Enquanto Você Dormia
3 Prove-me
Notas iniciais
Ali estava ele , alto e lindo bem na minha frente. Ainda parecia assimilar minha pergunta, com um enorme ponto de interrogação no olhar. Não era de se admirar... Qualquer um estranharia minhas atitudes, nem mesmo eu me reconhecia.
Tentei ter mais naturalidade desta vez.
-Gostaria de conversar um pouco?...-Era isso ou partir para o desespero.
O semblante dele aos poucos foi desfazendo a carranca que fazia. Por ultimo revelou um sorriso cheio de dentes, um dos mais bonitos que eu já havia visto na vida... O mais bonito, agora que eu estava morta. Olhou-me dos pés a cabeça, demorando-se um pouco mais do que o normal no busto, o sorriso simpático virando malicioso.
“Que safado!” pensei comigo mesma enquanto ele sentava novamente. Não era necessário, mas sentei também. Havia conseguido que ele ficasse afinal, mas e agora? O que eu poderia falar para aquele estranho que justificasse minha insistência?
“Oi meu nome é Alex, eu morri e aparentemente você é o único que me escuta, ou vê por aqui...” ,com certeza isso seria o suficiente para que me virasse as costas e fosse embora ou risse até não poder mais.
Para minha alegria não foi necessário que eu me preocupasse em iniciar uma conversa, ele fez isso por mim.
-Sobre o que exatamente gostaria de conversar?...-A forma como ele me olhava me dava a entender que ele tinha alguma coisa em mente... Que sacana!
Ele era muito bonito, era um fato... Mas o que o levava a pensar que eu estaria querendo alguma coisa com ele?
Estava na hora de eu começar a desembuchar alguma coisa...
-Meu nome é Alexia...Alex como as pessoas costumam me chamar...-Nunca havia sentido tanto receio, minhas palavras saiam pausadamente de minha boca.
-Bill kaulitz? Ah meu Deus pode me dar um autógrafo?
A vozinha histérica de uma garota chamou a atenção do cara.
-Claro !...-Disse ele mostrando-se extremamente simpático para a moça.
Apenas observei a cena... Bill Kaulitz...O nome não me era estranho, trabalhando como jornalista se ouve falar em muitos nomes ,mas não tinha uma memória clara sobre o dele.
E essa agora... Enquanto o via pegando papel e caneta da mão da menina me ocorreu um pensamento, se ele me via e ouvia poderia sentir-me também? Como seria se ele quisesse apertar minha mão ao me dizer seu nome, por exemplo?
Enquanto ele estava distraído escrevendo o que a garota pedia no papel, levei meu dedo cuidadosamente em direção de sua perna, perto demais da minha. Não sentia nenhum calor emanando dela, como seria natural devido a proximidade. Levei o dedo, encostando de leve na perna para não chamar a sua atenção... O dedo passou direto por ele, como havia acontecido o dia inteiro com todos que eu encontrava. Aperto de mão não vai rolar, pensei comigo mesma.
Enquanto fazia minha pequena experiência, fui surpreendida por seu olhar pegando-me em flagrante.
Entrelacei fortemente minhas mãos sobre a perna cruzada dando um sorriso sem graça enquanto ele me olhava confuso. A menina havia saído de perto de nós e eu nem havia me dado por conta. Deveria ter mais cuidado.
-Desculpa por isso... -Ele falou apontando para trás, na direção em que provavelmente a sua fã teria ido... -Está tudo bem com você?
-Sim... -Balanceia cabeça fingindo não entender a pergunta... -Porque ela quis seu autógrafo?
Ele me olhou de uma forma como se eu o tivesse insultado, depois me deu uma resposta presunçosa.
-Eu sou Bill Kaulitz... -Pude quase sentir desdém enquanto ele falava. Quanta arrogância.
Continuei olhando para ele enquanto esperava um complemento para o nome... Nada. Era como se somente o fato dele ter falado seu nome, quisesse dizer alguma coisa. A forma como ele falava fazia lembrar a mim mesma, levava sempre para o lado pessoal quando minhas grandes reportagens não eram associadas a mim, como se ninguém mais tivesse potencial o suficiente para escreve-las além de mim. Patético.
O jeito era apenas concordar.
-Nossa quase não o reconheci... -espero que minha capacidade de dissimular não tenha morrido junto a mim.
Agora ele parecia mais relaxado, como se eu tivesse me redimindo por não reconhece-lo.Novamente patético.. .Se ele soubesse, como agora eu sabia, que fama ou prestigio não contam em nada na hora h...
Tentei me concentrar nele novamente, lamúrias e ressentimentos não ajudariam em nada, não agora. O melhor que podia fazer por mim mesma era tratar de seguir em frente como disse Daniel... De repente a nossa conversa se fez presente em minha mente. “Encontre então...” dissera ele.
As palavras de Daniel tornaram-se um foco a ser seguido. O tal Bill era o único a notar minha presença, de uma forma ou de outra aquilo significava alguma coisa. Se ele tinha algo a ver com minhas pendências na terra eu saberia... Eu sabia. Não sei como, muito menos o porquê, mas era ele.
Vê-lo como o passaporte para algo melhor me vez criar coragem. Se ajudar Bill Kaulitz, embora eu não tivesse a mínima ideia de como nem em que, significasse libertar-me de vez, então seria feito.
Falaria a verdade, de certa forma eu tinha a impressão que mesmo que ele corresse dias sem parar, eu iria com ele.
-Para onde você ia Alex?...-Ele perguntou, tirando-me de meus devaineios, referindo-se ainda ao vôo que supostamente eu deveria ter pêgo.
-Para onde você ia?...-Nada melhor do que uma nova pergunta para desviar-se de uma que eu não sabia como dar a resposta.
Por um momento o rapaz presunçoso de alguns minutos atrás parecia ter desaparecido.Eu podia quase sentir que ele realmente lamentava pelo vôo perdido.
-Eu estava indo para a Alemanha...Ver minha família que mora lá. Mas me atrasei ,perdi o vôo e agora, sendo véspera de feriado não há nada que possa ser feito por mim...-Logo em seguida o ar magoado sumiu,revelando novamente o presunçoso.Era como se ele fizesse questão de ser desagradável e arrogante ,era como uma máscara .Seus olhos semicerraram-se ao voltar a falar...-Mas você não me disse ainda aonde ia...
Era agora? Coragem Alex, correr ou rir são as únicas coisas que ele poderá fazer.
-Na verdade Bill,eu iria aonde você fosse...-Vi seus olhos tornando-se confusos a medida que eu falava aquelas palavras...-Provavelmente eu o acompanharia.
O rosto de Bill Kaulitz era um misto medonho de sarcasmo e confusão. Irritante na verdade, a forma como o lábio estava levemente repuxado. Era como se eu estivesse falando uma coisa e ele entendendo outra.
-como assim?
-O que eu quero dizer Bill,é que eu estou neste aeroporto por sua causa...Estou aqui ,mas não estou exatamente, por você, porque...-Sentia que estava me atrapalhando com as palavras ,não tendo certeza se estava falando coisa com coisa, gesticulando de forma confusa e desordenada...-Eu estou morta Bill.
Aquele cara parecia uma estátua de cera na minha frente, nada de correr ou rir até não poder mais como eu havia pensado ,nada de nada por alguns minutos.
-Olhe se você alguma fã era só ter falado. Você tinha chances comigo, é muito bonita ,não precisa agir como maluca para chamar minha atenção, sua aparência já tinha feito isso.
Inacreditável... Teria apertado seu pescoço até esgana-lo naquele momento,se eu pudesse.Além de tudo era convencido.Eu estava boquiaberta de novo...o homem tinha o poder de fazer meu queixo cair e nem era no bom sentido.
-Não acredita em mim?...-Meu cenho estava franzido,zangado e arrogante ,tanto quanto ele...Eramos parecidos nisso.
-É obvio que não...-Cruzou os braços desafiadoramente ,olhando sempre para mim...-Não seja ridícula,você está bem na minha frente,o que pensa que eu sou?
Realmente estava bem a sua frente...Se eram provas que ele queria ele as teria.
Tão desafiadora como ele levantei-me vendo um pequeno grupo de pessoas aproximar-se de onde estávamos.
-Observe...-Disse a ele entredentes.
Parei exatamente no caminho em que aquelas pessoas passariam,ficando imóvel esperando que passassem por mim exatamente como havia acontecido o dia inteiro.uma a uma. Depois abri meus braços,tal qual um mágico que acabara de realizar uma grande façanha, somente para irritá-lo Agora eu tinha conseguido deixa-lo boquiaberto.
Fui novamente até a cadeira onde ele estava, inclinei-me vitoriosa olhando em seus olhos.
-Sarisfeito?...-O meu olhar sem querer desceu para o movimento que sua boca fazia ao morder o lábio inferior.
-Não...
Só pode ser brincadeira, pensei comigo. Não o havia convencido na primeira tentativa. Outro ponto em comum,se fosse eu também não estaria convencida. Meus ombros caíram um pouco enquanto o via se levantar da cadeira sem tirar os olhos dos meus por nenhum segundo sequer.
Estendi minha mão a ele,sabendo o que ia acontecer.Agora ele me olhava desconfiado pensando se tocava nela ou não.
Bill Kaulitz ,tentou segurar minha mão,e como já era previsto,seus dedos encontraram sua própria palma sem tocar a minha.Naquele momento me ocorreu como seria seu toque e lamentei por não senti-lo.Balanceia a cabeça afastando o pensamento.
A mão dele encontrou a própria boca,os olhos arregalados olhavam para mim.Alguma surpresa nele afinal.
Minha atenção foi a um senhor de idade avançada logo ao lado de Bill.Ele observava a cena meneando a cabeça como se ainda não tivesse certeza se o jovem ali merececia pena por ser louco ou era apenas um drogado qualquer.Bill olhou na mesma direção encontrando o senhor que ainda o olhava.
-Ele acha que você é louco por estar falando sozinho deste jeito,afinal é o único que pode me ver...-Contei a ele minhas conclusões sobre o senhor que se afastava.
-Pode ler mentes também?...-Era estranho como ele aceitara minha diferença tão rápido.
-Não seja ridículo,a um minuto não acreditava em mim agora fala como se eu fosse uma charlatã.Ler mentes...-Balancei a cabeça como se não acreditasse que ele realmente tivesse dito aquilo...-É melhor você ir embora...-Disse por fim.
-E quanto a você...-Ele falava prontamente atendendo minha sugestão,enquanto eu o seguia como se fosse algemada a ele.
-Não se preocupe,eu irei com você.
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