Em busca de Ana

8 Revelações


Notas iniciais
Capítulos todas as quartas-feiras

— Estamos todos ferrados, você tá ligado né? – Falei

— Sim, por esse motivo que eu estou te ligando! – Concluiu Guilherme

— Quando eu cheguei da delegacia eu fui tentar falar com alguém mas ninguém estava disponível

— Eu cheguei em casa e tive que escutar umonte de merda

— Guilherme, o que você falou pro delegado?

— A verdade! O que tinha realmente acontecido...

— Não!

— Sim, não fui eu quem entrou em coma alcoólico naquela festa

Quando ele falou aquilo meu corpo gelou, comecei a suar frio, aquilo me apavorava pelo fato de eu não lembrar um detalhe sequer daquele dia.

— Alo? – Perguntou Guilherme depois de um tempo de eu ficar sem falar

— Você estava enrolando os caras! — Afirmei

— Cara, eu estou de boas...

— Guilherme, você devia ter me falado alguma coisa!

— Isso não vem ao caso agora meu chapa, temos que tomar uma atitude

— Do que você está falando?

— Os caras pegaram nossos celulares

— E dai ? Pera, você tá escondendo alguma coisa

— Tenho que desligar, minha mãe está acordando... Te vejo na escola

Depois disso o celular havia sido desligado na minha cara, eu estava sem chão, precisava esfriar um pouco a cabeça, com isso fui tomar uma ducha, coloquei o celular para tocar uma música no Spotify que eu havia acabado de baixar no celular de minha mãe. Coloquei minha playlist para tocar, estava tocando ‘’Habits’’ da Tove Lo, era assim que eu me sentia de acordo com a letra: ‘’You're gone and I got to stay high/All the time (Você se foi e eu tenho que ficar forte/Durante todo o tempo).

Com isso lembrei do meu sonho, eu percebi que mesmo depois de muito tempo eu ainda sentia falta dela, como eu pude deixar de esquece-la com as minhas noitadas com Guilherme. Mas como a música dizia, eu tinha que ser forte o tempo todo, não posso desabar, tenho que me manter.

Ao sair da ducha gelada chequei o telefone, o relógio marcava dez para ás sete, com isso me troquei em menos de cinco minutos, tinha que estar na escola antes das sete e quinze, vesti meu uniforme, peguei minha bolsa na sala e peguei uma maçã na cozinha para comer no caminho, pois não dá pra ficar de barriga vazia na primeira aula. A escola ficava a cinco quadras de minha casa, de acordo com os meu cálculos eu chegaria lá bem em cima da hora, nem sei se daria para conversar com o pessoal.

Minha escola era aquela típica americana, onde era possível passar pelos corredores e cada aluno ter seu armário, isso era vantajoso para nós pois ao voltar para casa não tínhamos que levar tanto peso na mochila; ao chegar lá percorri os corredores até chegar no meu armário, número 132, a senha era 1456, ou seja direita-esquerda-esquerda-direita (esse era os movimentos necessários para ela abrir), com isso ela deu um click e foi destrancada, em meio a isso um papel tinha caído no chão e estava endereçado a minha pessoa, com isso peguei do chão e o li:

Me encontre no pátio durante o intervalo, precisamos conversar todos juntos

Att: C

De acordo com a caligrafia e a assinatura pude perceber que o bilhete era de Clara, minutos depois o sinal havia batido, entrei na sala de aula e novamente todos os olhos estavam voltados para mim, parece que a ‘’novidade’’ sobre o aniversário de Clara já havia sido espalhada. Ao fundo estava Guilherme, em frente estava Clara, no canto estava Beto e no outro canto encontrava-se Marcelo, parece que algumas mudanças no mapa de sala haviam sido feitas antes de eu chegar.

— Mas o que está acontecendo aqui? – Perguntei pra ninguém em particular

— Mudaram o mapa de sala – Respondeu o professor

— Mas, porque?

— Ordens da diretoria, sente-se Pedro a aula já vai começar

A primeira aula era do professor Fernando de Geografia, de todas as aulas do mundo essa é a que eu mais odeio, prefiro mil vezes assistir aula de literatura com a professora Joana que dá um sono do caramba do que com o professor Fernando, ele é um babaca em todos os aspectos.

Esse professor era aquele famoso sonho de toda a garota, com olhos verdes, estatura alta, pele morena, cabelo negro, e forte, todavia sempre pegava os alunos de surpresa e fazia perguntas inoportunas sobre a vida pessoal; caso você estivesse passando bilhetes durante a aula dele o próprio fazia questão de pegar e ler para a sala inteira, era horrível.

Sentei em minha nova carteira que agora era no meio da sala, e para ‘’a felicidade de todos’’ Lucia sentava atrás de mim agora. O dia não podia ficar pior.

Trimmmm

O sinal da primeira aula havia soado depois de um longo tempo, ou seja, a segunda aula de literatura estava para começar com a professora Joana, uma senhora de mais ou menos sessenta anos, de estatura baixa e um vestido de bolas brancas com um fundo preto e um coque em seus fios brancos para finalizar.

— Bom dia alunos – Falou a professora

— Bom dia professora Joana – Respondeu a sala em uníssono

— Hoje nós vamos ver a escola literária Romantismo...

Com isso senti um cutucão em minhas costas, quando virei nada mais nada menos que aqueles olhos verdes de Lucia, seu cabelo loiro estava solto e seu perfume invadia o ambiente. Em meio a isso ela estava segurando um bilhete, com isso peguei de sua mão de um jeito desgostoso, nele estava escrito o seguinte recado:

Porque você não responde minhas mensagens? Quero conversar com calma...

Com isso eu escrevi em baixo:

Não temos nada para conversar

Com isso entreguei de volta para ela. Depois de alguns segundos ela havia me cutucado novamente

Por favor, é importante

Após ter lido isso eu virei meu corpo para falar com ela, seus olhos me encaravam de uma maneira apreensiva:

— Se eu conversar com você promete parar de me irritar – Sussurrei

— Prometo – respondeu ela

— COF COF... Os senhores podem me dizer quem escreveu o primeiro romance brasileiro? – Perguntou a professora para nós dois

— Hã.... – Falei

Lucia havia ficado quieta.

— Parem de fofocar por um instante, esse ano é super importante para todos os alunos! É ano de vestibular, vocês já deveriam saber isso na ponta da língua – Bradou a professora Joana

Depois de levar essa dura permaneci quieto o restante das aulas até o sinal tocar para o intervalo, eu estava varado de fome, aquela maçã só serviu para enganar meu estomago.

— Pedro quando podemos conversar? – Perguntou Lucia

— Vá até a minha casa hoje a noite — Falei

— Tudo bem, obrigada

Em meio a essa conversa sai daquela sala, eu precisava respirar um pouco de ar fresco e encontrar meus amigos, tínhamos muito o que conversar. Fui até o pátio como combinado e todos estavam sentados na grama em uma roda me esperando.

— Pedro, nós estávamos te aguardando – Falou Clara

— Aqui estou – Respondi

— Certo, vamos direto ao ponto – Falou Beto

— Bom, o combinado era não contar tudo para a policia certo – Falou Marcelo

— Sim, tentei dar uma maquiada geral nos fatos – Respondeu Guilherme

— Esperem! Do que vocês estão falando?

— Você não contou pra ele – Perguntou Beto

— Eu tentei, mas meu pai estava na minha cola – Falou Clara

— Por que você não me falou nada Guilherme? – Perguntei

— Essa não era minha responsabilidade – Respondeu Guilherme

— Mas podia ter feito esse favor para a humanidade, não é mesmo? – Perguntou Marcelo ironicamente

— Gente, o que tá acontecendo? Vocês sabem de alguma coisa que eu não sei – Perguntei

Então vários olhares foram trocados entre o grupo, todos os olhares foram voltados para mim novamente, então Beto falou:

— Pedro, nós... Vimos

— O que? – Perguntei

— O assassinato – Falou Marcelo

— Beleza, mas o que tem de ruim nisso – Perguntei

— Nós participamos dele – Falou Clara

— O QUE? – Perguntei

— Cala a boca – Falou Marcelo, com isso ele tapou minha boca com suas mãos

— Porque vocês não me falaram nada? — Perguntei

— Eu esqueci ok? Pensei que tudo não ia passar de um momento bobo – Falou Clara

— Um momento bobo... – Murmurou Beto

— Cala a boca Beto – Respondeu Clara

— Galera, brigar agora não vai adiantar em nada – Respondeu Marcelo

— Sim, temos que chegar em um consenso – Falou Guilherme

— Sim, por isso eu os convoquei aqui – Falou Clara

— Mas o que vamos fazer? – Perguntou Beto

Com isso minha mente devaneou, eu não queria mais escutar nada, simplesmente me desliguei da conversa e olhei para a parede a frente da sala de aula do ensino fundamental, ao lado tinha um garoto que não estava usando o uniforme da escola, ele parecia estar pregando um cartaz, após colar o aviso na parede olhei atentamente e li:

ADOTE UMA CRIANÇA, TODOS PRECISAM DE UM LAR

PARA MAIS INFORMAÇÕES LIGUE EM: (55) 3366-4715

Rua Netuno, 284

São Paulo – SP

Então eu me toquei, aquele era o local de onde eu havia sido adotado, onde minha Ana e eu éramos felizes e não sabíamos. Sem mais nem menos falei:

— Quem vai comigo pra São Paulo?

— Pedro! Acorda! Estamos sendo investigados pela policia – Falou Clara

— Foda-se, preciso encontra-la – Respondi

— Quem? – Perguntou Beto

— Ela – Respondi

— Você se drogou? – Perguntou Marcelo

— Somos menores de idade, o que poderia acontecer conosco? No máximo iriamos para um tratamento em grupo ou olhe lá... Aliás eu não estava sóbrio – Falei

Ou melhor, ninguém estava sóbrio.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.