Em Busca De Uma Willows
11 O que eu fiz?
Notas iniciais
Tenham uma boa leitura.
Linds cantarolava baixo. Minha cabeça a mil, porque toda hora a velhota olhava pra trás quando eu dava um pio. Minha mão estava coçando, minha ansiedade aumentava a cada segunda que pensava naquele homem de olhos azuis, junto com a ansiedade minha raiva aguçava. A raiva era porque uma parte daquela viagem me irritava.
- Ai! — Linds quase gritou, só pra me deixar na inflação, mas a ignorei quando me curvei por cima dela, pra olhar pela janela. Nenhum ônibus nos seguia.
Franzi a testa, ele deveria estar colado com a gente. E não estava. sai de cima da menina e olhei pro banco da frente.
- Grissom! — murmurei — Linds?! — lentamente olhei pra ela que já me olhava — Você não disse que Grissom estava vindo logo atrás. Em outro ônibus.
- sim. — ela sorriu.
- Então cadê esse outro ônibus que não vejo? — pelo meu tom de voz ela sabia que eu estava completamente furiosa e a velha da frente também.
- Eu disse que ele viria, mas não disse quando! — mas uma vez aquele bico debochado dela apareceu.
- O que? — minha mão mais uma vez formigou.
- Isso. Ele disse que iria fazer uma palestra numa cidade próxima de lá.
- Você. Mentiu. Pra. Mim? — meu rosto se vincou. Meus lábios ficaram franzidos e meus olhos vermelhos.
- Não. — ela estava calma — Falei a verdade, eu disse que ele viria logo atrás, mas não disse quando. — ela balançou a cabeça se recordando.
- Por que não me contou? — eu mantinha meu tom de voz baixo.
- Porque você não perguntou.
- Por que então você disse que ele foi buscar a minha mala?
- Porque realmente ele foi buscar sua mala. — ela suspirou — Mas o ônibus estava de saída, né?! Deveria fazer um esforço pra pensar.
- Eu vou te matar! — sussurrei.
- Não vai não! — ela sorriu — Se não fossemos pro ônibus você iria querer ficar por lá e isso só iria retardar a nossa chegada em Las Vegas. — seu sorriso sumiu, seu rosto estava vermelho, ela iria chorar.
- Não tente ser culta. — meu tom de voz se elevava — Você mentiu pra mim e agora ele vai achar que... Ah não. Não... ele vai achar que fui embora porque não gosto dele. Idiota. — automaticamente minha mão foi erguida, eu estava explodindo. Vi Linds fechar os olhos e se encolher, mas alguém segurou o meu braço.
Olhei pra trás e uma mulher, a que estava ao lado da velhota da frente me encarava.
- Me solta.
- Você não vai bater em uma criança. — a mulher ruiva e alta cuspiu aquela frase.
Fiquei de pé, ela ainda me segurava, meu ódio aumentou, o formigamento passou de minha mão para os meus braços.
- Me solta. — pedi mais uma vez com calma.
- solta ela. — ouvi a voz de Linds já entre os soluços.
- Você tem que aprender a lhe dar com crianças pequenas. — ela berrou.
- É isso ai. — o pessoal mais próximo falou.
- Eu juro que se não me soltar, a minha mão vai ser projetada contra a sua face de forma bruta. — murmurei.
- Solte-a. — Linds gritou aos prantos.
- Estou te defendendo e você não é louca de me bater. — ela me fuzilou com o olhar.
Minha mão voou contra o rosto de cavalo da mulher ruiva e ela rodopiou, caindo em cima de um garoto. Algumas pessoas se levantaram, umas para verem a moça que sangrava e outras pra virem pra cima de mim, mas Lindsey pulou de seu assento me abraçando.
- Não machuque ela. — ela chorava.
O ônibus parou quando eu empurrava a loirinha pro lado e no mesmo momento o motorista apareceu.
- Tire as duas do meu ônibus. — ele parecia mais furioso que eu — Ninguém arruma confusão no meu ônibus.
Um homem me agarrou por trás fazendo Linds gritar.
Na verdade três homens e uma mulher me arrastaram pra fora do ônibus enquanto eu praguejava a todos. Fui jogada na terra quente da beira da estrada. Tossi algumas vezes, mas antes que eu ficasse de pé o ônibus dava a sua partida. Franzi a testa.
- Vocês não tem o direito de fazer isso. eu paguei pra entrar nessa merda. — com raiva peguei uma pedra próxima e taquei no ônibus que quebrou uma das janelas de trás. Imediatamente o ônibus foi freado e meus olhos se arregalaram. Me virei, Lindsey chorava em um canto. Sai correndo puxando a garota pela mochila.
**~~
O ônibus parou, mas é claro que ninguém correu atrás da gente. Antes deles pensarem em descer, eu e Lindsey já tínhamos sumido de perto da estrada.
Entramos em uma pequena cidadezinha onde ficamos por ali somente por algumas horas, melhor, até o anoitecer. Eu não falava com a loirinha e nem ela comigo.
Enquanto andávamos ninguém se atrevia a encostar em nós. Eu estava completamente suja com a poeira do deserto e Lindsey também.
Ela choramingava baixo ao meu lado, mas ainda sim não falei com ela.
Logo que anoiteceu voltamos pra estrada onde caminhamos por horas.
- Estou cansada. — a menina estava logo atrás de mim se arrastando.
Não respondi.
- Não me ignore. — ela soluçou — Meus pés estão doendo.
Mais uma vez a ignorei.
- Você sempre acha que tudo esta certo pra você.
- Cala a boca Linds. — murmurei.
- Não. Estou cansada. — ela choramingou.
Parei, respirei fundo e me virei pra ela, fuzilando a menina com o olhar.
- Não esta vendo que estamos chegando em outra cidadezinha? — apontei pra frente.
- Mas estou cansada. — ela fez beicinho.
- Legal. Já parou pra pensar que tudo isso é por sua culpa? — gritei — Já? Se você não tivesse mentido você acha que estaríamos aqui? Me responda Lindsey!
O silencio pairou, tirando o som do soluço da menina.
- Sabe que estou falando a verdade.
- Só quero a minha mãe.
- Ótimo, porque também quero, como muitas outras coisas que você me impede de ter. — berrei.
- Só quero mamãe.
- Ela não vai voltar. Não vamos encontra-la. Você é trouxa, tola, não pensa? Ela te abandonou. Ela não te quer mais. Ela se foi. Pare de sonhar. Las Vegas é enorme, jamais a encontraremos. Só estamos indo pra lá... Bom, nem sei mais. Isso, deveríamos voltar. — apontei pro caminho de volta.
- Para. — ela chorava — Ela iria me buscar, ela me ama.
- ELA. NÃO. TE. AMA. Lindsey. — bati o pé.
Então acabou.
Seus miúdos olhos começaram a piscar freneticamente, seus braços e suas pernas tremiam, seus lábios rosados pareciam estar requebrando e perdiam a cor rapidamente. Então seu corpinho tombou pro lado.
- Lindsey, pare de drama. — encarei ela.
Seu corpo se debateu por alguns segundos antes de se acalmar.
- Lindsey, vou te deixar aqui se não ficar de pé.
Nada foi dito ou feito.
Então meu rosto relaxou e me aproximei dela.
- Lindsey?! — a cutuquei.
Ela não estava fingindo...
Notas finais
ATÉ O PRÓXIMO.
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