Encontro de Almas- volta às origens
11 Fim das férias
Encontro de Almas-Volta às origens
Capítulo X
Fim das férias
A mana sentou no sofá da sala, e eu fui na cozinha servir um copo d’água para ela, sabia que seria uma conversa difícil de engolir, eu conhecia a minha irmã, seria também difícil para falar sobre isso, mas a Milla sempre foi a minha melhor amiga, provavelmente por ser cinco anos mais velha que eu, eu sempre confiei assuntos difíceis a ela, e ela sempre se mostrou compreensiva.
Voltei para a sala e entreguei o copo para ela, e sentei em uma das poltronas de camurça caramelo, analisei o rosto da minha irmã antes de fechar os olhos e respirar fundo.
“Lembra que eu disse que tinha cometido um erro, e essa foi a razão de eu ter voltado?” Perguntei, com a voz um pouco mais alta que um sussurro.
“Sim, e tu mencionou uma esposa também, amigos que desistiram...”
“Tudo relacionado... então...” Puxei o ar de novo, engoli um caroço que se formava na minha garganta. “Tudo começou quando eu conheci a minha professora de português no primeiro dia de aula...”
Eu contei tudo para a Milla, em detalhes, obviamente nada muito gráfico, no fim da história, eu estava chorando como uma criança, soluçando contra o peito da minha irmã que me apertava em um abraço carinhoso, acariciando as minhas costas.
“Ju...” Minha irmã sussurrou
“Eu nunca mais coloquei os pés lá, eu soube pela Lua e a Luci o que aconteceu com a Andreia, o Pedro, a Sofia, a Marcela e a Paula, a Jana sumiu e nunca mais entrou em contato comigo, nem pra saber se eu estava viva, e novamente, as únicas que ficaram do meu lado, foram a Luciana e a Luana, sempre as duas amigas que eu sei que posso contar. Levou dez anos pra eu reencontrar a Bi. Eu nunca mencionei o que aconteceu no ensino médio pra ninguém.” Expliquei quando finalmente consegui me acalmar um pouco.
“Por isso que tu voltou então? Por isso que ela não te reconheceu?” A Milla perguntou. Eu fiz que sim com a cabeça.
“Eu não posso me envolver com ela de novo até me formar, se isso acontecer.... a gente vai acabar estragando tudo de novo. Isso não pode acontecer.”
“Eu te ajudo, prometo que eu te ajudo.” A Milla disse com a voz firme, eu sabia que ela faria isso por mim. “A gente tem que traçar um plano pra essa missão dar certo.”
Sentei ereta e encarei a Milla, um sorriso nervoso começando a brincar nos meus lábios. Estava me empolgando com a ideia da Milla me ajudar, como ela estava fazendo a faculdade de psicologia, talvez poderia me dar uma luz, como eu poderia trazer a Sophia e a Andreia pro meu lado, o mais rápido possível.
“Então, primeira coisa que eu preciso descobrir, é como lidar com a Sophia...” Expliquei. “Ela é o tipo de crentelha da pior espécie.”
“Não chama ela de crentelha.” A Milla pediu.
“Eu não fazia isso naquela época, sabia muito bem como foi ruim quando eu sofri bullying.” Comentei, a Milla assentiu. “A Sophia, era o tipo de pessoa que te julgava pela tua aparência, gosto musical, e vocabulário, ou religião, ou mesmo a falta dela.”
“Entendi, e a Andréia?” A Milla perguntou.
“Sabe a Quinn e a Santana de Glee?” Perguntei soltando uma risadinha.
“Ai meu Deus...” A mana gargalhou alto.
“Pois é, se as duas tivessem uma filha... seria a Andréia.” Eu contei rindo. “A Déia quando decide deixar a máscara de mean girl cair, ela é uma pessoa muito legal, sincera, não muito gentil, mas defende quem ela se importa, e tortura quem ela odeia... ela odiava a Sophia, com todas as forças dela, e eu não posso nem julgar ela por isso.”
“Vai ser difícil.” A mana concluiu e eu fiz que sim com a cabeça. “Mas a gente dá um jeito. Agora, por que não vai lá em cima lavar o rosto e a gente vai pegar umas frutas?”
“Tá, assim eu me distraio um pouco, eu me culpo sabe?”
“Eu entendo, mas pelo que tu me contou, vocês duas eram jovens, e não pensaram nas consequências, não consideraram o que poderia acontecer... agora vai ser diferente, tu vai voltar sabendo o que aconteceu, mais madura e com a capacidade de tomar decisões responsáveis, eu sei que tu vai saber exatamente o que fazer.” A Milla disse e me deu um beijo no topo da minha cabeça.
“É eu tenho que garantir que a gente não coloque a carroça na frente dos bois, o resto nós resolvemos mais tarde.” Comentei. “Eu quero aproveitar o tempo que eu vou ter com os meus amigos, e fazer o que eu puder para garantir que nós sejamos amigos pelo resto da vida.”
“Conta comigo, tá?” A Milla ofereceu, eu fiz que sim com a cabeça, um sorriso grande abriu em meus lábios, já me sentia mais segura com o que precisava fazer.
Passamos uma tarde muito gostosa juntas, pegamos várias jabuticabas, pitangas, amoras, algumas comemos no pé e trouxemos muitas para casa, obviamente eu trouxe comigo uma sacola para deixar em casa, sabendo que a mãe gosta de fazer geleias de frutas silvestres, assim eu salvaria algumas pra comer em natura. Outras talvez eu distribuiria na escola.
“Vocês se esbaldaram, hein?” A mãe brincou.
“As jabuticabeiras estavam lotadas, eu fiquei surpresa que tinha tantas.” Comentou a Milla, ela inclusive mostrou as fotos que tiramos.
Quando fui para casa, depois de entregar as sacolas pra minha mãe, a Naya finalmente mandou a mensagem que eu estava esperando. Com várias fotos dela, e as outras atrizes. Eu quase babei vendo a foto da Diana.
‘Como a Diana pode ser tão gostosa! Puta que pariu!’ Eu enviei e só recebi uma risada como resposta.
Quase pude ouvir a gargalhada escandalosa da minha amiga, e não pude deixar de rir com o pensamento, conseguia ouvir a minha adolescente gritando na minha mente, se eu tivesse um tesouro desses na primeira vez eu teria mandado emoldurar.
‘Eu to gostosa?’ Naya perguntou.
‘Nay, tu não pode perguntar isso pra mim, o código ‘sis’ não permite que eu te dê a resposta que meu eu de 15 anos tá pensando agora.’
Agora o emoji chorando de rir foi a resposta da Naya, ‘Tá ocupada?’
‘Não, tu?’
‘Eu acabei de almoçar, e estava esperando dar um horário aceitável pra conversar contigo, de preferência antes da madrugada.’ Ela explicou.
Eu fui para o escritório e liguei o notebook e acessei o Skype, fiz chamada de vídeo, a Nay não levou muito tempo para aceitar. Minha amiga tinha um sorriso radiante e um brilho no olhar.
“Oi Tiny!” Naya exclamou.
“Eu sou dois centímetros mais baixa que tu, sua chata!” Eu respondi fazendo um beicinho que não durou muito tempo, meu sorriso se alargou. “Como foi a noite?”
“Foi bom demais!” Ela contou, sorrindo amplamente. “Eu sei que tecnicamente eu vi as três mês passado antes do final das gravações, mas...”
“Eu sei, pra mim foi o mesmo quando eu reencontrei a Luana e a Luciana.” Admiti. “Pergunta estranha....”
“Manda.” A Nay pediu rindo.
“O que tu fez em janeiro?” Perguntei.
“Férias, então eu fui passar um tempo na minha cidade natal, andei de barco no lago, e curti a família, porque?” A Naya perguntou
“Só me pergunto, se por algum motivo a gente se encontre pessoalmente antes da hora... sabe... quero dizer...” Eu hesitei, não tinha certeza de como falar isso para ela.
“Entendi, faz sentindo, seria muito confuso para qualquer pessoas que não tem qualquer conhecimento do futuro né?”
“Pois é, eu não sou do meio artístico, nem subcelebridade. Como a gente iria explicar que somos amigas?” Perguntei, agora me sentindo um pouco mais segura.
“Eu não sei como a gente faria isso... eu não conseguiria atuar, fingir que não te conheço.”
“Eu não conseguiria pedir um autógrafo, ou pedir pra tu não me sufocar com um abraço.” Admiti, minha voz quebrou.
“Jules...”
“Eu to bem... eu só sinto a tua falta, de verdade, e eu não tenho como ir aí te visitar, nem tão cedo tu vai voltar pra cá!” Eu finalmente coloquei pra fora o que estava sentindo, lágrimas começaram a se formar novamente nos meus olhos.
“E a Rubi não tá aí agora, né? A Artemis me contou...” Naya admitiu, eu podia entender por que ela não tinha mencionado a Bi na primeira conversa, na verdade pensei até que ela não lembrava.
Funguei, limpei as lágrimas com as costas da mão. “Como tu tá lidando com isso tudo?”
“Tomei algumas decisões...” Ela confidenciou.
“Quais?” Perguntei, um pouco preocupada, eu sabia que a Nay podia ser impulsiva.
“Eu vou largar a carreira de modelo primeiro.” Disse ela, suspirei aliviada, sabia como isso fez mal pra ela no passado. “Depois de Glee, eu vou focar nos meus estudos.”
“A carreira de modelo eu entendo perfeitamente, mas tem certeza, que vai largar a carreira de atriz também?” Perguntei preocupada.
“Tenho, mudar pro Brasil, conhecer tu e a Rubi... foram as melhores coisas que me aconteceram. Eu finalmente pude ser eu mesma, eu redescobri quem era a Naya pessoa comum que não precisava andar com uma penca de segurança em volta.” Ela admitiu.
“E tu teve que voltar pra isso de novo. porque eu decidi voltar.” Murmurei, me sentindo culpada.
“Não, a Artemis me deu a opção de seguir a minha vida, eu provavelmente viveria a mesma coisa que eu vivi até chegar no ano que eu me mudei, sem memória alguma do futuro’ Naya mencionou.
Minha amiga estava certa nisso, ela teria uma chance de tomar decisões que fariam ela feliz agora, fazer coisas diferentes, algo que ela gostasse mais que atuar ou modelar.
“Jules, foi a minha escolha voltar pra cá com memórias da vida que tivemos, então não te culpa, eu sei que tu tomou a decisão certa, e por que tu tomou esta decisão, eu tenho a chance de fazer escolhas que me beneficiem, que sejam boas para a minha saúde mental e física!” Naya disse com a voz firme e mais que isso eu pude ouvir determinação, eu pude sentir que ela não se arrependia.
“Tu vai contar pra alguém?” Perguntei.
“Olha, eu pensei nisso, mas não acho que vou... não importa se eu tenho provas.” Naya admitiu, soltou uma risada amarga. “Meus pais são cristãos conservadores, pensariam que era o demônio tomando meus corpo... o pessoal da indústria provavelmente pensaria que eu enlouqueci, ou estou usando drogas... não acho que ninguém acreditaria.”
“É, faz sentido, só não me troca o nome do presidente, tá?” Pedi rindo alto, o rosto dela se transformou em uma máscara. “Tu fez isso”
“Fiz! Eu disse que o Biden era o presidente!” Ela gargalhou alto.
“Bem, ele é o vice do Barack Obama.” Dei de ombros, mas não pude deixar de rir.
“Eu sei, pelo menos eu pude colocar a culpa na bebida.” Nay admitiu rindo. “E tu, alguma gafe?”
“Não, eu anotei tudo o que tá acontecendo nos dias de hoje, inclusive o nome da presidenta e o presidente antes dela, então eu não tive problema, só disse que o Felipe Neto pintava o cabelo colorido, mas ele só faz isso em 2017, vai levar cinco anos pra acontecer.” Admiti, a Nay caiu na gargalhada.
“Como tu tá? Com a situação toda...”
Eu sabia exatamente o que ela queria saber, apenas neguei com a cabeça, e me mexi desconfortavelmente na cadeira, arrumei o óculos . “Eu realmente não quero falar sobre isso.”
Eu pude sentir pela tela a preocupação que ela sentia. “Uma hora tu vai precisar falar, Jules.” Naya insistiu.
“Eu sei disso! Eu to apavorada com o que vai acontecer quando eu reencontrar ela no primeiro dia de aula! Deuses, eu tive que encarar ela no dia da matrícula, quase chamei ela pelo primeiro nome. Saí correndo pra não piorar a situação. Eu não to pronta pra falar sobre isso.”
“Tudo bem, mas quando tu tiver... eu to aqui tá?” A minha amiga prometeu.
“Eu sei, e eu sei que posso contar contigo, de verdade... só me dá um tempo pra eu lidar com isso sozinha por enquanto... é mais fácil não vendo ela todos os dias.” Admiti.
“Eu imagino, olha só... eu to pensando em ir pro Brasil em Julho... Porto Alegre ou Gramado.” Contou ela.
“Tem certeza?” Perguntei. “Quero dizer... tu sabe que Glee tem fãs aqui também, certo?”
“Eu sei disso, mas eu quero te ver... pra ser bem honesta, eu quero voltar por que eu acho que eu não mantive todas as minhas memórias...” Ela admitiu. “Não lembro como nos conhecemos, eu acredito que tenha um motivo por traz, mas tem algo estranho acontecendo.”
Eu tensionei, sabia o que ela não lembrava, eu sabia por que ela não lembrava, e forçar esta memória poderia ser doloroso pra ela.
“Não força... seja lá o que for que tu não lembra....deve ser por algum motivo, não força uma lembrança que possa ser dolorosa.” Pedi, muito embora eu acreditasse que ela lembraria de qualquer jeito até porque a Nay não conheceu a Stella no Brasil.
“Talvez tu tenha razão.” A Nay concordou, mas não senti muita firmeza vindo dela.
Ficamos conversando mais um tempo, até que ouvi alguém bater na porta, “Desculpa Nay..., mas preciso ir, acho que a janta tá pronta.”
“Vai lá, amanhã eu volto para as gravações, eu não sei quando a gente vai conseguir se falar de novo, pelo Skype, mas eu mando mensagem no zap.” A Nay prometeu.
“Tá bom, não esquece... não força, tá?” Pedi.
“Não vou, prometo.” Naya assegurou e encerrou a chamada.
Levantei da cadeira, espreguicei e abri a porta, minha irmã estava me esperando no corredor, apenas dei um sorriso xoxo pra ela, eu não estava animada pra me juntar ao resto da família, era difícil só poder falar com a Naya por alguns minutos, mas eu sabia que eu precisava me controlar, por mais que sentisse falta da Nay, por mais que sentisse falta da Bi, eu sabia que precisava focar.
“Se tu não quiser ir... depois da conversa que a gente teve, eu entendo.” A Milla prometeu.
“Eles não vão... eles não sabem...” Lembrei a minha irmã compreensiva.
“Tem razão.” Ela concordou e nós fomos juntas para a casa dos meus pais.
POV Rubi.
As últimas semanas antes das aulas passaram rápido, eu pude pelo menos relaxar depois das matrículas finalizarem, pus em dia meus filmes e séries atrasados, reli meu plano de ensino, preparei minhas aulas e aproveitei para ler o meu livro favorito da vida, foram três semanas intensas, mas eu não podia negar que me diverti muito.
Domingo a ansiedade bateu, eu estava nervosa, fazendo longas listas de tudo o que poderia dar errado, listas de como eu poderia fazer a primeiro dia como professora fixa ser mais positivo. Era em momentos como estes que eu sentia falta do meu pai, ele sempre viria com alguma palavra de conforto, algum conselho que poderia mudar a minha forma de ver a vida, mas ele não estava por perto, não mais.
Senti meus olhos encherem de lágrimas, mas neguei com a cabeça, respirei fundo, levantei do sofá, em momentos como estes me conectar com a deusa me traria conforto, fui até a sala do altar fazer as preces noturnas.
Segunda-feira pela manhã, depois de uma café da manhã raso, só um sanduíche de salada e um café com leite, porque a minha dispensa estava vazia eu não havia ido ao supermercado ainda, corri para a parada do ônibus, que para minha sorte era próxima do prédio após revisar a minha pasta e bolsa pela segunda vez naquela manhã.
O caminho era longo e o coração batia contra a garganta, ecoando contra os ouvidos enquanto o ônibus deslisava pelo asfalto, eu estava certa que era ansiedade, decidi que mesmo no ônibus, visto que eu estava sentada, era possível tirar cinco minutos para exercícios de respiração, acalmar minhas emoções.
POV Julia
O dia que eu mais temia havia chegado, o sentimento de medo do que estava prestes a acontecer, e o medo da Julinha de ser rejeitada, se fundiram. Para minha sorte, quando acordei encontrei uma mensagem da Naya no meu WhatsApp e isto foi o que me deu confiança para sair da cama.
“Tu consegue Jules, tu vai lá e mostrar do que tu é feita, eu quero detalhes.” NayNay.
“Tu também, mostra quem tu é de verdade, a Naya Riviera que eu conheci, não a Naya que tu fingia ser pra mídia.” Pedi.
Eu esperava a resposta enquanto terminava de me vestir, jaqueta de couro, coturno, a camiseta preta do hard rock e calça de couro preta, fui ao banheiro do meu quarto , puxei a gaveta do gaveteiro embaixo da pia, toquei levemente o estojo de maquiagem.
Tomei um fôlego, mas uma memória entrou na minha mente como um jato.
Eu estava em um corredor que parecia familiar, não sabia ao certo onde era, mas o piso de lajota branca, mas parecia que alguém estava pintando o teto e respingou tinta cinza, embora as paredes fossem brancas assim como o teto e as portas de madeira, parecia de uma escola ou universidade, não tinha certeza.
Eu estava com a Bibi, indo em direção ao que acreditava ser a saída, Naya com o cabelo pintando de loiro porque só os deuses sabem o motivo e Stella caminhando apressadas em nossa direção.
“...About the black eyeshadow... I hate it.” Naya bronqueou.
Eu soltei uma risadinha, não me lembrava o que gerou esta conversa, ou me fez vestir daquele jeito, mas minha amiga havia odiado, eu iria certamente enviar fotos pra ela, a câmera do meu iPhone funcionava, eu enviaria fotos pelo e-mail visto que Instagram e ela não era minha amiga no facebook,
“Que cor de sombra? Eu quero chocar.” Enviei a mensagem, ela não havia visualizado a anterior, provavelmente estava discutindo o roteiro.
“Hey Jules, desculpa, eu estava me arrumando, logo tenho que estar na FOX, vou dar meu máximo, prometo... sobre a sombra, nada de preto ou roxo, quer chocar, lilás “
“Tu é a melhor, qualquer coisa... to aqui, não esquece.” Prometi, meus olhos cheio de lágrimas.
“Eu também, boa sorte hoje.”
“Boa sorte.” Enviei.
Coloquei o telefone no balcão da pia, sabia o que eu iria fazer, peguei o estojo correto além dos brincos e piercings falsos, para a finalização da minha transformação, era a hora, o dia que eu, mas temia havia chegado, mas ao mesmo tempo o dia que minha missão começaria oficialmente, o dia em que tudo mudaria.
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