Encontro de Almas- volta às origens
12 Primeiro dia com tretas
POV Julia
Era o primeiro dia de aula do primeiro ano do ensino médio, e a empolgação era palpável. A maioria dos colegas já se conhecia, especialmente eu, a Luciana e a Luana, que éramos amigas desde o fundamental 1 e havíamos acabado na mesma escola de ensino médio. As conversas animadas sobre as férias de verão enchiam o ar enquanto nos dirigíamos para a sala.
Assim que o sinal soou, a turma começou a se acomodar, mas as conversas e bagunça continuavam. Eu e as gêmeas sentamos nas classes da frente, conversando sobre o que esperar do novo ano. A sala estava cheia de energia, e parecia que ninguém estava muito interessado na chegada da professora.
Mas então, a porta se abriu, e tudo mudou. Foi como se o mundo ao meu redor tivesse silenciado. A sensação era a mesma do que eu senti na primeira vez, o coração quase saltando pela boca quando vi o sorriso encantador iluminar o ambiente, e meu coração disparou.
"Foca!" Disse minha voz mais velha. “Lembra do motivo que tu voltou, não deixa os teus sentimentos, as tuas emoções te cegarem, não deixa acontecer de novo.”
Ela se dirigiu ao quadro e começou a escrever seu nome com movimentos delicados. Sua voz, doce e um pouco trêmula, ecoou pela sala: “Bom dia, pessoal. Meu nome é Rubi Velásquez. Eu sou a professora de Literatura Brasileira e Estudos Gramaticais da Língua Portuguesa.”
O entusiasmo da turma, que antes era tão vibrante, começou a morrer. A professora parecia visivelmente nervosa, e seu sorriso encantador estava desaparecendo. Eu não iria repetir o mesmo erro, eu precisava fazer o que eu havia prometido, calar a boca deles.
Olhei para a Lua e a Luci. “Ei, a professora chegou.”
“Ninguém tá prestando atenção,” Lua comentou, um pouco frustrada.
“Então, eu vou fazer com que eles escutem. Segura a mesa pra mim?” Perguntei, determinada.
“Tu enlouqueceu!” A Julinha exclamou dentro da minha cabeça, aterrorizada.
“Eu preciso, preciso mostrar quem manda, a Bi precisa encontrar confiança e nós precisamos ganhar respeito, perder o medo que tu sente agora, e o medo que eu carreguei por toda a minha vida.” Eu disse firme.
“Vai.” Julinha disse com determinação na voz, eu levantei confiante, era tudo o que eu precisava.
As duas me olharam com surpresa. “Tu vai mesmo fazer isso, Ju?” Luciana perguntou, preocupada, ela sempre foi a mais racional e preocupada.
“Alguém tem que fazer algo, ou ela não vai conseguir dar aula hoje! Me ajuda?”
“Ok!” Aceitou Luana, com um brilho travesso nos olhos. Sempre foi a mais destemida das duas.
Com um impulso de coragem, subi na cadeira e depois na mesa que a Lua estava segurando. Luci me deu apoio na mão para evitar uma queda, enquanto eu me equilibrava com meu coturno. Virei para meus colegas, mãos na cintura, e com um olhar assassino.
“CALA A BOCA, SEU BANDO DE FILHOS DA PUTA! A PROFESSORA TÁ TENTANDO DAR AULA, CONVERSEM NO INTERVALO OU NA SAÍDA!”
O efeito foi imediato: a sala ficou em silêncio absoluto. Eu vi um sorriso mínimo e aprovação nos olhos da Andréia, Rubi, inicialmente surpresa, me observou com um misto de alívio e apreensão. Quando terminei meu discurso, ela me ajudou a descer da mesa com um sorriso agradecido. Suas mãos eram quentinhas e macias, e eu senti um frio na barriga.
Rubi me olhou nos olhos, ainda um pouco nervosa, com as bochechas rosadas e as sardinhas visíveis. “Julia, certo?” Sua voz tremia um pouco.
Assenti com firmeza, mas sentia as lagrimas querendo se formar.
"Julia. Julia Almeida-Gomes," eu respondi, sentindo que meu coração estava prestes a sair pela boca. Eu precisava acalmar minhas emoções.
Rubi sorriu com mais confiança, e eu pude ver a gratidão nos olhos dela. "Obrigada, Julia, pela ajuda. Agora, pode se sentar, e nós vamos começar a aula."
Antes de sentar, encarei meus alvos, Sofia, a guria gordinha que senta no fundo com uma camisa fechada até o pescoço e mangas com detalhes em renda nos punhos,
Andréia, a guria que se veste como as meninas da capa da capricho, mas com as mangas longas mesmo no verão, talvez eu deva começar a assinar a revista de novo, Marcela, a melhor amiga da Andréia, com um olhar sonhador.
Pedro o guri que veste camisetas de banda de rock e carregava uma guitarra com ele, não andava de mochila, empilhava os livros embaixo do braço e finalmente a Paulinha, afro-brasileira, com um sorriso travesso nos lábios e conchinhas do mar como acessórios.
Estes eram nossos alvos, as pessoas que iríamos proteger e salvar, aqueles que teriam uma chance. Virei nos tornozelos e sorri pra professora antes de sentar e pegar meu estojo e caderno da Lufa-Lufa que comprei no parque do Harry Potter, se tivesse retornado quando ainda estava lá, se soubesse o que já sei hoje sobre a autora dos meus livros de fantasia favoritos... eu teria comprado tudo de glee.
Rubi se dirigiu à turma com um tom mais firme, sua confiança crescendo conforme ela começava a se ajustar ao papel de professora. O primeiro dia de aula prometia ser inesquecível, completamente diferente da primeira vez, e desta vez eu não iria me segurar. Desta vez eu faria tudo diferente.
POV Rubi
Quando eu entrei na sala de aula hoje, eu senti que algo grande estava vindo, primeira vez para mim como professora fixa, eu não era mais a estagiária da faculdade de letras em uma escola aleatória. Não dessa vez eu era a professora que estaria com eles o ano todo.
Minhas mãos tremiam e minhas pernas estavam pesadas ao caminhar pelo corredor e ver os alunos entrando em suas salas de aula, meu coração batia forte chocando dolorosamente contra o peito, quando estava prestes a entrar na sala de aula algo me parou, uma sensação de DeJa’Vu e algo mais, como uma lembrança.
Uma voz destorcida de uma figura borrada, me abraçava um sorriso doce. “vai ficar tudo bem, eu prometo que vai ser mais divertido, eu vou subir naquela mesa... e eu vou calar a boca de todo mundo assim que eu te ver!”
Eu não sabia ao certo se quando a minha aluna subiu na mesa e silenciou toda a turma, era o que a figura me disse, mas eu pude sentir pela primeira vez, que ficaria tudo bem.
Finalmente pude começar a aula, me postei em frente à classe e me apresentei novamente. Os alunos finalmente estavam prestando atenção, talvez por medo de que a Julia fosse subir na mesa de novo e chamar a atenção deles. Não pude deixar de sorrir com o pensamento.
“Bom dia, queridos! Sejam bem-vindos ao primeiro ano do ensino médio! Meu nome é Rubi Velásquez e serei a professora de Literatura Brasileira e Estudos Gramaticais da Língua Portuguesa de vocês este ano. Vamos começar nos apresentando? Quem gostaria de ser o primeiro?”
Um silêncio momentâneo tomou conta da sala até que Julia, com um bufo e um revirar de olhos, levantou o braço, provavelmente frustrada que ninguém tinha feito o mesmo.
“Pode começar, Julia,” disse com um leve sorriso.
“Meu nome é Julia Almeida-Gomes, sou apaixonada por literatura, dos clássicos ao infantojuvenil e jovens adultos, amo livros de fantasia, escrever poesias e um dia vou me tornar uma romancista e tradutora.” Disse Julia com determinação, como se ela já soubesse do próprio futuro.
“Sou viciada em séries de televisão, música e filmes. Gosto de me dar bem com todo mundo, mas não suporto preconceito e falta de respeito com ninguém. Espero que a gente se dê bem e que eu não precise chamar ninguém de filho da puta de novo pra prestar atenção na aula.” A turma toda guinchou numa gargalhada.
“Sem problema, Jubs, a gente vai tentar se controlar. Na real, gostei da pose durona,” A menina, afrodescendente, com longos cachos negros, disse sorrindo de forma brincalhona. “Meu nome é Paula, amo música, séries de televisão, filmes, e leio qualquer coisa que cai na minha mão.”
“É um prazer conhecer vocês duas, Paula e Julia. Espero que a gente se dê bem,” disse eu, rindo levemente, feliz que os alunos estavam participando.
“Meu nome é Lucas e eu gosto muito de jogar futebol e videogame,” se apresentou o menino de cabelos longos castanhos claros.
“Muito bem, Lucas! Alguém mais gostaria de se apresentar?”
Uma garota com cabelos cacheados e óculos de armação vermelha, sentada ao lado de Julia, levantou a mão com mais confiança.
“Olá, pessoal! Meu nome é Luana Garcia e eu adoro ler livros de aventuras e sair pra dançar.”
“Ótimo, Luana! Quem é o próximo?”
A menina ao lado de Luana, que era exatamente igual a ela, só podia ser gêmea. Eu me lembrei que elas ajudaram Julia a subir na mesa.
“Luciana Garcia, a gêmea que faz com que essas duas não façam besteira,” Luciana zombou, apontando para Julia e Luana.
“Ela só acredita nisso, mas não tem nada que prove a teoria dela,” brincou Julia com um olhar travesso.
“Com certeza,” Luana confirmou e as duas chocaram as mãos em um high five.
Soltei uma risadinha, imaginando que ia me divertir com o trio, ou elas iam me dar dor de cabeça, ainda não tinha certeza.
“Muito bem, Luciana. Quem mais gostaria de se apresentar?” perguntei animada.
Um rapaz alto, com uma expressão amigável, levantou a mão.
“Oi, eu sou o Pedro. Toco guitarra e tô ansioso pra conhecer todo mundo e fazer novas amizades,” ele se apresentou com um amplo sorriso.
“Maravilha, Pedro! Mais alguém?” perguntei.
Uma garota sentada na última fileira, com a camisa branca fechada até o pescoço, e rendas nos punhos, com um sorriso tímido, ergueu a mão lentamente.
“Eu sou a Sofia. Gosto muito de ler a bíblia e escutar músicas que Jesus ensina.”
Senti a tensão em volta da sala de aula, Julia estreitou os olhos, Paula apertava os punhos, Luana e Luciana olharam de relance para Julia com preocupação no rosto.
Tentei soar o mais animada possível, mas sentia que esta aluna me traria problemas. “Excelente, Sofia! Parece que temos uma turma bem diversificada. Isso é ótimo! Espero que todos nós possamos nos dar bem. Mais alguém?” perguntei. Ninguém mais quis, então dei seguimento à aula.
“Agora, vou falar um pouco sobre como serão nossas aulas e o que vocês podem esperar deste ano.”
Caminhei até o quadro e comecei a escrever os tópicos principais do cronograma, enquanto falava. Comecei então a explicar o cronograma e as atividades planejadas, enquanto os alunos escutavam com atenção, trocando olhares curiosos e sorrisos tímidos. A energia da sala parecia se transformar aos poucos, e a ansiedade inicial dava lugar a uma sensação de excitação pelo novo começo.
"Hoje vamos dar uma olhada no que vamos estudar este ano em nossa disciplina de Literatura Brasileira. Sei que alguns de vocês podem estar curiosos sobre o que vamos abordar, então vou explicar como vamos dividir o conteúdo."
"1º Bimestre: Introdução à Literatura Brasileira e Literatura Colonial"
Apontei para a lousa, onde eu havia escrito o resumo do primeiro bimestre. Percebi que alguns alunos, incluindo Julia, estavam copiando. Não pude deixar de sorrir com isso.
"Começaremos com uma introdução à nossa rica tradição literária. Nas primeiras semanas, vamos explorar o contexto histórico e cultural do Brasil colonial, e pra isso, vamos analisar a 'Carta de Pero Vaz de Caminha'. É uma peça fascinante que marca o início da narrativa sobre o Brasil."
“Sim, mas não é complicado de ler?” perguntou uma aluna com tom de zombaria na voz. “Quero dizer, não tá escrito em português de Portugal?”
"Qual é teu nome?" perguntei, incomodada com o tom de zombaria.
“Andreia Paiva-Goulart,” disse ela com um tom presunçoso, como se estivesse se exibindo.
Notei que Julia sufocou uma risadinha e rolou os olhos com a apresentação da colega. Paula fez uma cara de desagrado e trocou um olhar cúmplice com Julia, o que me preocupou por um momento.
“Andreia, a carta original de Caminha tá, sim, escrita num português mais arcaico,” expliquei enquanto escrevia o termo na lousa. “Mas, com o passar dos séculos, a língua foi se modernizando, e várias versões e traduções foram feitas pra acompanhar essa mudança. Nós vamos ler uma versão atualizada.”
“Ah, daí é mais fácil de entender, né professora?” perguntou Luciana com um tom gentil.
“Exatamente,” confirmei.
“Seguimos com o Barroco e Arcadismo, dois movimentos literários importantes. Vamos ler ‘Prosopopeia’ de Bento Teixeira e ‘O Uruguai’ de Basílio da Gama, que são ótimos exemplos desses estilos. Depois, passaremos para o Romantismo, com destaque para ‘Iracema’ e ‘O Guarani’ de José de Alencar, explorando o indianismo e o nacionalismo.”
“Tá, mas e os livros legais? Tipo Harry Potter, por exemplo?” perguntou a aluna ao lado da Andreia.
Quase todos os alunos explodiram em gargalhada. “Cala a boca, sua idiota. Essa matéria é sobre literatura brasileira, não inglesa,” Andreia exclamou. “Senta em outro lugar, vão achar que eu sou burra como tu.”
Julia se levantou, com um olhar firme para Andreia. “Ela não quis dizer especificamente Harry Potter, mas livros do mesmo gênero,” disse Julia, com a voz cortante. “Eu também adoro fantasia, e tem vários autores brasileiros que escrevem obras maravilhosas do gênero. Se tu não conhece, posso te mostrar,” disse ela, suavemente.
“Valeu,” disse a menina timidamente.
“Julia, pode sentar agora, por favor,” pedi gentilmente.
“Desculpa, sora. Só não gosto de injustiças,” disse Julia, sentando-se novamente.
“Qual teu nome?” perguntei para a aluna que mencionara os livros de fantasia.
“Marcela Pires,” disse ela, com a voz meio embargada.
“Marcela, teremos livros pra jovens adultos que vamos trabalhar. Nesses, vou incluir alguns de fantasia, de autores brasileiros. Não te preocupa,” prometi, enquanto a turma comemorava. “Continuando.”
"2º Bimestre: Modernismo e Pré-Modernismo"
“No segundo bimestre, vamos mergulhar no Pré-Modernismo, abordando obras como ‘Vidas Secas’ de Graciliano Ramos.”
“Ah, não!” Julia reclamou, me surpreendendo. “Fiquei traumatizada com esse livro! Nunca vou superar a morte da Baleia, professora! Dá pra trocar?” pediu, com uma lágrima escorrendo.
Algumas risadas pipocaram pela sala, e outros alunos concordaram com ela. Era interessante ver que alguns já tinham lido os clássicos.
“Quando chegar nele, eu vejo o que faço. Mas é um livro muito importante, principalmente pra entender a situação da comunidade nordestina no Brasil da época.”
“Esse é aquele livro com o personagem Fabiano, certo? Meu avô sempre fala dele,” perguntou Paula.
“Isso mesmo, Paula. E é uma obra fundamental pra gente entender o regionalismo na literatura brasileira,” expliquei. “Continuando.”
“Logo em seguida, vamos explorar o Modernismo, com destaque para ‘Macunaíma’ de Mário de Andrade e o ‘Manifesto Antropofágico’ de Oswald de Andrade. Esses textos são fundamentais pra entender as mudanças na literatura e na sociedade brasileira.”
"3º Bimestre: Literatura Contemporânea"
Me animei maisainda mais ao chegar no tópico doterceiro bimestre.
“Agora, a parte que talvez alguns de vocês estejam esperando com mais ansiedade: a Literatura Contemporânea. Vamos ler ‘O Sol na Cabeça’ de Geovani Martins e ‘A Resistência’ de Julián Fuks. Essas obras trazem uma reflexão sobre a vida urbana e questões de identidade.” Fiz uma pausa dramática
“E, claro, no mês de junho, durante o Mês do Orgulho LGBT, vamos estudar a literatura LGBT de autores brasileiros. Vamos analisar obras como ‘Antes do Baile Verde’ de Lygia Fagundes Telles, ‘As Traças’ de Cassandra Rios, ‘Aquele Dia Junto ao Mar’ da Karina Dias e outras que discutem a diversidade e a representatividade na literatura. Será um momento importante pra gente explorar como a literatura pode ser um espelho da sociedade e de suas transformações.”
"Feito!" Julia disse baixinho, comemorando.
Luana sorriu suavemente pra ela, como se entendesse a felicidade da amiga, que tinha os olhos brilhando.
Sofia levantou a mão os olhos se estreitando e uma linha fina nos lábios, eu imaginei que esta interrupção viria.
“Sim Sofia.”Perguntei, Julia tensionou, e virou o corpo para encarar a colega.
“Não é inapropriado livros que vão contra o que Jesus ensinou?” Sofia perguntou.
Além de Julia outros colegas a encararam, olhos cerrados. “Oh Crentelha eu não sei se tu foi informada, mas a escola Horizonte não é religiosa.” Andréia disse com impaciência na voz.
Antes que a situação ficasse mais crítica eu chamei a atenção dos alunos, “Andreia, querida, cada um tem sua opinião e deve ser respeitada, mas Sofia, como a colega disse, esta é uma escola inclusiva, progressista e não religiosa, então sim, o mês do orgulho é celebrado e discutido nas aulas.”
Com a minha resposta a grande maioria dos alunos bateu palmas e celebrou. Julia tinha um sorriso de orelha a orelha me encarava com admiração e respeito, ela também encarou Andréia, mas não pude ver os olhos dela.
"4º Bimestre: Literatura Infantojuvenil e Jovem Adulto"
“Pra fechar o ano, vamos explorar a Literatura Infantojuvenil e Jovem Adulto. Leremos ‘A Bolsa Amarela’ de Lygia Bojunga e ‘Cinderela Pop’ de Paula Pimenta, entre outros que incluirão livros de fantasia como ‘A Lua das Fadas’ de Eddie Van Feu. Essas obras não só são populares entre os jovens, mas também abordam temas relevantes e inclusivos. Vamos discutir a importância dessas histórias e como elas refletem as crescimento e identidade."
“Atividades e Avaliações"
“Cada bimestre vai incluir discussões, análises e atividades criativas. Teremos produção de textos, análises críticas e, claro, avaliações pra revisar o que aprendemos. Quero que vocês não só entendam os textos, mas também se conectem com eles e se expressem através da escrita. Espero que todos participem ativamente e aproveitem ao máximo!”
Olhei para os alunos e vi que a maioria estava sorrindo e alguns estavam escrevendo nos cadernos. Vi que Julia havia feito um pentagrama ao lado do nome da autora Eddie Van Feu. Me surpreendeu, mas apenas sorri levemente ao ver que ela tinha conhecimento.
“Então, pessoal, preparados pra essa viagem pela Literatura Brasileira? Vamos explorar muitas histórias e, quem sabe, criar algumas nossas também. Alguma pergunta ou comentário antes de começarmos?”
“Iracema é sobre a mulher indígena, certo? Sempre achei essa história interessante,” comentou Julia.
“Exatamente, Julia. E, ainda no romantismo, vamos ler ‘Senhora’, também de José de Alencar, que trata de amor e interesses sociais. Depois disso, mergulharemos no romance ‘A Moreninha’ de Joaquim Manuel de Macedo, uma obra que foi muito popular no século XIX.”
“Eu amo os dois! Me identifico muito com a Carolina pela personalidade audaciosa, mas também admiro a Aurélia pelo empoderamento dela, raro naquela época,” comentou Julia alegremente, os olhos brilhando de empolgação.
“Certamente, Julia. Aurélia e Carolina são personagens muito fortes,” disse eu, feliz que Julia aparentemente dividia minha paixão pela literatura.
“Vamos ler muitos clássicos!” Lucas reclamou, visivelmente desanimado.
Senti meu coração afundar, esperando mais entusiasmo da turma. “Com certeza, Lucas. Em seguida, vamos abordar a poesia de Carlos Drummond de Andrade. Leremos e analisaremos alguns de seus poemas mais conhecidos.”
“Ai, que bom, professora!” disse Julia extremamente empolgada, quase pulando da cadeira. “Quero aprender ao máximo, assim posso desenvolver minha escrita.”
“Eu amo poesia! Vai ser muito interessante estudar Drummond,” disse Paula comentou, mostrando-se tão entusiasmada quanto Julia.
“Que bom, Paula! Tenho certeza de que vocês vão gostar. Por fim, vamos estudar Jorge Amado e sua obra ‘Capitães da Areia’, que nos levará ao universo dos meninos de rua de Salvador.”
“Parece que vamos ter um ano cheio de leituras incríveis!” Julia disse, satisfeita, descansando a caneta sobre o caderno, alongando os dedos. Só então notei que ela estava escrevendo tudo o que eu falava.
“Com certeza, Julia. A literatura brasileira é rica e diversificada, e tenho certeza de que cada um de vocês vai encontrar algo que goste e se identifique. E lembrem-se, minhas aulas serão sempre um espaço aberto para discussão e troca de ideias, de forma respeitosa. Quero ouvir o que vocês pensam e sentem sobre cada obra.”
A turma parecia mais animada e curiosa. Os alunos trocavam olhares e sorrisos, ansiosos para começar as leituras e as discussões que estavam por vir. Senti que o primeiro passo para despertar o interesse pela literatura brasileira havia sido dado.
Entreguei para eles as listas de livros que pediria ao longo do ano e uma apostila que eles usariam. Vi Julia riscando a maioria dos títulos.
“A maioria eu já tenho em casa,” reclamou ela, frustrada. “Mas ainda tem bastante que eu vou poder comprar. vai ser bom descobrir novas histórias.” Um sorriso se espalhou pelo rosto dela, e não pude deixar de sorrir também. Era bom ver adolescentes apaixonados por literatura.
Liberei a turma quando o sinal tocou para o próximo período, eles teriam aula de Inglês e fui para a sala dos professores, sorrindo levemente. Não podia acreditar que minha primeira aula como professora fixa havia funcionado tão bem.
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