Enquanto Você Dormia
5 Milagre
Notas iniciais
Aqui está um dos meus capítulos favoritos...Fiquei tristinha escrevendo e espero que vocÊs consigam "sentir" o porque.
Enjoy
Teria que me acostumar o mais breve possível com estas lacunas em branco no meu tempo.De uma hora para outra o branco total transformou-se na sala de estar da casa de Bill. Fiquei visível, por assim dizer ao lado do sofá onde ele havia dormido na noite anterior. Os olhos dele estavam abertos olhando na direção contrária de onde eu estava ,parecendo pensativo. Gostaria de saber o pensamento que o tornava tão concentrado.
Quando notou minha presença voltou o olhar castanho para mim, parecendo estranhamente satisfeito em me encontrar ali parada, abriu um sorriso que tiraria qualquer mulher do juízo.
-Ai está você... –O pequeno comentário fez com que eu me desse por conta de algo que não havia me ocorrido, enquanto ele dormia e tudo era branco para mim, minha presença ali sumia. Foi esclarecedor saber disso embora eu preferisse ficar e vigiar seu sono.
A longa conversa que tivemos na noite anterior fez com que meus sentimentos em relação a Bill se modificassem. Quando o vi pela primeira vez, arrogante e presunçoso, quase o odiei por ser o motivo da minha estadia naquele mundo.
Agora era diferente, alguma coisa nele fez com que um sentimento forte e verdadeiro nascesse em mim, tão rápido e tão sólido e totalmente inexplicável. Foi a primeira vez que fiquei realmente triste com minha nova situação, por mais fortes e sinceros que fossem meus sentimentos em relação a ele, nunca em tempo algum eu poderia declarara-los. Ele tinha uma vida a seguir, eu não. Assim que minha presença não fosse mais necessária, tudo seria diferente para mim e para Bill também.
-Aqui estou eu... -Disse magoada com o rumo de minhas conclusões.
Bill andava, comia e bebia normalmente pelo apartamento, como se minha presença fosse algo natural, uma nova amiga que ele conhecera há pouco. Contava-me detalhes da infância e da vida como cantor em L.A... Por vezes me oferecia algo para comer, uma necessidade que eu não tinha esquecendo momentaneamente que apenas um de nós era humano.
Evidentemente, se não fosse fechado como uma ostra com tentava aparentar, poderia facilmente fazer qualquer uma se apaixonar por ele. Bill Kaulitz era apaixonante, isso era um fato.
Cheguei a achar que minha presença era a única coisa que o separava da total solidão, sem o irmão em casa, Bill era quase tão solitário quanto eu fui em minha vida.
-Não era para um astro ter a casa movimentada... –Perguntei a ele em tom de brincadeira com um fundo de verdade, que eu queria omitir para não magoá-lo.
-Acho que não... Quando Tom está em casa existe um fluxo de mulheres, se é que me entende... Mas quando estou sozinho não aparece ninguém, a não ser que tenha a ver com o trabalho. Depois mais vale a solidão do que uma amizade falsa. Estou rodeado de gente que mal se importa se estou vivo ou morto, contanto que continuem lucrando alguma coisa comigo...-Falou ele mandando uma mordida do sanduiche para dentro.
O que Bill falara fazia todo o sentido para mim...Lembrei-me de meus colegas de trabalho, que geralmente esperavam algum favor, mas nem sempre me davam um bom dia...E isto era o suficiente para mim, apenas saber que de uma forma ou outra as pessoas precisavam de mim. Era muito deprimente, pensei comigo.
Ouvi-lo mencionar o fluxo feminino de irmão despertou em mim uma curiosidade, Bill não me parecia superficial em relação ao lado sentimental, o que para mim significava nada de promiscuidade, mas teria alguém especial em sua vida?
-Nenhuma mulher especial?...-Parecia que se eu não perguntasse iria explodir.
Por um momento ele tirou a atenção do lanche que comia, olhando para meus olhos de um jeito que não havia acontecido desde o momento que nossas vidas se cruzaram.
-Não havia até pouco tempo... -Eu não era dada a galanteios baratos, mas vindo dele, sinto que seria aquele o momento de ouvir meu coração desparando, se ele ainda batesse. Apesar de aquilo soar como musica, não podia simplesmente deixar acontecer... Tentei mudar o rumo dos meus pensamentos e de minhas palavras.
-Se você quiser conhecer uma mulher especial, vai precisar se esforçar mais. Eu vi como agiu com a menina pedindo autógrafo no aeroporto, você foi muito simpático, mas apenas isso. Nunca vai conhecer alguém especial se não olhar diretamente nos olhos da pessoa... Pode ser qualquer uma, preste mais atenção...-Tentei ser a conselheira que estava ali para ser. Sempre acreditei que o encontro dos olhares eram as primeiras palavras ditas entre as pessoas.
Como havia feito há poucos minutos, o olhar castanho veio para o meu, mantendo –se firme enquanto ele falava.
-Estou olhando para você agora... -Mas que droga! Quanto mais eu tentava fugir mais ele me impressionava. Precisava desesperadamente, pelo meu bem e pelo dele, que ele parasse de dizer coisas assim. Teria que ser dura, necessariamente dura, ou sofreríamos.
-Não... –Minha cabeça movimentava-se negativamente, dando mais força a minhas palavras...-Não está. Eu estou enterrada em algum lugar por ai, você apenas esta vendo o que eu fui um dia...Nada mais, sem nada a oferecer...-Baixei meu olhar do dele enquanto falava, sentindo o peso da verdade daquelas palavras.
Bill desistiu do que comia e começou a movimentar-se pelo apartamento indo em direção daquele que seria seu quarto. Agradeci intimamente por não precisar segui-lo o tempo inteiro.
Haviam se passado três dias e era como se eu fosse uma simples hóspede em sua casa...Uma hóspede que jamais trocava de roupa.
-Não deveria estar usando algo mais condizente com um anjo? Quer dizer, você é provavelmente uma das mulheres mais bem vestidas que eu já vi, mas saia e blusa não me parecem muito angelical!...-O tom zombeteiro já estava mais frequente entre nós, Bill fazia-me rir com seus comentários.
-Por incrível que pareça fiz uma pergunta parecida a Daniel... -Disse ele rindo com a lembrança que já começava a ser distante em meu pensamento.
Daniel... Gostaria de vê-lo, saber dele o que me prendia no mundo dos vivos...Conviver com Bill me dava uma vontade de ficar ,algo que eu não poderia ter, precisava urgentemente concluir o que quer que fosse e sair dali. Bill fazia com que eu me sentisse viva de uma forma que eu simplesmente não era mais. O sentimento que eu tinha por ele crescia em uma medida descomunal.
Naquela tarde, tínhamos novamente uma discussão, pacífica, sobre o que significava minha presença ali. O telefone celular de Bill havia tocado insistentemente algumas vezes, e ele desligava sem sequer dar-se o trabalho de verificar quem era de fato. Então, quando o celular já não era satisfatório para a pessoa que ligava, o telefone da casa passou a tocar com a mesma insistência. Bill aproximou-se do aparelho na bancada da cozinha, esperando que a secretaria eletrônica atendesse. Não era necessário, mas eu o acompanhei.
Quando a secretaria eletrônica fez a sua função, de atender ao telefone, uma voz semelhante a sua propagou-se do aparelho. ”Bill onde você está, preciso falar com você...”,dizia a voz do outro lado da linha.
-Não vai atender?-Perguntei a Bill, sentindo uma certa urgência na voz apelativa que ainda se mantinha na linha a espera de uma resposta qualquer.
-Não...É o Tom, meu irmão, provavelmente só quer contar vantagem sobre alguma garota que tenha conhecido...-Falou ele como se a insistência do irmão fosse algo corriqueiro.
-Bill, da ultima vez que minha secretaria atendeu o telefone, eu poderia ter dito minhas ultimas palavras a minha mãe...-contei a ele o pequeno ocorrido o incentivando a não esperar pelo “depois”, afinal ele pode ou não acontecer.
Seus olhos castanhos me fitaram com certa compaixão, então quando o aparelho eletrônico estava prestes a concluir sua tarefa ele tirou o fone do gancho.
-Tom ,eu estou aqui...Pode falar...-Fiquei feliz ao ver como ele seguia meus conselhos com mais facilidade. Então acompanhei durante a conversa que ele tinha com o irmão, seu semblante se modificando... -Ah não...-Disse ele chamando diretamente a atenção para seus olhos aflitos...-Quando foi que aconteceu?...-Então por alguns segundos ele apenas ouviu o que o irmão tinha a dizer do outro lado da linha, muitas vezes revelando em seu semblante que as noticias simplesmente não eram boas.
Finalmente ele largou o telefone novamente em seu lugar, olhando-me com uma expressão torturada.
-Um amigo de infância, Andreas, sofreu um acidente, foi grave e ele não resistiu... -Sua cabeça tombava no mármore da bancada, absorvendo com dor a noticia do irmão.
Naquele momento quis tocá-lo mais do que nunca. Vi seu rosto contorcido em dor pelo amigo que se fora ,e simplesmente não poderia conforta-lo por sua perda.
-Se eu tivesse pego o avião, poderia tê-lo visto uma ultima vez...-Sua voz saia abafada, com o rosto ainda escondido nos braços.
Não havia nada que pudesse ser dito que o confortasse. Eu não conhecia a dor de ter perdido alguém, mas sabia como ninguém como era não estar entre os entes queridos.
Minha mão ergueu-se instintivamente diante da sua cabeça baixa, querendo toca-lo, querendo faze-lo sentir que naquele momento ele não estava sozinho mergulhado em sua dor.Eu sabia o que iria acontecer, sabia que minha mão passaria por ele ,denunciando o ser anormal que eu era, incapaz de toca-lo .Mesmo assim lentamente meus dedos desceram em direção dos cabelos negros, simplesmente não pude evitar.
Contrariando tudo o que eu achava conhecer sobre minha nova condição,minha mão encontrouseus cabelos s e eu os pude sentir, macios como nada que eu já tivesse tocado .
Ele ergueu seus olhos, tão surpreso ou apavorado quanto eu, sentindo minha mão mergulhando em seus cabelos, como a pequena dádiva que aquilo significava. Instintivamente puxei minha mão para mim novamente, como se estivesse pecando por tocá-lo.
-Como?-Disse ele tão atônito quanto eu.
-Eu não sei... -minhas palavras saíram quase em um sussurro.
Lentamente fomos em direção a sala, olhos nos olhos ,ainda assimilando o pequeno milagre ocorrido.
Ele sentou-se e eu permaneci diante dele. Meus olhos fecharam-se diante do acontecimento inexplicável, tentando encontrar uma explicação plausível para meu toque que ambos sentimos. Daniel ,apareça agora e me explique, supliquei dentro de mim mesma.
-Eu sei que você está triste pelo seu amigo, mas você entende a importância do que aconteceu agora, não é mesmo?...-Perguntei a ele ,tentando faze-lo raciocinar junto comigo.
-Isso não deveria ter acontecido não é, não poderia ter sentido o seu toque?
Apenas confirmei sua teoria com a cabeça. Aproxime-me mais dele, analisando seu olhar confuso.
Pride can stand
A thousand trials
The strong will never fall
But watching stars without you
My soul cried
Grieving heart is full of pain
All of the aching
-Feche os olhos... -Pedi a ele, aproximando-me e logo ajoelhando-me em sua frente.
Ele fez menção de falar alguma coisa, mas logo se calou atendendo ao meu pedido.
Lentamente aproximei meu rosto do dele, realizando o desejo que tinha, desde o momento em que percebi que o comportamento afetado que ele tinha não passava de uma faixada, que apesar de tudo era um homem como outro qualquer. Fechei os olhos com uma pequena prece para que acontecesse o que eu esperava. Segui a aproximando meu rosto do dele até que houvesse o encontro dos nossos lábios.
Não sei como e nem o porquê, se era uma dadiva ou um castigo, mas meus lábios sentiram os lábios dele. Uma emoção confusa tomou conta de mim, não podia me permitir sentir felicidade com aquilo, mas eu sentia, ao mesmo tempo sentia dor, nada físico, mas era dor.
'Cause I'm kissing you, oh
I'm kissing you, Love
-Eu estou beijando você... -O sussurro saiu de seus lábios no momento em que nossos lábios se separaram.
Touch me deep
Pure and true
Gift to me forever
'Cause I'm kissing you, oh
I'm kissing you, Love
-Não... Eu estou beijando você... –Falei a ele no mesmo tom de voz, quase não acreditando no pequeno feito.
Where are you now?
Where are you now?
'Cause I'm kissing you
I'm kissing you
Então, como se aquilo fosse uma necessidade, sua mão tentou encontrar meu rosto, mas vagou pelo ar novamente. Não era mais possível que seu toque chegasse a mim.
Vi os olhos de Bill marejarem enquanto meneava a cabeça e se afastava de mim.
-Não é justo... -Disse ele, a dor em sua voz provocando-me tristeza.
-Eu sei... –Me levantava sentindo-me completamente derrotada novamente,indo até ele olhava pela janela, escondendo seu rosto de mim.
O fim da tarde se aproximava. O dia foi voltado para tentativas de repetir o nosso momento. Tudo em vão, eu tentava toca-lo e ele a mim, mas nada, como se nunca tivesse sido possível.
Bill deitou-se na grande cama de seu quarto eu junto a ele. Nossos olhos eram desanimados um no rosto do outro.
-Eu queria que tudo tivesse sido diferente. Gostaria de tê-la conhecido antes...-Disse ele, novamente com a expressão de agonia.
-Eu também... -Minha mão ergueu-se indo ao encontro dele, mas eu a impedi. Tentar toca-lo novamente em vão, seria outra vez provocar-me mais dor... -Mas como não foi assim,eu quero partir logo.
Senti que minhas palavras eram duras, mas necessárias. Não podia alimentar nada em mim, muito menos nele.E ele também sabia disso.
Notas finais
Bijos
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