez que seus olhos fechavam-se pesados, parecia que eu adormeceria também embora não tivesse sono algum. Seria aquela mais uma estranha ligação entre nós, pensei comigo mesma o vendo recostar-se no sofá pronto para apagar ali mesmo. Sentindo que eu, de certa forma, dormiria ao mesmo tempo fiz um pedido que pegou a mim mesma de surpresa.
-Bill...
-Hum?...-Respondeu ele já virando o rosto no sofá.
-Cante alguma coisa para mim.
Ainda sem abrir os olhos ele sorriu lisonjeiro... -O que quer que eu cante?...-Perguntou ele.
-A musica que mais gosta... -Disse por fim vendo que não demoraria até que ele adormecesse.
Então a voz,embora fraca e sonolenta começou a entoar uma canção em alemão...
"Ich bin da, wenn du willst
Schau dich um dann siehst du mich
Ganz egal wo du bist
Wenn du nach mir greifst dann halt ich dich"
Não entendia uma palavra sequer do que ele cantava enquanto sua voz ficava mais distante e eu era rodeada novamente pelo branco total.
Notas finais
Sem tortura!
São eles que alegram este meu coraçãozinho.
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