Em busca de Ana
2 Surpresas a parte...
Ao acordar senti que meu corpo estava tenso, a noite passada não tinha sido uma das melhores da minha vida, tecnicamente eu havia brigado com Lucia e isso prejudicou meu sono, o ponteiro do relógio estava marcando 9:30 da manhã em pleno domingo. Posso ser orgulhoso mas não vou ligar para o Guilherme para falar da noite passada, é como minha mãe sempre diz que o tempo é nosso melhor amigo, então acredito eu que as coisas vão voltar o mais rápido possível ‘’aos eixos’’. Me senti um pouco culpado por ter dito ‘’não’’ a ela, não estava pronto para aquilo, mas ao mesmo tempo que eu queria me sentia inseguro.
Fui para cozinha tomar meu café matinal — é incrível mas eu tenho uma paixão secreta por café -, eu não gosto muito de comer pão ou tomar leite, mas minha mãe insiste que eu tenho que fazer um lanche reforçado pela manhã, em compensação eu como uma fruta. Logo em seguida ela entrou na cozinha, seus cabelos loiros estavam presos em um rabo de cavalo e estava vestida com uma calça jeans e uma blusa azul marinho. Quem me via na rua poderia dizer que ela era minha namorada não minha mãe, pois além de ser muito jovem era muito bela.
— Bom dia
— Bom dia
— E então como foi a noite passada?
— Um lixo!
— Como assim? O que houve?
— Quer saber mesmo?
— Agora que começou, tem que terminar!
Então contei a história para ela de cor e salteado, e como uma boa amiga/mãe ela apenas escutou, então por fim ela me aconselhou:
— Filho, você sabe que tudo tem um tempo nessa vida, e quando tiver que acontecer vai acontecer com vocês, a Lucia deve estar apressada por conta disso por causa que a maioria das amigas já fizeram, e acredito eu que na minha concepção de vida ela não quer ficar de fora
—Sim, faz sentido a sua afirmação... Obrigada
— Por nada... E então pronto pra começar a pintar as paredes?
— Você sabe, né mãe? Eu não sou nenhum Picasso!
— Isso não importa, ultimamente contratar pessoas que fazem isso pra você está muito caro
Eu pensei duas vezes em dizer não a ela, meu corpo estava cansado e o que eu queria mesmo era ficar no meu quarto o dia inteiro dormindo, e esperando o tempo passar, eu não sei como o Guilherme consegue sair de algo ruim tão rápido, o garoto é incrível se algo acontece com ele festa é sinônimo de felicidade; já fui muito boêmio mas depois que a Lucia entrou na minha vida acabei me privando um pouco das festas.
— Tudo bem
Logo em seguida recebi uma mensagem do Pablo
Ou, vai rolar um churrasco lá na casa do Alberto, partiu?
Que horas?— respondi de volta
13:00 da tarde
Pensei comigo mesmo se valia a pena ir nesse churrasco, eu estava exausto, então lembrei do que o Guilherme me disse que eu tinha que curtir mais; se eu ficasse durante a tarde em casa o sentimento de culpa iria me corroer, e iria me sentir cada vez mais culpado em ter dito não para a Lucia.
Tudo bem, te vejo lá
Ok, vou te buscar ás 13:15
Logo em seguida recebi uma mensagem do Guilherme:
Ou você vai na casa to Beto?
Vou sim
Aí sim hein, depois quero saber as novidades da noite de ontem
Pode deixar
Enquanto isso fui na dispensa pegar os equipamentos para pintar a parede do quarto, comecei a trabalhar com bastante calma e precisão, eu posso ser considerado perfeccionista mas acredito eu que tudo tem que ser bem feito, caso contrário é melhor nem começar o trabalho. Logo em seguida minha mãe veio me ajudar com os detalhes que faltavam então eu a avisei sobre o churrasco e estava tudo certo. Quando terminei o trabalho fui tomar um banho, eu estava todo suado e meus braços estavam pedindo uma folga, mas eles teriam que aguentar até a noite pois aquele churrasco teria que valer a pena.
Quando o relógio apontou 13:10 horas eu estava praticamente pronto, eu estava vestindo uma camiseta branca e uma bermuda jeans, e aquele chinelo havaianas. Sou um cara bastante simples e casual, não sou muito vaidoso, o que eu curto mesmo é me sentir confortável com as minhas roupas.
Cinco minutos depois eu pude ouvir uma buzina do outro lado da rua, eu soube na hora que era o Pablo naquele fusca vermelho. Me lembro como se fosse ontem quando ele ganhou aquele carro, ele não parava de se exibir para as mulheres e dizia que aquele era o seu xodó, e por incrível que pareça ele deu até um nome para o ele, o famoso ‘’Vagner’’. Isso tudo foi por causa de uma merecida vaga na universidade de engenheira civil, ele havia lutado muito por ela.
— Fala cara
— Oi
— Que cara é essa?
— Não é nada, não se preocupe...
— Deixa eu adivinhar, é a namorada que causou isso não foi?
— Sim...
— Vamos pra esse churrasco curtir, porque ninguém merece ter que aguentar você com essa cara de cu! Coitada da sua mãe....
—Cala boca!
Então ele soou aquela risada estridente que só ele conseguia dar, até que nós entramos no carro e ele ligou o rádio, estava tocando Prayer In C do Robin Schulz, então nós começamos a dançar no carro como loucos, até o carro dar a partida. Ao chegarmos no destino a primeira pessoa que avistei foi Guilherme e o Beto, ambos estavam conversando. Beto era um garoto de estatura baixa, seu peso não favorecia a sua aparência pois era ‘’gorducho’’- como seus amigos próximos o chamavam –, tinha cabelos castanho avermelhado e olhos verdes, apesar disso tudo ele era muito gente boa, e além do mais você podia contar com ele para tudo.
Logo que me viram os dois vieram em minha direção, querendo saber sobre as ‘’novidades’’:
— Fala Pedrão! – Exclamou Beto
— E aí? Como anda essa sua vida?
— Tranquila até ...
— Sei ... Fiquei sabendo ontem que a patroa foi na sua casa...
— Sim, mas como você soube?
— O Guilherme deu uma comentada comigo...
Guilherme podia ser o melhor amigo do mundo, mas enquanto você contava a ele uma fofoca ele não se segurava e fazia questão de espalhar para o mundo inteiro, só faltava ele contratar um carro anunciando na cidade que eu quase transei com a minha namorada.
— Fala Pedroca ! – Logo em seguida Guilherme me cumprimentou
Diante disso lancei a ele meu olhar acusador, que no entanto logo se repreendeu.
— Seu fofoqueiro
— Não se preocupe a boca do Beto é como um caixão lacrado
— Isso mesmo! – Afirmou Beto
— Mas agora conta a novidade pra gente, rolou com a namorada?
— Não – respondi seco
— Vishhh ... O que aconteceu, a patroa não quis? – Perguntou Beto
— É uma longa história, mas no momento não estou querendo falar sobre isso , vim aqui pra me divertir
— Falou ta falado – acrescentou Beto – Pode ficar a vontade , a casa é sua mas se for entrar dentro de casa apenas use o banheiro, a mamãe não gosta que o pessoal fique entrando e saindo, beleza?
— E onde está sua mãe Beto? – Perguntou Guilherme
— Foi para Miami com meu pai – Respondeu com um som um pouco triste ao pronunciar a ultima palavra
Em seguida ele saiu para receber mais convidados e falou que logo voltava. A casa do Beto era enorme, com piscina, churrasqueira, hidromassagem, sauna, pois além do pai dele ser um dos grandes empresários do Brasil, ele sempre teve do bom e do melhor. Pelo que eu sabia o pai e a mãe do Beto não eram muito presentes na vida dos filhos, eu sentia um pouco de pena do meu amigo em questão disso. Não é a toa que ele estuda na melhor escola da cidade e todo final de semana tem festas pra curtir, aquele homem era feliz. Quase a cidade inteira estava ali, tinha muita gente e era até perigoso se perder no meio daquela gente toda.
— Desculpa cara ... – Falou Guilherme
— Tudo bem , ta desculpado ...
— Mas agora fala o que rolou
— Promete que não vai contar pra ninguém?
— Prometo!
— Jura de dedinho?
— Juro!
— Logo depois que você me ligou fui atender a porta, como você havia previsto ela não curtiu os pasteis e fomos assistir uma série, estava tudo bem até que então quase rolou ...
— Como assim ‘’quase rolou’’?
— Eu não quis
— O que? Cara você é tonto?
— Não sou tonto, só não estava pronto
— Mas e ai, como ela reagiu?
— Ela ficou chateada, mas fazer o que?
— É verdade...
— Fala galera – Clara havia acabado de chegar, pelo que percebi. Ela fazia parte da nossa panela, era a única menina da nossa roda de amigos. Na escola éramos Clara, Guilherme, Beto, Marcelo e eu. Clara era a verdadeira garota ‘’moleca’’, havia sido criada com os primos então tinha mais facilidade para se enturmar com os garotos. Era uma garota de estatura média, magra e tinha cabelos loiros encaracolados, vestia um vestido azul e uma sapatilha branca.
— Oi Clara, meu amor – Respondeu Guilherme
— Oi mozão...
Guilherme e Clara não namoravam, mas eles eram os amigos mais ‘’zueiros’’ que qualquer pessoa poderia ter, se conhecem desde sempre e são muito amigos.
— Oi Clara – Respondi
— Pedro, você por aqui? O que houve? Terminou com a namorada?
— É uma longa história – Respondeu Guilherme por mim
— E posso saber qual é?
— Mas é claro ...
— ... Que não! – Respondi
— E porque não?
— Porque não!
Clara não era fofoqueira mas aquilo era um negócio pessoal, não queria que todos ficassem sabendo, mas então logo mudei de ideia, ela era uma garota e por mais que andasse com garotos não queria dizer que pensava exatamente como um.
— Tudo bem, conta pra ela Guilherme, enquanto isso vou usar o banheiro...
— Beleza! — Responderam os dois em uníssono
— Pedro não vai embora não, a carne já ta saindo! – Exclamou Pablo , ele estava cuidando da parte de assar a carne, como sempre junto com o João Paulo, aquele garoto estudava no segundo ano do ensino médio, ele cozinhava muito bem, pois além de ter feito um curso de culinária na França tinha muita aptidão pro cargo de chef de cozinha, fora que era irmão mais novo do Beto. O João era a cara do irmão, o diferencial deles era que Beto era mais alto e não sabia cozinhar.
— Eu já volto!
Depois de usar o banheiro ouvi uns sons estranhos vindos do som do quarto do Beto. Tenho um certo defeito, sou curioso demais e isso acaba muitas vezes atrapalhando minha convivência com os outros, mas por um lado me ajuda também. Ao abrir uma fresta a porta me deparei com a Lucia e com o Alberto na cama aos beijos, eles estavam praticamente transando ali, então pude ouvir Lucia falando:
— Não se preocupe o Pedro não vai vir, ele é um frouxo e além de ser um chorão vai ficar em casa se lamentando, conheço aquele garoto melhor que a própria mãe dele.
Se mais nem menos abri a porta por inteiro e acendi as luzes, então falei:
— Que palhaçada é essa? – Gritei tão alto que por incrível que pareça os dois olharam apreensivos para mim, Lucia tapou a boca e Alberto ficou assustado
Em seguida ataquei de relance Alberto, bati nele como se não houvesse ninguém ali, mas ele veio para cima de mim também e senti um soco no estomago, eu só ouvia a Lucia gritando para pararmos. Depois de não sei quanto tempo eu senti alguns braços me puxando para longe, então quando me vi a festa inteira parecia estar observado pela janela e pela porta a cena da confusão
— Sua vadia ! – Eu gritei – Toma vergonha nessa sua cara!
— Não fala assim com ela seu filho da puta, quem você pensa que ela é?
— Minha namorada, ou melhor minha EX-namorada ! Desde quando eu estou sendo enganado assim Lucia? RESPONDE!
Apenas vi lágrimas saindo de seus olhos, estava semi-nua ao lado de Alberto, ela não falou nada . Então Guilherme ficou do meu lado e falou:
— Vamos cara, essa cadela não te merece...
Enquanto ele ia me levando para fora do quarto respondi:
— Faz um favor pra mim Lúcia? SOME DA MINHA VIDA! NÃO QUERO TE VER NUNCA MAIS!
Pude sentir os olhos dos convidados em mim enquanto eu estava saindo do cômodo, eu estava pouco me importando com o que os outros iriam pensar, o que eu precisava agora era de um tempo para mim.
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