Encontros
5 Quinto Encontro - Mafagafos
Notas iniciais
26 de Setembro de 2014
Há uma semana eu vinha acordando com leves dores de garganta, mas eu precisava trabalhar e por isso me convenci que não passava de uma alergia boba, que passaria rapidamente, e sim, eu estava errada.
Antes que eu pudesse falar "Anti-Histamínico" eu estava de cama com Tsunade ao telefone monitorando minha temperatura e horários de medicações, eu tinha pego uma gripe das grandes. E segundo minha mestra eu era uma inútil por não ter me autodiagnosticado antes, mas ela escondia o fato que mesmo que eu quisesse, eu não poderia ficar fora do hospital mais do que sete dias.
Meus pais haviam convidado meus amigos para passar uma semana na casa de praia, e claro, esqueceram de me chamar, ou talvez aquelas 50 ligações da minha mãe e as 100 da Ino que eu havia ignorado tivessem alguma coisa a ver com esse assunto, mas o que importava mesmo é que meu único companheiro de doença era Goku que eu jurava ter crescido uns 2cm na última semana.
Olhei pela janela e o Outono já dava as caras, o frio aproximava-se se mansinho e as folhas já lotavam a piscina do prédio fazendo os meninos da limpeza terem trabalho dobrado.
–- Bem feito, foram para praia sem mim -- Resmunguei 15min depois quando uma garoa fora de época atingiu Tokyo.
Virei de bruços na cama sentindo um frio desgraçado, eu estava com febre novamente. E era assim toda a vida eu fui assim, demorava para ficar doente, mas quando ficava era uma semana inteira de cama e sem reclamar.
Levantei resmungando igual uma velha e segui até o banheiro, tirei a roupa me sentindo no Alasca ou muito próximo e entrei em baixo do chuveiro de água fria, se não fosse médica consideraria a possibilidade de morrer de hipotermia.
Sai do banheiro ainda tremendo e amaldiçoando todo mundo, afinal, se a culpa era minha eu poderia joga-la em cima de quem eu quisesse e no momento a culpa era daquele pivete que tinha espirrado em cima de mim no hospital. Por isso eu estava nesse estado deplorável.
Olhei o relógio que marcava 19h45, às 20h eu teria que tomar meu remédio, fui até a cozinha e como havia feito ontem pegueia caixa de medicamentos e retirei a caixinha vermelha de comprimidos, quando abri encontrei apenas uma cartela vazia, remexi a caixinha na esperança de encontrar uma inteira e o máximo que aconteceu foi achar a bula quilométrica do produto.
Pensei por um momento em ligar para alguém, afinal eu não tinha condições de ir a farmácia, mas a ingratidão me deu um chute na cara quando lembrei que todos estavam passeando de biquininho por belas praias.
–- TOMARA QUE CHOVA TODOS OS DIAS -- Chutei a pelúcia de Goku para em seguida iniciar uma nova seqüência de espirros
Ponderei telefonar a Tsunade, mas provavelmente ela estaria ocupada demais e esfregaria na minha cara que não poderia beber graças a um vacilo meu de ficar doente. Ligar para Shizune em seu único dia de folga seria sacanagem, principalmente com uma mulher gravida e cheia de hormônios que espalhava para quem quisesse ouvir que pegaria o marido de jeito em sua folga.
E pior era saber que esse marido havia sido meu professor na faculdade e que ele adorava uns livrinhos hentai.
–- Argh -- Estremeci com a lembrança, sentei no sofá fungando e observando a garoa passar e apenas o frio ficar. É meus amigos, não teria jeito, eu tinha que fazer o que uma mulher tinha que fazer, e nesse caso, não eram as unhas.
***
Desci no elevador e olhei pelo saguão o tempo fechado, quase chuvoso, o frio que há tempos eu não sentia. O outono viria arrasador e o inverno pior ainda, eu adoraria passar plantões completos em madrugadas terrivelmente geladas me encolhendo pelos cantos porque dentro do hospital não podemos usar casacos pesados. NÃO VEJO A HORA!
–- Precisa de alguma coisa Sakura-sama? -- Yoshida, o porteiro, perguntou me abordando. Antes de responder, espirrei umas quatro ou cinco vezes.
–- Não, não preciso de nada Yoshi -- Sorri com o nariz vermelho -- Vou a farmácia, preciso comprar meu remédio de gripe.
–- Quer que eu vá? -- Perguntou simpático. Não seria uma má ideia, porém caso o chefe de Yoshi aparecesse, com certeza o gentil senhor receberia uma bela de uma bronca, e ele era bonzinho demais para eu permitir isso!
–- Não precisa Yoshi-san -- Espirrei mais uma vez -- a farmácia é bem próxima, vou caminhando até lá.
–- Esta bem! -- Sorriu, curvou-se brevemente e partiu, eu olhei novamente para fora ainda desolada, mas decidi ir em frente, não adiantaria nada ficar parada naquele saguão. Até porque, o que poderia acontecer nesse percurso?
***
Era inacreditável como a Lei de Murphy me perseguia descaradamente, pois em momento algum havia caído qualquer chuva forte, era só uma garoa. UMA MERDA DE UMA GAROA PASSAGEIRA!
Mas não, não e NÃO! Quando eu estava já a duas ruas da farmácia uma tempestade assolou Tokyo e claro, me devastou junto. Até me imaginei nas noticias "Garota é arrastada por tempestade troll"
Cheguei a farmácia ensopada, tirando o moletom e o torcendo na porta do estabelecimento. Como se eu já não estivesse gripada o suficiente, agora eu teria uma pneumonia, isso era tudo o que eu precisava.
–- Boa noite Yume -- Cumprimentei vendo a mulher levantar do balcão que arrumava
–- Konbanwa Saku... -- Parou para me observar -- Meu Deus menina, venha se secar. -- Puxou minha mão me levando para a sala de aplicação ampla e clara, abriu o armário e retirou uma toalha preta e felpuda — Aqui, pode se secar.
Me sequei do melhor modo que pude, as roupas continuavam úmidas, mas contando que eu encontrasse rápido o remédio que precisava, eu sobreviveria.
–- Seque esse cabelo direito -- Pegou a toalha e me alcançou antes que eu corresse. Yume era uma mulher com quase 50 anos, encorpada, forte e bem maior do que eu, sendo assim, se ela quisesse me segurar, ela me seguraria.
Era uma ótima farmacêutica, conhecida da minha mãe e da minha mestra, em entendimento de nomes e todos os tipos possíveis de componentes medicamentosos ninguém era melhor do que ela. Coisas que eu não veria tão profundamente na faculdade, porque nome de remédio, a gente aprendia com aquelas visitas dos representantes farmacêuticos.
Sentada no banquinho, de pernas e braços cruzados sentia ela secar meu cabelo das pontas a raiz, realmente, muito agradável. E claro, eu estava super de bom humor.
–- Yume, eu estou bem, preciso apenas de um comprimido e talvez um Shampoo -- Encarei meu cabelo úmido.
–- Me dê o nome -- Respondeu depois de alguns minutos em silencio e jogou a toalha na minha cara. A gentileza em pessoa sempre.
Lhe entreguei o papel e a vi sumir da sala voltando ao balcão e esgueirando-se pelas prateleiras. Desci do banquinho destinada a segui-la, atravessei o balcão e fui até as prateleiras de cosméticos, peguei um Shampoo e um condicionador, um sabonete esfoliante que eu achei um charme e estava pronta para pegar uma esponja de patinho para as raras ocasiões que Goku brincava dentro da banheira, mas fui detida por Yume que gritou meu nome em meio a farmácia.
–- Venha cá! -- Levantei a contragosto, analisando os componentes do Shampoo, distraída demais em minha própria gripe.
– Encontrou? — Perguntei depositando as coisas sobre o balcão e encarando Yume que me mostrava uma caixinha vermelha fechada -- Esse mesmo! -- Sorri lhe lançando um joinha e um espirro em seguida.
–- Você precisa ir logo para casa, tomar um banho quente e descansar -- me encarou seria -- E quando digo descansar, não estou dizendo descansar trabalhando no hospital, okay? Mande Tsunade a merda caso ligue te aborrecendo.
–- Okay! -- Assenti pegando o cartão no bolso, não precisava falar que quando Tsunade ligava quase me escondia me baixo da cama -- Passa no débito porque o crédito já acabou -- Sorri sem graça, ou desesperada pelo preço que a fatura viria esse mês.Nessas raras ocasioes eu tinha um lapso de consciência e me arrependia de todas as compras do mês.
–- Boa noite Yume -- Ouvi uma voz levemente familiar, mas eu estava gripada, meio surda, meio cega, com frio e espirrando mais do que gostaria. Acho que a voz familiar não passava de um delírio, alias, será que estou com febre?
–- Olá Sasuke-sama -- Parei de sentir minha temperatura e contar meus batimentos cardíacos para encarar a porta incrédula.
–- Boa noite Sakura -- Sorriu rapidamente, para depois ver meu estado deplorável, seu semblante passou de molhado e lindo, para molhado e preocupado.
–- Tome aqui -- Antes que eu respondesse, Yume lançou uma toalha seca e idêntica a que tinha me dado em Sasuke -- Vamos logo, se seque!
–- Obrigado -- Agradeceu seguindo até mim, virei para o balcão implorando em silêncio que Yume passasse meu cartão logo e eu pudesse fugir dali, afinal, em meu segundo momento breve de consciência da noite lembrei que ainda não havia conseguido encontrar minha mãe para explicar a situação e até agora éramos um casal para aquela descontrolada.
–- Você esta bem? -- Ouvi sua voz e olhei para o lado sem graça. Seus olhos negros me fitavam sérios enquanto secava o cabelo calmamente.
–- Ótima! -- Respondi com a voz mais baixa do que de costume, limpei a garganta e voltei a falar o mais normal que pude -- Quer dizer... Eu de fato poderia estar melhor, mas... bom, bem bem beeeem talvez eu não esteja e... -- Ele encostou sua mão livre em minha testa, me fazendo inclinar o corpo para trás, eu era a médica aqui, eu que invadia a privacidade das pessoas encostando mãos e medindo temperaturas, batimentos e etc, não você meu querido.
–- Você esta com febre! -- Murmurou me encarando, preocupado? Mas olhem só
–- A senha Sakura -- Yume cortou todo o clima, e eu achei foi bom, porque logo se tornaria um climão de onde talvez eu não conseguisse sair.
–- Obrigada Yume -- Agradeci, peguei a sacola de papel e estava pronta para sumir, até que senti meu braço ser segurado
–- Yume, preciso de comprimidos para dor de cabeça -- Pediu e logo foi atendido, devolveu a toalha agradecendo, com a mão livre retirou o dinheiro do bolso e agradeceu novamente. Tão educado esse moço.
–- Obrigada Sasuke e Ah... -- Yume sorriu levemente -- Você pode levar Sakura para casa? Ela veio a pé e não gostaria que se molhasse mais na volta, sua gripe pode ficar pior.
–- Na verdade -- Sasuke mantinha a mão firmemente em meu pulso e sorrindo respondeu -- Eu não pensei em outra coisa. Boa noite Yume!
***
Entrei pela segunda vez em seu carro, o diferencial agora era que não seria uma viagem em silencio, afinal, eu estava espirrando o suficiente para não deixar quietude nenhuma se instaurar.
–- Não deveria andar por aí gripada desse jeito -- Murmurou ligando o carro -- Devia ter pedido a alguém que buscasse seus remédios.
–- Eu até pediria, se houvesse alguém -- Murmurei, família ingrata -- Mas eles estão ocupados pegando um tufão na praia.
–- Tufão? -- Riu
–- Se os céus permitirem, sim! Verdadeiramente não quero que eles voltem bronzeados enquanto estou de cama!
Sasuke riu discretamente e naquele momento eu percebi que ele em seu conjunto completo era discreto.
Falava pouco, sorria pouco, e quando sorria, era breve como uma brisa, mas ele observava muito, o tipo de pessoa que sabia de tudo o que acontecia a seu redor, mas não falava isso para ninguém. Sasuke era um homem fascinante e provavelmente confiável.
–- Chegamos! -- Os olhos negros prenderam-se nos meus e eu lembrei vagamente que meu cabelo provavelmente parecia um ninho de mafagafos com sete mafagafinhos pronto para mafagafear, ou seja, deplorável.
–- Gostaria de tomar um café? -- Minha barriga roncou enquanto eu oferecia a gentileza que me favoreceria mais.
–- Quem sabe uma pizza? -- Ele apontou para meu estômago e sorriu , realmente, só Haruno Sakura para passar essas vergonhas.
–- Algo com sustância seria ótimo -- Sorri e o vi assentir -- Se quiser entrar na garagem, minha vaga é a 64.
–- Deixo você aqui e estaciono meu carro no meu prédio mesmo -- Garantiu -- Não quero incomodar, e também, acabei de voltar da delegacia, acho que preciso de um banho. -- Mexeu nos cabelos negros e sorriu levemente.
–- Então vá descansar, marcamos essa pizza para outro dia, pode... -- Fui prontamente cortada
–- Não, não! -- Encarou-me mexendo as mãos em negativa e os olhos levemente arregalados -- Quer dizer, não -- Arrumou-se no assento do carro -- Vou, tomo banho e volto, não vou demorar e também, você esta sem família ou amigos, e doente desse jeito...
–- Eu não estou morrendo Sasuke -- Murmurei sorrindo e descendo do carro -- Então te espero, décimo sétimo andar, apartamento 64 e o porteiro é o Yoshi. -- Acenei entrando no prédio e vendo de relance o carro partir, eu tinha poucos minutos para arrancar esses mafagafos da minha cabeça, deixar minha cara e minha casa apresentáveis e claro, me conscientizar que Uchiha Sasuke estava indo comer pizza comigo.
***
Pentear o cabelo nunca tinha sido tão complicado. Havia acabado de sair do banho e colocado uma roupa simples, um short e uma blusa de malha cinza de frio, o sistema de calefação do prédio era ótimo e eu não conseguia dormir de calça comprida, pois provavelmente eu acordaria sem.
–- Goku, desça dai -- Virei na penteadeira com secador e escova na mão, liguei o ar gelado e bati na bunda do rechonchudo que depois de descer da cama, tentava roer meu salto -- Deixe de ser danado!
Terminei de secar o cabelo e como de costume ele ficava liso e escorrido, dei uma desembaraçada com o pente, e perdi metade dos fios da cabeça porque meu cabelo além de rosa era fino, uma mistura ó, maravilhosa!
Arrumei com as mãos tentando dar algum volume e parar de fazer Cosplay do floquinho, cão do Cebolinha.
No fim, a franja ficou mais ou menos, mas pelo menos estava limpo, e isso era ótimo. Liguei a TV já vendo imagens antigas, de filmes arcaicos, e porque diabos estava no Telecine Cult? Desde quando minhas amigas eram pseudo-cultas? Se estivesse no Euro Channel eu até entenderia que elas estariam vendo um filme francês cheio de saliências e bundas desfilando na minha TV 55"
Eu poderia reclamar mais, porém a campainha tocou e eu apenas troquei de canal, Telecine Action muito melhor não? Principalmente quando estava passando RED com aquele coreano gato.
Goku começou a pular na porta e latir, rosnar, ou apenas grunhir, não sei direito. Provavelmente era o vizinho que gostaria de reclamar de Goku, afinal, isso já tinha acontecido uma vez à essa hora da noite. E se eu não tinha sido chamada no interfone, deveria ser Dona Yuriko falando que meu cachorro atrapalha a paz pública porque eventualmente ele latia pro elefante de borracha.
–- Olha Dona... -- Eu sempre via nos filmes as pessoas abrindo portas já com o barraco na ponta da língua, até ponderei se eu deveria manda-lá para o inferno logo de cara, mas a única coisa que vi foi Sasuke me encarando ressabiado -- Em? Mas e o interfone? -- Apontei para o aparelho preso a parede da sala, a câmera estava queimada devido a chuva pelo que Yoshi me explicou muito rapidamente quando cheguei.
–- Pelo que parece seu porteiro não preza muito pela segurança dos condôminos -- Deu de ombros -- Ou ele apenas tenha visto eu e você juntos anteriormente na porta do prédio.
–- Fofoqueiro do modo que é -- Resmunguei -- Ah, entre -- Dei passagem na porta
–- Obrigado! -- Passou pela porta deixando o perfume masculino impregnar-se pelo caminho. A calça jeans preta, com a blusa branca e a jaqueta de couro fazia um contraste maravilhoso. Não que eu estivesse observando, claro que não. Como uma bala, o filhote que até então escondia-se embaixo da mesa surgiu pulando aos pés de Sasuke, que prontamente o pegou do chão -- E aí campeão! -- Afagou as orelhas fazendo ele aninhar-se mais ao peito de Sasuke -- Você parece que cresceu, e engordou também -- O pesou nas mãos, ele realmente estava mais rechonchudo.
–- Venha Goku, e deixe o tio Sasuke em paz! -- Estendi os braços e logo o pequeno Pug estava aconchegado em mim.
–- Tio? -- Sasuke perguntou enquanto eu passava a seu lado para depositar o gordinho no cercadinho dele.
–- Eu sou a mãe, meus pais são os avós e todos os amigos são os tios -- Virei apoiando uma mão no cercado e outra na cintura -- Algum problema com a árvore genealógica do meu cachorro?
–- Não, acho que nenhum -- Sorriu de lado tirando a jaqueta e colocando no cabide destinado a isso ao lado da porta.
–- Ótimo -- Sorri de volta e caminhei até o sofá -- Venha, sente-se e vamos decidir o que comer, pois estou com fome. Rápido, rápido. -- Logo ele estava sentadinha e perfumado a meu lado.
–- Comida ou pizza? -- Estendi dois cardápios, cruzei as pernas em cima do sofá e pensava o que seria mais apetitoso.
–- Pizza? -- Questionou encarando o cardápio e depois olhando para mim
–- Plano A, melhor plano -- Sasuke cruzou as pernas de forma tão elegante e máscula, que eu jogada sobre o sofá me senti o gremilin do apartamento. Fiz o favor, ao mundo e a mim de sentar mais comportada sobre o sofá. Obrigada, de nada!
–- Você tem preferências para sabores ou...
–- Estando assado eu como qualquer coisa -- Respondi lhe estendendo o cardápio -- Fique tranquilo que não tenho nenhuma frescura para alimentos ou qualquer alergia. Só evito comer camarões, pois eles realmente são perigosos.
–- Gosta de tomate? -- Perguntou folheando o cardápio e o encarando atentamente
–- Muito -- Sorri -- Principalmente em molho, e acho que combina muito com Manjericão, que tal uma pizza mergueritta? -- me debrucei sobre seu corpo e sobre o cardápio, estava procurando a letra M. Eu bem que queria que Sasuke escolhesse o sabor da pizza, mas quem é mais rápido leva.
–- Pode ser, com molho extra? -- Perguntou e eu concordei, afinal, era impressão minha ou ele gostava MESMO de tomates?
–- Agora, a doce -- Fui até a ultima folha do cardápio -- Com chocolate, muito chocolate de preferência -- Ele concordou -- Morangos, abacaxi ou banana?
–- Morango? -- Eu concordei -- Tenho boas lembranças -- Sorriu discretamente
–- Então morangos e pronto! -- Sorri e ele assentiu -- Pronto! -- Levantei do sofá e peguei o telefone na mesa de entrada do apartamento, voltei a sentar no sofá e rapidamente tive o aparelho retirado das minhas mãos -- Ei!
–- Pode deixar que eu faço o pedido -- Disse simplesmente iniciando a discagem, eu não me oporia, até porque, porquê?
A moça parecia não entender muito bem o que Sasuke dizia, mas ele era um poço de paciência, e 10min depois de fazer um pedido simples e ser atendido por uma provável novata, ele me devolveu o telefone e sorriu, joguei o aparelho na mesa ao lado, afinal, seria um favor de não tocasse.
Ficamos em silencio por 2 ou 5min, não sei ao certo, e quando Sasuke finalmente tomou a iniciativa de falar qualquer coisa, o demônio do meu celular tocou.
–- Um momento -- Corri ate a mesa da cozinha, revirei a bolsa tentando encontrá-lo como qualquer mulher organizada faria e quando consegui, li no visor "Okaasan", bufei e Sasuke riu.
–- Mamãe -- Disse sem vontade, eu ainda estava sentida por ter sido abandonada doente.
–- Querida, como você esta?
–- Sobrevivendo a doença e a ingratidão mãe!
–- Não seja dramática -- Murmurou para em seguida me perguntar de todos os meus passos e contar todos os seus, mesmo que eu no fundo não quisesse saber.
–- E então, o Furacão Catrina já alcançou o litoral? -- Perguntei voltando a sentar no sofá
–- Praga de filha não pega meu bem. Só de mãe! -- Disse vitoriosa e pior que em tese, era verdade. Antes que eu dissesse tchau, a campainha tocou e Sasuke gentilmente levantou-se para pegar a pizza, Yoshi tinha o costume de levar até meu apartamento, tão gentil.
–- Eu abro! -- Murmurou e senti o silencio mórbido do outro lado da linha, eles queriam mesmo ouvir minha conversa, tapei o fone do telefone o melhor que pude.
–- Pode ser! O dinheiro esta ali em cima -- Apontei a mesinha perto da porta -- Você pode por gentileza pagar uma caixinha para o Yoshi? Agradecer a bondade de trazer até aqui -- Ele concordou e caminhou até o móvel.
–- Quem esta aí? -- Aquela era a voz de Ino? -- Calada loira, Sakura, quem esta no seu apartamento? Oh meu Deus -- Tenten teria uma síncope na linha -- Saiam daqui! Então filha -- Mamãe pausou para supostamente me dar tempo para pensar -- Quem esta aí?
–- Não interessa -- Respondi convicta que não diria nada, mas eu era uma mula mesmo, então nem me surpreendi que ao ver o moreno a minha frente com um sorriso e a caixa de pizza eu agradecesse... -- Obrigada Sasuke -- citando seu nome!
–- SASUKE? -- As mulheres perguntaram em coro incrédulas e eu tive certeza que o moreno ouviu pelo olhar curioso que me envio -- Como assim Sasuke?
E então, aconteceu o impossível, o moreno, por curiosidade ou apenas para me sacanear, não sei ao certo, arrancou o telefone das minhas mãos e colocou no viva voz.
–- Sakura, responda agora, como assim Uchiha Sasuke esta no seu apartamento? -- Porque a voz de Ino tinha que ser tão estridente? Levantei desesperada pulando atrás do moreno que divertido mantinha o telefone a uma altura que eu não alcançaria.
–- Sasuke, me devolve isso! Agora. -- Falei dando um pulinho e o vendo rir, cadê meu salto 15 quando preciso dele? Se não fosse para alcançar, pelo menos serviria para dar uma sapatada naquele palhaço! -- Saaaaauke!
–- Vem pegar! -- Respondeu provocador e eu mataria aquele imbecil, quantos anos de idade ele tinha? 5?. O povo do outro lado da linha ficou em silencio pelos breves segundos que eu perseguia o energúmeno pela sala, e quando eu estava de um lado do sofá e ele do outro, minha adorável mãe decidiu se pronunciar.
–- Não vejo mal algum do namorado de Sakura estar em seu apartamento. -- Eu parei, Sasuke parou, o mundo parou é até Goku começou a prestar atenção.
–- O QUE? -- Todas as minhas amigas e eu exclamamos juntas, não era possível que aquilo estava ficando pior ainda.
Sasuke por sua vez riu de toda a confusão.
–- Mãe, você não entendeu -- Pulei o sofá com toda a destreza que não tinha, saltei sobre a mesinha de centro e claro, cai sobre Sasuke, minha vida já estava uma maravilha mesmo, porquê não mais uma cena clichê? Mas nesse caso não teve encarada romântica, não teve virada de corpo sexy, não teve beijo ardente... a única coisa que teve foi eu tentando escala-lo, metendo o cotovelo em suas costelas e fixa em um único objetivo, pegar aquele telefone e não deixar minha mãe dizer mais nada.
–- Contanto que ele esteja cuidando dela -- AGARREI! E não, eu não estava feliz daquele jeito por ter agarrado Uchiha Sasuke o gatito do DP, eu estava feliz por ter agarrado o telefone, agora só precisaria arranca-lo de sua mão ou apenas desligar no botão vermelho, me estendi mais um pouco e quando senti a emoção de calar minha mãe, ela pronunciou-se uma ultima vez -- e tenha levado camisinha, eu estou bem com isso.
Ela havia dado o único tiro que faltava e eu estaria morta se não estivesse empenhada em apertar aquele botão. O fiz e levantei o mais rápido que pude do chão, eu não queria exatamente olhar para a cara de Sasuke, mas não pude evitar quando sucedendo o minuto de silencio, o sempre sério Uchiha irrompei em gargalhadas no chão da minha sala. Era, verdadeiramente, inacreditável.
***
–- Pare de rir -- Chutei suas pernas e o vi sentar em seguida, limpou uma lágrima solitária do olho esquerdo e me encarou com o semblante sereno -- Não teve graça!
–- Ah teve sim -- Ele ergueu-se do chão -- Sua mãe é muito espirituosa.
–- Minha mãe é muito sem noção isso sim! -- Virei rumo a minha bolsa, joguei o celular lá dentro e ignorei totalmente o assunto "camisinha" que mamãe havia deixado no ar, ele seria um cavalheiro de não comentar e eu não seria trouxa de citar.
–- Meus pais me perguntaram porque escondi o namoro com a herdeira dos Haruno -- Ele completou seguindo até o balcão da cozinha e me encarando enquanto eu pegava os pratos.
–- Ainda não consegui conversar com a minha mãe sobre o assunto, mas o farei antes que isso vire uma bola de neve ainda mais mortal -- Levei os pratos e os talheres até o balcão colocando-os em sua frente -- Coloque em cima da mesa de centro, vou pegar guardanapos. -- E lá foi ele, obedientemente levando o que era preciso ao local que eu indiquei. Peguei o que me propus a pegar e segui para sentar a seu lado.
Nos servimos e enquanto comíamos, decidi sanar uma de minhas tantas duvidas sobre ele.
–- Sasuke -- O chamei e ele encarou-me – Quem são seus pais?
–-Você não os conhece?
–- Eu deveria? – Era burro responder uma pergunta com outra pergunta, eu sei. – Sasuke, eu sou médica, passo minha vida trancada em um consultório, não sou da industria dos negócios – Pronto, concertado!
–- Entendo – Ele sorriu – Meus pais são donos da UCH.
–- A fabricante de motores? – Perguntei lembrando vagamente
–- Essa mesmo! – Serviu-se de mais um pedaço de pizza e fez o mesmo para mim – Vamos comer?
–- Não quero fazer outra coisa!
Durante o jantar conversamos sobre nós, descobri o porque dele ser delegado e não um administrador de empresa junto ao pai e ele descobriu porque sou médica e não uma Paris Hilton japonesa, falamos sobre banalidades, coisas que nos aconteciam todos os dias, ou não... Sobre nossos amigos, e familiares, mas infelizmente não pude chegar ao assunto romance, dá licença que eu estava curiosa sobre os casinhos dele.
Quando o relógio beirava as 23h levantamos e ele fez questão de lavar a louça, rapidamente eu enxuguei e ele decidiu ir embora, o acompanhei até a porta como uma bela dama que sou, e me despedi.
–- Obrigado pela noite – Sorriu – E pela pizza, tudo estava muito bom.
–- Imagina, obrigada você pela companhia – Goku manifestou-se no meu colo – Nós dois gostamos da noite.
–- Então, que outras assim possam vir – Completou antes de depositar um beijo rápido e furtivo em minha bochecha, antes que eu pudesse me recuperar do caminhão passando por cima de mim, Sasuke entrou no elevador sorriu e acenou, e eu fiquei ali, com cara de otária.
Não que eu estivesse morta de amores por Sasuke, não era bem isso, eu só sentia algo por ele que não se comparava a nada que eu houvesse sentido anteriormente, era antes de tudo um respeito imenso pela pessoa maravilhosa que ele era, gentil, amoroso, carinhoso, independente, misterioso e claro, minimamente sorridente.
Depois vinha a admiração como homem, já que era másculo, bonito, limpinho... importantíssimo essa ultima inclusive. E com isso tudo misturado, formava uma admiração ainda desconhecida e leve, mas eu sabia que tinha poder suficiente para me fazer ficar apaixonada e um amor platônico não estava na planilha 2014.
Segui até a janela para ver o moreno virar a esquina, como uma pessoa madura me escondi sob as cortinas, porque ele não precisava saber que o estava vigiando pra ver se chegava bem até seu prédio do outro lado do meu, claro que não. E com isso, vi aquilo que eu não deveria ter visto.
Porque eu simplesmente não poderia ter visto Sasuke olhando para meu apartamento e sorrindo abertamente, como se essa noite tivesse sido À NOITE.
Eu poderia rolar em minha própria felicidade, mas depois daquele sorriso me senti caindo dois degraus a mais dentro daquele abismo, e eu não sei se estou preparada para o que viria ou conseguiria aceitar qualquer coisa que pudesse sentir.
Deitei na cama e preferi não meditar muito sobre o assunto, senão quem precisaria de ajuda psicológica era eu. Dei boa noite a Goku e apaguei vendo a garoa fina e a brisa fria passeando lá fora, de modo que me lembrava o quão ferrada eu estava.
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