Em busca de Ana

7 Entrevista


Notas iniciais
Capítulos todas as quatas-feiras

*Flashback*

—Ana ? Onde está você?

Olhei para todos os lados da pracinha, aquela garota sabia muito bem como se esconder mas não era páreo para mim, fazia mais de meia hora que ela estava escondida.

Decidi subir no quarto das meninas, pois os dos meninos era separado e dava em outra ala do orfanato.

— Ana? Eu vou te encontrar!

—PEDRO!

Pude reconhecer sua voz, ela parecia desesperada, alguma coisa não ia bem. Subi as escadas do dormitório correndo, tropecei por cima de meus pés mas levantei rapidamente e continuei sem mais nem menos. Ao chegar lá encontrei ela nos braços de um valentão, ele a segurava entre os braços e tapava sua boca com a mão.

— Solte ela! – Afirmei

— O que esse pirralho está fazendo aqui?— Perguntou o valentão

— SOLTE ELA! – Falei mais uma vez sem paciência

— E quem vai me impedir?— Perguntou ele ironicamente

— Eu!

Quando eu disse isso fui para cima dele, mais tarde acabei descobrindo que o nome dele era Luan e ele era um ano mais velho que eu, era um dos garotos que adorava pregar peças nos colegas e judiar dos órfãos mais novos.

A ultima coisa que me lembro foi de que depois da briga os responsáveis pelo local acabaram nos tirando um de cima do outro, sendo que eu estava todo machucado, fui direto para a enfermaria e quando acordei a primeira coisa que eu vi foram dois olhos azuis como safiras vidrados em cima de mim. Era Ana. Minha Ana.

Fui adotado com apenas 7 anos, durante todo o meu tempo em que passei no orfanato, tinha poucos amigos mas todos eram leiais e verdadeiros, esse era o lado do bom de se morar em um orfanato, quando se precisava de uma mão você podia contar com ela. Todavia, muitas coisas que uma criança de sete anos comum não teria visto eu vi, se você quisesse alguma coisa você tinha de esperar, mas quando se conhece gente barra pesada tudo que você quer você consegue.

*Flashback*

— Prazer, sou a mãe do Pedro. Pode me chamar de – Em seguida apertou a mão do delegado Daniel

— Bom pelo que tenho constado aqui o senhor Pedro transportou uma grande quantidade de bebidas para uma festa de menores de idade, sendo que apresentou uma identidade falsa ao comprar as mesmas, certo – Ao dizer isso olhou para mim

— Certo – Respondi, em meio a isso minha voz falhou. Odeio quando minha voz falha, pude sentir os olhos de minha mãe em mim

— Tudo bem, vamos ser francos aqui... O senhor estava naquela festa, sem ao menos ter colocado uma gota de álcool na boca...

— Eu...

— De acordo com seu amigo que acabou de sair da sala ambos estavam sóbrios...

— Mas...

— Isso é verdadeiro?

— Bom ... – Olhei diretamente para minha mãe e pude sentir aquele olhar reprovador sobre mim

— Quero que você me conte tudo o que aconteceu naquela festa, desde o momento em que você saiu de sua casa até o final da festa

— Tudo começou quando Clara me chamou para seu aniversário, eu tinha mandado uma mensagem para ela se as bebidas seriam liberadas mas ela me respondeu que seus pais não haviam deixado... – Nesse meio comentário parei para respirar, meu coração estava a mil e todos os olhos estavam em mim, era possível escutar o som dos telefones tocando fora da sala e o som do ventilador de teto

— Quando o senhor tomou a iniciativa de comprar as bebidas?

— Eu havia combinado com Guilherme de fazer uma surpresa para ela, com isso a idéia das identidades falsas surgiram...

— Há quanto tempo você as possui filho? – Perguntou o delegado

— Há muito tempo... Mas não uso ela há muito tempo! Eu juro! – Falei desesperadamente, em meio a isso sequei as mãos em meus jeans, elas estavam muito molhadas

— Com quem você arrumou essas identidades?

— Eu apenas dei o dinheiro, não corri atrás

— Seu amigo disse o mesmo...

Eu daria de tudo para voltar no tempo e conversar com o Guilherme, será que ele distorceu a história Ele sabe de alguma coisa que eu não sei

— Mas eu estou dizendo a verdade! — Afirmei

— Continue... – Falou o delegado

— Então Guilherme e eu fomos ao posto de gasolina em frente a casa de Clara, logo depois fomos para a casa dela e então foi ai que a festa começou a rolar...

— Você conhecia todos na festa?

— A maioria...

— Pois bem, vamos até onde interessa. No mesmo dia aconteceu um atentado na casa de sua amiga, foi encontrado um corpo de uma garota no mesmo dia da festa, ela possuía: cabelos cacheados, estatura e baixa e pele negra, o senhor a conhece

Eu me lembro que após a festa da Clara ouve um velório no dia seguinte de uma garota, segundo o povo ela havia se matado pois estava com depressão, só podia ser essa garota

— Não senhor, mas acho que eu sei do que está falando

— Prossiga

— Um dia depois teve um velório de uma garota, segundo os amigos ela estava com depressão e havia dado um tiro em si mesma... Só pode ter sido essa garota

— Pois bem filho, agora estamos falando a mesma língua. Essa garota, você chegou a ir no velório dela?

— Apenas passei para dar os pêsames pois era prima de Clara

— Correto

Novamente o silencio pairou sobre a sala, então o delegado continuou a falar:

— Era nesse ponto em que eu queria chegar... Essa garota de quem o senhor se refere é a que morreu assassinada, os pais dela sabiam que ela estava em perfeito estado antes de morrer, por esse motivo decidiram investigar o que realmente tinha acontecido... Nesse meio tempo pegamos a arma do crime e fizemos um teste de DNA...

— Mas se os senhores fizeram esse teste, porque todo esse interrogatório? – Interrompi o delegado em meio a sua constatação

— Quem faz as perguntas sou eu filho!

— Desculpe

— ...Com isso descobrimos que alguém matou a garota, mas não conseguimos identificar as digitais

— Aham

— Agora estamos analisando todos os passos de todos os suspeitos. Por isso, antes de sair desta sala terá de deixar seu celular aqui

— Mas...

— Não discuta Pedro – Falou minha mãe depois de muito tempo escutando nossa conversa

— Muito obrigada, desculpe atrapalhar a noite dos senhores

Com isso entreguei meu celular e sai apressadamente do local, eu não queria pisar novamente naquela delegacia, do que adianta a lei de desacato a autoridade se ela mesma invade sua privacidade. Isso é ridículo, eu sou inocente, nunca faria uma coisa dessas.

— Pedro, pro carro – Bradou minha mãe

— Eu já estava de saída – Respondi

— Não me responda garoto!

— Mãe, você sabe que eu sou inocente, não sabe?

Ela me olhou com aquele olhar acusador, em meio a isso estávamos em frente ao seu carro

— Mãe, eu nunca faria uma coisa dessas! Eu nunca vi aquela menina na minha vida

— Eu sei Pedro, mas eu não quero você envolvido nessas coisas novamente – Em meio a isso sua voz falhou, pude sentir que lágrimas rolavam diante de seus olhos

— Mãe...

Com isso eu a abracei, ela era mais baixa que eu então eu a disse que tudo ia ficar bem e tínhamos que ir para casa, já era tarde.

Depois de quinze minutos eu tinha chego em casa, minha mãe teve que voltar para o trabalho pois estava fazendo plantão e não podia furar. Eu estava desesperado, precisava falar com alguém, sem telefone eu me sentia um extraterrestre, hoje em dia não dá pra ficar sem essas tecnologias.

Decidi entrar naquela máquina que chamavam de computador, pois meu nootbook estava com problemas e tive que levá-lo para o concerto.

O relógio marcava mais de duas horas da manhã, sendo que o computador demorou para ligar séculos, entrei na internet e liguei meu Facebook, vi que poucos dos meus amigos estavam online, mas nenhum deles com quem eu precisava conversar estava disponível.

Decidi desligar novamente o computador e fui para minha cama, meu quarto estava intacto graças a minha mãe, minha cama era Box de solteiro e ao lado se encontrava um criado mudo onde eu guardava meus pertences, em frente estava meu guarda roupa e no canto esquerdo estava meu canto dos estudos. Em cima de minha cama havia quadros de algumas motos e alguns carros, mas para falar a verdade era apenas para decoração pois do que eu gostava mesmo era das contas, todavia ele harmonizava bem com a cor da parede do quarto que era branca.

Pulei em cima de minha cama e nem dei o trabalho de trocar de roupa, minha mãe teria que passar minha roupa novamente. Fiquei rolando na cama por um bom tempo, mas depois eu havia pego no sono.

— Eu não quero problemas pro meu lado Guilherme – Falei

— Pedro, fica relax ...

— Se alguma coisa der errado vai ser tudo culpa sua, vou te denunciar para a policia seu babaca

— De que jeito? Vai me denunciar por essas ai?— Ao falar isso apontou para as identidades falsas

— Sim

— Você tem uma igual Pedro, estamos no mesmo barco...

Fiquei um tempo pensando, ele tinha razão, não tinha como não ser pego sem ao menos fazer parte do problema. Eu estava tão nervoso, nossas identidades haviam ficado prontas hoje, eu estava ansioso para usá-la mas com medo ao mesmo tempo de sobrar para mim.

— Esse é nosso passaporte para o paraíso – Afirmou

Com isso o segurança pediu nossas identidades para passarmos para o outro lado da balada, que era permitido apenas para maiores de idade (nós tínhamos apenas catorze).

— Senhor, a identidade – Ao falar isso olhou fixamente para mim

— Aqui está – Mostrei

Estávamos naquela fila há mais de meia hora, eu ficaria muito irritado se descobrissem algo.

Depois de dois minutos ele nos deu passagem. Ao entrar pude ouvir muita música e pude ver muitas mulheres; eu sempre fui o mais alto para a minha idade e acho que isso também ajudou um pouco.

— Oi – Falou uma garota de mais ou menos dezoito anos, com estatura média, cabelos negros e pele bronzeada. Pelo menos era o que parecia em meio a fumaça e as luzes do local

— Oi – Respondi

— Eu sou Andressa

— Pedro

— Quer dar uma volta comigo?— Perguntou

— Tudo bem – Respondi

Fui na maior inocência e quando vi Guilherme não estava mais do meu lado e estávamos nos beijando, tudo aconteceu muito rápido...

Em meio a isso alguém tinha me cutucado, eu parei e vi uma menina de seis anos ao meu lado com uma blusa cor de rosa e uma calça jeans, seus cabelos tinham a cor do ouro e seus olhos eram azuis como safiras

— Ana?ANA!

Acordei daquele sonho, ou melhor, pesadelo. Eu estava todo suado e me vi em meu quarto junto de minha cama, meu coração estava a mil. Precisava de um banho, olhei para a escrivaninha a minha direita e vi que o relógio marcava seis horas e trinta minutos, eu precisava de uma ducha para organizar meus pensamentos.

Bizz- bizz- bizz

Esse era o som de um celular, mas era o de minha mãe, eu reconhecia o toque. Pelo visto ela tinha esquecido, fui até a cozinha e vi seu celular, era um número desconhecido, então decidi atender:

— Alo?

— Pedro?

— Sim ?

— É o Guilherme! Cara, eu tava precisando muito falar com você!