Elo Irrevogável
25 Capítulo 25 - Busca tu camino en otra parte
Notas iniciais
***
Estevão se surpreendeu com a forma direta como Maria começou a conversa. Ele também tinha medo de encarar o momento da verdade. Como ele havia dito a ela, aquela conversa seria decisiva. Algo havia se quebrado entre eles, Estevão sentia. Ele, um homem totalmente apaixonado, havia transposto inúmeros obstáculos para lutar e ficar com Maria, mas desde aquele domingo já não era o mesmo, já não podia olhar para Maria da mesma maneira, ela via bem. Era como se a mulher que ele tanto venerara durante aqueles meses que estiveram juntos jamais tivesse existido. Por isso ele temia falar com ela sobre tudo aquilo, porque tudo havia mudado e ele sentia.
_ Sente-se. – ele pediu indicando a cadeira na mesa na frente dele. Rodeou a mesa e sentou-se ao lado dela. – Acho que essa não é a maneira de começar essa conversa.
_ Eu sinto muito, Estevão, estou muito angustiada. Você não me olha mais da mesma maneira, está tão frio, tão distante. Estou aflita para saber se você... Se você vai me deixar. – ela disse com a voz chorosa.
_ Antes de falar sobre nós, temos que falar sobre Estrela. – ele demonstrou desdém pelos sentimentos dela ferindo-a.
_ Sim, temos que falar sobre ela. – Maria aceitou esmorecida. – Eu não queria que você soubesse desse jeito...
_ E de que jeito você queria que eu soubesse? – ele se levantou explodindo – Por que você não me contou quando me contou sobre o Evandro? Por que não disse tudo, por quê? – gritou ele de costas pra ela.
Até mesmo ele se surpreendeu com a rapidez com a qual explodiu. Estava ávido por reclamar a Maria tudo o que havia remoído durante aqueles dias entre a revelação da verdade e aquela ocasião em que ela finalmente decidira enfrentar a seu marido.
_ Faria alguma diferença? – ela indagou magoada com o desprezo que sentia em seu olhar e em suas palavras.
_ É claro que faria, Maria, faria toda a diferença! Diminuiria um pouco a sordidez que você fez comigo! – finalmente Estevão colocou para fora o quanto se sentia ultrajado por ela.
_ Não fale assim... – ela pediu chorando.
_ E como você quer que eu fale? – ele disse firme abaixando-se para olhar nos olhos dela já que ela baixara a cabeça. – O que você fez comigo foi uma sordidez! O Evandro disse aqui, na nossa casa, você nunca me amou de verdade! Só me procurou para recuperar sua... sua filha! E isso nós ainda temos que comprovar. Mas sobre você nunca ter me amado... faz sentido, Maria, tudo faz sentido!
_ Não, Estevão, não coloque as coisas desse modo, como se Evandro soubesse de meus sentimentos e tudo que aconteceu entre nós. – ela contestou triste. – A única coisa que Evandro sabia e claramente era onde estava a filha que eu passei toda a minha vida procurando. Ele não se satisfez em me roubar a inocência, a confiança nas pessoas, nos homens. – disse tentando fitá-lo. – Também teve que tirar minha filha de mim.
_ Desde quando você sabe disso, Maria? Desde quando você sabe que Estrela é a filha de vocês?
_ Ela não é filha dele! Ele a engendrou violentamente, mas não é seu pai, nunca foi. O pai dela, o que ela teve e merece é você. – reconheceu Maria agradando a Estevão.
_ Sim, é minha filha. Minha menininha. – disse com um sorriso tímido no rosto. – Mas me responda: desde quando você sabe disso? – afrontou-a.
_ Desde... – baixou os olhos – Eu sei disse desde alguns dias antes de nos reencontrarmos na minha joalheria. Luciano a encontrou depois de 18 anos de busca.
Estevão se afastou mortificado. Tivera, naquele instante a confirmação do que mais temia: ela nunca desejara retomar a história dos dois. Nunca havia sentido como ele que, ao reencontrá-la sentira que a vida lhe era devolvida e tudo que ele perdera ao longo dos anos estivesse de novo em seu devido lugar. Maria o enganara, o utilizara, mentira e fingira sentimentos por ele o tempo todo. Chorou. Naquele momento, as lágrimas que ele tanto contivera explodiram em seus olhos, era um homem ferido no mais íntimo.
_ Mas nem tudo o que aconteceu entre nós foi calculado, Estevão, você tem que acreditar em mim! – ela implorou chorando
_ O que não foi calculado, Maria? O que não foi? Agora tudo faz sentido! Claro! –chegava a dolorosas conclusões – Me lembro como você se insinuou para mim no nosso primeiro beijo, como se fazia de difícil num jogo de mulher apaixonada com medo...
_ Não era um jogo! – ela negou
_ Não minta para mim! – ele disse gritando sacudindo-a fortemente pelos ombros, mas retrocedeu ao ver a expressão de susto no rosto dela. – Pare de mentir para mim! – ele gritou se afastando dela.
_ Eu não estou mentindo, eu te amo! – repetiu consumida.
_ Me ama? – gritou – Agora você diz que me ama? Quantas vezes eu quis ouvir de você que me amava e você só dizia... Só dizia quando fazíamos amor.
_ Porque é a verdade. Eu não queria admitir, mas você tocou meu coração de uma maneira avassaladora. Eu te amei, Estevão. Te amei desesperadamente. Te amei muito mais agora do que na nossa juventude. – Disse Maria sincera.
_ Amor? O que você me deu não foi amor! O que você me deu foram um punhado de mentiras! Isso não se chama amor e eu não merecia, Maria! Não merecia porque eu não só te amava, te adorava, te venerava.
_ O que eu tenho que fazer para você acreditar em mim? – Maria indagou suplicante.
_ Eu não vou acreditar! Até chorar depois de fazer amor comigo eu te vi! Se nota o grande sacrifício que foi para você encenar esse número! – reclamou-lhe doído.
_ Não! Não era por isso que eu chorava! Eu chorava porque me via enredada em minha própria armadilha. Porque você era maravilhoso, apaixonado, o mais romântico dos homens. Cada detalhe seu me encantava mais e eu me via num beco sem saída. Eu me via entregue, completamente fascinada por você, com saudade, te ansiando, te desejando e... Não queria me apaixonar por você. Não queria te amar porque...
_ Por quê? – interrogou-a firme.
_ Porque eu desconfiava que você estivesse envolvido no rapto de minha filha. Quando Luciano descobriu onde ela estava e eu soube que ela tinha sido criada por você e Consuelo, depois que a filha de vocês tinha nascido morta, o que você queria que eu pensasse? Pense em tudo que a vida me tirou, Estevão! Me tirou a você, ao seu amor, suas promessas se transformaram em pó quando eu era só uma menina... – nesse momento foi impossível para Maria conter suas lágrimas e passou a chorar mais copiosamente.
_ Não é disso que estamos falando. – ele evitou envolver aquele assunto do qual ele ainda não se livrara da culpa. Além do mais, era muito para Estevão encarar a dor de Maria, o tocava e ele tinha medo de não se conter diante da sua dor.
_ Mas como você acha que eu me senti ao saber que a minha filha tinha sido criada por você? O que você queria que eu pensasse? Primeiro você me deixou, logo depois, se casou com Consuelo que me procurou na cadeia! Na cadeia, Estevão como se eu não estivesse sozinha e derrotada o suficiente! Me procurou para dizer que vocês tinham se casado, para pisar em mim, me fazer entender que eu tinha te perdido para sempre e que seu amor tinha sido apenas um sonho. Depois Luciano chega em minha casa com um dossiê sobre a família da minha filha e eu descubro que nesses anos todos ela estava na sua casa, acreditando ser sua filha e de Consuelo!
_ Evandro foi muito canalha. – reconheceu Estevão.
_ E Consuelo foi sua cúmplice, talvez até tenha planejado tudo.
_ Sim, é provável. Faz sentido porque eu não estava lá quando Estrela... quando minha filha nasceu. Quando Estrela foi registrada. Eu só a conheci alguns dias depois de seu nascimento. Nunca entendi porque Consuelo saiu da cidade às vésperas do nascimento do bebê, tampouco porque não voltou logo que a criança nasceu e porque se recusou a que eu fosse até lá. Evandro não estava na cidade. Claro! Estava com ela planejando como tornariam sua filha em nossa filha. – divagou Estevão pelo passado com lamento.
_ Eu sei. – Maria tentava falar e conter os soluços ao mesmo tempo.
_ Sabe? – ele se surpreendeu. Evitava olhá-la porque estava comovido com sua dor, não queria aninhá-la em seus braços e demonstrar seu amor como sempre.
_ Foi isso que Luciano me disse quando você nos encontrou abraçados no meu escritório. Por isso eu estava tão triste naquele dia. Naquele dia eu tive a comprovação de que você não tinha culpa de nada, que você era inocente do sequestro de Elena... de Estrela. Mas só naquele dia. Antes eu estava consumida pela dúvida. Por isso eu te digo Estevão eu não usei você deliberadamente, não planejei as coisas dessa maneira, nunca quis te magoar.
Estevão não soube o que dizer. Somente suspirou e deu alguns passos dentro da biblioteca. Ele não queria que Maria o visse chorando, mas naquela situação, com as emoções à flor da pele, havia poucas coisas possíveis de esconder. Estavam lacerando a história dos dois e era inevitável chorar ao descobrir que feridas que acreditavam estar há muito sanadas, permaneciam ainda em carne viva.
_ De qualquer forma... – tentou aparentar frieza. – Você me enganou! Me enganou Maria! Utilizou meus sentimentos, me fez ficar totalmente rendido aos seus pés por seu interesse de se aproximar de Estrela. Em nenhum momento você pensou em mim. Em nenhum momento você pensou em nós dois, você foi extremamente dissimulada! Sempre foi dissimulada. Dissimulou com Estrela, dissimulou comigo, dissimulou inclusive na cama, me usou!
_ As coisas não foram assim, Estevão, não foram! – Maria tentava se justificar. – Você está se deixando levar pelo modo como você descobriu tudo, como o canalha do Evandro te contou. Ele queria que você me desprezasse.
_ E o que é que você acha que eu estou sentindo? – perguntou olhando firme nos olhos dela que não deixavam de expelir lágrimas de dor por serem atingidos como lança pelas palavras dele. Ela teve medo que ele lhe gritasse na face que a desprezava. – Eu estou me sentindo um perfeito imbecil! Um fantoche que você manipulou de acordo com a sua vontade e tudo que eu fiz... – se deteve para respirar – Tudo que eu fiz, Maria, foi te amar com desespero. – desfechou essas palavras com uma grande consternação na voz.
Como a amara. Como a amava. Por isso se sentia tão fustigado. Não na pele, mas na alma, profundamente. A mulher que ele amara com adoração o havia utilizado como um brinquedo, isso ele não podia suportar. O pior é que Maria não podia defender-se. Tivessem as coisas se dado da maneira que fosse, ele estava com a razão, ela estava em intensa dívida com ele e o que fizera sim fora muito sórdido. Maria queria encontrar a maneira para redimir-se, mas naquele momento só podia ser tomada pela dor de sentir o desprezo do homem que amava.
_ Então... Então você não me ama mais? – ela disse se aproximando e colocando sua mão no braço dele de forma impetrante e olhando-o nos olhos.
Ele se deteve alguns segundos olhando-a nos olhos, se perdendo naqueles olhos verdes desenhados tão expressivos. Machucava-lhe constatar tanta dor neles, mas, ao mesmo tempo, não sabia se era real, se ela o enganava outra vez, estava cheio de medo. Afastou-se dela, repudiou o contato que antes buscava e ansiava com desespero. Não que agora não ansiasse, mas era diferente, agora ele queria controlar o que sentia, queria se permanecer firme e não tão entregado como sempre fora no que se tratava dela.
_ Não falemos disso. – disse tentando parecer frio virando-se.
_ Então nós não vamos falar de nós? – Maria desprezou a recusa dele e girou com pressa voltando a ficar de frente para ele.
_ Que curioso seu comportamento agora... – ele expeliu essas palavras com um sorriso cínico. – Antes eu era quem corria atrás de você. Como um idiota. Queria saber de seus sentimentos e você... Você sempre se escondia, até nos nossos momentos mais íntimos. E agora é você quem insiste para que falemos de nossos sentimentos. No caso dos meus, não? Porque aqui está claro que eu amei sozinho! – novamente a recriminou. Não só com as palavras, mas também com o olhar.
_ Não, isso não é verdade! Você não sabe como me fere que você fale dessa maneira.
_ Ferir? – ele indagou surpreso. – Eu estou destroçado, Maria! Se você soubesse, se você pudesse saber... – se deteve traído por seus próprios sentimentos, assim como ela, não conteve as lágrimas e não quis mais falar.
_ Meu amor! – ela disse se aproximando dele emocionada e olhando-o nos olhos tentando tocar sua alma com ternura acariciando o rosto dele. – Sinta o meu coração, – ela ficou bem pertinho dele de modo que seus corpos estivessem colados e seus batimentos agitados pudessem ser sentidos por ele. Na verdade, os dele estavam da mesma maneira. Seu sistema circulatório reagia imediatamente à proximidade com Maria. Podia negar o que fosse com palavras, mas seu corpo o delatava – a pulsação da minha pele, – falou baixinho e ofegante pegando a mão dele e levando-a ao rosto dela – a inquietude da minha respiração. – fechava os olhos de maneira sedutora. Estevão não podia deixar de olhá-la, estava tão cheio de desejo, tantos sentimentos gritavam dentro dele – E é tudo por você – ela seguiu tentando seduzí-lo com emoção levantando os olhos rumo aos dele.
Estevão ficou imóvel durante alguns segundos, lutando contra si mesmo para resistir à ela. Ela olhou firme nos olhos dele, em sua boca atraente e, de maneira deslumbrante, umedeceu os próprios lábios com a língua, suavemente sem deixar de olhar para ele.
_ Isso é o meu corpo gritando por você. – jogou a última carta que tinha esperando que ele reagisse.
Estevão se perdeu na sedução do seu perfume, da sua respiração, de sua boca que lhe pareceu um banquete farto ao qual ele ansiava devorar, de seu hálito quente se misturando ao dele, não pôde mais se conter, não pôde mais resistir ao desejo que arrebatava os cinco sentidos quando estava junto dela e só lhe restavam as ganas de sentir. Envolveu todo seu corpo entre seus braços e a beijou com tanta sofreguidão como jamais havia feito. Com suas mãos a segurava junto de si, apertava com desespero seu corpo encaixado ao dele, devorava sua boca. Quando suas línguas se encontravam ele a detinha na boca dele com exasperação, jamais se haviam dado um beijo com tanta paixão. Maria ofegante acariciava o rosto dele e o mantinha junto de si, queria, conseguir demonstrar-lhe em um beijo que o amava. Procurava encontrar o ar de toda maneira para que não precisasse deixar de beijá-lo. Ele a conduziu de leve fazendo com que ela desse passos curtos e a comprimiu contra a estante da biblioteca sem conseguir tirar as mãos de seu corpo. Subia pela cintura, por seus ombros e intensificava o beijo que durou indescritíveis momentos. Aos poucos ele foi respirando mais fundo e diminuindo o ritmo do beijo que se davam a contragosto de Maria que tudo fazia para que o beijo não se terminasse.
Quando ele parou de beijá-la, ela seguiu com os braços sobre os ombros dele ofegante enquanto ele tentava respirar com a testa colada na dela e os olhos fechados. Tentava se recuperar do frenesi do desejo que aquele beijo provocara em ambos e recuperar a razão. Vagarosamente se afastou dela e caminhou até a cadeira em que ela se sentara quando entrou na biblioteca. Colocou sua mão esquerda sobre ela e ficou olhando fixamente a aliança durante alguns segundos. Maria ajeitava seus cabelos e tentava limpar seu rosto que tinha ficado todo marcado de batom. Ela apenas deixou de apoiar-se na estante, não saiu do lugar com medo de olhar para ele. Sentia até um certo pudor pela forma tão libidinosa que ele a havia beijado e como ela havia correspondido na mesma proporção com a mesma entrega libidinosa. Sem deixar de olhar para a aliança, Estevão disse baixo e frio, logo que pôde recuperar o ritmo de sua respiração.
_ Eu acho melhor você tirar as suas coisas hoje dessa casa.
Maria não pôde dizer nada surpreendida com suas palavras que foram como um punhal em seu peito. Ele seguiu ditando-lhe o veredito da história dos dois:
_ Logo Estrela vai sair do hospital e não é bom que ela veja algo tão confuso quanto sua partida dessa casa. A vida dela já vai dar um giro muito grande para que ela tenha que enfrentar mais isso. – deixou de olhar a aliança, tirou a mão da cadeira e se virou para ela. – Pode ficar à vontade. Você não tem dormido nessa casa, mas eu tenho ocupado o quarto de hóspedes, não vou te incomodar enquanto você arruma suas coisas.
Com uma frieza que impactou Maria ele tirou a aliança do dedo e colocou sobre a mesa da biblioteca. Voltou-se para ela e em um tom ameno e frio disse:
_ Adeus, Maria.
Com essas palavras, retirou-se da biblioteca deixando Maria desconcertada e aos prantos olhando para a aliança dele em cima da mesa.
***
Maria levou alguns minutos para recuperar-se do impacto daquela conversa e daquele beijo. Subiu resignada para o quarto, que durante um curto espaço de tempo havia sido do casal e, derrotada, arrumou quase todas as suas coisas. Olhou para o lado em que Estevão dormia na cama e voltou a chorar. O havia perdido. Irremediavelmente o havia perdido.
Tú llegaste a mi vida para enseñarme
Tú supiste encenderme y luego apagarme
Tú te hiciste indispensable para mi
Y con los ojos cerrados te seguí
Si yo busqué dolor lo conseguí
no eres la persona que pensé, / que creí, / que pedí
Estevão estava na saleta, frente à lareira que assistira à alguns momentos apaixonados dos dois. Sofria penosamente. Maria era a mulher mais maravilhosa que ele havia conhecido, mas, ela, em realidade não existia, era uma mentirosa, tudo, absolutamente tudo entre eles havia sido uma mentira. Era o fim, não havia nada a ser feito.
Mientes,
Me haces daño y luego te arrepientes
Ya no tiene caso que lo intentes
No me quedan ganas de sentir
Llegas cuando estoy a punto de olvidarte
Busca tu camino en otra parte
Mientras busco el tiempo que perdí
Que hoy estoy mejor sin ti...
Maria desceu as escadas abatida. Só havia conseguido trazer duas malas, voltaria quando tivesse acomodado essas em seu carro para buscar as outras. Mas, pouco importavam as malas, as coisas, estava deixando o que mais queria naquela casa. Estevão, se aproximou da porta e viu como ela observava a casa do meio da escada, como que se despedindo. As lágrimas voltaram a assaltá-lo dolorosamente.
Voy de nuevo recordando lo que soy
Sabiendo lo que das y lo que doy
En mí no queda espacio para ti
Y el tiempo hizo lo suyo y comprendí
Las cosas no suceden porque sí
No eres la persona que pensé, que creí, que pedí
Mientes...
Antes de fechar o porta-malas com as últimas malas, Estevão se aproximou de Maria. Cheio de dor lhe disse:
_ Quando Estrela sair do hospital, decidimos como contamos a ela e... E sobre o divórcio.
Com essas palavras uma última lágrima escorreu pesada no rosto de Maria. Ela o olhou dolorida e fechou o porta-malas como se cerrasse o ciclo daquele amor. Definitivamente, era a despedida.
Mientes,
Me haces daño y luego te arrepientes
Ya no tiene caso que lo intentes
No me quedan ganas de sentir
Llegas cuando estoy a punto de olvidarte
Busca tu camino en otra parte
Mientras busco el tiempo que perdí
Que hoy estoy mejor sin ti...
Que hoy estoy mejor sin ti...

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