Em busca de Ana

5 Delegacia


Notas iniciais
* Pessoal pretendo escrever bastante agora nas férias, aproveitar que estou com tempo e atualizar a fic. Ainda vou definir um dia exato para a postagem de novos capitulos... **Obrigada pela paciência

Eu poderia dizer que tudo não passava de um engano, mas se eu falasse eu estaria mentindo para eu mesmo. Confesso que já fiz algumas coisas erradas nessa minha vida, mas pensei que desta vez ia passar, como na maioria das vezes.

Tudo começou quando eu tinha apenas 15 anos, quando se está no começo da adolescência o que você mais quer é curtir o momento. Quando se mora em uma cidade pequena é necessário ter um empurrãozinho; conheci o Guilherme com essa idade e a partir dai minha vida social não teve mais sossego, nesse meio inventamos de fazer as identidades falsas.

Tenho muitas histórias pra contar sobre essa época em que ninguém segurava os dois patetas (sim ,esse era o nosso apelido), muitas bebidas, mulheres, algumas drogas mas apenas para ‘’diversão’’ nada muito pesado, se é que vocês me entendem, mas por agora isso não vem ao caso... Depois que nossas mães descobriram dessa nossa ‘’vida’’ tivemos que enfrentar psicólogos e tudo mais. Mas chego a conclusão de que aquilo não passava de uma mera fase em que eu estava aprendendo a lidar com a vida.

Com relação as bebidas ilegais... Bom isso foi no meio do ano passado, não entendi porque foram revirar esse acontecimento por agora, tem tantas pessoas que fazem o mesmo, ou até pior. Tudo começou na festa de aniversário da Clara, os pais dela são muito certos, não se conformam como jovens da nossa idade podem beber tamanha dose de álcool, por esse mesmo motivo não havia bebida na festa. Confesso, a festa estava um saco e a Clara também não estava muito satisfeita (fora os convidados), ou seja, eu e o Guilherme tivemos que dar um presentinho especial para a nossa amiga. Ah, um detalhe especial, a Clara não nega uma dose sequer, ou melhor, ela acompanha e ainda por cima fica mais sã que eu e o Guilherme juntos depois de muitas doses, mas for isso é uma boa menina.

Por mais que eu tenha quase 1,80 m uma alta quantidade de álcool precisa ser autorizada, logo eu necessitava de uma ajudinha, há tempos que eu não recorria a minha velha amiga (identidade falsa), mas essa era uma noite especial.

Estávamos eu e meu amigo Guilherme levando os fardos de bebida para a casa da Clara, que ficava em frente ao posto (onde estávamos pegando ‘’nosso presente’’). Quando chegamos o clima mudou totalmente, parece que a festa havia ganho uma nova cor, não me lembro bem o que tinha acontecido depois daquela festa, só sei que eu havia tomado muitas.

—Seu policial, nós podemos explicar! – Falou Guilherme

— Dentro do carro! – Bradou o policial

Parecia ser um sujeito simpático, não adiantava discutir o cara apenas estava cumprindo seu trabalho, apenas entrei sem mais nem menos, Guilherme tentou discutir mas o policial deu um jeito de calar a boa do moleque com um cassetete.

— Ei, calma ai cara! Fica na sua Guilherme, entra logo... – Falei

Pelo jeito o negócio ia além do esperado, havíamos acabado de chego em uma delegacia, senti meu coração na boca enquanto o carro da policia estacionava a viatura.

Ao entrar fomos levados á uma sala e nela havia muito mais gente do que eu imaginava, dentre eles: Clara, Pablo, Marcelo e Beto. Meu corpo gelou, ao sentarmos nas cadeiras olhamos uns para os outros, sem dizer uma única palavra em meio a isso um homem de terno, alto, moreno e bem aperfeiçoado chegou na sala e falou:

—Vamos resolver isso de uma vez crianças.

Em meio as cadeiras em que estávamos ao meio da sala tinha uma mesa, nisso o homem jogou um revolver ensangüentado envolto por um plástico

— Eu imagino que os senhores já devem ter noção do que está acontecendo aqui não é? Bom, para os desavisados nós da policia estamos investigando um assassinato e um porte ilegal de bebidas que foi feito por menores de idade que ocorreu há seis meses durante uma festa na casa da senhorita Maria Clara Correa Coelho e vocês são os principais suspeitos. Aliás sou o delegado Daniel, muito prazer!

A sala estava tão silenciosa que se uma agulha estivesse caindo no chão era possível escutar seu baque. Olhamos uns para os outros sem ao menos respirar direito, novamente o delegado e pronunciou:

— Os pais de todos já foram comunicados, em breve faremos uma entrevista com cada um de vocês.

Depois que disse isso ele saiu da sala e nos deixou com dois policiais na porta, imediatamente Guilherme falou:

— Que palhaçada é essa ?

— Eu não sei – Falou Clara

— Como assim você não sabe? A festa era sua! – Gritou Guilherme

— Eu não sei ta legal? Não é só você que está desesperado, o lance das bebidas eu sabia que ia ser descoberto de uma hora ou outra ... – Afirmou Clara

— Mas a bebida era sua e do Pedro que eu me lembro muito bem! – Afirmou Marcelo

— Fica na sua – Bradou Guilherme

— Vamos manter a calma, ta bom galera? – Falou Beto

— Cala a boca Beto, é só você dar dinheiro pra esses caras que você sai fora dessa – Falou Marcelo

— Tá me chamando de assassino e cachaceiro? Bom, a idéia não foi minha de me embebedar até não lembrar o meu nome direito...

Nessa fala eu despertei do meu devaneio, eu estava tão desesperado. Esse é meu maior medo, de eu ser o assassino, eu tinha bebido tanto na festa que não lembrava nem meu nome no outro dia, já fiz tanta merda nessa vida, na época eu ainda namorava Lucia mas no dia seguinte ela estava do meu lado me dando apoio, mas eu me pergunto se aquilo não era apenas fachada. Minha mãe iria ficar muito decepcionado comigo, o que eu faria? Logo me lembrei de Ana, a garota com quem me trazia paz nos momentos mais conturbados de minha vida. Gostaria de ter ela do meu lado nesse momento, tudo seria tão mais fácil...

— Pessoal chega de discussão isso não vai levar a nada – Falou Clara

— Então pede pro Beto calar a boca, porra! – Gritou Guilherme

— Fica na sua Guilherme! – Gritou Beto

Quando vi os dois estavam praticamente se pegando aos socos, logo os dois policiais chegaram chamaram reforços e nos tiraram de lá, essa seria uma longa noite...