– Anita, que bom que acordou filha. – Vera viu a primogênita se arrastando até a mesa do café. – Tava preocupada já. – a mulher expõe.

– Aff, não foi nada mãe, eu só, é... – dispersa e dominada pelo sono que lhe consumia Anita foi obrigada a se calar para bocejar. – Era quase quatro da manhã quando eu peguei no sono, nossa. – justificou ela procurando focar o olhar em uma cadeira vazia para sentar, mas até estava difícil. – E esse povo que faz um barulhão de manhã, oh gente viu, não tem o mínimo senso de civilidade. – comenta Anita um tanto estressada, por ter sido despertada de seu sono pesado pela barulheira realizada pelos irmãos mais novos. – Ah bom dia Sofia. – só agora Anita havia visto que a loira tomava café na cabeceira da mesa.

– Bom dia. — Sofia balbuciou entre o gole de café que tomava.

– Todo mundo levanta já com pique mesmo minha filha. – Vera concorda risonha, e conhecia o ritmo agitado de sua família. – Mais o que eu fico me perguntando é se você faz isso sempre, fica sem dormir a noite, isso faz mal sabia Anita. — Vera lhe dá uma dura pela falta de cuidados consigo mesma que Anita tinha.

– Mero detalhe mãezinha. – Anita nem ligou enquanto olhava para a xícara vazia pensando em fazer um café bem forte, só assim para ela acordar. – Até porque eu tenho que trabalhar não é mãe, pagar minhas contas, admito que as vezes eu me empolgo e acabo esquecendo do resto, e depois nem vem também que rotina é um saco, se fosse pra fazer tudo igual sempre, pra começar eu teria que mudar de profissão. — Anita tomou como justificativa.

– Pois você é teimosa Anita, e pra ser exata orgulhosa, eu poderia te ajudar todo mês, vivo te oferecendo ajuda pra tuas despesas, até porque agora eu posso mais do que antes né, e você ainda é minha filha Anita. — a mãe dialogou impaciente. – Me preocupo com você ainda mais nesse ritmo adoidado que você vive. — reforça Vera querendo que ela repensasse um pouco.

– Mãe e eu te agradeço, mais não precisa, eu vivo bem, ainda não deu pra ficar rica, e nem sei se um dia vai dar, mais eu pago minhas contas direitinho ouviu dona Vera. — Anita sorri terna como forma de amenizar a situação. – Pega esse dinheiro ai gasta com você, que eu vou ficar muito feliz, você merece tudo que você conquistou, trabalhou muito também pra isso né. — opina ela.

– Eu sei Anita, mais as vezes você parece um trem desgovernado minha filha, não ouve ninguém. — pondera Vera sem poupá-la.

– Bom se e tiver que ser calma pra não ser, é se vai continuar dizendo isso, mais relaxa tá. – Anita começou a rir.

– Anita, Anita. – Vera maneia a cabeça contrariada. – No fim eu tirei a mesa não é, achei que não vinha mais ninguém, nem tem mais nada aí pra comer.

– Tudo bem, nem se preocupa, não vou comer mesmo, que ontem eu me entupi de besteira naquela praia, não consigo nem ouvir falar em comida repunei já. — ela pediu que a mãe não se importasse. — Eu só preciso de um café, dois cafés mais ou menos resolvem meu problema, ai eu já posso dizer que eu voltei ao normal. — ela supõe.

– Nada disso, ao menos come um pedaço de bolo que tá na cozinha, acabei de tirar do forno. — Vera suspirou não muito convencida.

– Quente, e até covardia né mãe. – Anita respondeu se levantando da cadeira com um sorriso para tão logo correr até a cozinha, com a xícara cheia de café em mãos, mal olhando para sua frente enquanto caminhava com distração.

– Opa. — disperso olhando a tela do celular, sem querer Ben se choca com ela, somente vendo sua roupa tomar praticamente um banho de café.

– Não...

O olhar em sobressalto de Anita quando o ergueu para olhar quem havia sido a vitima de toda sua desatenção, após trombar em alguém continha também certa ironia. Ben estava ali a sua frente, coberto pelo café que estava na xícara e parecendo não crer quem era a autora do fato.

– Acho que sim. — Ben revida a ironia com um sorriso travesso. – Você tá bem. — ele indaga percebendo que também tinha culpa no esbarrão, já que vinha distraído e a empurrou com certa força.

– Eu to né, já você não sei. — ela respondeu risonha, pelo que havia acabado de acontecer. – Vai adiantar eu dizer que não foi planejado. — Anita ainda tentou uma defesa, mas nem assim evitou não rir dele e do que havia feito.

– Bom se eu ganhasse na loteria toda vez que isso acontecesse. – Ben olha para si mesmo com certo riso pela situação. Anita parecia gostar mesmo de lhe por em situações pra lá de desastrosas.

– É, eu realmente não te poupo de muita coisa. – Anita sorri lamentando o fato.

– É mais isso aqui foi uma vingança não é, pelo copo de suco no aeroporto, ou será que você já fez isso semana passada. – Ben a olhou com a expressão debochada apontando para sua roupa.

– Não, ou sim. – Pra duas perguntas. — Anita segurou o riso sem sucesso.

– Ué vocês não tinham nos dito que havia se visto no aeroporto filha. — Vera quebra o silêncio anterior, e até os olhares furtivos com que ambos se encaravam. Os dois pareciam se esquecerem de que não estavam sozinhos. A cozinheira os encarou não escondendo a curiosidade, Anita olhou para Ben, como se perguntasse qual dos dois realmente tentaria explicar o ocorrido.

– Não, mais nem foi aqui, foi em são Paulo mãe, eu tive uns probleminhas com meu voo. – Anita justificou sem conseguir entrar em detalhes ou talvez nem conseguisse mesmo. — E logo eu continuo sem nenhuma sorte né. — ela olha para a mãe por alguns segundos e logo retoma a atenção para ele.

– Bom também isso não é o mais importante não é, melhor você trocar de camisa e tirar essa mancha logo antes que realmente não tenha jeito meu filho. — Vera se pronuncia querendo ajuda- lo com o problema.

– Não se preocupa Vera depois eu resolvo isso, eu tenho um compromisso agora, vou me trocar e vou correr pra lá, porque o trânsito a essa hora não deve estar nada fácil. — Ben não se preocupa muito com o desastre causado por Anita, mas sim com o fato de que poderia mesmo perder o horário. Já retirando a camisa encharcada. Anita o fitou descaradamente, sem afirmar que não tinha culpa no ocorrido. — Bom eu só espero mesmo que isso não vire uma rotina moça, ou eu realmente vou estar encrencado por culpa tua, toda vez que a gente se cruzar. — Ben disse travessamente olhando firme em direção de Anita, que apenas sorria.

– Eu lavo pra você, é o mínimo não é, você não vai ter um pedido melhor de desculpas de mim, pode acreditar. — Anita de prontificou andando para mais perto dele, com um sorriso brincalhão.

– É, você não é boa de dizer o que sente mesmo, tudo acaba virando segredo a sete chaves na tua mão. — Ben retrucou meio que deixando a indireta, por ela sempre ter fugido dele, desde que chegou ali, e por sentir que as vezes ela ainda fugia em admitir o quanto poderia estar envolvida com ele, e a relação que os dois ainda meio que tentavam iniciar.

– Você nunca reclamou. – Anita disparou entre um sorriso cheio de audácia, apanhando a camisa da mão dele. — Mas do que irrita-lo, a maneira impaciente com que Ben lhe encara e suspirava toda vez que era desafiado por ela, sempre seria um incentivo para alfineta-lo, sem ligar para o redor.

– É cheguei meio tarde como sempre. – Ben revidou com um meio sorriso, saindo rumo a escada novamente, enquanto Anita continuou a fita-lo com ar de riso, mal pressentindo que poderia ter despertado a curiosidade de Vera e Sofia, pelas provocações trocadas. Na verdade também nem estava ligando muito para esta hipótese.

– Relaxa gente, eu não vou vou derrubar mais nada em ninguém juro. – brincou ela, para quebrar o clima de tensão que ficou no ar, saindo em direção ao quintal, Sofia e Vera ainda pareciam um tanto confusas e até perplexas, mas nenhuma demonstrou isso a outra.

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– Sei lá sabe eu gostou da Meg, mais não posso negar que uma coisa que eu detesto nela, quanto mais eu vejo, é essa mania dela de controle em tudo, de dizer que tá mandando na situação sempre, e como se ela nunca quisesse admitir nada sabe, que a qualquer momento ela pode encerrar por um fim no que ela quiser. – Marcelo comenta entre goles d’ água e o olhar a Anita que só ouvia tudo com atenção.

– Vai ver ela quer encerrar. – Anita se move sentando perto dele na calçada com um sorriso brincalhão.

– Cara você também hein. – o garoto ri para não demonstrar sua insegurança e dúvida.

– É, eu não estou sendo nada bacana, te ajudando a cultivar a sementinha da dúvida, ok. – retrate-se ela encarando o chão. – Mais e aí, é amor mesmo, paixão daquelas que fulmina e pronto. – Anita indagou toda cheia de altivez, e um sorriso curioso.

– Hahahah bonitinha você. – Marcelo fica sem responder, apenas com a face irônica.

– Ué... — ela ri ainda mais.

– É eu... – To gostando dela, eu diria mais que isso até, coisas inesperadas acontecem quando não se espera não é, é isso. – o rapaz afirma temendo pela confissão.

– E a noiva, como fica nisso, porque a Meg não merece esse carma. – Anita o questionou direta. Jamais admitiria que alguém fizesse a americana sofrer, não se ela pudesse de alguma maneira evitar, e nem mesmo gostando de Marcelo deixaria ele magoar Meg tão facilmente.

– Olha faz tanto tempo que a gente acabou tudo, não acho que isso tenha importância. — Marcelo imagina.

– É mais pelo que eu entendi teu lance com essa menina foi bem forte. – Anita retrucou não muito convencida.

– É foi, mais ela me largou, e óbvio que eu fiquei mal, descabecei por conta dessa história não nego, mais já foi, eu não tenho a vontade de voltar com ela, mesmo que ela viesse na minha frente agora e dissesse, algum dia eu pensei sim, mais já foi a vida anda né, perdi essa ilusão. – Marcelo é sincero com o que diz. – Você hein, fica implicando, mais anda pagando de apaixonada, tá na hora de assumir né. — o rapaz aproveita para lembrar.

– Como você disse, às vezes a agente perde a ilusão. Anita sorri sem graça devido a recordação. – Olha é muito clichê eu sei disso, aliás nunca pensei que eu fosse usar esse argumento pra nada, mais tem um oceano que separava a mim do Ben, vivemos em realidade bem apostas né, ele tem a vida dele eu a minha, ambos lutamos muito por isso, difícil administrar essa distância né e um dia ela vai vir a tona. — ela confessa já ter pensado no fato.

– É não dá né, por mais que você queira ele também, você não pode largar tua faculdade, teus sonhos, e nem ele os dele. – Marcelo a entende e talvez os dois amigos tivessem um grande impasse a administrar quando chegasse a hora.

– Eu acho que, conforme as coisas não saem como a gente planeja a gente perde essa ilusão, de tudo um máximo sempre, a vida não é assim, ser feliz e sofrimento veem na mesma intensidade e também vão, eu lido com a minha realidade Marcelo, achar que coisas fantásticas vão me acontecer do nada, simplesmente porque eu mereço, é destino, não rola comigo mais... Anita admitiu ter seus pés no chão, e não se iludir. – A gente cria uma espécie de escudo né, pra se proteger de tudo, óbvio que isso não pode ser motivo pra se desistir de nada, mais é humano não é...

– É. – Mais agora vamos dar mais uma corridinha porque essa conversa da ficando muito melancólica pro meu gosto.

– Que bebeu né? — ela fez uma careta enraivada. – Eu não aguento dar um passe mais se quer, quem dera correr. — reclamou resignada.

– Larga de preguiça vai, não vai morrer não. — Marcelo a puxa entre gargalhadas.

– Eu não tenho tanta certeza. — Anita ironiza nada afim.

– Vem. – ele insistiu em puxá-la, que ria se negando entre caretas de pirraça.

– Óh que desse jeito eu vou achar que você rumina alface mesmo, só assim pra ser magra. – o garoto a soltou entre risadas implicantes. – Cheia de preguiça e se dizendo comilona, acho que você é uma fachada dona e muita mentirosa, ou é magra de ruim né o que é pior ainda... – ele soltava gargalhadas enquanto olhava para Anita, que cruzou os braços desaprovando.

– Sabe, você se acha o melhor, o mais engraçado, não é tudo isso também não. – ela o fitou com ironia.

– Bom na teoria talvez até tenha dado já pra você tirar tuas percepções, mais na prática talvez você ainda tenha que conviver muito comigo pra isso. – Marcelo alega de forma tagarela.

– Eu mereço. – rosnou Anita maneando a cabeça com descrença e saindo a andar.

– Ou espera ai, também não precisa esculachar assim. – ele grita sendo ignorado, com Anita apenas fazendo sinal que iria continuar a andar.

– Anita e Marcelo, ficaram amigos em tempo recorde né filho. – Ronaldo comentou por alto observando as pirraças dos dois no outro lado da rua.

– Hãm pai, desculpa eu não tava prestando atenção. – Ben escorado no muro de casa e com os olhos fixos no celular mal ouviu o que o homem discursava.

– Não só disse que Marcelo se dá tão bem com Anita, e vice versa que parece até que os dois se conhecem a muito tempo. — falou o homem.

– Tá o que tem, onde que tá o crime. — Ben não compreendeu e acabou impaciente.

– Calma filho foi só um comentário, não estou entendendo toda ironia. — Ronaldo se desculpa.

– É porque ninguém dessa família é irônico não é pai. — afirmou Ben o olhando sério.

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– Descobri que o pior defeito do Marcelo é persistência em excesso sabia. – Anita afirmou chegando com animação à cozinha nem percebendo a desatenção de Ben que preparava uma jarra de suco. – Sério me fez andar até eu quase cair desmaiada. – Ben. – Ou to falando com você né. – ela mexeu a mão em frente ao rosto dele, o percebendo distante.

– Eu to ouvindo sim. – garantiu ele a olhando de leve escorada a pia com um meio sorriso.

– Não parece né. – Anita fitou a parede a frente com descrença. – Que? — Que foi hein. – ela virou para Ben não muita convencida, pondo os óculos sobre os cabelos.

– Não é nada, sei lá, talvez a temperatura ambiente do casarão já esteja esquentando além, da conta, só isso. – tenta explicar ele.

– Ah ok, ou será que seria você mesmo, que anda arrumando um motivo pra fritar os neurônios. – especulou Anita desconfiada.

– Talvez eu te acuse de traçar um plano de fuga de cinco em cinco minutos, mas talvez eu negue muito que o meu já esta pra lá de resolvido. – Ben rebateu sincero. – E eu esteja tempo demais por aqui mesmo. – ele confessa.

– Tá e isso também, nem tem nada a ver comigo, não é pra variar. – Anita fala desconfortável com o fato. – Eu sinto muito Ben, quando eu cheguei aqui meu instituto não era bagunçar as coisas assim. — lamentou ela, não querendo causar qualquer problema a ele, por mais que já pressentisse que isto estava acontecendo, e a culpa seria apenas uma relés consequência.

– Eu sei, também não era o meu, eu juro. — garantiu ele, não ter nada a ver seu pensamento, enquanto a fitava. Mais aconteceu né, não foi nossa culpa, ou talvez... – ele sorriu docemente. – Nós sejamos culpados de tudo, eu seja, por nunca ter conseguido arrancar ou mesmo matar o que eu sinto por você, que ainda tá aqui dentro. — ele suspirou tocando de leve o rosto dela.

A partir dali Anita teve certeza que perderia o foco infinitamente, se toda vez Ben lhe olhasse da mesma forma com que lhe encarava naquele momento, os segundos não passavam mais, o tempo pararia, e ela estaria completamente entregue a ele e ao que sentia, frágil e totalmente exposta ao perigo que era ama-lo sem se preocupar em ser comedida, apenas respondendo ao impulso que sentiria em tê-lo pra sempre ao seu lado.

– Eu tentei, tentei muito, e tentei tanto que até nem sei quantas vezes xinguei a mim mesma por nunca ter conseguido. – Anita sussurrou praticamente, enquanto observava Ben segurando o copo com a mão esquerda e fiscalizando o chão a seus pés. Fazendo as palavras de Anita fazerem um barulho ainda mais estrondoso, diante do silêncio que pairava. Ben levantou o olhar a encarando com expressão séria ainda, Anita tentou conter a respiração de nervoso e até de arrependimento pelo que havia dito, talvez fosse melhor sufocar mesmo, foi o jeito de seguir em frente, e mesmo que quisesse muito falar tudo o que guardou esses anos todos e até mesmo antes, talvez nunca tivesse encontrado alguém realmente disposta a ouvi-la, ou a não julgá-la por nada. Ben deu um sorriso suave sem ainda se pronunciar, Anita também continuou muda, julgando até que já havia falado demais.

– Ah é desculpa, oi, eu não... – Sofia passou pela cozinha, segurando uma toalha em mãos que pretendia estender no varal do quintal, e sentiu certa tensão no ar, e de imediato sentiu que nem deveria estar ali.

– O que. – Anita ficou em sobressalto depois que ouviu a voz grave da loira, e deu um passe para trás de leve, tomando distância de Ben, a arquiteta acabou falando qualquer coisa que veio a sua mente.

– Não, é que eu tava passando, não sabia que vocês estavam aí, não queria atrapalhar. – a loira sem querer deixou suas suspeitas superficiais serem vistas. Ao dois extremamente próximos, as testas quase encostadas, Anita havia tirado com destreza a mão do braço de Ben, mas mesmo assim ela havia notado, Sofia ficou se perguntando o que acontecia de fato ali, era um beijo, seria isso? A garota devaneou confusa, os dois estariam juntos, talvez fosse loucura isso jamais seria possível, conhecia Anita, ela não perdoaria Ben, o rancor e a mágoa, a irmã não conseguiria esquecer isso, pelo que conhecia de Anita, ela não seria capaz, na infância toda vez que a ela quebrava algo da irmã mais velha, a outra tratava de lembrá-la sempre, Anita não era tão predestinada a semear coisas boas como pensavam todos, ela também somava mágoas dentro de si. Fato que fez Sofia ter certeza no passado, quando tentou tirar Ben dela para sempre com ajuda de Cícera, sabia que isso a irmã não perdoaria, Anita acreditava demais em um amor fiel e sem mentiras, ela já havia perdoado muito coisa, mas isso jamais, e não seria hoje que algo mudaria, o orgulho ainda estava ali ao lado de irmã.

– Não tava. – Anita respondeu voltando as atenções para a irmã com a face serena, ainda lembrando do que havia ouvido na noite passada entre a mãe e a loira.

– É Sofia, nós só estávamos divagando sobre nada importante. – Ben desconversou soltando o copo sobre a pia. Não falava muito com a loira, mas pode perceber o quão constrangida ela havia ficado pelo quase flagra que deu nele e em Anita. Apenas procurou conter a frustração pelo beijo interrompido.

– Isso ai, nada importante. – Anita confirmou, olhando de leve para ele com certo deboche, como se quisesse implicar pela classificação do assunto como não importante. – Bom vocês me dão licença, que eu vou tomar um banho porque, inventei de correr pra espantar a preguiça e fiquei ainda mais acabada, tchau. – Anita explicou segurando os óculos em mãos parecendo impaciente, e saindo com pressa, antes que surgisse mais outra indagação. Talvez estivesse mesmo desde que chegou ali, tentando manter toda calma e complacência possível para lidar com todos e todas as situações que pudessem vir, mais se descobriu pisando em “ovos” também, e tentando ao máximo evitar algo que era quase incontrolável para ela, um possível acerto de contas com Sofia e até Vera. O chuveiro seria de fato melhor companhia do que sua discussão interna, que a atrapalhava mais do que ajudava naquele momento.