Enemies of Space - A Invasão
2 Interestelar
Dois dias antes...
– Nossa Gabriel! Como você é idiota! Não acredito que ainda fica ligando para as implicâncias dela!
Ele usou toda a sua raiva para se manifestar naquelas simples palavras. Erik queria deixar bem claro o quanto estava revoltado com aquela situação em que Gabriel estava metido.
Erik tinha 19 anos, usava óculos estilo Peter Parker e era um garoto muito inteligente apesar de não achar isso. Ao lado de Gabriel, que tinha 21, ele não passava de um nerd magrelo apenas com um pouco de estilo. Bom, ele não era tão magrelo assim, mas o fato era que Gabriel parecia a junção de três Eriks ao mesmo tempo. Seus braços eram a prova física dos resultados da academia. Ele tinha a feição fechada que lhe dava o ar de estar sempre de mau humor e uma enorme tatuagem de leão em forma de brasão medieval adornava desde o ombro até o tríceps. Resumidamente ele parecia um lutador de boxe, mesmo negando que alguns anos antes ele era tão magro e estranho quanto Erik. Por vezes ele tendia a ter momentos afeminados em suas ações, mas era claramente uma brincadeira de mau gosto apenas para constratar com sua aparência furiosa. Essa personalidade dele era o que o tornava uma pessoa simpática, diferente do que sua aparência transmitia.
Ele e Erik tinham conseguido se encontrar na estação de trem da Luz e durante toda a viagem desde Itaquera até lá eles ficaram discutindo coisas do dia-a-dia. Gabriel aproveitava para desabafar seus momentos depressivos com a única pessoa que parecia entendê-lo no mundo, mesmo com a ignorância que só Erik sabia ter.
– Ah Erik! Parece que ela faz de propósito... — ele tentou se defender, mas Erik o cortou.
– Mas é claro que ela faz de propósito! – Erik disse como se fosse a coisa mais óbvia no mundo inteiro. — Acho que todas as mulheres são assim, mas uma coisa que eu tenho certeza é que elas são loucas, principalmente essa. Você sabe que eu não vou nem um pouco com a cara dela.
– Pois é cara, é foda. – Gabriel deu de ombros.
A verdade era que, por dentro, ele acreditava que um dia pudesse compreender a o que acontecia na mente da mulher que ele tanto gostava. Mesmo sabendo que ela não era um bom futuro para ele. Mesmo sabendo da infinita lista de coisas ruins que diziam sobre ela.
– Ah e por falar nisso, a Nádia veio falar comigo hoje, e eu a ignorei. – Erik disse com ar esnobe. Ele adorava ignorar as pessoas quando estava com raiva delas, pois sempre acreditava que estava com a razão. Na maioria estava mesmo, mas naquele caso em especial, não. Ele não ignorava os amigos porque gostava de fazer isso. A verdade era que ele se sentia excluído mesmo com uma quantidade quase infinita de amigos no facebook e na vida fora das redes sociais. Não importava o quando dissessem que todos os amigos que ele tinha se preocupavam com ele ou que ele deveria ter uma boa autoestima para aquilo mudar. Nada importava, porque seja o que fosse que dissessem á ele, ele se recusava a colocar aquilo na cabeça. Gabriel compreendia em parte o pensamento do amigo.
Em parte.
– Aff Erik, quando é que você vai parar com isso? – ele perguntou. Estava óbvio pelo seu tom de voz que não era a primeira vez que falavam sobre aquilo. Gabriel era um dos amigos que tentava colocar algo de positivo na mente do garoto, mas sem sucesso. Erik era cabeça dura e seria difícil fazê-lo mudar de ideia tão facilmente.
– Claro! – Erik começou a se alterar e chamar a atenção dos pedestres. — Ela excluiu o facebook por causa daquele outro lá, me ignora e depois quer falar comigo? Ah, não tenho paciência não. – Ele ficava irritado principalmente por ninguém entender a forma como ele via as coisas.
– Falo mais nada. – Gabriel desistiu por fim.
Eles contornaram a esquina da Rua Três Rios.
– Não tem que falar mesmo não! – Erik retrucou. – Você vive com os seus problemas, eu te ajudo e você ainda continua fazendo merda.
– Ah, vai se foder! O mundo é cruel, e eu quero me matar com a faca do açougue. – Gabriel disse olhando fixamente para frente com olhar frio.
Erik olhou seriamente para o rosto de Gabriel enquanto andava e arqueou a sobrancelha. O rosto do rapaz estava inexpressivo.
– Sério isso? – perguntou ainda com uma sobrancelha levantada e outra normal, numa óbvia tentativa de transparecer descrença. Era uma expressão que ele conseguia fazer perfeitamente bem e se orgulhava de ter assistido desenhos na infância que o ajudava a fazer expressões como aquela.
– Não. – Gabriel disse.
Gabriel não se aguentou e começou a rir, sua mochila caindo pelo ombro musculoso. Erik deu uma tapa nele e se juntou as gargalhadas.
– Idiota. – Erik disse tentando disfarçar o riso e então, do nada, o assunto morreu.
Eles chegaram à entrada da loja que ficava na Rua Três Rios com a Rua Correia de Melo. Era sexta-feira, portanto as pessoas estavam fazendo coisas mais importantes do que ir ao supermercado para fazer compras, o que fazia do mercado um local vazio como uma mansão mal-assombrada.
– Oi Erikito! – Alzenir o cumprimentou do balcão de atendimento.
Alzenir era uma moça jovem e bonita de pele branca e cabelos castanhos escuros e lisos amarrados em um rabo-de-cavalo. Ela tinha uma pinta preta acima do canto da boca, o que lhe oferecia um charme em sua beleza única. Por ser fiscal, ela ficava monitorando os operadores de caixa e fazendo outras coisas mais.
– Oi Zê!! Tudo bem com você? – ele deu um abraço carinhoso nela. Havia perdido Gabriel de vista, mas isso não era problema já que eles viviam se encontrando por um corredor ou outro. Ele então apenas prosseguiu pelo corredor de massas em direção á parte interna.
Erik trabalhava tecnicamente como auxiliar administrativo, mas não se dava ao luxo de vestir camisa ou calça social assim como César, seu chefe. Ele dizia que, como ajudava em várias áreas ali dentro poderia sujar muito as roupas, mas a verdade era que ele não tinha muito dinheiro para comprar vestes desse tipo. Além de ajudava a mãe com o aluguel, também era responsável por comprar mantimentos e coisas do tipo. O resultado final era: pouca grana para gastar com coisas que considerava insignificante como roupa social.
Nunca teve pai. Sua família dizia que ele havia se mudado para Europa onde seus parentes viviam, mas Erik não sabia se deveria acreditar nessa história. Também nunca se importou em conhecer o pai, sua mãe era tudo para ele e enquanto tivesse ela nunca precisaria de alguém apenas para chamar de pai. Ela era seu pai e sua mãe ao mesmo tempo, e quem criou ele e o irmão sem a ajuda de ninguém. Portanto ele se contentava apenas com o uniforme azul com o emblema da empresa bordado no peito, sem nada de extravagância ou esbanjamento de elegância.
Ele chegou ao vestiário e trocou de roupa, pronto para mais um dia de trabalho, mas antes não iniciaria nem uma de suas tarefas sem tomar um bom café da manhã reforçado.
Foi até o refeitório e encontrou Juscelino e Telma sentados á mesa enquanto a cozinheira Dona Luiza já fazia os preparativos para o almoço. O cheiro preenchia o ar e alertava ao estômago de Erik que um pão não seria o suficiente para satisfazê-lo. Juscelino estava usando o mesmo uniforme que Erik com a pequena bandeira do Extra bordado na mesma altura do bolso. Seu penteado era bem semelhante ao dele.
A semelhança dos dois era tanta que, por vezes, quando um dos dois estava de costas era difícil decifrar quem era. Quando Erik estava sentado em frente ao computador examinando planilhas e toneladas de e-mails chegava alguém já dizendo: “Juscelino, eu acho que... Ué, não era o Juscelino?”. Já aconteceram varias situações desse tipo. Erik gostava bastante de Juscelino por ele ser um cara inteligente, engraçado e nunca se incomodava com zoações de Adeildo e companhia, então não se importava quando confundiam os dois. No fundo ele o considerava como um irmão mais velho seja por querer ser alguém como ele no futuro ou apenas por respeitá-lo de tal forma.
Á frente dele estava sentada Telma. Ela vestia o mesmo uniforme também, mas este era diferenciado, pois como ela trabalhava no setor de produtos perecíveis, seu uniforme era branco e dava a impressão de higiene e profissionalismo assim como o cargo exigia. Erik não podia dizer o mesmo do uniforme de Gabriel e, quase sempre, pensava nisso quando via alguém com uniformes limpos. Ela também usava uma touca branca para evitar que os fios de cabelos caíssem nos produtos enquanto servia os clientes no balcão.
– Bom dia maninho! Bom dia Telma! – Erik os saudou.
– Bom dia fofinhooo! – Telma disse encantadora.
– Eae maninho! – Juscelino disse com a boca cheia.
– Mano, o trem nunca esteve tão tranquilo assim. Parece que foi coisa do além sabe... – ele sentou deixando seu peso descansar na cadeira. Ele se serviu com um pão francês, mussarela e presunto e encheu um copo com café e leite. Um longo período de silencio se instaurou ali. Um silêncio agradável cortado apenas pelo barulho das panelas batendo por conta da Dona Luiza.
– Uhmm... – Telma fez um barulho com a garganta esperando engolir o pão para falar. – Agora que você falou sobre coisas do além, eu me lembrei de um filme que eu acho que você vai adorar. Eu estava assistindo com o meu filho ontem e, nossa! É espetacular.
– Que filme? – Erik se interessou. A maioria das pessoas sabia mais ou menos qual era o gosto de Erik para filmes. Sempre andava com um bom filme de ficção, terror ou aventura nos braços.
– Se chama Interestelar, é meio que ficção científica, acho. – ela explicou. – Um grupo de cientistas vai para o espaço e tudo mais, mas não vou te contar para não estragar o filme quando você assistir. Apenas digo que é muito bom e bem produzido.
– Nossa, que legal! Espera aí que vou anotar no celular para não esquecer.
Ele rapidamente digitou na tela do celular e o colocou de volta no bolso da calça.
– Assim que chegar em casa vou baixar ele e ver. Prometo!
Ele engoliu o restante do café em apenas um gole.
– Preciso descer gente, o dever me chama.
O dia estava sendo bem tranquilo com poucas mercadorias para receber e esse era apenas um dos muitos deveres que desempenhava.
Quanto Erik terminou suas tarefas, ele olhou para o relógio que marcava 11h45min. Seu estômago começara a transmitir os primeiros sinais de fome ás dez horas, portanto naquele momento os órgãos lutavam em sua barriga na tentativa de comer uns aos outros. Pelo menos foi isso que Erik pensou quando ouviu os barulhos monstruosos emitidos da sua barriga.
– Mas gente, já tá na hora de almoçar. – falou consigo mesmo.
Ele se levantou e foi até a sessão do açougue, que era onde Gabriel trabalhava. Esse era o único horário em que podiam conversar sem que ninguém os repreendesse, além disso, ele tinha a esperança de poder almoçar na companhia de um dos únicos amigos que tinha ali.
– Ei Biel, vai almoçar não? — ele perguntou com a cabeça do lado de dentro do açougue e o corpo do lado de fora.
– Dá não cara, o Jorge foi almoçar agora e não posso deixar o setor sem ninguém. – Gabriel respondeu com a expressão desanimada.
O almoço era o horário em que eles colocavam todas as noticias sobre os acontecimentos de suas vidas em dia. Alguns chamariam de Fofoqueiros de plantão, mas o que eles discutiam Erik não chamaria de fofoca. Ali era como na escola, um pequeno grupo de alunos se formava e seus laços de amizade se tornariam eternos até o ultimo dia de aula do ultimo ano na escola. Portanto, nada do que eles falavam e discutia saia do grupo á não ser que fosse assim determinado. E se saía era por conta da ansiedade, mas foram poucos os casos em que isso trouxe graves problemas.
Ele deu de ombros e subiu as escadas em direção ao refeitório. O cheiro do filé de merluza formava ondas de fumaça e o arrastava pelas narinas, fazendo seus pés flutuarem.
Ele chegou ao refeitório e lá estava o almoço. Pronto para ser consumido até o ultimo grão de arroz. O peixe implorava para ser digerido pelos funcionários famintos e exaustos.
Quando estendeu a mão para pegar um prato, ele ouviu uma voz atrás dele.
– OOOOOOOIIII MEU KIRIUDO! TUDO BOM?
Ele não precisou se virar para identificar de quem era a voz cômica. Á tempos ele não precisava disso, pois essa brincadeira de emitir o “oi” mais longo possível fora deles dois. E isso incluía ela, claro. Lilith Conceição.
– TUDO BOM MINHA KIRIDA? – Erik largara o prato na beirada da pia e foi com os braços estendidos dar um forte abraço em sua amiga.
De todos ali na loja ele se identificara muito com Lilith e Gabriel desde o começo, não só por conta da idade, mas também por conta da personalidade semelhante. Eles eram bobos, inteligentes e legais de uma maneira que não dava para explicar. Desde quando ele acabara os estudos se sentira sozinho, sem amigos, sem coisas interessantes para faze á não ser trabalhar fazendo as mesmas coisas monótonas de sempre. Mas com Gabriel e Lilith tudo mudara. Com eles Erik se sentia novamente na escola, com amigos de verdade. Com quem pudesse sempre conversar sem perder assunto ou ficar fingindo algo que não era, e uma das coisas que mais gostava deles além de sua amizade era a sinceridade deles. Além disso, os dois eram os únicos que não zombavam dele por ser muito “feliz da vida”... Abobalhado seria um termo melhor. Acabaram, portanto, criando um laço forte de amizade imperturbável. Incapaz de ser quebrado por qualquer coisa existente na face da terra.
Após o longo abraço que foi seguido de pulos entusiásticos, eles se separaram e caíram na risada. Enquanto isso todos á volta olhavam e balançavam as cabeças murmurando algo como “bando de loucos...”.
Lilith tinha a mesma altura que Erik e quase o mesmo tom de pele. Suas feições eram de uma garota estadunidense e ela usava um aparelho nos dentes desde que ele a conhecera. Apesar de ser um pouco doida, como a maioria das pessoas ali no mercado dizia, ela aparentava ser uma garota calma e delicada até, com suas unhas bem feitas e tatuagens fofas de borboletas espalhadas pelo corpo.
– Querido, você não vai acreditar! – Lilith falou dando lugar á uma expressão de raiva e revolta.
– Aih Lilith, o que você fez dessa vez? – ele perguntou quase dando risada antecipadamente. Ele pegou o prato e Lilith fez o mesmo e enquanto iam colocando a comida especialmente selecionada ela continuou falando.
– É que assim, eu queria comprar uma coisa de presente para o pai do Markinhos, porque ele faz aniversário na semana que vem né...
Erik acenou com a cabeça de forma positiva.
– Aí... – ela prosseguiu. – Eu entrei no site do Mercado Livre e comprei uma bermuda mó bonitinha que eu tinha visto. Tinha lá uma foto de um menino usando e tudo mais igual em loja... Até aí tudo bem. Achei que era um site super confiável então eu comprei lá mesmo. Foi cento e vinte reais acho...
Erik já não se aguentava de rir. Só com as gírias que ela usava e o modo que ela explicava com gesticulações de mãos e expressões bizarras e cômicas eram o suficientes para tornar a situação engraçada.
– Menino... – ela parou com a colher cheia de arroz á meio-caminho do prato. – A bermuda chegou ontem e você não vai acreditar no que eu vou falar.
– Ai meu Deus. – Erik disse tentando se preparar para o que viria a seguir.
– Ela chegou dentro de um plástico vagabundo, a bermuda estava fedida e cheia de bolinhas, sabe quando a roupa está usada? Então, estava desse jeito. Mandei um e-mail falando um monte para eles.
Nesse momento lágrimas desciam pelo rosto de Erik como cascata enquanto ele não se aguentava de rir com as mãos na barriga, quase sem fôlego.
– Só você para comprar coisas em sites como o Mercado Livre Lilith. – Erik disse após parar de rir.
– Pois é né benhê, eu não sabia. Mas da próxima vez nem compro lá. – Lilith disse chateada levando o prato cheio para a mesa.
Eles almoçaram calmamente em meio a risadas e conversas paralelas. Quando, por fim, Erik sentiu que sua barriga já estava farta ele se dirigiu á sala de descanso com Lilith. Era uma pequena área com alguns metros quadrados. Uma televisão na parede do fundo e vários Puffs espalhados pelo cômodo preenchiam grande parte do espaço reservado para descansar nas horas vagas. Lá estava Juscelino, que acabara de chegar, Gabriel, Ailton (mais um nerd), Márcio (Um homem de meia idade que trabalhava na padaria do supermercado.), Markinhus, que estava de pé porque acabara de chegar e Claudio, o chefe dele.
– Mas gente, todo mundo decidiu se reunir aqui agora é? – Erik falou querendo quebrar o silencio cortante dentro da sala.
– Cala a boca Erik, presta atenção. – Markinhus censurou-o sem tirar os olhos da Televisão.
Ele então, sem nenhum argumento se calou e olhou para a TV também. Estava passando algum programa televisivo de informações, provavelmente SPTV, e na tela uma pequena faixa na área de baixo dizia “NASA confirma entrada de seres desconhecidos no sistema solar.”.
Aquele titulo chamou a atenção de Erik. Uma apresentadora do jornal com batom vermelho e cabelos pretos na altura do ombro falava sobre alguma coisa que a manchete resumira e em seguida sua imagem sumiu dando lugar á uma filmagem via satélite de alguns astros (Erik contou no mínimo vinte) que caiam como cometas, brilhantes no céu escuro da imensidão do universo. A imagem voltou para a apresentadora e ela disse em uma voz monótona que “... alguns cálculos, realizados por estudiosos do assunto, diziam que a rota de colisão daqueles astros seria a Terra e que, em menos de alguns dias seria possível ver o fenômeno á olho nu.”.
– Cremdeuspai! – Alzenir disse. – Imagina se esses troços caem aqui!
– Ah gente, isso nem deve acontecer. Aqueles cometas devem se desintegrar assim que tocar a superfície da Terra. – Erik falou querendo demonstrar inteligência.
– Mas seria tenso véi. – Markinhos tomou a palavra. – Já pensou os alienígenas vindo aqui para matar a gente ou levar a gente embora?
– Só se for pra levar o Erik embora, porque ninguém suporta esse moleque. – Claudio disse olhando torto para Erik.
– HAHA, muito engraçado Claudio. – Erik lançou um olhar mortífero para Claudio que preferiu sair andando sem deixar palavras.
– Viiixee mano! Cê é loooouco! – Ailton exclamou. – Ia ser tipo aqueles filmes de invasão.
– Você é retardado moleque, a gente num ia nem sobreviver para contar história. – Gabriel disse. – Mas eu não acredito não, pelo menos o Erik disse alguma coisa que preste na vida. É bem possível que se desintegre quando tocar na superfície do planeta e pronto.
– É, mas que seria legal seria. – Erik disse mudando de opinião com olhar sonhador para algum lugar além do teto.
– Olha só as ideias dos caras. – Marcio disse balançando a cabeça de forma negativa. – Tudo doidão. Devem ter cheirado uma, só pode. – ele se levantou e se retirou da sala.
Lilith era só risos, enquanto Erik tentava imitar uma cena do filme E.T. onde os dedos do Alien e do garoto se conectavam. Só que Erik fazia isso na orelha de Markinhus que não tinha tirado a atenção da TV, agora mostrando os resultados do ultimo jogo de futebol.
– Bom, agora eu fiquei realmente empolgado para ver aquele filme interestelar. – Erik disse para Lilith parando de brincar depois que Markinhos deu uma bronca nele.
O assunto sobre aliens ou seres de outro planeta durou o dia inteiro. Aquilo não sairia tão fácil da mente de todos aqueles que viram o noticiário, afinal, não era sempre que uma noticia de que umas estrelas cadentes teriam o seu planeta Natal como destino final. Apesar da descrença da maioria, alguns diziam firmemente que o fim dos tempos estava chegando, mas na realidade a situação não era nada tão chamativa ou algo que causasse pânico nas pessoas. Era apenas uma reportagem. Se fosse algo realmente serio alguém já teria dito algo ou tomaria as providencias necessárias antecipadamente para que nada de ruim acontecesse á humanidade.
Porém, Erik estava empolgado com a notícia. No fundo ele sabia que nada aconteceria. Nada acontecera durante anos, porque haveria de acontecer logo agora? Mas apesar de ter essa reflexão interna, ele, por fora, queria acreditar que existia vida fora do Planeta. Sim, ele tinha dezenove anos de idade, mas nunca é tarde para sonhar. Escritores vivem sonhando com seus próprios mundos criados em suas mentes, mesmo com a idade já avançada. Porque um jovem garoto não podia sonhar com um mundo onde heróis realmente existissem ou ainda em alienígenas?
Quando chegou em casa, ligou o notebook e colocou “play” no filme que estava tão ansioso para assistir, após esperar longos vinte minutos para baixa-lo da internet. E mergulhou naquele filme com mais de duas horas e meia de duração.
Se apaixonou pelo final, se apaixonou pelos efeitos especiais e se apaixonou muito mais pela história contada.
Após isso ele dormiu. E quando estava no quinto estágio do sonhar ele entrou em algum tipo de premonição. Estava em algum lugar no futuro sem nem ao menos saber. E algo estava diferente, porque ele não sonhava com algo normal naquele momento.
Ele sonhava com a chegada do fim do mundo.
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