*Emília*
É segunda pela manhã ela arruma a filha vai para a livraria, na parte de baixo era a cafeteira e livraria na parte de cima tinha o escritório, banheiro, cozinha e uma sala para os funcionários, então era fácil para ela levar Lívia com ela, ao todo ela tinha seis funcionários, ela cuida da parte administrativa e ficava no caixa quando necessário.


Como ela sabia ser um dia tranquilo ela resolveu deixar a filha com a moça que sempre cuidava dela e iria ver o pai.


Como já era conhecida da clínica, por seu trabalho voluntário nem a questionam muito, ela usa ainda o sobrenome da mãe, ninguém nunca poderia supor que ela seria filha dele, para disfarçar ela sempre usava uma peruca mais escura que o seu cabelo castanho quase loiro, óculos de grau, mantinha sempre a cabeça baixa e falava pouco, a foto que seu pai tinha no quarto era bem antiga, era uma foto de antes do casamento, para ajudar no disfarce falava um pouco de espanhol, e sempre visitava um ou outro idoso antes de chegar ao quarto pai.

As visitas para ele era como voltar um pouco ao passado, ele a reconheceu poucas vezes e sempre esquecia, era até mórbido usufruir da doença dele, mas tinha vezes em que achava ser melhor assim, sabia que Bernardo o visitava todas as sextas, então era um bom dia para visitá-lo, sem preocupação nenhuma, quando seu pai a reconhecia, o que eram poucas vezes, seu coração explodia de felicidade, conversava com ele sobre Lívia, mostrava para ele uma ou outra foto da menina, tomando cuidado para pegar a foto no fim das visitas, um conversava normal entre pai e filha, mas no fim tipo que ele apagava de novo, e o seu pai apesar de estar presente em corpo já não estava mais ali, e tinhas vezes em que ele nem sabia quem ela era, o que eram quase todas as vezes, tratava ele bem, falava com carinho e atenção, e tinha momentos em que ele a presenteava falando dela quando ela era pequena, ou adolescente, ela ouvia com atenção, era ate engraçado ouvir ele falar dela ela estando ali.


Mas naquele dia ele parecia bem, seu velho pai estava de volta, logo de cara ele a reconheceu.
—Minha filha.- ela nem acreditou quando ele de repente a chamou assim.
—Oi pai. — tenta conter as lágrimas.
—Faz tempo que não vem me ver, que cabelo feio, e esses óculos desde quando usa ?- ela nem sabia o que dizer.
—Pai esses óculos são temporário, e o cabelo errei na cor.—ela mentiu.
—Esta feio, cadê seu marido?
—Ele não veio.
—E os meus netos ? — ela sabia por Beth que ele e Miguel se davam muito bem.
—Miguel esta no colégio.
—Ah sim — ele olha para o pulso como quem vê as horas, mas não há nenhum relógio ali — E minha pequena, você nunca a trouxe, so aquela moça a trouxe uma vez- ele falava da única vez que Beth levou Lívia ali, nossa parecia que suas memórias estavam todas ali, isso poderia a assustar se não tivesse acontecido outras vezes sabia que isso duraria pouco.
—Eu trouxe umas fotos dela quer ver?
—Sim- ela então tira umas fotos bolsa e começa a falar da filha, mas em um momento ele esta rindo e perguntando da neta, em outro esta com o olhar perdido e confuso.- Quem é você? E essas fotos de quem são- ela o perdeu de novo, lágrimas de frustração e raiva lhe vem aos olhos tem vontade de o abraçar e chorar, mas uma voz, uma que não ouve a cinco anos desperta todo os seus instintos, jamais esqueceria de quem era aquela voz:
—“…..Miguel ele pode….”- era Bernardo quem estava vindo, ela recolhe as fotos rapidamente, mas não vê que deixou uma para trás, entra rapidamente no quarto ao lado antes de ele dobrar o corredor e entrar no quarto do pai, Emília fica ali ouvindo a voz dele, e a vontade que tem é de voltar ao quarto e se revelar, mas não pode, ela também percebe que seu pai nada diz sobre ela, ela da uma espiadinha, eles estão de costas e não a notam ali, o pouco que vê de Bernardo mostra o homem forte que sempre foi, e Miguel, apesar de o ver por fotos que Beth lhe trás, esta cada vez mais parecido com o pai, aquela olhar de rapazinho, mas o sorriso é daquela menino de oito anos que ela conheceu, fica ali um tempo olhando para eles até que alguém a aborda e perguntando se esta tudo bem, pois ela nem tinha percebido que chorava, pede desculpas e sai.