Notas iniciais
Mais um capíitulooo pra vocês!!!

– Nãooo... – Pode parar, vocês tão roubando. – Anita brigava com Ben e Marcelo, durante um jogo de vôlei.

– Ah para gente nem apelem. – argumentou Ben.

– Ah vai vocês, nem são descarados. – Meg jogou a bola para o outro lado irritada.

– Gente, parem né. – Marcelo queria não rir, mas era inútil, as duas garotas bravas e fazendo pirraça ficavam ainda mais hilárias. – Vocês são chatas, não é mais fácil admitir que tão perdendo, porque são duas baixinhas. – retruca o rapaz seguido de gargalhadas, enquanto as duas se olham desgostosas.

– Baixinha é a tua mãe Marcelo. – Meg ralhou cruzando os braços.

– Eita, ofendeu a sogra. – Anita implica fazendo os dois garotos do outro lado, rirem ainda mais, mesmo anteriormente não gostando ela também acaba rindo.

– Anita de que lado você tá hein. – a estrangeira se aproxima a olhando séria.

– Do meu lado, pode ser. – Anita quase debocha da amiga. — Desculpinha, saiu sem que eu percebesse. — ela explica.

– Gente, tem lugar pra mais dois. – Julia perguntou se aproximando com Fred.

– Tem, mais a gente vai perder e você também né. – diz Anita.

– Meu deus, mais como reclama. – Ben riu da garota, quando vinha até ela.

– Nem vem não, que eu não pedi tua opinião. – ela diz desdenhando, enquanto recebia um abraço.

– Eu também não disse que eu estava pedindo percepção pra dá-la. – Ben nem ligou, e com ar sorridente enlaçando uma mão no cabelo dela e a beijando com vontade.

– Tá bom, vem pra cá Meg e Fred. – ele sugere.

– Aiii! – Anita resmunga quando recebe uma bolada.

– Pôh Marcelo qual foi. – Ben também se afasta um pouco de Anita a reclamar.

– Desculpa, não vi que vocês estavam distraídos. – Marcelo exclama, sorrindo astuto, quando joga a bola, em Anita e no amigo, quando os percebe mais atentos aos beijos que trocavam.

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– Olha só, eu não me conformo viu. – Marcelo discutia em animação com os amigos, quando todos vinham sentar na areia. – Perder assim, ainda pra vocês. – ele ri.

– Não é melhor se conformar que você perdeu de lavada. – rebate Anita.

–E terrível isso, porque dois CDFs, que ainda por cima podem me ganhar no vôlei, cara não dá pra competir com vocês não, quero mais isso. – Marcelo implica sem cerimônias com os amigos.

– Você ai menos agora sabe que vai perder. – Anita fica sem se importar.

– Marcelo aceita a derrota e para de chorar vai. – afirma Ben travessamente.

– Jamais. – o garoto diz fingindo ainda desgostar. – E eu vou é pegar uma água que já to desidratando já. – ele informa.

– Traz uma pra mim. – pede Meg.

– Ah se você pedir com jeitinho, eu posso. – o garoto brinca se aproximando.

– Ah é, pois dispenso, pego eu mesma. – a loira rebate, entre um sorriso exibido, saindo a andar.

– Não acredito que o Serguei não quis vir. – Julia lamentava, sentada a areia, desfrutando do forte sol que fazia.

– Ele disse que tinha que trabalhar, não quis insistir. – Anita afirmou, também gostando que o amigo tivesse ali.

– Uma pena, porque adora praia, e cada vez menos ele tem tempo de vir, bom e eu nem posso falar também né porque vivo ocupada. – Julia ressalva constatando que também não podia reclamar muito do amigo.

– Ah nem me fala, estou seriamente ficando mal acostumada, com essa boa vida daqui, quando a realidade me chamar nem quero ver, como vai ser. – confidenciou Anita, percebendo que estava levando as coisas bem aquém do que era sua rotina.

– Você é viciada em trabalho amiga, admiti. – Julia a critica em parte.

– Não, sou viciada em trabalho dona Julia, mas ok, eu confesso que às vezes minha rotina me engole, minha vida acaba se resumindo em trabalho, comer e dormir, isso quando eu não pulo a parte de me alimentar mesmo. – Anita fica sem concordar totalmente. – Mais também se não fosse assim, eu nem daria conta, eu iria acabar voltando pro Brasil com uma mão na frente e a outra atrás, e isso nem é força de expressão não, é real. – ela implica consigo.

– Até parece que tua mãe iria achar isso ruim. – falou Julia, pensando que em parte Vera adoraria ter a garota bem perto de si de novo.

– Pode ser, mas eu não iria me sentir bem, frustração principalmente quando vem de mim não lido bem mesmo, e seria o fim né, depois do duro que eu dei pra ir embora, mesmo sem o aval deles, e depois voltar assim pra casa, sério moro debaixo da ponte, mas isso não faço, não gente. – garante Anita ciente do que pensava.

– O que faz de você uma pessoa muito orgulhosa. – se intromete Ben na conversa.

– Ah juro, e você porque não volta então, oh sabe tudo, que eu saiba não sou a única ovelha desgarrada daquela família não. – Anita olha para ele o confrontando entre um sorriso abusado.

– E você tá me saindo muito baixa e uma bela de uma atrevida sabia. – o rapaz mal crê no que ouve. – São situações diferentes, muito, aliás. – ele alega, sorrindo desconcertado.

– Você é que pensa, você é que pensa. – Anita fica descrente. – E você dona Julia, podia, por exemplo, parar de dizer que eu sou escrava do meu trabalho, e aceitar aquele convite que eu te fiz há séculos, e ir passar um tempo comigo, mais até dá pra te compreender, afinal não é todo mundo que tem um noivo pra sentir saudades. – brinca Anita olhando para Fred sentado ao lado da morena. – sou uma apaixonada convicta pelo que eu faço mesmo, mas como qualquer ser que seja humano, eu descabeço de vez em quando, pego umas mudas de roupa e saio por aí sem endereço e rumo, inclusive já te convidei pra viajar comigo, mais de uma vez né. – Anita a lembra sorridente. — E realmente eu casei com meu trabalho, a há um bom tempo, também né gente ele é m marido exemplar, me dá trabalho óbvio, mas também me dá dinheiro, a jamais vai me trair um dia. – debocha ela. – E antes que vocês me digam que isso é muito cruel e solitário, eu realmente não me importo com a opinião a minha volta, acho que meu nível de não ser igual a todo mundo tá começando a ficar critico mesmo. – finaliza Anita, sem ligar que todos poderiam estarem certos a respeitos das observações que faziam a cerca de sua vida.

– Ai amiga só você mesmo. – Julia acaba rindo. –E olha eu sei que eu te devo uma visita a um bom tempo, mais é que toda vez que você me convida to atolada com as coisas da faculdade. – Julia argumenta não negando que poderia estar um pouco em falta com ela.b

– Mais eu acho que você tem razão Anita, toda vez que ela e o Fred passam dois dias longe, ela já anda cheia de saudade. – a mãe da garota reforça.

– Eu sei disso com exatidão, mais eu não vou brigar com você, continuarei compreensiva. – diz Anita brincalhona, fazendo a amiga rir.

– E você Anita tá namorando. – a mãe da morena indaga despretensiosa.

– Eu, sabe que eu não sei. – Anita fita Ben atrás de si, com certo deboche.

– Não me desculpa, não quis me meter em nada, é que tua mãe me disse que você tava namorando um menino brasileiro. – ela se justifica meio nervosa.

– Minha mãe fala mesmo né, já desconfiava. – caçoa Anita sem levar muito a sério.

– Mãe, para né, você tá constrangendo a Anita, e consequentemente mais gente. – Julia intervém a olhando séria, pedindo que ela encerrasse o assunto, ao pressentir que nem Anita e nem Ben, poderiam ficar confortáveis com a pergunta dela.

– Ai Anita, realmente não foi por mal, jamais me meteria na tua vida, não foi minha intenção. – a mãe de Julia sorri encabulada com a situação que havia criado sem querer.

– Não imagina, isso nem foi pensado, mais eu não to mais com o Gustavo não, só que minha mãe ainda não sabe, só espero que quando souber não me venha com aquele papo de que fiz a coisa errada né. – Anita respondeu já prevendo mais ou menos como seria a reação de Vera – Vai ser o fim de minhas ilusões irreais com ela, não se metendo nas minhas escolhas. – reclama ela rindo.

– Você vai ficar aí, eu vou lá atrás o Marcelo, porque ao invés de alugar uma prancha, ele deve ter ido fabricar uma. – afirma Ben, já impaciente com a demora do amigo que não voltava nunca.

– Duas não é, você não iriam dividir a mesma. – implica Anita forçando um sorriso esperto. – É que a Meg foi ajudar, aí tá demorando mais. – brinca ela.

– Inteligência você né, tchau. – Ben devolve a ironia, dando um beijo no ombro dela e saindo.

– Você acha que ele se chateou com o papo. – Julia alega, ficando em alerta depois da saída apressada de Ben.

– Não, acho que ele tava mais preocupado com as ondas que ele tava perdendo mesmo. – Anita diz, sem achar que o rapaz tinha se chateado de fato com o assunto.

– Sei lá né amiga, você acabou de dizer que não tá namorando. — Julia ri da cara de nem aí de Anita, diante do fato de Ben não ter gostado do que ela havia dito com tanta certeza.

– E não estou, não me lembro dele ter me pedido em namoro, e Julia na boa, a gente já tem tanto motivo pra brigar, que sinceramente acho que esse jamais seria um. – disse Anita com ar sincero, se desdobrando em tirar a areia dos chinelos.

– Ah tá bom Anita, então vocês não estão apaixonados, e isso aqui é só uma viagem que em breve acaba. – Julia alfineta sem acreditar nem um pouco que esse poderia ser o caso.

– Eu não sei, e Julia desculpa mais essa coisa de ficar dando nome as coisas sei lá, acho que pulei essa fase. – proferiu Anita entre um sorriso leve. – A gente tá junto sim, mais acho que nenhum dos dois se empenhou em entender direito o que isso dignifica...

– Posso interromper vocês só um pouquinho pra pedir desculpas de novo, Anita eu não perguntei pra te sondar, realmente não tinha passado pela minha cabeça que... – a mulher insistia um tanto quanto constrangida, quando compreende o que estava fazendo.

– O meu forte hábito pra reincidências, pois é tia Rita, acho que nem eu . — diz a menina risonha.

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– E ai Julia, você que sem dúvidas conhece há mais tempo, aqueles dois ali, o que tá rolando mesmo, né por que... –Acho que tem gente querendo esconder o jogo. – diz Marcelo repleto de bom humor, sentado ao lado da amiga de Anita a areia. – Duas crianças, sem mais. – ele afirma, comtemplando toda alegria dos dois.

– É eu conheço a Anita sim, desde menina, mais acho que também não precisa conhecer ela muito tempo pra saber que quando ela não quer falar de uma coisa, ela não fala e ponto. – respondeu a morena sorrindo simpática, enquanto olha de relance para a cena que despertava tanta curiosidade em Marcelo, Anita e Ben entre brincadeiras próximos ao mar, que eram também acompanhados de beijos e sorrisos iluminados.

Marcelo riu em concordância, deixando de olhar para os dois, e direcionando o olhar para o mar, que em contraste com o sol meio forte, trazia uma brisa quente para a praia, quando se aproximava mais e mais da areia a cada onda revolta. – Sei não... – Mais pra mim, entre tanta enrolação, o que não falta ali é paixão ou amor, ou os dois. – ele afirma com ar brincalhão.

– Ai gente, acho que deu preguiça. – Meg volta do mar e senta ao lado dos dois.

– Tadinha, preguiçosa, meu deus. – Marcelo diz a ela, não escondendo o sorriso implicante, estendendo o braço aos ombros dela. – Também todo mundo dormiu muito tarde ontem. – usou como justificativa, enquanto ela escorava a cabeça em seu ombro.

– Também dormir como com aquele barulhão todo, eu tentei mais não deu. – concorda a loira dispersa.

Anita e Ben corriam pela areia da praia, ambos transformavam toda felicidade que emanava dentro de seus corações, em uma liberdade, que os fazia se sentirem tão leves e alegres, a ponto deles se sentirem flutuando sem nem mesmo tirarem os pés do chão.

– Paraaa... – Para! — Anita protestava já sem folego para continuar correndo pela areia. – Chega Ben, é sério...

– Ué a garota incansável tá pedindo arrego é isso. – Ben teve que zoá-la.

– Ai tá bom, eu admito, quer me jogar na água, pode jogar, mais as chances de me afogar são grandes. – confessa ela, sentando-se ao chão. – Ai tá dando câimbra na minha perna, que coisa. – ela justifica enquanto o vê ainda rindo de si, sem ao menos disfarçar.

– Difícil né. — fala Ben antes de se acomodar ao lado dela.

– O que? – Anita perguntou quando não entendia do que ele falava.

– Viver longe disso aqui. – ele afirma melancólico.

– Hum entendi, falou o cara que vem sempre passar férias no brasil. – ela brinca lhe olhando com um sorriso.

– Ok, você pode até razão. – ele ri. – É engaçado mesmo, e sempre passei tão pouco tempo aqui, nove anos pra ser mais exato. – o rapaz confidencia sem disfarçar certa frustração contida.

– Mais é isso né, a gente sempre sente falta de casa. – ela afirma. – Acho que é sempre e bom ter um lugar pra voltar né, saber que a gente tem, sei lá. – Anita imaginou sorridente.

– Ai moça, será mesmo que a gente ainda tem esse lugar, ou todo mundo lá em casa pensa assim, só porque estão vivendo uma mentira que existe, é que a gente já cansou. – discursa Ben não escondendo a falta de certeza.

– Não, não fala isso, que eu pego minhas coisa e vou sei lá pra onde, dando pra fugir qualquer lugar serve. – Anita ri do fato, mesmo não descartando que Ben estaria certo, se escorando nele e olhando para o mar como forma de diminuir os pensamentos confusos que começavam a passar por sua mente talvez não quisesse pensar mesmo, Ben ficou mudo sem atiçar ainda mais a dúvida que não era somente dele, mas como foi percebido pelo garoto era também de Anita. Sua vida, seu futuro podiam estarem totalmente incertos, naquele momento, devido ao furacão que foi devastando todas suas certezas, quando Anita surgi em sua vida, mas de uma ele não podia se esquivar, não abriria mão da garota por nada, não poderia e sabia também que não conseguiria.

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– Então você não acha que essa praia já deu o que tinha que dar não. – Ben confronta Anita, desfazendo todo silêncio que ligava um ao outro naquele momento. – Lugar seio cheio de gente, mar agitado, vendo revolto, acho que ao menos por hoje, acho que eu to preferindo, um lugar mais calmo, mais sólito, mas se você quiser me fazer companhia, não ia desaprovar tanto assim. – convida ele, enquanto ela continua de cabeça baixa, a rabiscar o próprio nome na areia.

– Ham, acho que eu vou esperar o sol se pôr sabia, a praia vazia, até se constatar que a única coisa que se escuta é o barulho do mar mesmo. – ela declarou, estampando nos lábios um sorriso alegre, erguendo o rosto para encarar o céu azul.

– Ah sim, o que vai demorar não é. – Ben sorriu contrariado com a resposta que recebeu.

– Tem medo de ir pro inferno não. – Anita o lança um olhar audacioso. – Sempre insistindo, em estar do lado da garota, que é a errada pra você, que nunca estava e nem estará a tua altura. – a critica a si mesma acaba soando como um deboche sem que ela perceba.

Ben olhou para o chão, encarando a areia com um sorriso nos lábios. – Bom das duas uma, ou você bebeu refrigerante batizado, naquela festinha caída dos nossos irmãos ontem, opinião que não serve pra eles talvez... – diz o garoto com os olhos firmes em cima dela. – O que pra mim sirva, não é, já você saiu de fininho como sempre, aliás, quando constata que a temperatura da água possa ser fervida. – ele brinca irônico, enquanto Anita volta suas atenções para o mar como se não estivesse nem aí para o papo. – Ou não tem se olhado no espelho ultimamente. – encerra Ben as acusações se esgueirando para encará-la novamente.

– Isso foi uma acusação delicada é... – zombou Anita sem se quer pensar em se intimidar.

– Não sei quem sabe. – Ben não desmente. – Mais o que eu sei com certeza, é que eu nunca vi em você, o que todo mundo fazia questão de apontar como defeitos, ou até perecia demais. – ele afirma.

– Você pode estar enganado, tonteado, absurdamente iludido, ou pra ser mais sucinta... – Anita retruca. – Errado...

– Vem cá me explica porque nós começamos esse papo de maluco hein. – desconversa ele sem realmente entender qual era a finalidade do assunto imergido em ironias.

– Ambos acabam rindo da situação. — Ué não sei, me diz você... – dispara Anita ainda com a expressão risonha. – Que começou... – Com a desculpa, de que eu saí pela tangente, olha eu não tenho culpa, se eu penso antes de agir, e você só responde os teus impulsos. – ela tenta se defender.

– Pensa, em que momentos. – Ben ri ao se recusar a acreditar.

– Sabe que me surgiu uma dúvida agora, algumas vezes você já justificou as duas burradas, para com comigo, que envolviam outras pessoas, afirmando que não havia pensado muito. – a garota se recorda. – E comigo, será você pensou, ou foi também só um sincero impulso de um momento, sem calcular o depois. – ela a protesta travessamente, ajeitando os cabelos que eram brutalmente castigados pelo vento.

– Você tá sendo cruel. – acusa Ben sorridente no tempo que passa a olha-la nos olhos, como se quisesse desmentir.

Anita esboçou um sorriso por alguns segundos sem confrontá-lo. – Ai tá tocando o celular, pega aí pra mim. – ela deu risada, quando escutou o objeto tocar em cima de sua bolsa que estava ao lado de Ben.

– Oi mãe. – Anita murmurou com surpresa quando escutou a voz de Vera, parecendo agitada quando se pronunciava no telefone. – Eu sei, mais vocês chegaram cedo não é, não era mais a noite, assim a Giovana tinha falado aqui pra gente. – ela tentou argumentar, mas foi sendo interrompida taxativa pela mãe. – Podiam ter avisado né, ah não precisou o Vitor sei. – Anita passou encarar Ben confusa, enquanto ouvia as justificativas da mulher. — Na praia, é eu to, vim com a Julia e com resto do pessoal, no Embaixada eu e o Ben, a troco... – Ah sei, não tá bom então bye bye, só me esperar. – ela acabou desligando o telefone pensativa, e não mais insistindo em argumentar.

– Eles chegaram. – pergunta Ben em um tom de confusão.

– Aham, e pelo visto coma as baterias super carregadas. – Anita retruca de forma irônica, enquanto olha para o telefone em sua mão pensativa. – Bora, pelo visto nós vamos levar uma bronca daquelas, só pra não perder o costume, por causa dos nossos queridos irmãos, que só aprontam porque são perdidamente influenciados pelas duas ovelhas negras aqui. – convida ela levantando impaciente, amarrando os cabelos meio bagunçados em coque, e desvirando a regata azul, para vesti-la sobre o biquíni e o short preto.

– Hey vai com calma, a gente não sabe o que te fato aconteceu. – argumentou Ben percebendo a aflição desmedida dela.

– Você não seria tão ingênuo a ponto de achar que fomos chamados assim, pra recebermos um parabéns. – devolveu ela, apanhando a bolsa do chão, soando quase como um deboche dissimulado.

– É realmente não. – Ben concorda movido de impaciência.

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– Meu pai Omar cadê? – indagou Ben, ao entrar no restaurante e vê-lo arrumando as mesas, concentrado.

– Ah oi gente. – o garçom respondeu com simpatia, ao notar a presença de Anita e Ben atrás de si.

– Tudo bem. – Anita afirmou, deduzindo que a simpatia era uma mera formalidade, ao menos para ela não estava, era tão nítido quanto à noite que anteveem o dia, que Vera e Ronaldo jogariam a culpa da diversão, sem que ambos soubessem no casarão, em cima dela e de Ben.

– Ótimo. – ele responde também alegre. – Eles estão lá dentro, podem entrar. – informou Omar prestativo.

– Obrigado. – Ben agradeceu, Anita que sem responder mais nada, saiu a andar em direção a sala que o padrasto usava como escritório, visivelmente perturbada e tomada por falta de paciência, que ela não fazia questão alguma de disfarçar.

– Oi mãe, Ronaldo, como foram de viagem sou será que eu não deveria de perguntar. – ela quando entrou na frente de Ben.

– Tudo bem gente, fomos bem Anita. – Ronaldo deu um sorriso cordial aos “filhos”.

– Vocês queriam falar com a gente. – questionou Ben, parecendo necessitar de uma confirmação.

– Sim, nós queremos. – Vera assentiu confirmando.

– Hum tá. – Anita seguiu o gesto de Ronaldo ao sentar em uma das cadeiras de frente para a mesa. – Engraçado sabe, só eu que estou com essa sensação de dejà vu evidente, vocês aí de um lado, com esse ar sério e introspectivo, o Ben e eu do outro, mais pálidos do que uma folha de papel, curiosos quanto a bronca e cheios de medo. – ela diz com certa malicia. – Esse quarteto já protagonizou algumas batalhas não é gente, vamos admitir, com muito sangue certamente, eu diria. – ainda acrescenta, Vera e Ronaldo porém disfarçam o desgosto com a ousadia. – Situação no mínimo capciosa, admitam!

– Dá pra parar, ou você tá fazendo só pra me irritar. – Ben ordena, com o tom de voz firme e com uma ponta de irritação.

– Você seria muito convencido se achasse que algum dia eu fiz alguma questão de te agradar, pode acreditar. – rebate ela cruzando os braços em silêncio.

– Pai é fala, por favor. – ele se pronunciou dessa vez com serenidade. – antes que eu comece a sentir vontade de esganar alguém. – afirmou Ben olhando de leve para ela.

– Que não vai se fazer de vítima, por ter certeza. – garante Anita séria.

– Bom gente é... – Vera se impôs tentando manter-se imparcial.

– Posso fazer uma perguntinha, simples antes de vocês começarem. – Anita alegou audaciosa, ao erguer a mão esquerda.

– Claro, faça. – Ronaldo consentiu entre um sorriso sábio.

– Vai demorar muito, não né porque, eu preciso ir pra casa, tirar o sal do cabelo, água salgada pra cabelos cacheados e ressecado então, faz um mal terrível. – se pronunciou Anita contornando o sorriso sarcástico que se formava em seus lábios, Ben em um misto de impaciência e nervosismo apoio os cotovelos sob a mesa esfregando as mãos ao rosto, se controlando ao máximo para não revidar com grosseira.

– Acho que não Anita. – Vera lanço um olhar que parecia repreender o jeito leviano com que a filha demostrava desinteresse e até certo deboche pela conversa.

– O Vitor nos contou da festa que deu em a nossa ausência. – Ronaldo manifesta, lançando um olhar firme e acusador na direção dos dois.

– E... – Anita pergunta com ar de confronto.

– Que ele nos disse que vocês deram autorização. – acrescenta Vera.

– Gente. — Anita dá uma risada continuando com a expressão irônica. – É pra rir disso, não porque, só pode ser uma piada. – ameaça ela maneando a cabeça descontente.

– Pai, o Vitor, não nos pediu autorização pra nada, aliás ele fez questão de deixar bem claro de que não precisava, segundo como ele mesmo disse a casa é dele, e de vocês, muito mais do que minha e da Anita, por tanto a gente não deveria se intrometer nem um pouco. – interrompe Ben contendo a insatisfação.

– Exatamente, ele só nos comunicou que estava prestes a dar uma festa. – Anita reforça acordo com as palavras dele.

– Mas, eu pensei que vocês tivessem ficado comprometidos a cuidar disso. – Ronaldo contrapôs.

– Ronaldo francamente. – a garota olha séria para o homem. – O que você queria que nós dois fizéssemos, gritasse, ameaçasse por de castigo, ligar pra vocês, o que não seria de adianto não é, eles já se acostumaram a fazerem somente aquilo que querem, e antes que vocês nos acusem de ter começado essa rebelião, pode esquecer, porque eu não estou nem um pouco a fim de ouvir sermão, ainda mais deste tipo. – taxou Anita, abusando de sua sinceridade.

– Dessa vez eu tenho que concordar com a Anita, a Giovana, o Vitor, Sofia, e até o Pedro, sempre tiveram o aval de vocês pra tudo. – manifesta Ben de maneira impaciente. – Você acha mesmo que eles ririam escutar qualquer coisa que a gente dissesse pai...

– E olha que nós tentamos hein. – afirmou Anita. – Pra ser mais clara, vocês não acham que estão cobrando a conta das pessoas erradas não, a culpa disso é de vocês, que deixaram eles tomarem as rédeas das coisas como bem entendiam, como achavam que deveriam, como se ser adulto fosse um máximo. – ela bufa já raivosa. – Tanto o Ben como eu, estávamos a quilômetros de distância daqui, tanto pra influenciar, bem como pra mudar o comportamento deles em relação a isso de alguma forma. – Anita declara, os semblantes descontentes e sem reação de Vera e Ronaldo pareciam demostrar exatamente o que eles pensava do que estavam ouvindo ali.

– É isso que você pensa sobre tela família Anita, e com tanto egoísmo. – Vera ataca a filha de forma ressentida, sem disfarçar qualquer decepção.

– Eu penso muitas coisas, com certeza eu sou capaz de formular milhões de hipóteses pra uma única situação, é meio astral isso, já me disseram uma vez que é coisa de signo talvez, mas eu não subestimo nada em ninguém mãe, acho que sou mais acostumada a ver as pessoas fazendo isso comigo. – Anita não demostra qualquer arrependimento no momento que se levanta para ir embora. – Mais se você quer saber é minha opinião, eu não tenho culpa de nada, eu tentei argumentar com o Vitor, só que assim como eu, ele também foi taxativo, ele queria dar a festa. – afirmou ela. – E bom se isso te serve de consolo, não aconteceu nada de grave, eu banquei a irmã chata e fiz eles ajeitaram a casa hoje cedo, sozinhos, porque eu não movi uma palha, eu não ia arrumar a bagunça que eles fizeram, já cansei, trabalho de graça agora, só se me beneficiar de alguma forma. – retruca ela ainda, enquanto a mãe continua muda. – Mais conversa com ele, sem bronca , sem neura, vocês vão se entender, não é impondo qualquer coisa que seja, que vocês não vão impedir, não pro muito tempo, cada pessoa tem suas próprias convicções, segue seus próprios instintos, ninguém consegue ser tão decisivo na vida de alguém, mais concelho é bom também, ajuda. – declarou Anita não ligand para as retaliações que poderia ouvir, mesmo que o olhar da mãe a ela já lhe dissesse absolutamente tudo. – Agora se vocês me dão licença eu vou indo. – ela comunica, saindo pela porta de um jeito devagar.

– De certa forma não posso dizer que e Anita não tem razão. – profere Ronaldo pondo um fim ao silêncio que ficou no ambiente por alguns segundo depois que a enteada saiu.

– A Anita está bancando a revoltada isso sim, como se nós tivéssemos arruinado a vida dela. — – Sendo individualista apenas. ... – Aliás, deve ser isso que ela pensa de fato, sem demonstrar... – Vera afirma sem concordar, a pitada de mágoa fica evidente, ao menos para Ben que continuava imóvel, onde estava, absorvendo as palavras da madrasta, que em um lapso, mal se deu conta que... — O que havia pronunciado com tanta certeza, atingia diretamente também a Benjamim. Que ficou estático no mesmo lugar devaneando como aquilo acabaria, se ele saísse em defesa da garota, era a vontade que tentava controlar naquele momento.

– É... – Ben gaguejou por segundos como se quisesse acabar com o tom nervoso que sua voz tentava impor por si só. – Era só isso, bom acho que, vou indo também. – ele alegou, fingindo que não via o olhar confuso recebido do casal. Ele não queria demostrar, não queria deixar sua impaciência com as palavras da madrasta lhe proporcionarem uma reação em defesa de Anita, chamaria atenção talvez, trariam mais discussões e dessa vez era só ele, já que Anita tinha realmente ido embora. Como assim? Vera não podia estar chamando a mesma pessoa que ele conhecia de individualista, ou Vera não conhecia a própria filha, ou Ben idealizava uma Anita que não existia, e era ele somente o culpado por isso, devaneou Ben, encarando o pai e a mulher, enquanto desaprovava aquilo tudo. Talvez fosse pior, cogitou ele mudando o completamente o rumo de seus pensamentos, tudo de bom que a garota havia feito, e estava disposta a fazer por todos ali, não importava, era invisível pra todo eles, os poucos erros anteriores, haviam apagado qualquer chance que Anita podia ter de ser tratada como humana, e que também errava por isso e que as vezes como qualquer um, ela também necessitava ser compreendida, ao menos um pouco.

– Eu vou indo, tchau pra vocês. – o garoto levantou parecendo anestesiado por toda confusão em sua mente rumando à porta que dava para fora do local.

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Ben bateu na porta do quarto de Anita, depois de andar por algum tempo sem rumo pelas ruas do Grajaú, ao sentir que antes de mais nada precisa era aplacar seus pensamentos desconexos e nervosos que o atormentava. — Oi! – ele disse, ao levar o olhar até ela, cabelos molhados um vestido azul marinho, parecia realmente tudo normal. Talvez para Anita a conversa com Vera e seu pai, havia passado batido, sem mais preocupações ou angustias, talvez fosse sua cabeça tentando lhe complicar mais uma vez.

– Oi. – balbuciou ela, soltando a escova de cabelos sob o bidê e virando para encará-lo.

– Você tá bem. – ele indagou sem saber ao certo porque perguntava.

– É eu to. – garante Anita, mesmo tendenciada em confirmar que “não”. Não sabia dizer exatamente porque, mas algo a incomodava, talvez não fosse nada, pensou ela. Suas emoções haviam mesmo virado uma montanha russa desde que pôs os pés no Brasil novamente. — Você... – Você acha que eu sou egoísta. – ela pergunta com a expressão tranquila, mesmo que por dentro a sensação fosse outra. Era Vitor e agora a mãe, em menos de um dia lhe dizendo as mesmas coisas, e a garota não conseguiu ficar sem se perguntar o porquê exato daquilo. Talvez para não ser, teria que se anular, sufocar suas vontades, tudo aquilo que pensava, e apenar ser uma pessoa que vivia somente para agradar a família, que fazia aquilo que era a vontade deles, o que eles esperavam, alguém que zelaria pela felicidade deles, até esquecendo-se da sua própria.

– Porque, como assim, porque isso? – o rapaz sorriu confuso sem lhe dar uma resposta, apenas sentando ao seu lado.

– Eu não sei. – e Anita não sabia mesmo, estava apenas procurando algo que a incomodasse, para ignorar toda certeza sobre si mesma, seria só uma tentativa frustrada de arrumar um problema para se preocupar, já que tudo parecia bem em sua vida. – Bom eu fui embora daquele jeito, mal falei com todo mundo aqui, não nego, que de alguma forma eu tenha mesmo, me retirado um pouco, mais às vezes não foi porque eu quis, eu precisei Ben. – não negou.

– Então quer dizer, que se eu disser que sim, não vai acontecer nada. – Ben a confrontou enquanto a olhava firme.

– De repente. – sorri Anita por um instante. – É chato né, eu fiz muita burrada sim, e até afastei muita gente de perto de mim, mais... – Isso não significa que eu fui plenamente feliz com isso, doeu também, doeu muito, doeu tanto que eu achei até que nunca mais iria passar. – ela confessou seus anseios emotiva, não conseguia ser cordial com o fato que todos ali, pareciam ignorar sempre seus reais motivos, que estavam por trás de suas decisões, não foi para puni-los, foi para não passar o resto de sua vida se punindo amargamente por tudo que não deu certo. – Mas, isso não quer dizer que eu não me sinta sozinha de vez em quando, que eu não queira, ou não precise de ajuda, todo mundo se sente sozinho alguma vez não é, solidão bate na porta e... – Anita baixou o olhar depressa, quando constatou que suas lágrimas vinham com pressa para serem derrubadas, fato que ela não cedeu as controlando e ignorando suas emoções. – Comigo, não é diferente, e mesmo acostumada, porque no fundo eu sempre fui sozinha, sempre resolvi tudo sozinha, mais sei lá, as vezes a corda pesa e fica um pouco difícil de se manter equilibrado nela. – Anita sentiu que precisava encerrar suas confidencias, ao levantar o olhar, e perceber um Ben paralisado e sua frente que estava sendo fortemente tonteado por suas confidencias.

– Então deixar eu te ajudar. – Ben se pronuncia, envolvendo o braço em volta dela e a trazendo para perto. – Você não tá sozinha, não enquanto eu puder estar do teu lado. – promete ele lhe dando um abraço cuidadoso, sem que Anita tivesse tempo de recusar.

– Eu não sou de ferro, mas acho que eu preferia ser. – ela dá um sorriso como de amenizar o turbilhão de sentimento que havia os dominado ali. – Mais chega né, daqui a pouco minha mãe e o Ronaldo chegam aí querendo contar as novidades. – ela o lembrou enquanto o convidava com um sorriso.

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– Ben veio me perguntar, sobre aquele assunto hoje Meg. – Quando vocês foram todos fazer hora lá ne mas pra almoçar e a gente ainda ficou mais um pouco. – Anita soltou em meio à conversa que as duas tinham sobre o dia de praia e o que havia rolado depois que ela foi embora, depois de ser chamada pelos “pais”.

– Oi, como, aquele, aquilo que você me contou. – a loira se vira assustada para Anita.

– Aham, outro dia quando a gente tava conversando, lá no shopping, eu meio que sem perceber, falei o que não devia. – Anita confirma tenebrosa, que Ben ligasse os fatos.

– Você não vai contar pra ele né, não né, porque depois de tanto tempo, ele ia sofrer demais Anita... – Meg argumenta, não querendo nem imaginar se o rapaz soubesse da verdade que Anita havia omitido por tanto tempo. – Já pensou, a reação dele, gente eu não quero nem pensar. – a loira alega.

– Eu sei. – entende Anita entre suspiros pesados. – Ia ser duro demais, por isso que na época eu não falei nada, já tinha acontecido mesmo, não ia mudar o curso das coisas, nada ia se reverter, ele só ia sofrer e muito, eu não podia, não tive coragem de dar esse sentimento ruim a ele, por mais que a gente já tivesse separado na época, e eu até com raiva dele, eu não podia Meg, ia ser pior pra mim, do que foi lidar com aquela notícia, de algo que foi tirado de mim antes mesmo que eu pudesse ter consciência que era real. – diz Anita, com fleches de momentos angustiantes vindo à sua mente.

– Não, seria muito doido. – Porque é irônico, enquanto a Cícera enganava o próprio filho com o ajuda da tua irmã, Sofia se fazendo de doente, cheia de complicações na gravidez, porque algumas vezes vocês brigaram, você era que...- a americana disse a respeito das armadilhas de um destino implacável. – Caramba Anita, você já se deu por conta disso. – perguntou Meg, aterrorizada com a situação.

– Para Meg, isso não vai acontecer, ele não vai saber disso nunca, nunca, e você continua fingindo que eu nunca te contei isso, além de você, só a Julia e o Ronaldo sabem, e graças a deus que os dois concordarem em nunca conter nada. – Anita se ergue nervosa com as insinuações de Meg.

– Ok, eu não vou jamais cogitar dizer a alguém que eu sei disso, mais quando você me contou lá em Londres, nossa Anita, eu não soube nem o que te dizer. – a loira afirmou dando o fato por encerrado.

– É acho que nem eu, às vezes eu tenho a sensação que nem foi comigo, mais é melhor assim pra todo mundo. – Anita falou taxativa.

Continuação, próximo capítulo...