Notas iniciais
Meninas o que está acontecendo???
CadÊ meus reviews?
Tô chocada!
Mesmo assim...Aqui está outro.
Enjoy

Outro dia nasceu para nós, as lembranças amargas do anterior, eram visíveis no semblante de Bill.

Simplesmente eu não tinha vontade de falar nada, ou ouvir coisa alguma. Queria sumir dali, pura e simplesmente, queria esquecer-me de tudo, que o beijei, que estive ali, queria esquecer de sua voz doce pronunciando meu nome. Queria simplesmente que minha alma estivesse morta como o meu corpo para não sentir mais dor.

A minha presença parecia sufocar Bill naquela manhã, assim que eu apareci ele tentou de todas as formas apreciar os outros cômodos da casa, e eu entendia o por que. Na noite anterior deixei claro para ele que queria partir, por razões obvias, e o magoei com meu desejo.

-Vou tomar um banho... -Disse ele quase no mesmo instante em que pisou na sala, voltando em direção do seu quarto.

Apenas o observava em suas tentativas de não dividir o mesmo ambiente comigo. Levei minhas mãos às têmporas embora não sentisse nada, como fazia em vida diante dos conflitos que surgiam. Fechei meus olhos tentando ordenar os pensamentos.

Quando voltei a abri-los um alivio passou por mim, Daniel estava ali, diante de mim, com o sorriso que somente os anjos deveriam ter. Suspirei para a figura, aproximando-me um pouco.

-Para um orientador, você aparece muito pouco... -Falei a ele tentando salvar algum humor em mim.

-Não se preocupe, estou de olho em você... -Disse ele mostrando-me o melhor sorriso que tinha.

-Por favor, me leve com você agora, não sei o que pretendiam, mas conhece-lo não me fez bem... -Disse a ele, certa de que ele sabia sobre quem eu me referia.

-Tem certeza?... -Posso ouvir seu pensamento gritando daqui, e eu diria que não é bem assim.

Ele havia cutucado uma ferida que acabara de ser aberta em mim, se ele sabia se conhecia meus sentimentos por Bill como poderia duvidar do que eu dizia?

Como poderia achar que não era extremamente ruim que duas pessoas, ou pelo menos ele, sofressem por não poderem estar juntas?

-O que quer de mim?...-Eu já morri, não deveria estar sentindo mais nada! Do que me adianta agora admitir que eu o amo se simplesmente não pode ser?...-Podia quase sentir raiva em meu tom de voz, mais ainda quando percebia o sorriso perfeito se alargando diante de minhas palavras.

-Então você o ama?...-Perguntou ele... -Não tem como o amor ser uma coisa ruim.

Que ódio! já estava arrependida por desejar a presença de Daniel. Eram apenas palavras sem sentido algum que vinham dele, exatamente como no inicio, quando o conheci.

-Que diferença faz? Eu já morri mesmo... -Respondi querendo finalizar aquilo o mais rápido possível

Daniel deu mais alguns passos encurtando a distancia entre nós.

-Minha querida... -Começou ele ternamente... -Quando vai parar de enxergar somente aquilo que quer ver? Quando vai desistir de ser a dona da verdade?...-Mais uma vez não dizia nada que pudesse esclarecer alguma coisa, então eu simplesmente ouviria sem dizer uma palavra... -Me diga exatamente, refresque minha memória Alex, fale sobre o momento que eu disse que você estava morta.

Detrás de mim vinha o som de Bill se aproximando chamando-me a atenção. Os cabelos pareciam úmidos, pelo menos não metia para afastar-se de mim. Ele usava uma camiseta e calça totalmente pretas. Olhei novamente para frente procurando por Daniel que mais uma vez havia sumido.

Bill novamente se direcionava para outra parte da casa. Foi até a cozinha voltando com um copo na mão. Parecia que estávamos regredindo novamente, no copo parecia haver bebida alcoólica.

-Sério? Vai começar a beber de novo?...-Perguntei com escárnio vendo sorver a bebida.

Em um impulso de pura raiva ele atirou o copo no chão partindo-o em cacos espalhando o restante da bebida pelo carpete.

-E o que você quer que eu faça? Porque não pode simplesmente sumir se eu não posso tê-la?...-O ódio em seu rosto teria feito eu me encolher em mim ,mas o que ele poderia fazer afinal?

-Você acha que está sendo bom para mim?...-Gritei para ele também... -Se eu pudesse já teria sumido com certeza.

-Então apenas vá... –Retrucou ele.

Dei alguns passos em sua direção, torceria seu pescoço se pudesse.

-Olha aqui... -Comecei tão alterada quanto ele, mas fui interrompida...- Ai...-Levei minha mão ao braço, sentindo uma pequena fisgada exatamente no lugar onde normalmente se aplicaria alguma injeção.

Bill sequer percebeu que eu havia reclamado de, possível dor, resmungou mais alguma coisa pegando um boné de uma mesinha e saindo porta a fora.

Um átimo e estávamos na calçada do edifício, ele andando descontroladamente em minha frente.

-Você sabe que sair pela rua não vai me afastar. Volta para casa e vamos conversar... -Eu falava um pouco mais alto, sentindo as pessoas atravessarem por mim, enquanto Bill estava a muitos passos em minha frente.

-Pode até ser... -Gritou ele ainda irritado... -Eu só estou precisando ver gente. Gente viva.

Aquilo doeu mais do que eu poderia imaginar. Não tinha outra opção, apenas acompanha-lo, então eu o faria silenciosamente.

Bill já não estava andando tão rápido na rua movimentada. De repente parou do nada levando a mão à testa.

-Me perdoa... -Ele tinha os olhos fechados... -Nunca deveria ter dito aquilo.

Podia sentir que estava mesmo arrependido pelas palavras.

-Não é uma mentira, então... -Minha voz se perdeu. Era melhor deixar o sentimentalismo de lado e pensar racionalmente.

Pensei no que Daniel havia me dito. Não havia lembrança por que simplesmente ele não havia dito. Simplesmente ele nunca disse com todas as letras que eu havia morrido. Estava temerosa com o rumo que minhas conclusões me levavam.

Olhei apavorada para Bill, querendo falar da visita que tive agora a pouco, quando mais uma pessoa passou por mim. Era algo natural, mas a mulher me chamou atenção. Passou por mim, desviando-se de Bill com o olhar preso na calçada. Era Natasha, minha irmã.

Meus olhos acompanhavam arregalados seus movimentos, enquanto se perdia na multidão a nossa frente.

-Bill, aquela era minha irmã... -Falei a ele que procurou com os olhos... -A moça de cabelos pretos que passou por nós agora, era minha irmã. Por favor, a siga.

Apesar de não entender o sentido do meu pedido, ele a seguiu com dificuldades no meu da multidão. O que ela estaria fazendo ali, porque não estava em Washington?

Andamos, Bill e eu seguindo seus passos até que ela entrou em um grande edifício .Ela entrou no hospital de L.A.

Olhei para Bill que havia parado ao vê-la entrar, suplicando com a voz.

-Por favor, continue seguindo... Pode ser alguma coisa com meus pais, eu preciso saber o que ela foi fazer no hospital. Por favor.

Eu mesma podia sentir a agonia em minha voz, pensando no que teria levado Natasha a L.A ,e principalmente a aquele hospital. Bill atendeu ao meu pedido e mais uma vez passou a seguir minha irmã, correndo para pegar o elevador junto com ela.

Não podia acreditar que estávamos os três juntos no mesmo local. Olhei para Bill que mordia de forma nervosa o próprio lábio e depois para ela. Natasha era apenas dois anos mais nova do que eu, era jovem e linda, mas as olheiras arroxeadas pesando em seu rosto dava a impressão de que estava mais velha e exausta. Eu estava ali parada diante dela sem que ao menos ela pudesse me ver.

Ela saiu do elevador quando ele abriu-se no andar solicitado, imediatamente exigi com os olhos que Bill saísse junto com ela. Ele pareceu decidir-se por um momento mas saiu antes que a porta se fechasse novamente.

Eu e ele ficamos parados vendo aonde minha irmã entraria. Ela movimentava-se pelo longo corredor com certa familiaridade, uma enfermeira chegou a cumprimentar- lhe chamando-a pelo nome. Natasha de longe tinha mais facilidade de fazer amizades do que eu.Então mais alguns passos e ele cruzou a grande porta de vidro onde dizia “Unidade de Tratamento Intensivo”.

Tirando a enfermeira que acabara de passar por nós, o lugar estava bem deserto, parecendo uma daquelas alas restritas de hospitais. Bill acompanhava minha irmã somente com os olhos agora.

-O que está esperando, vá até ela...-Ordenei sabendo que eu mesma só poderia segui-la se estivesse Bill o fizesse primeiro.

Bill irritantemente continuava a mordiscar o lábio inferior, já tinha ficado com ele tempo o suficiente para saber que o gesto significava que ele estava indeciso. Mas irritada do que nunca fiz gestos com as mãos indicando que seguisse o caminho que minha irmã fez. Ele revirou os olhos, olhou para os lados e ,depois de certificar-se que não havia mais ninguém ali ,cruzou também a porta de vidro. Estávamos então em outro corredor de menor tamanho, sendo que todos os quartos tinham amplas portas de vidro, o que facilmente nos permitiu avistar Natasha ,sentada em uma cadeira, ao lado de um leito.

Mais alguns passos e nos deparamos com ela e seu ente convalescido.

Parecia que eu estava em um daqueles filmes de terror sobrenatural. Um choque passou por mim assim que pousei meus olhos no leito, aflita por quem pudesse ser ,e dei de cara com meu próprio rosto mal tratado pelo acidente. Meu queixo pendeu para baixo diante daquilo... Eu estava vendo a mim mesma, inerte com tubos que passavam pelo nariz e pela boca, em uma roupa típica de hospital, sem qualquer movimento ou expressão. Se não fosse o bipe de tantos aparelhos, que monitoravam a vida em mim poderia jurar estar me vendo morta. Fortes hematomas pelos braços e rosto, já se amarelando pelo tempo, diziam que havia acontecido comigo fora algo muito grave.

Do outro lado da cama estava Daniel, sorrindo mais do que nunca diante da minha descoberta.

-Eu falei que estava de olho em você... -Disse ele olhando-me nos olhos, com a mão pousada sobre a minha no leito em atitude protetora.

Olhei para Bill que tinha o punho fechado entre os dentes e os olhos fixos na mulher do leito, no corpo que era meu. Não sei se ele não podia ver Daniel, ou se o choque de ver-me ali o impedia de reparar no resto. Quando minha irmão notou a presença de Bill, olhou para ele de forma desconfiada. Eu a conhecia estava com o ar super-protetor no rosto.

-Pois não?...-Perguntou a Bill com os olhos semicerrados, avaliando o homem em sua frente...-Deveria estar aqui? Está procurando por alguém.

-Minta!...-Disse a ele, precisando continuar ali ,minha alma diante do meu corpo...-Se não mentir ela o expulsará!

Natasha parecia querer levantar-se, estranhando o homem perplexo em sua frente. Meus olhos se arregalaram para ele pedindo que dissesse alguma coisa, antes que Natasha chamasse alguém.

-Eu vim ver Alexia... -Balbuciou ele mentindo mal, fazendo com que o olhar de Natasha se estreitasse mais ainda... -Sou o namorado dela.

Minha irmã não desistiria fácil, ela sempre tentava ter certeza de tudo, provavelmente o homem diante dela, com barba por fazer e roupas escuras, bem poderia ser um lunático qualquer.

-Se é namorado dela como não nos vimos antes? Ela está aqui a quase um mês...-Perguntou ela tentando ter certeza de que ele era quem dizia ser.

Bill olhou para mim tentando alguma ajuda. Desviei meu olhar do dele procurando por Daniel que parecia estar se divertindo diante daquilo tudo.

-Eu estava fora do país, fiquei sabendo a pouco...-Ele olhou novamente para mim que acenava agradecida por ele estar mentindo melhor agora...-Na verdade estávamos brigados quando viajei.

Minha irmã parecia estar aceitando melhor as palavras dele saindo da posição defensiva, o vendo dar alguns passos que o encostavam na cama hospitalar.

-È típico dela mesmo, não nos avisar que tinha um namorado. Se eu soubesse teria avisado você antes.

O comentário de minha irmã fez subir uma acidez em meu peito. Realmente eu não compartilhava muito de minha vida com eles, se Bill fosse realmente meu namorado, era mais provável que eu não tivesse informado a minha família mesmo. Fiz a volta no leito parando ao lado de Daniel ,de frente para Bill e minha irmã.

-Como ela está?...-Perguntou ele, olhando novamente para a paciente na cama e menos para mim.

Pude sentir a dor na voz de minha irmã ao falar.

-Os médicos disseram que não devemos ter esperanças, que o mais provável é que nunca acorde. Gostaríamos de tê-la transferido para Washington, mas talvez ela não aguentasse então eu vim ficar com ela e meus pais vêm uma vez por semana. É muito doloroso para eles.

Mais uma vez as palavras de minha irmã causaram-me torpor. Ela estava li por mim, havia largado sua vida para estar ao meu lado. Senti vergonha de mim mesma ao pensar se teria feito o mesmo... Seria melhor para todos mesmo se um ser tão mesquinho como eu jamais acordasse.

-Como?...-Perguntei a Daniel, vendo o rosto de Bill voltar-se para mim confuso.

-Ele não me vê... -Disse Daniel sobre Bill... -Eu sou seu orientador e você é a dele.

-Não estou falando de Bill, estou falando disso... -Apontei para mim mesma no leito.

-Em nenhum momento eu disse que estava morta Alex...

-Mas permitiu que eu acreditasse que sim!

-Você precisava descobrir... -Aquele tom de voz tranquilo que ele tinha não mudava nem quando o meu era tão exasperado.

Neste momento uma enfermeira pediu licença entrando no quarto com uma bandeja prateada. Trocou o que parecia ser soro e fincou uma minúscula agulha niquelada na parte mais sensível do meu braço imóvel, exatamente onde eu senti um fisgar no inicio da manhã. Levei a mão ao meu próprio braço embora não sentisse nada daquela vez.

-Foi por isso que pude beija-lo, falei a Daniel e não a Bill que ainda olhava confuso, vendo-me eu me dirigir a uma pessoa que ele não via.

-São momentos de oscilações Alex...Quando você pode tocá-lo está mais perto do mundo dele, dos vivos. Quando não consegue se aproxima do meu...Neste momento você esta em conflito consigo mesma querida, sem saber se fica ou parte de uma vez.

Parte das palavras de Daniel faziam sentido e outras não.

-Você sabe que eu quero ficar, que quero estar com minha família... Que quero estar com Bill... -Disse a Daniel, baixando o olhar tendo consciência que Bill também me ouvia.

-Então terá que encontrar o caminho você mesma... -Falou Daniel voltando o olhar para meu corpo no leito.

-Agora a visita terá que ir... -Ordenou a enfermeira pronunciando-se pela primeira vez em direção a Bill.

-Sim, claro. Eu voltarei Natasha... -Disse ele a minha irmã.

-Como sabe meu nome?...-Perguntou ela estranhando.

Olhei para ele censurando-o, teria que ser cuidadoso ou falaria demais.

-Ela me falou sobre a família... Ela os ama, eu sei disso... -Falou ele deixando minha irmã para trás fitando meu rosto no leito, saindo do quarto e levando-me com ele.

De volta à casa de Bill, meus sentimentos eram um misto conturbado de vários sentimentos.

Sentei-me desconsolada no sofá, vendo Bill ajoelhar-se em minha frente.

-Viu aquilo meu amor... Você não está morta, foi um engano... -Disse ele entusiasmado, tirando o boné. Eu queria estar tão animada quanto ele, mas o que Daniel me disse não abandonava meu pensamento. Do que mais eu precisaria, além de minha vontade de viver, para voltar? Como eu encontraria a forma de viver novamente?

-Você ouviu o que minha irmã disse... Os médicos não tem esperança... -Disse a ele tentando dar-lhe mais uma dose de realidade. Bill Kaulitz era mais otimista do que eu tinha sido durante minha vida inteira.

-Com quem você falava no hospital? Eu sabia que não era comigo mas não via mais ninguém...-Perguntou ele ainda sem desajoelhar diante de mim.

-Era Daniel, já te falei sobre ele... -Respondi dando de ombros, sem animo algum.

-E o que ele disse?...-Quis saber Bill com a mesma excitação na voz.

Refleti por um momento pensando nas palavras.

-Basicamente, ele disse que eu tenho que encontrar o caminho de volta...Se eu quiser viver.

Os olhos de Bill pareciam brilhar mais ainda diante de minhas palavras.

-Então está resolvido, você me quer não é verdade, eu ouvi você no hospital... -Os olhos dele pararam sobre os meus lembrando minhas palavras. Não podia negar mais, desisti de tentar ser racional diante dele.

-Eu quero... Não sei como e porque tão rápido, mas... -Abaixei meu olhar pensando nas palavras que estava prestes a dizer... -Eu amo você... Eu te amo Bill e quero que isto baste para me trazer de volta.

Ví os olhos do moreno diante de mim brilharem mais ainda diante de minha confissão.

-Eu também te amo Alex...E isso vai bastar para que fique, eu tenho certeza ,só temos que esperar que você acorde.

Deixei que as palavras dele ecoassem em minha cabeça dando-me a metade da fé que meu amor tinha nelas.

Se ama-lo era meu elo de ligação com Bill e o mundo dele, breve saberíamos.

Notas finais
Vocês sabem o que fazer...