Encontros

2 Segundo Encontro - Morangos


Notas iniciais
Hi o/ E cá estou eu, foi realmente rápido dessa vez, pensei que demoraria mais, mas a ideia veio simples e direta. Aproveitem a leitura

20 de Agosto de 2014


A Lei de Murphy segundo minha mãe, se bem me lembro, era algo como “Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.”

Eu nunca levei a sério o que minha mãe me dizia sobre a tal Lei de Murphy, porque eu tinha uma vida confortável, cheia de luxos e regalias morando na casa dos meus pais, sem precisar trabalhar ou me sustentar. Porém, percebi que mamãe previa meu futuro quando me dizia certas coisas e à partir de agora acrescentaria algo sobre a teoria dela “As coisas só darão erradas, quando você viver sozinho”.

Analisemos minha situação atual, eram 9h da manha e eu deveria estar no hospital há 10min atrás, okay! Podia aceitar um atraso, afinal, eu vivia uma vida de pontualidade todos os dias.


Próximo conflito


Meu vestido branco, aquele que eu havia passado na noite anterior e colocado cuidadosamente no cabide preso ao armário jazia no chão aos pedaços, pois aparentemente Goku havia acordado de madrugada potencialmente entediado e dado um Kamehameha na seda parisiense cara e sofisticada. Okay, eu podia comprar outro em uma próxima viagem, ou talvez até pedir para a mamãe, afinal, ela habitava mais Paris do que a própria casa.

Mas meu maior problema estava por vir


Quando eu imaginei que seria surpreendida por um comitê de mulheres às 8h da manhã na minha porta? Provavelmente nunca, porque isso não podia acontecer em plena Quarta-feira, de sábado ou de domingo eu até compreenderia, mas em dia de branco? Impossível!

Mas o fato era que agora eu tinha uma Tenten chorosa na minha sala rodeada de mulheres que quase choravam junto sem um motivo aparente, e isso, com certeza, era bem mais do que meu psicológico podia aguentar.

Tudo que poderia dar errado, tinha dado e até aqui, meu dia havia sido um desastre.

Quando jovem ouvia falar que mulheres possuíam coisas incomuns e depois de formada em medicina compreendi uma dessas coisas bizarras. Descobri que quando você convive com amigas muito próximas por muitos anos as menstruações tendem a ajustar-se para acontecer na mesma época, ou seja, na mesma semana todo mundo entra em TPM e salve-se quem puder. Nos conhecíamos há 20 anos, e isso acontecia nos últimos 12, menos para mim, já que tomava remédios para nunca entrar nesse período e não compartilhar desse tormento, e por isso o tapete felpudo da minha sala costumava ser ponto de encontro da depressão coletiva delas.

E eu era a pobre alma no meio desse tiroteio de sentimentos


Tenten pelo que eu entendi em meio aos soluços havia brigado com Neji e telefonado as demais e isso aparentemente gerou uma campanha solidaria para chorar junto na casa da Sakura. E eu realmente não sabia o que fazer.

Socorrer elas, acudir Goku ou telefonar a Tsunade?


–- Bom, de hobby eu não posso fazer nada! -- Resmunguei e segui até o quarto, fechei a porta e tentei me livrar daquela loucura. Ou pelo menos tentar amenizar o que quer que fosse.

–- Vamos lá Sakura – Sentei sobre a cama que ainda estava desarrumada – Prioridades... – Peguei o telefone – Respire, inspire, respire – Encarei o aparelho em minhas mãos, eu tinha duas opções, ou ligava direto e uhul, sou demais. Ou rezava o terço e pedia a Deus encarecidamente piedade de Tsunade.

A segunda opção eu achei blasfêmia, por isso, vamos na opção uhul


Chamou, chamou, chamou e enquanto isso meu cérebro tentava arrumar uma história bem convincente.


–- Sakura? – Não era a voz de Tsunade, então só podia ser minha cúmplice e amiga

–- Shizune? -- Sorri a ouvindo assentir -- Graças a Deus!


–- O que deseja meu bem? -- Ela era tão doce, tão meiga e gentil e principalmente, tão diferente do furacão 2000 Senju.


–- Tenho uma urgência, um sinal vermelho, uma TPM coletiva e estão chorando em cima do meu tapete persa -- Respondi sem respirar e Shizune gargalhou.


–- Entendi Sakura-Chan -- Murmurou – Fique tranquila que eu cuido de Tsunade, afinal, já são 10 dias de plantão! – Fez menção as minhas horas trabalhadas -- Apenas descanse um pouco e cuide de suas amigas.


–- Juro que tentarei -- Suspirei -- Mas me diga, onde está o dragão Tsunade? -- Perguntei curiosa e Shizune gargalhou novamente.


–- Bom, você deve imaginar -- Entendi no mesmo momento que a loira provavelmente estava ainda levemente bêbada ou com uma ressaca tremenda, lembrança da noite anterior. Ela e o saquê tinham uma relação muito antiga e eu como sua discípula e amiga, sabia bem o quão intenso era esse casinho.


–- Já entendi. Quando ela levantar mande lembranças e dê uma aspirina, talvez uns pontapés e assim ela capota de novo e esquece que eu existo -- Ri junto com Shizune e desliguei o telefone.


Pronto! Primeira etapa concluída com sucesso.


Hora de me vestir, sendo assim, etapa dois.

Fui até o closet, fazia sol, estávamos em pleno verão e já que eu estava de folga, decidi usar finalmente algo colorido, não suportaria nada branco por hoje. Coloquei um short jeans confortável, uma camisa despojada florida com tons alaranjados, nudes e avermelhados e calcei a sapatilha alaranjada que encaixava-se perfeitamente com o modelito.


Penteei os cabelos, os prendi em uma trança lateral, meio solta, talvez mal feita, mas eu era médica, não cabeleireira. Finalmente me maquiei, possuía uma paixão tão intensa por delineador que aproveitava esses olhos grandes que Deus me deu para usa-lo todo dia de diversas formas diferentes.


Sai do quarto respirando fundo marchando rumo a etapa três, no meio do caminho me curvei e peguei Goku no colo que dormia tranquilamente em cima dos farrapos que um dia pude chamar vestido, joguei a peça na lixeira ainda levemente chateada pela perda e coloquei o cãozinho no cercadinho especialmente preparado para ele, com paninhos, almofadinhas e bichinhos de pelúcia.

Minha sala às 10h da manha já encontrava-se movimentada, abarrotada de travesseiors, almofadas e até o edredom do quarto de hospedes já repousava sobre as pernas das mulheres, que por sua vez arrumavam-se em frente a TV já ligada na HBO enquanto passava Doce Novembro e todas choravam descompassássemos.

–- Vendo filme velho e acabando com meus lencinhos -- Falei me aproximando e chutando uma almofada -- A vida deve estar complicada mesmo!


–- Sua insensível -- Ino resmungou fungando, pois é, eu era mesmo, detestava aquele filme trágico e sem sentido.


–- Sakura -- Tenten me chamou obtendo toda a atenção, porque será que eu imaginei que fossem me pedir algo? -- Procuramos em sua geladeira, e não tem nada de bom para comer, você anda muito natureba. -- Limpou os olhos chocolate -- Você não pode ir ao mercado e comprar algumas coisas para nós? Por favor -- Sorriram

–- Eu tenho cara de banco? Ou de empregada de vocês? -- Apontei para o meu rosto e a atenção foi totalmente voltada a cena de cama de Keane Ryves. Elas sabiam a tragédia que aconteceria em seguida, e por isso já choravam desde já. Rodei sobre meus calcanhares e decidi, gastaria o salário de um ano para entupi-las de glicose e não ter que ouvir mais soluços na minha sala.


Afaguei a cabeça do meu filhote fofucho, peguei a bolsa e sai rumo ao Walmart, aquele centro de compras magnífico que me faria ficar entretida por no mínimo 2hrs.

***


Ah o consumismo desenfreado, crianças puxando as roupas dos pais pedindo por mais brinquedos do que com certeza brincariam, enchendo carrinhos com batatas e doces que os engordariam e no fim, eu terminaria tratando algum deles cirurgicamente.


Era impressão minha ou até os velhinhos estavam entrando nessa onda consumista feat tecnológica com smartphones e tablests na mão?

Mas também não me interessava muito, pois eu apenas ganhava com essa tecnologia toda, afinal, o campo medico apenas crescia com todas essas bugigangas e meu serviço ficava menos complicado.


Passeava pelos corredores de animais de estimação e realmente ponderei se levaria ou não alpiste para minhas amigas. Desisti da ideia antes de pensar demais e considera-la boa. Peguei dois pacotinhos de ração para Goku, alguns petiscos, ossinhos e quando estava quase saindo daquele corredor de fofura, me deparei com os brinquedinhos mais cuti cuti do mundo.


–- Goku vai adorar -- Joguei no carrinho uma meia dúzia de personagens do desenho Garfield de pano, aquele demônio fofinho tentaria destruir tudo, eu tinha certeza. — Oh que coisa fofa – Tinha achado a coisa ideia que eu não procurava. Peguei aquelas pantufinhas na mão e as admirei sorrindo, possuíam a carinha de um pug e vestir um pug com pantufas de pug era o cúmulo da fofura e eu adoraria levá-lo ao parque daquele modo. (http://migre.me/l9Vbl)


Sai do corredor feliz e continuei passeando, vendo coisas inúteis e que não me serviriam para nada, mas eram interessantes de admirar. Cheguei ao corredor dos papeis, joguei no carinho cinco caixinhas de lenço com 100 cada, eu realmente não queria ninguém acabando com meu papel higiênico.


Havia finalmente chego a hora de comprar tudo que podia para deixá-las na fossa quietinhas enquanto eu estudava para minha próxima cirurgia. Todo mundo deveria pensar que eu era uma péssima amiga, pois eu reclamava o dia inteiro delas e eu sabia disso.


Mas os que realmente me conheciam, sabiam que esse era meu modo de amá-las como melhores amigas. Afinal eu era Haruno Sakura, e chutar uma almofada na cara ou mandar calar a boca era algo como "te amo tá?" só que do meu modo.

Eu era a única que as socorria em qualquer momento, sendo psicologicamente como amiga ou fisicamente como médica, fui eu que fiz o parto da Megumi filha da Temari com o Shikamaru e olha que nem perto da ala obstétrica eu passava naquele hospital.


Fui eu também que operei o Naruto quando ele sofreu aquele acidente de carro, e ao mesmo tempo também fui eu que consolei Hinata quando a possibilidade dele ficar paraplégico foi levantada pela equipe médica.


Por mais estranha que eu pudesse ser, elas sabiam que era comigo que podiam contar em qualquer momento, e era exatamente por isso que todas elas estavam sentadas no meu tapete felpudo branco, caríssimo, chorando, me fazendo pagar adicional na TV a cabo para ter HBO, me obrigando a sair da minha casa para comprar besteiras, me instigando a faltar no serviço para cuida-las e mima-las como uma boa irmã faria, pelo menos a mais sensata delas, afinal mesmo Temari e Tenten sendo as mais velhas eu que cuidava dessa família psicótica.

Estava calor, muito calor, então pensei o que as calaria melhor do que sorvete? E melhor do que apenas sorvete seria sorvete, frutas, caldas e chocolate, não que eu admitisse por aí, mas eu sou uma ótima cozinheira e tenho ideias maravilhosas de como engordar as pessoas.


Em um corredor peguei três tipos de caldas, chocolate, morando e caramelo, peguei também aqueles canudinhos de waffer que colocavam em sorvetes do McDonalds que são crocantes e sem gosto, servem apenas para decorar. Peguei um pacotinho de granulado, gotas de chocolate, castanha triturada e marshmallow.

No corredor dos doces recolhi das prateleiras duas caixas de bombom apenas para garantir o bom humor, quatro barras de chocolate ao leite e uma de chocolate branco. Enquanto caminhava até chegar as frutas ainda peguei pipocas de uns três sabores diferentes, leite condensado e creme de leite, M&M e algumas balas e chicletes, acho que meu subconsciente gostaria de matar todas de diabetes.

Segui até as frutas e era hora de fingir ser saudável, consegui encontrar bons kiwis, boas maçãs e uvas, até mesmo bananas importadas eu achei. Peguei cerejas que encaixavam-se em segundo da minha escala de frutas favoritas e ao longe encarei as duas caixinhas de morango, me aproximei parando o carrinho ao lado e meu telefone tocou nesse momento, procurei na bolsa o aparelho e o visor me indicava ser Hinata.


–- Diga Hina -- Joguei a bolsa dentro do carrinho e apoiei o telefone na mão esquerda, tendo apenas uma mão livre estendi e peguei a primeira caixinha de morangos colocando-a no carrinho em seguida.


–- Onde você esta Sakura? -- Perguntou com a voz doce de sempre

–- No mercado, onde mais? -- O celular escorregou da minha mão e virei levemente para segura-lo, a outra mão que já estava estendida próximo a caixinha de morangos deslizou para pega-la e foi nesse momento que senti uma mão quente sobre a minha, virei a cabeça rapidamente e me deparei com aqueles belos olhos negros que não pensei ver tão já.

–- Sakura? Sakura, você esta me ouvindo? -- Ouvi Hinata chamando meu nome

–- Agora não Hina -- Murmurei e joguei o telefone na bolsa de qualquer jeito

–- Doutora Haruno -- A voz dele era tão linda e refrescante.


–- Doutor Uchiha -- Respondi sorrindo, nenhum dos dois largava a caixinha de morangos. Ele podia ser lindo, mas aquelas frutas, com certeza eram minhas.

Ficamos talvez 2 minutos assim, parados, encarando um ao outro focando rapidamente nos morangos que eram o objeto em questão no momento.

–- Você poderia – Ele tentou falar algo

–- Lamento, mas são meus, peguei primeiro – Sorri puxando levemente e tendo a mão firmemente segurada.

–- Mas você já tem uma caixa no carrinho – Apontou para as frutas vermelhas e brilhantes

–- Eu sei, mas estou com uma urgência – Sorri – Em outra oportunidade eu poderia até ponderar, mas agora, eles são meus – Puxei novamente.

–- Quanto egoismo – Murmurou semicerrando os olhos e puxando a caixa de mim, segurei com as duas mãos.

–- Não não não senhor Uchiha – Segurei-a com força – Meus morangos, minhas regras.

–- Onde esta seu nome? – Perguntou debochado

–- Marcado a caneta ou a sangue? – Murmurei já irritada, ele poderia ser lindo, mas em hipotese alguma ele ficaria com aqueles malditos morangos.

–- Doutora Haruno, vamos entrar em um consenso – Disse calmamente – Eu estou com vontade de comer morangos, temos duas caixas de morangos, uma esta com você e outra comigo, que tal?

–- Meu bem, acho que você não esta entendendo – Me apoie em um pé – Tenho uma emergência rank S no chão da minha sala e se eu não levar esses morangos corro um sério risco de vida, por isso, solte essa caixa e nada acontece. – Sorri

–- Até entendo que seu namorado possa ter fetiche com morangos – Sorriu sacana – Mas não com esses.

–- Primeiramente senhor desagradável – Rosnei – Se eu tivesse um namorado o fetiche com certeza não seria com morangos fora de época e em segundo lugar, minha mão esta em contato direta com a caixa, o que quer dizer que eu peguei primeiro.

–- Você realmente não vai desistir? – Perguntou encarando-me intimidadoramente, coitado, achando que pode usar técnicas de interrogatório com uma médica.

–- Não vou desistir em hipótese alguma agora largue esses morangos – O senti afrouxar o apertão

– Solto com uma condição.

–- Diga! – Respondi

–- Que pergunte meu nome – O encarei confusa – Não quero que me chame de Doutor Uchiha, quero que me chame pelo meu nome, mas para isso, você precisa perguntar. – Mas que diabos era aquilo agora?

–- Okay – Não estava entendendo nada, mas a situação faz o monge – Qual seu nome?

–- Uchiha Sasuke – Respondeu e aquele nome soou tão lindo que me perguntei porque não o questionei antes sobre isso.

–- Pronto – Sorri – Agora por favor, solte meus morangos, Sasuke – Murmurei mais baixo, já que as pessoas começavam a encarar nossa guerra por frutas e isso pareceu anima-lo, já que no segundo seguinte eu abraçava a caixa – Obrigada!

–- Esta me devendo essa senhorita Haruno – Sorriu

–- Na verdade duas, os morangos e a carona – Murmurei de volta – E também, apenas Sakura, senhorita ou doutora Haruno, apenas do hospital para dentro – Sorri

–- Já que não tenho morangos, vou para casa – Disse dando meia volta – Hoje o caminho será mais longo.

–- Por que? – Perguntei curiosa

–- Tive um problema no carro e deixei na oficina da delegacia – Murmurou mal humorado – Estou voltando pra casa a pé.

–- Sério? – Era longe demais, eu jamais andaria uma distância dessas com meus pobres pezinhos

–- Parece tão inacreditável assim? – Perguntou bem humorado

–- Um pouco – Concordei – Vamos logo!

–- Vamos onde? – Arregalou sutilmente os olhos quando o puxei pela manga da blusa

–- Vamos para o caixa e depois, te dou uma carona até sua casa – Sorri o encarando – Assim, metade da minha divida estará paga.

–- Não precisa!

–- Precisa sim e Haruno Sakura não pede, manda – O empurrei para frente do carrinho do qual ele foi obrigado a empurrar – Vamos logo, tenho um furação feminino para conter em minha casa ainda.

***

–- Você realmente esta comprando tudo isso para suas amigas? – Perguntou enquanto eu digitava a senha do cartão e ele empacotava as coisas que haviam sido compradas.

–- Claro que tenho Sasuke – Murmurei voltando-me a ele em seguida.

–- Você quer mata-las ou algo assim? – Me encarou – Por que não inseticida?

–- Porque não guarda suas opiniões pra você? – Me apoiei no caixa e virei-me para a funcionaria quando a ouvi suspirando. Era uma senhora de meia idade, cabelos presos, uniforme do mercado e sorriso simpático.

–- Ah esses jovens casais – Murmurou me deixando com um tique nervoso no olho direito, ela não podia estar falando sério – Vocês ficam tão bem juntos. – Ah que coisa clichê de filme romântico produção falida.

–- Olha senhora, desculpe desaponta-la mas ele não é nada meu não – Murmurei a encarando – Apenas vizinho de prédio.

–- Exatamente – Sasuke debruçou-se a meu lado – Não pense nada errado, sim?

–- Oh que pena, vocês realmente formam um belo casal – Me entregou a nota fiscal e com um ultimo aceno eu deixei o caixa rumo ao estacionamento, era de fato, uma situação embaraçosa. Guardamos tudo em silencio e seguimos do mesmo modo até parar em frente ao prédio de Sasuke.

–- Obrigado pela carona – Sorriu – Realmente, pagou o favor mais rápido do que imaginei.

–- Sou uma mulher de palavra – Pisquei – Se eu disse que retribuiria, eu vou retribuir – O vi descendo do carro junto com a jaqueta de couro que levava nas mãos, acenou e sorriu uma ultima vez antes de completar com um “Até mais Sakura” mal sabendo ele que eu realmente queria que o até mais chegasse bem rápido.

***

–- Maravilhoso – Murmurou Ino terminando a ultima colherada – Você pensou em tudo Sakura.

–- Se sua intenção era nos deixar feliz – Tenten sorriu com a boca suja de chocolate – Fez isso muito bem.

–- Minha intenção na verdade era deixa-las diabéticas – Sorri cruzando as pernas em cima do sofá – Afinal, doces e filme meloso são uma combinação catastrófica. – Temari me lançou uma almofada.

–- Obrigada Sakura-chan – Agradeceu Hinata e eu sorri levantando-me, elas iriam começar assistir E o vento levou e pra mim, mil vezes não.

–- Vou lavar a louça, qualquer coisa não me chamem porque eu não suporto esse filme – Conclui já na cozinha, 30min depois já estava tudo lavado e eu sentada no balcão pensando no que fazer a seguir, não que eu não possuísse vários estudos de caso, mas dormir até o outro dia na minha caminha parecia bem mais interessante.

Olhei no relógio 15h15 da tarde.

–- Horas iguais – Sorri – Tem alguém pensando em mim – Cruzei as pernas na banqueta e por eventualidade bati os olhos nos morangos lavados em um recipiente de vidro sobre a pia.

–- Ótima ideia Sakura – Sorri me levantando, tinha planos com aqueles morangos a partir de agora.

***

–- Boa Tarde – Cumprimentei o senhor com semblante calmo e fofoqueiro na portaria

–- Boa tarde senhorita – Sorriu – No que posso ajuda-lo

–- Você conhece Uchiha Sasuke? – Perguntei inocentemente.

–- O Doutor Uchiha? – Encarou-me com olhos semicerrados

–- Esse mesmo! – Bingo

–- Ele mora do décimo sexto andar – Respondeu sem que eu me esforçasse muito para descobrir, andou até o interfone o retirando do gancho e fazendo menção de telefonar a alguém – Posso chama-lo se quiser, a senhorita gostaria de subir?

–- Na verdade não – Encostei-me a bancada depositando um pequeno embrulho amarelo de bolinhas (http://migre.me/l9XcW) ir naquele curso sobre “Como montar marmitinhas para doces” com minha mãe havia sido bem eficaz, por mais que dentro dos 5 anos que se passaram desde que aprendi a fazer isso, não tivesse encontrado utilidade algum, mas enfim – O senhor poderia entregar isso a ele? – Sorri simpaticamente

–- Claro – Respondeu analisando o embrulho – À quem posso apresentar como remetente?

–- Ele logo saberá – Sorri dando as costas ao porteiro me despedindo em seguida, subi a rua e voltei para meu prédio, logo as mulheres iriam embora e eu poderia finalmente desfrutar do meu dia de folga não planejado.

***

A campainha tocou e eu realmente não estava com paciência para atende-la, e banho tomado e quase dormindo, me levantei com dificuldades da cama, à noite havia sido longa e cheia de trabalho, eu precisava tanto de férias.

Abri a porta sem olhar no olho mágico e fiquei aliviado ao ver apenas o porteiro com sorriso matreiro e um embrulho amarelo em mãos.

–- Pois não? – Perguntei quando ele simplesmente não esboçou reação

–- Pediram para entregar pro senhor – Me estendeu o embrulho bem feito

–- Quem? – Foi a única pergunta plausível que me passou pela cabeça

–- Disse que o senhor saberia – Sorriu dando de ombros e partindo rumo ao elevador – Tenha uma boa tarde Senhor Uchiha – Cumprimentou e ganhou apenas um “Hm” desinteressado.

Coloquei o objeto amarelo não identificado em cima da mesa, sentei-me a sua frente e o analisei. Eu era um delegado, e como delegado alguém poderia estar tentando me matar, todavia, desde quando bandido tinha noções decorativas para embrulhos? Decidi por abrir, afinal, se fosse uma bomba explodiria aberta ou fechada.

Desamarrei o pequeno nó dando de cara com uma tigela de aço inoxidável mediana com cinco repartições (http://migre.me/l9XDi) na maior delas havia morangos picados, a seu lado um sorvete espesso e cremoso de baunilha, em uma das menores frutas como maça, uva, banana e abacaxi picados, a seu lado chocolate derretido grosso e com pedaços ainda sendo desmaterializados lentamente pela quentura e a seu lado gotas de chocolate e marshmallows fofinhos e coloridos, tudo era envolvido por papel filme para não derramar ou espalhar-se pelo pano que os cobria e sobre o papel transparente um bilhete com uma caligrafia impecável, num papel do ursinho Pooh e escrito por caneta rosa indicava

“Agora estamos quites, espero outros encontros ocasionais, quem sabe criamos mais dívidas. Coma bem e aproveite. Haruno Sakura”

Eu realmente havia conhecido uma mulher fascinante e confessava a mim mesmo enquanto mordia o primeiro morango embebido em chocolate que gostaria muito de outros encontros ocasionais, pois assim como o primeiro, esse havia sido muito interessante.

E o motivo de eu estar comendo chocolate quando não me apetece nada muito doce? Talvez fosse o sono, ou talvez fosse alguns pensamentos pecaminosos com a mulher de cabelos rosados e chocolate com morangos, mas com certeza, sendo Uchiha Sasuke, eu escolheria a primeiro opção, não havia dúvidas, era apenas o sono.

Notas finais
E então, gostaram? Qualquer erro, por favor, me desculpem. Eu não betei porque passei o dia na Bienal e tô na bosta de tanto sono, mas como já estava com o capitulo semi-pronto, decidi terminar e postar hoje. Por favor, deixem opiniões e quem sabe, sugestões para próximos lugares de encontros, que tal vocês me ajudando? As vezes, posso seguir alguma indicação ^^ Muito obrigada a quem leu e já deixou review no capitulo passado, eu realmente amei, vocês são lindas. Até breve :3