Em Cada Ponta Do Infinito
39 Nosso final feliz juntos.
Notas iniciais
Algum tempo depois – NOVEMBRO.
Mesmo depois de tanto tempo, Lucas não voltou a falar comigo. E nem eu com ele. Ele continua caminhando de mãos dadas na escola com Rayane o tempo inteiro, mas às vezes o vejo me olhando.
Depois de tanto tempo, tentando, tentando, e tentando mais e mais, ainda não consegui esquece-lo de verdade. Certa vez o encontrei na casa com as crianças.
Ele estava conversando com a Fran, e quando me viu, olhou bem em meus olhos. Eu juro, que ali mesmo, parada na porta e olhando nos olhos dele, descobri que ainda o amava. E pelo brilho dos seus olhos, também percebi que era reciproco.
Mas ele não disse nada, só passou por mim e foi embora. Fran ficou olhando pra mim por um bom tempo, e ainda com um sorriso incrível no rosto.
– Eu sei que vocês ainda se gostam – Ela disse, e depois me deixou sozinha na cozinha.
Fui embora naquele dia e nunca mais falei com ele. Talvez Deus ou o destino quisesse assim. Talvez não devíamos ficar juntos mesmo.
Um tempo depois que fui à casa das crianças, talvez uma semana depois ou menos, uma noticia de que Lucas havia terminado com Rayane correu por toda a escola. Quando ouvi isso, uma alegria percorreu minha espinha e cheguei a pensar que ele viria até mim, mas nada. Chorei aquela noite mais uma vez e fiquei com raiva dele de novo.
Fiquei com raiva por que descobri que era mesmo ilusão. Depois de ver ele na casa das crianças, voltei a pensar nele dobrado e realmente a acreditar que ele ainda gostava de mim. Mas não. Mesmo ele terminado com a Rayane, ele nem se quer olhou em meus olhos.
Por isso, resolvi concentrar na minha popularidade e ficar na minha. Meu grupo estava ficando cada vez maior, e do de Rayane quase nem existia mais.
Até Suelen estava andando com a gente agora. Acho que umas dezesseis pessoas está ótimo não é mesmo?
– Vai ficar viajando ai ou vai me ajudar Tayse? – Pri perguntou.
– Hã? – Perguntei.
– Salsicha Tayse! – Respondeu, apontando sua faca pro grande pote – Sal-si-cha!
Olhei pra bacia e vi uma grande quantidade de salsicha.
– Ah não – Reclamei – Chega.
– Ainda tem mais – Ela falou.
Resmunguei mais um pouco e voltei a cortar.
– Não precisa desse tanto – Falei – Vai ser só o nosso grupo.
– Um grupo de dezesseis pessoas é pouco?
– Ah sei lá – Dei de ombros – Por que não chamamos a Elisa e o Duca?
– Eles estão distraindo o Gui. Daqui a pouco eles chegam e eu ainda nem comecei a fazer o molho do pão, por causa de você dondoca.
– Tá tá – Falei – Só falta mais dez.
Ela me olhou de rabo de olho mais uma vez e voltou a se concentrar no pão. Faríamos uma coisa pequena, com cachorro quente, bolo, refrigerante e alguns doces como supressa pro Gui. Era aniversário de dezessete anos dele, e apesar dele ganhar uma moto amanhã (mesmo não tendo idade pra dirigir – estranho né?), resolvemos fazer alguma coisa.
Pri estava me achando muito deprê esses dias, e queria me deixar mais alegre. Talvez alguma coisa só com os amigos ajudasse não é mesmo?
Terminei de cortar tudo e me joguei no sofá. Minutos depois, alguns amigos chegaram e quase uma hora depois, o Gui.
Foi realmente uma surpresa pra ele, e mais ou menos uma hora da manhã, resolvi sair pra rua. Alguns já estavam bem loucos ( sim, teve cerveja) e outros já estavam caindo de sono. Saí na rua fria e olhei ela deserta. Sentei na calçada e fiquei encarando uma arvore. Acho que ninguém sentiu minha falta, talvez por causa da bebida ou pelas loucuras que estavam fazendo com o Gui.
– Guilherme! – Ouvi Pri gritar, do lado de dentro da casa – Quem. Foi. Que. Passou. Batom. Nele?
Ouvi um colapso de risadas e ri também.
– Eu queria poder te ver sorrir mais vezes... – Alguém falou, e eu o olhei imediatamente.
– Lucas? – Perguntei.
Ele se sentou ao meu lado, contudo, ficou em silencio.
– Você não acabou de ir pra cama com a Rayane né? – Perguntei, depois de pensar muito. Acho que no tempo que havíamos ficado sem trocar um olhar, eu havia esquecido tudo que ele havia feito.
– Tayse eu...
– Não adianta Lucas. Você estava lá. De qual quer maneira – Virei meu rosto na direção oposta do seu, e encarei o outro lado da rua deserta.
– Ei... – Ele falou, e colocou a mão no meu rosto. Afastei-me violentamente e me levantei.
– Quer saber Lucas? É a minha vez de falar agora. Pra mim que você se foda! – Gritei, e por mais estranho que isso pareça, a casa lá dentro ficou em silencio – Eu tô cansada dessa porra dessa vida falsa que eu levo! Eu tô cansada de ser usada e jogada fora! Eu tô cansada dessas suas mudanças. Uma hora você me olha com o maior amor do mundo. E em outras horas, você nem me olha. Você acha o que? Que só por que você terminou com a Rayane eu ia esquecer o que você fez com ela? Pois se você quer saber, eu fiz SIM – Gritei – Com o Marcelo. Fui pra cama com ele e me diverti a noite inteira. Depois disso, eu ainda fui em um bar e fiz com um cara mais velho dentro de um carro. Eu-fiz-com-um-cara -mais-velho-dentro-de-um-carro! Ótimo não é mesmo? E sabe por que eu fiz isso PORRA? Por que eu tô cansada de pensar em você, eu tô cansada de só olhar pra você, eu tô cansa de AMAR você! Eu tô cansada de tentar te esquecer e não conseguir!
– Tayse... – Ele tentou falar, mas eu não deixei.
– CALA A BOCA LUCAS! – Falei – Porque você não vai embora agora? – Falei, porém ele ficou parada – VAI LUCAS! SOME DAQUI!
Não esperei ele sair e me virei de costas.
– Tayse – Ele segurou meu braço, e por um instante senti um formigamento. Olhei pra trás novamente e ele me puxou pra perto. Nossos corpos se tocaram e eu só consegui olhar em seus olhos. Ele me abraçou, de modo que meus braços ficaram encostados no seu peito.
– Desculpa – Falei e o abracei de verdade.
– Desculpa – Ele respondeu. Enterrei minha cabeça em seus ombros e senti o cheiro de seu perfume – Não aconteceu nada. Eu juro. De verdade.
– Mas o que você estava fazendo lá Lucas? – Perguntei, ainda com a cabeça em seus ombros.
– Ela só estava doente. E seus pais precisavam sair – Olhei em seus olhos mais uma vez e voltei ao seu ombro.
– Desculpa. Eu não fiz... – Comecei, porém ele me interrompeu.
– Eu sei, Tayse... Eu sei...
Ficamos ali, no meio da rua abraçados por um tempo.
– Por que você veio até aqui? – Perguntei – Pensei que me odiasse.
– Digamos que uma garota muito esperta, chamada Fran, gravou uma conversa dela com uma amiga chamada Tayse.
– Mas... Como?
– Dei um celular pra ela... E ela esta começando a aprender a ler com a Gi. Todos estão.
– Diga pra ela que eu a vou matar – Falei – Mas de tanto beijo.
Dei um sorriso e olhei em seus olhos. Ele também olhou nos meus, e então me beijou. Foi como da primeira vez, e como na primeira vez, tirei a mesma conclusão...
“Não importa a quantidade de beijos que nós dermos, a sensação de ser o primeiro vai ser sempre a mesma”.
– Eu amo muito você – Falei.
Ele deu um sorriso e nos soltamos do abraço. O corpo dele saiu, e de repente senti uma falta terrível. Voltei rapidamente pra ele e o abracei.
– Não quero sair nunca mais – Falei rindo – É muito bom.
Caímos na gargalhada, ainda abraçados.
– Então fica – Ele disse.
Ficamos ali um bom tempo, abraços e conversando.
Descobri que minha vida toda se resumia em uma pequena frase:
“Que os dias ruins, sempre vem, mas eles só vem, pros bons valerem a pena”
E esse era finalmente o dia que valia a pena.
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