Encontros
4 Quarto Encontro - Mal Entendido
Notas iniciais
09 de Setembro de 2014
Era bem comum eu chegar em casa e ela estar vazia, silenciosa e o único ruído ser a respiração preguiçosa de Goku. Também era muito comum eu virar as noites no hospital e chegar entre 7h ou 7h30 no meu adorável apartamento.
O que realmente não era comum era eu chegar as 7h25 da manha, abrir a porta e me deparar com Haruno Kizashi e Haruno Mebuki sentados em meu sofá, afagando Goku e conversando que nem duas gralhas. Isso não estava nos planos!
–- Bom dia Hana -- Papai levantou tão sorridente quanto eu quando recebia meu salário e vos digo, papai não era uma pessoa sorridente, então ele queria alguma coisa.
–- Bom dia pequena -- Mamãe me saldou ainda sentada com o pequeno pug jogado em suas pernas apreciando o carinho.
–- Bom dia -- Saldei com a voz cansada e ao mesmo tempo desconfiada, o que diabos estava acontecendo aqui?
–- Já tomou café? -- Perguntaram e eu neguei, depositei a bolsa junto ao jaleco na poltrona para logo ser arrastada até a vasta mesa de café da manha. Seja o que for que esteja acontecendo aqui, é um pedido grande.
Mas pelo sim ou pelo não, eu realmente estava com fome, sendo assim, comer primeiro, conversar depois.
A refeição acabou mais rápido do que eu gostaria e logo meus pais começariam a fazer seus pedidos.
Mas antes, talvez vocês precisem saber de alguns detalhes sobre minha ilustre família.
Quando eu tinha um ano e dois meses de idade, papai ficou desempregado e graças a isso nós tornamos uma família pobre o suficiente para não fazer as três refeições diárias. Nunca fomos de família rica, mas pelo que contam, aquele foi o pior período de nossas vidas, mesmo que eu não lembre de quase nada.
Passados alguns anos com meu pai arrumando pequenos empregos, mamãe decidiu fazer um curso técnico e começou a trabalhar como enfermeira, e ficou acordado que enquanto ela trabalhava meu pai cuidava de mim é da casa, e trabalhava em seu sonho, desenvolver algo para a industria eletrônica.
Quando eu fiz cinco anos papai finalmente lançou um aplicativo para computador depois de tantos anos de trabalho árduo, era algo simples, mas inovador à época. Meu avô gostou da ideia e decidiu investir suas poucas economias no projeto, não demorou muito para conseguir um pequeno escritório e logo, uma empresa mediana interessou-se pelo projeto.
Meu pai cresceu no negócio e aperfeiçoou aquilo que eu já julgava boom. Quando fiz onze anos o mercado de smartphones surgiu e foi ai que as coisas tomaram um rumo imenso. Uma magnata no ramo de aplicativos e smartphones comprou o projeto, e começamos a lucrar milhões por mês e graças a isso logo os Haruno possuíam um nome, prestígio, reconhecimento e acima de tudo, glória no mercado mundial de tecnologia com lojas espalhadas pelo mundo e uma marca própria. A BIG app's domina o mercado de aplicativos e cria tendências a cada lançamento.
Hoje os Haruno fazem parte dos magnatas do Vale do Silício, e eu pude formar-me na maior e melhor faculdade de Medicina que poderia me ser oferecida.
Como sou grata pelo esforço de ambos em me criar e ajudar em minha caminhada do sonho médico, costumo fazer tudo que me pedem, mesmo que seja algo mirabolante, e por isso, eu sempre ficava com medo de seus pedidos.
–- O que desejam? -- Retirei o guardanapo do colo o depositando sobre a mesa.
–- Querida -- Papai começou com um sorriso sem graça -- Sexta a noite teremos um jantar de gala, e gostaríamos que nossa filha estivesse lá.
Aí estava, um evento social sexta a noite que coincidentemente batia com a folga extra que Tsunade tinha me dado.
Outra coisa que vocês deveriam saber é: Tsunade foi a chefe da minha mãe na época que ela trabalhava com enfermeira, sendo assim, era melhor amiga da minha mãe, me conhecia desde pequena e até hoje, nós NUNCA havíamos perdido o contato, ou seja, era da família.
E eu tinha certeza absoluta que a encontraria bebendo na festa.
–- Pensei que fosse algo pior -- Sorri e assenti -- Eu vou! Claro que perderei um dia de descanso, mas o que vocês não me pedem sorrindo que eu não faça chorando?
–- Obrigado filha! -- Meu pai agradeceu. Ele sabia o esforço que eu faria para ir a esse jantar, afinal ambos conheciam bem a filha que tinham e o quanto eu era sem paciência para eventos sociais.
Depois do café e de conversa jogada fora, eles decidiram ir embora me deixando apenas o convite luxuoso do jantar de gala dançante e a promessa de que eu apareceria lá sem falta.
O único que relutou com a partida de meus pais foi Goku, o pequeno não aceitou muito bem que a mulher de curtos cabelos róseos partisse, afinal, quem afagaria sua barriguinha pelo resto do dia?
E a única coisa que eu fiz foi cair nos braços de Morfeu, que me levou para aquele paraíso chamado sono profundo.
***
12 de Setembro de 2014
–- Sakura, você não ia embora mais cedo? -- Shizune adentrou minha sala. -- Tsunade nem apareceu e eu já estou indo, queremos chegar no horário.
–- São 13h ainda, o que vocês tem tanto a fazer em? -- Perguntei ainda de cabeça baixa assinando papeis que eu lia muito por cima.
–- Unhas, cabelo, maquiagem, vestido, arrumar o marido -- Enumerou -- Essas coisas.
–- Entendo -- Havia esquecido completamente que apenas comprar o vestido não me dava um pacote salão de beleza completo. Juntei os papeis, guardei a caneta e o carimbo na bolsa, tirei o jaleco e encarei Shizune -- Vamos, eu te deixo em casa!
***
–- Ino -- Falei assim que o telefone foi atendido -- Preciso de ajuda!
–- Diga testuda -- Soquei-a mentalmente, odiava depender de Ino, mas ela era minha única saída.
–- Preciso de tratamento salão de beleza urgente com pacote completo até as 18h, tem jeito? -- Perguntei aflita
–- Onde você esta?
–- No farol da 25 com a Ikezaki -- Murmurei encarando o farol ainda vermelho.
–- Se você chegar em 15 minutos aqui no estúdio eu dou um jeito nesse seu desespero.
–- Chego em 10! -- Sorri triunfante ao ver o farol abrir, cortei dois ou talvez três carros pela direita, só saberia mesmo quando a multa chegasse. Mas uma coisa eu garanto, infração de trânsito não estava nos meus planos.
***
–- O caso é grave -- Ino murmurou ao segurar uma mecha dos meus cabelos rosados, bati em sua mão e puxei a mecha de volta.
–- Você nem é cabeleireira, o que esta falando aí? -- Resmunguei e vi ela jogando-se na cadeira a meu lado.
–- Estava apenas brincando -- Sorriu -- Você vai chegar que horas no jantar?
–- Por volta das 20h. Isso se eu não perder a hora.
–- Não vai não -- Sorriu -- Convidei Sai para ir junto, é a oportunidade de vocês se conhecerem, as meninas estarão todas la mesmo.
–- Contanto que ele não seja um procurado da Interpol e não tenha uma batida policial na festa, estou bem com isso.
–- Você é tão engraçadinha Sakura HAHA -- Forçou uma risada e eu ri junto -- Não deveria te ajudar a arrumar essa juba rosa que você chama de cabelo.
–- Mas você vai me ajudar sim -- Sorri triunfante ao ver a equipe de cabeleireiras, maquiadoras, manicure, depiladora e auxiliares entrando na sala -- Porque no fim eu sou sua melhor amiga.
Ela assentiu a contragosto, mas sabia que era verdade. Antes que eu pensasse melhor sobre cair nas mãos da equipe de Ino, já era tarde demais.
***
As 19h30 joguei a bolsa sobre o sofá da sala ainda resmungando, depilação intima não estava nos planos, mas mesmo assim por curiosidade eu me deixei levar na onda da Ino, e agora estava nessa, mal humorada e dolorida. Não recomendo, mas até que eu gostei do resultado, pensarei em próximas sessões, quem sabe fotodepilação não resolvem todos os meus problemas?
Sentei no sofá afagando a cabeça de Goku por alguns segundos, afinal por mais que eu estivesse de banho tomado, maquiagem feita e cabelo arrumado eu ainda precisava me vestir e tentar chegar a tempo.
Corri para o quarto e vi sobre a cama o vestido longo preto, sapatos na mesma tonalidade que eu havia trazido de Milão, os brincos pequenos de swarovskis presente dos meus avós e o bilhete da governanta da casa dos meus pais que ocasionalmente arrumava minha vida e dava opinião de como minha empregada deveria organizar as coisas.
"Seus pais querem que você seja a rainha da festa, e claro, uma dama nunca se atrasa"
Péssima noticia, eu já estava atrasada!
Me arrumei o mais rápido e melhor que pude, peguei as chaves do carro e corri para o estacionamento. Perdi um pouco de tempo me arrumando no banco para não amassar o vestido, calcei as havaianas que ficavam no banco de trás e dei partida, pois se por acaso eu houvesse tomado uma multa hoje mais cedo, não gostaria de fechar o dia tomando outra por dirigir de salto alto.
Faltavam 10 minutos para as 20h e eu não tinha duvidas que chegaria a tempo, por mais que eu achasse que apenas em um helicóptero eu chegaria no horário marcado.
***
20h15
Maldito Trânsito
Em um percurso que eu geralmente demoraria 15 minutos eu demorei 30 graças a um acidente na pista.
Malditos barbeiros que acham que estão dirigindo geladeiras e não carros!
Não que eu estivesse furiosa, eu estava apenas frustrada por não conseguir chegar ao compromisso no horário marcado, só isso.
Calcei o salto alto e desci do carro, dispensei o manobrista porque eu tinha que me rearrumar antes de descer. Fechei a porta e vi meu semi reflexo no vidro.
A cabeleireira fez uma trança lateral tão linda que eu momentaneamente fiquei com vergonha de ter sido vista por aí com as que eu fazia em casa. Deixou também uma franja bem escovada que caia sobre os olhos pintados e delineados de preto, a boca brilhosa, mas sem batom completava o make. Realmente, Ino sabia o que fazia e claro, quem fazia melhor que ela.
Peguei o celular na carteira de mão que usava e conferi o horário apenas por desencargo de consciência. E com toda a cara de pau do mundo deslizei pelo estacionamento para logo alcançar a entrada principal do salão.
Fui cumprimentada pelos seguranças que rapidamente me conheceram, afinal, olhos verdes e cabelos rosas eram com certeza uma característica bem peculiar.
–- Sakura -- Mamãe gritou e veio em minha direção. Era tudo tão luxuoso
Meados de Setembro era a época que marcava a ascensão dos Haruno da pobreza para a nobreza, e eles faziam questão de comemorar no mais puro luxo. Eu realmente não ligava, afinal, eu não frequentava festas, eu não saia muito do apartamento, EU não gostava muito de conviver entre as socialites com as quais minha mãe convivia, mas isso tudo era EU, não eles.
Mas eu até entendia, afinal, eles sofreram tanto, porque não aproveitar tudo o que podem agora? Então por mais que eu achasse aquilo tudo exagerado, eu não me importava em ir, porque no fim das conta eram eles que colaboravam com as causas sociais que eu também me engajava, eram eles que tinham criado o maior abrigo de animais em Tókio e por tantas outras coisas, eu me orgulharia e os acompanharia até o fim.
Depois de alguns elogios e muitas perguntas sobre meu atraso, começou a pior parte da festa.
A hora de ser apresentada a todos os solteiros bem sucedidos, e eu realmente, não estava com saco para isso!
***
Uma hora e meia depois e já havíamos rodado quase todo o salão, estava com os pés doloridos, sem dormir há quase 24hrs, sem comer há no mínimo 12hrs e mesmo assim meus pais não deixavam eu atacar os canapés antes de encontrar a ultima pessoa que eles queriam que eu conhecesse.
Foram necessários 15min e uma distração com uma mensagem de Ino chegando para que finalmente meus pais encontrassem a pessoa que queriam encontrar.
"E então, já arrumou um marido?"
"Quem precisa de um é você sua porquinha, saiba que...
–- Sakura -- Meu pai tentou chamar a minha atenção, mas eu estava no meio de uma resposta mal criada para Ino, não poderia parar senão esqueceria -- Sakura querida, esse é...
–- Olá Sakura -- A voz fez com que meus dedos parassem de digitar imediatamente, não seria possível, seria? Elevei os olhos ao homem alto e de smoking parado e demorei a realmente acreditar que o moreno gatão estava DE NOVO na minha frente, em toda sua beleza glamourosa, com roupas aparentemente caras e cabelos mais arrumados que o normal, mas sem deixar de ser bagunçado.
–- Sasuke -- Saiu mais como uma constatação do impossível, mas ele ouviu e sorriu, e que sorriso lindo.
–- Vocês já se conhecem? -- Meu pai perguntou confuso, afinal, porque a filha dele conheceria um delegado? Talvez se eu tivesse contato que parei em um DP graças a Ino tudo fizesse mais sentido.
–- Um pouco -- Ele respondeu virando-se a meus pais -- Nos encontramos... Eventualmente? -- me encarou e eu sorri
–- Em momentos inusitados -- Completei e nos encaramos... Maravilhados com as coincidências da vida talvez?
–- Então, nem preciso apresentá-los -- Concluiu minha mãe -- Divirtam-se! -- E simplesmente saiu andando
–- Isso! Divirtam-se. -- Aproveitou meu pai -- O jantar será servido as 22h, até lá aproveitem a festa e Sakura -- Encarou-me -- Apresente Sasuke a seus amigos.
Seja lá o motivo eu só sabia de duas coisas, Sasuke era terrivelmente lindo e com certeza, fazia parte de alguma família importante, pois ele não estaria lá apenas por ser delegado e eu tinha certeza disso!
***
–- Sakura -- Ino agarrou-se a meu braço sem ao menos importar-se se eu estava acompanhada ou não -- Finalmente te achei, precisamos conversar.
–- Ino, olha a falta de educação -- A empurrei levemente e meneei a cabeça em direção a Sasuke que observava a cena com um sorrisinho de canto -- Estou acompanhada!
–- Oh, o herói do parque -- Sorriu -- Você o convidou Sakura? -- Encarou-me safada
–- Não, foram meus pais.
–- Entendo -- Ino concluiu e eu percebi que ela não estava interessada em meus assuntos e sim nos dela -- Então venham os dois, falo com ambos -- E claro, quando Ino quer ela consegue.
Chegamos a mesa dos meus amigos e dispensava apresentações, todos conheciam Uchiha Sasuke, o delegado gato que por pouco não deixou todas no xilindró.
Encarei Temari sentada que revirou os olhos em tédio, em seguida encontrei os olhos de Ino cheios de expectativa me fitando.
–- Esse é Sai -- Era alto, moreno, magrelo e com uma possível anemia -- Sai, essa é Sakura. -- Sorriu quando ele me estendeu a mão, a peguei calmamente e como uma médica condicionada sem querer virei seu pulso para medir seus batimentos.
–- Você faz algum acompanhamento médico? -- Contava em silêncio as batidas -- Você deve ter por volta de 27 ou 28 anos, seus batimentos estão mais fracos do que deveriam e...
–- Sakura! -- Exclamou Ino entre dentes cerrados e eu subitamente lembrei que não estava no hospital e Sai não era meu paciente, virei sua mão com a palma para baixo, dei dois tapinhas nela, sorri amarelo e o soltei.
–- Desculpem -- Mexi levemente nos cabelos vendo os homens, incluindo Sasuke rindo, involuntariamente eu vivia distribuindo consultas gratuitas -- Mas se quiser marcar uma consulta estou a disposição -- Dei um passinho para trás.
–- Enfim -- Ino respirou profundamente, qual era o problema, ela vivia falando mal das roupas de todo mundo, mas eu não podia falar da saúde? Alias, muito mais útil uma médica do que uma estilista dando pitaco não vida alheia, não estou certa? -- Sai e eu estamos saindo -- Concluiu sorridente.
–- Você o convidou? -- Tenten cochichou em meu ouvido
–- Não convidei ninguém nessa festa -- Murmurei de volta
–- Então ele está aqui de penetra? -- Hinata escorregou até nós
–- Que feio! -- Temari concluiu antes que ouvíssemos Ino tossir, sorri pronta para provoca-lá.
–- Que tosse feia Ino, melhor ir a um hospital, pode ser uma tuberculose em -- Conclui contendo o riso
–- E isso tem cura? -- Tenten perguntou com uma preocupação fingida
–- Acho que não! -- Temari precipitou-se a sentir a temperatura de Ino
–- Foi bom todos esses anos que passamos juntas -- Hinata deu o ultimo tiro para gargalharmos, Naruto já segurava a própria barriga e Sasuke ria disfarçadamente com os dedos levemente repousados sobre os lábios. Até Sai riu da situação como os outros homens.
Dessa vez a estrelinha por aborrecer Ino ia para a Hina que havia dado o golpe de misericórdia.
–- Sakura -- Ouvi a voz de minha mãe que parecia saber exatamente o que estávamos fazendo com Ino e seu olhar reprovador deu-me certeza – Parem de atormentar Ino!
–- Okay! – Todas nós mulheres respondemos juntas, afinal, elas tinham a decência de tomar a bronca também. Os cabelos curtos rosados atravessaram nosso campo de visão indo ao encontro de alguém que ela considerava mais importante do que eu.
–- Bom – Sentei ao lado de Shikamaru que quase cochilava e apontei a cadeira a meu lado para que um Sasuke constrangido sentasse – É um prazer conhece-lo Sai, e já que esta saindo com Ino, terá que entender que somos um tanto quanto.
–- Barulhentas – Shikamaru resmungou respirando profundamente e voltando a fechar os olhos, o empurrei vendo cair sobre Temari que lhe xingou baixinho.
–- Eu diria espontâneas – Sorri – Mas você esta saindo com Ino, a pior de todas, então deve entender que suas amizades não seriam...
–- Controladas? – Neji respondeu para tomar um tapa de Tenten em seguida.
–- Vocês estão muito intrometidos hoje e... – Naruto me cortou, o olho direito com um leve tique nervoso.
–- Acho que você tem problemas maiores que homens intrometidos – Apontou para minhas costas e vi Hina arregalar os olhos, virei em seguida para ver o que eles viam, mas que diabos...
Realmente, era o diabo.
Voltei minha cabeça para frente e revirei os olhos em puro tédio, tudo poderia acontecer nessa noite, qualquer pessoa poderia aparecer para me amolar... MENOS ELE. Respirei profundamente vendo Sasuke olhar para trás e depois encarar meu semblante tedioso.
–- Sakura? – Ouvi a voz nas minhas costas e sem que ele percebesse coloquei um dedo em direção a garganta fingindo vômito, Ino e Hinata que estavam na minha frente riram. Não tive outra opção a não ser levantar.
–- Sasori – Sorri levemente o encarando.
–- Quanto tempo – Puxou minha mão a beijando em seguida – Esta mais bonita que da ultima vez que nos vimos.
–- Tão galanteador – Suspirei para depois ver minha mãe sorridente aproximar-se.
–- Oh Sasori, vejo que já encontrou Sakura – Eu mataria aquela mulher se não fosse minha mãe.
O caso era o seguinte, Sasori pegava no meu pé desde o colégio após uma ficada descompromissada em um baile que eu provavelmente estava trebada. Não que ele não fosse bonito, porque o demônio era lindo, mas eu detesto homem que fala muito, e que elogia muito, e que liga de 5 em 5 minutos e esse era Sasori.
Mas minha mãe o amava, e queria porque queria, que ele fosse seu genro, meu futuro marido e pai de seus netos. Por dois anos eu consegui desviar de Sasori e desapareci de seu GPS, mas minha adorável mamãezinha precisava convida-lo para a festa hoje. E bom, todos sabiam que eu não suportava aquele ser ruivo pegajoso.
Mas o caso era, como fugir agora?
–- Gostaria de dançar? – Perguntou sorrindo para depois encarar minha mãe que dava tapinhas satisfeitos em seu ombro, nesse meio tempo olhei para trás pedindo ajuda. Porque meu bip na bolsa não apitava agora com uma emergência? Nem que fosse o banheiro entupido do hospital.
Porque se eu dançasse com Sasori, ele teria um deja vú e voltaria a me atormentar de 5 em 5 minutos com mensagens, flores, carros de som fazendo baderna na porta do meu serviço, porque ele poderia ter aquele jeito fino e elegante, mas era tão seboso quanto Rock Lee, o ajudante de produção de Gaara, irmão de Temari e outra pedra no meu sapato.
–- Dançar? – O encarei tentando pensar em uma solução rápido, muito rápido na verdade, mas correr não seria o modo mais sútil.
–- Ela não pode – Aleluia irmãos!
–- E porque não poderia? – Sasori perguntou com sua pose imponente de sempre.
–- Porque viemos juntos – Senti minha cintura ser enlaçada
–- Quem é você? – Poderia ser uma frase, mas parecia muito com um rosnado.
–- Uchiha Sasuke – Estendeu a mão livre a Sasori que arregalou levemente os olhos
–- Uchiha? – Perguntou a si mesmo, mas os ouvidos apurados do morenos ouviram
–- Exato! Pelo que parece, já ouviu falar de minha família – Sabia que ele de fato era algo muito grande, para ser convidado para a festa, apenas nessa hipótese.
–- Sim – Sasori murmurou depois encarando-me brevemente – Nos vemos outro dia Sakura, foi um prazer. – Sorriu
–- Igualmente – Acenei e o vi partir, minha mãe me encarou incrédula antes de caminhar rapidamente até Sasori, ela com certeza falaria coisas do tipo “Ela gosta de você, não se preocupe” ou “Hoje não foi um bom dia, mas o próximo será” porque minha mãe era bem dessas.
Suspirei aliviada quando perdi Sasori de vista e me virei a Sasuke que permanecia de pé a meu lado, sorriu levemente quando eu abri um sorriso enorme e aliviado.
–- Obrigada! – Ele assentiu com a cabeça – De novo, muito obrigada!
–- Não precisa agradecer – Sorriu – Não foi nada de mais – Sentou-se e eu me sentei do lado, mal sabia ele que esse nada de mais, tinha salvo minha vida.
***
A noite transcorreu tranquila, sem mais percalços e com uma equipe toda monitorando os passos de Sasori na festa. Dançamos alguma musicas agitadas na pista, em grupinhos claro, pois em pares ou individual a vergonha seria muito maior. Vi Tsunade virar alguns copos de saquê, cinco minutos depois uma tequila com sal e limão e mais tarde champanhe e acho que aquele copo que estava sobre sua mesa era vodca, mas também, quem teria a dor de cabeça amanha seria ela, não eu.
Por volta da 00h00 a princesa aqui já estava quase virando abobora, pois estava de folga hoje, mas tinha vindo de um longo plantão da noite passada, ou seja, estava exausta. De Cinderela para gata borralheira, achei melhor partir antes que eu desmoronasse.
Me despedi de meus amigos que optaram por ficar e beber mais um pouco, mas eu nem me importava mais, pois todos eles eram arroz de festa, e onde houvesse uma, haveriam eles sentados, conversando e bebendo e claro, ficando até serem convidados a sair.
–- Preciso ir também – Sasuke levantou-se parando a meu lado
–- Certeza? – Naruto perguntou enchendo seu copo de whisky – Fica ai mais um pouco Sasuke.
–- Obrigado pelo convite, mas infelizmente não posso – Respondeu com a voz simpática – Amanhã tenho um compromisso cedo com meu pai.
–- Então nos reuniremos para beber outro dia – Shikamaru pronunciou-se em uma das raras vezes que ele realmente sabia ou importava-se com o que estava sendo dito.
–- Espero vê-lo outras vezes em nossas rodinhas Sasuke-sama – Hinata curvou-se levemente sorrindo simpática como sempre.
–- Será um prazer! – Sasuke saldou-os educadamente, enquanto eu apenas dei um tchau muito mais ou menos, pois já era o quinto se não me enganava. Com esse “Fica mais um pouco” ou “Espera ai que tenho uma coisa para contar”, eu sempre acabava atrasada.
Sasuke pediu para ir comigo despedir-se de meus pais, andamos por alguns minutos até que vi o homem ruivo sentado elegantemente com um copo de whisky em mãos e rindo animadamente com algumas pessoas tão elegantes quanto ele.
–- Otousan – Chamei educadamente encostando levemente minha mão sob seu ombro e obtive instantaneamente e atenção de todos os senhores a mesa, que olhavam para Sasuke também. Cumprimentei com a cabeça e me dirigi a meu pai – Estou indo para casa, foi uma noite muito agradável.
–- Tão cedo? – Levantou-se me encarando com seus olhos grandes e raros em tom avermelhado
–- Preciso descansar, não durmo desde ontem, lamento otousan – Sorri e o vi assenti mesmo que contrariado. – Onde esta okaasan?
–- Em alguma mesa conversando com as adoráveis senhoras – Sorriu de um modo afetado e eu ri levemente. – Obrigado por ter vindo Sasuke, mande lembranças a seu pai e sua mãe. – Apertou a mão do moreno sorrindo grandemente, Sasuke concordou e soltaram-se – Boa noite para os dois, e voltem com cuidado.
Acenei e voltei a procurar minha mãe com Sasuke em meu encalço, encontrei-a junto com as gralhas amigas conversando sobre coisas aleatórias que incluíam meu casamento, que ela desejava desesperadamente que ocorresse.
–- Okaasan – A chamei atraindo sua atenção
–- Musume – Respondeu me puxando para si – Ela não esta linda? – Perguntou orgulhosa e as amigas me encheram de mimos e elogios, não que eu não gostasse, mas eu gostaria de ouvir minha cama me elogiando agora, ser chamada de gostosa por ela nem seria tão ofensivo assim.
–- Obrigada! – Agradeci sem graça e mais sem graça fiquei quando a vi apontando a Sasuke que mantinha-se quieto em seu cantinho.
–- Que bom que esta aqui – Puxou-o pelo braço o jogando a meu lado para ser analisado e comido pelas leoas locais. – Como disse a vocês, esse é o namorado da minha filha.
COMO É QUE É?
Gritei internamente cambaleando sobre o salto 15 e vendo os olhos negros e confusos de Sasuke. Já não bastava a vergonha com a desconhecida do mercado, agora até TU MAMÃE?
–- Okaasan você... – Tentei argumentar, mas ela não deixaria assim fácil.
–- Estava falando para elas Sakura – Por Deus o que ela estava falando? – Que os Uchiha são conservadores, então talvez uma cerimônia simples seja o ideal.
–- Cerimônia de que okaasan? – Meus olhos ainda estavam presos em minha cara?
–- De casamento querida – Sorriu – Se namorar por muito tempo às coisas perderam a graça.
Eu poderia simular um desmaio, pois eu estava a ponto de ter um de fato, mas apenas levei aos mãos as têmporas, respirei profundamente e contei unicórnios. Era brincadeira não era?
–- Nos falamos depois – Murmurei nervosa, eu não tinha cabeça ou disponibilidade para desfazer um mal entendido deste tamanho e isso tudo graças a aparição do seboso do Sasori. Sai em passos rápidos daquela roda de gente maluca e vi apenas de relance Sasuke despedir-se da minha mãe e me seguir.
Fui até o estacionamento, eu estava a ponto de ter um colapso, pois eu verdadeiramente não sabia como arrumar essa confusão toda que minha mãe estava gerando e que logo chegaria aos ouvidos do meu pai e consequentemente ao dos pais do Uchiha, que eu nem sabia direito quem eram.
Joguei a carteira em cima do capô do carro e apoiei minhas mãos na lataria, esqueci completamente que Sasuke me seguia e por isso, e apenas por isso, me deixei dar um pequeno piti. Bati os pés no chão infantilmente, porque antes que eu pudesse salvar qualquer coisa, a noticia “Haruno Sakura, única herdeira do império BIG App’s contrairá casamento com Uchiha Sasuke...” e eu nem sabia o que diabos a família dele fazia.
–- Fique calma! – Senti a mão sobre o ombro e o encareiu assustada por poucos segundos, até voltar a minha realidade atual – Podemos resolver esse mal entendido, até porque a culpa foi minha.
–- Imagina! – Virei-me totalmente a ele – A culpa não foi sua, alias, você me ajudou muito naquele momento – Suspirei derrotada – Minha mãe estaria bolando meu casamento da mesma forma, mas o noivo seria Sasori e acredite, eu não gostaria que fosse ele.
–- Hm – Meneou a cabeça como se entendesse.
–- Seus pais vão me detestar antes que eu saiba quem são – Sussurrei derrotada – Colocando o filho deles em um problema desses..
–- Não se preocupe, eles tem meu irmão que os coloca em problemas bem maiores – Ele riu divertido – Uma noticia de casamento talvez desperte as vontades de meus pais serem avós, só isso.
–- Ah meu Deus – Murmurei
–- Fique tranquila – Ele riu do meu desespero e agora, até eu ri. Será que eu estaria fazendo tempestade em copo d’água? – Vamos resolver isso antes que algo aconteça, mas se acontecer, o máximo que pode acontecer é sairmos casados de tudo isso.
–- Como pode falar tão tranquilamente? – Perguntei pegando minha bolsa e abrindo o carro com o alarme. Sorri o vendo seguir para seu carro que era separado do meu por dois outros carros.
–- Porque, talvez, secretamente eu já tenha imaginado a ideia? – E com isso recebi uma piscada e um sorriso de canto, o moreno simplesmente entrou no carro, ligou e partiu me deixando cheia de dúvidas e uma única agonia.
A primeira dúvida era: Será que eu também tinha imaginado a ideia de ter Sasuke ao lado inconscientemente e por isso sentia um aperto no peito? Ou eu estava tendo um infarte?
E por ultimo, eu havia descoberto que um ser humano saudável demorava 0,2 segundos para apaixonar-se.
Será que deveria aceitar agora que estava começando a ficar encrencada ou deveria ir a um terapeuta para aceitar isso melhor?
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