*Bernardo*

Passou mais algumas semanas e eles estão de volta a fazenda, nesse ele e Emília pareciam mais estar em lua de mel, uma pena que ele teve trabalhar se não tinha aproveitado para leva-la para viajar, mas as noites eles compensavam.

É a primeira vez que voltam a fazenda depois da perda do bebê, ela prefere dormir no quarto dele, como chegam tarde é Lia quem buscou Miguel no colégio no dia anterior, eles não viram o menino.

Na manhã seguinte ele acorda, ela ainda dorme fica alisando a cabeça dela, agarrado a Emília com uma mão na cintura dela, ele percebe quando ela se mexe.

—Esta acordada já- ele diz ao seu ouvido, beijando sua bochecha.

—Sim — ela brinca com os pelos do braço dele, ele sabe exatamente no que ela esta pensando e sentindo, a perda do filho.

—Esta tudo bem?- ele pergunta, ela gira ainda agarrada a ele.

—Sim, — ela olha em seus olhos e o beija — Me ame, só faça amor comigo.- o beija.

Eles tem uma linda manhã de amor, ela querendo esquecer o horror que ali viveu e ele fazendo com que ela só sinta seu amor nada mais.

Horas depois Bernardo sai com o filho.

*Emília*

Miguel e Bernardo saíram ela esta caminhado um pouco com Beth.

—Dona Emília lembra que a um tempo atrás a senhora me perguntou se Lia tinha algum diário?

—Sim lembro.

—Pois eu vi dona Emília ela escrevendo em um caderno preto.

—Mas você viu o que ela escrevia.

—Não,perguntei ela disse que era livro de receitas, mas ela nem cozinha.

—Então pode ser verdade.

—O que dona Emília.

—Ah Beth você tem se tornado uma ótima amiga, posso contar um segredo e por favor não conta a ninguém. — pede diz que sim, e Emília conta todas as sua suspeitas, sobre a morte de Marina, deixando a empregada horrorizada, — Então Beth se realmente ela tiver um diário pode estar tudo ali, e sabe- se mais o que.

—E se a senhora tiver razão, o que vai fazer?

—Vou colocar ela daqui pra fora, mas preciso desse diário como prova.

Tempos depois ela espera o momento em que Lia leva Miguel a casa de um amigo, pede para Beth ficar de olho e ela vai até o quarto de Lia, ao entrar se depara com um quarto minimalista, uma cama, um guarda roupa, uma cômoda, nenhum quadro, enfeite, nada pessoal, só uma foto de Miguel, ela procura por tudo não encontra nada, quando ouve Beth chamando ela sai pelos fundos,entrando a tempo de ver Miguel entrar com o joelho sangrando.

—O que houve meu querido.

—Eu me machuquei, caí.

—Vem cá- ele vai até ela,mas Lia coloca a mão no ombro dele.

—Eu cuido de você Miguel.

—Eu não quero, eu quero Emília.

—Solta ele Lia- Emília vai até o menino e o pega pela mão, olha para Lia que solta o ombro dele- Vamos.

Ela o leva até seu quarto, e faz um curativo nele.

—Emília é verdade que eu ia ganhar um irmãozinho?

—É verdade- ela fica tensa.

—E porque não vou mais?

—Ah Miguel, não foi possível, você quer um irmão?

—Sim eu quero, meus amigos tem e dizem que é bem legal, você me dá um de aniversário? — ela ri dele da inocência dele.

—Não é bem assim,mas quem sabe ele já não esta a caminho.- diz com um pouco de mistério, pois não tem certeza e não a quer alimentar falsas esperanças.

—Como assim- ele parece confuso, ela ri e decide mudar de assunto.

—Esta bom assim?- terminado o curativo.

—Sim obrigada Emília.

—Que tal ver um desenho agora?

—Eu quero.

Eles deitam na cama, liga a televisão, aconchega ele em seus braços e em minutos ele dorme, ela nem olha o desenho, fica pensando que é a primeira vez que ela entra naquele quarto depois do aborto era triste e dolorido estar ali, mas joga esses pensamentos longe, e pensa onde Lia poderia ter escondido esse diário. Sem querer acaba cochilando, acordando com um toque em seu rosto.

—Oi, tem um lugar ai pra mim- é Bernardo quem faz carinho em sua face, sorri para ele como ela o amava.

—Tem sim — ela esta deitada de lado abraçada a Miguel, ele deita atrás dela e passa o braço envolta do corpo dela conseguindo assim abraçar o filho também, adorava estar deitada com ele, que parecia ter o dom de passar segurança para ela, com ele assim acaba por dormir novamente.

No outro dia pela tarde ela vai descer as escadas quando sente uma forte tontura, se segura com tudo no começo do corrimão, ela olha para baixo e sente ainda mais forte a tontura, olha para trás e vê Lia caminhando bem devagar na direção dela, com um olhar feroz e um sorriso diabólico nos lábios, Emília lembra do pesadelo que teve tempos atrás onde se encontrava na mesma situação, um arrepio percorre seu corpo, ela começa a sentir a vista escurecer e a perder os sentidos, já não tem mais forças para se segurar, sente uma mão em seu corpo e grita.

—Oi o que você tem.

—Bernardo me tira daqui- e ela desmaia.