Encontros

3 Terceiro Encontro - Herói


Notas iniciais
Hi o/ Saiu e espero que curtam. Boa leitura!

30 de Agosto de 2014

Sábado, um maravilhoso e quente sábado de folga depois de duas semanas inteiras com plantões mínimos de 24hrs.

As pessoas andavam acidentando-se mais ou era apenas impressão minha?

O caso é, sou cardiologista e especializada na área de cirurgias cardiovasculares há quatro anos e antigamente fazia APENAS isso, mas os novos profissionais que estavam chegando deixavam a desejar no quesito simpatia e confiabilidade, então tudo sobrava para mim.

Sendo assim, se a pessoa me conhecia e por algum acaso precisasse fazer uma cirurgia do apêndice, não era com um cirurgião abdominal, muito menos um geral que ela gostaria de operar, não imagina... Era COMIGO que ela queria operar de qualquer maneira e isso me deixava triplamente cansada. Até nas neurocirurgias de Tsunade e Shizune eu andava auxiliando por pedido de pacientes.

Fora as marcações de consultas e cirurgias pré agendadas possuíam as eventualidades de um plantão médico, como acidentes automobilísticos ou domésticos, vítimas baleadas que sabia Deus de onde apareciam, mas vinham para nosso hospital graças a fama que as médicas principais possuíam. Afinal, Tsunade e eu disputávamos prêmios de medicina internacionais todos os anos.

Mas hoje nada disso me importava, a única coisa que importava mesmo é que eu havia dormido até as 9h da manha sem bip nenhum tocando no meu ouvido.

E no momento eu precisava apenas me decidir, ficar em casa o dia inteiro descansando ou sair para um passeio no parque recém inaugurado da cidade.

Me espreguicei na cama abraçando o travesseiro ao lado, me esparramava na cama de casal sentindo o sol bater nas minhas pernas descobertas, mas antes que eu me decidisse ficar em casa e dormir pelo resto do dia senti o filhote fofucho pular uma, duas, três vezes até que com dificuldades subiu na cama.

Ninguém entendia como uma médica conseguia ter um cachorro, na verdade nem eu sabia como conseguia, mas ele também não tinha sido obra minha, e sim da minha adorável mãe que não queria que eu me sentisse solitária em casa.

Ano passado ela havia me arrumado um canário, mas depois de um plantão de 36hrs sem pausa para descanso quando cheguei em casa ali jazia um canário. Infelizmente.

Tentei explicar que eu não podia ter bichos de estimação, não gostava de deixá-los sozinhos, mas eu também não podia fazer companhia graças ao trabalho que consumia dias inteiros, as vezes a comida da tigela acabava antes mesmo de eu conseguir voltar pra casa, mas com minha mãe não tinha conversa, se ela achava que eu precisava de companhia, ela me arrumaria uma companhia.

E há aproximadamente um mês ela e meu pai simplesmente me deixaram com um filhote de 50 dias, pequeno, frágil e faminto 24hrs por dia, não posso dizer que foi fácil me acostumar, pois vivendo sozinha há três anos não era difícil eu esquecer do pobre pug. Mas agora, depois de tantos dias com essa companhia canina fofa e amorosa, eu estava amando ter um filhote.

E era ele que naquele momento, com apenas dois meses e gordurinhas localizadas que formavam dobrinhas lindas me lambia e me tentava a todo custo me despertar.

–- Okay Goku, acordei meu querido -- Sentei na cama me encostando a cabeceira e o peguei no colo, brinquei um pouquinho enrolando ele nos lençóis e o deixando agitado -- Você quer passear amor? -- Mantinha seu corpinho deitado com a barriguinha para cima no meio das minhas pernas cruzadas -- Quer passear bebê? -- Mexi em sua orelhinha e recebi um suspiro satisfeito de volta – Está bem! Vou me trocar, vamos passear no parque e você desfilará suas pantufinhas. --Levantei e o desci da cama, se para ele era difícil subir logo concluia-se que era impossível descer.

Fui ao banheiro tomar um banho para despertar, mantinha-me ainda sonolenta como em qualquer sábado uma pessoa normal estaria. Sai coberta pelo roupão preto e vi Goku correndo de um lado para o outro atras de uma bolinha. Ele realmente distraía-se muito fácil.

Segui até o closet procurando algo que me agradasse, encontrei uma saia florida e decidi combina-lá com uma regata branca, passei um cinto fino marrom pela cintura, calcei as sapatilhas nude e fui até a varanda do quarto conferir o clima. Estava sol, mas o leve vento gelado característico do Japão batia em meus braços descobertos e gelava meu corpo todo, voltei ao closet, peguei uma jaqueta da mesma cor da sapatilha e sai desligando a luz e fechando a porta.

Peguei Goku no colo, coloquei a coleira e as pantufinhas, alcancei minha bolsa e segui até a porta.

–- Vamos passear! -- Murmurei e logo já estávamos no elevador.

Goku foi no meu colo e a cada pessoa que via suas patinhas apontavam e murmuravam algo sobre o quão simpático parecia aquele cachorrinho. E eu concordava com todos.


Quando chegamos ao novo parque percebi o quão bonito havia ficado, o Prefeito realmente investiu em algo interessante em um terreno que antes não possuía nada além de terra vermelha. Era amplo, arborizado, bem protegido, com bebedouros para humanos e animais espalhados em todos os cantos, uma parte alimentícia bem completa e muitos bancos espalhados em locais estratégicos.

Mas o mundo era pequeno demais para eu ter paz, quando pensava em soltar Goku ouvi a voz familiar que a muito não ouvia.

–- GOKU -- A pequena Megumi corria a meu encontro amparada pela sempre protetora mamãe Temari, parou perto das minhas pernas e sorriu agarrando-se a minha saia -- Oi tia.

–- Olá Megumi -- Afaguei os cabelos tão escuros como do pai e me livrei de seu agarre, ficar sem saia no meio do parque não estava nos planos – Como você esta pequena princesa Nara? – Ela sorriu

–- Bem – Respondeu acentuando com a cabeça a firmeza de suas palavra e depois simplesmente apontou para Goku – Totó! Totó!

–- Você não pode brincar com o Totó filha -- Temari a tomou nos braços levando-a a seu colo, encarou-me retirando minha dúvida em seguida, afinal, da ultima vez que vi Megumi ela deitou e rolou em meu tapete com um Goku alucinado -- Ela andava muito doentinha, fizemos os exames, fomos encaminhados a um alergista e descobrimos que Megumi possui uma alergia grave de animais -- Murmurou -- O Miau teve que ser doado.

–- Sério? -- Perguntei dando um passo atrás, não gostaria de afetar o estado de saúde da pequena -- Doou para quem? Você gostava tanto daquele gato – Murmurei chateada por ela.

–- Doei para Ino -- Sorriu balançando levemente a filha no colo -- Ela sempre cuidou e adorou Miau, quando posso sempre vou vê-lo.

–- Mas Megumi agora esta bem, certo? Completamente curada? -- Vi Shikamaru aproximando-se com os demais homens. Ele acenou brevemente como os outros e voltaram a arrumar o local que sentariam.

–- Depois que doamos Miau e fizemos uma boa faxina em casa Meg mudou da água para o vinho -- Sorriu satisfeita – O tratamento está sendo bem eficaz.

–- Isso que importa -- Sorri de volta

–- Gokuzinho, Gokuzinho da titia -- Ino aproximou-se aos pulos já afagando a cabeça do filhote e brincando com suas patinhas -- Olha meninas, Goku tá de pantufa -- Mexeu nas orelhinhas tirando um suspiro satisfeito do cãozinho -- O que esta fazendo aqui Sakura?

–- Apenas passeando com o Goku e vocês?

–-Havíamos te convidado para o pique nique lembra? Você disse que provavelmente estaria de plantão -- Murmurou chateada e eu obvio, havia esquecido até mesmo do convite.

–- Desculpe porquinha – Sorri sem graça -- Eventualmente meu plantão muda como aconteceu hoje, terei que cobrir o plantão de Shizune na segunda, então ela ficou com o meu hoje.

–- Falando nela – Ino perguntou sorridente – Como anda a gravidez?

–- Ela tem picos de humor – Joguei meus cabelos soltos para trás – As vezes esta extremamente feliz e do nada começa a chorar dizendo que não tem certeza se Kakashi a ama. – Suspirei – Esta complicado lidar com ela e com Tsunade, principalmente quando elas decidem surtar juntas.

–- Imagino seu desespero – Temari murmurou – Tsunade me assusta!

–- Ela assusta qualquer um – Ino fingiu um calafrio. Digamos que minha mestra não possuia a melhor fama do mundo ou o troféu “Pessoa mais tolerante do Japão” muito menos “Melhor sorriso”, mas quando a conheciamos melhor, era possivel descobrir o quão encantadora era no fundo... Talvez bem no fundo.

–- Parem de falar sobre Tsunade, trabalho e afins e vamos aproveitar que você está aqui agora – Hinata apontou para mim e murmurou vindo em minha direção, em uma mão uma enorme toalha xadrez vermelha e branca, na outra, a coleira de um imenso labrador preto chamamos Yin.

–- Verdade! Junte-se a nós Sakura e nada de falar de doenças, pacientes ou psicótivos -- E lá vinha Tenten, sempre sorridente, com uma cesta de pique nique característica de filmes e a seu lado já solto e saltitante o Lulu da Pomerania intitulado Choco.

–- Vieram passear com seus cachorros também? Então esta certo, vamos comer -- Vi Yin se chacoalhar assim que foi solto da coleira e correr até Choco para brincar, me abaixei colocando Goku sobre a grama e logo tirei sua coleira, destemido como é aproximou-se da imensidão de Yin e mais rápido do que imaginei já havia criado uma linda amizade com os outros dois, e corria euforicamente pelo parque.

Sentamos para a refeição, Shikamaru, Naruto e Neji sempre preferiam conversar mais entre si do que compartilhar conosco, enquanto as mulheres ao meu redor compartilhavam o que viesse em suas cabeças ocas.

–- Conheci o Sai na lanchonete perto do estúdio -- Ino contava sobre seu possível novo affair e sinceramente, eu já tinha medo -- Ele é tão bonito e gentil – Sorriu suspirando no final, era um péssimo sinal!

–- E o que ele faz da vida? Traficante, sequestrador, ladrão de bancos? -- Perguntou Temari debochada -- Escuta aqui Ino, não pretendo ir parar nunca mais em uma delegacia por causa dos seus machos em minha filha -- Rosnou mudando de humor repentinamente e todas rimos, porque TODAS compartilhavam da mesma opinião.

–- Claro que não, primeiramente, ele é representante de uma grife -- Resmungou – E em segundo lugar, antes de qualquer coisa quero que vocês o conheçam, quero opiniões -- Enfiou um pedaço de pão na boca -- Dessa vez quero fazer tudo certo – Com esses modos se desse certo só se ele fosse mais lesado que ela.

–- Justo -- Murmurou Tenten -- Justíssimo inclusive.

Eu não contaria por agora que naquele dia da delegacia eu havia encontrado um bom colírio para os olhos, até porque era apenas isso que o delegado moreno bonitão poderia ser, até aqui eu ignorava o fato, mas duvidava muito que ele não fosse comprometido.

–- E você Sakura, como anda as coisas com Tsunade 007? – Quem disse mesmo que não queria saber de Tsunade? Mas elas no fim adoravam saber dos meus perrengues com loira, pois rendiam histórias bem engraçadas.

–- Continua querendo saber de todos os meus passos desde o dia da delegacia, segundo ela, precisa garantir a integridade moral de seu nome e de sua discípula -- Sorri encarando os caezinhos brincando.

–- E seus pais? -- Temari perguntou arrumando Megumi que tirava um cochilo sobre a toalha

–- Meu pai ficou extremamente puto da vida -- Apoiei uma não na grama esticando as pernas para frente -- Falou que eu estaria morta se isso tivesse saído no jornal e feito as ações da empresa caírem, mas no dia seguinte tanto ele quanto minha mãe tiravam uma com a minha cara. Nada de anormal vindo da minha família. – Familia essa que vocês conheceriam melhor mais para frente, pois eles não passavam mais de um mês sem me arrumar alguma novidade.

–- Neji não falou por três dias seguidos comigo -- Resmungou Tenten – Alegou assim que deixamos a delegacia que ele era advogado Tributário e não porta de cadeia, eu mereço?

–- Shikamaru ficou remoendo pelos cantos, e claro, falando que Ino não havia mudado nada desde a época que ele a conheceu no colégio. – Temari murmurou – E agora a cada deslize ameaça contar para Meg que a mãe dela foi fichada.

–- A única coisa que Naruto fez foi ficar chateado quando descobriu que eu não tirei foto com plaquinha de numero nenhuma -- Hinata e todas nós rimos -- E seu pai Ino?

–- Cortou meu cartão de crédito e retém todo meu salário -- Resmungou de braços cruzados -- Eu não sou mais uma criança e ele precisa entender isso -- Levantei me espreguiçando e murmurei discontraidamente.

–- Então não haja como uma! -- Me distanciei antes de ouvir o nervosismo da Ino escorrendo pela língua e me atingindo como uma bota.

Fui em busca de um banheiro e me surpreendi com a limpeza, usei, lavei as mãos, arrumei o cabelo e obviamente, dei um jeito na maquiagem, quando voltei tudo já estava guardado nos carros e as pessoas repousavam deitadas no chão sob a toalha tomando um solzinho naquelas caras brancas, sentei com eles e ficamos conversando de coisas banais. Geralmente falando mal umas das outras e claro, apontando os defeitos da Ino que era nosso maior Hobby, afinal, quando jovens competiamos e nos premiavamos com o “Quem irrita a loira primeiro”. E devo dizer que eu retinha o maior número de estrelinhas.

Estávamos sentados perto a lagoa onde beirava a rua dos corredores, vários homens passavam sem camisa e suados e de tantos que as mulheres já haviam visto, perderá a graça e agora encaravam seus próprios noivos e maridos, se conformando com a própria derrota.

Quando olhei pro lado todas cochilavam ou mantinham apenas os olhos fechados, não sei direito e não as cutucaria para descobrir. Encarei então o céu azul límpido, depois senti a brisa fresca que cortava o parque, observei as folhas verdes que balançavam nas árvores e por fim um moreno de cabelos molhados, fone de ouvido, sem camisa e suado correndo, e não era um moreno qualquer, era o gato do batalhão Uchiha Sasuke.

O iPod ficava preso em uma faixa feita exatamente para ele no braço forte do moreno, o abdômen fime, as coxas fortes, o olhar compenetrado... Era tudo tão lindo que agradeci aos céus por estar de óculos escuros e ninguém ver meu olhar descarado sobre aquele corpitcho.

O acompanhei com os olhos até metade do trajeto, onde ele parou, abriu a garrafa que carregava consigo, bebeu e finalizou jogando sob os cabelos fazendo escorrer pelo tórax e costas e lá jazia eu, quase morta sentada em uma toalha no meio da grama verde.

Nada poderia estragar aquela visão dos céus.

Mas eu era eu e claro, algo realmente tinha que estragar aquela delícia de momento.


Ouvi um rosnar de cachorros e aparentemente todo o parque ouviu, pois direcionamos nossos olhares para o princípio de confusão. Todos aqueles cães eram treinados e adestrados, mas só havia uma coisa que tirava um cachorro do sério e treinador nenhum conseguiria mudar isso.

Um gato

Um gato bonitinho, branco e de olhos azuis

Um gato no meio de 10 cachorros que babavam furiosos

Um gato perto demais do meu Goku que não sabia o que fazer porque sequer vira um gato em toda sua vidinha curta

E principalmente

Um gato que de tão assustado começava a ficar violento e com certeza alguma daquelas patinhas fofas acertaria meu pequeno filhote indefeso.

Levantei em um impulso pisando até mesmo em meu casaco claro que havia retirado a pouco.

–- GOKU! -- Gritei e não vi nada nem ninguém, vi apenas uma pata cheia de garras tentar acertar meu pequeno filhote que rosnou pelo susto, tive certeza que a meu lado todos já levantavam, pois eu ouvia as vozes das minhas amigas gritando o nome do meu cachorro e antes que eu iniciasse minha corrida para regata-lo os cachorros já perseguiam o gato e eu tive certeza, Goku sairia machucado!

***


Ele era rechonchudo e pesado, por isso quando o peguei tive certeza que esse era o tal de Goku que Sakura chamará.

Quando a ouvi gritando e olhando em direção ao filhote rodeado por aquela multidão de cachorros rosnando e pretendendo arrancar a cabeça do gato sem noção que surgiu ali, imaginei que talvez pudesse fazer um resgate animal bem interessante, tudo bem que não era um gatinho preso em uma árvore, mas eu ganharia pontos com a minha consciência e claro, talvez eu ganhasse pontos com a rosada.

A vi fechando os olhos quando os cachorros dispararam atrás do gato, eu já estava na metade do caminho, então precisei apenas apertar um pouco o passo da corrida para resgatar o filhote que chorava nervoso em meu colo.


Tive que admitir que era um cachorrinho extremamente fofo, com pêlo macio e tão perfumado como a dona. Realmente, eles se combinavam!

O segurei junto a mim e caminhei até Sakura que mantinha-se assim como todas as amigas de olhos fechados, havia sido tudo muito rápido e bem, nem eu teria tempo de assimilar se um bicho de estimação meu tivesse sofrido tal acidente.

Cumprimentei os homens que suspiravam aliviados ao ver o filhote em meu colo e me posicionei em frente a Sakura, que estava tão linda como nos encontros anteriores. Alias, ela poderia ficar mais incrivel?

–- Ele é um garotão de sorte! -- Falei sorrindo levemente e brincando com o cachorro que levantava a patinha querendo bater em meu dedo, Sakura levantou os olhos verdes assustados para mim e me encarou por segundos antes de encarar Goku -- Ele esta bem. -- Conclui o estendendo a ela que até agora mantinha-se em silêncio.

Quando finalmente pegou o filhote de minhas mãos pude contemplar o sorriso mais bonito que já vi em minha vida, era sincero, e alegre, grato e gentil. Era lindo como ela, alias... eu já disse que ela era linda?

–- Goku -- Ela murmurou o analisando para garantir que não estava ferido. Ela era médica ou veterinária no fim das contas?

–- Gokuzinho -- A loira que arrumara toda a confusão na delegacia afagou o pelo do bichinho e todas as mulheres sorriam enquanto enchiam de mimos o filhote que parecia bem contente com toda aquela presença feminina.

Dei um passo para trás pronto para ir embora quando senti um furacão rosada e seu amigo peludo voando sobre mim, ela me abraçou rodeando os braços pelo meu pescoço e mantendo-se na ponta dos pés.

–- Obrigada Sasuke -- Murmurou próximo demais o que poderia me causar uma pontada de arrepios caso eu não estivesse ainda na adrenalina da corrida -- Muito obrigada! -- Soltou-se e eu pude ver sua roupa levemente molhada.

Eu havia acabado de terminar um circuito, estava suado e molhado pela água que jogará em mim momentos antes de resgatar o felpudo, se ganharia um abraço dela, bem que podia ser em um momento que eu estivesse limpinho, não?

–- Não por isso! -- Sorri de canto e talvez ela tenha caído em si sobre o abraço, pois suas bochechas ganharam uma leve coloração rosada. E ela era linda corada.

***


Por mais feliz que eu estivesse e por mais grata que eu fosse, eu realmente não deveria te-lo abraçado. Burra Sakura, muito burra!

Dei dois passos atrás para depois fitar Goku no meu colo, estava agitado, talvez assustado, mas encarava Sasuke com uma admiração digna de super herói, e na verdade, para nós dois o Dr.Uchiha havia encarnado o Batman e salvo o dia.

–- Temos que ir Sakura! -- Hinata murmurou enquanto colocava a coleira em Yin, levantou-se afagando as orelhinhas de Goku -- Vocês ficaram bem? Querem uma carona?

–- Estamos bem -- Sorri

–- Certeza Sakura? -- Temari encarou-me seria -- Não será trabalho nenhum levá-la em casa.

–- Não precisa imagina, já disse que estamos bem! -- Reafirmei

–- Você ainda esta assustada Sakura-Chan -- Naruto murmurou

–- Fiquem tranqüilos -- A voz forte de Sasuke soou a meu lado -- Somos vizinhos de prédio, posso acompanha-la até em casa sem problemas. -- Concluiu

–- Muito obrigada pela gentileza Doutor Uchiha -- Tenten curvou-se levemente em agradecimento -- A leve em segurança, por favor.

–- Cuidarei bem dos dois -- Murmurou e logo vimos meus amigos partindo no carro que haviam chego, com Yin em uma janela e Choco na outra.

***

Andávamos calados, eu levava Goku no colo e Sasuke a garrafa que antes tinha água, havia colocado a camiseta e eu era muito grata por isso, retirado o iPod do braço, secado o cabelo no vento e os deixado mais rebeldes ainda, aquele homem era uma perdição.

–- Ele é bem jovem? -- Perguntou e eu realmente, não entendi. Quem era jovem? Ele notou minha confusão e sorrindo de canto apontou o filhote em meu colo -- O felpudinho, é bem jovem?

–- Ah sim! -- Murmurei sem graça -- Ele fez dois meses há três dias atrás.

–- É bem bonitinho -- Sussurrou baixando a cabeça e eu sorri com seu modo sem jeito.

–- Realmente, muito obrigada Sasuke -- Agradeci novamente depois de mais minutos em completo silêncio -- Eu já salvei tantas vidas, mas não poderia salvar a dele, se não fosse por você...

–- Eu costumo estar no lugar certo, na hora certa -- Ele respondeu e calou-se em seguida, continuando seu caminho silencioso.

–- Foi realmente mais um encontro inusitado -- Ri da situação -- Acho que posso me acostumar com isso -- Notei que chegamos a portaria de meu prédio, foi bem mais rápido do que imaginei. Acho que em boa companhia tudo passava rápido.

–- Também posso me acostumar com isso -- Ele sorriu e coçou a orelha de Goku que balançava o rabinho feliz -- E você amigão, também pode?

E impressionantemente o cachorro latiu.


–- Acho que ele concorda -- Sasuke murmurou divertido

–- E quem não concordaria? -- Sussurrei, mas me chutei em seguida ao notar que ele ouviu -- Quer dizer... Eu não quis... Na verdade -- Fazia muitos anos que eu não gaguejava, ou seja, de duas uma: Ou estava desenvolvendo algum problema grave na fala, ou estava regredindo mentalmente, e a segunda opção era bem mais provável. Sasuke ria disfarçadamente e eu com certeza corei, dada a quentura que senti nas minhas bochechas.

–- Poderíamos sair um dia desses -- Ele tomou a palavra antes que eu pensasse em qualquer outra frase mais genial que aquela.

–- Podemos -- Sorri o encarando brevemente sem graça, muito tempo que ninguém me chamava para sair. -- Quer dizer, poderíamos... Se você não tiver compromisso com ninguém – Sabe aquele ditado “Jogue verde para colher maduro”, pois é! Agora sim ele daria a única resposta que me importava.

–- Apenas as quintas com a minha mãe -- Ele completou sorrindo de canto – E sábado que vem com meu pai.

–- Uhum -- Encarei meus pés e dancei a gonga em pensamento -- Bom, vou para dentro. Obrigada novamente pelo resgate de Goku e por me acompanhar no caminho, foi muito agradável.

–- Foi mesmo Sakura -- Ele despediu-se e virou-se, sem antes me encarar rapidamente e completar -- Vamos marcar um dia, não vou me esquecer.

E quando o vi partir pensei que eu de fato, não queria que ele esquecesse. Entrei no prédio, subi até meu andar joguei Goku no sofá, peguei meu notebook e me lancei as pesquisas sintomáticas.

Eu queria saber apenas duas coisas:

Primeira: No ramo neurológico, quanto tempo pesquisas apontavam ser necessário para que um ser humano saudável pudesse se apaixonar.

E Segunda: Que diabos de sensação estranha era essa no meu estômago?

Eu só podia estar tendo alguma reação alérgica a algo que comi naquele pique nique, mas eu realmente não poderia jogar no Google "Algo voando no meu estômago", pois com certeza obteria algo como "Você quis dizer idiotice?.”

Será que eu deveria jogar no Google quais seriam as possibilidades de eu estar encrencada?

Notas finais
E então, estão gostando da fic? Muito obrigada por todos os comentários até aqui, está sendo bem satisfatória a aceitação e eu realmente, estou adorando escrever essa fic. E vocês nem tem do que reclamar em, pois os capítulos estão saindo razoavelmente rápido. Favoritem, marquem como acompanhamento, deixem reviews e muito mais do que isso, interajam com a autora. A ideia desse capitulo quem desencadeou foi a linda Sahky Uchiha *obrigada* e a próxima ideia pode ser de vocês, o que acham? Vamos lá gente, com a participação de vocês tudo fica mais divertido. Até breve!