Encontro inevitável
19 Capítulo 19 – Flagra?!
Notas iniciais
No dia seguinte, assim como Aiyme havia prometido, ela tiraria as demais medidas do corpo de Vegeta para a conclusão do seu novo traje e falaria mais sobre a Câmara de Gravidade.
Laboratório n° 2
Vegeta: E então, mulher... Vai demorar muito pra começar com isso?! – ele falava mal humorado e de braços cruzados. Mas enquanto isso, também analisava de modo discreto o que ela fazia em seu computador.
Aiyme: Aar... Quer parar de ser chato, Vegeta?! Não vai demorar muito, só estou terminando de abrir o sistema e logo depois disso terá uma ideia de como será a sua nova armadura.
Vegeta: E como é que essa porcaria vai me dar uma noção do meu traje?!
Aiyme: Com o computador. Ele criará uma imagem em 3D do objeto desejado. E isso não é uma porcaria, Vegeta! Esse equipamento é tecnologia de ponta. – ela abre o arquivo que tinha os dados e medidas da roupa e a imagem do macacão e as suas fibras do tecido são projetadas à sua frente – Veja, aí está a parte de malha. Realista, não? E agora vou medi-lo para completar a armadura... – Aiyme desenrola a fita métrica e o envolve com ela, o que acaba juntando seus corpos, mesmo que involuntariamente...
Vegeta: Mulher... Está realmente me medindo ou testando meus limites?... – seus olhos se estreitam e a voz sai rouca e sedutora. Prontamente surge um sorriso sacana no canto esquerdo de sua boca.
Aiyme: Deixe de besteiras, homem. E-esse é só um dos procedimentos para se fazer a armadura... – ela abaixa a cabeça na tentativa de encobrir o rubor em sua face.
Vegeta: Hunf! Sei... – diz, ironicamente – Você só está se aproveitando do meu físico. – ele fala divertido e convencido, achando graça do estado que ela se encontrava.
Aiyme: Mas se acha muito mesmo! Pensa que é o homem mais desejado do mundo!! – ela solta a fita e a deixa cair no chão – Pois saiba que, corpo bem definido, também tem o meu namorado... – ela diz isso e se aproxima dele, lhe apontando o dedo indicador à frente de seu rosto e parando no seu peito.
Vegeta: Hunf! – ele sorri ainda mais – Só que... duvido que ele tenha um corpo assim. Um que te provoque tanto quanto o meu... – ele agora segura sua mão, fazendo com que o dedo dela, que estava apontado para seu peito, se abaixasse, trazendo-a para mais perto de si. E nesse momento, seus lábios quase se encostam. Ele falava tão próximo a ela que seus corpos tinham apenas um estreito e quase que inexistente espaçamento entre eles.
Aiyme: Você é muito apelativo, Vegeta. Isso não vale... – os seus olhos se fixavam nos do saiyajin e mergulhavam na escuridão de suas íris.
Vegeta: Hunf! Mas é a verdade. – Assim como você também me enlouquece... – pensamento.
A tensão sexual entre eles era clara. Os dois se queriam, os dois se desejavam loucamente e, em seus interiores sabiam bem disso. Entretanto, a iniciativa que faltava, o leve impulso de selarem os lábios, não aconteceu. Permaneceram ali, parados se encarando.
Aiyme: Vegeta... – ela lhe sussurrava, de olhos fechados e ainda colada a ele.
Vegeta: Humm?... – ele também fechava os olhos e encostava a testa com a dela.
Aiyme: Sabe que isso não vai acontecer, e que agora, esse momento, ele não vai passar disso. Eu tenho namorado.. – ela diz com a voz arrastada e ergue sua mão, que pousa sobre o peitoral de Vegeta.
Vegeta: Droga, mulher. Você...
Aiyme: Por favor, me dê licença. – ela o interrompe, e suavemente faz com que ele se afaste dela, o empurrando com a mão que ela tinha sobre seu peito – É melhor continuarmos de onde paramos... Já tirei as medidas e agora posso me empenhar na Câmara de Gravidade. Acho que agora você já pode se retirar, e é até melhor mesmo.
Vegeta sai do laboratório e deixa Aiyme sozinha. Depois de sua noite de reflexão e análise do sonho tão realista, ele havia visto o quanto desejava aquela mulher, e que esse seu desejo carnal era enorme. Fazia tempo que Vegeta não tinha nenhum contato físico íntimo com uma mulher, e seus hormônios estavam gritando! Para ele, essa era a explicação de seus atos e impulsos em relação à Aiyme. A cada segundo que se passava, o saiyajin se importava cada vez menos com o fato dela ser comprometida com outro homem ou por ela ser uma terráquea, a qual convivia diariamente na casa onde a mesma havia cedido moradia a ele. O que mais lhe importava era que sua cede fosse matada, e regada pela luxúria que o consumia.
Vegeta (pensamento): Já não estou suportando mais! Dane-se o fato dela não ser uma saiyajin, pois afinal, já me deitei com outras que não eram da mesma raça antes... Dane-se também que essa não seja minha mulher, e muito mais... quero que se dane aquele inseto, porque ele não a merece ter!
Tinha muita coisa que Vegeta estava abrindo mão, assim como seu orgulho, por conta do desejo, ou de um sentimento o qual ele não sabia muito bem o que era. E, provavelmente, Aiyme também abriria mão de algumas coisas se não fosse por seu relacionamento com Yamcha, que andava desgastado demais nos últimos tempos.
Ele, como um namorado ciumento que virara após Vegeta morar junto com Aiyme, mandou Pual vigiá-la, e seu amigo fiel fez o que lhe foi pedido. Toda aquela cena do laboratório foi registrada, e em pouco tempo Yamcha viu o que aconteceu e quase surtou ao ver os dois daquele modo. Tão próximos e tão envolvidos um com o outro (de um jeito que nem mesmo ele ficava com ela).
Apartamento do Yamcha
Yamcha: O-o que é isso? COMO ELA PÔDE FAZER ISSO COMIGO?! – ele surtava ao ver a cena deles dois no laboratório.
Pual: Yamcha, se acalme! Não aconteceu nada entre os dois.
Yamcha: NADA?! Você chama aquilo de “nada”?!
Pual: Eles não chegaram a se beijar, Yamcha. Ela impediu ele que...
Yamcha: Mas para que isso tivesse acontecido bastava um leve empurrão ou até menos! Eu vou tirar satisfações com a Aiyme agora mesmo!! Se ela acha que pode ficar de gracinha com esse saiyajin maldito está muito enganada!...
Pual: Espere. Não, Yamcha! – ele não dá ouvidos a Pual e sai pela porta, batendo-a com extrema violência – Aai... Isso não vai dar certo. Alguma coisa me diz que essa conversa dos dois vai acabar em tragédia. É melhor eu ir atrás dele. YAMCHA, ESPERA! – e o seu mascote vai voando até onde ele tinha ido, mas Yamcha já havia pego a nave e partido, então Pual o segue até a casa de Aiyme, que era seu destino.
Yamcha sai em disparada com sua nave, pilotando à toda velocidade. Em menos de cinco minutos ele chega até a casa de sua até então namorada e, de repente abre com brutalidade e sem aviso prévio a porta do laboratório onde ela estava trabalhando.
Aiyme: Mas, o que é isso? – ela se assusta com o modo com que a porta é aberta – Yamcha?!
Yamcha: Aiyme!
Aiyme: O que faz aqui? E o que tem nessa sua cabeça para chegar assim dessa forma, arrebentando a minha porta?!!
Yamcha: Sinceramente, não sei o que eu tenho na cabeça, Aiyme. – sua fala dai cínica – Mas e você, hein? O que tinha na cabeça ao me trair com aquele maldito do Vegeta?! – ele estava nitidamente transtornado.
Aiyme: O quê?! Você está ficando louco? – na hora que escuta isso, primeiramente seu corpo gela e em seguida o sangue parecia subir para seu rosto, que queimava como fogo ao ser acusada do adultério – Eu não te traí!!
Yamcha: Não mesmo?! Tem certeza, não quer pensar mais antes de responder?
Aiyme: Mas é claro que não!
Yamcha: Então quer dizer que se eu ficar a um milímetro de distância da boca de uma outra mulher que não seja você, eu não vou estar te traindo?!
Aiyme: Espera aí... – ela frisa nessa parte da fala de Yamcha.
Yamcha: Hein, Aiyme?! Me responde, eu quero saber!
Aiyme: Eu é quem quero saber uma coisa.
Yamcha: Ah, é? E o que é que você quer saber?!
Aiyme: Como é que você aparece dessa forma na minha casa e me acusa de traição, ainda mais com detalhes do tipo?! Estava me espionando por acaso?
Pual: Espera! Yamcha!!... – então Pual surge nesse exato momento, entrando pela janela para tentar impedir uma desgraça – Espera...
Yamcha: Agora não, Pual.
Aiyme: Ah... Pual. Agora faz todo sentido! – ela encaixa as peças e fica muito revoltada. Sua expressão era a do cinismo em pessoa, soltava um sorriso aberto e o mais irônico possível – Quer dizer que você mandou o Pual me espionar, não é?! – ela refaz a pergunta com mais agressividade ao notar que ele demorava a responder – Mandou ou não?!!
Yamcha: Aiyme, eu tive meus motivos pa...
Aiyme: Motivos?! Há! – ela dá um riso forjado – Acha que eu sou o quê? Você por acaso pensa que eu vá te trair com qualquer um?
Yamcha: Isso foi errado, espionar você, mas... O que eu vi...
Aiyme: Ah, então você viu?! Viu mesmo?! Deveria ter visto que EU, por mais que estivesse naquela situação toda, não fiz nada com ele, e mais... Me afastei dele! Por respeito a você, por consideração pela relação, mesmo que medíocre, que nós temos até hoje!
Yamcha: Acha nossa relação medíocre?... – ele parece ignorar o restante da frase e foca nessa parte.
Aiyme: Que outra palavra você usaria para descrever ama relação entre uma mulher descontente e um homem desconfiado, que pede para que filme as ações de sua namorada enquanto ele não está presente?!
Yamcha: Descontente. Então você...
Aiyme: Já tem muito tempo. – ela o corta – Mas mesmo assim, nunca te traí nesses anos todos, e assim foi, até o fim do nosso relacionamento.
Yamcha: Aiyme...
Aiyme: Acabou, Yamcha. Já chega. Não temos mais motivos pra continuar com isso tudo.
Yamcha: Espera, por favor, me escuta.
Aiyme: Não tenta prolongar mais não. Nós fizemos isso por mais de cinco anos! – ela suspira profundamente e se acalma um pouco – A gente merece mais do que isso. Ninguém tem o direito de prender um ao outro em um relacionamento que não vai levar a nada, e você sabe disso. Sabe que mesmo depois de um, dois, cinco... dez anos! Seja o tempo que for, nosso relacionamento seria o mesmo, e não evoluiríamos. Quem sabe acabaríamos pior, mas melhor do que começamos, nunca.
Yamcha: Eu... Eu queria muito dizer que é mentira, que isso é pessimismo seu e que nós poderíamos construir um futuro lindo, formarmos uma família e tudo mais... Mas acho que não. Você tem toda razão dessa vez, e eu fui estúpido de não perceber isso. Eu nunca fui o seu namorado, Aiyme, não pra você. Mas você foi minha. Foi minha companheira, minha namorada... meu amor. Mesmo você não me amando. – a última frase sai com ressentimento e dor.
Aiyme: Yamcha, não é bem assim...
Yamcha: Hunf! – ele sorri amargamente – Não precisa mentir ou tentar fazer com que eu me sinta menos mal. Eu sei de tudo, sempre soube. A diferença é que antes eu mentia pra mim mesmo. Não minta para você também, Aiyme. Nem adianta...
Aiyme: Se você acha que eu nunca gostei de você, Yamcha, tem uma visão muito errada de mim.
Yamcha: Eu não disse isso. Tiveram alguns momentos em que eu me senti amado de verdade por você, Aiyme. Foram poucos esses momentos, mas especiais. – seus olhos se enchiam de lágrimas e a voz era um pouco chorosa. Aiyme escondia ao máximo, mas seus olhos igualmente marejados a delatavam – Vou sentir saudade desses bons momentos. Você sempre vai ser aquela minha garota. A mesma que vi pela primeira vez no deserto, com roupas simples e uma personalidade única... A bela e intocável “Garota do Deserto”.
Aiyme: Yamcha... – ela sorri de canto e olha para ele – Você sempre foi um bom amigo.
Yamcha: Acho que esse foi o único cargo que ocupei verdadeiramente no seu coração. Amigo. E nunca deveria ter almejado algo maior, deveria ter me contentado com isso. Mas agora não Importa mais... Quero continuar te vendo, e não vou perder a única parte sua que tenho. – ele põe a mão sobre seu rosto e a olha com ternura.
Aiyme: É a melhor solução. E acho que fazemos bem em não prorrogar o que tínhamos e adiar o inevitável... – ela desvia o olhar e recua de seu toque com delicadeza, tentando não parecer muito rude.
Yamcha: É... – e naquele momento ele se sente vazio. Aquele gesto, mesmo sendo sutil, o fez perceber que ela não era mais sua, definitivamente, e isso o afetou mais do que o imaginado, por isso decide sair logo de lá – Bom... Então tá. Se cuida, Aiyme. E me desculpa por, por ter violado sua privacidade. Eu não tinha esse direito.
Aiyme: ... ... OK... – essa foi a única coisa que ela conseguiu dizer. As únicas palavras, que, forçosamente saíram de sua boca. E ele logo em seguida dá as costas e vai embora.
Abalada e desacreditada do que havia acontecido agora pouco, Aiyme sentia um misto estranho de tristeza e felicidade.
Tristeza por ter que deixar aquele que fora seu primeiro namorado e até então único homem em sua vida, e felicidade por depois de tantos anos presa ao namoro com Yamcha, agora se ver livre em um mundo totalmente novo. A partir de então, nada mais a impediria de viver um romance com o Príncipe dos Saiyajins...
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