Enemies of Space - A Invasão
3 Visitantes de Outro Mundo
Era final de semana. Não sabia dizer que dia ao certo, mas ele sentia pelo ar diferente que era fim de semana.
Estava tudo tranquilo e tudo bonito da forma que deveria ser. Sua escrivaninha com o notebook em cima, sua estante abarrotada de livros. A TV ligada com algum programa da Netflix passando. Tudo normal.
Até que Erik olhou para a janela e viu um enorme vulto ardendo em chamas, caindo na diagonal. A princípio pensou que se tratava de um avião caindo e não se preocupou (não que aquilo fosse normal). Mas quando reparou melhor percebeu que se tratava de uma nave futurística. Não era cilíndrica nem nada do gênero como é normal vermos em filmes clichês, mas era algo totalmente diferente. Os detalhes aparentavam terem sido feitos á mão, completamente repleto de pequenas ferramentas, engrenagens e até mesmo marcas profundas no ferro. As luzes que brilhavam em determinadas partes da nave eram de neon. Tão fortes e chamativas quanto a própria aeronave. Estava caindo levemente.
Ele aguardou.
Esperava ouvir algum som de explosão ou gritos ali pelo bairro, mas não houve nada além de silencio. Um silêncio opressivo. E então do céu, enormes garras do tamanho de um quarteirão inteiro desceram e fincaram-se no chão. A visão de Erik era a de um boneco dentro de uma máquina de brinquedos, onde o jogador desce a garra e tenta pegar algum premio. Por pouco a garra não o atingiu, mas a casa foi destruída quase inteiramente. Apenas um décimo dela permaneceu de pé, o único pedaço que sobrou lutando para sobreviver.
Naquele momento ele não sentiu medo. Na realidade não sentia nada. Agia como se aquilo fosse algo natural, mas então algum traço de desespero se formou. Não era o desespero sentido, era como se ele apenas soubesse que deveria sentir desespero. Ele então disparou para a casa de sua avó e lhe ordenou que arrumasse tudo o que tinha e que eles sairiam dali o mais depressa possível.
Então o céu do lado de fora escureceu, e pela janela da cozinha ele viu uma cratera enorme no lugar onde, alguns instantes atrás, estavam as garras gigantes. Elas haviam saído da terra onde caíra e deixara um buraco.
Erik se aproximou da beirada do precipício. Quando olhou para baixo sentiu que estava nas portas do inferno. Pequenos focos de chamas saiam do que pareciam ser tubulações de gás e bem no fundo, quase no centro do planeta uma luz alaranjada brilhava incandescente. Não sabia qual era a profundidade, mas chutaria que se tratava de milhares de quilometro. Ele correu para dentro de casa atrás de sua avó quando uma sombra passou rapidamente voando para cima, saindo do buraco e vindo sua direção, com garras enormes e dentes na mesma proporção. O olhar vermelho e demoníaco.
E então...
***
Erik acordou. Estava ofegante e suava frio.
Após alguns instantes, o ritmo dos seus batimentos cardíacos foi voltando ao normal. Foi quando percebeu que estava seguro em sua cama quente e confortável. A janela fechada não mostrava nenhum sinal de claridade do lado de fora, portanto ele cogitou que ainda era noite. Levantou-se da cama e permaneceu quieto. Em seu ouvido o som das batidas do seu coração permaneceu inalterado. Nada mais do que isso.
Então um som surgiu.
Começou muito baixo, como algo muito distante. Mas depois foi se intensificando á cada segundo. Logo, um som monumental de fazer as paredes tremerem se concentrou e Erik se ergueu ao lado da cama em um pulo, pronto para se defender de qualquer ameaça.
Uma gota de suor desceu pela sua têmpora e ele engoliu em seco. Permaneceu sem fazer nem um ruído sequer, quase ficando tonto com a escuridão sufocante á sua volta. A posição de luta imutável.
A estante de livros tremeu, e ele ouviu os ruídos das janelas balançando com a força sonora. Ele se aproximou dela bem devagar e viu pela fresta uma luz piscando brilhante no céu noturno. Era apenas um avião.
Ele relaxou a musculatura do corpo emitindo um resmungo de revolta. Ficou pensando no quanto fora ridículo ter medo de um avião. Era óbvio que o medo não era do avião em si, mas de algo muito diferente disso. Talvez medo de ladrão. Já fora assaltado uma vez e depois desse episódio ele ficou traumatizado. Ou poderia estar assim por ter medo de cachorro. Fora mordido uma vez quando criança ao fazer carinho no cão, desde então ficou traumatizado com a experiência. Foi quando ele se deu conta de que o sonho que tivera fora a fonte do seu medo. Um medo de algo desconhecido e fora do normal.
A queda da nave fora tão realística que por um breve momento a adrenalina fora acionada pelo cérebro para que ele ficasse alerta e pronto para qualquer tipo de ataque, mesmo sabendo que não adiantaria nada caso o avião caísse e cima dele. Ele voltou para a cama e se cobriu com o cobertor ainda quente na tentativa de tirar esses pensamentos absurdos da mente.
Mal havia fechado os olhos quando o celular despertou anunciando que eram cinco e meia da manhã e que já estava na hora de ele levantar, escovar os dentes, tomar banho e se trocar para ir ao trabalho. Pensar nessa rotina já despertava a preguiça dentro dele. Foi preciso uma enorme dose de coragem para conseguir se levantar e uma dose dupla para ir ao banheiro.
Um pensamento revigorante tomou conta dele no momento em que colocava o tênis. Já era sábado, ou seja, no dia seguinte estaria de folga. Amém! – ele pensou. Tivera uma semana estressante e cansativa, precisava de um dia de descanso.
Após pegar o ônibus vazio (a condução sempre era mais vazia nos sábados) e se sentar em um dos bancos, ele colocou os fones de ouvido. Sua playlist era repleta de musicas pops e musicas de games, filmes ou animes. Passou o caminho inteiro até a estação Itaquera pensando em cenas de ação do famoso desenho do Ataque dos Titãs, mas em sua visão era ele quem combatia os gigantes e se saía muito bem na batalha.
Após embarcar no trem, ele abriu seu livro do “A Senhora dos Mortos” escrito pelo Rodrigo de Oliveira e começou a ler. Após ter lido aproximadamente vinte páginas, o maquinista do trem anunciou que eles haviam chegado á estação Luz. Erik saiu da estação tranquilamente e caminhou até chegar ao supermercado. Durante todo esse tempo ele não havia percebido, mas no asfalto ao longo do caminho, grandes manchas escuras começavam a crescer sem parar até tapar a luz solar. Ele pensou que era apenas uma nuvem passageira, portanto nem se deu o trabalho de olhar para o céu. Apenas continuou prosseguindo, desviando das pessoas que paravam repentinamente. Estava curtindo tanto a musica que nada mais importava.
A porta por onde se recebia as mercadorias estava fechada e Erik estranhou o fato. Portanto deu a volta e entrou como um simples cliente.
Na frente do mercado vários clientes estavam parados olhando para o céu. Ele achou que era mais uma daquelas apresentações em que atores do teatro, que ficava logo ali em frente, faziam coisas do tipo pelas ruas ali do Bom Retiro. Quando passou pela parte interna que não tinha nenhuma alma viva sequer, ele estranhou. Alguma coisa de errado estava acontecendo, lentamente ele retirou os fones dos ouvidos.
Subiu as escadas e chegando à sala de descanso viu que grande parte dos funcionários estava lá. A loja estava praticamente inoperante. Quem estava atendendo aos clientes? Quem estava responsável pela segurança da loja? E se algum ladrão entrasse e roubasse algo gerando prejuízo para os lideres das seções? Mas logo, as questões em sua mente desapareceram como se levadas por um furacão. Na tela da TV o Plantão da Globo estava transmitindo imagens de um helicóptero. Na imagem era possível ver várias coisas gigantes por entre as nuvens. Detalhe, várias significava centenas, cobrindo o céu como um vestido preto de bolinhas brancas. O jornalista falava:
“É uma cena impressionante Sandra. De forma repentina essas coisas, parecidas com enormes naves espaciais apareceram nos céus não só de São Paulo, mas de todo o mundo...” ao dizer isso a cena foi cortada para uma cena gravada em Nova York. “... Não sabemos do que isso se trata, se não passam de efeitos especiais para algo como um filme ou se é algo que... Não sei o que falar Sandra, apenas sei que a população está muito assustada e muito curiosa.”.
“- Obrigada Evaristo.” Sandra disse quando a sua imagem preencheu a tela. “Nós fomos ás ruas entrevistar algumas pessoas, afinal, existem muitas respostas que não foram respondidas...” – ela se virou para tela ás suas costas. “- Bom dia... Me diz uma coisa Sérgio: como a população está reagindo á isso?”
“Bom dia Sandra. Eu estou aqui na capital do Rio de Janeiro, e como você pode ver o cenário é o mesmo em todo o lugar. Essas naves enormes apareceram de repente e não é possível saber se existem pessoas lá dentro ou se é algum tipo de teste para algum objetivo indefinido. A única coisa que sabemos é que eles foram identificados por volta das 4 horas da manhã por algumas pessoas que estavam indo trabalhar, mas fora isso não temos mais nenhuma informação.”
“- É parece que isso vai gerar muita polêmica por alguns dias enquanto ainda não tivermos respostas. Muito obrigada Sérgio.” – disse olhando diretamente para a câmera. – “Hoje por volta das 6 horas da manhã, os presidentes de todos os países foram chamado para uma reunião realizada pela primeira vez na história. Nunca antes os grandes líderes dos quatro cantos do mundo foram convocados para uma reunião como essa. Várias emissoras de TV estavam transmitindo ao vivo, mas nenhum dos presidentes foram capazes de responder ás perguntas da população mundial.”
A imagem na TV agora estava focada em Dilma Rousseff, que olhava para frente com olhar vazio e que transmitia autoridade. Ela vestia o paletó vermelho, representando o partido do PT e um pequeno microfone acoplado no bolso. Um rapaz no meio da multidão de repórteres perguntou á ela.
“- Presidenta, a população quer saber o que está acontecendo. Não tivemos nenhuma informação sobre o ocorrido e a maioria teme por alguma bomba nuclear ou alguma tecnologia avançada que tem como objetivo a destruição em massa. Isso tem á ver com os russos?”
“- Tudo o que podemos assegurar é que” – Dilma se manifestou. Ela gesticulava por calma para alguns dos repórteres que começavam a falar gerando uma poluição auditiva que atrapalhava a comunicação. Após eles se silenciarem ela prosseguiu. “- Vocês não precisam temer nada. Não tem nada a ver com planos de russos, israelenses ou qualquer outro país. Isso não é uma guerra. Isto é apenas um teste em que, nós líderes dos países, estamos efetuando para um futuro próximo.”
“- E qual é o objetivo desse... teste como a senhora mesmo disse?” – outro repórter perguntou. Esse segurava um microfone de uma outra rede televisiva.
“- O objetivo é assegurar a segurança mundial. Não posso mais falar sobre isso. Foi feito um acordo onde assinamos documentos concordando em manter sigilo absoluto sobre o assunto. Apenas estamos aqui para lhes dar essa segurança de que nada de mal irá acontecer.”.
Os repórteres, indignados com a resposta da presidenta começaram a se aglomerar em palavras. O caos foi total, muito faziam perguntas enquanto Dilma apenas gesticulava negativamente com a cabeça. Obama também estava sendo atacado por chuvas de perguntas que ele gesticulava freneticamente que não. Fotógrafos tiravam pencas de fotos em suas câmeras profissionais sem parar, até que em sincronia, os presidentes começaram a se retirar do aposento enquanto os seguranças tentavam evitar que a avalanche de repórteres, inconformados com as poucas informações, tentavam inutilmente fazer perguntas. A cena foi cortada.
“- Bom...” – Sandra retornou á tela. “- Como vocês puderam ver, não temos muitas informações á respeito dessas naves misteriosas, mas foi confirmado pela própria presidenta de que não passa apenas de um teste para a segurança da população.” – ela recebeu uma informação pelo fone no ouvido e parou por um momento.
Silencio.
“Iremos para um rápido intervalo comercial e já voltamos com mais informações.”
A tela ficou preta e logo o comercial chegara.
– Mano, que medo. – Erik disse. – Como eu num vi esses troço no céu? Eu sou cego? E eu tive um sonho com algo assim ontem à noite.
A sala estava mergulhada em silêncio. Era possível sentir o coração de cada um pulsando freneticamente nos peitos apavorados.
– Cara, to achando muito estranho isso tudo. Porque o exército de nenhum país entrou em ação? – Gabriel falou. Erik não havia percebido que o amigo estava ali.
– Tem razão. Eles deveriam estar fazendo alguma coisa não deviam? Quer dizer... Eles também estão achando tudo isso estranho. Mundo inteiro! Mas sei lá, se for algum tipo de teste é bem provável que... Não vá acontecer nada. – ele disse.
– Não sei não hein benhê. To com um mau pressentimento. – Lilith tomou a palavra.
– Eu hein, quero só ver no que isso vai dar. – Alzenir saiu da sala para o trabalho.
– Mano, eu to achando que isso parece algo futurístico... Sabe quando nos filmes do futuro tem aquelas pistas super dahora e os carros voam ou algo assim? – Ailton falou.
– Meu a gente precisa trabalhar né. Se fosse acontecer algo de ruim já teria acontecido. – César falou. Ele deu um peteleco na orelha de Erik. – Vai bater o cartão Erik.
– Tá bem. – Erik nem precisava receber a ordem duas vezes. Ele desceu e fez a marcação do seu ponto de entrada. Após isso, ele abriu as portas de ferro na portaria e saiu para a calçada. De lá ele olhou para o céu. Desde a reportagem ele estava louco para ver aquilo com os próprios olhos e quando viu não acreditou. Estava muito difícil de assimilar.
Lá estavam elas, resplandecentes acimas das nuvens. Desafiando as pessoas. Eram sublimes e transmitiam uma aura de ordem como um rei ao governar um país. Elas esnobavam os humanos que passavam pelas ruas á quilometro abaixo.
Cada uma daquelas pareciam ocupar uns 15 quarteirões, mas estava claro que eram maiores do que aquilo. Estava longe demais para dizer com precisão qual seu tamanho real. Isso porque não havia visto a altura delas.
Ele conseguiu discernir alguns helicópteros que tinha como objetivo capturar imagens para serem transmitas na TV ao vivo. Por alguns minutos César esteve ali fora com ele, mas Erik estava tão concentrado e tão hipnotizado que não percebera a presença dele.
– Dá mó medo né? A gente pensa um monte de coisas que pode acontecer.
– Pois é. E o pior é que a gente não sabe do que se trata. – Erik disse sem tirar os olhos do céu. – Podem ser E.T.s, pode ser alguma arma nuclear, ou até mesmo alguma coisa futurística que serve mesmo como segurança , assim como a retardada da Dilma disse, mas... Sei lá. É como se meu sonho tivesse alguma coisa a ver com isso.
– Que sonho? – César perguntou igualmente hipnotizado pelas naves.
– Ontem sonhei que um avião... Ou era uma nave? Não sei, mas sei que caia do céu e depois me lembro de garras e um buraco enorme no chão.
– Eu hein... – César voltou para dentro da loja. – É melhor a gente trabalhar Kinho.
– Yes sir! – Erik disse fingindo bater contingencia e o seguiu.
Durante toda a parte em que Erik ficou recepcionando as mercadorias, por vezes ele espiava os objetos no céu. Ainda buscando alguma resposta nos pensamentos do por que aquelas coisas estavam ali. Ainda tentando acreditar que centenas de naves gigantes pairavam no céu azul da cidade e do mundo.
Por volta do meio dia ele terminou o recebimento e fechou a portaria com as chaves. Guardou-as na gaveta em sua escrivaninha e subiu em direção á cozinha.
Um grito se fez ouvir lá de cima e ele estacou por um momento. O pé direito ainda no primeiro degrau da escada quando uma mulher apareceu no topo, descendo feito uma bala.
Priscila estava aparentemente muito assustada. E por ser sempre durona essa expressão nunca fez parte da sua lista de expressões, e para isso ter acontecido só tinha uma resposta. O bicho tava pegando.
– Erik do céu! Corre! – ela gritou.
– Ôxe, tá louca? – Erik perguntou assustado se segurando no corrimão.
Priscila o segurava pelo braço com tanta força que ele sentia as unhas dela cravando em sua pele por debaixo da camisa azul.
– Erik, escuta o que eu estou falando. A gente precisa sair daqui agora! Eles vão matar todo mundo!
Ela estava desesperada. Erik ficou sem reação. O que aconteceu para que ela agisse de tal forma?
– Meu Deus! – ela parou por um instante. Olhando com os olhos arregalados para ele. E então: — Meus filhos! – ela saiu correndo pelo corredor desaparecendo de vista.
Erik subiu pelas escadas de dois em dois degraus, a adrenalina correndo pelo seu corpo. Luciana, a garota que trabalhava na frente de caixa esbarrou nele enquanto corria abalada. Aquilo estava ficando estranho demais. Precisava saber á qualquer custo o que estava acontecendo.
No corredor Juscelino falava ao celular aparentemente com Patrícia, sua esposa.
– Patrícia fica aí que eu já to indo! – Ele disse pelo telefone e saiu correndo descendo pelas escadas. Nem parou para falar com Erik, apenas passou como se ele fosse um fantasma.
Erik então entrou na pequena sala onde a TV estava ligada. Imagens de um possível filme apocalíptico passavam, mas... Algo estava errado ali também. O filme tinha uma manchete e vários homens armados passavam com armas enormes e atirando em tudo no caminho. A câmera deu zoom em um deles que, percebendo, apontou a arma. Depois, uma enorme luz azul foi crescendo e tudo ficou escuro. Uma tela com chuviscos em preto e branco ficou exibida ali. Erik esperou pelos comerciais ou que a TV mostrasse que o sinal estava fraco, mas nada.
Ele pegou o celular enquanto os funcionários saiam do lugar até restar apenas ele ali. Ligou para o numero da sua casa e foi seu irmão que atendeu.
– Alô? – a voz de Willian disse. Pelo telefone ele percebeu que seu irmão estava assustado e ansioso.
– Willian, onde você está? Tá sabendo de alguma coisa que está acontecendo? – Erik perguntou. Ele sabia que deveria estar assustado e em alerta, mas seu raciocínio por vezes era lento então apenas ficou confuso com todo aquele alvoroço ao seu redor. Por um breve momento ele pensou em falar com Lilith e Gabriel, mas então seu irmão falou e esse pensamento sumiu.
– Erik, não posso falar por muito tempo, só me escuta! Eu estou saindo de casa com a mãe para algum lugar seguro. Você precisa ir para o centro da cidade que é onde...
Erik ficou aflito ouvindo a respiração pesada do irmão pelo aparelho que tremia em sua mão. Barulhos de explosões se seguiram e ele não conseguiu discernir se vinha ao seu redor ou no celular. Depois de segundos que pareceram uma eternidade Willian voltou a falar.
– Preciso ir. Se cuida e mantenha seu celular carregado pra eu poder te ligar e saber se você está bem. Fique com Deus.
E desligou.
Por um longo momento ele ficou com o celular na mesma posição. O “TU TU TU” incessante soando pelo alto falante. Então ele piscou como que recobrando a consciência e olhou ao seu redor. Não havia percebido que as pessoas estavam fugindo e não apenas saindo correndo. Ele desceu as escadas em direção á loja que estava vazia e com várias prateleiras caídas no chão. Enquanto passava por cima de vários produtos o chão tremeu. Como se uma manada de elefantes estivessem disputando corrida ali perto.
Ele saiu pela porta da loja que tinha uma parte do vidro estilhaçada e as barras de ferro retorcidas. Assustado ele olhou para a rua e viu que muitas pessoas corriam e gritavam pedindo por socorro. Eram muitas e todas estavam tão desesperadas que Erik pensou se tratar de alguma confusão neurológica ou espiritual. Parecia quase cômico. Quase... Porque naquele instante á sua frente, uma nave daquelas que flutuavam no céu pela manhã, estava caindo na diagonal bloqueando a luz do sol.
Ele parou ali mesmo olhando a queda. A Nave estava muito perto e era possível discernir com precisão os detalhes. Desenhos enormes que formavam curvas como um labirinto. Vários arranhões selvagens formavam cicatrizes na espaçonave. Ela caiu lentamente e atingiu o colégio Santa Inês que ficava logo em frente ao mercado. As pessoas gritavam loucamente e várias crianças corriam sem direção, apenas querendo fugir do lugar que em milésimos de segundos se tornaria um monte de entulhos. Algumas foram esmagadas pelos milhares de quilos de ferro e aço. A estrutura desmoronou e espalhou uma enorme nuvem de fumaça, espalhando enormes pedaços de concreto. Ela ficou fincada no chão como um daqueles relógios de tempos pré-históricos, onde se via o tempo pela sombra emitida pelo sol.
Erik engoliu em seco, fitando a tragédia á sua frente.
O sonho se tornara, de certa forma, realidade. E ele não sabia o que viria á seguir
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