Bernardo

Ao chegar na delegacia, a sua advogada ainda não tinha chegado, há alguns repórteres, ele caminha o mais rápido que pode tentando evitar a presença as perguntas deles, mas mesmo assim é crivado por coisas que não pode responder como: “Sua esposa matou...?” ... “A senhora Emília vai ser solta?”, ele mal ouve o que eles falam, um tentando gritar mais que o outro, é um curto caminho, ainda bem ele pensa, logo entra, olha ao seu redor nunca pensou em estar em um lugar como aquele, ainda mais perante aquela situação, ver a sua mulher que esta detida, a primeira vista é um lugar diferente do que imaginou, limpo, um pouco bagunçado, há tantos filmes que ele assistiu sobre delegacias ou polícia, mas nada é igual a realidade do momento ainda mais nessa situação, ele se pega perguntando porque esse pensamento veio, esta parado quando quando alguém chama a sua atenção:

— Senhor posso ajudar? — uma moça atrás do balcão de recepção lhe chama- Senhor?

— Sim, eu… eu procuro a delegada Dias.

— A delegada está ocupada não sei se ela poderá …

— Sou marido de Emília Boldrin, preciso falar com ela.

— Vou chamá-la só um momento- a moça parece reconhecer o nome pois pega o telefone e faz uma ligação, pelo barulho que tem por ali ele não escuta, — Ela já vem.—ela infoma em seguida.

Ele aguarda uns minutos e vem uma mulher até ele.

— Senhor Boldrin, sou a delegada Naide Dias- ela estende a mão para ele, ela é mais jovem que ele pensou que seria, o olha atentamente.

— Delegada, preciso ver minha esposa.

— E a advogada?

— Vai chegar em alguns instantes, mas por favor preciso ver Emília- ela olha para ele e pode ver o desespero do homem, já lidou com quase todos os tipos de homens, e em várias situações, sabe que ele de fato estava desesperado, talvez mais que a mulher sentada na mesa, na sala ao fim corredor.

Dias o leva até lá e fica observando o casal, ele entra devagar na sala, Emília está de cabeça baixa, quando ela percebe a presença do marido se joga nos braços dele e chora pela primeira vez desde que foi presa, Naide se pergunta como esse caso acabaria, como essas pessoas a sua frente acabariam, ela não tinha cara de assassina, mas não podia pré julgar, esse não era o seu trabalho, seu trabalho era investigar, juntar provas e levar ao tribunal, eles é quem julgariam “a moça do vestido de festa”, pois assim ela a apelidou em sua cabeça, eles estão abraçados, ela chora alto, Dias percebe o que o homem também chora, decide fechar a porta uns instantes, e é logo abordada, sendo avisando da chegada da advogada.

Ela encontra uma moça morena e outra loira no balcão da recepção.

—Bom dia delegada Naide Dias — ela se apresenta.

— Bom dia, Jéssica Calazans, — estende a mão para um aperto, e lhe apresenta a loira- Minha assistente Caroline Mondo.

Elas se cumprimentam.

— Minha cliente onde está? — pergunta Jéssica.

— Está com o marido, Drª Jéssica, eu preciso do depoimento dela o mais rápido possível.

— Sim eu entendo, mas preciso falar com ela, me colocar a par da situação.

— Dou meia hora….

—Mas delegada isso é pouco tempo.

— Eu preciso do depoimento dela, a senhora estará presente, é o tempo que precisa, vou pedir para alguém levá-la até sua cliente, com licença.

*De volta a sala, onde está Bernardo e Emília*

Bernardo

Ele leva um susto quando ouve quem é a vítima, Bernardo não tinha ainda pensado em quem poderia ser a vítima, nunca pensou em Malu, ele está do lado de fora, Emília falou o que se lembrava da noite, e a delegada entrou, também com um assistente para tomar o depoimento dela, ele teve que sair.

Ele liga para Beth.

—Oi Bernardo como ela está? -Beth pergunta logo.

—Ela está confusa, pouco se lembra, está prestando depoimento.

— E ela vem hoje pra casa?

— Ainda não sei Beth, e as crianças?

—Estão bem, nada sabem de nada, acham que você e Emília estão em um passeio, tenho mantido eles distraídos.

—Obrigado Beth, não sei quanto tempo vai demorar, mas logo lhe dou notícias.