Embery Hills

2 While I'm leaving


Notas iniciais
Olha qm voltou com capítulo novo!! Então, guys, esperam que vcs estejam gostando. Boa leitura.

Depois da floresta selvagem vem o vasto mundo. — disse a ratazana. — E nós não temos nada a ver com ele, nem você, nem eu. Nunca estive lá e também não irei, e você muito menos, se tiver um pingo de bom senso.
(O Vento Nos Salgueiros)

–Está levando casacos, certo? Protetor solar? E seus remédios? Tem certeza de que não está esquecendo nada?
Alex jogou a última mochila no porta-malas e revirou os olhos. Sua mãe vinha lhe perguntando esse tipo de coisa a manhã toda, enquanto terminavam de empilhar as coisas que levaria ao seu novo colégio, um internado localizado em Ohio, na região centro-leste dos Estados Unidos.
Veja bem, um internato não era bem um escolha comum entre os adolescentes de sua idade. Alex amava os pais, mas ficar sob o mesmo teto que eles e viver a mesma vidinha parada à qual estava acostumada nos últimos dezesseis anos não era bem uma opção. Depois da morte de seu irmão, embora Prince George fosse uma cidade maravilhosa, não havia ninguém que realmente lhe prendesse ali. Então chegou a conclusão de que já estava mais do que na hora de dar no pé. Sua mãe não havia recebido muito bem a notícia, e a garota até havia pensado que a mulher fosse entrar em desespero quando lhe contou seus planos, mas como sempre, a palavra de seu pai em casa era a última — algo bem machista em sua opinião. Ele também tinha certo receio no começo, mas depois de se trancar com a esposa no quarto do casal por longos quarenta minutos para uma "conversa particular", ele havia se convencido de que seria o melhor a se fazer.
Era o meio do ano e Alex tinha certa noção de que todos lá já deviam se conhecer. Mas quem ligava? Quanto mais depressa desse o fora dali, talvez ainda pudesse guardar um pouco de sua sanidade. Ela mal podia esperar para chegar a um lugar onde não seria vista como a adolescente perturbada que via coisas e entrava em pânico durante a aula de biologia.
–Sim, mãe. — disse pela décima vez ao fechar o porta-malas de seu Fiat Spider preto. Presente de aniversário que o pai tão contentemente havia lhe dado um ano atrás. — Tenho certeza de que peguei tudo.
O pai aconchegou sua mãe sob seu braço esquerdo e sorriu de leve. Era nesses momentos em que a garota amava estar perto deles. Quando pareciam apenas mais um casal normal da Columbia Britânica, mesmo que nenhum dos dois houvesse nascido ali. Alexia nunca havia entendido exatamente por que eles haviam escolhido morar naquela cidade. Chovia a maior parte do tempo e sua mãe odiava o frio. Tinha tentado puxar assunto com ela algumas vezes quando era pequena, mas ela sempre vinha com aquela história de que era um bom lugar para se criar filhos, apenas isso. Então, depois de um tempo sem uma resposta elaborada, acabou desistindo de tentar saber.
–Alexia sabe se cuidar, Ellie. — o homem a repreendeu, apertando de leve seus ombros. — Eu não a deixaria ir se não confiasse em nossa filha.
Ela revirou os olhos, algo que a adolescente havia aprendido com ela durante o passar dos anos. Sua mãe realmente não está a feliz com aquilo e parecia quase aflita. Mas tentar argumentar com o marido para fazê-lo mudar de ideia só levaria a mais uma discussão inútil. John conseguia ser extremamente teimoso quando queria. Então ela apenas se livrou dos braços dele e abraçou a filha novamente — o terceiro abraço em dez minutos. Era um recorde! Alex sentiu as lágrimas de Ellie em seu pescoço enquanto ela apoiava a cabeça em seu ombro e a apertava com força suficiente para fazê-la perder o ar. A mãe era uma cabeça mais baixa já que a filha havia puxado a maioria — ou todas — das características de John. Pele pálida, alta, cabelos preto azeviche lisos e um olho verde oliva com pequenos pontos escuros nas bordas das íris.
Acredite, quando digo um, quero literalmente dizer um. Sua mãe sempre havia dito que ser portadora de heterocromia fazia de Alex especial. Enquanto um olho era verde, o outro tinha um tom tão negro que chegava a ser quase impossível distinguir onde começava a íris.
Já Ellie tinha os cabelos ruivos mais lindos que já havia visto e pequenas e discretas sardas espalhadas pelo rosto com formato de coração. Ela sempre fora delicada e tinha um andar gracioso que a fazia parecer como se estivesse flutuando. A garota odiava não ter puxado sua aparência ou sua delicadeza.
Não que isso fosse culpa de John. Ela amava o pai, de sua própria forma. Ele sempre havia cuidado bem dela, mas também não era a pessoa mais amorosa do mundo. Ele era fechado como uma rocha e seus pequenos e breves surtos de raiva lhe assustavam. Às vezes, até poderia jurar que via seus olhos escurecerem quando ele se irritava.
–Tudo bem, tudo bem. — Ellie se afastou um pouco, segurando sua filha pelos ombros e então a soltou, limpando as lágrimas. — Está na hora.
Ela assentiu e observou Alexia de cima a baixo, como se a examinasse pela última vez. Então ela voltou a chorar e a espremeu em um abraço novamente, se possível ainda mais apertado.
–Me prometa que vai se cuidar. — ela soluçou. — Me prometa que me ligará se algo acontecer, qualquer coisa. Qualquer coisa, Alex.
–Tá legal, mãe. — a garota ofegou. — Mas... Será que você pode... Eu não consigo... respirar.
–Ellie, deixe a garota ir.
A mulher se afastou de novo e Alex quase agradeceu quando John se aproximou e ela teve que me soltar. Agora era a vez dele de se despedir.
–Espero que encontre respostas. Precisará delas. — ele sussurrou em seu ouvido ao lhe abraçar rapidamente. Eles nunca demonstravam muito afeto, por isso o abraço a pegou de surpresa. Não fazia ideia do que o pai estava falando, e o meio sorriso quase enigmático que se abriu em seu rosto a fez franzir as sobrancelhas.
–Obrigada. Eu acho.
Esse era um dos motivos que a fazia odiar despedidas. Eram sempre cheias de lágrimas e abraços apertados como se esses simples gestos fosse capaz de acabar com toda a falta que a ausência dessa pessoa faria. Mas não eram. Esse era o problema. Alexia havia aprendido isso da pior forma. Então, antes que sua mãe resolvesse lhe trancar em seu quarto para que nunca fosse embora, ela acenou para os dois e entrou no carro. Suas silhuetas foram se tornando apenas um borrão no retrovisor pouco antes de desaparecer. Olhou para a estrada em sua frente e respirou fundo, tentando imaginar o que a esperava pela frente e sabendo que seria uma longa, longa viagem. As coisas iriam mudar. Era uma nova cidade, um novo lugar. Olhou em volta, dando adeus àquela cidade e se prendeu na esperança de que pudesse achar um lugar melhor onde estava indo.
Embery Hills, aqui vou eu!