Encontros, desencontros e novos encontros
92 Capítulo 92:
– Ai Anita isso que você me disse, não sai da minha cabeça. – afirmou Meg, enquanto se arrumava pensativa e o jantar em família esperava a todos.
– Meg sem prolongar o assunto, por favor. – pediu Anita não querendo mais falar daquilo.
– Anita é cruel mais, você... – A vida de teu a vingança perfeita, porque é horrível também mais, Anita enquanto o Ben, enquanto a Cícera e a Sofia enganavam ele, e ele apavorado tentando cuidar de um filho que não existia... – Você perdeu...
– Essa história é indigesta Meg, eu acho que até hoje eu não assimilei ela, até prefiro, é melhor. – Anita afirmou, mesmo que depois de tanto tempo poderia ter que vir a mexer no assunto novamente, mesmo que estivesse a evitar.
– Agora tem tanta mágoa da Sofia, antes eu não tinha me dado por conta do realmente era isso tudo. – a garota começa a compreender tudo que estava por trás. – Você sabe que o Sidney chegou a achar que o bebê podia ser dele. – Meg comenta mesmo despretensiosa.
– Hãm aí o idiota, te largou pra cuidar melhor deles. – Anita profere incrédula, pensando consigo que Sidney e Ben só poderiam ser mesmo amigos.
– Yes, eu voltei pra Miami, voltei a minha faculdade, e descobri que eles podiam me dar a bolsa novamente, mas em outro país. — a americana resumiu ligeiramente seus passes.
– Vamos jantar, porque aquele macarrão deve estar ótimo, e não só porque eu ajudei a preparar. – instigou Anita ao ver uma ponta de tristeza no rosto da loira. – Até porque, a senhorita sabe, baixo astral com a gente ou acaba numa panela de brigadeiro, ou partimos pra aquela velha frase, de que viver não faz sentido, não, não, porque aí estamos péssimas e sem como argumentar.
– Você sabe que na pior das hipóteses eu casaria com você né. – brinca Meg alegre e sensibilizada pelo esforço de Anita em animá-la. Talvez fosse a amizade mais inesperada e que ela nunca esperou encontrar um dia, jamais imaginou ela um dia que a “brasileira” que parecia ser o real motivo da distância que Ben insistiu em tomar dela, a fagulha que o garoto teimava em negar e esconder dela, quando a estrangeira desembarcou no Brasil atrás do ex-namorado e sua grande paixão... Anita um dia seria muito mais que uma amiga para si, seria também uma grande irmã e companheira pra todas as horas e perrengues.
– Hahaha, e eu aceitaria sem o menor problema. – ri Anita descontraída.
– Até porque, nossa atual obsessão, tem cheiro e cara de encrenca. – a loira implica. – Aqueles ali óh não teriam outro nome. – Meg percebe que ambas poderiam estar caminhando para uma grande roubada, mas que também tinha uma ponta de felicidade que nenhuma escondia de si com tanta veemência.
– Tá nesse caso nós ficamos com pena deles ou da gente mesmo. – Anita faz graça, mas temia e em parte não ligava e até tentava ignorar sua insegurança, mas também no fundo tinha medo de se magoar e sofrer novamente por Ben.
– Acho que deles gata. – Meg travessamente brinca aos sorrisos.
– Ai meu deus, você não presta mesmo né dona Meg. – Anita diz risonha, caminhando abraçada a ela para fora do quarto.
– Vocês não vão jantar não, vem cá que tanto vocês fofocam hein. – Marcelo as surpreende surgindo no corredor.
– Nada, não banca o desconfiado, a essa hora não. – retruca Anita com um semblante sereno.
– Ahan sei, só parecerem duas caturritas, falam, falam... – o rapaz sorriu descrente, enquanto abraçava Meg.
– Ai acho que eu gosto de ouvir minha voz. – Anita esnoba fazendo uma cara exibida só pra implicar com ele.
– Olha caprichou na mesa dona Vera. – Anita falou quando chegou à sala de jantar.
– Eu também acho, tá parecendo mesa de novela, daqueles filmes, tá linda. – Giovana concordava alegre parando ao lado dela.
– Ah gente viajar é bom, mas voltar pra casa, é mais ainda. – Vera afirmava feliz por poder reunir a família, era tão bom ver aquela sala cheia como antigamente.
– Até porque a gente já tava morrendo de saudade. – Giovana afirma para a madrasta.
– Mais Ronaldo e eu temos que agradecer vocês, que tiveram essa ideia e bancaram a viagem também né gente. – Vera disse ainda emocionada com a atitude dos filhos.
– Imagina mãe, nem precisa agradecer, até porque pela tua carinha de felicidade valeu o investimento. – Anita disse contente em ver a mãe feliz.
– É até porque, não é pra fazer média com ninguém a Anita e o Ben deram a maior parte. – Giovana alegou.
– Sério Anita, mais esse dinheiro não vai fazer falta pra vocês não. – Vera questionou um pouco culpada por se divertir com o dinheiro dos filhos, que orgulhosos nunca aceitaram ajuda financeira dela e do marido.
– Mãe esquece isso, não se preocupa. – desconversou Anita. – E depois foi um presente de todo mundo aqui pra vocês. – alegou Anita.
– Exatamente, e depois o que é uma simples viagem, em decorrência de tudo que vocês já fizeram pela gente, olha eu sei que não paga tudo, mais foi só uma pequena forma de retribuir de algum jeito. – reforçou Ben as palavras de Anita.
– E a gente nunca vai esquecer, vocês podem ter certeza. – Ronaldo falou feliz e orgulhoso da família enorme e bagunçada que havia formado com Vera.
– E vamos jantar que eu to morrendo de fome. – afirmou Giovana querendo dispersar todos para a mesa.
– Bom ideia. – concordou Meg alegremente.
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– E aí gente que tá uma música, pra fechar a noite com tudo, tá intimado a me acompanhar no violão Ben. – Giovana convidou a todos para se reunirem na sala, se unindo em volta de uma bela canção.
– Ótimo eu inclusive eu sugiro a primeira canção. – Marcelo alegou da cozinha, ainda ajudando Meg com a louça.
– “Amor da minha vida, daqui a eternidade, nossos destinos foram traçados na maternidade, paixão cruel desenfreada, te trago mil rosas roubadas, pra desculpar minhas mentiras, minhas mancadas, exagerado, exagerado jogado a seus pés eu sou mesmo exagerado...”
– Precipito-me ou você está sendo irônico Marcelo. – Anita indagou rindo, enquanto ajeitava a mesa.
– Não, clássico, você não vai poder discordar de mim. – Marcelo nega entre gargalhadas soltas. – Até porque você nem pode me acusar de nada, a música é bem mais velha, do que o suposto motivo da ironia. – o garoto diz descaradamente, enquanto se desdobra em enxugar a louça que Meg lavava.
– Amei a escolha, até porque com essa música nem se discute. – Giovana disse. – Agora eu preciso de plateia, vem gente. – E você também Ben, nem adianta fugir. – a ruiva foi incisiva.
– Tá vendo sou um filósofo. – Marcelo disse brincalhão.
– Ok, não to fugindo de nada, mais só te avisando, vida de Engenheiro, não sobra tempo pra tocar violão, então não me critique pelos erros, caso eles ocorram. – Ben sentou ao lado da irmã aceitando a proposta mesmo não muito convencido se teria sido a melhor escolha.
– Tudo bem, só não vale fugir do desafio. – Giovana ri animada.
– Já que o Marcelo resolveu filosofar, pra não perder o nível... – retruca Ben, aproveitando-se das brincadeiras do amigo.
Minha alma
Sabe que viver é se entregar
Sabendo que ninguém pode julgar
Se teve que olhar pra trás ou não
Talvez
Se a vida me trouxer o que eu pedi
Te encontro e faço tudo o que quiser
Te dizendo "O Sol renasce amanhã"
A vida é tão mais vida de manhã
Quando vejo você
Saiba você é
Meu Sol
Ela
Tem entrelinhas fáceis de rimar.
Me encosta o colo e fica onde quiser
E me molha como um rio que lava o chão
Só pra você
Eu tenho os olhos e meu coração
Espero o teu sorriso e as tuas mãos
Não esquece, o Sol renasce amanhã
A vida, enfim vivida de manhã
Quando tenho você
Sempre você é
Meu Sol
Meu Sol
Saiba você é
Meu Sol
Sempre você é
Meu Sol
Eu já
Me preparei demais
E declaro, agora é a hora
O amor profundo, o amor que salva
Vem depressa, não demora.
– Tão bom ver eles reunidos e felizes não é Ronaldo. – Vera observava a diversão de todos com alegria.
– É, essa casa cheia assim, acaba nos deixando com saudade de tempos que não volta, quando todos eles ainda estavam aqui. – Ronaldo concorda com a mulher.
– Realmente, daqui uns dias a Anita e o Ben vãos embora, e tudo volta a ser como era antes. – Vera diz já saudosa pela saudade que sentiria.
– É mais eles tem que cuidar da vida deles não baixinha, não dá pra prender os dois ao pé da mesa, até porque isso seria a tarefa mais difícil do mundo, esses dois já levantaram voo há muito tempo, até mesmo sem a gente perceber, eles já tinham feito isso. – o homem afirma, abraçando a mulher.
– Hei, seca a baba. – Meg cutuca Anita aos risos.
– Ai Meg, credo. – Anita não entendi a brincadeira, e se desperta aluada, quando devido ao gesto da loira em puxar seu braço onde apoiava a cabeça, escorada a mesa, e ela se desequilibra.
– É né, ou daqui a pouco todo mundo percebe não é. – a loira fica a rir, sentando na cadeira ao lado dela, tendo o som de sua voz abafada pela contaria.
– Hum por que. – Anita sorri provocante. – Eu não sabia que olhar tirava pedaço agora, ou minha mãe e o Ronaldo, acham que até isso é proibido, pulei essa página do novo manual da família. – debochada Anita voltando a fitar Ben.
– Você não vale nada né, aí depois vem dizer que sou eu. – brinca a americana diante do sorriso nada discreto de Anita.
– Talvez. – Anita a olha esboçando uma leve risada. – Eu sou integra, lutou pelo que eu quero, insisto em seguir na maioria das vezes o manual da boa honesta, sabendo há muito tempo que ele é fracassado, ok... – declara ela, fazendo apenas a outra rir sem parar. – Com uma única diferença, a maior, a principal, diante daquela garota que abraçaria o mundo, e que mesmo com muito medo, sempre acreditou de olhos fechados na bondade e na justiça. – Eu aprendi a dar o troco, a não deixar ninguém pisar em mim, e até ignorar opiniões alheias que não somam absolutamente nada nas minhas decisões, porque são minhas...
– É. — Receita básica, pra não ser muito surtado talvez. – em parte a loira concorda.
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– Vem cá e a declaração ali em baixo, acabou com emocional da Anita hein, pelo jeito que ela tava te olhando. — Marcelo diz a Ben.
– Marcelo vai dormir vai, para de falar besteira. – Ben alega sem conseguir ficar sério.
– Benjamim apaixonado, só não sei quando ele vai admitir isso né, porque se também esperar pela Anita, vai demorar. – o garoto segue com o discurso debochado.
– Você não cansa de se meter na vida alheia não. — Ben ri descrente sem lhe dar uma confirmação.
– Não, meu amigo, mais só pra você saber eu torço muito, muitíssimo mesmo. – Marcelo retruca jogando-se em sua cama.
– Ué pensei que você tivesse isso dormir filha, não ficou pra cantoria. – Vera viu a filha mais nova descendo a escada.
– É eu tava com pouco de sono mais aí acabei não dormindo, e fui pro computador. – Sofia revela indo até a geladeira apanhar um copo com água.
– Sofia voe parece preocupada com algo. – Vera era mãe, e pelo jeito da loirinha seria difícil não perceber.
– Não. — a patricinha nega soltando o copo sob a mesa, não querendo preocupar a mãe.
– E porque eu não acredito. — Vera ri incrédula com a resposta da menina. — É por conta da tua irmã Sofia, acredito que as coisas entre vocês não estejam muito esclarecidas. — Vera tenta ajudá-la.
– Mãe você não precisa começar com o discurso onde você me diz em como eu errei com a Anita eu sei tá bom, eu sei disso. — a loira fica irritada com a aproximação da mãe.
– Ok, minha filha, não irei dizer que você não está errada, mas acontece que você também não pode passar o resto da tua vida se culpando por isso. — Vera alega querendo muito confortá-la. — Você aprendeu com o erro, não aprendeu, então. — a mãe diz a encarando com ternura.
– Claro mãe, não sei se a Anita me perdoo, as vezes ela parece tão diferente, e como sempre quer me jogar o passado na cara, não posso nem reclamar né. — ela afirmou desconfortável com a situação.
– Vocês deveriam ter dito uma conversa lá atrás, mas pelo visto nenhuma se empenhou não é. — a mulher respondeu, também não confortável em ver a situação das duas irmãs. — E a Anita não é essa pessoa filha, e depois ela está feliz com a vida dela, batalhando pelos sonhos dela, filha já faz tanto tempo. — fala ela, querendo que Sofia tirasse tal neura de sua cabeça.
– Sei lá mãe, muito estranho ver ela o Ben aqui, eles me condenam com o olhar, é óbvio. — lamenta Sofia. — Você acha que ela tem algum interesse nele mãe, por isso essa revolta toda. — Sofia não resiste e pergunta.
– Filha, a Anita tem um namorado lá na Inglaterra, ela não fala muito, porque é o jeito dela, não gosta de expor a vida dela, mais ela me parecia bem entusiasmada com esse namoro. — ela disse. — O que me faz muito bem, ver ela feliz, não nego. — Vera confessa, sem conter o sorriso contente, jamais ver qualquer um de seus filhos triste lhe traria outro sentimento que não fosse angustia. — Você gostou tanto assim do Ben filha, pra ficar tão cismada com isso tudo. — Vera indaga.
– Achei que pudesse ter dado certo mãe, o Ben sempre foi apaixonado por mim, lá no início era isso que ele dizia, mais depois veio relacionamento dele com a Anita e sei lá. — a loira foi verdadeira no que falou, talvez mesmo tivesse sentido algo por Ben, a verdade era que esse assunto não tinha ficado bem resolvido em sua cabeça.
– Então porque não tenta resolver isso, Sofia não fugindo das coisas que elas se resolvem. — sugere Vera. — E se algo tiver que ser decifrado será. — completa ela.
– O que mãe. — Sofia fica confusa. — Você tá sugerindo que eu converse com o Ben e... — a loira não compreende muito coisa.
– Estou sugerindo apenas que você se dê uma chance minha filha, e se for dessa forma, não vou dizer que é um sacrilégio vocês dois juntos. — explica a mulher só querendo não ver mais a filha mais nova aflita de tal jeito.
– Vocês viram meu celular por aqui. — Anita perguntou altiva, quando chegou a sala, deixando a mãe e irmã em sobressalto, ambas temeram pensar que ela poderia ter ouvido algo. Anita encarou as duas sem demonstrar sua verdadeira reação, por dentro ela só conseguia se sentir anestesiada. Como assim? Vera até ali nunca lhe perguntou nada a respeito do assunto e agora parecia tratá-lo com tanta naturalidade com Sofia, o que ela tinha que fazer para que a mãe entendesse seus reais pensamentos daquilo tudo gritar, espernear determinada, só porque ela não fazia, para a mãe significava que ela não se importava, não era raiva, era decepção, agonia por nunca ter visto a mãe tentar lhe entender de fato, e ela se sentiu pior ainda por não poder se livrar de tais pensamentos ruins, Anita não os queria, mas lutar contra eles ao menos naquele instante ficou difícil.
– Mãe...
– Não, não vi não filha. — Vera se desperta fitando a mais velha, enquanto imagina uma reação dela.
– Deixou, no, na... – Meg para no topo da escada, apreensiva com o que também ouviu, não conseguia imaginar a reação de Anita, apenas fitou a amiga com a mesma perplexidade que parecia ver nos olhos altivos da garota.
– Aff, to começando a achar que deixei na praia. — ela reclama procurando ater seus pensamentos a aquilo que lhe trouxe de volta ao andar de baixo.
– De repente você ainda acha. — Sofia fala numa tentativa de se esquivar, mal olhando para Anita de braços cruzados a sua frente. — Bom eu vou dormir, meu dia vai ser longo amanhã, boa noite. — ela revela ainda no mesmo lugar.
– Boa noite. — desejou Anita verdadeiramente, o olhar que percorria cada canto do local também parecia desafiar. — Ben você sabe onde o Marcelo colocou a chave do carro, eu i perguntar pra ele, mais acho que ele já foi dormir, não o vi mais, não conseguindo achar meu telefone por nada. — Anita indaga ao ver o rapaz vindo do quintal.
– Hãmm, bom eu vou subir tenho um e-mail pra responder, posso usar teu notebook Anita é... – a estrangeira questiona um tanto nervosa.
– Óbvio, tá lá em cima da cama inclusive, eu tava vedo umas coisas. – Anita afirma sem tirar os olhos da mãe.
– Tá aqui comigo, você não deixou cair lá? — ele revela. – Perdeu o celular Anita, você tem certeza disso. – Ben com certa desconfiança diante do jeito nervosa de Vera que era facilmente percebido, e de uma Anita e uma Meg, que pareciam somente se comunicarem com o olhar.
– Eu não sei agora, aliás, essa minha mania de não saber de nada, ainda vai acabar de vez comigo. — ela diz confusa. — Pra começar com o Ronaldo e com você, não é dona Vera. — ela explica, se lembrando da conversa que já tina lhe tirado do sério mais cedo.
– Procura lá, de repente caiu no carro. — opinou ele.
– Eu vou subir. – Meg disse a ela, simpaticamente mesmo não entendendo de forma alguma onde a mulher queria chegar com a conversa que tinha com Sofia.
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– Achou. — indagou Ben abrindo a porta do carro. — Anita? – Heiii...
– Ai o que, tava distraída. — ela admiti, se despertando com a voz dele, mal sabia direito o que pensava, mas sua mente estava a milhas dali.
– Eu vi, o que você tem, tá chateada com alguma coisa. — ele questionou, ao perceber certa preocupação no rosto de Anita, que parecia saindo da realidade mesmo sem perceber.
– Ah sabe quando, você se cala pra não falar o que não deve, mais tem certeza que isso vai te fazer mal, pois é, foi isso que me aconteceu. — suspira ela deixando suas preocupações transparecerem. Talvez estivesse mesmo fazendo tudo errado.
– É até que sim. — compreende ele. — Só não entendi o contexto disso tudo, mais cedo eu te perguntei se você tava me escondendo alguma coisa, você disse que não, só que eu estou de novo não convencido disso. — Ben afirma a pressionando, o olhar de deboche da garota quando balança a cabeça negativamente, olhando pra frente, também não o convence de que estava tudo normal.
– Hum esquece isso. — ela pediu desfazendo o semblante sisudo de antes. — Eu to meia chateada, mais foi com umas coisas que eu não devia de ter ouvido, mais já foi, eu vou esquecer. — garantiu ela. – Me ajuda a procurar. – murmurou ela entre um sorriso, não queria e nem estava disposta há perder seu tempo remoendo coisas que sabia que não lhe fariam bem.
– O que. – Ben se perde por um momento em imaginar o que podia estar a atormentando tanto, enquanto tentava captar minuciosamente cada gesto dela.
– Meu telefone. – Anita ri da desatenção dele, quando se esgueira até o banco de trás.
– Ah meu deus. – ele acaba rindo da própria distração, no momento que a segue.
– Ai que droga sabia se eu perder aquele telefone, estou ralada, todos meus contatos até de trabalho estão ali. – ela lamenta sua desgraça enquanto faz uma busca sem sucesso.
– Ahan tipo o que, minha vida está arruinada, por conta de meia dúzia de números. – Ben trata de zombar.
– Não banca o insensível não tá. – Anita retruca o encarando e facilmente ele percebe o olhar de pirraça.
– Eu até podia, se você não ficasse tão linda de cara amarrada. – declara ele, com um sorriso debochado.
– Não vem com essa não tá, é truque, truque de quem dá mancada. – acusou Anita, mas acabou achando graça dos olhares dele a encarando.
– Olha a vida não é justa mesmo né, enquanto você não acha teu celular eu estou querendo perder o meu, só pra minha mãe parar de me ligar. – Ben ri de sua situação, ao retirar o objeto do bolso da calça e ver mais uma vez que Cícera insistia em ter sua atenção.
– Ah não fala assim, ela deve tá muito preocupada com o filhinho dela, perdido e sozinho na selva que é o rio de janeiro. – Anita não contem o deboche e nem a ironia ao ver Ben jogar o telefone no banco da frente sem se preocupar em atender.
– Que que foi?
– Eu não falei nada. – Ben se defende diante da pergunta retórica dela.
– Vai o que, querer que eu fale bem da tua mãe, desiste, esse milagre você não opera, eu não sou cínica a esse ponto. – Anita nem se dá ao trabalho de ser cordial, se tivesse um dia que olhar novamente para a cara de Cícera, não hesitaria em infernizar a vida dela, mesmo que fosse só por provocação, mesmo não sendo disso, não podia deixar que de admitir que ria por dentro, ao imaginar a cara da mulher quando soubesse quem era o mais novo ou melhor antigo flerte do filho. Ela, Anita, a própria... A pior nora que Benjamim poderia lhe dar, dentre tantas garotas em todo mundo.
– Eu conheço minha mãe Anita, infelizmente. – Ben não pensa em repreendê-la.
– Será mesmo. – ela coloca em duvida sem encará-lo.
– Porque essa certeza. – o rapaz desconfia.
– Por nada, estava sendo sarcástica apenas. – desconversa Anita. – Bom missão abortada não é, amanhã eu procuro. – desiste ela sentindo que precisava encerrar o dia por ali, seu corpo lhe pedia isso devido ao cansaço.
– Jura é, olha eu podia dizer que é pior, tem alguma coisa te afligindo. – dispara ele a segurando rapidamente pelo braço.
– Não, é só cansaço e deu saudade da minha cama, que nem é minha, mais é confortável, e também esse negócio de a própria cama é meio relativo quando se caí no mundo né, a noção de casa fica tremendamente complicada. – Anita se corrige não disposta a contar o que lhe atormentava, ou talvez nem ela soubesse, mas sabia com toda certeza que não queria desejar problemas sob ele.
– Você tá inquieta. – Ben continua sem se convencer.
– Eu sou assim, minha calma sempre foi fachada, deve ser síndrome de quem tá achando que está tempo demais em um lugar sabe. – Anita suspira pausadamente, no fundo era demais, nunca houve calma, que fosse o suficiente, e ela estava ficando tempo demais por ali.
– É. – com certa ironia contida, ele parece duvidar da confirmação.
– Duvida ué, to nem aí. – Anita desdenha sorridente, lhe envolvendo em um beijo que não continha pressa alguma, talvez se entregar a tudo que sentia quando estava perto de Ben, fosse a melhor forma de não pensar em nada nunca mais.
– Nossa filha você ainda tava lá fora, ta meio tarde pra isso não. – Vera indaga apreensiva, quando a vê abrir bruscamente a porta de casa, e entrar com ar distraído, cabelos um pouco bagunçados e com a jaqueta azul-marinho de couro que usava estendida sob o braço. – E sozinha ainda. — julgou Vera, em parte nervosa como parecia não poder mais controlar nada que viesse de Anita, já que a menina vivia longe de seus olhos a tanto tempo, as vezes temia que ela não lhe contasse tudo, ou que até nem lhe pedisse ajuda quando enfrentava alguma dificuldade, Anita parecia cheia de si e inabalável, talvez fosse loucura, anseios e somente saudade da filha, de não a ter por perto.
– Jura nem reparei, noite tá tão calma, fiquei lá solitariamente perdida no silêncio. – Anita não se preocupa, apenas suspirando calmamente, enquanto vê a mãe ajeitando um vazo sob a mesa de jantar.
– Ah mais se eu fosse você teria medo de ser raptada, sequestrada, imagina. – debochado Marcelo caçoa do fato. – Já pensou se te roubam. – ela ri enquanto Anita só o encara incrédula diante de tanto exagero, apesar de imaginar o motivo da provocação.
– Mesmo com Marcelo dizendo brincando filha, Grajaú não é tão calmo assim. – afirma Vera, sendo protetora.
– Eu sei mãe, precisa me recomendar não dona Vera. – não muito convencida Anita retruca, diante de toda super proteção da mãe. O silêncio se instaura enquanto ela boceja ajeitando os fios longos e bagunçados de seus cabelos.
– Ok, só estava sendo cuidadosa. – Vera se defende diante do tom de exagero e desdém que nota na voz da garota.
– Aliás falando em medo de ser roubado Marcelo, tá me zoando aí, mais é esperto que esquece que deixou teu carro pardo aí em frente. – Anita o lembra com ironia.
– Eita, esta vendo eu sou esperto, mais também esquecido, eu vou lá por pra dentro acho que o Ronaldo disse que tinha uma vaguinha na garagem. – contornou Marcelo fazendo gesto de levantar-se.
– É ninguém é perfeito né. – Anita retruca com bom humor, cruzando os braços para encara-lo. — E o Ben já foi fazer isso, acho. – comunica ela diante do pensamento do garoto.
– Ainda bem que eu tenho um amigo com mais juízo. – Marcelo brinca descontraído.
– Ué Anita, como você sabe disso. – Vera logo se recorda não entendendo a confusão inicial da primogênita. – Você acabou de dizer que estava sozinha lá fora. – a mulher trata de relembrá-la, não conseguindo compreender as palavras ditas por Anita.
– Eu disse. – ela contesta jogando a jaqueta sobre o sofá e caminhando a passes largos até a cozinha, apenas deixando o questionamento no ar.
– Disse filha, acho que quem esta esquecida é você meu anjo. – Vera responde afirmando novamente, um sorriso sem graça e confuso fica em seu rosto, com um copo cheio de água que pegou na cozinha, Anita a encara firme parecendo sorrir em ironia com os olhos, sem demonstrar qualquer reação descompensada diante do “suposto furo” que acabará de dar.
– Mãezinha calma né, e depois to meio velha pra ficar respondendo a interrogatório né, vou dormir porque to acabada mesmo. – Anita não confirmou e nem desmentiu o fato de que o garoto lhe fazia companhia, talvez estivesse mais destinada a confirmar, mais destinada a convocar a família na sala para contar a grande realidade que todos queriam tanto fingir que não existia, incluindo principalmente a mãe, Sofia, e Vitor, que como pedras em seu sapato, teimavam em dizer sumariamente como ela se sentia e agia, hora pra se a vítima ou hora pra se fazer de algo que não era... Como se soubessem alguma coisa de sua vida passada e presente, soava tão patético que a garota achou mesmo melhor ir dormir, e não perder seu tempo e nem sua noite de sono por conta daquilo, há muito tempo que ela deixou de ligar ou se importar com os pensamentos da família, talvez fez o que tinha que ser feito, o que lhe foi imposto em nome de sua sobrevivência e felicidade, agora era tarde para voltar atrás e querer mudar ou agir hipocritamente, como todos eles, até porque agora tinha Ben novamente, e diferentemente de antes, agora não havia empecilhos, a não ser que eles próprios criassem, os dois não dependiam do aval de mais ninguém, a decisão era tão somente dos dois, podia até se dar mal e quebrar a cara por isso, mas de repente nunca teve tanta certeza que o queria em sua vida, sem que o resto fosse importante, na verdade não podia do resto para isso, havia se libertado daquela mania que todos debochavam, de se importar com todos, zelar pelos sentimentos dos outros, eles nunca haviam entendido mesmo, sempre a trataram como somente a egoísta da história, agiria de acordo com seu coração, não seria capaz de pisar em ninguém ou agir sordidamente, mas não anularia seu querer por ninguém.
– Eu vou com você. – Me que sonolenta somente ouvia a conversa se pronunciou. – Boa noite...
– Boa noite, pra quem fica, e mãe vai dormir também né, já tá meio tarde pra arrumação, não acha. – recomendou Anita, beijando a mulher e saindo na companhia da americana em seguida.
– Boa noite, durmam bem as duas. – Vera desejou com um sorriso, as olhando de costas.
– E aí Ben, viu aquela planilha que te mandei. – Marcelo pergunta apressado quando o vê entrar pela porta.
– Vi, vi sim, aquele assalto não é, você quis dizer, porque era isso que iria acontecer na minha bancária se eu topasse. – impaciente Ben retruca.
– Ué foi o que deu pra pesquisar, mais eu vou falar com um corretor, peguei o número dele hoje, amanhã eu vou desenrolar isso. – o garoto se explicou quando viu o amigo sentar no sofá.
– Melhor a gente parar com essa loucura né, porque é loucura minha, loucura tua, achar qualquer sala comercial pra alugar barato nessa cidade, só daqui há uns cem anos quem sabe. – Ben se lamenta ao ver que seus planos não seriam como ele planejava.
– Ué cadê o cara que não desiste fácil. – Marcelo o cobra.
– Foi dormir antes de mim, o racional que ainda pensa de vez em quando, aliás, boa noite pra mim também, to morto. – Ben percebe.
– Amanhã você muda de ideia que eu sei. – não crê muito o rapaz, Vera escuta o papo mas não entende muita coisa.
– Quem sabe, quem sabe, boa noite Vera. – falou Ben sem paciência ou animo suficiente para discordar.
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