Encontros

1 Primeiro encontro - Suspeita


Notas iniciais
Hi o/

Não pude conter minha ansiedade de postar essa fic assim que surgiu em minha mente, abri uma exceção e postarei essa e U_chiha and H@runo no mesmo período :3

Boa leitura e divirtam-se.

As pessoas costumam não acreditar naquilo que não viveram, não tendem a acreditar também em coincidências e muito menos em amor a primeira vista, ou ao décimo quinto encontro.

Sou Haruno Sakura, médica, descrente de amores, enlouquecida por pacientes hipocondríacos, cirurgias mais longas que uma noite de sono e uma Tsunade que grita meu nome 24 horas por dia 7 dias por semana, tenho também amigas paranoicas e que me metem em confusões todos os dias.

Mas talvez eu deva agradecer a Ino, por me enfiar na maior merda da minha existência e me fazer conhecer o cara que faria meus dias mais felizes.

A história da minha vida começa com um primeiro encontro inusitado e é seguido de quatorze outros que tinham tudo pra dar errado, mas que no fim, deram mais certo do que minha vida toda.

***

07 de Agosto 2014 — 08h da manhã

Eu definitivamente estava exausta! Mais do que exausta, estava esgotada em todos os sentidos da palavra.

Primeiramente estava estressada porque meu nome ainda ecoava pelos meus ouvidos depois de Tsunade gritar tanto por ele naqueles corredores hospitalares, em segundo lugar meus pés estavam me matando, pois eu havia ido ao hospital com um sapato de salto alto demais planejando ficar apenas 8h, não estender um plantão obrigatório de 30h.

Minha canseira era tamanha que demorei 15min apenas para criar coragem de sair do carro depois de estacionar em minha vaga no prédio, puxei meu jaleco, meu casaco e minha bolsa do banco do passageiro e cambaleei pra fora, oh por Deus, como meus pés doiam. Me apoiei no capo e pensei umas 20 vezes sobre tirar os sapatos e leva-los nas mãos, mas meu resto de dignidade gritava mais do que Tsunade sobre nunca descer dos saltos.

Tudo me incomodava, o vestido branco e todo o resto da minha roupa branca me deixava nostálgica, a distância entre minha vaga de estacionamento e o elevador me irritava, a demora que o elevador demorava pra fazer a conexão entre o subsolo e o décimo sétimo andar me fazia querer chorar, eu definitivamente estava na fossa.

Cheguei ao apartamento, abri a porta, peguei Goku no colo e senti o aroma de lavanda que emanava da casa limpa, contratar uma empregada fixa foi a melhor coisa que eu fiz nesses três anos morando sozinha. Joguei tudo que tinha em mãos no sofá e abracei o pequeno filhote que lambia meu rosto, finalmente senti o chão gelado sobre meus pezinhos, melhor sensação do dia diga-se de passagem.

Soltei Goku que voltou saltitante a sua caminha e corri até a cozinha abrindo armários, geladeira e gavetas, depois de 30h sem dormir e 18h sem comer eu morderia a mesa se ela fosse um pouco mais macia. Porém, mesmo procurando até em baixo da pia, não achei nada comestível além de uma garrafa de leite e uns pães de três dias atrás no minimo.

Respirei profundamente e derrotada, teria que ir a padaria na esquina ou ao mercadinho do próximo quarteirão, peguei meu cartão na bolsa, coloquei o cardigã e segui até a porta, suspirei encarando meu chinelo rosa e meu sapato de salto alto, será que alguém repararia se eu saíssem com chinelinhos rosa felpudos e com orelhinhas de coelhinhos na rua?

Ah mas que merda!

Calcei os sapatos ainda resmungando, porque a sociedade não podia aceitar certas coisas? Eu sairia de edredom para trabalhar se não tivesse um mundo lá fora pronto para me julgar. Abri a porta e antes que eu desse um passo para fora, dois homens dera um passo para dentro do meu apartamento. E naquele momento só tinha duas opções, ou eu os convidava para um chá, ou gritava por ajuda, mas eles foram generosos em esfregar seus distintivos na minha cara e eu automaticamente risquei a segunda hipótese.

-- Bom dia, Haruno Sakura? -- Perguntou o mais alto deles com cabelos alaranjados. Guardou o distintivo depois de se certificar que eu havia visto em todos os ângulos possíveis.

-- Isso, no que posso ajudar? -- Perguntei pegando Goku no colo que pulava à meus pés e rosnava baixinho, tão heroico.

-- Terá que ir conosco, estamos em uma situação onde você precisará prestar alguns esclarecimentos -- Entrometeu-se o carinha estranho de cabelos medianos e brancos.

-- Eu? Prestar esclarecimentos? -- Coloquei o pug em baixo do braço como uma bolsa, era um filhote tão versátil -- Na delegacia? Quando?

-- Imediatamente -- Respondeu o mais ou menos ruivo me analisando, como se eu fosse cega ao ponto de não vê-lo olhando para minhas coxas.

-- Agora? -- Apertei Goku e ele deu um leve grunhido -- Desculpa bebê -- Bati em sua cabeça levemente voltando a encarar os dois homens a minha frente, para minha infelicidade eles não tinham se dissolvido em um montinho de purpurina.

-- É, agora!

-- E quem são vocês? -- Perguntei trocando o pug de braço

-- Policiais? -- Que bom Mr.obvio, eu nem percebi mesmo você quase me fazendo engolir o distintivo. Ah como eu gostava de ter uma língua controlada.

-- Sou Juugo e ele Suigetsu -- Respondeu o mais alto.

-- Okay! -- Respirei profundamente, se eu tinha que prestar esclarecimentos sobre um assunto do qual eu não fazia ideia, então eu iria descobrir o que estava acontecendo lá na delegacia, que ficava do outro lado da cidade e distante demais do meu chuveiro ou da minha cama.

***

Vinte minutos andando dentro de uma viatura de polícia, pelo menos a paisagem era boa e mais do que isso, o balançar do carro me dava um sono, se é que era possível ter mais do que eu já estava. Seria tão melhor se houvesse um cara gato dentro do carro e eu tivesse algum fetiche com policias fardados, mas por hora, meuúnicofetiche era dormir pelas próximas 12h sem interrupções.

Quando finalmente chegamos desci do automóvel em frente a delegacia, não era nem de longe o lugar mais bonito ou interessante que eu já virá na vida, a ultima vez que havia entrado em uma foi a sabe Deus, cinco anos atrás quando fiz B.O do meu celular roubado? Muito provável.

Os homens não tocaram em mim, mas aproximaram-se demais da minha retaguarda me fazendo andar mais rápido do que eu gostaria, afinal, se eu não andasse aqueles abusados encostariam no meu bumbum e se isso acontecesse, eu realmente teria um motivo para ficar presa.

Quando entrei na delegacia entendi perfeitamente porque eu estava naquele lugar, sentadas em cadeiras de braços e pernas cruzadas estavam Tenten, Temari e Hinata, impacientes e bufantes encaravam o motivo de nossos problemas.

-- Yamanaka Ino -- Me desvencilhei dos homens indo diretamente na direção da loira -- Em que tipo de problema você nos meteu dessa vez?

-- Dos grandes -- Temari murmurou nervosa -- Dessa vez, foi dos grades!

-- Eu vou te... -- Fui cortada pelo policial intitulado Juugo

-- Vocês podem entrar agora -- Apontou uma porta de madeira escura com metade da estrutura em vidro, pude ler "Delegado". Se tinha como tudo aquilo piorar, era agora.

Ino correu para dentro da sala como se a vida dela dependesse disso, e de certa forma dependia mesmo, mas eu podia não mata-la agora, porém planejaria algo para depois. Fui a ultima a entrar, meu pé antes esquecido voltou a doer e minha cabeça já dava sinais de latejo, por mim eu gritaria em meio aquele falatório todo da delegacia implorando silêncio, mas decidi que para preservar a imagem eu deveria entrar em silêncio na sala e foi o que fiz.

Sentei em frente a uma mesa extremamente organizada com materiais de escritório e papeis, muitos papeis, a cadeira onde o delegado sentava virou-se rapidamente para nossa frente e eu tive a grata surpresa de ver o homem mais lindo da minha vida, aquilo sim tinha sido uma boa surpresa em meio daquele dia conturbado.

Desviei meus olhos do belo homem de cabelos bagunçados, olhos negros, pele clara e aparência cansada para meu relógio que marcava 9h da manha, totalizando 31h acordada e 19h sem comer. Voltei a encara-lo e o vi olhando para Ino que choramingava alguma coisa, pela primeira vez naquele dia, me recostei a cadeira e me permiti ouvir algo além dos meus lamentos exaustos.

-- Sou o delegado Uchiha -- Disse o moreno bonitão -- Todas vocês foram chamadas aqui para tirar algumas dúvidas para investigação, por isso preciso que todas colaborem -- Assentimos e o vi encarar Ino -- Então senhorita Yamanaka, preciso que narre sua versão do fato, o que aconteceu? -- Perguntou e eu suspirei, ele me encarou com o semblante sério e eu apenas o encarei de volta.

-- Kabuto me parecia um bom homem, estávamos saindo há um mês -- Choramingou e eu sequer sabia que Ino estava saindo com alguém -- Ontem a noite ele me pediu para acompanha-lo ao mercado perto da minha casa, fez questão de ir de carro, pois disse que precisava comprar algumas coisas pesadas -- Assoou o nariz -- Eu fui e estacionei três vagas para frente do estabelecimento, ele desceu e eu retoquei minha maquiagem como sempre faço quando estou com o carro parado. Depois de alguns minutos ele simplesmente entrou apressado dizendo para que eu ligasse o carro e acelerasse, como eu estava demorando ele girou a chave e eu pisei no acelerador, disse para que eu seguisse até a casa dele e começou a me indicar o caminho que eu ainda não conhecia por nunca ter ido lá e...

-- Você sai com o cara há um mês e não sabe onde ele mora? -- Me manifestei incrédula

-- Senhorita -- Sasuke olhou algumas fichas e voltou a me fitar -- Haruno, por favor, mantenha-se em silêncio, quem faz as perguntas aqui sou eu -- Suspirei assentindo mal humoradamente, afinal, eu estava em um delegacia por cagada da Ino.

-- Como dizia, você dirigia pra casa dele e...

-- E quando já estava há 10min dirigindo uma blitz nos parou, ele tentou abrir a porta e correr, mas foi pego por um policial que já o esperava do lado de fora do carro -- Fungou -- Me trouxeram para cá como cúmplice, mas quando eu imaginei que ele havia assaltado o mercado? -- Chorou agarrada a um lenço e eu deixei a cabeça cair para trás na cadeira.

-- E porque estamos todas aqui? -- Tenten fez a pergunta que eu queria fazer

-- Porque o numero de telefone de vocês era o mais discado no celular dela -- O delegado Uchiha respondeu e virou-se para encarar nós quatro agora -- Por favor, confirmem seus nomes, idades e suas profissões -- Disse pegando uma caneta e separando nossas fichas.

-- Mitsashi Tenten -- Respondeu a morena -- 28 anos e engenheira civil -- O vi anotando algo

-- Hyuuga Hinata -- A mais doce de nós falou com a voz mansa -- 27 anos, professora universitária.

-- Sabaku no Temari -- A cara amarrada não negava que ela me ajudaria a dar um sumiço na Ino -- 29 anos e engenheira Ambiental

-- Yamanaka Ino -- Respondeu em meio a suspirou -- 27 anos e sou estilista --E finalmente Dr.Uchiha olhou para mim.

Para minha roupa extremamente branca, meus cabelos longos e róseos provavelmente bagunçados, para minha maquiagem talvez já mal feita, para minha cara de quem chegou ao fundo do poço da vida, ou seja, para a pior face do meu próprio eu.

-- Haruno Sakura -- Respondi com a voz cansada -- 27 anos, Médica -- E eu acrescentaria "a cara da derrota", mas acredito que olhando pra mim, ele notava facilmente. E lá estava ele anotando mais alguma coisa.

-- Vocês tem direito a uma ligação na delegacia -- Disse enquanto digitava algo -- A história é bem convincente, e pelo perfil de vocês não podemos dizer que todas tem perfil de cúmplices para algum crime, porém agora que estão aqui, precisamos que um terceiro venha assinar a liberação como testemunhas e claro, que as leve para a casa, procedimento padrão.

E assim, o estranho Juugo sentou-se em um cadeira e pegou o telefone fixo, ligou para Neji esposo de Tenten, Naruto noivo de Hinata, Gaara irmão de Temari, Inoichi pai de Ino e finalmente olhou para mim.

-- E você senhorita? -- Olhou interrogatóriamente

-- Tendo em vista que meus pais estão de férias em Miami, meu cachorro não sabe falar ao telefone e todas as minhas amigas estão ao meu lado -- Encarei o homem -- Posso dizer que não tenho ninguém para ligar.

-- Meu pai assina como testemunha para você Sakura -- Ino disse com a voz baixa

-- Porque não liga para Tsunade? -- Temari desgraçada, me encolhi na cadeira apenas com a pronuncia do nome.

-- Você quer me meter em um problema pior? -- Encarei a Sabaku

-- Melhor do que dever favor a Ino -- Tenten murmurou, elas queriam mesmo é ver o circo pegando fogo e bom, eu não tinha opção, correto? Ponderei as opções e derrotada fiz minha escolha.

-- O nome dela é Senju Tsunade -- Murmurei e depois que disse os números o vi discar, todos ouvimos quando ela gritou O QUE? e depois bateu o telefone na cara do Juugo. Tsunade ficaria furiosa.

Neji chegou acompanhado de Gaara e Naruto, moravam todos muito próximos. Inoichi chegou 10min depois e o olhar reprovador que lançou a Ino me encheu de alegria, minha mente dançava feliz e cantarolava "Hoje o chicote estrala la la la la la lá"

-- Tsunade será que já chegou? -- Naruto murmurou assinando o papel sendo seguido de Hinata

-- Vocês saberão quando ela chegar -- Apoiei meu cotovelo sob o assento da cadeira e DITO e FEITO! O furacão Tsunade havia acabado de atravessar as portas da delegacia.

-- CADÊ A SAKURA? -- Gritou já da porta -- HARUNO SAKURA! -- Ah meu lindo nome sendo proferido com tanto ódio pela doce voz de Tsunade chegava a ser comovente.

-- A senhora pode... -- Suigtesu tentou falar, mas minha mestra o atropelou antes e veio para cima de mim, pegou minha orelha e me fez levantar obrigatoriamente da cadeira. Era muita humilhação mesmo!

-- Ai ai ai shishou, shishou -- Resmunguei vendo as meninas conterem um risinho, afinal, elas conheciam Tsunade e sabiam que isso aconteceria.

-- Em que confusão a senhorita se meteu agora em? -- Falava alto, porém não gritava mais, deu dois passos para o lado e me carregou junto ainda agarrada a minha orelha.

-- Aaaain nenhuma -- Caminhei ficando o mais próximo dela possível -- Agora me solta shishou tá doendo.

-- É pra doer mesmo! -- Apertou mais um pouco -- Se estivesse no hospital trabalhando, nada disso teria acontecido!

-- Mas a culpa é da Ino -- Choraminguei e a vi soltando-se de mim lentamente, quando me vi livre cambaleei indo para longe de seu agarre, Tsunade era uma mãe em fúria 24h por dia mesmo não sendo minha mãe.

-- Yamanaka Ino -- Tsunade resmungou voltando-se a loira que escondeu-se atrás do pai, a sala do delegado havia virado um verdadeiro casos de família. -- O que fez com minha discípula sua psicótica? -- Aquilo não era uma pergunta, era um "Ou você me diz o que aprontou, ou te quebro ao meio" e Ino sabia disso.

-- Eu cuidarei dela Tsunade -- Inoichi afirmou pegando Ino pela orelha, minha vingança estava a ponto de ser completa.

***

Finalmente eu poderia ir embora, depois de quase arrancar minha orelha e enche-la de abobrinhas sobre "você devia estar no hospital" ou "Se estivesse salvando vidas não teria parado em uma delegacia" Tsunade me levaria para casa assim como todos os outros faziam e eu estaria pronta para dormir.

Mas eu não deveria fazer planos demais, porque no fim das contas eu era e continuava sendo eu e as coisas nunca aconteciam como eu queria, o celular de Tsunade tocou assim que nos despedimos de todo mundo, ela atendeu enquanto eu ficava admirando a vista da porta da delegacia e antes que eu pudesse encontrar seu carro estacionado em algum lugar ela desligou e voltou-se para mim séria.

-- Tome -- Jogou algumas notas de dinheiro -- Não posso te levar, surgiu uma emergência no hospital e já que você não esta em condições vou sozinha.

-- Mas Tsunade... -- Porém ela já estava longe, e lá estava eu, parada, sozinha e cansada. Olhei para o dinheiro e depois de contar, bati os pés no chão infantilmente -- ISSO NÃO DÁ PRA IR NEM ATÉ A ESQUINA. SHISHOOOOOOOU!

Eu tinha noção do vestido curto, do salto 15, das pernas e braços aparentes e até fazia uma ideia dos cabelos desgrenhados, mas não imaginei que chamaria atenção de uma delegacia inteira, talvez se eu gritasse menos, sorri sem graça e desci as escadas que davam na calçada, eu tinha que pensar num modo de chegar em casa.

***

-- Juugo, estou indo para casa, amanhã nos vemos! -- Despedi-me e logo sai na calçada vendo a bela moça parada e aparentemente perdida. Por um momento ainda dentro a minha sala pude ouvir seus gritos e de fato, de todas as amigas, ela com certeza era a mais divertida e claro, incrivelmente bonita.

Não estava em meus planos seguir até ela ou sentir uma pontada de piedade, afinal, as amigas haviam colocado-a em uma enrascada, mas não faziam menção de salva-la. Porque não oferecer gentilmente uma carona a uma bela donzela inocente e com o semblante mais cansado do que o meu?

Talvez às minhas 16h sem dormir não chegassem nem perto do que a médica Haruno poderia estar, até porque os olhos verdes exaustos mostravam que ela estava a ponto de chorar caso não chegasse a seu apartamento logo.

Então porque um delegado, defensou da lei, dos fracos e oprimidos não poderia dar uma ajudinha? E foi com esse pensamento que me aproximei, fui xingado, mas sobretudo, ganhei o sorriso mais bonito que já vira em 28 anos de vida.

***

-- Eu vou matar Tsunade e aquelas falsas amigas que nem uma carona me oferecem -- 10h da manhã, 32h acordada, 20h sem comer eu estava enlouquecendo.

-- Olá -- Ouvi alguém aproximar-se

-- QUE FOI? -- Gritei virando-me e sorri sem graça ao dar de cara com o delegado -- Ops -- Chutei-me mentalmente

-- Está perdida? -- Perguntou com aquela voz grossa e sexy

-- Não venho para esses lados da cidade -- Admiti e o vi sorrindo de lado -- Onde posso encontrar um ponto de táxi?

-- Te dou uma carona -- Disse simplesmente

-- Que?

-- Vi na sua ficha que somos vizinhos de prédio -- Ele respondeu me dando as costas e começando a caminhar, eu acelerei o passo e o segui -- Sou do condomínio vizinho -- Completou.

-- Sério? -- Perguntei mais para mim do que para ele e o vi assentir -- É Deus agindo! -- Praticamente corria atrás dele, que pernas longas meu querido. -- Posso aceitar a carona ou você repensaria e não aceitaria uma suspeita no seu carro -- Esbarrei em suas costas quando ele parou.

-- Admite que é uma suspeita? -- Perguntou voltando-se a mim e me encarando.

-- Fui suspeita quando estava na sua sala -- Respondi -- Agora sou apenas uma médica exausta querendo chegar em casa.

-- Então eu posso ajudar -- Falou e voltamos a caminhar, eu finalmente poderia chegar em casa em segurança.

O silêncio era agradável, talvez seja pelo Dr.Uchiha ser agradavelmente bonito ou apenas porque eu estava cochilando de olhos abertos, não tive muita certeza no fim das contas. Vinte e sete minutos depois senti o carro parando, a volta tinha sido sete minutos mais longa e eu tinha perdido mais sete minutos das minhas doze horas de sono, o caso era esse, eu contava freneticamente horas em meus dias, tempo de descanso principalmente.

-- Muito obrigada pela carona – Agradeci já descendo do carro, não queria atrasa-lo mais ainda para sua volta a casa, bonito daquele jeito provavelmente o moreno tinha uma esposa ou namorada lhe esperando, enquanto eu tinha apenas um filhote fofo e rechonchudo de pug.

-- Sem problemas! – Assentiu sorrindo levemente

-- Espero realmente nunca mais precisar de uma carona da delegacia para minha casa – Completei me arrumando do lado de fora, ajeitava o vestido para tentar entrar apresentável no prédio.

-- Apenas não mate sua amiga loira como deseja – Murmurou e eu me debrucei na janela de olhos arregalados – Sou delegado, sei muito bem as maldades que passaram em sua cabeça – Sorriu – Você é uma médica, sabe como fazer parecer acidente.

-- E o senhor doutor Uchiha, entende muito a mente feroz de uma pessoa irada – Sussurrei sorrindo

-- Você não faz ideia – Sai de sua janela e acenei para vê-lo acenando de volta, de fato, ele além de maravilhoso, possuía uma personalidade bem peculiar.

Subi pela segunda vez naquele dia os dezessete andares, novamente passei o cartão na porta, peguei Goku no colo e tirei os sapatos, no fim das contas já faziam 21h que eu não comia nada, e fariam 30h porque eu não sairia em hipótese alguma para rua novamente.O sono me alimentaria e eu ainda tinha a possibilidade de perder aquele quilinho extra que ganhei no ultimo domingo.

Depositei o pequeno filhote em minha cama, peguei minha toalha e minhas roupas, segui até o banheiro sentindo uma alegria tamanha que me faria chorar quando a água encostasse em mim, finalmente tomei meu banho, lavei os cabelos, joguei toda aquela roupa branca encardida para lavar e depois de devidamente seca e vestida voltei ao quarto, fechei a janela e as cortinas e me joguei sob o edredom macio e morno, abracei Goku que já cochilava e me permiti dormir quantas horas fossem necessárias, afinal, o celular estava no silencioso e longe demais para que eu me preocupasse, a única emergência agora era dormir e por sorte sonhar com o delegado gato vizinho de prédio e quem sabe, desenvolver algum fetiche por homens morenos com distintivos.

Notas finais
E então, aprovado?

Essa fic surgiu de uma ideia repentina, o que sei sobre ela é que terá no minimo 15 capítulos e no máximo 20, nada além disso. Sobre as postagens, o que posso dizer... Não serão fixas, serão feitas do modo que as ideias fluem, ou seja, posso postar outro capitulo amanhã, como pode aparecer daqui 15 dias, estou sendo franca com vocês.

É claro que espero poder postar semanalmente, até mesmo com mais frequência do que minha outra fic *long* mas tudo dependerá de como fluirá, pois esse estilo de escrita tem que ser irreverente para ter graça e ao mesmo tempo, encantar à todos vocês, por isso, sejam paciente.

Quem leu até aqui, espero mesmo que possa deixar um review, nem que seja um "Olá, vou te acompanhar" pois isso me motiva e acreditem, faz com que saiam capítulos bem mais rápidos. Por isso, movam seus dedinhos e escrevam na caixinha aqui em baixo, juro que não vai doer.

Até breve e garanto, não pretendo demorar.