Encontro inevitável
20 Capítulo 20 - Realização: um beijo
Notas iniciais
Yamcha já tinha deixado sua casa e agora ela estava sozinha em seu laboratório. Sua cabeça girava num constante movimento conturbado de emoções e lembranças. A incredulidade era evidente e sua confusão também. Ela precisava organizar seus pensamentos, mas essa não seria uma tarefa fácil...
Aiyme: Ah, mas que droga... – ela passa as mãos pelos seus cabelos sem muito cuidado e se senta ao chão do laboratório, quase que se jogando nele – Não acredito nisso... Terminei com ele. Eu terminei com o Yamcha depois de tanto tempo. Talvez até devesse ter feito isso
antes para evitar toda essa situação entre nós. Principalmente ao que diz respeito a Vegeta...
Sete anos jogados ao vento e a história de toda uma vida rompida assim. Mesmo sem perceber, ao longo do tempo ela perdeu por entre os dedos aquele que fora seu primeiro homem. Nada iria fazê-la voltar ou se arrepender da atitude tomada, mas, acabar com algo que era tão certo em sua vida estava sendo de certa forma assustador.
Aiyme já não conseguia se concentrar direito, nem mesmo retomar o trabalho que havia deixado antes de Yamcha ter aparecido. Por isso, ela sai do laboratório e decide tomar um copo d'água.
Enquanto descia as escadas, escuta a campainha tocar.
Aiyme: Quem poderia aparecer justamente nessa hora?! – Aiyme amaldiçoa mentalmente quem quer que seja que estivesse detrás da porta, e ela a abre, dando de cara com Bulma e o Doutor Brief – O que fazem aqui? – sua fala soa grosseira.
Bulma: Oi pra você também, Aiyme... Já vi que está de mal humor, como sempre. – dizia de modo irônico.
Aiyme: Me desculpem esse meu humor padrão estar mais acentuado, mas saibam que essa não é uma boa hora!
Bulma: Deixa eu adivinhar... Isso tem a ver com homem. Você brigou com o Yamcha de novo, não foi? – ela parecia fazer mais uma afirmação do que uma pergunta.
Aiyme: Não. – Aiyme mente e a responde de forma seca.
Bulma: Nem tente mentir, dona Aiyme, nós acabamos de encontrar com o Yamcha antes de entrarmos. Ele estava saindo da sua casa agorinha e tinha uma cara péssima! Eu até perguntei o que aconteceu mas ele me disse que se eu quisesse saber de alguma coisa, que falasse com você... E então, o que houve?!
Dr.Brief: Bulma... Deixe de ser indiscreta, minha filha! Se a Aiyme não quer falar, ela tem todo direito de não comentar sobre o assunto. Isso é pessoal demais.
Aiyme: Não, Doutor, tudo bem. Quer saber, é melhor eu falar logo... – ela inspira profundamente o ar e o solta com lentidão – Aah... Vocês iam ficar sabendo de uma forma ou de outra, então que pelo menos seja por mim, e sem distorções.
Bulma: Aai, então fala logo, tô ficando nervosa já!
Aiyme: Eu terminei com o Yamcha. – ela solta a informação de uma só vez.
Bulma: Você o quê?! – Bulma faz uma cara perplexa.
Dr.Brief: Oh, eu sinto muito, Aiyme. De verdade... – ele põe uma das mãos em seu ombro – Sinto por isso, minha filha.
Bulma: Mas por quê?! Já tem tantos anos que vocês dois estão juntos, por que terminar justo agora?
Aiyme: Por muitos motivos... Não quero entrar em mais detalhes.
Bulma: Hum... Isso não me cheira bem. E por julgar a cara com que Yamcha saiu, acho que esse motivo tem um nome, e um corpo bem definido...
Dr.Brief: Bulma! – ela a repreende pela frase sugestiva – Esses não são modos de falar com Aiyme, ela acabou de terminar um relacionamento longo.
Aiyme: Sabe, ao contrário do que você está pensando, Bulma, não terminei com ele porque ocorreu traição. Mas a minha vida e a dele já não estavam dando certo mais juntas. – essa não era uma total mentira, mas não era 100% verdade, pois seu interesse e atração física por Vegeta foi o estopim para o término de seu namoro.
Bulma: Olha, me desculpa. Não quis dar a entender que você havia traído ele, só que não achava que vocês terminariam por desgaste de uma relação. Eu via o modo como ele te olhava, tão apaixonado... Jurava que um dia ainda se casariam. E eu seja a madrinha, é claro! Tanto de casamento como das crianças...
Aiyme: Pois é, mas não. Não vamos mais namorar, muito menos nos casar ou ter filhos. A vida prossegue. – ela faz uma breve pausa, mas logo retorna a fala – E por falar em prosseguir... Doutor, aproveitando que está por aqui, preciso que o senhor me dê o projeto de como construir uma sala com gravidade aumentada, tem como fazer isso para mim?
Dr.Brief: Ah, claro. Tem sim, mas... Para que você quer esse projeto, meu bem?
Aiyme: Prometi que ajudaria Vegeta a se fortalecer, e creio que essa deva ser uma forma bem eficiente, já que funcionou com Goku e em tão pouco tempo...
Dr.Brief: Hum... Certo, entendo. Eu irei procurar hoje mesmo esse projeto e amanhã você já pode buscá-lo.
Aiyme: Obrigada, Doutor.
Dr.Brief: De nada, minha filha. – ele olha para Aiyme e põe sua mão direita em sua face – E se cuide, meu bem. Não fique tão abatida por conta desse acontecimento, está certo?
Aiyme: Doutor, eu agradeço de verdade mas estou bem, não precisa se preocupar comigo. – ela mente para ele, e o doutor sabe disso, mas prefere apenas aceitar seu modo de lidar com as coisas.
Dr.Brief: Está certo, meu bem. Está certo... Eu e Bulma já vamos indo então. Nos vemos amanhã.
O Doutor anuncia sua saída, e Aiyme os guia até a porta. Eles estavam quase do lado de fora, passando pela porta da sala quando Bulma solta uma frase...
Bulma: Ah, Aiyme! E só pra você saber, o que pode te ajudar com essa sua “bad” depois do término com o Yamcha é encontrar um novo amor, se você não tem ainda! Nada melhor que afogar as mágoas com outro para esquecer o ex. Experiência própria, vai por mim... Hahaha!
Aiyme: Aar... Bulma, TCHAU! – ela bate com a porta na cara de Bulma, fechando-a violentamente – É cada coisa que eu tenho que escutar...
Vegeta: Concordo plenamente... – Vegeta surge por detrás dela e a faz se assustar, e arrepiar também...
Aiyme: Vegeta?! Que susto... – ela põe a mão sobre o peito – E, sobre o que você estava falando?
Vegeta: Hunf... – ele solta um sorriso sacana – Do que você acha, mulher? – diz, se aproximando dela e cercando sua cintura com os braços – Fiquei sabendo que terminou com aquele inseto... Bem, você havia dito que era fiel, mas não sabia que sua vontade era tão grande que largou daquele inútil só pra poder ficar comigo...
Aiyme: Ha-ha! Acha mesmo que eu terminei com Yamcha, apenas para poder ficar com você sem peso na consciência?!
Vegeta: E não foi? – fala debochadamente.
Aiyme: Não! Mas é claro que não... Há muitos outros motivos pelos quais não estamos mais juntos.
Vegeta: Então quer dizer que se há outros motivos, eu posso ser, e com certeza sou um deles...
Aiyme: Quem sabe... Pode-se dizer que sim, até porque, foi depois daquela ceninha no laboratório que eu acabei brigando com o Yamcha e terminando tudo com ele!
Vegeta: E como aquele verme ficou sabendo disso? Bom... Não me importa, pelo menos agora você não tem mais desculpas para fugir de mim...
Aiyme: Fugir? Hunf! Não sou o tipo de mulher que foge das coisas, mas também tenho meu espaço a ser respeitado. Tudo tem seu tempo, Vegeta. – ela encosta suavemente sua mão no rosto do saiyajin e o acaricia.
Vegeta: Não brinque comigo, mulher, senão...
Aiyme: Não estou brincando. – ela fala de modo sério e olha diretamente em seus olhos. Eles estavam pesados e um tanto cansados. Eu diria que até mesmo magoados – Tudo tem seu tempo...
Vegeta percebe a tristeza que Aiyme carregava consigo e iria lhe contestar algo, porém antes disso ela se afasta dele e se retira.
Vegeta: Mulher...
Aiyme: Me dá licença, Vegeta. Continuamos essa conversa depois...
Ela deixa o cômodo que estava e sobe as escadas, indo direto para o telhado da casa, pois esse era o único lugar que poderia a reconfortar e acalmar.
Telhado da casa
Aiyme: Aah... Não acredito! – ela chega até lá e se apoia no parapeito, encostando sua testa sobre ele e largando os braços pendurados para o lado de fora – O que é que está acontecendo comigo?... – de cabeça baixa, ela sente uma lágrima querer cair de seus olhos, então antes que isso aconteça ela levanta o rosto e olha para o céu.
Vegeta: Eu também gostaria de saber o que está acontecendo com você, mulher. – ele surge ao seu lado.
Aiyme: Pensava ter dito que continuávamos depois a nossa conversa, ou seja lá o que for. – ela diz de modo grosseiro, e ele responde da mesma maneira.
Vegeta: É, disse, mas não me lembro de ter concordado com isso.
Aiyme: Hunf! – ela balança a cabeça negativamente e dá um sorriso irônico.
Naquele sorriso poderia ter de tudo: dor, tristeza, angústia... Menos felicidade ou coisas positivas, e as lágrimas involuntárias que insistiam em marejar seus olhos só comprovavam isso.
Vegeta: Por que dessas lágrimas, mulher? Não vá me dizer que é por causa daquele imbecil? Ele não te fez nada, não é?! Se eu souber que ele encostou um dedo em você, eu...
Aiyme: Não. – ela o interrompe – Ele não fez nada. Não é por Isso que estou assim, se acalme. Olha... Eu não sou de chorar, acredite, e isso não é por causa dele.
Vegeta: Então por que é?
Aiyme: Por tudo... – ela o encara profundamente – Vegeta, não sei você, mas, desde que nos encontramos tem algo que me faz ficar muito confusa. Você não pode ficar brincando comigo dessa forma tão perigosa, e eu não devia estar correspondendo minimamente a isso! E é exatamente por causa disso que Yamcha sentia tanto ciúmes...
Vegeta: Eu não tenho culpa se aquele verme não se garantia como homem! – ele fala de modo arrogante como sempre, mas percebendo a reação de Aiyme ele suaviza a voz – Mas, eu me responsabilizo por interferir no seja lá o que vocês tinham, se isso te fizer ficar melhor...
Aiyme: Hunf! Acho difícil algo me fazer sentir melhor... Porque a culpa também foi minha, mais minha do que de qualquer um.
O sol estava se pondo naquele momento, a noite vinha tomando espaço e ela olhava fixamente o horizonte, até o momento que Vegeta perde a paciência e quebra o silêncio.
Vegeta: O que você vê de tão interessante, mulher?!
Aiyme: Hunf! Boa pergunta... – ela sorri espontaneamente essa vez – Tudo de mim está lá, mesmo que de forma indireta. Todas as respostas das minhas perguntas estão com ele.
Vegeta: E qual é a pergunta de agora?...
Aiyme: De onde eu conheço você? – os seus olhos se cruzam e uma onda de energia percorre seus corpos. Eles estavam conectados em uma mesma sintonia, vibrando com o calor que emanavam.
Vegeta: Me faço a mesma pergunta, Aiyme... – ele diz seu nome a ela em alto e bom som pela primeira vez, e ele ecoa de modo sedutor por seus ouvidos, como se fosse uma sinfonia, fazendo os poros de sua pele se arrepiarem – Já que o céu pode lhe responder tudo o que quer saber... Pergunte isso a ele e quem sabe nós ganhamos uma resposta. – a voz rouca e embriagada de um prazer contido, apenas tornava o momento ainda mais envolvente.
Aiyme: Então me leve até ele. Me leve às alturas... – a malícia e duplo sentido transbordavam por sua fala.
Vegeta: Hunf! Mas é muito vulgar mesmo... – ele solta um sorriso maldoso e afunda seu nariz no pescoço de Aiyme, a fazendo suspirar.
Aiyme: Aah.. Ora, apenas pedi para que voasse comigo, o que tem de vulgar nisso? – ela se fazia de inocente – O que você tinha pensado, homem?...
Vegeta: Nada, mulher. Nada... – ele passa os lábios próximos a sua orelha, sussurrando algumas palavras – Apenas pensei no que você disse, e é exatamente isso que vou fazer...
Rapidamente, Vegeta pega Aiyme em seus braços e voa com ela, tendo seus corpos colados um no outro, podendo sentir o ritmo da respiração e dos batimentos cardíacos acelerados.
Aiyme: Sabe... Nunca me cansaria dessa vista toda. Se pudesse voar, viria aqui sempre que possível.
Vegeta: Nos meus braços?? – fala com tom de deboche.
Aiyme: Ah, sim, claro! Isso só deixaria as coisas melhores... – ela fala de modo irônico, mas com um sorriso nos lábios –Aliás, a primeira vez que voou comigo foi quando ainda estávamos em Namekusei, e a forma com que me carregou não foi nada gentil... – ela falava com uma falsa indignação.
Vegeta: Ora, pelo menos agora não está sendo segurada da mesma maneira! Mas se quiser, posso ser mais bruto da próxima vez...
Aiyme: Não será necessário. Está ótimo assim!
Vegeta: Hum... Então está bem. – ele faz uma pausa – Por acaso já conseguiu alguma resposta?
Aiyme: Não. Apenas mais perguntas...
Vegeta: Ah, é? Quais??
Aiyme: Para começar, a primeira delas é por que eu estou voando nos braços de um homem, um bem sensual pra falar a verdade, e mesmo que tenha terminado meu namoro isso me parece muito errado pois terminei ainda hoje. E a segunda...
Vegeta: O que tem a segunda? – ela dá uma grande pausa antes de falar, e quando faz, sua voz sai arrastada e quase que num sussurro.
Aiyme: Por que mesmo sabendo que parece tão errado, ainda assim eu quero estar nos seus braços... – ela afunda seu olhar no dele e busca por uma compreensão da sua parte.
Vegeta: Pois fique, mulher. Você não tem porque sair.
Aiyme: Fico. Eu fico... – ela começava a ceder e se entregar a ele.
As suas respirações estavam entrecortadas e descompassadas, a vibração de seus peitos subiam e desciam e a garganta secava. Seus olhos, que estavam fixos uns nos outros até o momento, começavam a se fechar e a ponta de seus narizes se tocam. Um leve sorriso se forma nos lábios dela antes de se selarem com os dele. A sensação era inexplicável. Todo o sentimento de vazio foi preenchido naquele momento, e nada mais se fazia necessário. Tudo fazia sentido, era ele e não haviam dúvidas, o homem de sua vida estava ali, a beijando. O encaixe de suas bocas era perfeito e as línguas se entrelaçavam de modo sutil no início, mas logo passaram a se mover de modo apressado e desesperado, como se o enlace delas fosse vital para os dois.
O beijo só foi interrompido por cauda do oxigênio, ou melhor dizendo, pela falta dele...
Aiyme: Ah... Isso é loucura. – ela sorria abertamente, com os olhos fechados e a testa colada com a dele.
Vegeta: E quem se importa?...
Aiyme: É... Quem se importa? – ela o beija novamente, de forma ainda mais calorosa dessa vez.
A noite dos dois se resumiu em beijos, carícias e suspiros... Havia muito tempo em que eles não se sentiam tão bem como agora. E mesmo depois de terem se separado e irem cada um para seu quarto, os dois carregavam consigo um sorriso bobo nos lábios.
Quarto de Aiyme Brief
Aiyme: Aah... Se apenas os beijos dele são tão bons assim, imagina outras coisas... Há! Acho que não presto. Mas como ele disse: Quem se importa, não é mesmo? Nunca me senti tão bem, e tão perto da resposta do meu passado e de quem eu sou...
Quarto de Vegeta
Vegeta: Ah, Aiyme... Hunf! Você me tira do sério, me provoca e no final deixa só na vontade... Mas você não me escapa, logo, logo você vai estar aqui na minha cama...
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