Em meio as trevas...
1 Meu passado
Notas iniciais
Espero que gostem, deixem o comentário de vocês no final , é importante pra mim, principalmente nesse incio!
Estávamos todos concentrados em nosso QG, não era um muito sofisticado, já que o quarto de Pedro era um nojo, eu sempre me arrependia de marcar a nossa reunião Geek lá, mas Pedro era o meu melhor amigo e também do meu namorado, Ethan, então eu fazia uma forcinha para aguentar aquele mau cheiro.
ꟷ Não acredito que tão jogando RPG, invés de me ajudarem nisso aqui. – Falei olhando para o computador de Ethan e ele sorriu descaradamente.
ꟷ Amor, por mais que a gente entenda bastante de computação, nunca vamos entender direito esse vírus que ta criando. – Ethan disse ainda concentrado no jogo.
ꟷ Eu nem sei o porquê perde tempo nisso, se o governo sonha que você ta criando algo que pode invadir o sistema deles, você está ferrada e eu não quero participar disso. — Pedro argumentou e eu revirei os olhos.
ꟷ Eu não vou usá-lo para esse fim, é só um passa tempo, tipo esses joguinhos de vocês.
ꟷ Por que não pode ser normal que nem a gente e passar o seu tempo jogando, invés de criar coisas excepcionais, mas perigosas? Você é tão prodígio que me dá nojo, Madu. — Pedro reclamou de novo. — Ah e já falei para me chamar de Peter aqui.
ꟷ Pelo que eu sei no seu RG ta Pedro — disse o irritando.
ꟷ Até pelo menos eu mudar minha nacionalidade.
ꟷ Continuará sendo brasileiro para mim. — Disse e ele revirou os olhos.
—Espera. — Ethan disse fechando o notebook que antes estava concentrando e se aproximou de mim — isso que ta criando pode invadir o sistema do governo Americano, o sistema de segurança mais elevado do planeta?
ꟷ Possivelmente, não tenho certeza se passaria despercebido, mas eu só vou invadir o sistema da faculdade de Yale e mudar a nota de Olívia, impossível ela tirar um C com aquele trabalho incrível. – Falei concentrada no meu projeto.
ꟷ Então porque não criou somente um vírus para invadir o sistema da faculdade? Você e sua mania de fazer coisas complicadas. – Peter revirou os olhos, outra vez.
ꟷ Porque me contentar com o fácil se eu posso ir além disso? – Falei rindo, mas compreendia Peter, ele sabia tanto quanto eu que aquilo era perigoso demais, mas eu nunca iria usá-lo para algo insensato, eu iria deletar aquele vírus para sempre, não tinha intenção de ser presa e além do mais, foi só uma experiência, eu só queria testar meus dons como hacker, expandir meus horizontes.
ꟷ Espera gente, vocês estão brincando comigo? Temos um pote de ouro aqui em nossas mãos e estão querendo ignorá-lo? — Ethan levantou e nos encarou indignado.
ꟷ Claro que sim, Ethan. Isso não é brincadeira de universitários. — O repreendi.
ꟷ Vocês não veem que podemos mudar o mundo com isso? Podemos muitos mais do que consertar injustiças como a nota de Olívia, podemos mudar a corrupção do governo de vários países, como o país de vocês, podemos ser ricos e ajudar os outros. – Ethan disse radiante confundindo o inglês e o português ao mesmo tempo de tão animado que estava.
ꟷ Isso não vai acontecer, eu estou apagando esse vírus agora. – Disse teclando no meu PC e Ethan se aproximou confuso. – Ethan, você pode pegar perpetua só de imaginar que pode burlar algo do governo Americano e principalmente envolvendo outros países nisso, ta entendendo? Você não pode bagunçar a economia mundial e achar que pode sair barato isso ok? Você não vai fazer isso. – Disse e ele assentiu sem graça.
ꟷ Desculpa, eu delirei. – Ele disse me beijando.
ꟷ Ok, eu entendo isso pode subir à cabeça às vezes, talvez Peter tenha razão, eu preciso ser menos prodígio e tentar criar coisas normais, fazer coisas de uma universitária normal faz. – Disse distribuindo selinhos nele e ele riu.
ꟷ É até porque uma brasileira linda de 17 anos que ganhou uma bolsa em Harvard e é super- máster inteligente é muitooo normal! – Ele disse rindo e fiquei com mais vontade de beijá-lo.
Tomei os lábios de Ethan e ele se juntou comigo na cama me beijando com mais veracidade.
ꟷ Oh my God, eu ainda estou no quarto, please. – Peter disse com cara de nojo e rimos. — E eu também sou um universitário brasileiro com uma bolsa em Harvard. – Completou revirando os olhos.
ꟷ É verdade, mas é feio pra caralho e virgem. – Ethan disse sarcástico e eu adorava quando ele falava palavrões brasileiros que havia aprendido comigo, eu ficava excitada.
ꟷ Foda-se – Peter disse rindo.
***
Alguns dias depois...
Descia a escadaria da faculdade lendo um livro indicado pelo professor da aula de física, quando Olívia me encontra animada.
ꟷ Madu, muito obrigada. Eu sei que foi você que mudou aquilo para um A. – Ela disse me abraçando.
ꟷ Foi um prazer fazer aquilo por você. Chega daquele professor idiota dá notas avaliando os alunos que ele mais gosta e menos gosta.
ꟷ Adoro você, menina prodígio. – Ela disse me abraçando novamente e depois subiu as escadas seguindo um rumo contrário do meu.
Sentei no último degrau da escada e fiquei folheando o livro, então fui surpreendida por Ethan ao meu lado que me distribuía muitos beijos na nuca.
ꟷ Que bom humor é esse, Mr. Donavan? – Disse correspondendo suas carícias.
ꟷ Tenho um presente para você. – Ele disse abrindo uma caixa retangular e tinha colar de ouro com uma pequena pedra de diamante no pingente em forma de coração.
ꟷ Oh Ethan, é lindo. – Disse olhando e ele logo colocou em meu pescoço.
— Sempre estarei por perto enquanto estiver com esse cordão.
Nós iniciamos um beijo que logo foi interrompido por uma cara careca, moreno e alto.
ꟷ Ethan Donavan, você precisa vim conosco. – O cara disse mostrando o distintivo da Cia, fiquei confusa por alguns instantes, mas olhei para Ethan e logo conclui o que estava acontecendo.
ꟷ Eu não acredito que usou o vírus, você disse que... – Falei chorando e Ethan me olhou triste e dois homens de ternos logo os seguraram.
ꟷ Não podem levá-lo. – Falei assustada;
ꟷ Você também tem algo a ver com o vírus? – O moreno perguntou.
ꟷ Não! – Ethan falou mais alto – Eu criei o vírus e fiz tudo sozinho, eu sou o único responsável. – Ele disse me olhando com os olhos marejados. – Me perdoa, Eduarda!
***
7 Anos depois:
O sol quente do Rio de Janeiro brilhava e ardia em minha pele, mas eu adorava aquela cidade. Caminhava pela calçada de Copacabana e olhava para praia movimentada, que enorme vontade de me jogar naquele mar me transcendeu, mas tinha um longo dia de trabalho pela frente.
Entrei no meu escritório da empresa de publicidade em que eu trabalho, é a mais requisitada e premiada do Brasil, graças a minha sócia. O que uma engenheira faz em uma empresa de publicidade? Sei lá.... Nem me pergunte isso, acho que quando Valentina, minha melhor amiga, me ofereceu o cargo de sócia da empresa de sucesso, eu só aceitei, acho que seria bom para mim. Ficar longe de tudo que um dia eu vivi em Harvard.
ꟷ Eduarda, pode consertar meu notebook, ele está louco. – Valentina disse entrando desesperada na sala e sorri.
ꟷ Claro, que posso. – Apesar de tentar me afastar de certas coisas de meu passado, eu nunca poderia afastar a tecnologia de mim, eu era muito boa nisso.
ꟷ Sabe, eu arranjei um encontro duplo para nós duas hoje. – Valentina disse animada enquanto eu mexia em seu computador.
ꟷ Não mesmo, eu estou muito ocupada, eu acabei de me mudar para o meu apartamento novo esqueceu? – Disse e ela balançou a cabeça negativamente.
ꟷ Duda, você precisa se distrair mais, qual é? Uma garota de 24 anos, empresária de sucesso, gata e desejada, o que você faz sozinha?
ꟷ Eu também não sei, mas a pessoa certa vai aparecer na hora certa. – Disse entregando seu notebook concertando com um antivírus excelente instalado e a loira saiu saltitante.
...
Cheguei ao meu apartamento novo e vi muitas caixas espalhadas pelo chão e me deu uma vontade enorme de nem entrar naquele apartamento, mas quanto mais cedo eu começasse a arrumar, melhor.
Peguei algumas caixas e foi desembrulhando, mas como uma perfeita desastrada que eu era uma delas caiu no chão derrubando uma fileira delas. A caixa derrubada mais próxima tinha uma pilha de papeis, mas entre eles tinha uma correntinha de ouro brilhando no chão... Há muito tempo eu não via aquele colar.
Juntei do chão e o espalhei na palma de minha mão e me entreguei às lembranças...
“— Mr. Balser, ele não tem culpa, eu criei aquele vírus. Fui imprudente, eu sei. – Disse para o meu advogado que me olhava compreensivo.
ꟷ Ethan optou por utilizá-lo e agora vai responder aos seus erros, ele está assumindo a responsabilidade toda. Enquanto a você, aconselho voltar ao seu país de origem, antes que o governo descubra que criou o vírus e mantenha os olhos em você.
ꟷ Quer que eu deixe ele aqui sozinho e preso? – perguntei indignada.
— Ele fez a escolha dele e creio que é isso que ele deseja a você também. Ele não quer vê-la, proibiu sua visita. – O senhor Balser me olhou sério e ao mesmo tempo triste — Maria Eduarda, você precisa voltar para o Brasil e tentar se manter afastada disso, seu conhecimento é esplendido, mas aqui é perigoso, muitas pessoas podem tentar tirar proveito disso.
ꟷ Eu conquistei uma vida aqui nos Estados Unidos, eu gosto do Brasil, foi onde eu nasci, mas lá eu não tenho ninguém, aqui pelo menos eu fico de alguma forma perto da minha mãe. Harvard é a faculdade em que ela dava aula. – Falei chorosa.
ꟷ Eu sinto muito, Maria Eduarda. Mas se sua mãe tivesse viva ela daria o mesmo conselho que estou te dando. Volte para seu país. “
Guardei o colar no bolso de trás da minha calça jeans e enxuguei as lágrimas de meus olhos antes que caísse sobre o meu rosto. Eu precisava agora de uma bebida. Desci do prédio e peguei um táxi e fui ao meu bar favorito.
— Oi, Emanuel . – Disse me sentando perto do balcão, enquanto o homem de cabelos grisalhos sorria para mim.
ꟷ Já estava com saudades, querida. – Ele falou colocando uma cerveja no balcão para mim – Está cada vez mais parecida com a sua mãe. – Ele disse e me olhava sereno, e olhei triste.
ꟷ Seu pai adorava dizer que isso aconteceria, que você ficaria tão linda quanto ela. – Emanuel continuou.
ꟷ Pena que nenhum dos dois está aqui. – Falei triste e Emanuel segurou minha mão.
ꟷ Eles teriam muito orgulho se estivessem vivos e ver a mulher que você se tornou. – Sorri para Emanuel, ele sempre tinha as palavras certas para me fazer sorrir.
...
Saí do bar e já era um pouco tarde, havia me distraído demais conversando com Emanuel e não conseguia achar um táxi se quer naquele bairro.
Caminhei até a parada de ônibus mais próxima, há muito tempo não pegava um ônibus, mas isso não era um problema para mim. Estava sozinha naquele banco esperando o próximo ônibus, estava uma noite fria e me lembrei do rosto de meu pai, lembrei-me dele no meu aniversário de 10 anos, o último aniversário que passamos juntos, queria poder lembrar do rosto da minha mãe em um aniversário comigo também, mas esta infelizmente morreu dando à luz a mim.
Vi um carro preto estacionar do outro lado da rua, aquilo não me incomodaria se alguém saísse de lá de dentro, mas aquele carro estava parado e ninguém saía de dentro. Talvez fosse paranoia minha, mas resolvi voltar para o bar, teria que caminhar um quarteirão novamente, mas eu não ficaria sozinha naquela parada de ônibus assustadora. Já tinha assistido filmes de terror o suficiente para saber que não era uma boa ideia.
Caminhei rapidamente e olhei para o carro que ligou e continuou a dirigir vagarosamente atrás de mim. Certo, aquilo já estava um filme de terror demais para o meu gosto e olha que eu adorava filmes de terror, adorava assisti-los, não vivê-los. Caminhei passos largos e rápidos e quando vi já estava correndo, mas fiquei feliz quando eu vi a porta do bar ainda aberta, coloquei meu pé na calçada, mais uns dez passos e estaria dentro do bar segura, mas senti duas mãos me puxarem para outra direção, uma tampava minha boca, a outra me puxava pela cintura.
Estava em um beco escuro e sem saída e vi dois caras de ternos, altos e fortes – dois brutamontes.
ꟷ Isso não é um assalto, não é? O que querem comigo? – Perguntei assustada – Quem são vocês?
ꟷ Se você colaborar, não vai doer muito, princesa. – Um deles falou e veio em minha direção.
Ele segurou minha cintura e tentava me arrastar para o carro, em reflexo dei uma cotovelada em seu nariz e pude voltar a correr para sair daquele beco, mas o outro veio atrás de mim, vi uma lata de lixo enorme em minha frente, a puxei e a joguei no chão atrapalhando o segundo homem de terno de correr atrás de mim.
Corri mais a frente indo em direção oposta dos dois, parei ofegante quando o vi... Um homem alto, com cabelos castanhos e os olhos mais incríveis que já tinha visto em minha vida. Ele não estava vestido em um terno preto como os outros. Ele estava, em um terno cinza impecavelmente engomado, acompanhado por uma gravata azul escura em um tom metálico. Respirei, tentando ficar mais calma enquanto ele me fitava em minha frente atrapalhando minha passagem.
Ele soltou um leve sorriso de lado e me olhou dos pés à cabeça e retirou uma arma da sua cintura e apontou em minha direção.
ꟷ Tentando fugir, sweetheart? – Ele disse e o olhei com os olhos marejados.
ꟷ Quem é você? – Perguntei nervosa.
ꟷ Eu sou o pesadelo de hoje. – Ele disse se aproximando e eu fui me retraindo para trás.
Logo senti uma mão em meu pescoço e outra tampando o meu nariz com um pano de cheiro forte e tudo ficou escuro...
Notas finais
Beijooos!
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