Emilia & Bernardo.. Nova história
98 Capítulo 98
Emília
— Emília o que lembra da noite anterior? .-pergunta novamente Dias.
—De novo? — a delegada confirma com a cabeça, ela já não aguenta mais estão a horas ali, suas digitais já foram registrada, foram feitos teste para ver se tem resíduos de pólvora nas mãos, as perguntas são as mesmas, ela sabe que é uma tática, mas sempre voltam ao depoimento, as mesmas perguntas de formas e em ordem diferente para ver se ela disse alguma mentira e se contradizer, ela fecha os olhos, respira fundo — Eu já disse, falei umas poucas palavras com ela na varanda do salão, depois entrei, tivemos uma discussão...depois não lembro de quase nada, fui procurar meu marido, devo ter batido em algo, fiquei desacordada, senti alguém me carregar e acordei onde me encontraram.
— A senhora bebeu?- a delegada pergunta.
— Sim bebi algumas taças de champanhe, não…- Emília é interrompida por uma batida na porta, a delegada levanta sai por uns segundos e volta com um papel na mão.
—Senhora Emília, a senhora ameaçou a vítima durante a sua discussão no salão da festa?
Emília pensa um pouco, pois nem se lembrava disso, a advogada olha para, que fecha os olhos e lembra que Malu falou algo sobre Lívia, e lhe deu um tapa, vê um filete de sangue sair do rosto dela, mas seu pensamentos são cortados pela a delegada que lhe chama.
— Senhora ...Senhora Emília na discussão com a senhora Malu, você a agrediu a ameaçou de morte — Dias fala novamente, colocando as mãos sobre a mesa deixando as fotos de Malu assassinada a mostra, Emília fica horrorizada, mesmo tendo visto ela morta a algumas horas atrás, a vendo ali com aquele olhar parado, a acusando a deixa tonta, a sua advogada e a delegada estão discutindo, pela forma como a delegada levantou a questão, as imagens dela encontrando o corpo, o cheiro de sangue lhe vem as narinas, o barulho da sala, o calor do ambiente, tudo a sua volta começa a girar ela perde os sentidos e desmaia.
Bernardo
Ele abre a porta do apartamento, a familiaridade do lugar trás um pouco de paz, mas a realidade lhe volta ao ver o olhar preocupado de Beth.
— Oi Beth, e as crianças? — ele pergunta e senta
— Elas estão lá em cima, Lívia parece pressentir algo e já me perguntou várias vezes por Emília.
— Tenho que falar com elas.
— O que vai dizer.
— Ainda não sei- ele encosta a cabeça no encosto do sofá, fecha os olhos, ele lembra do olhar de Emília sobre ele quando se viram no corredor em uma das vezes que ela saiu, como doeu vê-la daquela forma, um olhar suplicando para que ele a livre daquela situação, nem quando ela se perdeu na mata na primeira semana de casados, quando ela não gostava dele, ela o olhou tão suplicante por ajuda, como ele queria a pegar no colo e correr dali, mas ele não quer pensar nisso agora- Vou falar com eles, você prepara umas coisas para eu levar a Emília?
— Sim — ele se afasta para subir as escadas, e ela o chama- Bernardo, ela vai ficar lá?
— Não sei Beth- ele volta até ela, não quer correr o risco de as crianças ouvirem — A advogada esta tentando, mas não sei mesmo, ela pediu que eu pegasse algumas coisas de Emília, por não saber o que vai ocorrer- ele desata a falar- ...Talvez hoje infelizmente ela fique lá, o caso é mais grave que achamos, Emília foi encontrada perto do corpo, ao que parece as digitais dela estão na arma…- ele esta a ponto de chorar- Beth...ele esta tão indefesa ...eu mal consegui falar com ela- ele abraça Beth e chora, ela só o ampara, dizendo que tudo vai ficar bem, passa um tempo e por sorte nenhuma das crianças o viu naquele estado- Eu preciso subir, falar com eles.
— Bernardo, antes tome um banho, se recomponha, eles não podem te ver assim.
— Você está certa.- ele sobe e vai ao quarto do casal e direto para o banho, debaixo do chuveiro, novamente o choro vem, ele deixa correr livremente, ele pensa em como pode ter ocorrido toda essa situação, claro que ele acreditava na Inocência de Emília, jamais duvidava disso, por mais que ela estivesse estranha, ele sabe que ela nunca chegaria a esse extremo, mas o que ele não entende como pode ela estar envolvida nessa trama, quem matou Malu e como Emília foi parar na cena do crime essas perguntas martelam em sua cabeça o tempo todo, quando ele ouviu a esposa falar com a advogada, percebeu o quanto ela ainda estava confusa, parecia saber tão pouco quando ele, apesar de estar no olho do furacão, ele tinha que de alguma forma descobrir o que houve, ele tinha que achar uma forma de ajudar a mulher que ama, a água parece esfriar isso o trás de volta a realidade, desliga o chuveiro e se veste.
Algum tempo depois ele esta na porta do quarto de Miguel, nenhuma das crianças o viu, ele o observa e percebendo ser observada Lívia o olha e levanta correndo, ele a pega no colo.
— Papai- ela o abraça forte, ele se segura para não chorar, esconde o rosto naquela cabelo que é a mais pura mistura dele e de Emília,
— Oi minha pequena.- ele consegue perceber Miguel sentado no chão olhando para eles, Bernardo caminha até a cama e senta perto do filho e coloca a filha no colo- Oi meu filho- passa a mão na cabeça do filho lhe fazendo um cafuné — Vem cá ele chama.
— Oi pai- Miguel levanta e senta ao lado pai.
— Papai cadê a mamãe?- Lívia pergunta, e Bernardo não pode deixar de pensar na vez em que Emília lhe disse que nada escapava do olhar da filha.- Papai cadê.
— A sua mãe- ele olha a filha que balança a cabeça rápido confirmando- Bom a sua mãe, ele precisou fazer uma viagem- ele sabe que isso é uma mentira, mas nem ele ainda pode compreender a verdade como esses inocentes podiam entender.
— Como assim pai- Miguel se levanta e se põe na frente do pai, inquieto, lembrando que da ultima vez que Emília saiu, levou cinco anos par voltar, Bernardo também lembrou.
— Meu filho ela vai voltar, é uma viagem que ela não queria fazer, mas precisou.
—Como assim papai?- Lívia parece confusa.
— Assim pequena, mamãe por mais que queira ficar conosco precisou ir…
— E quando ela volta?- a menina parece ter muitas perguntas, e Miguel se matem calado.
— Ainda não sabemos- Bernardo sente um nó se formar em sua garganta e se controla.
— Mas porque?
— Por que não depende dela minha filha.- ela parece pensar um pouco, forma um silêncio triste no quarto ele coloca a filha na cama — Preciso sair e já volto. — ele beija os filhos e Lívia fala num fio de voz;
— Papai pede para deixarem a mamãe ligar pra mim, eu não acho a minha boneca, ela sabe onde esta.
Bernardo junta todas as forças que tem e lhe responde,
—Vou tentar minha, vou tentar.- e ele sai, pega a bolsa com as coisas da esposa e se dirige para a delegacia.
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