Em busca de Ana

3 Volta ás aulas


Voltei do churrasco junto com Pablo e Clara, ao chegar em casa a primeira coisa que minha mãe fez foi perguntar o que havia ocorrido, eu não queria explicar, então Clara fez isso por mim e logo em seguida minha mãe cuidou dos meus ferimentos. Não eram muitos, mas eles doíam, não apenas por fora mas também por dentro, só de pensar que aquela garota estava me traindo esse tempo todo meu coração se apertava e minha garganta dava um nó.

Depois de todo susto meus amigos foram para suas casas, aquele domingo tinha sido complicado, não só para mim como também para os convidados. Amanhã de manhã as aulas voltaram, já posso ouvir as fofocas pelos corredores em minha cabeça, mas tudo bem, eu não ligo.

Sem mais nem menos fui para o meu quarto, ao olhar no relógio pude ver que os ponteiros marcavam 21:30, eu estava deitado em minha cama olhando para ele de minuto em minuto, não via a hora disso tudo passar, antes de me dar conta peguei no sono rapidamente. Ao acordar senti que o dia estava um pouco frio, vesti o uniforme junto de minha jaqueta preta. Vi que os ponteiros do relógio marcavam 6:30, eu havia recebido pela madrugada uma mensagem de Lucia dizendo:

Precisamos conversar!

Eu não queria ver ela nunca mais na minha frente, por mais que estudássemos no mesmo colégio não fazia mais questão de cumprimentá-la. Eu ainda estava nervoso em questão da briga de ontem, não tomei café e nem acordei minha mãe, ela era uma pessoa sortuda por ter de acordar 8:30 da manhã para trabalhar como enfermeira, apesar do horário de acordar tarde para uma proletária ela fazia muitos plantões, não possuía um dos melhores cargos do hospital mas ela gostava do emprego, e estava muito feliz com ele.

Como eu morava em uma cidade pequena tudo ficava perto de casa, então decidi descer a pé para a escola. Seriam cinco pela frente, mas tudo bem, eu teria que pensar o que eu iria fazer agora da minha vida.

Ao sair de casa coloquei meus fones de ouvido, mas antes de colocar uma música para tocar havia uma mensagem de voz nas minhas ligações perdidas, eu havia esquecido de escutá-la, por mais que fosse um trote besta acredito eu que valia a pena ouvir. Logo em seguida meu telefone começou a tocar, era Beto, decidi atender:

— Pedro estou passando na sua casa em cinco minutos, me espera ai!

Então desligou na minha cara, pode parecer falta de educação, mas com Beto eu já estava acostumado. Nós estudávamos na mesma classe, sendo que a escola era uma das mais caras da cidade, eu havia conseguido uma bolsa para estudar no ensino médio, foi uma grande vitória, nunca havia imaginado que eu fosse capaz de conseguir algo de tamanha concorrência, mas não fiz isso apenas por mim, mas por Lucia. Ela estudava na mesma escola, e além do mais queria ficar mais próxima da minha namorada, ou melhor, ex namorada. Como minha bolsa escolar era integral minha mãe apenas pagava o material.

Dez minutos depois ele havia chego com seu motorista, o Seu Osvaldo, ele era um cara muito gente boa e toda quarta- feira compra verduras no supermercado onde eu trabalho, desta vez o carro era um Bugatti Veyron. Ele havia oito na garagem e fazia questão de exibir para as mulheres. Ao entrar no automóvel ele me cumprimentou:

— Fala Pedro!

— Bom dia seu Osvaldo, fala Beto!

— Bom dia Pedro! – Respondeu seu Osvaldo — E então ansiosos para voltar para a escola?

— Nem tanto, temos apenas mais seis meses de tortura ... – Comentou Beto

— Não fala assim — Respondi

— Bom eu não sou ótimo em todas as matérias do mundo como você!

— Pelo menos você tira nota máxima em matemática...

— Com aquela professora gostosa não tem como não prestar atenção na aula dela!

— Tenho que concordar!

— Esse sim é o Pedro que eu conheço!

— Agora quero ficar um tempo sozinho, não quero me envolver com ninguém! Já estou farto de ter mulher na minha cabeça...

— Falou ta falado, você sabe o que aconteceu depois que foi embora?

— Não, e também não quero saber!

— Beleza, mas as fofocas já se espalharam pelo colégio inteiro

— Que se dane!

Ao chegar na escola pude sentir aquele aroma de orvalho no ar, a temperatura não estava colaborando com o dia, mas decidi encarar a realidade e seguir em frente. Meus amigos estavam conversando, então Marcelo me avistou e me cumprimentou:

— Pedro!

— Fala Marcelo!

Marcelo estudava na mesma escola que eu e meus amigos, mas por ser uma escola de um grande porte as salas eram divididas. Por mais que ele estudasse em uma sala diferente isso não atrapalhava nossa amizade, ele era um amigo que eu havia conhecido em uma festa há cinco anos atrás, e havia me ajudado a evitar uma briga, ele havia me impedido de socar um cara, eu estava bêbado no dia. Marcelo era alto, de cabelos loiros e olhos azuis, o sonho de consumo de qualquer garota como dizia Clara.

— Então fiquei sabendo de ontem...

Logo em seguida o cortei:

— Cara não quero ser grosso nem nada mas ... Não quero falar disso.

— Tudo bem

— Mas como você foi de viagem?

— Cara tenho eu admitir, eu devia ter escutado minha mãe! Florianópolis é incrível, os lugares, as comidas, a cultura, tudo!

— Que bom, pelo menos alguém levou vantagem nessas férias...

— Não fica assim, logo uma gata vai começar a trocar mensagens com você...

— Não quero isso agora...

— Esse metido aí vai viajar para fora, mas nem uma lembrança do lugar ele trás! – Reclamou Clara

— Foi muito corrido galera, desculpa não deu tempo

— Sei uma semana ... Uhum... Coitado...

— Ah cala a boca Clara, você não tem moral pra falar isso não, quando vai viajar pros States nem Mikey de pelúcia você trás de Orlando pra gente! – Alfinetou Guilherme

— Gente, ele sabe Geografia! – Observou Clara

— Galera, o dia mal começou e vocês já estão brigando, credo! – Reclamou Beto

— Ué Beto, virou da paz agora? – Falou Marcelo

— Mudou o curso para humanas agora cara? – Falei

— Ele deixou a professora de matemática gostosa na mão gente! – Alfinetou Guilherme

Então todos nós todos rimos da piada, por mais que fosse de mal gosto era apenas uma zueira entre amigos. Logo em seguida o sinal para entrar na classe havia tocado, então Marcelo foi para sua sala e o resto de nós para as nossas.

A primeira aula era de história, pude notar que Clara havia pego seus fones de ouvido e conectado no MP3. Ela não suportava a matéria, muito menos o professor Gilberto, um senhor de sessenta e dois anos, com cara de mal amado.

Ele usava todos os dias uma camisa branca, uma calça jeans preta com um sapato de couro marrom, mas não garanto que ele lava suas roupas, sempre está com a mesma.

— Clara, você pode fazer o favor de tirar os fones por favor? – Pediu educadamente o professor

Com cara de irritada ela havia os tirado, mas sem o professor ver ela havia os colocado novamente, sem ao menos eu perceber as fofocas já estavam rolando em meio a sala de aula, então o professor pediu silencio e começou a dar a aula.

Para minha sorte Lucia era da outra sala, estudava junto com Marcelo. Quando namorávamos isso era muito triste, mas agora como não estamos mais juntos dou Graças a Deus.

Depois de quarenta e cinco minutos de aula o sinal tocou, pude notar que Beto acordou assustado de um sono profundo, ele também não era muito fã do professor, muito menos da matéria. No meu caso eu tinha que estar focado em todas as disciplinas, pois para continuar com a minha bolsa eu tinha que manter uma média na escola.

Depois de duas aulas o sinal havia tocado para o intervalo, eu estava morrendo de fome, e por sorte a comida da escola era de qualidade. Encontramos Marcelo sentado sozinho, e fomos de encontro a mesa em que ele estava sentado.

— Guardei os lugares para vocês!

— Beleza! Obrigada ... – Agradeceu Clara

— Pedro, Lucia te mandou um recado

— Não quero ouvir, obrigada

— Eu já imaginava- Comentou Marcelo

— Vamos pegar o lanche! — Respondi

— O que tem de bom hoje? – Perguntou Guilherme

— Torta de frango

— Hum...Adoro! – Exclamou Beto

— Tudo que envolve comida você come gorducho, não é? Por isso que está desse tamanho! – Falou Guilherme

— Sou um gorducho feliz – Contestou Beto

O refeitório era enorme, porém a fila para buscar o lanche também, isso havia me desanimado um pouco mas minha fome falava mas alto.

—Precisamos conversar! – Contestou Lucia

Ela havia chego ao meu lado com seu grupo de amigas, eu não queria explicação nenhuma, aquela cena de ontem já havia explicado o bastante

— Não, obrigada – Respondi

— Por favor!

— NÃO, OBRIGADA!

Pude sentir os olhos dos outros alunos em nossa direção, então senti os braços de Clara me puxado para o final da fila.

— Cachorras! Não merecem sua atenção!

Depois do ocorrido o tempo passou voando , quando percebi já estávamos fora da escola e alguns amigos estavam esperando os pais, como Beto e seu irmão por exemplo.

— Nossa cara fiquei sabendo do ocorrido, eu sinto muito – Consolou o irmão de Beto

— Valeu cara – Agradeci

— Deve ser complicado mesmo saber que sua namorada está na ama , com outro ...

— É pois é , a conversa está muito boa mas você tem que ficar de bico calado – Cortou Beto

— Sem problemas Beto, ele ainda é uma criança ...

— Cara, eu tenho dezesseis anos, ta legal? – Respondeu Alberto

— Eu só estava brincando, não se ache tão adulto , ainda tem muito que aproveitar...

— Falou o experiente – Contestou Beto

— Sou muito mais que você! – Respondi

O carro deles (um SCC ultimate aero) havia chego, eles haviam me oferecido carona mas recusei, eu precisava ficar um tempo sozinho e ficar pensando um pouco sobre minha vida, eu não fazia a mínima idéia de como seria de agora para frente, chequei meu celular e os relógio marcava 12:40.

Me lembrei que eu tinha uma mensagem de voz para escutar, então coloquei meus fones e escutei:

— Hã ... Oi, aqui é a Ana! Lembra de mim? Nós moramos nos mesmo orfanato durante sete anos. Me lembro como se fosse ontem quando você foi adotado, meu mundo ficou tão triste e escuro , não tive com que me socializar depois, muita coisa mudou logo que você foi embora... Mas vou direto ao ponto, porque você sabe que eu não gosto de enrolar, lembra daquela vez que eu disse que eu ia fugir e caso isso acontecesse realmente era para eu te avisar? Pois bem, eu estou fugindo... Coisas estão acontecendo aqui no orfanato,pois é eu não tive a mesma sorte que você... Eu sei que faz muito tempo que a gente não se vê, mas você é o único em quem posso confiar. Então é isso, espero um dia te encontrar...
''Bip bip bip...''

Notas finais
Capítulos novos todas as segundas- feiras