Emilia & Bernardo.. Nova história
99 Capítulo 99
Bernardo
Ele tinha ido em casa buscar uma muda de roupa para Emília, quando voltou soube que ela tinha passado mal e tinha sido atendida na emergência do hospital ali em frente, ele está indo para lá quando Carol o aborda.
—Senhor Bernardo.
—Sim, o que houve com com minha esposa.
— Ela teve uma queda de pressão, mas já está voltando com a Jéssica.
—Mas ela esta bem? Porquê eu não fui avisado?- ele está muito assustado, parece estar em uma montanha-russa, a todo o instante algo acontece.
— Foi tudo muito rápido, o senhor tinha acabado de sair e Jéssica queria saber bem o que estava acontecendo antes de lhe chamar e…
— Eu vou falar com ela, qualquer coisa sobre minha mulher eu quero imediatamente ser avisado.
—Sim senhor Bernardo, eu compreendo...
— Porquê você não esta com elas?
— Eu precisei resolver algumas coisas do caso.
— Conseguiram a liberdade provisória ?
— Prefiro que a Jéssica converse com o senhor. ..
— Porquê? Não conseguiram é isso? Vamos me diga -diz mais alto que gostaria — Me desculpa, não quis me exaltar, mas…
—Tudo bem,esta tudo bem- Carol olha para os lados, há algumas pessoas olhando para eles, Bernardo falou alto demais, sabe o quanto ele esta nervoso, ela já o viu várias vezes no escritório e ele sempre foi gentil e educado, sabe que é a situação tensa- Vem senhor, vamos sentar aqui, quer uma água?
—Não obrigada- eles sentam.
— olha a Jéssica ali- ela diz com um certo alívio, não queria ser ela a mensageira de más notícias, eles levantam e vão até ela.
— Jéssica, onde está Emília?, como ela está? Posso vê-la?, Porque não fui avisado? — ele a enche de perguntas.
—Oi Bernardo- ela nem sabe por onde começar, ela em todo esse tempo em que trabalha para ele nunca o viu assim, mas também essa é uma situação completamente diferente- Bom Emília esta bem, ela está vindo com os policiais, posso ver com a delegada se pode vê-la…
— Mas ...- ele pergunta, sabe que tem algo aí
—Bernardo não sei, com dizer – ela pensa um pouco- vamos sentar?
Eles sentam novamente.
— Diga Jessica ...
—Nós ainda não conseguimos a liberdade provisória, ao menos esta noite Emília dormirá aqui- ele levanta, anda de um lado a outro- sinto muito Bernardo, nós...
—Será só essa noite? – ele fica parado de frente para ela, olhando-a nos olhos, a advogada nunca viu tanta tristeza em um olhar, mas tem que ser o mais sincera possível.
— Eu não posso te prometer que amanhã ela irá sair daqui, mas prometo usar todos os recursos para que seja o mais breve possível.
— Eu posso vê-la agora?
— Irei falar com a delegada Dias.
— Jéssica, preciso pedir também que deixem ela ligar para casa, temos uma filha pequena, você sabe , elas nunca se separaram, e a menina pediu para falar com a mãe, então se você puder...- ele segura um soluço, anunciando o choro, seus olhos já estão cheios de lágrimas, por fim ele diz mais como uma súplica – Por favor.
Jéssica olha para e sai, Carol pega a bolsa com as roupas e vai atrás.
Emília
Ela já esta de volta a delegacia, naquela mesma sala, quando acordou no hospital, por um breve momento achou ter tido o pior pesadelo da sua vida, mas ao olhar para o lado vê junto ao médico a delegada Dias e a sua advogada, ela tem vontade de chorar por ver que é tudo real, mas não o faz, parece já não ter mais lágrimas ou forças, se deixa conduzir pelo momento, responde as perguntas de forma mecânica, parece estar aérea a tudo, só sente quando é picada por uma agulha, Jéssica lhe diz que pediu um exame toxicológico, nem se dá ao trabalho de perguntar o porque, se deixa levar de lá para cá, feito uma boneca. Já esta de noite, mas nem sabe que horas
são, a porta se abre entram a advogada, delegada e Bernardo, seus olhos parecem ter ganhado vida, brilham, em meio a toda a tristeza, ela dá um leve sorriso, mas ela sente ter algo errado, pois ele fica parado no mesmo lugar.
— O que houve?- ela perguntou ansiosa, Jéssica senta ao lado dela, mas Emília não a olha, esta com os olhos fixo em Bernardo.
— Emília – Jéssica a chama- Nós ainda não conseguimos sua liberdade provisória...
—Como?- enfim ela olha para a moça, e compreende a situação- Terei que ir para a cadeia, para uma cela...
— Essa noite você ficará aqui na delegacia- é Naide quem diz.
—Não...não- Emília levanta e começa a negar com a cabeça- Não.. por favor não
— Emília ...- Jéssica tenta tocar em sua mão, mas ela se afasta mais indo de encontro à parede.
— Não toca em mim, eu não quero ficar aqui- ela olha para Bernardo que esta rígido – Eu não a matei, não- e chora escorregando para o chão, escondendo a cabeça entre os joelhos, como quem quer se proteger do mundo, balbuciando o tempo todo que não a matou.
— Meu amor- Bernardo esta abaixado junto a ela, com a mão em suas costas, acariciando.
— Bernardo me tira daqui, por favor.-ela o abraça, chorando ainda mais, sussurrando- Por favor... por favor...
— Se eu pudesse eu faria, meu amor- ele aperta ela forte em seus braços.- Emília, olha para mim- assim ela faz, ele limpa seu rosto, beija a sua testa- Deixaram você ligar para casa, assim você fala com Lívia e Miguel- ao ouvir os nomes dos filhos, seu olhos novamente enchem de lágrimas- Mas você tem que estar calma para falar com ele, esta bem?
— Sim — ela toca o rosto do marido, ele sentindo o toque suave de sua mão, fecha os olhos, esquecendo de onde estão — O quê disse a eles?
— Eu disse que você precisou viajar- ele levanta do chão e a ajuda ela a sentar novamente na cadeira e ele senta ao seu lado, entrelaçando sua mão a dela, olha para Naide, que pega o telefone e alcança para ele, o combinado era ligar do celular dela no viva voz. – Esta pronta?
Ela só faz que sim com a cabeça, ele disca o número e coloca no viva voz. Ao ouvir o toque de chamada Emília sente seu coração acelerar, apertar mais forte a mão de Bernardo.
— Alô- alguém diz do outro lado.
— Beth sou eu Emília- ela consegue dizer se controlando.
— Ah, graças a Deus, nem vou perguntar como esta pois já devo imaginar.
— Ai Beth... eu ...- ela engasga.
— Esta tudo bem Emília...
—É a mamãe?- Lívia ao ouvir o nome da mãe corre até onde Beth esta- Deixa eu falar com ela madrinha, por favor.
Emília esta do outro lado se segurando, ouvindo a voz da filha, segura tão forte a mão de Bernardo que, ele com a outra mão afrouxa um pouco.
— Beth a põe na linha por favor- pede ele.
—Mamãe- a menina agarrou o telefone com tudo, Emília nada consegue dizer- Mamãe a senhora esta ai? madrinha não é a mamãe?- ela a olha em dúvida, e vai entregar o telefone quando ouve...
— Minha bonequinha é a mamãe sim- Emília consegue dizer por fim.
— Mamãe — ela diz alegre e Emília em meio as lágrimas sorri- Mamãe, o papai disse que foi viajar.
— Sim é verdade- Emília olha para Bernardo.
— Mas mamãe a senhora nem se despediu, me deu um beijo...
— Eu sei minha filha- ela respira fundo- Eu não tive tempo...eu
— Mamãe quando volta?
— A mamãe não sabe- Emília coloca a mão sobre a boca para abafar um soluço, não quer que a filha perceba que ela chora.
— Minha pequena- Bernardo entra na conversa- Lembra que papai disse que assim que possível ela vai voltar.
— Papai o senhor está com a mamãe e não me levou isso não vale,- ela se atreve a perguntar tirando um tímido sorriso dos pais pela esperteza da filha.
— Sim pequena eu vim trazer roupas para a sua mãe.
— Mas eu queria ir junto papai, eu quero ver a mamãe- ela pede já ameaçando chorar, eles ficam um pouco em silêncio.
— Lívia, eu queria falar com o seu irmão, pode chamá-lo, por favor- pede Emília, para distrair um pouco a filha.
— Sim mamãe – ela passa o telefone para Beth e sobe as escadas para chamar o irmão.
— Beth como eles estão?
— Miguel esta quieto, Lívia esta agitada, mas estão bem, nada sabem, não deixei ligarem a TV, nem saírem.
— Beth por favor, mais do que nunca cuida deles pra mim.
— Sim, claro pode deixar, Emília...-Beth iria falar mais, mas as crianças voltam, ela passa o telefone para Miguel.
— Emília – ele fala com um fio de voz
— Oi meu querido- ela sente uma das mãos de Bernardo acariciar suas costas.
— Eu nem quero falar com você- ele diz meio bravo, Beth até se assusta, Lívia arregala os olhos
— Como assim meu filho?- ela pergunta.
—Você prometeu, prometeu e não cumpriu.
— Miguel, meu menino- ela então se lembra da promessa que lhe fez- Meu filho, eu prometi, eu nunca, nunca mais vou embora, nunca mais.
— Mas você saiu, não falou nada, não está mais aqui...
— Mas vou voltar meu filho, eu vou....-ela diz em desespero, não queria fazer nenhum deles sofrer.
— Quando...- ele começa a chorar
— O mais breve...
— Deixa eu falar agora Miguel- Lívia puxa o telefone da mão dele
— Espera Lívia, espera- eles entram em um duelo pelo telefone
— Calma crianças, calma- diz Bernardo.- A mamãe não tem muito tempo, Miguel se despede, depois Lívia .
— Emília volta logo- ele diz – por favor *mamãe*- dizendo isso ele corre escada acima pois era a primeira vez que ele a chamava assim, como ela sentia ele ser seu filho, ele também sentia ela ser sua mãe, pega de surpresa Emília fica sem reação, Bernardo sorri e lhe beija o rosto.
— Mamãe...mamãe- a filha chama ela desesperadamente.
— Sim minha filha.
— Eu não acho a minha boneca, sabe onde está ?
— Já viu no carro de seu pai, você sempre esquece lá- há um silêncio, é a hora da despedida, Emília se adianta- Minha filha preciso desligar.
— Amanhã vai ligar de novo?
— Eu não sei minha filha, eu não sei-
— Eu te amo mamãe.
—Eu também minha bonequinha- ela desliga o telefone, Bernardo abraça, e ela chora
Naide pega o celular guarda no bolso, e conversa com Jéssica , e sai, sem deixar transparecer e emoção que sentiu.
— Bernardo dez minutos- diz Jéssica ela e Carol também sai.
— Dez minutos? – Emília diz ainda agarrada a ele, com seu rosto escondido no pescoço dele, nem percebeu a saída das três moças.
— Elas nos deram alguns minutos a sós- ele lhe diz ela afasta um pouco para olhar para ele, ele acaricia o rosto dela.
— Bernardo, você acredita em mim? Que eu não a matei a Malu.
—Sim eu acredito em você, sempre, jamais pensaria algo diferente- ele fala sem deixar de fazer carinho em seu rosto, que fica tocada pelas palavras dele, lágrima rola de seu olhar- Não chore por favor, queria poder fazer algo para poder te ajudar, queria poder fazer mais.
— Bernardo, você pode.
— O quê, me diga faria qualquer coisa para poder lhe ajudar.
— Você não vai gostar, mas por favor me ouça, me deixa falar antes de você ir.
— Fala Emília, prometo te ouvir.
— Bem quando a polícia me prendeu, tinha umas pessoas lá- ela olha bem para ele- Entre essas pessoas estava Lia...
— Emília...- ele diz se levantando.
Você prometeu me ouvir- ela o segue com o olhar, que volta a se sentar do lado dela, ela segura em sua mão — Eu a vi, sei que é difícil acreditar em mim, mas Bernardo eu não matei Malu, não sei porque alguém a mataria, mas porque eu ali, eu ao lado do corpo, eu levando a culpa, e só há uma pessoa que me odeia tanto, que será capaz de fazer isso, a Lia.
—Emília eu não sei- ele lhe diz, ela olha bem para ele, que entende que naquele olhar está pedindo uma chance – Está bem se o que me diz for verdade como ela fez? Onde ela está ? Como iremos prova?
— Lembra dos diários?
— Sim claro que lembro- como ele podia esquecer dos horrores que ele leu- Mas eu nem sei onde estão talvez a polícia tenha as cópias, pois eles levaram na época do sequestro...
— Não precisa – ela fala –Eu tenho eles- Bernardo a olha estranhando- O que lhe dei foram as cópias lembra? Os originais eu guardei, bem antes de chegar ao apartamento naquela noite, e a um tempo atrás eu recomecei a ler, não queria que você soubesse, pensei que talvez ali tenha alguma informação sobre onde ela possa estar, ou alguém que ela conheça, enfim algo.
— Onde eles estão.
— Sei que vai ser uma tortura para você ler como tem sido para mim, as coisas descritas ali são de revirar o estômago, pode dar para a advogada, você quem sabe, eles estão com Beth, ela tem me ajudado.
— Eu irei ler…
A porta se abre, um policial aparece dizendo ter acabado o tempo
Emília automaticamente segura na mão dele.
— Só um minuto, por favor – ele pede o policial se vira, Bernardo levanta puxando Emília para seu braços, depois desse abraço apertado ele ergue a cabeça dela para olhar para ele- Uma vez eu te disse que iria cuidar e proteger você, nossa família, reafirmo a minha promessa, vou lutar com todas as forças para te tirar daqui- Emília não pode deixar de chorar, ele encosta bem o rosto ao dela, sua testa encostada a dela, e sussurra – EU TE AMO- e a beija, um beijo doce e terno, que fazem esquecer de onde estão
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